Hoje a Igreja celebra o último dogma proclamado sobre Maria: a sua assunção aos céus. Mas o que essa verdade de fé significa para nós? O que nos diz sobre Maria?
Quem teve a
oportunidade de visitar a Abadia da Dormição em Jerusalém (local em que segundo
a tradição Maria teria “dormido”, ou seja, concluído a sua vida aqui na terra)
no mínimo fica assombrado ao imaginar como deve ter sido aquele momento em que
Maria é assunta aos céus, para participar da glória do seu Filho amado.
A definição do
dogma
O dogma diz o
seguinte: “[...] pronunciamos, declaramos e definimos ser dogma divinamente
revelado que: a imaculada Mãe de Deus, a sempre virgem Maria, terminado o curso
da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celestial”. Foi
proclamado solenemente pelo Papa Pio XII no dia 1º de novembro de 1950.
Como fica claro
no dogma, Maria foi assunta em corpo e alma ao céu. A fórmula não quer
definir se Maria morreu ou se foi tomada e glorificada por Deus sem passar pela
morte, de modo semelhante ao que sucederá aos justos que o Senhor encontrar
vivos no fim dos tempos em sua parusia.
"Todos os
privilégios de Maria são em razão de sua grande missão: ser a Mãe de Cristo,
causa de salvação de toda a humanidade".
Interessante
perceber que na fórmula que se define o dogma estão presentes os privilégios
que constituem os outros três dogmas marianos: “Mãe de Deus”, “sempre virgem” e
“imaculada”. Fala-nos de uma unidade na fé da Igreja e que também esses três
privilégios também são fundamentos teológicos para o dogma da Assunção de Nossa
Senhora.
Todos os
privilégios de Maria são em razão de sua grande missão: ser a Mãe de Cristo,
causa de salvação de toda a humanidade. Todas essas características são dons
que Deus presenteia Maria para que Ela cumpra o seu plano amoroso.
A Assunção de
Maria na Sagrada Escritura
Alguns autores
descobrem na passagem de Ap 12,1 um dos fundamentos para a doutrina da
Assunção: “Um sinal grandioso apareceu no céu: uma Mulher vestida como o sol,
tendo a lua sob os pés e sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas” Esta
Mulher, muitos acreditam serem a Virgem Maria.
Nossa Senhora da Assunção, rogai por nós! |
Nesta visão,
João (escritor do livro do Apocalipse) viu Maria no céu. Mas o que poderia
significar essa visão? Que Maria pertence à esfera do celeste, do divino. E ao
lembrar das diversas aparições e manifestações de Nossa Senhora ao longo da
história, podemos perceber como Maria desde o céu segue cuidando dos seus
filhos.
O Papa Pio XII
para definir o dogma recolhe a Tradição da Igreja e algumas passagens bíblicas
(Gn 3,15; Rm 5; 6; lCor 15,21-26; 54-57). Uma ideia fundamental está presente
em sua interpretação: a união total de Maria a Cristo. Como Maria
participa em toda a sua luta, certamente participa em sua vitória. A
participação de Maria não seria completa sem a sua glorificação corporal:
“Parece quase
que impossível contemplar aquela que concebeu, deu à luz, alimentou com o seu
leite, a Cristo, e o teve nos braços e apertou contra o peito, estivesse agora,
depois da vida terrestre, separada dele, se não quanto à alma, ao menos quanto
ao corpo. O nosso Redentor é também filho de Maria; e como observador
perfeitíssimo da lei divina não podia deixar de honrar a sua Mãe amantíssima
logo depois do Eterno Pai. E podendo ele adorná-la com tamanha honra,
preservando-a da corrupção do sepulcro, deve crer-se que realmente o fez.”
(Papa Pio XII,Munificetissimus Deus)
A Assunção de
Maria na Tradição da Igreja
São João Paulo
II em uma bonita catequese sobre a Assunção de Maria nos fala que já no
primeiro milênio encontram-se escritos de autores sagrados sobre essa
realidade.
Alguns
testemunhos encontram-se em Santo Ambrósio, Santo Epifânio e Timóteo de
Jerusalém. São Germano de Constantinopla (733) coloca nos lábios de Jesus estas
palavras: “É preciso que onde estou Eu, também tu estejas, Mãe
inseparável de teu Filho…”.
Segundo os
Padres da Igreja, outro argumento que fundamenta o privilégio da Assunção
pode-se deduzir da participação de Maria na redenção. São João Damasceno fala
sobre essa relação: “Era necessário que aquela que vira o seu Filho sobre a
cruz e recebera em pleno coração a espada da dor... contemplasse este Filho
sentado à direita do Pai”.
Além destes
testemunhos podemos perceber presente na tradição aquela máxima Lex orandi
lex credendi, a lei da oração é a lei da fé. No século VI, já acontecia, em
Jerusalém, a festa da Dormição (Trânsito) de Nossa Senhora e por volta do ano
600, começou a ser celebrada também em Constantinopla. No Ocidente, no final do
século VII, começa a ser celebrada em Roma, patrocinada pelo Papa S. Sérgio I.
Durante o século VIII e IX se estende por todo o Ocidente.
Conclusão: uma
Mãe intercedendo no céu por seus filhos
Ao aprofundarmos
um pouco sobre a Assunção nos vem à mente e ao coração uma certeza: temos junto
do Pai, além de Cristo, Nossa Senhora, que com coração de Mãe certamente está
intercedendo por todos nós e não descansará enquanto não ver todos os seus
filhos junto ao seu Filho.
Maria abriu o
caminho para nós e com sua Assunção nos lembra do nosso destino: o céu, a
glória de Deus, a nossa felicidade plena e para sempre. Vivamos essa vida na
terra com visão de eternidade, que todos os nossos atos encurte cada vez mais o
caminho para que nos encontremos um dia com Ela.
Nossa Senhora da
Assunção, rogai por nós!
Ir. Gilberto
Cunha
Fonte: a12.com
................................................................................................................................
Nenhum comentário:
Postar um comentário