sábado, 30 de junho de 2018

Arquidiocese disponibiliza material

para a Semana da Família


A Comissão "Comunidade de fé a serviço das famílias" já encaminhou para as paróquias da Arquidiocese de Pouso Alegre o material para ser utilizado durante a Semana da Família, que neste ano é celebrada entre os dias 12 e 18 de agosto. 
O material traz roteiros para a oração do terço em famílias, para a celebração da luz e adoração ao Santíssimo Sacramento, além de uma celebração penitencial. Há também a sugestão de palestras e filmes. 
"Convidamos a todos e todas a participar desta semana que não ser um acontecimento somente para os membros da Pastoral Familiar ou para os casais da comunidade, mas que toda e cada família se sinta convocada a participar. Esta deve ser como que uma segunda Semana Santa na vida da comunidade. Esperamos a participação de todos, num espírito de comunhão e fraternidade", afirmou padre Lucimar Goulart. 
Faça o download do material aqui!
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                                                                                                      Fonte: arquidiocese-pa.org.br

Sábia reflexão

Sejamos mais lúcidos e proativos!
A Copa do Mundo tem envolvido um terço da população do planeta, com um custo altamente bilionário. O sistema empresarial em torno da bola e dos 265 milhões de jogadores profissionais e amadores, em todo o mundo, gera lucros gigantescos. O futebol mundial não foi, no entanto, idealizado dessa forma capitalista pelo católico humanista francês, Jules Rimet, ao criar a Copa do Mundo, sendo a primeira, realizada no Uruguai, em 1930.
Quando criança, ele foi “coroinha” na Igreja de sua aldeia. Em meio a uma grande crise econômica da Europa, sua família mudou-se para Paris, em busca de dias melhores. Ele e seus amigos, influenciados pela primeira Encíclica Social da Igreja Católica, chamada Rerum Novarum (Coisas Novas), do Papa Leão XIII, publicada em 1891, se tornaram jovens idealistas em favor dos trabalhadores assolados pela exploração e pela miséria.
Dom Reginaldo Andrietta
Inspirados por essa Encíclica, eles fundaram uma associação de assistência social e médica aos mais pobres. Ele tornou-se advogado, dedicando-se sempre à caridade. Amante do futebol, tomou a iniciativa de promover esse esporte para unir pessoas, especialmente os mais pobres. Fundou, então, um clube aberto a qualquer pessoa, sem discriminação étnica e social, com o objetivo de promover convivência saudável.
Motivado pela possibilidade dos esportistas cultivarem um bom relacionamento, em lugar de “ódio em seus corações e insultos em seus lábios”, como dizia, ele fomentou o futebol, até então, desprezado por ser considerado esporte de classe baixa. Em 1904, ele participou da fundação da Federação Internacional de Futebol (FIFA). O plano dessa associação de organizar uma Copa do Mundo foi frustrado pela primeira guerra mundial, entre 1914 e 1918.
Após a guerra, tornando-se presidente da FIFA, ele se dedicou ao ideal de tornar o futebol um meio de congraçamento entre povos. Esse destino, no entanto, não se tornou tão promissor, pois o futebol incorporou a lógica mercantilista, se tornou objeto de investimento capitalista e corrupção dos próprios dirigentes de futebol, inclusive da FIFA, e passou a ser um instrumento alienador, nocivo à vida sócio-política, pois seu fanatismo passou a anestesiar consciências.
No Brasil, por exemplo, é difícil encontrar alguém que não saiba o nome do técnico da seleção. Mas, poucos sabem os nomes dos ministros do trabalho, da educação e da saúde, e como eles atuam. Enquanto milhões de brasileiros se fanatizam pela seleção, o Congresso aprova leis que lesam a classe trabalhadora e retiram direitos sociais, com informações ínfimas dos meios de comunicação, se comparadas às jogadas futebolísticas mostradas e comentadas com detalhes.
Estamos em processo eleitoral. São poucos, no entanto, os brasileiros esclarecidos e ativos nesse processo. Neste ano, coincidentemente, dedicado pela Igreja ao laicato, qual tem sido a postura dos cristãos leigos e leigas, vocacionados a atuarem, primordialmente, na vida pública? Estão, realmente, fazendo jus à missão confiada por Cristo de serem “sal da terra e luz do mundo” (cf. Mt 5,13-16), construindo projetos coletivos com impacto sócio-político positivo?
Se os belos ideais do criador da Copa do Mundo não foram assegurados por sua própria ingenuidade sócio-política, o que dizer de quem sequer tem ideais sociais? Desafiados a mudar a cultura mercantilista, inspiremo-nos no bom combate do Apóstolo Paulo, travado com fé lúcida (cf. 2Tm 4,7). Que tal, então, sermos mais esclarecidos e proativos politicamente? Senão, mesmo ganhando Copas do Mundo não conquistaremos melhores condições de vida.
                                                                                                        Jales, 28 de junho de 2018
                                                             Dom Reginaldo Andrietta, Bispo Diocesano de Jales
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                                                                                                               Fonte: cnbbsul1.org.br

sexta-feira, 29 de junho de 2018

Leituras da

Solenidade de São Pedro e São Paulo

1ª Leitura: At 12,1-11
Atos dos Apóstolos:
Naqueles dias, o rei Herodes prendeu alguns membros da Igreja, para torturá-los. Mandou matar à espada Tiago, irmão de João. E, vendo que isso agradava aos judeus, mandou também prender a Pedro. Eram os dias dos Pães ázimos.
“Depois de prender Pedro, Herodes colocou-o na prisão, guardado por quatro grupos de soldados, com quatro soldados cada um. Herodes tinha a intenção de apresentá-lo ao povo, depois da festa da Páscoa. Enquanto Pedro era mantido na prisão, a Igreja rezava continuamente a Deus por ele.
Herodes estava para apresentá-lo. Naquela mesma noite, Pedro dormia entre dois soldados, preso com duas correntes; e os guardas vigiavam a porta da prisão.
Eis que apareceu o anjo do Senhor e uma luz iluminou a cela. O anjo tocou o ombro de Pedro, acordou-o e disse: “Levanta-te depressa!” As correntes caíram-lhe das mãos.
O anjo continuou: “Coloca o cinto e calça tuas sandálias!” Pedro obedeceu e o anjo lhe disse: “Põe tua capa e vem comigo!” Pedro acompanhou-o, e não sabia que era realidade o que estava acontecendo por meio do anjo, pois pensava que aquilo era uma visão. Depois de passarem pela primeira e segunda guarda, chegaram ao portão de ferro que dava para a cidade. O portão abriu-se sozinho. Eles saíram, caminharam por uma rua e logo depois o anjo o deixou. Então Pedro caiu em si e disse: “Agora sei, de fato, que o Senhor enviou o seu anjo para me libertar do poder de Herodes e de tudo o que o povo judeu esperava!”
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Salmo: 33
De todos os temores me livrou o Senhor Deus.
De todos os temores me livrou o Senhor Deus.
- Bendirei o Senhor Deus em todo o tempo,/ seu louvor estará sempre em minha boca./ Minha alma se gloria no Senhor;/ que ouçam os humildes e se alegrem!
- Comigo engrandecei ao Senhor Deus,/ exaltemos todos juntos o seu nome!/ Todas as vezes que o busquei, ele me ouviu,/ e de todos os temores me livrou.
- Contemplai a sua face e alegrai-vos,/ e vosso rosto não se cubra de vergonha!/ Este infeliz gritou a Deus, e foi ouvido,/ e o Senhor o libertou de toda angústia.
- O anjo do Senhor vem acampar/ ao redor dos que o temem, e os salva./ Provai e vede quão suave é o Senhor!/ Feliz o homem que tem nele o seu refúgio!
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2ª Leitura: 2Tm 4,6-8.17-18
Segunda Carta de São Paulo a Timóteo:
Caríssimo, quanto a mim, eu já estou para ser derramado em sacrifício; aproxima-se o momento de minha partida. Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé. Agora está reservada para mim a coroa da justiça, que o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que esperam com amor a sua manifestação gloriosa.
Mas o Senhor esteve a meu lado e me deu forças, ele fez com que a mensagem fosse anunciada por mim integralmente, e ouvida por todas as nações; e eu fui libertado da boca do leão. O Senhor me libertará de todo mal e me salvará para o seu Reino celeste. A ele a glória, pelos séculos dos séculos! Amém.
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Evangelho: Mt 16,13-19
Evangelho de São Mateus:
Naquele tempo, Jesus foi à região de Cesareia de Filipe e ali perguntou aos seus discípulos: “Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?” Eles responderam: “Alguns dizem que é João Batista; outros que é Elias; outros ainda, que é Jeremias ou algum dos profetas”.
Então Jesus lhes perguntou: “E vós, quem dizeis que eu sou?”
Simão Pedro respondeu: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo”. Respondendo, Jesus lhe disse: “Feliz és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi um ser humano que te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu. Por isso eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e o poder do inferno nunca poderá vencê-la. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que tu ligares na terra será ligado nos céus; tudo o que tu desligares na terra será desligado nos céus”.

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Reflexão:
O Papa, o missionário e a comunidade 
Popularmente, a festa de hoje é chamada o Dia do Papa, sucessor de Pedro. Mas não podemos esquecer que ao lado de Pedro é celebrado também Paulo, o Apóstolo, ou seja, missionário, por excelência.
No evangelho, o apóstolo Simão responde pela fé de seus irmãos. Por isso, Jesus lhe dá o nome de Pedro. Este nome é uma vocação: Simão deve ser a “pedra”(rocha) que deve dar solidez à comunidade de Jesus (cf. Lc 22,32). Esta “nomeação”vai acompanhada de uma promessa: as “portas” (cidade, reino) do inferno não poderão nada contra a Igreja, que é uma realização do reino “dos Céus” (= de Deus). A 1ª leitura ilustra essa promessa: Pedro é libertado da prisão pelo anjo do Senhor. Pedro aparece, assim, como o fundamento institucional da Igreja.
Paulo aparece mais na qualidade de fundador carismático. Sua vocação se dá na visão de Cristo no caminho de Damasco: de perseguidor, ele se transforma em apóstolo e realiza, mais do que os outros apóstolos inclusive, a missão que Cristo lhes deixou, de serem suas testemunhas até os extremos da terra (At 1,8). Apóstolo dos pagãos, Paulo torna realidade a universalidade da Igreja, da qual Pedro é o guardião. A 2ª leitura é o resumo de sua vida de plena dedicação à evangelização entre os pagãos, nas circunstâncias mais difíceis: a palavra tinha que ser ouvida por todas as nações (v. 17). Não esconder a luz de Cristo para ninguém! O mundo em que Paulo se movimentava estava dividido entre a religiosidade rígida dos judeus farisaicos e o mundo pagão, cambaleando entre a dissolução moral e o fanatismo religioso. Neste contexto, o apóstolo anunciou o Cristo Crucificado como sendo a salvação: loucura para os gregos, escândalo para os judeus, mas alegria verdadeira para quem nele crê. Missão difícil. No fim de sua vida, Paulo pode dizer que “combateu o bom combate e conservou a fé/fidelidade”, a sua e a dos fiéis que ele ganhou. Como Cristo – o bom pastor – não deixa as ovelhas se perderem, assim também o apóstolo – o enviado de Cristo – conserva-lhes a fidelidade.
Pedro e Paulo representam duas dimensões da vocação apostólica, diferentes mas complementares. As duas foram necessárias, para que pudéssemos comemorar hoje os fundadores da Igreja universal. Esta complementariedade dos carismas de Pedro e Paulo continua atual na Igreja hoje: a responsabilidade institucional e a criatividade missionária. Pode até provocar tensões, por exemplo, uma teologia “romana”versus uma teologia latino-americana. Mas é uma tensão fecunda. Hoje, sabemos que o pastoreio dos fiéis – a pastoral – não é monopólio dos “pastores constituídos”como tais, a hierarquia. Todos fiéis são um pouco pastores uns para com os outros. Devemos conservar a fidelidade a Cristo – a nossa e a dos nossos irmãos – na solidariedade do “bom combate”.
E qual será, hoje, o bom combate? Como no tempo de Pedro e Paulo, uma luta pela justiça e a verdade em meio a abusos, contradições e deformações. Por um lado, a exploração desavergonhada, que até se serve dos símbolos da nossa religião; por outro, a tentação de largar tudo e de dizer que a religião é um obstáculo para a libertação. Nossa luta é, precisamente, assumir a libertação em nome de Jesus, sendo fiéis a ele; pois, na sua morte, ele realizou a solidariedade mais radical que podemos imaginar.
                             Do livro “Liturgia Dominical”, de Johan Konings, SJ, Editora Vozes
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                                                                                                    Reflexão franciscanos.org.br

Papa Francisco na Solenidade dos apóstolos Pedro e Paulo:

 Glória e cruz sejam inseparáveis
"Contemplar a vida de Pedro e a sua confissão significa reconhecer as tentações que acompanham a vida do discípulo. Como Pedro, seremos sempre tentados pelos 'sussurros' do maligno", disse o Pontífice na missa na Solenidade dos Santos apóstolos Pedro e Paulo.
Cidade do Vaticano - O Santo Padre presidiu na manhã desta sexta-feira (29/6), na Praça de São Pedro, à solene celebração Eucarística por ocasião da Solenidade dos Apóstolos São Pedro e São Paulo.
Durante a cerimônia, o Papa entregou os Pálios sagrados aos 30 Arcebispos Metropolitanos nomeados durante o último ano, entre os quais um brasileiro: Dom Airton José dos Santos, arcebispo de Mariana (MG).
Tu és o Messias
Homilia
Em sua homilia, Francisco retomou a Tradição Apostólica, perene e sempre nova, que acende e revigora a alegria do Evangelho. E precisamente sobre o Evangelho de hoje, pôs em realce a pergunta que Jesus fez aos seus discípulos: “E vós, quem dizeis que Eu sou?”. Tomando a palavra, Pedro respondeu: “Tu és o Messias”, o Ungido, o Consagrado de Deus. E o Papa disse:
“Muito me apraz saber que foi o Pai a inspirar esta resposta a Pedro, que via como Jesus “ungia” seu povo. Jesus, o Ungido que caminha, de aldeia em aldeia, com o único desejo de salvar e aliviar quem estava perdido: ungia os mortos, os enfermos, as feridas, o penitente. Unge a esperança! Assim, todo pecador, derrotado, doente, pagão se sentiam membros amados da família de Deus”.
Ir a todos os cantos
Como Pedro, disse o Papa, também nós podemos confessar, com os nossos lábios e o coração, não só o que ouvimos, mas também a nossa experiência concreta de termos sido ressuscitados, socorridos, renovados, cumulados de esperança pela unção do Santo. E acrescentou:
“O Ungido de Deus leva o amor e a misericórdia do Pai até às extremas consequências. Este amor misericordioso exige ir a todos os cantos da vida e chegar a todos, ainda que pudesse colocar em perigo o próprio “nome”, as comodidades, a posição, o martírio”.
Tentação à espreita
Perante este anúncio tão inesperado, Pedro reage a ponto de se tornar pedra de tropeço no caminho do Messias e até ser chamado “Satanás”. Contemplar a vida de Pedro e a sua confissão, afirmou o Papa, significa reconhecer as tentações que acompanham a vida do discípulo. Como Pedro, como Igreja, seremos sempre tentados pelos “sussurros” do maligno, que poderão ser pedra de tropeço para a nossa missão:
“Quantas vezes sentimos a tentação de ser cristãos, mantendo uma prudente distância das chagas do Senhor! Jesus toca a miséria humana; convida-nos a estar com Ele e a tocar os sofrimentos dos outros. Confessar a fé, com a boca e o coração, exige identificar os “sussurros” do maligno; discernir e descobrir as “coberturas” pessoais e comunitárias, que nos mantêm à distância do drama humano real, impedindo-nos de entrar em contato com a sua existência concreta”.
Não separar a glória da cruz
Jesus, frisou Francisco, sem separar a cruz da glória, quer resgatar seus discípulos e a sua Igreja dos triunfalismos vazios de amor, de serviço, de compaixão e de povo. Contemplar e seguir a Cristo exige deixar o nosso coração abrir-se ao Pai e a todos com quem Ele se identificou: Ele jamais abandona o seu povo! O Papa concluiu sua homilia, com a exortação:
“Confessemos com os nossos lábios e com o nosso coração que Jesus Cristo é o Senhor! Este é o nosso canto, que somos convidados a entoar todos os dias. Com a simplicidade, a certeza e a alegria de saber que a Igreja não brilha com luz própria, mas com a de Cristo: 'Já não sou eu que vivo, mas Cristo vive em mim'.”
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Momentos














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No Angelus, Papa saúda delegação ecumênica
“Que esta tradicional presença, exortou Francisco, seja um ulterior sinal do caminho de comunhão e fraternidade que, graças a Deus, caracteriza as nossas Igrejas”, disse Francisco.
Cidade do Vaticano - Após a celebração Eucarística nesta sexta-feira (29/06), Solenidade de São Pedro e São Paulo, o Papa Francisco rezou a oração do Angelus com os numerosos fiéis reunidos na Praça São Pedro. Em sua alocução mariana, o Santo Padre disse:
“Hoje, a Igreja peregrina, em Roma e no mundo inteiro, retorna às raízes da sua fé e celebra os Apóstolos Pedro e Paulo. Seus restos mortais, que descansam nas duas Basílicas a eles dedicadas em Roma, são muito queridos aos romanos e aos numerosos peregrinos que aqui os veneram!”
O Filho do Deus vivo
O Papa recordou o diálogo de Jesus com seus discípulos, narrado na liturgia da festa de hoje: “O que o Povo diz sobre o Filho do Homem? E vós, quem dizeis que Eu sou?”. Este é um episódio fundamental para o nosso caminho de fé. A resposta do povo, ou seja, a opinião pública corrente, é verdadeira, mas parcial; Ao invés, Pedro, - a Igreja de todos os tempos, - responde a verdade, pela graça de Deus: “Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo”. E Francisco explicou:
“Durante os séculos, o mundo definiu Jesus em diversos modos: um grande profeta da justiça e do amor; um mestre sábio de vida; um revolucionário; um sonhador dos sonhos de Deus... Porém, a resposta de Pedro, homem humilde e cheio de fé, resume toda a verdade evangélica: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”.
Ser sempre fiel ao Evangelho
De fato, afirmou o Papa, Jesus é o Filho de Deus!” Eis a experiência de Pedro e de todo cristão, que brota da Santíssima Trindade. Mas a partir da resposta de Pedro, Jesus também lhe respondeu: “Tu és Pedro e sobre esta rocha edificarei a minha Igreja...”. É a primeira vez que Jesus pronuncia a palavra Igreja, que, com amor, a define “minha Igreja”, a nova Comunidade de fiéis. E Francisco concluiu:
“Por intercessão da Virgem Maria, Rainha dos Apóstolos, que o Senhor conceda à sua Igreja, a Roma e ao mundo inteiro ser sempre fiel ao Evangelho, ao qual os Santos Pedro e Paulo consagraram as suas vidas”.
Patriarcado Ecumênico de Constantinopla
Ao término da oração mariana do Angelus, o Santo Padre recordou aos fiéis, presentes na Praça São Pedro, a solene celebração da Eucaristia, que presidiu com os novos Cardeais, criados no Consistório desta quinta-feira (28/6), e a bênção dos Pálios sagrados, entregues aos Arcebispos Metropolitanos, nomeados neste ano, provenientes de diversos Países.
A todos o Papa renovou seus agradecimentos e fez votos para que possam, com entusiasmo e generosidade, prestar sempre seu serviço ao Evangelho e à Igreja.
O Santo Padre concluiu seu saudação aos fiéis, recordando, de modo particular, a presença de uma Delegação do Patriarcado Ecumênico, que, por ocasião da Solenidade de São Pedro e São Paulo, é enviada pelo Patriarca Bartolomeu para participar desta celebração. “Que esta tradicional presença, exortou Francisco, seja um ulterior sinal do caminho de comunhão e fraternidade que, graças a Deus, caracteriza as nossas Igrejas”.
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Assista:
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                                                                                                                Fonte: vaticannews.va

São Pedro e São Paulo:

Apóstolos fiéis e modelos de vida para os cristãos de hoje
Em pleno mês de junho, época das festas populares no Brasil, diversos santos são homenageados: Santo Antônio, São João, São Pedro e São Paulo, estes dois últimos exaltados no dia 29. “Também recordamos com muito carinho a figura do papa, hoje Francisco, sucessor de Pedro e Vigário de Cristo. Proponho a vida e a obra de São Pedro e São Paulo como ensinamento para todos os cristãos de hoje”, afirma o bispo de São José dos Campos, dom José Valmor Cesar Teixeira.
São Pedro, guia e suporte da primeira comunidade
Segundo dom José Valmor, Pedro foi escolhido por Jesus para exercer uma particular missão: aquela de guiar e sustentar a primeira comunidade. O bispo explica que no evangelho de Mateus, Jesus confia a Igreja a Pedro: “Eu te digo que tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela; e eu te darei as chaves do reino dos céus; e tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus” (Mt 16, 17-19).
São Pedro
É neste mesmo primado que o bispo de São José dos Campos afirma que a Igreja reconhece no papa, de cujos símbolos, as chaves e o anel do pescador. Tais apetrechos imediatamente remetem à figura do apóstolo. “Humaníssimo na sua fragilidade, Pedro é, como os outros apóstolos, desanimado no momento terrível da condenação e agonia de Jesus, chegando à negação do Senhor. Mas depois de sua ‘conversão total’ a Jesus, o mesmo faz com que receba o abraço da misericórdia”, diz o bispo.
Depois de Pentecostes, segundo o bispo, o apóstolo consagrou toda a sua vida, até o martírio em uma cruz. “A Pedro é atribuído o primeiro milagre depois da ressurreição de Jesus, na porta do Templo e ainda, é atribuída a ele, a primeira conversão de um pagão, o Centurião Cornélio”, conta. Nas perseguições sofreu a prisão por testemunhar Jesus e a sua salvação. “Foi missionário de Jesus e do seu Evangelho em Jerusalém, na Palestina, em Antioquia, em Corinto, em Roma”, afirma dom José Valmor.
Pedro morre mártir sob o imperador Nero, no ano de 67 d.C., e seus restos mortais foram depositados no cemitério que havia na colina do Vaticano. Na época, o imperador Constantino construiu a primeira igreja sobre o túmulo do apóstolo. “O papa Dâmaso diz que Pedro e Paulo são cidadãos romanos por causa do martírio em Roma”, afirma o bispo.
São Paulo, de perseguidor a apóstolo das nações
De acordo com dom José Valmor, Paulo encontra Jesus de modo misterioso, depois de anos de perseguição contra a Igreja. “Encontra Jesus no caminho de Damasco e depois de uma formação inicial cristã, torna-se o grande discípulo missionário do mestre, em todos os lugares possíveis”, diz.
São Paulo
Com o apóstolo, o bispo afirma que a Igreja se descobre, para todos os efeitos, missionária, aberta aos pagãos, aberta a todos os povos, raças e línguas. “Homem convertido, trabalhador corajoso, inteligente, de grande cultura, excelente orador, Paulo abandona as suas seguranças e coloca-as constantemente em missão”, diz.
Paulo é todo e em tudo dedicado à missão evangelizadora. As suas viagens o levaram à Arábia, Grécia, Turquia, Itália. Em Roma, virou prisioneiro por causa da fé, mas continuou a evangelizar, ainda que em meio a muitas dificuldades. Como Pedro, morre mártir, provavelmente no ano de 67 d.C. “Suas 13 cartas, inseridas no cânon do Novo Testamento, são bases doutrinais essenciais do Cristianismo e uma referência imprescindível para os cristãos de todas as épocas históricas e de todos os continentes”, afirma dom José Valmor.
O apóstolo foi condenado à morte por um tribunal romano, porque era cristão. Foi decapitado, diz-se que em 29 de junho do ano 67 d.C, porque era cidadão romano e por isso não podia ser crucificado. “São Paulo mártir, santo, apóstolo, missionário, escritor, evangelizador, corajoso e constante, é exemplo para cada um de nós, nos tempos que vivemos”, finaliza o bispo.
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                                                                                                                      Fonte: cnbb.net.br

quinta-feira, 28 de junho de 2018

Papa aos novos cardeais:

Colocar-se aos pés dos outros para servir
No Consistório Ordinário Público para a criação de 14 novos cardeais, o Papa exortou a não cair nos ciúmes, invejas e intrigas, mas a voltar o olhar, os recursos, as expectativas e o coração para o que conta: a missão para com os irmãos.

Cidade do Vaticano O Papa Francisco presidiu, na tarde desta quinta-feira (28/06), na Basílica de São Pedro, no Vaticano, o Consistório Ordinário Público para a criação de catorze novos cardeais.
O Pontífice iniciou a sua homilia, com a seguinte passagem do Evangelho de Marcos: “Estavam a caminho, subindo para Jerusalém. Jesus ia na frente deles.”
“O início desta passagem paradigmática de Marcos sempre nos ajuda a ver como o Senhor cuida do seu povo com uma pedagogia incomparável. No caminho para Jerusalém, Jesus não Se esquece de preceder os seus.”
Francisco frisou que “Jerusalém representa a hora das grandes resoluções e decisões. Todos sabemos que, na vida, os momentos importantes e cruciais deixam falar o coração e manifestam as intenções e as tensões que vivem em nós”.
“Tais encruzilhadas da existência nos interpelam e fazem surgir questões e desejos nem sempre transparentes do coração humano; é o que nos mostra, com grande simplicidade e realismo, o texto do Evangelho que acabamos de ouvir.”
Não aos ciúmes, invejas e intrigas
“Em contraponto ao terceiro e mais duro anúncio da Paixão, o Evangelista não teme desvendar alguns segredos do coração dos discípulos: busca dos primeiros lugares, ciúmes, invejas, intrigas, ajustes e acordos; esta lógica não só desgasta e corrói a partir de dentro as relações entre eles, mas os fecha e envolve em discussões inúteis e de pouca importância.”
“Entretanto Jesus não Se detém nisso, mas continua adiante, os precede e diz-lhes vigorosamente: ‘Não deve ser assim entre vós. Quem quiser ser grande entre vós, faça-se vosso servo’. Com este comportamento, o Senhor procura centrar de novo o olhar e o coração de seus discípulos, não permitindo que discussões estéreis e autorreferenciais tenham espaço na comunidade.
Que adianta ganhar o mundo inteiro, se se fica corroído por dentro? Que adianta ganhar o mundo inteiro, se todos vivem prisioneiros de asfixiantes intrigas que secam e tornam estéril o coração e a missão? Nesta situação – como alguém observou –, poder-se-iam já vislumbrar as intrigas de palácio, mesmo nas cúrias eclesiásticas”, disse ainda o Papa.
A missão
“Não deve ser assim entre vós”: é a resposta do Senhor, que constitui primeiramente um convite e uma aposta para recuperar o que há de melhor nos discípulos e, assim, não se deixarem arruinar e se prender por lógicas mundanas que afastam o olhar daquilo que é importante. ‘Não deve ser assim entre vós’: é a voz do Senhor que salva a comunidade de se fixar demasiado em si mesma, em vez de dirigir o olhar, os recursos, as expectativas e o coração para o que conta, a missão.”
“Deste modo, Jesus nos ensina que a conversão, a transformação do coração e a reforma da Igreja são feitas, e sempre devem ser, em chave missionária, pois pressupõem que se deixe de olhar e cuidar dos interesses próprios para olhar e cuidar dos interesses do Pai.”
“A conversão dos nossos pecados, dos nossos egoísmos não é nem será jamais um fim em si mesma, mas visa principalmente crescer em fidelidade e disponibilidade para abraçar a missão; e isto de tal maneira que na hora da verdade, especialmente nos momentos difíceis dos nossos irmãos, estejamos claramente dispostos e disponíveis para acompanhar e acolher a todos e cada um e não nos transformemos em ótimos repelentes por termos vistas curtas ou, pior ainda, por estarmos pensando e discutindo entre nós quem será o mais importante”, disse ainda o Papa.
“Quando nos esquecemos da missão, quando perdemos de vista o rosto concreto dos irmãos, a nossa vida fecha-se na busca dos próprios interesses e seguranças.”
E, assim, começam a crescer o ressentimento, a tristeza e a aversão. Pouco a pouco diminui o espaço para os outros, para a comunidade eclesial, para os pobres, para escutar a voz do Senhor. Deste modo perde-se a alegria, e o coração acaba na aridez.”
“'Não deve ser assim entre vós – diz o Senhor – (…) e quem quiser ser o primeiro entre vós, faça-se o servo de todos'. É a bem-aventurança e o magnificat que somos chamados a entoar todos os dias. É o convite que o Senhor nos faz, para não esquecermos que a autoridade na Igreja cresce com esta capacidade de promover a dignidade do outro, ungir o outro, para curar as suas feridas e a sua esperança tantas vezes ofendida.
É lembrar que estamos aqui porque fomos enviados para ‘anunciar a Boa-Nova aos pobres, proclamar a libertação aos cativos e, aos cegos, a recuperação da vista; para mandar em liberdade os oprimidos, para proclamar um ano favorável da parte do Senhor’.”
Colocar-se aos pés dos outros para servir a Cristo
Amados irmãos cardeais e novos cardeais! Estando nós na estrada para Jerusalém, o Senhor caminha à nossa frente para nos lembrar mais uma vez que a única autoridade crível é a que nasce do se colocar aos pés dos outros para servir a Cristo. É a que deriva de não esquecer que Jesus, antes de inclinar a cabeça na cruz, não teve medo de Se inclinar diante dos discípulos e lavar os seus pés.
Esta é a mais alta condecoração que podemos obter, a maior promoção que nos pode ser dada: servir Cristo no povo fiel de Deus, no faminto, no esquecido, no recluso, no doente, no toxicodependente, no abandonado, em pessoas concretas com as suas histórias e esperanças, com os seus anseios e decepções, com os seus sofrimentos e feridas. Só assim a autoridade do pastor terá o sabor do Evangelho e não será «como um bronze que soa ou um címbalo que retine» (1 Cor 13, 1).
Nenhum de nós deve se sentir ‘superior’ aos outros. Nenhum de nós deve olhar os outros de cima para baixo; só podemos olhar assim uma pessoa, quando a ajudamos a se levantar.
Testamento espiritual de São João XXIII
"Gostaria de recordar convosco uma parte do testamento espiritual de São João XXIII que, já adiantado no caminho, pôde dizer: «Nascido pobre, mas de gente honrada e humilde, sinto-me particularmente feliz por morrer pobre, tendo distribuído, segundo as várias exigências e circunstâncias da minha vida simples e modesta a serviço dos pobres e da Santa Igreja que me alimentou, tudo o que me chegou às mãos – em medida, aliás, muito limitada – durante os anos do meu sacerdócio e do meu episcopado.
Aparências de fartura encobriram, muitas vezes, espinhos ocultos de pobreza aflita que me impediram de dar mais do que eu gostaria. Agradeço a Deus por esta graça da pobreza, de que fiz voto na minha juventude, pobreza de espírito, como Padre do Sagrado Coração, e pobreza real; e por me sustentar para nunca pedir nada, nem lugares, nem dinheiro, nem favores, nunca, nem para mim nem para os meus parentes ou amigos» (29 de junho de 1954)."
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Papa Francisco e novos cardeais visitam Bento XVI
Papa Francisco e os novos cardeais no Mosteiro "Mater Ecclesiae" com o Papa emérito Bento XVI.

Cidade do VaticanoA Sala de Imprensa da Santa Sé refere numa nota que após o Consistório Ordinário Público, desta quinta-feira (28/06), na Basílica Vaticana, o Papa Francisco e os novos cardeais, a bordo de duas vans, foram ao Mosteiro "Mater Ecclesiae" para encontrar o Papa emérito Bento XVI.
Na capela, todos juntos rezaram a Ave-Maria. Depois de uma breve saudação e a bênção de Bento XVI, os catorze novos cardeais voltaram à Sala Paulo VI e à Residência Apostólica para a visita de cortesia.
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quarta-feira, 27 de junho de 2018

Refletindo sobre a Exortação Apostólica “Alegrai-vos e Exultai”

Ser santos: um convite feito a todos
Houve um tempo, lá nos primórdios da Igreja, em que os seguidores de Jesus eram chamados de “santos”. Embora se reconhecessem como pecadores, como todos nós, levavam a sério a consagração batismal que nos faz participar da santidade do corpo de Cristo. Tinham como propósito realizar o desejo de Jesus (Mt 5,48), recomendado pelo apóstolo Pedro: “Sede santos, como vosso Pai é santo.” (1Pd 1,16)
Com o passar do tempo, a santidade passou a ser vista como difícil, coisa para uns poucos corajosos e heróicos, o processo de canonização que declara que alguém é santo passou a exigir milagres e martírios.
O Papa Francisco coloca novamente as coisas no lugar, convidando-nos a ver que a santidade pode estar entre as pessoas próximas de nós, como uma mãe, ou uma avó que criam seus filhos na fé e na coragem de ser cristãos.  “suas vidas talvez não tenham sido sempre perfeitas, mas, mesmo no meio de imperfeições e quedas, continuaram a caminhar e agradaram ao Senhor.”
Proposta do Papa Francisco
Colocar o ideal da santidade, de modo apropriado aos dias de hoje, é o que pretende o Papa Francisco com sua mais recente Exortação apostólica chamada “Alegrai-vos e Exultai”, ou em latim, como costuma ser o nome dos documentos pontifícios, “Gaudete et Exsultate”. Vale a pena ler e estudar essa Exortação, que você pode encontrar nas livrarias ou mesmo baixar no computador em português, com facilidade.
É o jeito do Papa Francisco – Este é o quarto grande documento do pontificado de Francisco (tirando “Lumen Fidei” que ele assinou, mas era quase toda do Papa Bento). Os quatro documentos têm o mesmo estilo: simples, fácil de assimilar, uma conversa de pai para filhos. Todos têm já no título a marca da alegria e do louvor a Deus, atraindo-nos pelo lado positivo, a vida como dom de Deus, um Deus próximo e amigo, amoroso e cheio de misericórdia. O Papa não faz um tratado profundo e acadêmico sobre a santidade, nem menciona a dureza de sacrifícios voluntários e flagelações.  Seus exemplos de santidade são simples e cotidianos: os pais que criam seus filhos com amor, a religiosa que envelhece e continua sorridente, o trabalhador que cumpre sua missão com honestidade e competência, o avô ensinando com paciência as crianças a seguirem Jesus, o servidor público que age não por interesse próprio, mas lutando pelo bem comum. Santidade não está numa esfera longínqua e inatingível, mas está ao alcance de todos. O Papa fala direto, como se olhasse nos olhos: “Não tenhas medo da santidade. Não tenhas medo de te deixares amar por Deus. Não tenhas medo de te deixares guiar pelo Espírito Santo.” (n.34)
Os inimigos da santidade – Talvez o leitor tenha a expectativa de que o Papa encontre empecilhos para a santidade nos prazeres do mundo, na corrupção e nas violências, nas injustiças, no ateísmo ou na indiferença religiosa. Por certo, essas realidades estão presentes no horizonte cultural do mundo de hoje e contrariam o Evangelho, por isso são uma constante preocupação de quem evangeliza. Mas o Papa elege como inimigos da santidade hoje, os mais perigosos porque disfarçados, e mais próximos de nós, dois deles: o gnosticismo e o pelagianismo. As duas palavras são bem estranhas porque se referem a duas heresias lá do início da Igreja. No entanto o Papa explica em que consiste cada um desses erros, e diz que eles são de uma “alarmante atualidade”. São perigosos inimigos porque são falsos modelos de santidade, que podem nos confundir. Em palavras simples e resumidas, um erro seria formar uma espécie de “seita” dentro da Igreja. Um grupo que se acha mais santo e mais perfeito, com conhecimentos mais elevados e se põe a condenar e desprezar os outros. O outro erro, o de achar que se pode chegar à salvação pelo próprio esforço e perfeição, e não por bondade gratuita de Deus. Sem querer nenhuma polêmica, evidente, o Papa expõe agora no novo documento, com clareza a razão das piores críticas que ele próprio vem sofrendo, não de inimigos da Igreja, mas de grupos ultraconservadores que estão dentro da própria Igreja e não aceitam a renovação trazida pelo Concílio Vaticano II, ou dizem que o seu magistério é fraco e sem conteúdo. No fundo, a mesma crítica e perseguição que Jesus sofreu, no seu tempo, por parte dos fariseus e doutores da Lei. Essas duas compreensões erradas da santidade, muito comuns hoje em dia, foram largamente expostas numa recente carta da Congregação para a Doutrina da Fé, chamada “Placuit Deo”. Ali se pode ver de forma mais completa o que são essas heresias modernas que envenenam a vida da Igreja.
O Papa e o Vaticano II – Podemos dizer que este novo documento papal sobre a santidade no mundo de hoje é uma continuação do Vaticano II e retoma, pela primeira vez um dos grandes temas da “Lumen Gentiun”, a vocação universal à santidade, desenvolvido no capítulo V desse documento, logo após o capítulo dedicado aos leigos. O Papa expande esse tema tomando ao pé da letra cada uma das Bem-aventuranças de São Mateus: ali está o modelo e o espelho da santidade. Cada uma das bem-aventuranças é traduzida pelo Papa em exemplos tão concretos e presentes no nosso dia-a-dia, que se torna difícil não compreender que se trata de um programa para os dias de hoje. Ser despojado e pobre, cultivar a mansidão e a paciência, sofrer pelo bem, buscar a justiça, aceitar sacrifícios e resistir à maldade, mesmo na perseguição, tudo aceitar por amor, que grande fonte de alegria e felicidade, caminho de santidade para os nossos dias.
A santidade nos dias de hoje – O Papa escolhe, para os dias de hoje, cinco caminhos de santidade. Não são os únicos nem os mais difíceis. Mas são muitas vezes esquecidos até por aqueles que vivem na Igreja. O primeiro caminho é ser paciente, suportar contrariedades, suportar até os defeitos e infidelidades dos outros. Vivemos num mundo tão intolerante, briga-se por qualquer coisa, tudo é motivo de críticas e inimizades. O segundo ponto, ligado ao primeiro, é ser alegre, ter bom humor. Olhe para as pessoas, tantos vivem amargurados, carrancudos, injuriados, ofendidos. O santo não perde o realismo, mas ilumina os outros com um espírito positivo e cheio de esperança. Outro sinal de santidade é a coragem e ousadia para inovar, para transformar, para deixar de lado a comodidade e viver impulsionado pelo amor. Por fim, ninguém fica santo sozinho, sendo egoísta, ensimesmado. O santo é aberto à comunidade e entende que os outros são mais importantes que ele mesmo. E é capaz de unir-se a Deus na oração tanto comunitária como pessoal. Deus é o seu tudo.
Um salto de qualidade na vida cristã – O Papa nos convida a vencer o demônio que nos joga na mediocridade e no vazio. Envenena-nos com o ódio, os vícios, a tristeza e o medo. Nos chama ao discernimento para retomarmos as rédeas de nossa vida, mas não sozinhos e, sim, contando com a ajuda do Espírito Santo. Pedir esse dom, com confiança e humildade nos permite vencer a nossa incapacidade de encontrar sozinhos a salvação. “Peçamos ao Espírito Santo – assim conclui o Papa – que infunda em nós o desejo intenso de ser santos para a maior glória de Deus, e animemo-nos uns aos outros nesse propósito.” (n.177)
Convido a todos a fazer uma leitura atenta e meditada da Exortação “Gaudete e Exsultate”. É mais um presente que o Papa Francisco nos deixa em seu pontificado, com a simplicidade e profundidade de quem lê e se alimenta das páginas do Evangelho.
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                                                               Fonte: cnbbsul1.org.br    Banner: padresmaristas.com.br