quinta-feira, 30 de abril de 2026

Importante reflexão de dom Zanoni Demettino Castro:

Uma Igreja que escuta e inclui


Após dez dias de encontro fraterno, vivência e convivência, oração e partilha, retornamos da 62ª Assembleia Geral dos Bispos do Brasil, realizada em Aparecida, São Paulo, com o coração cheio de alegria e graça. Foi um tempo fecundo, marcado por intensos momentos de reflexão, discernimento e comunhão episcopal.

Neste contexto, aprovamos as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, expressão da palavra oficial dos Bispos, como sucessores dos Apóstolos. Trata-se de uma orientação que brota da escuta do Espírito e do povo de Deus, iluminada pelo espírito do Concílio Vaticano II e enriquecida pelo magistério das Conferências Episcopais da América Latina — de Medellín a Aparecida. É uma palavra encarnada, próxima do povo, fiel ao Evangelho de Jesus Cristo e atenta aos sinais do nosso tempo.

Essa escuta nos levou, mais uma vez, a reconhecer a realidade histórica e social do nosso povo, profundamente marcada pela presença e pela contribuição do povo negro. Sua dignidade, tantas vezes ferida ao longo da história, continua a clamar por justiça, reconhecimento e inclusão. Não podemos anunciar o Evangelho sem escutar esse clamor.

Num clima de escuta fraterna e espírito sinodal, tive a graça de apresentar aos irmãos bispos o Do umento da Pastoral Afro-Brasileira. Trata-se de um texto que nasce do chão das comunidades, fruto de um longo caminho de escuta, discernimento e compromisso com a vida e a dignidade do povo afrodescendente em nosso país. Ele dialoga com o Magistério da Igreja e responde aos desafios atuais, em sintonia com a consciência internacional que reconhece a escravidão e o tráfico transatlântico como graves crimes contra a humanidade.

Recordei, naquela ocasião, algo fundamental: pastoral é o nome que a Igreja dá ao cuidado com o povo. É o zelo apostólico, especialmente para com os pobres e abandonados. Pastoral é, em sua essência, a própria evangelização em sentido pleno. É fidelidade à missão que Jesus confiou à sua Igreja: “Ide, pois, fazei discípulos de todos os povos” (cf. Mt 28,19-20).

Neste horizonte, a Pastoral Afro-Brasileira não é algo paralelo ou opcional. Ela é expressão concreta do pastoreio de Jesus na história. É a presença da Igreja junto ao povo negro, reconhecendo sua dignidade, valorizando sua cultura de matriz africana e assumindo, com coragem evangélica, o compromisso de superar as marcas históricas do racismo e da exclusão.

O Documento agora está nas mãos de cada bispo. O chamamos de “documento mártir”, no sentido mais eclesial do termo: um texto que se coloca em caminho, aberto ao discernimento da Igreja. Ele será lido, rezado, acolhido e enriquecido por todos, para que possa amadurecer e, oportunamente, tornar-se Documento Oficial da CNBB, tão esperado pela comunidade afrodescendente.

Este é o caminho sinodal que estamos vivendo: caminhar juntos, escutar nos mutuamente e discernir à luz do Espírito. Não se trata apenas de produzir textos, mas de gerar processos de conversão pastoral, capazes de transformar nossas comunidades em sinais vivos do Reino de Deus.

Diante de uma sociedade marcada por tantas feridas — desigualdades, preconceitos, violências — a Igreja é chamada a ser presença samaritana, promotora da dignidade humana e construtora de fraternidade. Isso exige de nós coragem, humildade e fidelidade ao Evangelho.

Que o Espírito Santo nos conduza neste caminho. E que possamos ser, no coração do mundo, uma Igreja que escuta, acolhe e serve, especialmente os irmãos e irmãs que mais sofrem as consequências da exclusão e da injustiça.

Dom Zanoni Demettino Castro - Arcebispo de Feira de Santana (BA)

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Fonte: cnbb.org.br    Imagem: vaticannews.va

Aumenta o número de católicos no mundo.

No Brasil,
análise do Censo 2022 orientou construção das DGAE

Foi divulgado, nesta semana, o aumento do número de católicos no mundo. De acordo com os dados do Anuário Pontifício 2026 e do Annuarium Statisticum Ecclesiae 2024, os católicos no mundo somam pouco mais de 1,422 bilhão de pessoas em 2024, ante 1,406 bilhão em 2023. O aumento foi de 1,14%, cerca de 16 milhões de fiéis. Os números proporcionam interpretações, análises e guiam tomadas de decisão em toda parte. Aqui no Brasil, atentos à missão de anunciar o Evangelho a todos, os bispos consideraram os dados do Censo 2022 na reflexão das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora (DGAE). 

Estabilidade 

Os dados do Anuário Pontifício mostraram que a participação dos católicos na população global permaneceu estável, em torno de 17,8%. A América continua como o continente com maior número de católicos, concentrando 47,7% do total mundial e com 64% da população que se declara católica. 

No Brasil, os dados do Censo 2022 apontaram para o número de 56,7% de católicos no país, uma redução de 8,3% em relação a 2010. Porém, a redução foi menor que a década anterior. Outro destaque diz respeito ao aumento no número de pessoas sem religião, freando a expectativa de aumento crescente no número de evangélicos.  

Mudança de cenário 

Os dados do Censo 2022 “constatam uma mudança importante”, segundo a análise do Instituto Nacional de Pastoral Padre Alberto Antoniazzi (Inapaz) apresentada na 62ª Assembleia Geral da CNBB.   

“O Brasil deixa de ser um país hegemonicamente católico para se configurar como uma nação religiosamente plural e dinâmica”.  

Essa análise reforça o que tem sido apresentado pelo Inapaz desde o ano passado, quando começaram a ser divulgados os recortes sobre religião a partir do Censo. A compreensão é de que os números censitários “são insuficientes para uma aproximação mais consistente da realidade verificada no ethos religioso brasileiro. Eles precisam ser interpretados, entre outros aspectos, à luz de aspectos culturais mais amplos”. 

Assim, as análises de conjuntura eclesial elaboradas pelo Inapaz tiveram a preocupação de analisar não só os dados do Censo, mas o modo como pessoas e grupos lidam com a vida, com a dimensão religiosa em geral e com o catolicismo em particular, o chamado ethos religioso.  

De acordo com o Inapaz, a experiência religiosa brasileira se deslocou de um perfil monocêntrico, institucional, doutrinal e estático para um perfil altamente plural, individualizado. “O Brasil está passando da cristandade para a pós-cristandade, no qual o cristianismo se torna uma escolha pessoal em um contexto bastante plural, perdendo força institucional”. 

Além desses aspectos há um contexto mundial de policrise, o que é entendido a partir do termo utilizado por Edgar Morin a respeito das mudanças nos diversos âmbitos da vida humana como sintomas de uma crise maior da civilização ocidental.  

Assim, observa o Inapaz, “o desafio consiste em anunciar o Evangelho em um contexto no qual crer já não significa necessariamente pertencer nem seguir”.  

“Trata-se de redescobrir a força do testemunho, da comunidade e do encontro pessoal como caminhos privilegiados para que a fé cristã continue a oferecer sentido, esperança e horizonte à existência humana no Brasil de hoje. Trata-se de buscar itinerários para que a fé seja transmitida às novas gerações, seja alimentada e mantenha seu vigor profético-solidário”. 

Nesse cenário, a ação evangelizadora não pode se limitar à conservação de estruturas e métodos herdados de um contexto de cristandade, alertou o Inapaz. A exigência, é de uma “conversão pastoral e missionária que coloque a Igreja em estado permanente de missão”, apontou inspirado no Documento de Aparecida.  

“Tal conversão passa pela redescoberta da centralidade do encontro pessoal com Jesus Cristo, pela valorização das pequenas comunidades como mediações privilegiadas em uma sociedade fragmentada, pelo fortalecimento da iniciação à vida cristã, pela adequada animação bíblica da vida e da pastoral, pela integração entre liturgia e piedade popular e pelo compromisso com a transformação da realidade à luz do Evangelho”. 

Confira a análise oferecida aos bispos na íntegra.  

As novas Diretrizes que recolhem os apontamentos da análise  

Após um percurso de quatro anos, o episcopado brasileiro concluiu, durante a 62ª Assembleia Geral da CNBB, a construção das novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE). O texto recolhe, entre as diversas fontes que o inspiram, as contribuições oferecidas pelo Inapaz.  

Elas são a forma com a qual os bispos propõem uma resposta ao apelo do Espírito “a ser uma tenda sempre aberta, capaz de ampliar a escuta e o acolhimento, sustentada por estacas firmes na fé, esperança e caridade, diante dos desafios atuais”. 

As Diretrizes querem assegurar que a Igreja no Brasil permaneça fiel às suas três tarefas permanentes: anunciar, santificar e testemunhar a fé. 

Os bispos, cientes da nova realidade, convidam a Igreja a “rever os métodos de anúncio da Boa-Nova, de transmissão da fé e de fortalecimento do senso de pertença à comunidade eclesial”. Nas novas DGAE, também falam em “reavivar em toda a Igreja no Brasil a busca pela santidade e o sentido de participação e comunhão orientados pela missão”.  

A imagem da tenda, assim como no processo do Sínodo sobre a Sinodalidade vivido por toda a Igreja, foi escolhida para expressar o espírito que vai nortear a ação evangelizadora da Igreja no Brasil. Essa figura da tenda pode ser entendida como o chamado à Igreja a ser “comunidade que se alarga, escuta os sinais dos tempos, faz o discernimento para a conversão pastoral e sai em missão”. 

O texto será publicado nas próximas semanas e estará disponível para todas as comunidades do Brasil para aquisição na editora oficial da CNBB, a Edições CNBB. 

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Fonte: cnbb.org.br

quarta-feira, 29 de abril de 2026

Papa, na Audiência Geral desta quarta, recorda a viagem à África:

uma riqueza inestimável
para o meu coração e para o meu ministério

A viagem apostólica ao Continente Africano foi o centro da catequese do Papa na Audiência Geral desta quarta-feira. Ele recordou as experiências vividas nos quatro países visitados: Argélia, Camarões, Angola e Guiné Equatorial. "Queridos irmãos e irmãs, a visita do Papa é uma oportunidade para os povos africanos fazerem ouvir as suas vozes, expressarem a alegria de serem povo de Deus e a sua esperança num futuro melhor, um futuro digno para cada um de nós e para todos", disse Leão XIV.

Na catequese da Audiência Geral, desta quarta-feira (29/04), realizada na Praça São Pedro, o Papa Leão XIV falou sobre sua viagem apostólica ao Continente Africano, de 13 a 23 de abril, em que o Pontífice visitou quatro países: Argélia, Camarões, Angola e Guiné Equatorial.

O Papa disse que desde o início do seu pontificado desejava visitar a África. A seguir, acrescentou:

Agradeço ao Senhor que me permitiu realizá-la, como Pastor, para encontrar e encorajar o povo de Deus; e também vivê-la como uma mensagem de paz num momento histórico marcado por guerras e por graves e frequentes violações do direito internacional. Expresso o meu sincero agradecimento aos bispos e às autoridades civis que me acolheram e a todos os que colaboraram na organização.

Depois, recordou o primeiro país visitado por ele, Argélia, "onde se encontram os lugares de Santo Agostinho. Assim, vi-me, por um lado, a partir das raízes da minha identidade espiritual e, por outro, a atravessar e a fortalecer pontes muito importantes para o mundo e para a Igreja de hoje: a ponte para a era fecunda dos Padres da Igreja; a ponte para o mundo islâmico; a ponte para o continente africano".

Leão XIV disse que na Argélia foi acolhido "com respeito e cordialidade" e que com essa experiência foi possível "mostrar ao mundo que é possível conviver como irmãos e irmãs, mesmo de religiões diferentes, quando nos reconhecemos como filhos do mesmo Pai misericordioso". De acordo com o Papa, essa visita "foi uma oportunidade propícia para estudar os ensinamentos de Santo Agostinho: com a sua experiência de vida, os seus escritos e a sua espiritualidade, ele é um mestre na busca de Deus e da verdade. Um testemunho importante hoje mais do que nunca para os cristãos e para todas as pessoas".

A população dos três países seguintes, visitados pelo Pontífice, é predominantemente cristã, e Leão XIV mergulhou "num ambiente de celebração da fé, de acolhimento caloroso, fomentado também pelos traços típicos africanos".

A minha visita aos Camarões permitiu-me reforçar o meu apelo para trabalharmos em conjunto pela reconciliação e pela paz, porque este país também está, infelizmente, marcado por tensões e violência.

O Pontífice recordou sua viagem a Bamenda, na região anglófona, onde incentivou "a colaboração pela paz". A República de Camarões é chamada de “África em miniatura”, "em referência à variedade e à riqueza da sua natureza e dos seus recursos". O Papa recordou que é necessária "uma distribuição justa da riqueza, dar espaço aos jovens, vencendo a corrupção endêmica, promover o desenvolvimento integral e sustentável, combatendo as diversas formas de neocolonialismo com uma cooperação internacional visionária". "Agradeço à Igreja dos Camarões e a todo o povo camaronês, que me acolheram com tanto amor, e rezo para que o espírito de unidade manifestado durante a minha visita se mantenha vivo e oriente as decisões e ações futuras", disse Leão.

A terceira etapa da viagem foi Angola, "um vasto país a sul do Equador, com uma tradição cristã plurissecular, ligada à colonização portuguesa. Tal como muitos países africanos, após a conquista da independência, Angola atravessou um período turbulento, que no seu caso foi marcado por uma longa guerra interna".

No cadinho desta história, Deus guiou e purificou a Igreja, convertendo-a cada vez mais ao serviço do Evangelho, do progresso humano, da reconciliação e da paz. Uma Igreja livre para um povo livre! No Santuário Mariano de Mamã Muxima – que significa “Mãe do coração” – senti o pulsar do coração do povo angolano.

Leão XIV disse que é necessário "um compromisso concreto, cabendo à Igreja, através do testemunho e da corajosa proclamação da Palavra de Deus, reconhecer os direitos de todos e promover o seu respeito efetivo". "Junto das autoridades civis angolanas, mas também das dos outros países, pude assegurar-lhes a disponibilidade da Igreja Católica para continuar contribuindo, nomeadamente nas áreas da saúde e da educação", sublinhou.

O último país visitado pelo Papa "foi a Guiné Equatorial, 170 anos depois da primeira evangelização".

Com a sabedoria da tradição e a luz de Cristo, o povo equato-guineense tem superado as vicissitudes da sua história e, nos últimos dias, na presença do Papa, renovou com grande entusiasmo a sua determinação de caminhar em conjunto rumo a um futuro de esperança.

Leão XIV recordou o que viveu na prisão de Bata, onde "os reclusos cantaram a plenos pulmões um hino de ação de graças a Deus e ao Papa, pedindo orações “pelos seus pecados e pela sua liberdade”. "Eu nunca tinha visto nada igual. E depois rezaram o Pai-Nosso comigo debaixo de uma chuva torrencial. Um verdadeiro sinal do Reino de Deus", disse o Papa Leão. O Papa recordou também "o grande encontro com os jovens no estádio de Bata. Uma celebração de alegria cristã, com testemunhos comoventes de jovens que encontraram no Evangelho o caminho para um crescimento livre e responsável". "Esta celebração culminou na celebração eucarística do dia seguinte, que coroou dignamente a visita à Guiné Equatorial e toda a Viagem Apostólica", disse o Papa, que finalizou, dizendo:

Queridos irmãos e irmãs, a visita do Papa é uma oportunidade para os povos africanos fazerem ouvir as suas vozes, expressarem a alegria de serem povo de Deus e a sua esperança num futuro melhor, um futuro digno para cada um de nós e para todos. Estou feliz por lhes ter dado esta oportunidade e, ao mesmo tempo, agradeço ao Senhor o que deram a mim, uma riqueza inestimável para o meu coração e para o meu ministério.

Mariangela Jaguraba – Vatican News

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Fonte: vaticanews.va

terça-feira, 28 de abril de 2026

Bela catequese:

Quando a Igreja beatifica ou canoniza um fiel

Pe. Zezinho, scj |||||||||||||||||||||||||||||||

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Padre Zezinho

Crer não é ter certeza. Não podemos dizer se alguém está no inferno ou no Céu. Mas, porque temos fé em Jesus, no que ele disse e no que ele prometeu, ousamos dizer que, sim, milhares de fiéis que já morreram estão no Céu com Jesus.

Também os evangélicos, ortodoxos e cristãos que praticaram a caridade creem nisso. Algumas igrejas os canonizam como santos ou bem aventurados e outras não!

Elas não têm uma lista ou CÂNON de santos. Nós temos. Cerca de 13 mil católicos são chamados servos de Deus, beatos ou santos. Isto não significa que só eles foram salvos.

Cânon era uma vara de medida. Não se mede o tamanho da santidade, mas podemos medir o testemunho de alguém, porque o povo viu como viviam.

Há milhões de crentes em Jesus que estão salvos e no Céu, mas nós, católicos apostólicos romanos, temos certeza de que, se o evangelho funciona e, se Jesus cumpre o que diz, há mais de 13 mil santos que garantidamente estão vivendo no Céu. A Igreja os pôs na lista dos chegaram ao Céu e lá, oram por nós!

A igreja não faz santos: quem os faz é Deus, mas nós declaramos que, como Maria, a mãe de Jesus, também Pedro, João, Tiago, Francisco e Clara de Assis e Domingos, Inácio, Thomás, Benedito, Bento, Priscila, Margarida, Tereza, Dulce, todos eles estão salvos no Céu.

Não é só esperança. Jesus realmente salvou bilhões de almas. Se praticaram o bem e a caridade e, se morreram sem pecado, penitentes, querendo o bem dos outros, todos eles estão no Céu. Jesus os purificou e eles fizeram sua parte!

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Eu acredito em anjos e em santos. O Céu existe de verdade!

Mas não me atrevo a dizer quem foi para o inferno. Deus é justo, mas também é misericordioso. Chances ele dava, dá e dará!

Mas, se alguém escolheu viver da maldade e não se arrependeu, este alguém se autocondenou. Escolheu seu próprio inferno. Deus não os jogou no inferno. Escolheram ir!

Isto é um mistério. Como pode alguém rejeitar o amor a este ponto? Ter ódio de quem o criou? Pode alguém ser tão mau, tão orgulhoso e tão cego que, mesmo sabendo que viveria para sempre longe de Deus, escolheu ser mau? Pode a psicanálise explicar isso?

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Jesus dizia que veio para salvar, mas também disse que o inferno existe. Chance todo mundo tem. Mas quem julga é Deus. Nós não podemos por alguém no Céu ou no Inferno. Não temos este poder.

Por isso, cuidado com quem na raiva diz: -Vá para o inferno!

Talvez ele vá primeiro. O ódio cega! E o que leva para lá é o ódio, a calúnia e a maldade!

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                                                                                  Fonte: facebook.com/padrezezinho,sjc

segunda-feira, 27 de abril de 2026

Reflita com dom Paulo Mendes Peixoto:

O que vemos hoje  

Não é exagero dizer que hoje vemos uma sociedade marcada pela força incisiva da competição e pelo individualismo. Uma realidade que é alimentada pelos propósitos ao decidir pelas guerras assassinas, pelas diversas organizações criminosas, na polarização das escolhas políticas, sociais, econômicas e religiosas. Interessante que Jesus, alheio a isso, diz: “Quem me vê, vê o Pai” (cf. Jo 14,9). 

Encerramos a 62ª Assembleia Geral da Conferência dos Bispos, em Aparecida, com a presença de mais de trezentos bispos de todas as dioceses do Brasil. Foram dez dias de intenso trabalho para ouvir e sentir as realidades que atingem o povo brasileiro. Foi um olhar para o hoje da realidade e descoberta de como evangelizar para ajudar as pessoas na superação de suas dificuldades. 

A Igreja sempre teve um olhar atento para as realidades cotidianas. Isto já era consolidado entre os primeiros cristãos. Assim aconteceu quando os apóstolos pediram a comunidade para escolher sete homens de confiança para serem enviados para a missão de olhar as dificuldades dos mais fragilizados e atendê-los (cf. At 6,3). O olhar de Deus se faz através da ação do Espírito Santo. 

Ao olhar para o mundo, particularmente, para as realidades que estão perto de nós, torna-se desafio para quem procura fazer o bem. Vemos muitas “desgraças” de todos os tipos e cantos. Às vezes, o mal parece vencer, mas não é isto que deve pensar quem acredita na ação divina, na certeza do bem. O mal é pedra no caminho dos honestos, mas Cristo é pedra de tropeço para os maus (cf. IPd 2,4). 

Em ano de eleições, o que vemos hoje, no país? Como está o olhar do povo brasileiro diante de tantas narrativas contagiosas e apimentadas por uma forte trajetória ideológica com a finalidade de convencer as pessoas? São realidades que causam muitas incertezas e preocupação em relação ao futuro do país. Sabemos que um voto mal dado traz consequências desastrosas para todo o povo.  

Aproxima-se a festa da Ascensão do Senhor. O destino das pessoas é a pátria celeste, onde não haverá mais ideologias e nem necessidade da escolha de autoridades. A Autoridade é Deus, para quem devemos olhar com olhar de esperança, seguindo o que Jesus diz: “Ninguém vai ao Pai senão por mim” (Jo 14,6). Então, conhecê-lo é a condição para a pessoa acessar o Pai, que está no céu. 

Dom Paulo Mendes Peixoto - Arcebispo de Uberaba (MG)

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Fonte: cnbb.org.br   Foto: vaticannews.va

Belos e históricos registros:

A viagem do Papa à África retratada em imagens

Da homenagem a Santo Agostinho, na Argélia, até a missa celebrada em Malabo, na Guiné Equatorial, passando por Camarões e Angola. Essas são as etapas da terceira viagem apostólica de Leão XIV à África, iniciada em 13 de abril.

Os momentos mais bonitos e mais significativos para relembrar a terceira viagem apostólica do Papa Leão, que passou por quatro países: Argélia, Camarões, Angola e Guiné Equatorial. Encontros institucionais e inter-religiosos, o abraço às Igrejas locais, aos jovens, às famílias, ao mundo da cultura e do sistema prisional, além do encontro com os doentes e os idosos: inúmeras ocasiões para reafirmar a centralidade de Cristo e oferecer, por parte do Pontífice, uma mensagem de paz.

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Fonte: vaticanews.va

domingo, 26 de abril de 2026

Leão XIV na oração do Regina Caeli deste domingo:

Jesus vem para nos guiar, não para roubar nossa liberdade

"Hoje, o Evangelho convida-nos a confiar no Senhor: Ele não vem para nos roubar nada; pelo contrário, é o Bom Pastor, que multiplica a vida e nos a oferece em abundância", disse Leão XIV ao comentar o Evangelho do domingo do "Bom Pastor".

Após celebrar a Santa Missa com a ordenação de dez sacerdotes para a diocese de Roma, o Papa Leão rezou a oração do Regina Caeli com milhares de fiéis reunidos na Praça São Pedro. Em sua alocução, comentou o Evangelho deste IV Domingo de Páscoa, em que Jesus se compara a um pastor e também à porta do redil (cf. Jo 10, 1-10).

Jesus contrapõe o pastor ao mercenário. A diferença é evidente: o pastor tem uma ligação especial com as suas ovelhas e, por isso, pode entrar pela porta do redil; se, pelo contrário, alguém precisa de transpor a cerca, então é certamente um ladrão que quer roubar as ovelhas.

Conosco, Jesus está ligado por uma relação de amizade: Ele nos conhece, nos chama pelo nome, nos guia, tal como o pastor faz com as suas ovelhas, vem à nossa procura quando nos perdemos e trata das nossas feridas quando estamos doentes:

“Jesus não vem, como um ladrão, roubar a nossa vida e a nossa liberdade, mas conduzir-nos pelos caminhos direitos. Não vem sequestrar ou enganar a nossa consciência, mas iluminá-la com a luz da sua sabedoria. Não vem corromper as nossas alegrias terrenas, mas abri-las a uma felicidade mais plena e duradoura. Quem confia n’Ele não tem nada a temer: Ele não vem atormentar a nossa vida, mas vem para nos dá-la em abundância.”

Cuidado com os ladrões do nosso redil

O convite do Papa é para vigiar "o redil do nosso coração e da nossa vida", porque quem nele entrar pode multiplicar a alegria ou, como um ladrão, pode roubá-la. Os “ladrões”, explicou, podem ter muitos rostos: são aqueles que, apesar das aparências, sufocam a liberdade ou não respeitam a nossa dignidade; são convicções e preconceitos que nos impedem de ter um olhar sereno sobre os outros e sobre a vida; são ideias erradas que podem levar-nos a escolhas negativas; são estilos de vida superficiais ou marcados pelo consumismo, que nos esvaziam interiormente e nos levam a viver sempre à margem de nós mesmos. Sem contar aqueles “ladrões” que, saqueando os recursos da terra, combatendo guerras sangrentas ou alimentando o mal nas suas diversas formas, não fazem mais do que roubar a todos a possibilidade de um futuro de paz e tranquilidade.

Leão XIV então concluiu: "Hoje, o Evangelho convida-nos a confiar no Senhor. Ele não vem para nos roubar nada; pelo contrário, é o Bom Pastor, que multiplica a vida e a oferece em abundância. Que a Virgem Maria nos acompanhe sempre ao longo do caminho e interceda por nós e pelo mundo inteiro".

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Assista:

Bianca Fraccalvieri - Vatican News

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Fonte: vaticanews.va

Papa Leão neste domingo:

sacerdotes são canal, não filtro. São de todos para todos!

Ao ordenar dez novos sacerdotes para a diocese de Roma, Leão XIV revelou três "segredos" da vida sacerdotal, que consistem na comunhão com Cristo, na atitude de não ter medo diante dos males do mundo e de serem um canal, e não um filtro, para o encontro com Jesus.

O Papa Leão presidiu à Santa Missa com ordenações sacerdotais neste IV Domingo de Páscoa, conhecido como “Domingo do Bom Pastor”, e 63º Dia Mundial de Oração pelas Vocações. "Este é um domingo cheio de vida!", exclamou o Papa no início da sua homilia. Ainda que a morte nos rodeie, a promessa de Jesus já se cumpre: "Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância" (Jo 10, 10).

A reflexão do Pontífice foi direcionada sobretudo aos recém-ordenados, como um norte com o qual se orientar para a missão que os aguarda. Leão XIV revelou inclusive três "segredos" da vida do sacerdote. O primeiro é a comunhão: "Caríssimos ordenandos, quanto mais profundo for o vínculo com Cristo, tanto mais radical será a sua pertença à humanidade comum. Não há oposição, nem competição, entre o céu e a terra: em Jesus, eles unem-se para sempre. Este mistério vivo e dinâmico compromete o coração num amor indissolúvel: compromete-o e enche-o".

Tal como o amor dos cônjuges, prosseguiu o Santo Padre, também o amor que inspira o celibato pelo Reino de Deus deve ser cuidado e sempre renovado, pois todo o verdadeiro afeto amadurece e torna-se fecundo com o tempo. Os sacerdotes então são chamados a um específico, delicado e difícil modo de amar e, mais ainda, de se deixar amar, na liberdade. Um modo que poderá fazer de vocês, acrescentou o Papa, além de bons sacerdotes, também cidadãos honestos, disponíveis, construtores de paz e de amizade social.


A denúncia não deve se tornar renúncia

Leão XIV revelou na sequência o segundo "segredo" para a vida sacerdotal: a realidade não deve causar medo, pois quem chama é o Senhor da vida. "Caríssimos, que o ministério que lhes é confiado possa transmitir a paz daquele que, mesmo entre os perigos, sabe por que razão está seguro. Hoje, a necessidade de segurança torna os ânimos agressivos, leva as comunidades a fecharem-se sobre si mesmas e induz à procura de inimigos e bodes expiatórios. O medo anda frequentemente à nossa volta e, talvez, esteja dentro de nós."

Jesus conheceu a crueldade do mundo, mas isso não o impediu de doar a sua vida. A denúncia não deve se tornar renúncia, afirmou, e o perigo não deve levar à fuga. A segurança do sacerdote, explicou, não reside no cargo que ocupa, mas na vida, morte e ressurreição de Jesus, na história da salvação da qual participam com o povo que lhe é confiado. É uma salvação que já atua em tanto bem realizado silenciosamente, entre pessoas de boa vontade, nas paróquias e ambientes frequentados.

Canal, não filtro

Além se de descrever como "pastor", Jesus a certo ponto muda metáfora e diz: "Eu sou a porta das ovelhas" (Jo 10, 7). Era uma referência a Jerusalém, onde havia uma porta perto da piscina de Betzatá, por onde entravam no templo ovelhas e cordeiros, previamente imersos na água para depois serem destinados aos sacrifícios - uma imagem que remete ao Batismo. Assim, a porta convida a atravessar o limiar da Igreja. Em alguns casos, a pia batismal era construída no exterior, como a antiga piscina de Betzatá, sob cujos pórticos "jaziam numerosos doentes, cegos, coxos e paralíticos" (Jo 5, 3). E então Leão XIV se dirigiu aos novos sacerdotes:

"Queridos ordenandos, sintam-se parte desta humanidade que sofre e que espera a vida em abundância. Ao iniciar outros na fé, reavivarão a própria fé. Com os outros batizados, atravessarão todos os dias o limiar do Mistério, aquele limiar que tem o rosto e o nome de Jesus. Nunca escondam esta porta santa, não a obstruam, não sejam um impedimento para quem deseja entrar."

Os sacerdotes são de todos e para todos!

"Mantenham a porta aberta!", exortou o Pontífice, revelando o terceiro segredo: os sacerdotes são um canal, não um filtro. É preciso deixar entrar e estar sempre pronto a sair, orientou o Papa, sobretudo hoje, quando os números parecem indicar um distanciamento entre as pessoas e a Igreja. Os sacerdotes devem ser reflexo da paciência e da ternura de Cristo. "Vocês são de todos e para todos! Que este seja o traço fundamental da sua missão: manter livre essa soleira e indicá-la, sem necessidade de muitas palavras."

O Papa insistiu: "Todos procuramos abrigo, descanso e cuidado: a porta da Igreja está aberta. Não para nos afastarmos da vida: ela não se esgota na paróquia, na associação, no movimento, no grupo. Quem é salvo 'sai e encontra pastagem'". Leão XIV concluiu com palavras de encorajamento:

"Caríssimos, vão e descubram a cultura, as pessoas, a vida! Maravilhem-se com o que Deus faz crescer sem que nós o tenhamos semeado." Algumas vezes, alertou, terão a sensação de não conhecer os mapas. Mas o Bom Pastor os possui, e é a sua voz, tão familiar, que devem ouvir. Quantas pessoas hoje se sentem perdidas, sem orientação. Então, não há testemunho mais precioso do que aquele que confia em Jesus. "Irmãos, irmãs, queridos jovens: que assim seja!"

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Assista:

Bianca Fraccalvieri - Vatican News

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Fonte: vaticanews.va

Reflexão para este domingo:

A necessidade de um guia

José Antonio Pagola

Para os primeiros cristãos, Jesus não é só um pastor, mas o verdadeiro e autêntico pastor. O único líder capaz de orientar e dar verdadeira vida ao ser humano. Esta fé em Jesus como verdadeiro pastor e guia adquire uma atualidade nova numa sociedade massificada como a nossa, onde as pessoas correm o risco de perder sua própria identidade e ficar aturdidas diante de tantas vozes e reclamos.

A publicidade e os meios de comunicação social impõem ao indivíduo não só a roupa que deve vestir, a bebida que deve tomar ou a música que deve ouvir. Impõem também os hábitos, os costumes, as ideias, os valores, o estilo de vida e a conduta que deve adotar.

Os resultados são palpáveis. São muitas as vítimas desta “sociedade-aranha”. Pessoas que vivem “segundo a moda”. Pessoas que já não agem por própria iniciativa. Homens e mulheres que buscam sua pequena felicidade, esforçando-se para adquirir aqueles objetos, ideias e comportamentos que lhes são ditados de fora.

Expostos a tantos chamarizes e reclamos, corremos o risco de não escutar mais a voz do próprio interior. É triste ver as pessoas esforçando-se para viver um estilo de vida “imposto” de fora, que simboliza para elas o bem-estar e a verdadeira felicidade.

Nós, cristãos, cremos que só Jesus pode ser guia definitivo do ser humano. Só com Ele podemos aprender a viver. O cristão é precisamente aquele que, a partir de Jesus, vai descobrindo dia a dia qual é a maneira mais humana de viver. Seguir a Jesus como Bom Pastor é interiorizar as atitudes fundamentais que Ele viveu, e esforçar-nos para vivê-las hoje a partir de nossa própria originalidade, prosseguindo a tarefa de construir o reino de Deus que Ele começou.

Mas, enquanto a meditação for substituída pela televisão, o silêncio interior pelo ruído e o seguimento da própria consciência pela submissão cega à moda, será difícil escutarmos a voz do Bom Pastor que pode ajudar-nos a viver no meio desta “sociedade do consumo” que consome seus consumidores.

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JOSÉ ANTONIO PAGOLA cursou Teologia e Ciências Bíblicas na Pontifícia Universidade Gregoriana, no Pontifício Instituto Bíblico de Roma e na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém. É autor de diversas obras de teologia, pastoral e cristologia. Atualmente é diretor do Instituto de Teologia e Pastoral de São Sebastião. Este comentário é do livro “O Caminho Aberto por Jesus”, da Editora Vozes.

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                                          Fonte: franciscanos.org.br   Banner: Frei Fábio M. Vasconcelos

sábado, 25 de abril de 2026

Papa Leão nesta manhã:

políticos recuperem
contato com o povo, antídoto contra populismos

Parlamentares do Partido Popular Europeu foram recebidos em audiência pelo Pontífice, que pediu um contato "analógico" com a população. "A presença entre as pessoas e o seu envolvimento no processo político são o melhor antídoto contra os populismos, que buscam apenas o consenso fácil, e contra os elitismos, que tendem a agir sem consenso: duas tendências generalizadas no panorama político atual. Uma política 'popular' exige tempo, compartilhamento de projetos e amor pela verdade."

O Papa recebeu em audiência na manhã de sábado, 25 de abril, os membros do Partido Popular Europeu, cuja inspiração política se baseia nos "pais fundadores" da Europa contemporânea, como Adenauer, De Gasperi e Schuman.

Este projeto nasceu das cinzas da II Guerra Mundial para evitar que o conflito se repetisse, mas também com um ideal mais amplo, dando vida a uma colaboração que colocasse fim a séculos de divisões e permitisse aos povos do continente de redescobrirem o patrimônio humano, cultural e religioso que os une, reconhecendo sua herança cristã como fator de união.

A ideologia subjuga o homem

A principal missão de toda ação política, afirmou o Santo Padre, é oferecer um horizonte ideal, pois a política exige uma visão ampla do futuro, sem receio de tomar decisões difíceis e até mesmo impopulares, quando isso for necessário para o bem comum. Todavia, advertiu, perseguir um ideal não significa exaltar uma ideologia. Esta última, de fato, é sempre fruto de uma distorção da realidade e de uma violência contra ela.

“Qualquer ideologia distorce as ideias e subjuga o homem ao seu próprio projeto, reprimindo suas verdadeiras aspirações, seu anseio por liberdade, felicidade e bem-estar pessoal e social. A Europa contemporânea surge justamente da constatação do fracasso dos projetos ideológicos que a destruíram e dividiram.”

Evocando De Gasperi, Leão XIV recordou que perseguir um ideal significa colocar a pessoa humana no centro. O próprio nome da legenda - Partido Popular Europeu - expressa o vínculo constitutivo com o povo, que não deve ser visto como sujeito passivo, mas copartícipe de toda ação política.  "A presença entre as pessoas e o seu envolvimento no processo político são o melhor antídoto contra os populismos, que buscam apenas o consenso fácil, e contra os elitismos, que tendem a agir sem consenso: duas tendências generalizadas no panorama político atual. Uma política 'popular' exige tempo, compartilhamento de projetos e amor pela verdade."

Do "digital" ao "analógico"

Para o Pontífice, a falta de sintonia e colaboração entre o povo e seus representantes constitui um dos problemas da política atual. Recorrendo a uma metáfora, o Papa afirmou que na era do "triunfo digital", a ação política orientada ao bem comum exige um regresso ao “analógico”.

“Talvez seja este o verdadeiro antídoto para uma política muitas vezes esbravejada, feita apenas de slogans, incapaz de responder às necessidades reais das pessoas. Para superar certa desilusão com a política, é preciso reconquistar as pessoas indo ao encontro delas pessoalmente e reconstruindo uma rede de relações no território, de modo que todos possam se sentir parte de uma comunidade e participantes de seu destino.”



O "manual" do político católico

Neste contexto, para quem se confessa cristão, fazer política significa deixar que o Evangelho ilumine as decisões a serem tomadas, mesmo que sejam impopulares: 

"Ser cristão engajado na política exige ter uma visão realista, que parta dos problemas concretos das pessoas, que se preocupe, antes de tudo, em promover condições de trabalho dignas que estimulem a criatividade e o talento das pessoas diante de um mercado cada vez mais desumanizante e pouco gratificante; que permita superar o medo, aparentemente muito europeu, de constituir família e ter filhos, de enfrentar as causas profundas da migração, cuidando de quem sofre, mas também levando em conta as reais possibilidades de acolhimento e integração dos migrantes na sociedade. Da mesma forma, exige enfrentar de maneira não ideológica os outros grandes desafios que se colocam em nossos dias, como o cuidado da criação e a inteligência artificial. Esta última oferece grandes oportunidades, mas, ao mesmo tempo, está repleta de perigos."

Ainda, ser cristãos engajados na política, concluiu o Santo Padre, significa por fim investir na liberdade ancorada na verdade, que proteja a liberdade religiosa, de pensamento e de consciência em todos os lugares e em todas as condições humanas, evitando alimentar um “curto-circuito” dos direitos humanos, que acaba por abrir espaço à força e à opressão. Leão XIV se despediu dos parlamentares concedendo sua bênção apostólica.

Bianca Fraccalvieri - Vatican News

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Fonte: vaticanews.va