sexta-feira, 10 de outubro de 2014


Quinto dia de trabalhos:

Propostos percursos penitenciais para divorciados recasados

Cidade do Vaticano (RV) - Prosseguem, em seu quinto dia de atividades, os trabalhos da III Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos, dedicada aos desafios pastorais da família no contexto da evangelização.
Celebrações penitenciais de tipo comunitária para divorciados recasados que desejam retornar à comunhão eclesial: esse foi um dos caminhos propostos durante a Congregação da tarde desta quinta-feira. As atividades da manhã desta sexta-feira tiveram foram protagonizadas pelo testemunho dos auditores e auditoras presentes.
Com seus testemunhos concluíram a primeira semana de atividades na Sala do Sínodo, que em seus trabalhos destes dias teve o pronunciamento de 180 Padres sinodais. Os temas apresentados na oitava e nona reunião da assembleia foram sintetizados na coletiva do diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Pe. Federico Lombardi.
Busca permanente por uma pastoral misericordiosa
O tema "candente" debatido durante semanas e destacado pela mídia como se fosse o único desta assembleia recebeu notável espaço nos últimos pronunciamentos dos Padres na Sala do Sínodo.
Em particular, ressaltou o porta-voz vaticano, a assembléia ocupou-se dos divorciados recasados e das possibilidades que a condição deles encontre novos percursos de acolhimento no seio da Igreja:
"Um dos Padres ofereceu um modelo sobre como está buscando percorrer este caminho com os casais em questão, com as pessoas em questão, propondo interrogações para a reflexão sobre as conseqüências que aquilo que ocorreu pode ter tido para os filhos, ou mesmo se corrigiram os erros ou as atitudes injustas cometidas em relação ao outro cônjuge (...) Houve quem falou de formas, de atos eclesiais, com os quais buscar depois dar concretude a esse caminho penitencial. Por exemplo, celebrações, por assim dizer, 'jubilares' (...) a serem feitas inclusive comunitariamente."
Estreitamente ligado a este tema destaca-se o aspecto sacramental no que tange a possibilidade, por muitos evocada, de poder receber, sobretudo, a comunhão eucarística. Sobre este ponto, muito interessante, foi feita uma observação, frisou o Pe. Lombardi:
"Trata-se da observação que ressaltava o que havia feito o Papa São Pio X em seu tempo, permitindo a comunhão eucarística para as crianças: na época foi considerado extremamente revolucionário, extremamente inovador. Portanto, existem também exemplos de coragem por parte de um Papa – embora numa situação diferente daquela em que nos encontramos – ao refletir ou introduzir novidades no que pode referir-se à prática do acesso à Eucaristia."
Outro tema candente diz respeito à preparação para o matrimônio, que os Padres sinodais indicaram como algo do qual se deve cuidar com profundidade e por um tempo mais longo, vez que a brevidade dos percursos atuais – muitas vezes vividos pelos casais como uma imposição – não ajuda a compreender a sacralidade do vínculo de modo que, foi ressaltado, aquilo que afinal se percebe é a celebração de um rito mais do que do Sacramento.
Cristãos leigos e leigas devem ir aos solitários
Ademais, a assembleia sinodal sugeriu que se utilize o momento da homilia como lugar privilegiado para o anúncio do Evangelho da família.
As auditoras e os auditores presentes na Sala do Sínodo falaram difusamente sobre formação para o matrimônio e sobre acompanhamento dos casais. Os leigos sejam mais amplamente envolvidos nestes percursos de crescimento e de apoio, porque o "testemunho vivido" assume notável impacto nestes casos.
Da experiência das auditoras e dos auditores emergiu também – de modo análogo à convicção dos Padres sinodais, que esta quinta-feira reafirmaram a doutrina da Humanae Vitae de Paulo VI – o convite a aprofundar o conhecimento dos métodos naturais para a regulação da natalidade.
Sempre em sintonia com a opinião dos bispos, convencidos do peso da cultura e, consequentemente, do trabalho universitário em apoio à família, auditoras e auditores descreveram concretamente o peso específico do engajamento leigo tanto no campo acadêmico quanto no seio das instituições civis. Isso sem esquecer os frutos que o trabalho de muitos cristãos produz inclusive nos ângulos mais sombrios da sociedade, observou o Pe. Lombardi:
"O fato de ter um tipo de testemunho e de pastoral exercidos também por leigos, que olha para as muitas solidões que existem no mundo de hoje nas grandes cidades (...) como um serviço que chega a tantas pessoas sozinhas ou em dificuldade independentemente de participarem da vida da Igreja. Portanto, um serviço generoso e aberto que vai além dos confins da comunidade, digamos, praticante."
A segunda parte da manhã, após os pronunciamentos dos auditores, foi caracterizada pela primeira reunião dos chamados "Círculos menores": 10 grupos – três nas línguas inglesa e italiana, e dois nas línguas francesa e espanhola – que iniciarão seus trabalhos na próxima semana após a "Relatio post-disceptationem", relatório que sintetiza os trabalhos da semana (RL)
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Cardeal Versaldi: 
"É necessária uma maior preparação ao Matrimônio"

Cidade do Vaticano (RV) – Diante do alto número de divorciados, é necessária uma preparação maior, personalizada e também severa ao matrimônio, sem medo de ver, eventualmente, uma diminuição no número de casamentos celebrados na Igreja. Este foi um dos aspectos salientados nos trabalhos do Sínodo Extraordinário sobre a Família em andamento no Vaticano. A Rádio Vaticano conversou sobre este tema com Presidente da Prefeitura dos Assuntos Econômicos da Santa Sé, Cardeal Giuseppe Versaldi:
Cardeal Versaldi
Cardeal Versaldi: “O problemas existem, e são resolvidos os que dizem respeito às pessoas em dificuldade após o matrimônio, mas eu quis insistir no fato de que é necessário prevenir as dificuldades e sobretudo os sofrimentos das pessoas, tendo portanto, uma maior atenção à preparação do matrimônio. No Ano da Fé, o Papa nos disse que a fé – também entre os batizados – não pode mais ser pressuposta e portanto, é necessário realizar um caminho, também doutrinal. Eu insisti sobre o acompanhamento pessoal dos casais, em maneira tal que não por meio de instrumentos jurídicos, mas através de um acompanhamento pastoral e espiritual, se verifique verdadeiramente se a intenção dos esposos é a de serem introduzidos não ao casamento, mas ao Sacramento do Matrimônio, de modo que depois possam administrar as dificuldades na vida matrimonial. Sempre existirão fracassos, mas assim colocamos uma barreira não para impedir o matrimônio, mas para fazê-lo não somente válido, mas também frutuoso. A Igreja não pode depois declarar nulos os matrimônios, que ao contrário, são válidos e carregando peso sobre os fiéis após o matrimônio. É melhor ser um pouco mais severo antes, mesmo que diminuam um pouco no tempo as celebrações de casamento, mas que sejam pessoas convencidas de encontrar Cristo e não somente de fazer a cerimônia”.
RV: Para evitar justamente quem se casa como uma etapa social, concentrada mais na cerimônia e no dia do matrimônio. Depois, quando chegam os problemas, encontram-se despreparados...
Colegialidade
Cardeal Versaldi: “Supondo este automatismo entre o fato de que alguém é batizado – e portanto se supõe que tenha a fé – e o Matrimônio, que é outro Sacramento. Certo, o Batismo introduz na salvação, porém é um encontro com Cristo e quem se casa, ao invés disto, acreditando não ter necessidade de Cristo - mas somente porque é uma tradição ou até mesmo um ato folclórico -, se casa validamente, mas depois não consegue administrar a fadiga do matrimônio e então pede a nulidade. O paradoxo então é que a Igreja é generosa no início, admitindo a todos, e depois é severa deixando-os com os seus pesos. Isto não está certo”!
RV: Seria necessário, então, ter a coragem de dizer “não” a alguns casais que chegam despreparados ao matrimônio?
Cardeal Versaldi: “Mais do que dizer “não”, indicar um caminho: não logo, mas, façamos um caminho. Agora se fala tanto dos divorciados e dos recasados e de um caminho penitencial, que é sempre penitencial e doloroso; lá seria, ao contrário, um caminho não penitencial, mas de crescimento, de maturação na fé”.
RV: Agir na origem…
Cardeal Versaldi: “Agir na origem, fazendo também entender que não podem ir ali pedindo o matrimônio, já fixando a data e pressupondo que se trata somente de uma fórmula: “Aceitas aquilo que faz a Igreja?”; “Sim!”. E depois se passa a saber o que existe por trás daquele ‘sim’.... Estamos discutindo tanto sobre como mudar o ‘depois’ e não discutimos tanto sobre como mudar o ‘antes’. Eu fiz um pronunciamento, mas também outros se pronunciaram neste sentido”.
RV: Tem depois o “pós-matrimônio”. Tem quem sugira um acompanhamento também após o matrimônio dos casais, que frequentemente se casam com pressupostos cristãos e de repente se encontram sozinhos....
Cardeal Versaldi: “E alí verdadeiramente é a paróquia, a comunidade paroquial, como família de família, e sobretudo os esposos, mais do que os sacerdotes, devem acompanhar os casados naquele ponto. É importante o acompanhamento dos jovens esposos por parte de quem já tem a experiência, quem sabe mesmo, de crises superadas. Este é outro ponto intermediário: antes de chegar à ‘vexata questio’ “Damos ou não damos a comunhão aos divorciados-recasados?”, o que certamente é um problema, mas quando torna-se um problema muito generalizado, quer dizer que alguma coisa está errada no início. Se não fazemos uma preparação adequada, devemos depois cuidar dos matrimônios fracassados e a Igreja de “hospital de campanha” se torna um obituário, onde se fazem as autópsias dos matrimônios defuntos”.
RV: Se fala muito nestes dias de doutrina e misericórdia, quase como se fossem duas realidades distintas. É realmente assim ou doutrina e misericórdia necessariamente devem caminhar juntos, se identificam?
Cardeal Versaldi: “A misericórdia é a doutrina da Igreja e a doutrina da Igreja é a salvação: “Não vim para condenar, mas para perdoar”. Todavia o perdão pressupõe o arrependimento”. (JE)
                                                                         Fonte: radiovaticana.va       news.va
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