sábado, 5 de abril de 2014

Leituras do 5º Domingo da Quaresma


1ª Leitura: Ez 37,12-14                  Salmo: 130(129)                  2ª Leitura: Rm 8,8-11
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Evangelho:  Jo 11,1-45
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Eu sou a ressurreição e a vida.
Quem crê em mim, ainda que tenha morrido, viverá
Ora, havia um doente, Lázaro, de Betânia, do povoado de Marta e de Maria, sua irmã. As irmãs mandaram avisar Jesus: “Senhor, aquele que amas está doente”. Disse Jesus: “Esta doença não leva à morte, mas é para a glória de Deus, para que o Filho de Deus seja glorificado por ela”. [...] E acrescentou: “Nosso amigo Lázaro está dormindo. Vou acordá-lo”. Os discípulos disseram: “Senhor, se está dormindo, vai ficar curado”. [...] Jesus então falou abertamente: “Lázaro morreu! E, por causa de vós, eu me alegro por não ter estado lá, pois assim podereis crer. Mas vamos a ele”. [...] Jesus disse então: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que tenha morrido, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim, não morrerá jamais. Crês nisto?” Ela respondeu: “Sim, Senhor, eu creio firmemente que tu és o Cristo, o Filho de Deus, aquele que deve vir ao mundo”. [...] “Onde o pusestes?” Responderam: “Vem ver, Senhor!” Jesus teve lágrimas. Os judeus então disseram: “Vede como ele o amava!” Alguns deles, porém, diziam: “Este, que abriu os olhos ao cego, não podia também ter feito com que Lázaro não morresse?” De novo, Jesus ficou interiormente comovido. Chegou ao túmulo. Era uma gruta fechada com uma pedra. Jesus disse: “Tirai a pedra!” Marta, a irmã do morto, disse-lhe: “Senhor, já cheira mal, é o quarto dia”. Jesus respondeu: “Não te disse que, se creres, verás a glória de Deus?” Tiraram então a pedra. E Jesus, levantando os olhos para o alto, disse: “Pai, eu te dou graças porque me ouviste! Eu sei que sempre me ouves, mas digo isto por causa da multidão em torno de mim, para que creia que tu me enviaste”. Dito isso, exclamou com voz forte: “Lázaro, vem para fora!” O que estivera morto saiu, com as mãos e os pés amarrados com faixas e um pano em volta do rosto. Jesus, então, disse-lhes: “Desamarrai-o e deixai-o ir!” Muitos judeus que tinham ido à casa de Maria e viram o que Jesus fizera, creram nele.
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Reflexão
João estruturou de tal forma o seu evangelho que a narração da ressurreição de Lázaro ocupa o lugar do sétimo e último sinal onde Jesus manifesta a glória de Deus e realiza sua missão de dar vida ao mundo. As cenas estão cheias de alusões a esta passagem: dia e noite, luz do dia e luz da fé, dormir e morrer, vida e morte. O uso da frase “eu sou”, lembrando a revelação de Deus a Moisés na sarça ardente, expressa que, neste gesto de restituir a vida aos que são seus, Jesus torna-se a nova revelação do amor de Deus ao seu povo. Ao mesmo tempo, a ressurreição de Lázaro prefigura a ressurreição de Jesus. Note-se, por exemplo, o simbolismo dos panos e dos três dias. Paradoxalmente, este episódio da ressurreição de Lázaro torna-se o pretexto da morte de Jesus, tornando-se, assim, a introdução narrativa da sua paixão. O texto alcança o seu ponto alto, tal como nas narrativas da samaritana e do cego de nascença, na profissão de fé. É Marta quem se faz porta-voz de toda a comunidade dos fiéis ao proclamar: "Sim, Senhor, eu creio que és o Messias, aquele que devia vir ao mundo".
A ressurreição de Lázaro é parábola do caminho catecumenal e, consequentemente, da vida do discípulo(a), chamado(a) a passar do medo da morte para a liberdade de filho e filha de Deus. Não se trata apenas de um caminho intelectual ou de uma crença, mas de uma passagem total e de uma mudança de condição. A vida do batizado implica rupturas e mudanças radicais com determinadas práticas de vida, ao mesmo tempo em que ele é inserido numa nova comunidade de vida. A figura de Lázaro, preso dentro do sepulcro e amarrado em faixas, torna-se, assim, o protótipo do discípulo que, ao chamado de Jesus, precisa sair do seu mundo - e o sepulcro é uma imagem muito forte disto - para ganhar a vida. Neste processo, intervêm dois atores fundamentais. Em primeiro lugar, é claro, o próprio Cristo, que age e intercede junto do Pai e que, ao seu chamado, traz o morto para a vida. Mas também a comunidade, que avisa o Senhor do acontecido, que professa sua fé e que, por fim, desamarra o próprio Lázaro. Este último gesto é sinal da ação comunitária que contribui na caminhada de conversão e mudança dos seus membros.
Esta passagem da morte à vida - e Jesus é bem claro ao responder a Marta, que sua promessa de ressurreição é para hoje - se cumpre no aqui e no agora da vida da comunidade reunida na liturgia. A ressurreição e a vida não são apenas esperanças que portamos para o futuro, mas realidades que atuam em nossas vidas e relações, das quais participamos desde agora. A celebração deste quinto domingo da quaresma, onde, por antiga tradição, se procede à última purificação daqueles que receberão os sacramentos da iniciação na páscoa, é ela mesma um sinal desta ação de Jesus que intercede ao Pai e nos chama à vida. Ao mesmo tempo, a comunidade dos crentes, retomando a profissão de fé de Marta, torna-se também ela um sinal sacramental da ressurreição de Jesus, preparando-se, todavia, para celebrar a paixão do Senhor.
Reflexão: revistadeliturgia.com.br    Banner: cnbb.org.br    Ilustração: franciscanos.org.br
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