Leituras e reflexão
Leitura do Livro do Profeta Isaías
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Responsório: Sl 26(27)
- O Senhor é minha luz e salvação. O Senhor é a proteção da minha vida.
- O Senhor é minha luz e salvação. O Senhor é a proteção da minha vida.
1. O Senhor é minha luz e salvação; de quem eu terei medo? O Senhor é a proteção da minha vida; perante quem eu tremerei?
2. Ao Senhor eu peço apenas uma coisa, e é só isto que eu desejo: habitar no santuário do Senhor por toda a minha vida; saborear a suavidade do Senhor e contemplá-lo no seu templo.
3. Sei que a bondade do Senhor eu hei de ver na terra dos viventes. Espera no Senhor e tem coragem, espera no Senhor!
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2ª Leitura: 1Cor 1,10-13.17
Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios
Irmãos, eu vos exorto, pelo nome do Senhor nosso, Jesus Cristo, a que sejais todos concordes uns com os outros e não admitais divisões entre vós. Pelo contrário, sede bem unidos e concordes no pensar e no falar. Com efeito, pessoas da família de Cloé informaram-me a vosso respeito, meus irmãos, que está havendo contendas entre vós. Digo isso porque cada um de vós afirma: “Eu sou de Paulo”, ou “eu sou de Apolo”, ou “eu sou de Cefas”, ou “eu sou de Cristo!” Será que Cristo está dividido? Acaso Paulo é que foi crucificado por amor de vós? Ou é no nome de Paulo que fostes batizados? De fato, Cristo não me enviou para batizar, mas para pregar a Boa-nova da salvação, sem me valer dos recursos da oratória, para não privar a cruz de Cristo da sua força própria.
Ao saber que João tinha sido preso, Jesus voltou para a Galileia. Deixou Nazaré e foi morar em Cafarnaum, que fica às margens do mar da Galileia, no território de Zabulon e Neftali, para se cumprir o que foi dito pelo profeta Isaías: “Terra de Zabulon, terra de Neftali, caminho do mar, região do outro lado do rio Jordão, Galileia dos pagãos! O povo que vivia nas trevas viu uma grande luz e para os que viviam na região escura da morte brilhou uma luz”. Daí em diante Jesus começou a pregar dizendo: “Convertei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo”. Quando Jesus andava à beira do mar da Galileia, viu dois irmãos: Simão, chamado Pedro, e seu irmão André. Estavam lançando a rede ao mar, pois eram pescadores. Jesus disse a eles: “Segui-me, e eu farei de vós pescadores de homens”. Eles, imediatamente deixaram as redes e o seguiram. Caminhando um pouco mais, Jesus viu outros dois irmãos: Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João. Estavam na barca com seu pai Zebedeu consertando as redes. Jesus os chamou. Eles, imediatamente deixaram a barca e o pai, e o seguiram. Jesus andava por toda a Galileia, ensinando em suas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino e curando todo tipo de doença e enfermidade do povo.
"Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo"
A missão fundamental de João Batista era
preparar o caminho para Jesus realizar sua missão. A liturgia do Tempo Comum se
inicia com a apresentação de Jesus: “João viu aproximar-se dele e disse: “Eis o
Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. […] “este é quem batiza com
o Espírito Santo. Eu vi e dou testemunho: Este é o Filho de Deus” (Isaías
49,3.5-6, Salmo 39, 1 Coríntios 1,1-3 e João 1,29-34). Em poucos palavras,
revela a identidade e a missão de Jesus.
João afirma que Jesus Cristo, Cordeiro de
Deus, tira o pecado do mundo. Fala “do pecado” no singular e não “dos
pecados” no plural. O evangelista João fala 12 vezes no Evangelho desta forma.
O que é pecado? De qual pecado fala? O Catecismo da Igreja Católica
responde assim: “Para tentarmos compreender o que é o pecado, é preciso antes
de tudo reconhecer a ligação profunda do homem com Deus, pois fora
desta relação o mal do pecado não é desmascarado na sua verdadeira identidade
de recusa e de oposição face a Deus, embora continue a pesar sobre a vida do
homem e sobre a história” (n.386).
Portanto, o pecado não pode ser reduzido à
infração de um código de ética. No contexto das relações entre Deus e o homem a
desobediência da Lei e a transgressão dos mandamentos não é um dos tantos
pecados possíveis, mas é o pecado no estado puro, que une todas as
violações. A transgressão é uma livre decisão, mas errada com a qual o homem se
põe fora da lei divina e, no mesmo instante, fecha-se sobre si mesmo.
“Somente à luz do desígnio de Deus sobre o homem compreende-se que o pecado é
um abuso da liberdade que Deus dá às pessoas criadas para que possam amá-lo e
amar-se mutuamente” (N. 387). Nisso está a origem do mal, mas Deus na sua
misericórdia não abandona o homem. Inicia uma permanente busca do
pecador que chega ao momento culminante em Jesus Cristo, o Cordeiro
de Deus.
Todo pecado é uma desobediência a Deus e
uma falta de confiança na sua bondade. O homem prefere a si mesmo, fecha-se a
Deus e o menospreza. Esta escolha tem consequências dramáticas em todas as áreas
da vida. A primeira experiência é a desintegração da pessoa, isto é a
pessoa procura compreender a sua identidade a partir de si
mesma. Somos seres relacionais, dependemos uns dos outros, começando
pela própria definição da identidade. O pecado torna a pessoa um ser
passional, um ser que se move pelas paixões que são movimentos
irracionais do desejo, impulsos, ora de atração, ora de aversão por algo
sensível. São os desejos passionais que levam aos vícios da soberba, da
inveja, da ira, da avareza, da gula.
O pecado fragmenta a humanidade. O pecador
se fecha em si, cria um muro de divisão em relação aos outros. O acúmulo das
perversões polui as estruturas coletivas que se tornam injustas e
favorecem a propagação de uma cultura doente. Cada um é culpado pelas
suas ações imorais. Ao mesmo tempo, cada um é também vítima do
“pecado do mundo”. O pecado é uma catástrofe cósmica. Os cristãos têm
especial responsabilidade para com a mãe terra. Têm a missão
de serem guardiões e arquitetos do criado para transformá-lo
em um templo.
O pecado é uma ferida na
Igreja. O pecado cometido por um cristão é ainda mais grave por ofender
o “corpo de Cristo”. A comunidade cristã não é só comunhão de santos, mas
também comunhão de pecadores.
Diante deste quadro que parece ser
invencível, o Evangelho oferece a certeza que o pecado pode ser
vencido pelo Cordeiro de Deus que é manso, humilde e apaga o pecado somente com
a força do Espírito Santo. Em vez de sacrificar cordeiros, o sacrificado é
Cristo na cruz. Deus se oferece em sacrifício de modo inofensivo, que não mata
e nem se impõe. Normalmente consideramos que quem muda o mundo é quem se impõe
e quem é competitivo, por isso é tão difícil compreender que um cordeiro possa
tirar o pecado do mundo.
Dom Rodolfo Luís Weber - Arcebispo de Passo Fundo (RS)
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