sábado, 3 de janeiro de 2026

Sábia reflexão do frei Almir Guimarães para este sábado:

Dos que anseiam encontrar a Casa de Deus

Uma criança envolta em panos

Com frequência nossa vida transcorre na crosta da existência. Trabalhos, contatos, problemas, encontros, ocupações diversas nos levam para cá e para lá; e nossa vida vai passando, enchendo cada instante com algo que precisamos fazer, dizer, ver ou planejar. Corremos assim o risco de perder nossa identidade, de transformarmo-nos numa coisa a mais entre outras e de viver em que direção caminhar. Existe uma luz capaz de orientar nossa existência? Existe uma respostas aos nossos anseios e aspirações mais profundas? A partir da fé cristã esta, essa resposta existe. Essa luz já brilha na criança de Belém. (José Antonio Pagola)

♦ Diversos personagens que fazem parte do presépio do Menino Jesus. Apenas Mateus faz alusão à visita de Magos vindo do Oriente. Antes tinham acorrido ao presépio pastores curiosos e simples. Agora três ilustres cavalheiros. Peregrinos de Deus. Gente de outros cantos da terra e do mundo. Símbolos de todos os buscadores de Deus. Chegam, parlamentam, conversam com uns e outros a respeito do nascimento do Menino. Trazem presentes. Gente de coração generoso e reto. Falam de um estrela que havia aparecido no céu de suas vidas e no firmamento de seu país. Obstinadamente venceram obstáculos. O amor de Deus, assim, se manifesta a todas as nações da terra. É nossa história, o relato da nossa aventura humana que aí é retratado.

♦ Buscadores de Deus! Que bom se esta aventura fosse verdadeira para nós em nossos tempos, que não cessamos nossa busca. Muitos de nós nascemos no seio de famílias cristãs e fomos sendo envolvidos por ritos e símbolos. Passamos a viver uma “religião” com rezas e sacramentos. Alguns tivemos a chance de viver numa família esclarecida e num ambiente em que o Evangelho era levado em conta. Outros foram separando vida da fé e fé da vida. Foram perdendo o fogo da busca de Deus, o fogo do Evangelho. Deus não pode ser um acessório, um “à coté”, ao lado daquilo que chamamos de vida. O que conta não é a vida?

♦ Há aqueles que, interpelados pelo maravilhoso, pelo inesperado ou pelo trágico da vida sentiram brilhar uma estrela, o frágil cintilar de uma estrela: o nascimento de um filho, uma turbulência familiar, a ameaça de um fracasso no casamento, uma derrocada financeira, o inferno das drogas, a visita de uma pessoa que mais parecia um anjo caído do céu.

♦ Há os que reencontram ou reencontraram a fé frequentando as páginas dos evangelhos e tentando descobrir o Deus de Jesus Cristo nas parábolas, nos ditos do Mestre, na esperança que se se podia perceber em sua fala. São pessoas que, aos poucos, vão dando suas a Levi e Zaqueu e hospedam o Senhor em sua intimidade. Umas vão se identificando com o filho pródigo e sentem o abraço do Pai das misericórdias. Trazem para ao presépio o tesouro de suas vidas.

♦ Muitos descobrem a Deus na dedicação aos outros. Sentem-se felizes quando podem ser para e sendo para… compreendem que Deus é ser para… Lembram-se das lições do catecismo onde haviam aprendido que quando damos um copo de água fria ao menor dos nossos irmão é a Jesus que o ofertamos.

♦ Deus vem no visitar e chega na simplicidade de um nascimento e termina seus dias no alto de uma cruz, completamente injustiçado, privado até de suas vestes. Um Deus que não mora nas alturas, mas chega perto de cada um de nós. O Menino deitado nas palhas, no despojamento total, carente de nossa atenção, é a verdadeira luz que ilumina todo homem que vem a este mundo. Veio para todos o orbe. Fora dele não há claridade. Através dos tempos fomos vendo a procissão de peregrinos iluminados pela luz da estrela da fé. Os Magos representam os homens e as mulheres que carregam questionamentos e interrogações, que não estão satisfeitos com a vida pela metade, que buscam um sentido mais pleno para os dias que vivem.

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Textos para reflexão

♦ Os magos, da cidade real, onde julgavam dever encontrar o rei, dirigem-se à pequena cidade de Belém. Entram no estábulo e encontram um recém-nascido envolto em panos. Não se aborrecem com o estábulo, não se chocam com os panos, nem se escandalizam com o menino amamentado: prostram-se, veneram-no como rei, adoram-no como Deus. Quem os conduziu, também os instruiu, e quem os avisou exteriormente pela estrela, também os alertou no segredo do coração. Assim esta manifestação do Senhor tornou glorioso este dia e a piedosa veneração dos magos o fez venerável.  (Dos sermões de São Bernardo, abade)

♦ Hoje os magos que procuravam o Senhor resplandecente nas estrelas, o encontram num berço. Hoje, os magos veem claramente envolvido em panos aquele que há muito tempo buscavam de modo o obscuro nos astros. Hoje os magos contemplam maravilhados, no presépio, o céu na terra, a terra no céu, o homem em Deus, Deus no homem e incluído no corpo pequenino de uma criança, aquele que o universo não pode conter. Vendo-o proclamam sua fé e não discutem oferecendo-lhe místicos presentes, incenso a Deus, ouro ao rei e mirra ao que havia de morrer. (São Pedro Crisólogo)
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Oração

Estás perto,
estás sempre,
estás esperando
e eu não me detenho.
Respeitas minha liberdade,
caminhas junto a mim,
sustentas minha vida
e eu não te tomo conhecimento.
Tu me ajudas a conhecer-me,
me faz como a um filho,
me chamas a ser eu mesmo
e eu não te presto atenção.
Tu me amas com ternura,
queres o melhor para mim,
me ofereces tudo o que é teu
e eu não te agradeço. (F.Ulíbarri)

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FREI ALMIR GUIMARÃES, OFM, ingressou na Ordem Franciscana em 1958. Estudou catequese e pastoral no Institut Catholique de Paris, a partir de 1966, período em que fez licenciatura em Teologia. Em 1974, voltou a Paris para se doutorar em Teologia. Tem diversas obras sobre espiritualidade, sobretudo na área da Pastoral familiar. É o editor da Revista “Grande Sinal”.

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