Dos que anseiam
encontrar a Casa de Deus
Uma criança envolta em panos
♦ Diversos personagens que fazem parte do presépio
do Menino Jesus. Apenas Mateus faz alusão à visita de Magos vindo do Oriente.
Antes tinham acorrido ao presépio pastores curiosos e simples. Agora três
ilustres cavalheiros. Peregrinos de Deus. Gente de outros cantos da terra e do
mundo. Símbolos de todos os buscadores de Deus. Chegam, parlamentam, conversam
com uns e outros a respeito do nascimento do Menino. Trazem presentes. Gente de
coração generoso e reto. Falam de um estrela que havia aparecido no céu de suas
vidas e no firmamento de seu país. Obstinadamente venceram obstáculos. O amor
de Deus, assim, se manifesta a todas as nações da terra. É nossa história, o
relato da nossa aventura humana que aí é retratado.
♦ Buscadores de Deus! Que bom se esta aventura fosse
verdadeira para nós em nossos tempos, que não cessamos nossa busca. Muitos de
nós nascemos no seio de famílias cristãs e fomos sendo envolvidos por ritos e
símbolos. Passamos a viver uma “religião” com rezas e sacramentos. Alguns
tivemos a chance de viver numa família esclarecida e num ambiente em que o
Evangelho era levado em conta. Outros foram separando vida da fé e fé da vida.
Foram perdendo o fogo da busca de Deus, o fogo do Evangelho. Deus não pode ser
um acessório, um “à coté”, ao lado daquilo que chamamos de vida. O que conta
não é a vida?
♦ Há aqueles que, interpelados pelo maravilhoso,
pelo inesperado ou pelo trágico da vida sentiram brilhar uma estrela, o frágil
cintilar de uma estrela: o nascimento de um filho, uma turbulência familiar, a
ameaça de um fracasso no casamento, uma derrocada financeira, o inferno das
drogas, a visita de uma pessoa que mais parecia um anjo caído do céu.
♦ Há os que reencontram ou reencontraram a fé
frequentando as páginas dos evangelhos e tentando descobrir o Deus de Jesus
Cristo nas parábolas, nos ditos do Mestre, na esperança que se se podia
perceber em sua fala. São pessoas que, aos poucos, vão dando suas a Levi e
Zaqueu e hospedam o Senhor em sua intimidade. Umas vão se identificando com o
filho pródigo e sentem o abraço do Pai das misericórdias. Trazem para ao
presépio o tesouro de suas vidas.
♦ Muitos descobrem a Deus na dedicação aos outros.
Sentem-se felizes quando podem ser para e sendo para… compreendem que Deus é
ser para… Lembram-se das lições do catecismo onde haviam aprendido que quando
damos um copo de água fria ao menor dos nossos irmão é a Jesus que o ofertamos.
♦ Deus vem no visitar e chega na simplicidade de um
nascimento e termina seus dias no alto de uma cruz, completamente injustiçado,
privado até de suas vestes. Um Deus que não mora nas alturas, mas chega perto
de cada um de nós. O Menino deitado nas palhas, no despojamento total, carente
de nossa atenção, é a verdadeira luz que ilumina todo homem que vem a este
mundo. Veio para todos o orbe. Fora dele não há claridade. Através dos tempos
fomos vendo a procissão de peregrinos iluminados pela luz da estrela da fé. Os
Magos representam os homens e as mulheres que carregam questionamentos e
interrogações, que não estão satisfeitos com a vida pela metade, que buscam um
sentido mais pleno para os dias que vivem.
__________________________________________________________
Textos para
reflexão
♦ Os magos, da cidade real, onde julgavam dever encontrar o rei, dirigem-se à pequena cidade de Belém. Entram no estábulo e encontram um recém-nascido envolto em panos. Não se aborrecem com o estábulo, não se chocam com os panos, nem se escandalizam com o menino amamentado: prostram-se, veneram-no como rei, adoram-no como Deus. Quem os conduziu, também os instruiu, e quem os avisou exteriormente pela estrela, também os alertou no segredo do coração. Assim esta manifestação do Senhor tornou glorioso este dia e a piedosa veneração dos magos o fez venerável. (Dos sermões de São Bernardo, abade)
Oração
Estás perto,estás sempre,estás esperandoe eu não me detenho.Respeitas minha liberdade,caminhas junto a mim,sustentas minha vidae eu não te tomo conhecimento.Tu me ajudas a conhecer-me,me faz como a um filho,me chamas a ser eu mesmoe eu não te presto atenção.Tu me amas com ternura,queres o melhor para mim,me ofereces tudo o que é teue eu não te agradeço. (F.Ulíbarri)
______________________________________________________
FREI ALMIR GUIMARÃES, OFM, ingressou na Ordem Franciscana em 1958. Estudou catequese e pastoral no Institut Catholique de Paris, a partir de 1966, período em que fez licenciatura em Teologia. Em 1974, voltou a Paris para se doutorar em Teologia. Tem diversas obras sobre espiritualidade, sobretudo na área da Pastoral familiar. É o editor da Revista “Grande Sinal”.
Nenhum comentário:
Postar um comentário