Ser luz nas trevas
Jesus Cristo, ao nascer, foi apresentado
como luz, que brilhou em meio à escuridão da história. Ele é fruto do
cumprimento daquilo que tinha sido profetizado no Antigo Testamento. “O povo
que andava nas trevas viu uma grande luz” (Is 9,1). Todos os males, as guerras,
o desrespeito aos direitos internacionais, são trevas, porque escondem o brilho
da luz e provocam todo tipo de destruição.
Há um cenário de trevas rondando o mundo.
Não estamos diante de apenas narrativas, mas de atos concretos de destruição,
de atitudes desoladoras e causadoras de medo. A luz da fraternidade e do
respeito, proclamada por Cristo, tem ficado no esquecimento. Por isso, reina o
autoritarismo ditatorial e o domínio indiscriminado sobre outros em busca de
interesses econômicos e de poder.
A tradição mostra a derrocada dos grandes
impérios, porque eles não se sustentam por muito tempo. Existe uma
vulnerabilidade e limites no poder da ação humana. Normalmente, fica a
instituição e passam os seus gestores, correndo até o perigo da descontinuidade
e falência. Sem Deus, tudo passa e cai no vazio da existência. Aliás, “Deus
abate os orgulhosos e eleva os humildes” (Tg 4,6).
As divisões geram contendas e polarizações
na população. Dessa realidade vem todo tipo de ataques e afrontas à dignidade
do outro, chegando à medição de força de poder, como tem acontecido nos
cenários de guerras, pelo mundo afora. Não é este o propósito do ensinamento de
Jesus, porque ele não descarta a prática do amor, de valorização dos direitos e
da identidade das criaturas.
A vida do ser humano, no contexto da
cultura moderna, tem perdido seu brilho, sua estabilidade e serenidade. São
muitas tensões e insegurança causadores de medo generalizado, principalmente
para quem tem sua confiança em Deus fragilizada. Só Deus é capaz de dar
segurança e esperança para a existência. O importante é caminhar na luz de
Cristo, um coração que tenha a presença divina.
As sombras de morte têm que ser iluminas
pela luz, que vem de Cristo. Supõe um processo de conversão, de percepção da
beleza da vida, em sintonia com a vida de Deus. Sem consciência clara sobre
isto, nunca estaremos livres das amarraras e com vida feliz. É necessário
deixar muita coisa e seguir o Evangelho: “Eles, de imediato, deixaram a barca e
o pai, e seguiram a Jesus” (Mt 4,22).
Dom Paulo Mendes Peixoto - Arcebispo
Metropolitano de Uberaba
_____________________________________________ Fonte: cnbb.org.br Imagem: vaticannews.va

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