sábado, 17 de janeiro de 2026

Reflita com frei Almir Guimarães:

A luz das Nações: Ele veio ensinar os caminhos da vida


♦ Terminados os dias do Advento e do Natal vamos penetrando no tempo comum enquanto esperamos a chegada do retiro quaresmal que nos levará à festa da Páscoa. Vamos fazendo nosso caminho, forjando nossa personalidade cristã com todas as naturais e eventuais dificuldades. João, o Batista, aponta Jesus no meio do povo. Ele é o Cordeiro que tira a maldade do mundo. Isaías, por sua vez, retoma a voz do Senhor dirigida ao misterioso Servo de Javé: “Não basta seres meu servo (…). Eu te farei luz das nações”. Somos convidados, sempre de novo, a alimentar e criar relacionamentos de intimidade aquele que nos ensina a ouvir a voz do Senhor e se se apresenta como luz da caminhada dos humanos e sobre o qual repousou o Espírito. Ele veio nos ensinar os caminhos da vida viçosa.

♦ João vira o Espírito descer sobre Jesus como uma pomba do céu e descer sobre ele. Pagola afirma: “As primeiras comunidades cristãs se preocuparam em diferenciar muito bem o batismo de João, que mergulhava as pessoas nas águas do Jordão, e o batismo de Jesus, que comunicava seu Espírito para purificar, renovar e transformar o coração de seus seguidores. Sem esse Espírito, a Igreja se apaga e se extingue’ (Pagola).

♦ Voltar a Jesus, retornar ao Evangelho, tecer relacionamentos de veneração e de estima para com esse Jesus ungido pelo Espírito: esta a urgência de nossos tempos. Andamos sempre precisando de equilíbrio. Nada de exageros de um ou de outro lado. Nada de uma religião fixada em formulações doutrinárias petrificadas e repetidas incansavelmente com os lábios. Longe manifestações exteriores marcadas por gestos quase delirantes e alimentadas com emoções. Antes de tudo está esse cuidado acercarmo-nos corretamente de Jesus vivo e presente em nosso meio.

♦ Desde a infância, e principalmente a partir da idade madura, seremos pessoas de convívio com o Senhor Jesus: certeza de sua misteriosa presença como ressuscitado, convivência pessoal e comunitária com sua palavra no Evangelho, nossa união ao seu sacrifício do altar fazendo-nos oferta da vida ao Pai com ele, certeza de que o encontramos nos seres mais diminuídos em sua dignidade, descobrindo sua presença nos salmos que balbuciamos, vivendo de tal maneira unidos a ele que podemos dizer que para nós viver é Cristo, sempre nos encantando com sua intimidade com o Senhor. Aos poucos, vamos tecendo laços de amor verdadeiro.

♦ Ele veio como o Servo do Senhor, para auscultar a vontade de seu Pai a quem se refere sempre com carinho. Veio também como luz, claridade, esclarecimento. Triste a experiência de caminhar nas trevas nos caminhos da vida ou no universo de nossa existência. Não podemos viver por viver, empurrar a vida para frente, esperando que as coisas aconteçam automaticamente. Precisamos organizar nosso presente e colocar as pedras da construção do amanhã.

♦ Cristo Jesus é luz. Andar em sua companhia e dirigir-se para o Pai, seu Pai e nosso Pai. Quem o vê de verdade, vê o Pai. Esse Jesus vivo nos faz entrar na esfera da luz. Ele nos toma pela mão e nos apresenta ao Pai.

♦ O que fazer de nossa vida? Há um momento em que precisamos ter um buquê de convicções para levar a bom termo a empreitada da existência. Jesus nos ilumina:

>> Uma vida de carinhosa e densa oração que não seja mero balbuciar dos lábios, mas gemidos e louvores que brotem de nossas entranhas quando acolhemos o Espírito. A oração de Jesus ilumina nosso rezar. Oração sem muitos efeitos sonoros e visuais. De preferência no silêncio do quarto com a porta fechada. Oração de entrega.

>> Ter a certeza de que o Senhor, vivo e ressuscitado, nos chamou. Somos peregrinos na direção por ele mostrada. Discípulos que não guardam o tesouro para si. Discípulos que irradiam sem espalhafato. Somos sal da terra e luz do mundo. A luz que pode brilhar em nós vem da luz de Jesus.

>> Estar sempre atento ao outro. A todos os outros. Com cuidado, sem afetação, dando tempo ao outro. O outro perto, em casa e o outro de fora e de dentro que quase pede desculpas pelo fato de existir. Atenção para com os jogados à beira do caminho. Não existimos para rodopiar em torno nosso mundinho. Como Jesus vivemos para haja luz à nossa volta.

>> No momento das grandes decisões examinar se as escolhas que fazemos correspondem ao espírito das bem-aventuranças e às posturas de Jesus. Por detrás de nossas escolhas (modo de viver, casamento, paternidade e maternidade, administração do dinheiro, etc.) sempre deixar que a luz de Cristo a tudo ilumine.

>> De modo particular nos momentos de turbulência, de dúvidas e de desânimo haveremos de nos expor à luz que é Cristo. Contemplaremos a maneira como enfrentou seus adversários. Diante do inevitável desfecho de sua trajetória não há passividade, mas confiança e entrega nos braços do Pai.
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Oração

Aqui estou, Senhor;
como o cego à beira do caminho,
cansado, suado, poeirento;
mendigo por necessidade e ofício.
Passas ao meu lado e não te vejo.
Tenho os olhos fechados para a luz.
Costume, dor, desalento…
Sobre eles cresceram duras escamas
que me impedem de ver-te…
Ah! Que pergunta a tua!
O que deseja um cego senão ver?
Que eu veja, Senhor, as tuas veredas.
Que eu veja, Senhor, os caminhos da vida.
Que eu veja, Senhor, sobretudo, teu rosto,
teus olhos, teu coração.    (F. Ulibarri)

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FREI ALMIR GUIMARÃES, OFM, ingressou na Ordem Franciscana em 1958. Estudou catequese e pastoral no Institut Catholique de Paris, a partir de 1966, período em que fez licenciatura em Teologia. Em 1974, voltou a Paris para se doutorar em Teologia. Tem diversas obras sobre espiritualidade, sobretudo na área da Pastoral familiar. É o editor da Revista “Grande Sinal”.

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