A luz das Nações: Ele veio ensinar os caminhos da vida
♦ Terminados os dias do Advento e do Natal vamos penetrando no tempo comum enquanto esperamos a chegada do retiro quaresmal que nos levará à festa da Páscoa. Vamos fazendo nosso caminho, forjando nossa personalidade cristã com todas as naturais e eventuais dificuldades. João, o Batista, aponta Jesus no meio do povo. Ele é o Cordeiro que tira a maldade do mundo. Isaías, por sua vez, retoma a voz do Senhor dirigida ao misterioso Servo de Javé: “Não basta seres meu servo (…). Eu te farei luz das nações”. Somos convidados, sempre de novo, a alimentar e criar relacionamentos de intimidade aquele que nos ensina a ouvir a voz do Senhor e se se apresenta como luz da caminhada dos humanos e sobre o qual repousou o Espírito. Ele veio nos ensinar os caminhos da vida viçosa.
♦ João vira o Espírito descer sobre Jesus como uma pomba do céu e descer sobre ele. Pagola afirma: “As primeiras comunidades cristãs se preocuparam em diferenciar muito bem o batismo de João, que mergulhava as pessoas nas águas do Jordão, e o batismo de Jesus, que comunicava seu Espírito para purificar, renovar e transformar o coração de seus seguidores. Sem esse Espírito, a Igreja se apaga e se extingue’ (Pagola).
♦ Voltar a Jesus, retornar ao Evangelho, tecer relacionamentos de veneração e de estima para com esse Jesus ungido pelo Espírito: esta a urgência de nossos tempos. Andamos sempre precisando de equilíbrio. Nada de exageros de um ou de outro lado. Nada de uma religião fixada em formulações doutrinárias petrificadas e repetidas incansavelmente com os lábios. Longe manifestações exteriores marcadas por gestos quase delirantes e alimentadas com emoções. Antes de tudo está esse cuidado acercarmo-nos corretamente de Jesus vivo e presente em nosso meio.
♦ Desde a infância, e principalmente a partir da idade madura, seremos pessoas de convívio com o Senhor Jesus: certeza de sua misteriosa presença como ressuscitado, convivência pessoal e comunitária com sua palavra no Evangelho, nossa união ao seu sacrifício do altar fazendo-nos oferta da vida ao Pai com ele, certeza de que o encontramos nos seres mais diminuídos em sua dignidade, descobrindo sua presença nos salmos que balbuciamos, vivendo de tal maneira unidos a ele que podemos dizer que para nós viver é Cristo, sempre nos encantando com sua intimidade com o Senhor. Aos poucos, vamos tecendo laços de amor verdadeiro.
♦ Ele veio como o Servo do Senhor, para auscultar a vontade de seu Pai a quem se refere sempre com carinho. Veio também como luz, claridade, esclarecimento. Triste a experiência de caminhar nas trevas nos caminhos da vida ou no universo de nossa existência. Não podemos viver por viver, empurrar a vida para frente, esperando que as coisas aconteçam automaticamente. Precisamos organizar nosso presente e colocar as pedras da construção do amanhã.
♦ Cristo Jesus é luz. Andar em sua companhia e dirigir-se para o Pai, seu Pai e nosso Pai. Quem o vê de verdade, vê o Pai. Esse Jesus vivo nos faz entrar na esfera da luz. Ele nos toma pela mão e nos apresenta ao Pai.
♦ O que fazer de nossa vida? Há um momento em que precisamos ter um buquê de convicções para levar a bom termo a empreitada da existência. Jesus nos ilumina:
Oração
Aqui estou, Senhor;como o cego à beira do caminho,cansado, suado, poeirento;mendigo por necessidade e ofício.Passas ao meu lado e não te vejo.Tenho os olhos fechados para a luz.Costume, dor, desalento…Sobre eles cresceram duras escamasque me impedem de ver-te…Ah! Que pergunta a tua!O que deseja um cego senão ver?Que eu veja, Senhor, as tuas veredas.Que eu veja, Senhor, os caminhos da vida.Que eu veja, Senhor, sobretudo, teu rosto,teus olhos, teu coração. (F. Ulibarri)
_________________________________________________________________
FREI ALMIR GUIMARÃES, OFM, ingressou na Ordem Franciscana em 1958. Estudou catequese e pastoral no Institut Catholique de Paris, a partir de 1966, período em que fez licenciatura em Teologia. Em 1974, voltou a Paris para se doutorar em Teologia. Tem diversas obras sobre espiritualidade, sobretudo na área da Pastoral familiar. É o editor da Revista “Grande Sinal”.
Nenhum comentário:
Postar um comentário