Anúncio bíblico
catequético
Passado o ciclo
do Natal, agora a liturgia se volta para o Tempo Comum,
tempo de esperança, inclusive usando a cor verde nas celebrações eucarísticas.
Mas, é tempo de catequese bíblica, de reflexão da Palavra de Deus, proclamada
em todos os momentos celebrativos. A fé cristã vem da Palavra, de
Cristo falando ao povo, iluminando a vida das pessoas comprometidas na
comunidade.
Agora é deixar
que a luz de Deus brilhe o caminho de cada ser humano, fazendo dele
um verdadeiro “iluminado”, alguém que brilha, porque age com responsabilidade,
tanto na verdade, quanto na justiça. As leituras da Palavra de Deus, anunciadas
na liturgia, principalmente dominical, quando ouvidas com atenção e colocadas
em prática, provocam, na pessoa, uma conduta de luz.
O tempo de vida
na terra é muito curto e cheio de tropeços, de atos escuros, de sofrimento, mas
com possibilidades inesgotáveis, porque brilha a luz de Cristo na catequese
bíblica. A Palavra é luz, é como a estrela que guiou os Reis Magos caminhando
na direção da grande estrela, que era o Menino Jesus, Deus feito Homem, que foi
encontrado na manjedoura, nos arredores de Belém (Mt 2,2).
Para Jesus, a
pessoa, principalmente o cristão, precisa ser luz, iluminado pela Palavra, com
fundamento na expressão bíblica: “Vós sois a luz do mundo”
(Mt 5,14). Ser luz é ser santo, ser aquilo que está contido nos
propósitos da Palavra de Deus. A santidade é um ponto de chegada na história da
Salvação. Foi justamente para isto que aconteceu a Encarnação do Verbo, para
elevar o ser humano.
Falar a palavra
“santidade”, na cultura hodierna, parece ir na contramão da história. O
fundamental é ser santo, mesmo envolvidos e influenciados pela modernidade
secular e laicizada. Paulo, apóstolo, falando para a comunidade dos coríntios,
cita as condutas imorais, os falsos profetas e os ensinamentos contrários à fé,
atos espúrios e que desabonam o caminho da santidade das pessoas
(cf. 1Cor 5,8).
Em todo o
ciclo do Tempo Comum, a Palavra de Deus é
anunciada para evidenciar a missão de Jesus Cristo e o compromisso de
fidelidade dos cristãos com ele. É aquilo que fez João Batista ao testemunhar a
autenticidade do Cordeiro, do Filho de Deus, daquele que tira as amarras
da vida e revela a verdade sobre a terra. Fica em nossas mãos dar
continuidade à missão do Cristo missionário.
Dom Paulo Mendes Peixoto - Arcebispo de Uberaba (MG)
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