presidência da CNBB em audiência no Vaticano
O encontro
reforçou os laços de comunhão entre a Igreja no Brasil e o Sucessor de Pedro e
integrou a visita anual da presidência da Conferência Nacional dos Bispos do
Brasil à Santa Sé, que inclui reuniões com os dicastérios da Cúria Romana.
O Papa Leão XIV
recebeu, na manhã desta segunda-feira (26/01), a presidência da Conferência
Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), composta pelo presidente, cardeal Jaime
Spengler, O.F.M., arcebispo de Porto Alegre; por dom João Justino de Medeiros
Silva, arcebispo de Goiânia e primeiro vice-presidente; por dom Paulo Jáckson
Nóbrega de Sousa, arcebispo de Olinda e Recife e segundo vice-presidente; e por
dom Ricardo Hoepers, bispo auxiliar de Brasília e secretário-geral.
| Reunião de trabalho |
A audiência
insere-se na visita anual que a CNBB realiza ao Vaticano, durante a qual são
promovidos encontros com os diversos dicastérios que compõem a Santa Sé.
Segundo dom Jaime, o encontro com o Sucessor de Pedro foi “um momento especial
para aprofundar o espírito de comunhão e de colaboração entre a Conferência
Episcopal do Brasil e o Santo Padre”.
| Papa Leão XIV e dom Jaime Spengler (@Vatican Media) |
Espontaneidade e
proximidade
Na ocasião,
afirmou o cardeal Spengler, foi possível partilhar com o Papa as experiências
vividas recentemente pela Igreja no Brasil, bem como as repercussões de
importantes eventos eclesiais realizados no país, como a COP30. Também foi
apresentado um relatório das atividades desenvolvidas pela CNBB ao longo do
último ano.
De forma
fraterna e descontraída, recordou-se ainda que a última Assembleia Geral da
Conferência precisou ser suspensa, uma vez que o pregador convidado para a
abertura do encontro foi chamado a assumir o ministério como Sucessor de Pedro.
O Papa reagiu com espontaneidade, em um clima de proximidade e cordialidade. O
presidente da CNBB destacou que se tratou de um encontro respeitoso e fecundo,
no qual foi reafirmada a disposição de colaboração da Igreja no Brasil com o
Pontífice, que, por sua vez, manifestou sua proximidade pastoral para com o
povo brasileiro.
| Presidência da CNBB com o prefeito do Dicastério para a Comunicação, Paolo Ruffini |
Visitas aos
Dicastérios da Santa Sé
A visita da
presidência da CNBB a Roma ocorre em um contexto significativo, marcado pela
celebração dos 200 anos das relações diplomáticas entre o Brasil e a Santa Sé,
realizada na semana passada, e também pelos 15 anos do Acordo Brasil–Santa Sé.
Soma-se a isso a memória dos 400 anos das missões no sul do Brasil, que tiveram
papel decisivo na formação histórica e territorial do país, tanto na região
amazônica quanto no Sul.
Durante esta
semana, a presidência da Conferência cumpre ainda a tradição de visitar os
diversos organismos da Cúria Romana, promovendo um diálogo fraterno sobre a
vida e a missão da Igreja. Nesta segunda-feira, a agenda incluiu também uma
visita ao Dicastério para a Comunicação e uma reunião com o prefeito Paolo
Ruffini, para dialogar sobre os desafios da comunicação e a missão
evangelizadora da Igreja nos meios contemporâneos.
| Visita à Radio Vaticano - Vatican News |
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O Papa à Rota Romana:
defender a verdade sem rigidez e exercer a caridade sem omissão
Leão XIV recebeu
os prelados do Tribunal da Rota Romana para a inauguração do Ano Judicial. De
acordo com o Pontífice, "o serviço à verdade na caridade deve transparecer
em todo o trabalho dos tribunais eclesiásticos". O Papa ressaltou que "justiça
e paz visam o bem de cada um e de todos, por isso exigem ordem e verdade",
e que "o juiz torna-se um operador de paz que contribui para consolidar a
unidade da Igreja em Cristo".
| O Papa com os membros do Colégio dos Prelados Auditores do Tribunal Apostólico da Rota Romana |
O Papa Leão XIV recebeu em audiência, nesta segunda-feira (26/01), na Sala Clementina, no Vaticano, os Prelados Auditores do Tribunal Apostólico da Rota Romana por ocasião da inauguração do Ano Judicial.
Neste primeiro
encontro com a Rota Romana, o Pontífice retomou um tema que foi dominante nos
discursos dirigidos ao Tribunal da Rota Romana desde Pio XII até o Papa
Francisco: a relação entre a atividade realizada pelo organismo e a verdade
inerente à justiça.
Leão XIV
refletiu sobre a estreita ligação existente entre "a verdade da justiça e
a virtude da caridade". De acordo com o Papa, "não se tratam de dois
princípios opostos, nem de valores a serem equilibrados segundo critérios
puramente pragmáticos, mas de duas dimensões intrinsecamente unidas, que
encontram a sua harmonia mais profunda no próprio mistério de Deus, que é Amor
e Verdade".
Conjugar a
caridade com a verdade
"Ao
considerar a relação entre a verdade e a caridade, uma orientação clara vem do
ensinamento do apóstolo Paulo, que exorta: “Agindo segundo a verdade na
caridade, crescemos em tudo em direção a Cristo, que é a
cabeça”. Veritatem facientes in caritate: não se trata apenas de se
adequar a uma verdade especulativa, mas de “fazer a verdade”, ou seja, uma
verdade que deve iluminar a ação. E isso deve ser feito “na caridade”, que é o
grande motor que leva a fazer a verdadeira justiça", disse ainda o Papa,
acrescentando:
“Com outra frase bíblica, desta vez de São João, vocês são chamados a ser «cooperadores da verdade». Bento XVI, que escolheu estas palavras como lema episcopal, destacava na sua Encíclica Caritas in veritate a «necessidade de conjugar a caridade com a verdade, não só na direção, assinalada por São Paulo, da “veritas in caritate”, mas também naquela inversa e complementar, da ‘caritas in veritate’. A verdade deve ser procurada, encontrada e expressa na ‘economia’ da caridade, mas a caridade, por sua vez, deve ser compreendida, valorizada e praticada à luz da verdade».”
"Que suas
ações, portanto, sejam sempre motivadas por aquele verdadeiro amor ao próximo
que busca, acima de tudo, sua salvação eterna em Cristo e na Igreja, o que
implica a adesão à verdade do Evangelho", disse o Papa aos Prelados da
Rota Romana. "Descobrimos, assim, o horizonte no qual toda atividade
jurídico-eclesial deve ser situada: a salus animarum como lei suprema da
Igreja. Desta forma, seu serviço à verdade da justiça é uma contribuição de
amor para a salvação das almas", sublinhou.
Busca da
verdade, expressão direta da responsabilidade moral
Segundo Leão
XIV, "todos os aspectos dos processos canônicos podem ser enquadrados no
contexto da verdade na caridade. Em primeiro lugar, a ação dos vários
protagonistas do processo deve ser inteiramente marcada pelo desejo efetivo de
contribuir para esclarecer a sentença justa a ser alcançada, com rigorosa
honestidade intelectual, competência técnica e consciência reta. A tensão
permanente de todos em direção à verdade é o que torna profundamente harmoniosa
a atividade dos tribunais, seguindo a concepção institucional do processo,
magistralmente descrita pelo Venerável Pio XII em seu Discurso à Rota de
1944".
“O objetivo que une todos os operadores nos processos, cada um na fidelidade ao seu papel, é a busca da verdade, que não se reduz ao cumprimento profissional, mas deve ser entendida como expressão direta da responsabilidade moral. Isso é motivado, em primeiro lugar, pela caridade, sabendo, porém, ir além das exigências da justiça, para servir, na medida do possível, ao bem integral das pessoas, sem distorcer a própria função, mas exercendo-a com pleno sentido eclesial.”
De acordo com
Leão XIV, "o serviço à verdade na caridade deve transparecer em todo o
trabalho dos tribunais eclesiásticos. Isso deve ser valorizado por toda a
comunidade eclesial, especialmente pelos fiéis envolvidos: por aqueles que
buscam julgamento sobre sua união matrimonial, por quem é acusado de cometer um
delito canônico, por quem se considera vítima de uma grave injustiça, por quem
reivindica um direito. Os processos canônicos devem
inspirar a confiança que vem da seriedade profissional, do trabalho
intenso e ponderado e de uma dedicação convicta àquilo que pode e deve ser
percebido como uma verdadeira vocação profissional. Os fiéis e toda a
comunidade eclesial têm o direito ao exercício adequado e oportuno das funções
processuais, porque se trata de um caminho que incide sobre as consciências e
as vidas".
Juiz, operador
de paz
"Nesta
perspectiva, deve-se destacar a verdade e, portanto, o bem e a beleza de todos
os cargos e serviços relacionados aos processos", disse ainda o Papa,
destacando que "um estilo inspirado na deontologia deve permear também o
trabalho dos advogados quando eles assistem os fiéis na defesa de seus
direitos, protegendo os interesses das partes sem nunca ultrapassar o que, em
consciência, se considera justo e conforme à lei".
“Os juízes, chamados à grave responsabilidade de determinar o justo, que é o verdadeiro, não podem deixar de recordar que «a justiça caminha com a paz e está com ela em relação constante e dinâmica. Justiça e paz visam o bem de cada um e de todos, por isso exigem ordem e verdade. Quando uma é ameaçada, ambas vacilam; quando se ofende a justiça, também se põe em risco a paz». Avaliado nesta perspectiva, o juiz torna-se um operador de paz que contribui para consolidar a unidade da Igreja em Cristo.”
"O processo
em si não é uma tensão entre interesses conflitantes, como às vezes se pensa
erroneamente, mas sim um instrumento indispensável para discernir a verdade e a
justiça no caso", disse ainda o Papa, ressaltando que "é fundamental
continuar estudando e aplicando o direito matrimonial canônico com seriedade
científica e fidelidade ao Magistério".
Leão XIV
ressaltou que a missão dos Prelados do Tribunal da Rota Romana "é nobre e
exigente". "Vocês são chamados a defender a verdade com rigor, mas
sem rigidez, e a exercer a caridade sem omissão. Nesse equilíbrio, que é na
verdade uma profunda unidade, deve manifestar-se a verdadeira sabedoria
jurídica cristã", concluiu.
Mariangela Jaguraba – Vatican News
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