novo ciclo de catequeses sobre o Concílio Vaticano II
A Audiência
Geral desta quarta-feira (7/1) foi realizada na Sala Paulo VI e marcou o início
de um percurso de releitura dos Documentos conciliares, para redescobrir a sua
beleza, atualidade e força profética para a vida da Igreja e do mundo.
“Iniciamos um novo ciclo de catequeses dedicado ao Concílio Vaticano II e à releitura dos seus Documentos. Esta é uma preciosa oportunidade para redescobrir a beleza e a importância deste evento eclesial.”
Com estas
palavras, o Papa Leão XIV iniciou a catequese da Audiência Geral desta
quarta-feira, 7 de janeiro, realizada na Sala Paulo VI em razão das baixas
temperaturas no hemisfério norte. Após as reflexões do Ano Jubilar dedicado aos
mistérios da vida de Jesus, o Santo Padre propôs à Igreja um novo itinerário de
reflexão, centrado no Concílio Vaticano II, definido por São João Paulo II como
“a grande graça de que beneficiou a Igreja no século XX”.
Um Concílio que
permanece atual
O Pontífice
recordou que, em 2025, a Igreja celebra, juntamente com o aniversário do
Concílio de Niceia, o sexagésimo aniversário do Concílio Vaticano II. Embora
não esteja distante no tempo, observou que a geração de bispos, teólogos e
fiéis que participou diretamente daquele acontecimento já não está entre nós.
Por isso, torna-se ainda mais necessário redescobrir o Concílio de maneira
autêntica, não a partir de “boatos” ou leituras parciais, mas por meio da
releitura atenta dos seus Documentos.
Segundo Leão
XIV, é precisamente nesses textos que se encontra um Magistério vivo, capaz de
orientar ainda hoje o caminho da Igreja. Citando Bento XVI, o Papa recordou que
os Documentos conciliares não perderam a sua atualidade; ao contrário, “os seus
ensinamentos revelam-se particularmente pertinentes” diante das novas situações
da Igreja e da sociedade globalizada.
O alvorecer de
uma nova etapa eclesial
Ao evocar a
abertura do Concílio por São João XXIII, em 11 de outubro de 1962, o Papa
lembrou a imagem do “alvorecer de um dia de luz” para toda a Igreja. O trabalho
dos Padres conciliares, provenientes de Igrejas de todos os continentes, abriu
caminho para uma nova etapa da vida eclesial, amadurecida a partir de uma rica
reflexão bíblica, teológica e litúrgica desenvolvida ao longo do século XX.
O Concílio
Vaticano II, explicou o Santo Padre, redescobriu o rosto de Deus como Pai que,
em Cristo, chama todos a serem seus filhos; contemplou a Igreja à luz de
Cristo, como mistério de comunhão e sacramento de unidade; e promoveu uma
profunda reforma litúrgica, colocando no centro o mistério da salvação e a
participação ativa e consciente de todo o Povo de Deus. Ao mesmo tempo, ajudou
a Igreja a abrir-se ao mundo contemporâneo, dialogando com os seus desafios e
mudanças.
Uma Igreja
chamada ao diálogo
O Papa recordou
ainda a afirmação de São Paulo VI segundo a qual, graças ao Concílio, “a Igreja
faz-se palavra, faz-se mensagem, faz-se colóquio”. Esse impulso levou a Igreja
a comprometer-se com o ecumenismo, o diálogo inter-religioso e o diálogo com todas
as pessoas de boa vontade, na busca sincera da verdade. Esse mesmo espírito,
sublinhou Leão XIV, deve continuar a caracterizar a vida espiritual e a ação
pastoral da Igreja hoje:
“Devemos implementar ainda mais plenamente a reforma eclesial de modo ministerial e, perante os desafios de hoje, somos chamados a permanecer atentos intérpretes dos sinais dos tempos, alegres anunciadores do Evangelho, corajosas testemunhas da justiça e da paz.”
Santidade,
esperança e missão
Citando Dom
Albino Luciani, futuro Papa João Paulo I, o Santo Padre recordou que os frutos
de um Concílio não dependem apenas de estruturas ou métodos, mas de “uma
santidade mais profunda e mais extensa”, capaz de amadurecer ao longo do tempo,
inclusive em meio a dificuldades e conflitos. Redescobrir o Concílio,
acrescentou, significa devolver a primazia a Deus e ao essencial: uma Igreja
apaixonada pelo Senhor e pela humanidade por Ele amada. Na parte final da
catequese, o Papa retomou as palavras de São Paulo VI dirigidas aos Padres
conciliares no encerramento do Vaticano II, recordando que chegou o tempo de
partir ao encontro da humanidade para lhe anunciar o Evangelho. Um tempo que
reúne passado, presente e futuro, marcado pelo desejo dos povos por justiça,
paz e uma vida mais plena.
"Ao
aproximarmo-nos dos Documentos do Concílio Vaticano II e redescobrirmos a sua
profecia e atualidade, acolhemos a rica tradição da vida da Igreja e, ao mesmo
tempo, questionamos o presente e renovamos a alegria de correr ao encontro do
mundo para levar o Evangelho do Reino de Deus, um reino de amor, de justiça e
de paz", concluiu Leão XIV.
Thulio Fonseca – Vatican News
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