em vez da indústria da guerra se afirme o artesanato da paz
O Papa Leão XIV
apareceu novamente no Balcão Central da Basílica de São Pedro nesta terça-feira
ao meio-dia, de onde rezou a Oração mariana do Angelus na Solenidade da
Epifania do Senhor, que encerra o Ano Santo. O Santo Padre exortou a todos a se
empenharem pela fraternidade e a harmonia entre os povos.
O apelo do
Jubileu à “justiça fundada na gratuidade”, que leva a “reorganizar a
convivência, redistribuir a terra e os recursos”, deve impulsionar a doação de
si mesmo pelos outros e abrir espaço para Cristo, disse o Papa Leão XIV nas
palavras que precederam a oração do Angleus.
Os Magos, - continuou o Santo Padre -, narrados pelo evangelista Mateus, que partem do Oriente e arriscam-se para prestar homenagem ao Menino nascido em Belém, oferecendo ouro, incenso e mirra, ensinam-nos isso.
Neste período, -
disse o Papa - celebramos vários dias festivos e a solenidade da Epifania, já
no seu nome, sugere-nos o que torna possível a alegria, mesmo em tempos
difíceis. Na verdade, como é sabido, a palavra “epifania” significa
“manifestação”, e a nossa alegria nasce de um Mistério que já não está oculto.
“A vida de Deus revelou-se: muitas vezes e de muitos modos, mas com clareza definitiva em Jesus; por isso agora sabemos que, mesmo entre muitas tribulações, podemos ter esperança. “Deus salva”: não tem outras intenções, nem tem um outro nome. Provém de Deus e é epifania de Deus apenas aquilo que liberta e salva”.
O Santo Padre
continuou dizendo que se ajoelhar como os Magos diante do Menino de Belém
significa, também para nós, confessar que encontramos a verdadeira humanidade,
na qual resplandece a glória de Deus.
“Em Jesus apareceu a verdadeira vida, o homem vivente, ou seja, aquele que não existe para si mesmo, mas aberto e em comunhão, o que nos faz dizer: «Como no Céu, assim também na terra» (Mt 6, 10).
Sim, a vida
divina está ao nosso alcance, manifestou-se para nos envolver no seu dinamismo
libertador que dissolve os medos e nos faz encontrar na paz. É uma
possibilidade, um convite: a comunhão não pode ser uma constrição, mas o que se
pode desejar mais?
Papa Leão
recorda que no relato evangélico e nos nossos presépios, os Magos oferecem ao
Menino Jesus presentes preciosos: ouro, incenso e mirra. Não parecem coisas
úteis para uma criança, mas expressam uma vontade que, no final do Ano Jubilar,
nos faz refletir muito. Aquele que dá muito, dá tudo.
“Recordemos
aquela pobre viúva, notada por Jesus, que lançou no tesouro do Templo as suas
últimas moedas, tudo o que tinha. Não conhecemos os bens dos Magos, vindos do
Oriente, mas a sua partida, o seu risco, os seus próprios presentes sugerem-nos
que tudo, realmente tudo o que somos e possuímos, pede para ser oferecido a
Jesus, tesouro inestimável”.
E o Jubileu –
disse ainda o Santo Padre - convocou-nos a esta justiça fundada na gratuidade:
ele tem em si mesmo o apelo a reorganizar a convivência, a redistribuir a terra
e os recursos, a devolver “o que se tem” e “o que se é” aos sonhos de Deus,
muito maiores que os nossos.
O Papa concluiu
dizendo que a esperança que anunciamos deve ter os pés bem assentes na terra:
vem do céu, mas para gerar uma nova história aqui em baixo.
“Nos presentes dos Magos vemos, então, o que cada um de nós pode pôr em comum, o que já não pode guardar para si, mas partilhar, para que Jesus cresça no meio de nós. Que o seu Reino cresça, que as suas palavras se realizem em nós, que os estrangeiros e os adversários se tornem irmãos e irmãs, que em vez das desigualdades haja equidade, que em vez da indústria da guerra se afirme o artesanato da paz. Como tecelões de esperança, caminhemos rumo ao futuro por outro caminho”.
Silvonei José – Vatican News
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