sábado, 31 de janeiro de 2026

Papa a jovens líderes neste sábado:

“Só quem cuida
dos mais pequeninos pode fazer coisas grandes”

Ao se reunir com jovens de vários continentes numa, Leão XIV afirmou que a política desempenha uma função social insubstituível, recordando que não haverá paz sem acabar com a guerra que a humanidade faz a si mesma quando descarta quem é fraco, quando exclui quem é pobre, quando permanece indiferente diante do prófugo e do oprimido.

O Papa recebeu em audiência na manhã de sábado os cerca de 100 participantes da iniciativa “Uma Humanidade, Um Planeta: Liderança sinodal”. Trata-se de um programa bienal de formação para a ação política promovido pela ONG “New Humanity” do Movimento dos Focolares, em colaboração com a Pontifícia Comissão para a América Latina e com o apoio da Fundação Porticus.

O evento utiliza a metodologia do Hackathon e conta a participação de 100 jovens líderes dos cinco continentes, engajados em seus países na área política e social, de diferentes culturas e convicções políticas.

Após meses de intenso trabalho online, os jovens se reuniram em Roma de 26 de janeiro a 1º de fevereiro para traduzir o percurso de aprendizagem que compartilharam remotamente em propostas de impacto político.


Os "quatro sonhos" do Papa Francisco

Em seu discurso, o Pontífice enalteceu o método sinodal adotado, enquanto promove a escuta e o discernimento. De modo especial, o Santo Padre manifestou seu apreço pelo projeto “Quatro Sonhos” da Pontifícia Comissão para a América Latina, inspirado nos sonhos eclesial, ecológico, social e cultural do Papa Francisco contidos na Exortação Apostólica Querida Amazonia.

“Quão urgente é dedicar as melhores energias ao cuidado dessas áreas, especialmente em tempos marcados por muitas injustiças, violência e guerra! Hoje, o seu papel de líderes implica, portanto, uma responsabilidade crescente pela paz: não apenas entre as nações, mas também onde vocês moram, estudam e trabalham todos os dias”, afirmou, encorajando os jovens a buscarem, com coração puro e mente límpida, esta paz como dom, aliança e promessa.

“Sim, a paz é sobretudo um dom, porque a recebemos daqueles que nos precederam na história: é um bem pelo qual devemos agradecer. A paz é uma aliança, que nos incumbe de um compromisso comum: o de honrá-la, quando existe, e de realizá-la, quando falta. A paz, finalmente, é uma promessa, porque sustenta nossa esperança em um mundo melhor e, como tal, é buscada por todas as pessoas de boa vontade.”

O aborto, guerra da humanidade contra si mesma

Neste contexto, prosseguiu o Papa, a política desempenha uma função social insubstituível, recordando que não haverá paz sem acabar com a guerra que a humanidade faz a si mesma quando descarta quem é fraco, quando exclui quem é pobre, quando permanece indiferente diante do prófugo e do oprimido.

“Somente quem cuida dos mais pequeninos pode fazer coisas realmente grandes”, afirmou Leão XIV, citando Madre Teresa de Calcutá, quando afirmava que “o maior destruidor da paz é o aborto”.

“Sua voz continua profética: nenhuma política pode, de fato, colocar-se a serviço dos povos se exclui da vida aqueles que estão prestes a nascer, se não socorre aqueles que se encontram em situação de necessidade material e espiritual.”

O Papa exortou os jovens a terem coragem diante dos muitos desafios do presente, pois não estão sós nesta luta pela fraternidade universal. Deus está com eles. A propósito, afirmou que o título da iniciativa “Uma Humanidade, Um Planeta” mereceria ser completado com “Um Deus”:

“Reconhecendo n’Ele o bom criador, nossas religiões nos chamam a contribuir para o progresso social, buscando sempre o bem comum que tem como fundamento a justiça e a paz. Com essa certeza no coração, concedo a todos vocês, jovens, a todos aqueles que os acompanham e aos seus entes queridos, a bênção apostólica”.

Bianca Fraccalvieri - Vatican News



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                                                         Fonte: vaticannews.va   Fotos: (@Vatican Media

Arquidiocese ganha dois novos diáconos,

Leonardo Henrique e Lucas Lázaro

Na manhã deste sábado, 31 de janeiro, com a participação de um grande número de seminaristas, diáconos e sacerdotes, a catedral do Senhor Bom Jesus em Pouso Alegre ficou lotada de cristãos leigos e leigas e religiosos na missa em que foram ordenados diáconos pelo arcebispo de Pouso Alegre, dom José Luiz Majella Delgado, C.Ss.R., os seminaristas Leonardo Henrique Couto Tosta e Lucas Lázaro Carvalho Simões.

“Eu, porém, estou no meio de vós como quem está servindo” (Lc 22,27),esse o lema da ordenação dos novos clérigos.

Abrilhantou a celebração com belas músicas, entre as quais algumas do padre José Fernandes de Oliveira, scj, o conhecido padre Zezinho, o coral São Sebastião e São Roque da paróquia homônima da cidade de Bom Repouso.

Dom Majella, dadeado pelos diáconos
Lucas Lázaro (à direita)
e Leonardo Henrique (à direita
)

Na homilia, o pastor arquidiocesano, entre diversas considerações, dirigindo-se aos ordenandos e à assembleia, afirmou que a segunda leitura escolhida pelos dois seminaristas “revela a igreja como uma comunidade de serviço, fala-se na escolha de sete homens cheias do Espírito Santo, cuja missão é o serviço das mesas. Serviço! Essa foi a missão daqueles homens. Na verdade, esses sete aparecem em outros episódios mais ligados ao serviço da Palavra do que ao serviço das mesas. A comunidade cristã é uma realidade que tem no centro da sua dinâmica o serviço, seja o serviço da Palavra seja o serviço na assistência dos irmãos mais pobres. É impensável uma comunidade cristã em que não esteja bem viva essa dimensão diaconal.”

Destacou também que “Jesus é o diácono por excelência” e que a ordenação diaconal não se trata de um privilégio, que confere maior dignidade a quem dela é investido, e sim dons, que devem ser postos ao serviço da comunidade.

No final da celebração os novos diáconos agradeceram a Deus pelo chamado, a dom Majella pela confiança, ao clero, familiares e a todos os participantes da missa, que foram convidados a um almoço festivo na quadra do santuário Sagrado Coração de Maria.

Dom Majella com os novos diáconos e parte do clero arquidiocesano


A partir de fevereiro, o diácono Leonardo Henrique exercerá a diaconia na paróquia Senhor Bom Jesus de Bueno Brandão e o diácono Lucas Lázaro no ofício de vigário na paróquia São José de Paraisópolis.

Fotos: Pascom arquidiocesana

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Reflexão para este sábado:

Felizes os… 

Dom Rodolfo Luís Weber - Arcebispo de Passo Fundo (RS)

Jesus, na sua pregação, toca nos temas fundamentais da existência humana. Neste domingo inicia a abordagem sobre a felicidade (Sofonias 2,3;3,12-13, Salmo 145, 1 Coríntios 1,16-31 e Mateus 5,1-12). O desejo de felicidade está radicado em cada ser humano e faz parte das necessidades fundamentais como ar, a água, o alimento, a casa e os amigos. Se o desejo de felicidade é constitutivo do ser humano, por outro lado não há consenso sobre os meios de alcançá-la. As propostas são as mais diversas possíveis. Jesus não se exime de apresentar a sua proposta de vida feliz. 

Jesus proclama bem-aventurados ou felizes: os pobres de espírito, porque deles é o Reino de Deus; os aflitos, porque serão consolados; os mansos, porque possuirão a terra; os que tem fome e sede de justiça, porque serão saciados; os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia; os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus; os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus. 

Certamente, quando as multidões ouviram pela primeira vez da boca de Jesus este projeto de felicidade devem ter levado um susto. Devem ter surgido muitas interrogações sobre o significado do que é felicidade e como estes sofredores citados podem ser considerados felizes. Tanto que o evangelista Mateus por três capítulos vai explicitando as bem-aventuranças. As mesmas inquietações continuam rondando a nós, os seguidores contemporâneos de Jesus. Múltiplas são também as interpretações das bem-aventuranças. O biblista Silvano Fausti diz que é possível usar sete chaves de leitura para entrar no mistério deste texto: cristológica, teológica, antropológica, eclesiológica, escatológica e moral.  

Considerando a chave de leitura cristológica, temos nas bem-aventuranças uma biografia escondida de Jesus, um retrato da sua vida. “Jesus, crucificado e ressuscitado, é a realização das bem-aventuranças. Enquanto crucificado, cumpre a primeira parte – é o pobre, aflito, manso, com fome, desejoso de justiça, puro de coração, pacificador, perseguindo – ressuscitado cumpre a segunda parte – o Reino é seu, é consolado, herda a terra, é saciado, encontra misericórdia, vê Deus, é Filho de Deus. As bem-aventuranças são a carta de identidade do Filho” (Silvano Fausti). 

No caminho de felicidade apresentado por Jesus é possível destacar algumas características. A felicidade é encarnada, isto é, realista, concreta para não se tornar uma ilusão. Jesus antes de proclamar as bem-aventuranças as viveu. A sua força, o segredo da eficácia de sua missão está na total identificação com a mensagem que anuncia. A felicidade é envolvente e interior, pois toca as profundezas e a totalidade da pessoa. Não se trata de paliativo. Jesus cita situações de sofrimento, algumas das quais, mais dia menos dia, farão parte da vida de cada pessoa. A felicidade é um bem a partilhar. “Há mais felicidade em dar, do que em receber” (Atos 20,35). A felicidade é um bem durável, com perspectiva de eternidade. A maior parte das bem-aventuranças estão formuladas para o tempo futuro indicando que a plenitude somente se alcança ao final. Por fim, Deus é a verdadeira felicidade. A grande graça é o “Reino de Deus”. 

A Igreja é constituída daqueles que escutam as bem-aventuranças e, com a força do Espírito, fazem delas a sua vida e a sua regra de vida. Elas também levam à oração: 

 “Senhor, temos tanta fome e sede de felicidade. Queremos ser felizes, sempre. As tuas bem-aventuranças nos entusiasmam e nos desencorajam. Nos entusiasmam porque vemos em ti um cantor da felicidade e uma pessoa que sabe dar indicações precisas, provadas por ti, experimentadas por milhões de pessoas que acreditaram em ti e se confiaram a ti. O tempo não desgastou a tua mensagem, nem a faz parecer superada, mesmo em meio a modismos. Também isto nos entusiasma. Estamos porém perplexos e um pouco desencorajados porque o encontramos um programa ousado, com exigências fortes, para homens duros. Obrigado, Senhor, que não abres mão de ser exigente, que nos propor metas árduas, obrigado sobretudo porque estais próximos de nós para tornar este sonho uma realidade, e já hoje nos fazes saborear a tua alegria, como preciosa antecipação daquela sem fim contigo, com o Pai e o Espírito Santo. Amém” (Mauro Orsatti) 

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                                                    Fonte: cnbb.org.br    Imagem: (@Vatican Media

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

4º Domingo do Tempo Comum:

Leituras e reflexão

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1ª Leitura: Sf 2,3; 3,12-13

Leitura do Livro do Profeta Sofonias

Buscai o Senhor, humildes da terra, que pondes em prática seus preceitos; praticai a justiça, procurai a humildade; achareis talvez um refúgio no dia da cólera do Senhor. E deixarei entre vós um punhado de homens humildes e pobres. E no nome do Senhor porá sua esperança o resto de Israel. Eles não cometerão iniquidades nem falarão mentiras; não se encontrará em sua boca uma língua enganadora; serão apascentados e repousarão, e ninguém os molestará.

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Responsório: Sl 145

— Felizes os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus.

— Felizes os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus.

— O Senhor é fiel para sempre, faz justiça aos que são oprimidos; ele dá alimento aos famintos, é o Senhor quem liberta os cativos.

— O Senhor abre os olhos aos cegos, o Senhor faz erguer-se o caído; o Senhor ama aquele que é justo. É o Senhor quem protege o estrangeiro.

— Ele ampara a viúva e o órfão, mas confunde os caminhos dos maus. O Senhor reinará para sempre! Ó Sião, o teu Deus reinará para sempre e por todos os séculos!

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2ª Leitura: 1Cor 1,26-31

Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios

Considerai vós mesmos, irmãos, como fostes chamados por Deus. Pois entre vós não há muitos sábios de sabedoria humana nem muitos poderosos nem muitos nobres.

Na verdade, Deus escolheu o que o mundo considera como estúpido, para assim confundir os sábios; Deus escolheu o que o mundo considera como fraco, para assim confundir o que é forte; Deus escolheu o que para o mundo é sem importância e desprezado, o que não tem nenhuma serventia, para assim mostrar a inutilidade do que é considerado importante, para que ninguém possa gloriar-se diante dele.

É graças a ele que vós estais em Cristo Jesus, o qual se tornou para nós, da parte de Deus: sabedoria, justiça, santificação e libertação, para que, como está escrito, “quem se gloria, glorie-se no Senhor”.

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Evangelho: Mt 5,1-12a

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus

Naquele tempo, vendo Jesus as multidões, subiu ao monte e sentou-se. Os discípulos aproximaram-se, e Jesus começou a ensiná-los:

“Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus.

Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados.

Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra.

Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.

Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.

Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus.

Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus.

Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus. Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem, e mentindo disserem todo tipo de mal contra vós, por causa de mim. Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus.

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Reflexão do padre Johan Konings:

Os "pobres no espírito"

A insistente pregação de Jesus e da Igreja em favor dos pobres incomoda certas pessoas. Nas Bem-Aventuranças segundo Mt (evangelho), Jesus felicita os “pobres no espírito”. Por que “no espírito”? Talvez não sejam os materialmente pobres? É possível ser pobre no espírito e rico materialmente?

Já no Antigo Testamento (1ª leitura), Deus mostra que seu favor não depende de poder e riqueza. Ele prefere os que praticam a justiça, ainda que pobres: os “pobres do Senhor”. Isso era dificil entender para os antigos israelitas, que – como muita gente hoje – viam na riqueza uma prova do favor de Deus.

Jesus, no evangelho, anuncia o Reino de Deus, como dom e missão, aos que têm esse espírito dos “pobres de Deus”: os que não pretendem dominar os outros pelo poder e a riqueza, mas se dispõem a colaborar na construção do reino de amor, justiça e paz, tomando-se pobres, colocando-se do lado dos pobres e confiando antes de tudo no poder de Deus e no valor de sua “justiça”, que é a sua vontade, seu plano de salvação. Os “pobres de Deus” assumem atitudes inspiradas por Deus e seu reino: pobreza (não apenas forçosa, mas no espírito e no coração), paciência (com firmeza), justiça (com garra), paz (na sinceridade) etc. Aos que vivem assim, Jesus anuncia a felicidade (“bem-aventurança”) do reino. Esses são os cidadãos do reino, os herdeiros da terra prometida. E, de fato, o “manso”, o não-violento tem bem mais condições de usar a terra que o grileiro. Os pobres solidários constroem uma sociedade melhor que os ricos egoístas. Há quem diga que as Bem-Aventuranças não visam os pobres materialmente, porque esses não podem ser os “promotores da paz” aos quais se refere a sétima bem-aventurança (Mt 5,9). Mas será que a verdadeira paz, fruto da justiça, não é promovida pelos pobres e os que em solidariedade com eles lutam pelo direito de todos?

O apóstolo Paulo ensina que Deus escolheu os pobres e os simples para envergonhar os que se acham importantes (2ª leitura). Deus é quem tem a última palavra. Demonstrou isso em Jesus, morto e ressuscitado. Demonstrou isso também em Paulo, que abandonou seu status de judeu e fariseu, para se tornar desprezado, seguidor de Jesus. Não pela posição e pelo poder, mas pelo despojamento radical é que Paulo se tomou participante da obra de Cristo.

Devemos optar, na vida, pelos valores do Reino e não pelo poder baseado na opressão, na exploração … Devemos optar pelos pobres e não pelos que os empobrecem! Para isso precisamos de desprendimento, pobreza até no nosso íntimo (“no espírito”). A bem-aventurança não vale para pobre com mania de rico! Os pobres no espírito são os que não apenas “quereriam”, mas efetivamente querem e optam por formar “povo de Deus” com os oprimidos e empobrecidos, porque têm fome e sede do Reino de Deus e sua justiça.

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PE. JOHAN KONINGS nasceu na Bélgica em 1941, onde se tornou Doutor em Teologia pela Universidade Católica de Lovaina, ligado ao Colégio para a América Latina (Fidei Donum). Veio ao Brasil, como sacerdote diocesano, em 1972. Em 1985 entrou na Companhia de Jesus (Jesuítas) e, desde 1986, atuou como professor de exegese bíblica na FAJE, Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Faleceu no dia 21 de maio de 2022. Este comentário é do livro “Liturgia Dominical, Editora Vozes.

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quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Leão XIV nesta quinta-feira:

trabalho da Doutrina da Fé
oferece uma palavra pronta e clara da Igreja

O Papa recebeu os participantes da plenária do Dicastério para a Doutrina da Fé e expressou gratidão pelo serviço prestado à Igreja e pelos documentos dos últimos dois anos que oferecem "esclarecimentos" sobre questões "delicadas". Dentre eles a "Dignitas infinita", que aborda o tema da dignidade humana ameaçada pelas guerras e por "uma economia que prioriza o lucro". Em relação aos jovens, disse que "muitos vivem sem nenhuma referência a Deus".

O Papa Leão XIV recebeu em audiência, nesta quinta-feira (29/01), na Sala Clementina, no Vaticano, os participantes da assembleia plenária do Dicastério para a Doutrina da Fé.

Em seu discurso, o Pontífice enfatizou ter plena consciência do precioso serviço que eles prestam, com o objetivo – como afirma a Constituição Apostólica Praedicate Evangelium – de «ajudar o Romano Pontífice e os Bispos no anúncio do Evangelho em todo o mundo, promovendo e tutelando a integridade da doutrina católica sobre a fé e a moral, como a recebe do depósito da fé e resulta de um entendimento cada vez mais profundo do mesmo face às novas questões».

Documentos dos últimos dois anos

A seguir, Leão XIV expressou gratidão pelos documentos produzidos pelo Dicastério para a Doutrina da Fé nos últimos dois anos, com o objetivo de "oferecer esclarecimentos sobre a doutrina da Igreja, por meio de indicações pastorais e teológicas sobre questões muitas vezes muito delicadas". O Papa citou a nota Gestis verbisque, sobre a validade dos Sacramentos e dúvidas sobre sua administração, e a declaração Dignitas infinita, sobre a dignidade humana, que nesta época é "gravemente ameaçada" pelas guerras em andamento e por "uma economia que prioriza o lucro".

Em seguida, citou as Normas para proceder no discernimento de supostos fenômenos sobrenaturais, que analisam a experiência espiritual de Medjugorje, à qual foi especificamente dedicada a nota A Rainha da Paz. O Papa também recorda Antiqua et nova, um documento produzido em colaboração com o Dicastério para a Cultura e a Educação sobre a relação entre Inteligência Artificial e Inteligência Humana; a nota doutrinal Mater Populi fidelis, sobre alguns títulos marianos, que "incentiva a devoção mariana popular, aprofundando seus fundamentos bíblicos e teológicos" e, ao mesmo tempo, "oferece esclarecimentos precisos e importantes para a Mariologia". Por fim, a nota doutrinal Una caro. Elogio à monogamia, publicada em novembro de 2025, que "examina de maneira original a propriedade da unidade do matrimônio entre homem e mulher".

Um trabalho que dá orientações preciosas

De acordo com o Papa, "muito trabalho" que "certamente beneficiará muito o crescimento espiritual do santo e fiel Povo de Deus".

“No contexto das mudanças de época que estamos vivendo, ele oferece aos fiéis uma palavra pronta e clara da Igreja, especialmente em relação aos muitos novos fenômenos que surgem no cenário da história. Além disso, dá orientações preciosas aos bispos para o exercício de sua ação pastoral, bem como aos teólogos em seu serviço de estudo e evangelização.”

Ruptura na transmissão geracional da fé cristã

Leão aprecia o fato de que nesta plenária os participantes "tenham iniciado uma discussão proveitosa sobre o tema da transmissão da fé, assunto de grande urgência em nosso tempo".

De acordo com o Papa, não podemos "ignorar que, nas últimas décadas, ocorreu uma ruptura na transmissão geracional da fé cristã no povo católico" e que, "sobretudo nos contextos de evangelização antiga, aumenta o número daqueles que não consideram mais o Evangelho como um recurso fundamental para sua existência, especialmente entre as novas gerações".

“Na verdade, não são poucos os jovens que vivem sem nenhuma referência a Deus e à Igreja e, se por um lado isso causa dor em nós que cremos, por outro lado deve nos levar a redescobrir a “doce e reconfortante alegria de evangelizar”, que está no próprio coração da vida e da missão da Esposa de Cristo.”

Uma Igreja que não olha apenas para si

"Como recordei por ocasião do recente Consistório Extraordinário", disse ainda Leão XIV, "queremos ser uma Igreja que não olha apenas para si mesma, mas que olha para além, para os outros, que é missionária; uma Igreja que anuncia o Evangelho, sobretudo através do poder da atração, como reiteraram várias vezes os meus predecessores Bento XVI e Francisco".

“A Igreja anuncia Cristo, sem protagonismo ou particularismo, e nela cada um é e deve se reconhecer sempre e somente como "um trabalhador simples e humilde na vinha do Senhor".”

Leão XIV concluiu, agradecendo aos participantes da plenária do Dicastério para a Doutrina da Fé "pela preciosa contribuição que oferecem à vida e à obra do Dicastério e de toda a Igreja, especialmente quando essa contribuição é oferecida de maneira humilde e discreta".

Mariangela Jaguraba – Vatican News

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                                                           Fonte: vaticannews.va   Foto: (@Vatican Media

Catequese com o padre Zezinho:

A pedagogia da repetição!

Pe. Zezinho, scj |||||||||||||||||||||||||||||||

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Crianças repetem, mães repetem, namorados e esposos repetem, religiosos repetem … Até os cinco anos, quase o dia inteiro!… E há os que oram 50 a 300 vezes por dia!

E não é apenas na Igreja Católica. Muitas religiões repetem mantras, jaculatórias, terços, masbaha, desfilam pequenas contas entre os dedos, enquanto repetem suas preces de gratidão ou de súplica.

É claro que Deus não precisa ouvir isso! Somos nós que precisamos!

Para Deus basta uma prece que ele já ouve. Às vezes a palavra nem saiu da nossa boca e ele já sabia!

Jesus corrigiu a repetição sem conteúdo, como certos pagãos que pensavam que a intensidade de voz ou de tom e agradava mais aos deuses. Se quisessem repetir, então soubessem o que estavam dizendo.

Você já leu esse trecho dos evangelhos? Repetir, sim, mas não como papagaios!

Eu tenho vários rosários pendurados no meu quarto.

Às vezes eu uso estas repetições chamadas rosários. Seriam como 50 rosas oferecidas à mãe Maria, enquanto meditamos sobre o Filho dela.

Mas sem as contemplações desses mistérios, estas recitações ou repetições perderiam o sentido pedagógico! Seria sem sentido. Somos pessoas que pensam: não somos papagaios.

Mas o Rosário é recomendação e não é obrigação, nem imposição: é devoção de quem pensa!

Podemos orar de muitos jeitos. O terço ou rosário é uma devoção. Há centenas de outras. A missa, por exemplo, é mais rica de conteúdo do que o Rosário. Já fui censurado por um padre por eu ter ensinado isto. Ele era mais Mariano do que eucarístico!…

Ora-se adorando o Deus Uno e Trino; ora-se venerando anjos e santos especialmente a mãe do Cristo; ora-se pedindo ou agradecendo e intercedendo por alguém ou por uma situação!

A uma católica que jamais lê a Bíblia porque não tem escolaridade suficiente, expliquei que rezar o Rosário é como ler trechos de Bíblia. No caso dela, sim! São pequenas aulas de catecismo para quem não lê livros .

Minha mãe, por exemplo, não sabia ler. O tercinho dela ajudou grandemente minha família. O filho dela

que ficou padre católico e há 60 anos vive escrevendo coisas da fé, deve quase tudo a ela porque a dona Divina, paralítica, vivia intercedendo e orando pelos outros.

Orava mais pelos outros do que por ela mesma! Afinal não é para isso que um católico desfia aquelas 50 contas?

Diariamente eu mais leio e estudo Bíblia e Teologia do que rezo o meu terço. Mas há noites em que oro de olhos fechados, ou oro vendo aqueles rosários pendurados no meu leito.

Deus não precisa dessas repetições, mas eu preciso. E você também precisa!

Meu catolicismo não consiste em apenas em ler, estudar e pregar. Tenho várias maneiras de viver minha espiritualidade de católico e uma delas são aquelas contas penduradas no meu quarto!

Dona Divina ganhou o Céu recitando o Rosário, quase sempre por intenção dos outros! Aprenderá que o Rosário é um ato solidário! Ela não rezava sozinha. Rezava pensando nos outros …

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                                                                                  Fonte: facebook.com/padrezezinho,sjc

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

A alegria, a atenção plena e a confiança,

atitudes para vencer o medo e a intimidação 

Dom Roberto Francisco Ferreria Paz  - Bispo de Campos (RJ)

Um dos desafios para vivenciar e desenvolver uma cidadania saudável, participativa e consciente, superando as Face News, teorias conspiratórias e a intolerância, será trabalhar intensamente a amizade social e as virtudes e atitudes que a fortalecem. 

Primeiro a alegria de participar ativamente na construção da cidade e da Nação, incentivando a corrente do bem viver e conviver, a civilidade de escutar e dialogar com todos/as, edificando como afirma o documento de Puebla uma sociedade pluralista, polifônica e diversa, onde a diferença de opiniões e tendências ideológicas alicerça a Democracia e o Estado de Direito.  

Segundo atenção plena e consciência, ao valor do voto, da responsabilidade de escolher representantes dignos e íntegros pautados nos princípios do humanismo integral e solidário, inspirados pelos valores do Reino. Consciência e ética na política, que unidos a esperança profética, iluminarão nosso discernimento para votar não só em pessoas, mas em projetos políticos de Nação, de desenvolvimento integral, solidário e sustentável, em programas que priorizem os pobres e excluídos.  

Confiança na juventude, na renovação das lideranças políticas, muitas vezes constituída como uma classe auto referenciada como dizia o Papa Francisco, confiança nas mulheres que contribuem com uma visão e percepção mais humana e abrangente da política, confiança nas instituições e no controle social, na accountability, na transparência, e na atuação cada vez mais expressiva da sociedade civil e dos movimentos sociais e ambientais.  

Confiança no poder e justiça eleitoral e no acompanhamento das eleições evitando a corrupção e manipulação do voto e do ato de votar. Confiança no povo brasileiro que ao longo da sua história foi avançando em inclusão, justiça social e no processo de democratização, cristalizado na Constituição de 1988, símbolo de cidadania e vontade popular. Deus seja louvado! 

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                                                    Fonte: cnbb.org.br    Imagem: (@Vatican Media

Leão XIV na catequese desta quarta-feira:

a Palavra de Deus
é uma realidade viva que se desenvolve e cresce na Tradição

O Papa refletiu em sua catequese, na Audiência Geral, sobre a relação entre a Sagrada Escritura e a Tradição no contexto da Constituição Conciliar Dei Verbum sobre a divina Revelação. «A sagrada Tradição e a Sagrada Escritura constituem um só depósito sagrado da palavra de Deus, confiado à Igreja», diz o texto conciliar.


Na catequese da Audiência Geral, desta quarta-feira (28/01), realizada na Sala Paulo VI, o Papa Leão XIV deu continuidade à leitura da Constituição Conciliar Dei Verbum sobre a divina Revelação, refletindo sobre a relação entre a Sagrada Escritura e a Tradição.

Tendo como referência duas cenas do Evangelho, a que Jesus aparece aos discípulos no Cenáculo, e quando aparece, na Galileia, e lhes diz para fazerem discípulos todos os povos, nas duas cenas "é evidente a íntima ligação entre a palavra proferida por Cristo e a sua difusão ao longo dos séculos".

O Concílio Vaticano II, utilizando uma imagem sugestiva, afirma na Dei Verbum número 9:

«A sagrada Tradição, portanto, e a Sagrada Escritura estão intimamente unidas e compenetradas entre si. Com efeito, derivando ambas da mesma fonte divina, fazem como que uma coisa só e tendem ao mesmo fim».

"A Tradição Eclesial percorre o caminho da história através da Igreja, que conserva, interpreta e encarna a Palavra de Deus", disse ainda o Papa, recordando que "o Concílio afirma que a «tradição apostólica progride na Igreja sob a assistência do Espírito Santo»". «A Igreja, na sua doutrina, vida e culto, perpetua e transmite a todas as gerações tudo aquilo que ela é e tudo quanto acredita», diz a Constituição Dogmática Dei Verbum no número 8.

A este propósito, Leão XIV citou a famosa expressão de São Gregório Magno: «A Sagrada Escritura cresce com aqueles que a leem». Citou também Santo Agostinho: «O discurso de Deus que se desenvolve em todas as Escrituras é um só e um só é o Verbo que Se faz ouvir na boca de todos os escritores sagrados».

A Palavra de Deus, portanto, não é fossilizada, mas uma realidade viva e orgânica que se desenvolve e cresce na Tradição. Esta, graças ao Espírito Santo, compreende-a na riqueza da sua verdade e incorpora-a nas coordenadas mutáveis​​da história.

De acordo com o Papa, "neste sentido, é notável a proposta do santo Doutor da Igreja, John Henry Newman, na sua obra intitulada Ensaio sobre o desenvolvimento da doutrina cristã". Segundo ele, "o cristianismo, tanto como experiência comunitária quanto doutrina, é uma realidade dinâmica, como o próprio Jesus indicou na parábola da semente: uma realidade viva que se desenvolve graças a uma força vital interior".

A seguir, o Papa recordou que "o apóstolo Paulo exorta repetidamente o seu discípulo e colaborador Timóteo: «Timóteo, guarda o depósito da fé»". "A Constituição dogmática Dei Verbum faz eco deste texto paulino quando afirma: «A sagrada Tradição e a Sagrada Escritura constituem um só depósito sagrado da palavra de Deus, confiado à Igreja», interpretada pelo «magistério vivo da Igreja, cuja autoridade é exercida em nome de Jesus Cristo». “Depósito” é um termo que, na sua matriz originária, tem natureza jurídica e impõe ao depositário o dever de preservar o conteúdo, que neste caso é a fé, e de o transmitir intacto", disse ainda Leão XIV, acrescentando:

O “depósito” da Palavra de Deus está ainda hoje nas mãos da Igreja, e todos nós, nos diversos ministérios eclesiais, devemos continuar a guardá-lo na sua integridade, como uma estrela-guia para a nossa jornada através da complexidade da história e da existência.

O Papa concluiu, convidando "a ouvir mais uma vez a Dei Verbum, que exalta o entrelaçamento da Sagrada Escritura e da Tradição: «A sagrada Tradição, a sagrada Escritura e o magistério da Igreja – afirma – de tal maneira se unem e se associam que um sem os outros não se mantém, e todos juntos, cada um a seu modo, sob a ação do mesmo Espírito Santo, contribuem eficazmente para a salvação das almas».

Mariangela Jaguraba - Vatican News

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                                                           Fonte: vaticannews.va   Foto: (@Vatican Media

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Caminhada litúrgica e pastoral:

O que é o Tempo Comum no calendário litúrgico?

Subdividido em duas partes, um “tempo ordinário”, mas não menos importante e que pode ser vivido com a música para os momentos de oração e escolha dos cantos para as Missas.

A Liturgia da Igreja é uma verdadeira riqueza! O calendário litúrgico nos apresenta diferentes momentos a fim de nos aprofundarmos em momentos da vida de Cristo e atualizarmos, assim, os mistérios da salvação em nossas vidas.

Somos convidados a acompanhar cada etapa do ano com diferentes disposições e atitudes, seja em espírito de penitência, conversão, alegria ou júbilo. Há também um “tempo ordinário”, mas não menos importante. É o “Tempo Comum”.    

O que é o Tempo Comum

O Tempo Comum é caracterizado por um período subdividido em duas partes: a primeira começa no dia seguinte à festa do Batismo de Jesus e vai até a terça-feira, antes da Quarta-feira de Cinzas, quando tem início o Tempo Quaresmal. No total, possui 33 ou 34 semanas.

Já a segunda parte, tem início na segunda-feira depois de Pentecostes e se prolonga até o sábado que antecede o primeiro domingo do Advento, quando tem início um novo ano litúrgico.

Como viver e aprofundar  sobre a vida de Cristo durante o Tempo Comum?

No calendário da Liturgia da Igreja, assim como em nossa vida, existem tempos fortes de festa ou de mais interiorização e os tempos ordinários, comuns.

Sendo assim, o Tempo Comum é um período em que a centralidade continua sendo o Cristo Jesus e quando somos convidados a valorizar os acontecimentos da vida do Senhor e também da nossa.

Mesmo sendo um “tempo comum”, ele pode nos trazer grandes surpresas e novidades de Deus, quando olhamos para a vida de Cristo e aprendemos a valorizar o tempo que Deus nos concede, o tempo presente e a simplicidade do cotidiano.

Neste, contemplamos a riqueza dos detalhes, dos momentos comuns. Seja, por exemplo, o raiar de cada novo dia, a beleza da natureza ou o sorriso e espontaneidade de uma criança.

Deste modo, somos chamados a viver o Tempo Comum com esperança e na intimidade com o Senhor. Uma forma de enraizar a fé em meio aos afazeres do dia a dia.

Símbolos, como a cor e a música, podem nos ajudar a viver a Liturgia desse tempo?

Como o Tempo Comum é considerado ainda um tempo de vigilância e de esperança, os paramentos litúrgicos são de cor verde. No livro "Vamos participar da missa?", Frei Luiz Turra explica que o verde é a “cor da vegetação mais viva, na iminência dos frutos; cor do equilíbrio ecológico e da esperança; cor que acompanha o Tempo Comum. Trinta e quatro semanas vivem a história da salvação, sobretudo o mistério semanal do domingo, como Dia do Senhor. É o tempo dos frutos que o Mistério Pascal provoca na comunidade cristã”.

Cor para os olhos contemplarem e música para os ouvidos captarem a Palavra de Deus e para os lábios exprimirem o seu louvor a Deus. Também no Tempo Comum, as canções ajudam a vivenciar essa etapa, seja na oração pessoal, nas reuniões das pastorais ou nas Santas Missas.

A música, durante o Tempo Comum, vai justamente conduzir cada fiel ao encontro com Jesus em meio ao seu cotidiano, a conhecer mais aspectos da vida do Filho de Deus e a tocar na sua humanidade e divindade, de forma que também nos encontremos conosco mesmos e com o Senhor.

Deste modo, a playlist Cantando os Evangelhos - Tempo Comum - Ano pode ser uma ótima opção para a oração e escolha dos cantos para a Liturgia.

Gracielle Reis / Paulinas-COMEP

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                                        Fonte: universo.paulinas.com.br   Fotos: (@Vatican Media