quinta-feira, 21 de junho de 2018

Em Genebra, Papa aponta para o ecumenismo:

Caminhar, rezar e trabalhar juntos
Definindo-se um “peregrino em busca de unidade e de paz", o Papa Francisco participou da oração ecumênica na sede do Conselho Mundial de Igrejas, em Genebra.


Cidade do Vaticano O Papa Francisco deixou o Vaticano na manhã desta quinta-feira (21/06) para uma peregrinação ecumênica a Genebra.
Depois de uma hora e 40 minutos de voo, o Pontífice chegou à cidade suíça por volta das 10h, onde foi recebido pelo Presidente da Confederação Helvécia, Alain Berset, no aeroporto internacional da cidade para uma breve cerimônia de boas-vindas e um encontro privado.
Na sequência, o Papa se transferiu de carro até o Centro Ecumênico do Conselho Mundial de Igrejas, pois justamente este é o motivo dessa peregrinação: celebrar os 70 anos desta instituição, criada depois da II Guerra Mundial.
Mais de 500 milhões de fiéis
O Conselho Mundial de Igrejas (CMI) é a maior organização mundial do movimento ecuménico, com o mais alto número de membros: são 345 comunidades cristãs de mais de 110 países, com exceção da Igreja Católica, e compreende reformados, luteranos, anglicanos metodistas, batistas, ortodoxos e outras Igrejas. Representa mais de 500 milhões de fiéis em todo o mundo, cuja sede é Genebra.
No Centro Ecumênico do CMI, realizou-se uma oração comum, com a participação de cerca de 230 pessoas – ocasião em que o Pontífice pronunciou o primeiro discurso do dia.
Caminhar segundo o Espírito
Inspirado na leitura extraída da Carta aos Gálatas, Francisco propôs uma reflexão sobre a expressão “Caminhar segundo o Espírito” .
“Caminhar segundo o Espírito é rejeitar o mundanismo. É escolher a lógica do serviço e avançar no perdão. É inserir-se na história com o passo de Deus: não com o passo ribombante da prevaricação, mas com o passo cadenciado por «uma única palavra: Ama o teu próximo como a ti mesmo» (Gal 5, 14).”
No decurso da história, afirmou o Papa, as divisões entre cristãos deram-se porque na raiz, na vida das comunidades, se infiltrou uma mentalidade mundana: primeiro cultivavam-se os próprios interesses e só depois os de Jesus Cristo. A direção seguida era a da carne, não a do Espírito.
“Mas o movimento ecumênico, para o qual tanto contribuiu o Conselho Ecumênico das Igrejas, surgiu por graça do Espírito Santo”, recordou o Papa.
Ser do Senhor
É preciso escolher ser de Jesus antes que de Apolo ou de Cefas, antepor o ser de Cristo ao fato de ser «judeu ou grego», ser do Senhor antes que de direita ou de esquerda, escolher em nome do Evangelho o irmão antes que a si mesmo.
A resposta aos passos vacilantes, prosseguiu o Papa, é sempre a mesma: caminhar segundo o Espírito, purificando o coração do mal, escolhendo com obstinação o caminho do Evangelho e recusando os atalhos do mundo.
“Depois de tantos anos de empenho ecumênico, neste septuagésimo aniversário do Conselho, peçamos ao Espírito que revigore o nosso passo. (…) Que as distâncias não sejam desculpas! É possível, já agora, caminhar segundo o Espírito. Rezar, evangelizar, servir juntos: isto é possível. Caminhar juntos, rezar juntos, trabalhar juntos: eis a nossa estrada-mestra.”
Unidade
Esta estrada tem uma meta concreta: a unidade. A estrada oposta, a da divisão, leva a guerras e destruições. “O Senhor pede-nos unidade; o mundo, dilacerado por demasiadas divisões que afetam sobretudo os mais fracos, invoca unidade.”
Francisco conclui seu discurso definindo-se um “peregrino em busca de unidade e de paz”. “Agradeço a Deus porque aqui encontrei irmãos e irmãs já a caminho. Que a Cruz nos sirva de orientação, porque lá, em Jesus, foram abatidos os muros de separação e foi vencida toda a inimizade: lá compreendemos que, apesar de todas as nossas fraquezas, nada poderá jamais separar-nos do seu amor.
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Assista:
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Papa em Genebra:
Cristãos precisam de novo ímpeto evangelizador
“Estou convencido de que, se aumentar o impulso missionário, crescerá também a unidade entre nós”, disse o Papa no encontro ecumênico na sede do Conselho Mundial de Igrejas em Genebra.


Cidade do VaticanoO segundo compromisso do Papa Francisco em Genebra foi o encontro ecumênico na sede do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), com a presença do Comitê Central do CMI, delegados ecumênicos, autoridades civis e o séquito papal.
Após os discursos do Secretário-geral do CMI, Rev. Olav Fykse Tveit, e da Moderadora Dra. Agnes Abuom, o Pontífice tomou a palavra num discurso centralizado na vocação missionária de todo cristão.
Simbologia bíblica do número 70
Inicialmente, Francisco agradeceu o convite para participar das celebrações dos 70 anos do CMI e falou da simbologia bíblica em torno deste número: setenta anos evoca a duração completa de uma vida, sinal de bênção divina. Mas setenta é também um número que traz à mente duas passagens famosas do Evangelho. Na primeira, o Senhor mandou perdoar não até sete vezes, mas «até setenta vezes sete» (Mt 18, 22).
O número não pretende indicar um limite quantitativo, explicou o Papa, mas abrir um horizonte qualitativo: não mede a justiça, mas alonga a medida para uma caridade desmesurada, capaz de perdoar sem limites. “É esta caridade que nos permite, depois de séculos de contrastes, estar juntos como irmãos e irmãs reconciliados e agradecidos a Deus nosso Pai.”
Novo ímpeto evangelizador
Setenta lembra também os discípulos que Jesus, durante o ministério público, enviou em missão. O número destes discípulos alude ao número das nações conhecidas, elencadas nos primeiros capítulos da Sagrada Escritura.
“Que sugestão nos deixa isto? Que a missão tem em vista todos os povos, e cada discípulo, para ser tal, deve tornar-se apóstolo, missionário.”
O Papa declarou-se preocupado com a dissociação entre ecumenismo e missão. “O mandato missionário, que é mais do que a diakonia e a promoção do desenvolvimento humano, não pode ser esquecido nem anulado. Em causa está a nossa identidade. O anúncio do Evangelho até aos últimos confins da terra é conatural ao nosso ser de cristãos.”
Para Francisco, necessita-se de um novo ímpeto evangelizador. “Estou convencido que, se aumentar o impulso missionário, crescerá também a unidade entre nós.”
Caminhar - Rezar - Trabalhar juntos
O Pontífice comentou o lema dos 70 anos do CMI: Caminhar - Rezar - Trabalhar juntos.
Caminhar num movimento duplo: de entrada e de saída. De entrada, a fim de nos dirigir constantemente para o centro, que é Jesus. De saída, rumo às múltiplas periferias existenciais de hoje.
Rezar, pois a oração é o oxigênio do ecumenismo. Sem oração, a comunhão asfixia e não avança, porque impedimos que o vento do Espírito a empurre para diante.
Trabalhar juntos, pois a credibilidade do Evangelho é testada pela maneira como os cristãos respondem ao clamor de quantos são vítimas do trágico aumento de uma exclusão que, gerando pobreza, fomenta os conflitos. “Se um serviço é possível, por que não projetá-lo e realizá-lo conjuntamente, começando a experimentar uma fraternidade mais intensa no exercício da caridade concreta?”, questionou o Papa.
Ecumenismo de sangue
Francisco mencionou também os cristãos perseguidos. “Estejamos ao seu lado. E lembremo-nos de que o nosso caminho ecumênico é precedido e acompanhado por um ecumenismo já realizado, o ecumenismo do sangue, que nos exorta a avançar.”
O Pontífice concluiu seu discurso com as seguintes palavras: “Ajudemo-nos a caminhar, rezar e trabalhar juntos, para que, com a ajuda de Deus, progrida a unidade e o mundo acredite”.
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Discurso do Papa no Encontro Ecumênico - texto integral
"O fato de nos encontrarmos aqui deve-se também a quantos nos precederam no caminho, escolhendo a estrada do perdão e consumindo-se para responder à vontade do Senhor: que «todos sejam um só» (Jo 17, 21)", disse o Santo Padre no início de seu discurso.


Cidade do Vaticano O segundo compromisso público do Papa Francisco em Genebra, foi o Encontro Ecumênico no Visser't Hooft Hall. Eis o seu discurso na íntegra:
"Amados irmãos e irmãs!
Estou feliz por vos encontrar e grato pela vossa calorosa receção. Agradeço de modo particular ao Secretário-Geral, Reverendo Dr. Olav Fykse Tveit, e à Moderadora, Dra. Agnes Abuom, pelas suas palavras e por me terem convidado por ocasião do septuagésimo aniversário da criação do Conselho Mundial das Igrejas.
Biblicamente, o cômputo de setenta anos evoca a duração completa duma vida, sinal de bênção divina. Mas, setenta é também um número que traz à mente duas passagens famosas do Evangelho. Na primeira, o Senhor mandou perdoar-nos, não até sete vezes, mas «até setenta vezes sete» (Mt 18, 22). O número não pretende por certo indicar um limite quantitativo, mas abrir um horizonte qualitativo: não mede a justiça, mas alonga a medida para uma caridade desmesurada, capaz de perdoar sem limites. É esta caridade que nos permite, depois de séculos de contrastes, estar juntos como irmãos e irmãs reconciliados e agradecidos a Deus nosso Pai.
O fato de nos encontrarmos aqui deve-se também a quantos nos precederam no caminho, escolhendo a estrada do perdão e consumindo-se para responder à vontade do Senhor: que «todos sejam um só» (Jo 17, 21). Impelidos pelo desejo ardente de Jesus, não se deixaram manietar pelos nós complicados das controvérsias, mas encontraram a audácia de olhar mais além e acreditar na unidade, superando as barreiras das suspeitas e do medo.
É verdade aquilo que afirmava um antigo pai na fé: «Se verdadeiramente o amor conseguir eliminar o medo e este se transformar em amor, então descobrir-se-á que o que salva é precisamente a unidade» (São Gregório de Nissa, Homilia 15 sobre o Cântico dos Cânticos). Somos os beneficiários da fé, da caridade e da esperança de muitos que tiveram, com a força desarmada do Evangelho, a coragem de inverter o sentido da história; aquela história que nos levara a desconfiar uns dos outros e a alhear-nos mutuamente, seguindo a espiral diabólica de incessantes fragmentações.
Graças ao Espírito Santo, inspirador e guia do ecumenismo, o sentido mudou e ficou indelevelmente traçado um caminho novo e, ao mesmo tempo, antigo: o caminho da comunhão reconciliada, rumo à manifestação visível daquela fraternidade que já une os crentes.
Mas, o número setenta proporciona-nos um segundo motivo evangélico: lembra aqueles discípulos que Jesus, durante o ministério público, enviou em missão (cf. Lc 10, 1) e são objeto de celebração no Oriente cristão. O número destes discípulos alude ao número das nações conhecidas, elencadas nos primeiros capítulos da Sagrada Escritura (cf. Gn 10). Que sugestão nos deixa isto? Que a missão tem em vista todos os povos, e cada discípulo, para ser tal, deve tornar-se apóstolo, missionário.
O Conselho Ecuménico das Igrejas nasceu como instrumento do movimento ecuménico que foi suscitado por um forte apelo à missão: como podem os cristãos evangelizar, se estão divididos entre si? Esta premente interpelação orienta ainda o nosso caminho e traduz o pedido do Senhor para permanecermos unidos a fim de que «o mundo creia» (Jo 17, 21).
Permiti-me, amados irmãos e irmãs, que, além de viva gratidão pelo empenho que dedicais à unidade, vos manifeste também uma preocupação. Esta deriva da impressão de que o ecumenismo e a missão já não aparecem tão intimamente interligados como no princípio. E todavia o mandato missionário, que é mais do que a diakonia e a promoção do desenvolvimento humano, não pode ser esquecido nem anulado. Em causa está a nossa identidade.
O anúncio do Evangelho até aos últimos confins da terra é conatural ao nosso ser de cristãos. Com certeza, a maneira de exercer a missão varia segundo os tempos e lugares e, perante a tentação – infelizmente habitual – de se impor seguindo lógicas mundanas, é preciso lembrar-se de que a Igreja de Cristo cresce por atração.
Mas, em que consiste esta força de atração? Não está por certo nas nossas ideias, estratégias ou programas: não se crê em Jesus Cristo através duma recolha de consensos, nem o Povo de Deus se pode reduzir ao nível duma organização não-governamental. Não! A força de atração está toda naquele dom sublime que conquistou o apóstolo Paulo: «Conhecer a [Cristo], na força da sua ressurreição e na comunhão com os seus sofrimentos» (Flp 3, 10). Este é o nosso único motivo de glória: «o conhecimento da glória de Deus, que resplandece na face de Cristo» (2 Cor 4, 6) e que nos foi dado pelo Espírito vivificador.
Este é o tesouro que nós, frágeis vasos de barro (cf. 2 Cor 4, 7), devemos oferecer a este nosso amado e atribulado mundo. Não seríamos fiéis à missão que nos foi confiada, se reduzíssemos este tesouro ao valor dum humanismo puramente imanente, ao sabor das modas do momento. E seríamos maus guardiões, se quiséssemos apenas preservá-lo, enterrando-o com medo de sermos provocados pelos desafios do mundo (cf. Mt 25, 25).
Aquilo de que temos verdadeiramente necessidade é dum novo ímpeto evangelizador. Somos chamados a ser um povo que vive e partilha a alegria do Evangelho, que louva ao Senhor e serve os irmãos, com o espírito que deseja ardentemente descerrar horizontes de bondade e beleza inauditos a quem ainda não teve a graça de conhecer verdadeiramente a Jesus. Estou convencido que, se aumentar o impulso missionário, crescerá também a unidade entre nós.
Como nos primórdios o anúncio marcou a primavera da Igreja, assim a evangelização marcará o florescimento duma nova primavera ecuménica. Como nos primórdios, estreitemo-nos em comunhão ao redor do Mestre, envergonhando-nos das nossas contínuas hesitações e dizendo-Lhe com Pedro: «A quem iremos nós, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna» (Jo 6, 68).
Amados irmãos e irmãs, desejei participar pessoalmente nas comemorações deste aniversário do Conselho inclusive para reafirmar o empenhamento da Igreja Católica na causa ecuménica e encorajar a cooperação com as Igrejas-membros e com os parceiros ecuménicos. A propósito, quero deter-me um pouco, também eu, no lema escolhido para este dia: Caminhar - Rezar - Trabalhar juntos.
Caminhar sim, mas para onde? Na base do que ficou dito, sugeriria um movimento duplo: de entrada e de saída. De entrada, a fim de nos dirigirmos constantemente para o centro, reconhecendo-nos ramos enxertados na única videira que é Jesus (cf. Jo 15, 1-8). Não daremos fruto sem nos ajudarmos mutuamente a permanecer unidos a Ele. De saída, rumo às múltiplas periferias existenciais de hoje, para levarmos juntos a graça sanadora do Evangelho à humanidade atribulada.
Poderíamos interrogar-nos se estamos a caminhar de verdade ou apenas em palavras, se apresentamos os irmãos ao Senhor e os temos verdadeiramente a peito, ou se estão longe dos nossos reais interesses. Poderíamos interrogar-nos também se o nosso caminho é um mero cirandar sobre os nossos passos, ou uma convicta saída pelo mundo levando-lhe o Senhor.
Rezar: como no caminho, também na oração não podemos avançar sozinhos, porque a graça de Deus, mais do que retalhar-se à medida do indivíduo, difunde-se harmoniosamente entre os crentes que se amam. Quando dizemos «Pai nosso», ressoa dentro de nós a nossa filiação, mas também o nosso ser de irmãos. A oração é o oxigênio do ecumenismo. Sem oração, a comunhão asfixia e não avança, porque impedimos que o vento do Espírito a empurre para diante. Interroguêmo-nos: Quanto rezamos uns pelos outros? O Senhor rezou para sermos um só; imitamo-Lo nisto?
Trabalhar juntos: a propósito, quero reiterar que a Igreja Católica reconhece a importância particular do trabalho realizado pela Comissão Fé e Constituição e deseja continuar a contribuir para ele através da participação de teólogos altamente qualificados. A pesquisa de Fé e Constituição em ordem a uma visão comum da Igreja e o seu trabalho no discernimento das questões morais e éticas tocam pontos nevrálgicos do desafio ecumênico.
De igual modo a presença ativa na Comissão para a Missão e a Evangelização, a colaboração com o Departamento para o Diálogo Inter-religioso e a Cooperação – ainda recentemente sobre o tema importante da educação para a paz –, a preparação conjunta dos textos para a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos e várias outras formas de sinergia são elementos constitutivos duma sólida e corroborada colaboração.
Além disso, aprecio o papel imprescindível do Instituto Ecuménico de Bossey na formação ecuménica das jovens gerações de responsáveis pastorais e académicos de muitas Igrejas e Confissões Cristãs de todo o mundo. Há muitos anos que a Igreja Católica colabora nesta obra educativa com a presença dum professor católico na Faculdade; e cada ano tenho a alegria de saudar o grupo de alunos que realiza a sua visita de estudo a Roma. Quero também mencionar, como bom sinal de «harmonia ecuménica», a crescente adesão ao Dia de Oração pela Salvaguarda da Criação.
Além disso, o trabalho tipicamente eclesial tem um sinónimo bem definido: diakonia. É o caminho por onde podemos seguir o Mestre, que «não veio para ser servido, mas para servir» (Mc 10, 45). O serviço variado e intenso das Igrejas-membros do Conselho encontra uma expressão emblemática na Peregrinação de Justiça e de Paz.
A credibilidade do Evangelho é testada pela maneira como os cristãos respondem ao clamor de quantos injustamente, nos diferentes cantos da terra, são vítimas do trágico aumento duma exclusão que, gerando pobreza, fomenta os conflitos. Os fracos são cada vez mais marginalizados, vendo-se sem pão, sem trabalho nem futuro, enquanto os ricos são sempre menos e sempre mais ricos.
Sintamo-nos interpelados pelo pranto dos que sofrem e compadeçamo-nos, porque «o programa do cristão (…) é um coração que vê» (Bento XVI, Carta enc. Deus caritas est, 31). Vejamos o que é possível fazer concretamente, em vez de nos desencorajar pelo que não o é. Olhemos também para muitos dos nossos irmãos e irmãs que em várias partes do mundo, especialmente no Médio Oriente, sofrem porque são cristãos. Estejamos ao seu lado. E lembremo-nos de que o nosso caminho ecuménico é precedido e acompanhado por um ecumenismo já realizado, o ecumenismo do sangue, que nos exorta a avançar.
Encorajemo-nos a superar a tentação de absolutizar certos paradigmas culturais e de nos deixar absorver por interesses de parte. Ajudemos as pessoas de boa vontade a dar maior espaço a situações e vicissitudes que afetam grande parte da humanidade, mas ocupam um lugar demasiado marginal na grande informação.
Não podemos desinteressar-nos, e devemos inquietar-nos quando alguns cristãos se mostram indiferentes face a quem passa necessidade. E mais triste ainda é a convicção de quantos consideram os seus benefícios como puros sinais de predileção divina, e não como apelo a servir responsavelmente a família humana e salvaguardar a criação. É sobre o amor ao próximo, a cada pessoa que nos está próxima, que nos interpelará o Senhor (cf. Mt 25, 31-46), o Bom Samaritano da humanidade (cf. Lc 10, 29-37).
Perguntemo-nos então: que podemos fazer juntos? Se um serviço é possível, por que não projetá-lo e realizá-lo conjuntamente, começando a experimentar uma fraternidade mais intensa no exercício da caridade concreta?
Amados irmãos e irmãs, reitero-vos a minha cordial gratidão. Ajudemo-nos a caminhar, rezar e trabalhar juntos, para que, com a ajuda de Deus, progrida a unidade e o mundo acredite. Obrigado."
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Papa Francisco no Instituto Ecumênico de Bossey
O Papa Francisco almoçou no Instituto Bossey, trocou presentes e encontrou um grupo de estudantes.


Cidade do VaticanoApós a Oração Ecumênica no Centro Ecumênico em Genebra, o Papa Francisco dirigiu-se ao Instituto Ecumênico de Bossey, distante 18 km, onde almoçou com 9 membros do CMI, o cardeal Kurt Koch e um intérprete.
Às 13h30, a troca de presentes no jardim. O CMI ofereceu a Francisco duas pequenas garrafas com um pouco de água para simbolizar que o acesso à água é um direito humano, um bem comum que não deveria ser privatizado.
Este presente também se refere aos esforços que devem ser feitos para reduzir o consumo de água engarrafada, devido aos seus efeitos nocivos sobre o meio ambiente.
Esse posicionamento do CMI estava contido em uma carta que acompanhava as garrafas entregues ao Pontífice.
O outro presente consistiu em uma cruz de madeira esculpida por um jovem queniano com deficiência auditiva e que traz três símbolos da deficiência: física, cegueira e surdez.
O Papa Francisco, por sua vez, presenteou  o CMI com uma pequena escultura em madeira da crucificação e uma placa comemorativa da "peregrinação ecumênica"  realizada pelo Santo Padre com esta viagem.
Francisco também visitou a Capela Ecumênica, onde estavam presentes cerca de 30 estudantes do Instituto. Na entrada, o Papa recebeu flores, que colocou aos pés do altar.
O Instituto de Bossey é um centro internacional de encontro, diálogo e formação do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), com sede no Castelo de Bossey, do século XVIII, e localizado entre as cidades de Versoix e Nyon.
Desde a Idade Média esta pequena região é conhecida localmente como “terra santa”, devido a sua história cristã.
A cada ano o Instituto recebe estudantes e pesquisadores de todo o mundo, pertencentes a diversas igrejas, culturas e origens, no comum interesse pelo ecumenismo, pelos estudos acadêmicos e trocas culturais.
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Papa Francisco:
Trabalhar para que não haja indiferença perante o irmão
Em sua homilia, o Pontífice destacou as palavras: “Pai, pão e perdão.” “Três palavras que encontramos no Evangelho de hoje; três palavras, que nos levam ao coração da fé.”

Cidade do Vaticano - O Papa Francisco celebrou a missa no Palexpo de Genebra, na Suíça, na tarde desta quinta-feira (21/06), no âmbito da peregrinação ecumênica pelos 70 anos do Conselho Mundial de Igrejas.
Em sua homilia, o Pontífice destacou as palavras: “Pai, pão e perdão.” “Três palavras que encontramos no Evangelho de hoje; três palavras, que nos levam ao coração da fé.”
Palavra ‘Pai’ é a chave de acesso ao coração de Deus
Pai: começa assim a oração. Pode-se continuar com palavras diferentes, mas não é possível esquecer a primeira, porque a palavra ‘Pai’ é a chave de acesso ao coração de Deus.
“Com efeito, só dizendo Pai é que rezamos em língua cristã, é que rezamos ‘cristão’: não um Deus genérico, mas Deus que é, antes de tudo, Papai.
De fato, Jesus pediu-nos para dizer ‘Pai-nosso que estais nos céus’; não ‘Deus dos céus, que sois Pai’. Primeiramente, antes de ser infinito e eterno, Deus é Pai.”
“D’Ele provém toda a paternidade e maternidade. N’Ele está a origem de todo o bem e da nossa própria vida.
“Então ‘Pai-nosso’ é a fórmula da vida, aquela que revela a nossa identidade: somos filhos amados.”
É a fórmula que resolve o teorema da solidão e o problema da orfandade. É a equação que indica o que se deve fazer: amar a Deus, nosso Pai, e aos outros, nossos irmãos.”
“É a oração do nós, da Igreja; uma oração sem o eu nem o meu, mas toda voltada para o vós de Deus (o vosso nome, o vosso reino, a vossa vontade) e que se conjuga apenas na primeira pessoa do plural. ‘Pai-nosso’: duas palavras que nos oferecem o sinal da vida espiritual”, frisou o Papa.
“Sempre que fazemos o sinal da cruz no princípio do dia e antes de cada atividade importante, sempre que dizemos ‘Pai-nosso’, apropriamo-nos novamente das raízes que nos servem de fundamento.
Precisamos fazer isso em nossas sociedades frequentemente desarraigadas. O ‘Pai-nosso’ revigora as nossas raízes. Quando está o Pai, ninguém fica excluído; o medo e a incerteza não levam a melhor. Prevalece a memória do bem, porque, no coração do Pai, não somos personagens virtuais, mas filhos amados. Ele não nos une em grupos de partilha, mas nos gera juntos como família.
Não nos cansemos de dizer ‘Pai-nosso’: irá nos lembrar que não existe filho algum sem Pai e, por conseguinte, nenhum de nós está sozinho neste mundo; mas irá nos lembrar também que não há Pai sem filhos: nenhum de nós é filho único, cada um deve cuidar dos irmãos na única família humana.”
Segundo Francisco, “ao dizer Pai-nosso, afirmamos que cada ser humano é parte nossa e, diante de inúmeros malefícios que ofendem o rosto do Pai, nós, seus filhos, somos chamados a reagir como irmãos, como bons guardiões da nossa família e a trabalhar para que não haja indiferença perante o irmão, cada irmão: tanto do bebê que ainda não nasceu como do idoso que já não fala, tanto de um nosso conhecido a quem não conseguimos perdoar como do pobre descartado. Isto é o que o Pai nos pede, nos manda: amar-nos com coração de filhos, que são irmãos entre si.”
O pão deve ser acessível a todos
Sobre a segunda palavra, pão, o Pontífice sublinhou que “Jesus diz para pedir a cada dia, ao Pai, o pão. Não é preciso pedir mais: só o pão, isto é, o essencial para viver. O pão é, primeiramente, o alimento suficiente para hoje, para a saúde, para o trabalho de hoje; aquele alimento que, infelizmente, falta a muitos de nossos irmãos e irmãs. Por isso digo: ai daqueles que especulam sobre o pão! O alimento básico para a vida cotidiana dos povos deve ser acessível a todos."
Para Francisco, “pedir o pão de cada dia é dizer também: «Pai, ajuda-me a ter uma vida mais simples. A vida tornou-se tão complicada; apetece-me dizer que hoje, para muitos, a vida de certo modo está ‘drogada’: corre-se de manhã à noite, por entre mil telefonemas e mensagens, incapazes de parar, fixando os rostos, mergulhados numa complexidade que fragiliza e numa velocidade que fomenta a ansiedade”.
“Impõe-se uma opção de vida sóbria, livre de pesos supérfluos. Uma opção contracorrente, como outrora fez São Luís Gonzaga que hoje recordamos.
A opção de renunciar a muitas coisas que enchem a vida, mas esvaziam o coração. Optemos pela simplicidade do pão, para voltar a encontrar a coragem do silêncio e da oração, fermento duma vida verdadeiramente humana.
“Optemos pelas pessoas em vez das coisas, para que construam relações, não virtuais, mas pessoais.”
Voltemos a amar a genuína fragrância daquilo que nos rodeia. Em casa, quando eu era criança, se o pão caísse da mesa, nos ensinavam a apanhá-lo imediatamente e a beijá-lo. Apreciar o que temos de simples a cada dia e guardá-lo: não usar e jogar fora, mas apreciar e guardar.
Não esqueçamos também que ‘o Pão de cada dia’ é Jesus. Sem Ele, nada podemos fazer. Ele é o alimento básico para viver bem. Às vezes, porém, reduzimos Jesus a um tempero ; mas, se não for o nosso alimento vital, o centro dos nossos dias, o respiro da vida cotidiana, tudo é vão. Ao suplicar o pão, pedimos ao Pai e dizemos para nós mesmos todos os dias: simplicidade de vida, cuidar daquilo que nos rodeia, Jesus em tudo e antes de tudo.”
O perdão é a cláusula vinculante do Pai-nosso
Sobre o perdão, o Papa ressaltou que “é difícil perdoar”, pois “dentro trazemos sempre um pouco de queixa, de ressentimento e, quando somos provocados por quem já tínhamos perdoado, o rancor volta e com juros.
Mas, como dom, o Senhor pretende o nosso perdão. Impressiona o fato de o único comentário original ao Pai-nosso, o de Jesus, se concentrar numa única frase: ‘Porque, se perdoardes aos outros as suas ofensas, também o vosso Pai celeste vos perdoará a vós. Se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, também o vosso Pai vos não perdoará as vossas’.
O perdão é a cláusula vinculante do Pai-nosso. Deus nos liberta o coração de todo o pecado, perdoa tudo, tudo; mas pede uma coisa: que, por nossa vez, não nos cansemos de perdoar.De cada um pretende uma anistia geral das culpas alheias.
“Seria preciso fazer uma boa radiografia do coração, para ver se, dentro de nós, há bloqueios, obstáculos ao perdão, pedras a remover.”
E então dizer ao Pai: ‘Vede este penedo! Confio-o a vós e peço-vos por esta pessoa, por esta situação; embora sinta dificuldade em perdoar, peço-vos a força de o fazer’.”
Segundo o Papa, “o perdão renova, faz milagres. Pedro experimentou o perdão de Jesus e tornou-se pastor do seu rebanho; Saulo tornou-se Paulo depois do perdão que recebeu de Estêvão; cada um de nós renasce como nova criatura quando, perdoado pelo Pai, ama os irmãos.
O perdão muda o mal em bem
Só então introduzimos uma novidade verdadeira no mundo, porque não há novidade maior do que o perdão, que muda o mal em bem. Vemos isso na história cristã.
Como nos fez e continuará fazendo bem o fato de nos perdoarmos uns aos outros, de voltar a descobrir-nos irmãos depois de séculos de controvérsias e lacerações!
O Pai é feliz, quando nos amamos e perdoamos verdadeiramente de coração; e então nos dá o seu Espírito. Peçamos esta graça: de não nos fecharmos com ânimo endurecido, sempre a reivindicar dos outros, mas de dar o primeiro passo, na oração, no encontro fraterno, na caridade concreta. Assim seremos mais parecidos com o Pai, que ama sem esperar recompensa. Ele derramará sobre nós o Espírito de unidade.
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Papa Francisco retorna a Roma
O avião papal aterrissou a Roma trazendo Francisco de retorno da peregrinação ecumênica a Genebra, por ocasião dos 70 anos da fundação do Conselho Mundial de Igrejas. Antes de se dirigir ao Vaticano, uma visita à Basílica de Santa Maria Maior.



Cidade do Vaticano O avião da Alitalia transportando o Papa Francisco deixou o aeroporto de Genebra às 19h55, na conclusão de um longo dia dedicado ao ecumenismo, aterrissando a Roma às 21h10, hora local. No Aeroporto Internacional de Genebra teve lugar a cerimônia de despedida, com a presença do presidente da Confederação Suíça, Alain Berset, da Conselheira Federal, Doris Leuthard, e do embaixador junto à Santa Sé, Fux Pierre-Yves.
Deixando a Suíça, o Papa enviou ao Presidente da Confederação um telegrama de saudação no qual ele expressou "profunda gratidão" pela "hospitalidade", assegurando suas orações e invocando sobre toda a nação a benção de Deus.
Antes de retornar ao Vaticano, o Papa Francisco - como é costume na conclusão de uma sua viagem apostólica - foi à Basílica de Santa Maria Maior para agradecer à Virgem pelo êxito de sua peregrinação. Um gesto que havia feito ontem, na véspera da viagem.
Ecumenismo caminho segundo o Espírito
Esta foi a 23ª viagem apostólica de Francisco. Entre os momento salientes da visita, o encontro ecumênico e a Santa Missa celebrada no Palexpo de Genebra. Durante o voo que o levou a Genebra, em conversa com os jornalistas, definira a viagem uma peregrinação ecumênica: "uma viagem em direção à unidade, com desejos de unidade".
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Papa com os jornalistas:
Remover do dicionário a palavra 'proselitismo'
Coletiva de imprensa do Papa Francisco durante o voo que o trouxe de Genebra a Roma. Sobre o dia não esconde que foi para ele "pesado" no sentido de cansaço.


Cidade do Vaticano"Devemos remover do dicionário a palavra 'proselitismo'", se existe um, não pode existir outro. Francisco encerra a coletiva de imprensa no voo de retorno de Genebra a Roma, revelando a "bonita palavra" sobre a qual os líderes do Conselho Mundial de Igrejas (CMI) concordaram na conversa durante o almoço com o chefe da Igreja Católica. Além disso, o proselitismo é, por assim dizer, o lado sombrio do que para o Papa representa a luz na relação entre as confissões cristãs, ou seja o diálogo.
Sobre o dia que não esconde foi para ele "pesado" no sentido de cansaço, Francisco abriu a coletiva de imprensa com sessenta jornalistas no voo insistindo repetidamente sobre o valor do “encontro”. Com todos, admite, teve um "encontro humano" para além dos formalismos. Do Presidente da Confederação Helvética aos líderes das igrejas cristãs, com os quais, disse, se falou, não sem preocupação sobre os "jovens". Este, refere, foi "o assunto que tomou mais tempo" e, acrescenta palavras sobre o pré-sínodo de março - com os milhares de jovens de todas as religiões e também os não crentes – que “despertou um interesse especial" .
Em seguida Francisco passa o microfone aos jornalistas que desejam conversar sobre a atualidade. Questões já debatidas, sobre as quais o Papa volta a oferecer novos esclarecimentos. Como no caso dos bispos alemães e o confronto sobre a admissão à Eucaristia em casamentos onde há um cônjuge católico e um protestante. O Papa resume os passos dados repetindo que, tendo avaliado as várias posições, um aprofundamento da questão pareceu a melhor solução, como escreveu o prefeito da Doutrina da Fé, o cardeal Ladaria, em uma carta, afirma Francisco, escrito "com minha permissão". O Papa elogia o documento com o qual os bispos da Alemanha iniciaram o confronto. Em síntese, observa, é preciso avaliar corretamente a responsabilidade de gerir as situações de casamentos interconfessionais - hoje prerrogativa de cada bispo – em relação a uma amplidão mais "universal" que teria uma decisão tomada em nível de Conferência Episcopal. Em suma, diz, respondendo ao jornalista, não se tratou de uma "freada", mas de escolher o melhor caminho.
Não falta a habitual questão sobre a imigração, com eventos que oferecem uma crônica quente em ambos os lados do Atlântico. Para mim, reafirma o Papa, para quem foge "da fome e da guerra", se deve adotar critérios condensados ​​em quatro verbos: "acolher, acompanhar, organizar, integrar". Francisco se diz horrorizado com as notícias que chegam daquelas que ele chama de "as prisões dos traficantes" - crueldade indescritível que fazem vítimas especialmente entre mulheres e crianças, algo que não ocorreu nem mesmo durante a Segunda Guerra Mundial. Mas insiste que os governos devem "entrar em acordo" principalmente na administração da "emergência" a curto prazo e então planejar políticas a médio prazo para resolver o fenômeno migratório em sua raiz. A ideia do Papa é bem conhecida: criar educação e trabalho nos países mais em dificuldade, sejam africanos ou latino-americanos, para acabar com o problema do "tráfico de migrantes". "O problema das guerras é difícil de ser resolvido" como também "o da perseguição aos cristãos" e, no entanto, diz Francisco, "o problema da fome pode ser resolvido", desde que a comunidade internacional aja de modo concreto.
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