terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Vaticano: mais de três milhões de participantes

nas audiências e celebrações em 2025

Dados divulgados pela Prefeitura da Casa Pontifícia indicam mais de 250 mil participantes até abril, levando em consideração a hospitalização do Papa Francisco a partir de 14 de fevereiro e a subsequente distribuição dos textos do Angelus e das Audiências Gerais pela Sala de Imprensa da Santa Sé, mesmo após seu retorno a Santa Marta. Desde maio, após a eleição de Leão XIV, a participação foi de quase três milhões de fiéis.

Em 2025, 3.176.620 fiéis participaram de audiências e celebrações litúrgicas no Vaticano. Os dados, divulgados pela Prefeitura da Casa Pontifícia, incluem Audiências Gerais e jubilares, audiências especiais, celebrações litúrgicas e orações do Angelus.

Presença durante o pontificado do Papa Francisco

De janeiro a abril, durante o pontificado do Papa Francisco, um total de 262.820 pessoas compareceram: 60.500 nas oito audiências gerais e jubilares, 10.320 nas audiências especiais, 62.000 nas celebrações litúrgicas e 130.000 nas orações do Angelus. Na leitura desses números devem ser levados em consideração a hospitalização do Papa Francisco no Hospital Gemelli, que começou em 14 de fevereiro, e seu retorno a Santa Marta. Durante esse período, os textos das audiências gerais e do Angelus foram divulgados exclusivamente pela Sala de Imprensa da Santa Sé.

Presença desde a eleição do Papa Leão XIV

Desde a eleição do Papa Leão XIV para a Cátedra de Pedro, em 8 de maio, até o final do ano, a presença total foi de 2.913.800 pessoas. Especificamente, 1.069.000 pessoas participaram das 36 audiências gerais e jubilares, 148.300 nas audiências especiais, 796.500 nas celebrações litúrgicas e 900.000 nas orações do Angelus. Dezembro registrou o maior número de presença na oração mariana, com aproximadamente 250.000 participantes, enquanto outubro teve o pico de presença tanto nas celebrações litúrgicas (aproximadamente 200.000) quanto nas audiências gerais e jubilares (aproximadamente 295.000).

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Em 2025 o mundo despediu-se do Papa Francisco

Estes últimos dias do ano levam-nos a recordar o Papa Francisco e aquilo que de mais humano e próximo nos tocou durante o seu pontificado. Sempre com especial atenção aos marginalizados do mundo, Francisco deixou intensas memórias com os seus gestos e palavras.

Rui Saraiva – Portugal

Francisco passou por aqui. Pode muito bem ser este o título que podemos usar para descrevermos a sensibilidade pastoral do Papa durante o seu pontificado. Com uma atitude generosa, impregnada de Evangelho e pronta para o serviço, Francisco deixou marca por onde passou.  

A casa de Francisco nas periferias descartadas

Sempre com especial atenção aos marginalizados do mundo, tal como fazia em Buenos Aires. Na capital argentina, Bergoglio era visita regular nas “villas miséria” e as pessoas sabiam o seu nome e viam-no como um deles. Conhecia a realidade. E, por isso, quando esteve em Kangemi, um dos sete bairros de lata de Nairobi a capital do Quénia, na sua visita àquele país africano, afirmou estar ali como se estivesse “em casa”. “Sinto-me em casa, partilhando este momento com irmãos e irmãs que têm um lugar preferencial na minha vida e nas minhas opções, não me envergonho de o dizer”, disse Francisco a 27 de novembro de 2015.

E o Santo Padre denunciou na ocasião, a riqueza concentrada em minorias, enquanto a maioria vive abandonada e descartada. “São as feridas provocadas pelas minorias que concentram o poder, a riqueza e perduram egoisticamente, enquanto a crescente maioria tem que refugiar-se em periferias abandonadas, poluídas e descartadas”, afirmou o Santo Padre.

A simplicidade dos gestos

Para a história da Igreja ficam os documentos ricos e profundos que afirmam valores como a defesa da Criação e a fraternidade humana, em textos papais de grande relevo como “Laudato Si” e “Fratelli Tutti”, mas para a memória de cada um ficam os gestos e atitudes que expressavam o sentir do coração.

Com efeito, desde o primeiro momento que o ritmo acelerado do Papa Francisco foi uma marca do seu pontificado. Com um passo decidido e uma naturalidade desconcertante, o Santo Padre desde o primeiro momento deixou claras várias atitudes que não eram apenas um novo estilo ou formato, mas sinais reveladores do conteúdo fresco do Evangelho.

E, assim, inesperadamente, o Papa Francisco como que desceu na noite da sua eleição da varanda da Basílica de S. Pedro até junto do seu povo, ao qual se inclinou para receber a oração que pede a bênção de Deus. Um momento único, original e inovador que foi um primeiro grande sinal:

“E agora eu gostaria de dar a bênção, mas antes… antes peço-vos um favor: antes de o bispo abençoar o povo, peço-vos que rezeis ao Senhor para que Ele me abençoe: a oração do povo que pede a bênção para o seu bispo. Façamos em silêncio esta oração de vós por mim”, disse o Papa Francisco a 13 de março de 2013.

E assim começou a acelerar a dinâmica pastoral pontifícia logo ali: incluiu o povo no seu caminho, dando um registo de normalidade quotidiana ao pontificado. Começando a anular os resquícios principescos da sua função.

Um dos primeiros gestos foi saldar a conta que faltava pagar na Residencial Domus Paulus VI e aonde se dirigiu logo no dia a seguir à eleição. E os sapatos que usava Francisco já não eram papais vermelhos, mas pretos e… ortopédicos!

E, claro, depois veio a surpreendente decisão de não viver no Palácio Apostólico, mas na Casa de Santa Marta. Uma decisão que arrepiou os mais indefectíveis da formalidade vaticana e do seu regular funcionamento institucional.

A força das palavras

Foi também de palavras intensas, metáforas criativas e pequenas histórias que se fez o pontificado de Francisco. Umas mais fortes e programáticas como “dizer energicamente não a qualquer forma de clericalismo” ou “desmasculinizar a Igreja” e outras bem mais singelas como por exemplo as palavras com licença, obrigado e desculpa.

Um outro exemplo são as palavras teto, terra e trabalho. Recordamos aqui algumas frases que orientaram o pontificado do Papa Francisco e que foram proferidas nos primeiros dias após a sua eleição:

“Quando caminhamos sem a Cruz, quando edificamos sem a Cruz e quando confessamos um Cristo sem Cruz, não somos discípulos do Senhor: somos mundanos, somos bispos, padres, cardeais, papa, mas não discípulos do Senhor”. (Missa Pro Ecclesia, 14 de março 2013).

“Não te esqueças dos pobres!'. E aquela palavra entrou aqui: os pobres, os pobres. Depois, imediatamente em relação aos pobres, pensei em Francisco de Assis. É o homem que nos dá este espírito de paz, o homem pobre... Ah, como gostaria de uma Igreja pobre e para os pobres.” (Audiência aos Jornalistas, 16 de março 2013).

“Ele, nunca se cansa de perdoar, mas nós, por vezes, cansamo-nos de pedir perdão. Nunca nos cansemos, nunca nos cansemos! Ele é o Pai amoroso que perdoa sempre, que tem um coração de misericórdia para todos nós.” (Angelus, 17 de março 2013).

“Nunca nos esqueçamos que o verdadeiro poder é o serviço e que também o Papa para exercer o poder deve entrar cada vez mais naquele serviço que tem o seu vértice luminoso na Cruz”. (Missa do Início Solene do pontificado, 19 de março 2013).

“E por favor, não deixeis que vos roubem a esperança! Não deixeis que roubem a esperança! Aquela que nos dá Jesus”. (Domingo de Ramos, 24 de março 2013).

“Isto eu vos peço: sede pastores com o odor das ovelhas, pastores no meio do próprio rebanho, e pescadores de homens”. (Missa Crismal, 28 de março 2013).

Em 2025 o mundo despediu-se do Papa Francisco, que faleceu no dia 21 de abril.

Laudetur Iesus Christus

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                                                 Fonte: vaticannews.va   Fotos: (@Vatican Media

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