nas audiências e celebrações em 2025
Dados divulgados
pela Prefeitura da Casa Pontifícia indicam mais de 250 mil participantes até
abril, levando em consideração a hospitalização do Papa Francisco a partir de
14 de fevereiro e a subsequente distribuição dos textos do Angelus e das
Audiências Gerais pela Sala de Imprensa da Santa Sé, mesmo após seu retorno a
Santa Marta. Desde maio, após a eleição de Leão XIV, a participação foi de
quase três milhões de fiéis.
Em 2025, 3.176.620 fiéis participaram de audiências e celebrações litúrgicas no Vaticano. Os dados, divulgados pela Prefeitura da Casa Pontifícia, incluem Audiências Gerais e jubilares, audiências especiais, celebrações litúrgicas e orações do Angelus.
Presença durante
o pontificado do Papa Francisco
De janeiro a
abril, durante o pontificado do Papa Francisco, um total de 262.820 pessoas
compareceram: 60.500 nas oito audiências gerais e jubilares, 10.320 nas
audiências especiais, 62.000 nas celebrações litúrgicas e 130.000 nas orações
do Angelus. Na leitura desses números devem ser levados em consideração a
hospitalização do Papa Francisco no Hospital Gemelli, que começou em 14 de
fevereiro, e seu retorno a Santa Marta. Durante esse período, os textos das
audiências gerais e do Angelus foram divulgados exclusivamente pela Sala de
Imprensa da Santa Sé.
Presença desde a
eleição do Papa Leão XIV
Desde a eleição
do Papa Leão XIV para a Cátedra de Pedro, em 8 de maio, até o final do ano, a
presença total foi de 2.913.800 pessoas. Especificamente, 1.069.000 pessoas
participaram das 36 audiências gerais e jubilares, 148.300 nas audiências
especiais, 796.500 nas celebrações litúrgicas e 900.000 nas orações do Angelus.
Dezembro registrou o maior número de presença na oração mariana, com
aproximadamente 250.000 participantes, enquanto outubro teve o pico de presença
tanto nas celebrações litúrgicas (aproximadamente 200.000) quanto nas
audiências gerais e jubilares (aproximadamente 295.000).
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Em 2025 o mundo
despediu-se do Papa Francisco
Estes últimos
dias do ano levam-nos a recordar o Papa Francisco e aquilo que de mais humano e
próximo nos tocou durante o seu pontificado. Sempre com especial atenção aos
marginalizados do mundo, Francisco deixou intensas memórias com os seus gestos
e palavras.
Rui Saraiva –
Portugal
Francisco passou
por aqui. Pode muito bem ser este o título que podemos usar para descrevermos a
sensibilidade pastoral do Papa durante o seu pontificado. Com uma atitude
generosa, impregnada de Evangelho e pronta para o serviço, Francisco deixou
marca por onde passou.
A casa de
Francisco nas periferias descartadas
Sempre com
especial atenção aos marginalizados do mundo, tal como fazia em Buenos Aires.
Na capital argentina, Bergoglio era visita regular nas “villas miséria” e as
pessoas sabiam o seu nome e viam-no como um deles. Conhecia a realidade. E, por
isso, quando esteve em Kangemi, um dos sete bairros de lata de Nairobi a
capital do Quénia, na sua visita àquele país africano, afirmou estar ali como
se estivesse “em casa”. “Sinto-me em casa, partilhando este momento com irmãos
e irmãs que têm um lugar preferencial na minha vida e nas minhas opções, não me
envergonho de o dizer”, disse Francisco a 27 de novembro de 2015.
E o Santo Padre
denunciou na ocasião, a riqueza concentrada em minorias, enquanto a maioria
vive abandonada e descartada. “São as feridas provocadas pelas minorias que
concentram o poder, a riqueza e perduram egoisticamente, enquanto a crescente
maioria tem que refugiar-se em periferias abandonadas, poluídas e descartadas”,
afirmou o Santo Padre.
A simplicidade
dos gestos
Para a história
da Igreja ficam os documentos ricos e profundos que afirmam valores como a
defesa da Criação e a fraternidade humana, em textos papais de grande relevo
como “Laudato Si” e “Fratelli Tutti”, mas para a memória de cada um ficam os
gestos e atitudes que expressavam o sentir do coração.
Com efeito,
desde o primeiro momento que o ritmo acelerado do Papa Francisco foi uma marca
do seu pontificado. Com um passo decidido e uma naturalidade desconcertante, o
Santo Padre desde o primeiro momento deixou claras várias atitudes que não eram
apenas um novo estilo ou formato, mas sinais reveladores do conteúdo fresco do
Evangelho.
E, assim,
inesperadamente, o Papa Francisco como que desceu na noite da sua eleição da
varanda da Basílica de S. Pedro até junto do seu povo, ao qual se inclinou para
receber a oração que pede a bênção de Deus. Um momento único, original e
inovador que foi um primeiro grande sinal:
“E agora eu
gostaria de dar a bênção, mas antes… antes peço-vos um favor: antes de o bispo
abençoar o povo, peço-vos que rezeis ao Senhor para que Ele me abençoe: a
oração do povo que pede a bênção para o seu bispo. Façamos em silêncio esta
oração de vós por mim”, disse o Papa Francisco a 13 de março de 2013.
E assim começou
a acelerar a dinâmica pastoral pontifícia logo ali: incluiu o povo no seu
caminho, dando um registo de normalidade quotidiana ao pontificado. Começando a
anular os resquícios principescos da sua função.
Um dos primeiros
gestos foi saldar a conta que faltava pagar na Residencial Domus Paulus VI e
aonde se dirigiu logo no dia a seguir à eleição. E os sapatos que usava
Francisco já não eram papais vermelhos, mas pretos e… ortopédicos!
E, claro, depois
veio a surpreendente decisão de não viver no Palácio Apostólico, mas na Casa de
Santa Marta. Uma decisão que arrepiou os mais indefectíveis da formalidade
vaticana e do seu regular funcionamento institucional.
A força das
palavras
Foi também de
palavras intensas, metáforas criativas e pequenas histórias que se fez o
pontificado de Francisco. Umas mais fortes e programáticas como “dizer
energicamente não a qualquer forma de clericalismo” ou “desmasculinizar a
Igreja” e outras bem mais singelas como por exemplo as palavras com licença,
obrigado e desculpa.
Um outro exemplo
são as palavras teto, terra e trabalho. Recordamos aqui algumas frases que
orientaram o pontificado do Papa Francisco e que foram proferidas nos primeiros
dias após a sua eleição:
“Quando
caminhamos sem a Cruz, quando edificamos sem a Cruz e quando confessamos um
Cristo sem Cruz, não somos discípulos do Senhor: somos mundanos, somos bispos,
padres, cardeais, papa, mas não discípulos do Senhor”. (Missa Pro Ecclesia, 14
de março 2013).
“Não te esqueças
dos pobres!'. E aquela palavra entrou aqui: os pobres, os pobres. Depois,
imediatamente em relação aos pobres, pensei em Francisco de Assis. É o homem
que nos dá este espírito de paz, o homem pobre... Ah, como gostaria de uma
Igreja pobre e para os pobres.” (Audiência aos Jornalistas, 16 de março 2013).
“Ele, nunca se
cansa de perdoar, mas nós, por vezes, cansamo-nos de pedir perdão. Nunca nos
cansemos, nunca nos cansemos! Ele é o Pai amoroso que perdoa sempre, que tem um
coração de misericórdia para todos nós.” (Angelus, 17 de março 2013).
“Nunca nos
esqueçamos que o verdadeiro poder é o serviço e que também o Papa para exercer
o poder deve entrar cada vez mais naquele serviço que tem o seu vértice
luminoso na Cruz”. (Missa do Início Solene do pontificado, 19 de março 2013).
“E por favor,
não deixeis que vos roubem a esperança! Não deixeis que roubem a esperança!
Aquela que nos dá Jesus”. (Domingo de Ramos, 24 de março 2013).
“Isto eu vos
peço: sede pastores com o odor das ovelhas, pastores no meio do próprio
rebanho, e pescadores de homens”. (Missa Crismal, 28 de março 2013).
Em 2025 o mundo
despediu-se do Papa Francisco, que faleceu no dia 21 de abril.
Laudetur Iesus
Christus
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