domingo, 26 de junho de 2022

CNBB reitera sua posição em defesa

da integralidade, inviolabilidade e dignidade da vida humana

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), por meio da Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família, divulgou nota na qual reitera sua posição em defesa da integralidade, inviolabilidade e dignidade da vida humana, desde a concepção até a morte natural. No texto, assinado pelo bispo de Rio Grande (RS) e presidente da Comissão, dom Ricardo Hoepers, a Conferência condena todas e quaisquer iniciativas que pretendam justificar e impor o aborto no Brasil.

No texto, é manifestada solidariedade e garantidas as preces para as famílias envolvidas. “De maneira especial, toca-nos profundamente a situação desta criança que, na sua mais tenra idade, passa por todos esses traumas e pressões e todas as crianças que, por uma vida sexual precoce ou porque são violentadas, perdem sua infância”, afirma dom Ricardo, que ressalta a necessidade de tomada de consciência da responsabilidade de todos “sobre a proteção e salvaguarda dos  mais pequeninos”.

A nota também traz a reafirmação de que o direito à vida é incondicional: “Deve ser respeitado e defendido, em qualquer etapa ou condição em que se encontre a pessoa humana”.

Recordando a realização do X Encontro Mundial das Famílias, nesta semana, a Conferência une-se “às famílias do mundo inteiro, mas especialmente às famílias que tiveram suas crianças afetadas pelo trauma da violência sexual e do aborto, para que possam ser consoladas e fortalecidas na fé, acreditando na vida, cuidando e protegendo seus filhos, mas de modo especial os mais vulneráveis”.

Confira o texto na íntegra:

Brasília – DF, 23 de junho de 2022.
CEPVF – Nº. 175/22

A FAVOR DA VIDA HUMANA

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, através da sua Comissão Episcopal e Pastoral para a Vida e Família, reitera sua posição em defesa da integralidade, inviolabilidade e dignidade da vida humana, desde a sua concepção até a morte natural. Condena, assim, todas e quaisquer iniciativas que pretendam justificar e impor o aborto no Brasil.

Mais uma vez, infelizmente, veio à tona, outro caso dramático de uma criança que estava gestando um bebê com a idade gestacional de 29 semanas. Solidarizamo-nos com as famílias envolvidas, com nossas preces e nosso  respeito à dignidade da vida de todos os envolvidos, especialmente dessas crianças em questão. De maneira  especial, toca-nos profundamente a situação desta criança que, na sua mais tenra idade, passa por todos esses traumas e pressões e todas as crianças que, por uma vida sexual precoce ou porque são violentadas, perdem sua infância. Como proteger essa criança e tantas outras que passam pela mesma situação? Neste caso não bastam só palavras, mas uma tomada de consciência da responsabilidade de todos sobre a proteção e salvaguarda dos mais pequeninos.

Reafirmamos que o direito à vida é incondicional. Deve ser respeitado e defendido, em qualquer etapa ou condição em que se encontre a pessoa humana. O direito à vida permanece, na sua totalidade, para o idoso fragilizado, para o doente em fase terminal, para a pessoa com deficiência, para a criança que acaba de nascer e para aquela que ainda não nasceu. Na realidade, desde quando o óvulo é fecundado, encontra-se inaugurada uma nova vida, que não é nem a do pai, nem a da mãe, mas a de um novo ser humano. Contém em si a singularidade e o dinamismo da pessoa humana: um ser que recebe a tarefa de vir-a-ser. Ele não viria jamais a tornar-se humano, se não o fosse desde início. Esta verdade é de caráter antropológico, ético e científico. Não se restringe à argumentação de cunho teológico ou religioso (Pronunciamento da CNBB em 04 de abril de 2017).

Lembramos com veemência que são imorais leis que imponham aos profissionais da saúde a obrigação de agir contra a sua consciência, cooperando, direta ou indiretamente, na prática do aborto. Cabe a todos nós recordar que há o preceito legal: a previsão contida no artigo 7º da Lei 8.069/90 (Estatuto da Criança e do Adolescente) onde consta a obrigação de que toda e qualquer instituição tem o dever de efetivar políticas sociais públicas que permitam o nascimento e o desenvolvimento sadio e harmonioso de nossas crianças. Estas e outras normativas legais tais como a Lei 12.842/2013 asseguram o livre exercício da medicina e garantem que o paciente receba a melhor atenção da parte daqueles que têm o dever de cuidar do direito à saúde e à vida. Entendemos que o Ministério da Saúde definiu uma resposta a esses casos, na Norma Técnica “Atenção técnica para prevenção, avaliação e conduta nos casos de abortamento” (2022) e essa, por sua vez, com seus protocolos, deveria ser seguida e respeitada.

Nesta semana em que acontece o X Encontro Mundial das Famílias com o tema: “Amor familiar: vocação e caminho de santidade”, queremos nos unir às famílias do mundo inteiro, mas especialmente às famílias que tiveram suas crianças afetadas pelo trauma da violência sexual e do aborto, para que possam ser consoladas e fortalecidas na fé, acreditando na vida, cuidando e protegendo seus filhos, mas de modo especial os mais vulneráveis.

Confiamos a Maria, Mãe de Jesus, todas as crianças, pedindo as bênçãos de Deus para as nossas famílias, especialmente para as mães e os nascituros.

Dom Ricardo Hoepers - Bispo de Rio Grande – RS
Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família

Baixe o arquivo em PDF.

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No Envio das Famílias, Papa Francisco

convida a tornarem-se “missionários nos caminhos do mundo”

Foi concluído, no último domingo, o Ano Família Amoris Laetitia, convocado pelo Papa Francisco para celebrar os cinco anos da exortação apostólica sobre o amor na família. Um dia antes, a missa celebrada na Praça São Pedro, com a presença do pontífice, marcou o encerramento da programação em Roma do X Encontro Mundial das Famílias, iniciado no dia 22 de junho. No envio das famílias, Francisco convidou a tornarem-se “missionários nos caminhos do mundo”.

“Anunciem com alegria a beleza de ser família!
Anunciem às crianças e aos jovens a graça do matrimônio cristão.
Deem esperança a quem não a tem.
Ajam como se tudo dependesse de vocês,
sabendo que tudo deve ser confiado a Deus”.

A missa foi presidida pelo prefeito do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida, cardeal Kevin Farrell. O Papa fez a homilia e destacou que “a família é o lugar do encontro, da partilha, da saída de si mesmo para acolher o outro e estar junto dele. É o primeiro lugar onde se aprende a amar”.

Ao final da celebração, o cardeal Farrel recordou o encerramento do Ano Família Amoris Laetitia, convocado pelo Papa ao final de 2020, e realizado entre março de 2021 e este domingo, 26 de junho:

“Um ano que deu novo impulso à pastoral familiar nas dioceses de todo o mundo: em todos os lugares, Santo Padre, bispos, sacerdotes e leigos trabalharam com entusiasmo e dedicação para escutar as necessidades concretas das famílias e rever metodologias e conteúdos do trabalho pastoral. Há agora uma necessidade urgente de um compromisso renovado, no qual pastores e famílias bem formados saibam trabalhar juntos para serem mais eficazes na tarefa de acompanhar crianças, jovens, cônjuges e famílias inteiras nos desafios morais e espirituais das sociedades de hoje. Servem corresponsabilidade e uma concreta e efetiva comunhão eclesial”.

Cardeal Kevin Farrel
Prefeito do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida

Cardeal Kevin Farrell presidiu a missa na Praça São Pedro
Foto: Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida

Mensagem às famílias brasileiras

Com o novo formato do evento proposto pelo Papa, com atividades em Roma e em todas as dioceses do mundo, o X Encontro Mundial das Famílias também teve a proposta de que os bispos escrevessem às famílias de suas respectivas dioceses. Aqui no Brasil, os bispos destacaram o amor em família como vocação e caminho de santidade. Confira trechos de algumas das cartas divulgadas:

Na arquidiocese de Belo Horizonte (MG), dom Walmor Oliveira de Azevedo, presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), ressaltou que a família é “a escola primeira e guardiã de inigualáveis experiências na aprendizagem do amor, onde todos são, ao mesmo tempo, aprendizes e responsáveis pela missionária tarefa de ensinar: aprende-se ensinando, ensina-se aprendendo”.

“Unidos ao Papa Francisco, em oração, dediquemos sempre e cada vez mais às famílias, pilares para a edificação de uma sociedade mais fraterna, no horizonte da amizade social e da solidariedade universal”, motivou dom Walmor.

O bispo de Rio Grande (RS) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família da CNBB, dom Ricardo Hoepers, também escrevem uma carta, na qual destaca que do amor familiar “brotam todas as vocações e todas as vocações se santificam por meio da Família”.

“Desejo que toda família, Igreja Doméstica, cresça na fé e na vida da comunidade, onde está a família eclesial, e em comunhão, participação e missão, possa evangelizar um mundo que vive a orfandade espiritual. Sejamos famílias ampliadas para acolher os sem família, os abandonados, os sem esperança, os excluídos, os fragilizados, os que perderam o sentido da vida, os que não sabem o rumo a seguir”, disse dom Ricardo Hoepers.

Em Santa Cruz do Sul, o bispo diocesano, dom Aloísio Alberto Dilli, saudou as famílias: “Vosso Irmão-bispo saúda as famílias em nome da grande família diocesana, que louva e agradece a Deus, porque, em vós e através de vós, Ele continua a realizar as maravilhas de seu amor”.

Também no Rio Grande do Sul, o bispo de Erexim, dom Adimir Antonio Mazali, destacou que o encontro das famílias foi “oportunidade de reiterar a vocação humana e familiar para o amor, vínculo da santidade” e “ocasião para reafirmar a família, em suas multiformes expressões, como célula essencial da sociedade, na construção de um mundo mais justo e solidário, voltado para a defesa e promoção da vida, da consolidação da paz universal e do cuidado com a Casa Comum”.

“Que os frutos do Encontro Mundial das Famílias com o Papa Francisco, façam com que todos os agentes de pastoral de nossa diocese encantem-se pela causa da Pastoral Familiar, como meio privilegiado e transversal da evangelização em nossa Igreja Particular”, desejou o bispo.

Em São Paulo, o bispo de Jales (SP), Dom Reginaldo Andrietta, recordou que o caminho de santidade de uma família é o caminho que Deus convida a sociedade toda a percorrer: “É o caminho da fé traduzida em amor, respeito, diálogo, entendimento, compaixão, solidariedade e urgente justiça social para que nenhuma família padeça necessidades (cf. At 4,32-35)”.

No Piauí, dom Jacinto Furtado de Brito Sobrinho, arcebispo de Teresina (PI), ofereceu diversas indicações para a vivência do amor em família. Uma delas parte do entendimento de que a família é uma obra sempre inacabada, e por isso “a santidade na vida da família é um edifício sempre em construção. O Senhor é o grande arquiteto e cada membro da família é um operário com Ele!”.

Ele também aconselhou que, “mesmo com as tempestades que se abatem sobre a família, é preciso continuar unidos e esperançosos, na travessia! Jesus está na barca. Parece às vezes dormir, porém é Ele que acalma o vento e abranda as ondas! Confiança! (Cf. Lucas 8,22-35)”.

Também no Nordeste, o presidente da Comissão Regional Pastoral para a Vida e a Família da CNBB Nordeste 2, dom Dulcênio Fontes de Matos, chamou a atenção para o chamado vocacional à família e sua realidade missionária: “A vocação e missão matrimoniais são um ‘caminhar junto’ de uma pequena comunidade cristã que, pelo amor e pela fé, se reúne para ser agradável a Deus”.

O bispo da diocese de Cajazeiras e secretário-geral da CNBB Nordeste 2, dom Francisco de Sales, motivou a retomada da presença das famílias nas comunidades: “É chegado o momento de reaquecer os nossos corações para retomarmos o curso natural de nossa vida em comunidade, consistentes de que nesta marcha do povo santo de Deus, a família ocupa um lugar insubstituível. Por isso, este deve ser um tempo privilegiado de escuta, de encontro e de conversa franca sobre a realidade de nossas famílias”, afirmou em um trecho da carta.

O X Encontro Mundial das Famílias foi concluído, no sábado, 26 de junho, com a missa, que teve a presença do Papa Francisco, e o envio das famílias. Na ocasião, foi anunciada a realização do Jubileu das Famílias, em Roma, durante o Jubileu de 2025, e do XI Encontro Mundial das Famílias, em 2028, em local ainda a ser definido.

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Francisco na oração mariana do Angelus:

perseverar no bem, mesmo diante das contrariedades

"Às vezes pensamos que nosso fervor se deve ao senso de justiça por uma boa causa, mas na realidade na maioria das vezes não passa de orgulho, aliado à fraqueza, suscetibilidade e impaciência. Peçamos então a Jesus a força de ser como Ele, de segui-lo com firme decisão. De não ser vingativos e intolerantes quando surgem dificuldades, quando nos gastamos em fazer o bem e os outros não entendem."

Com a ajuda da Virgem Maria, tomar a firme decisão de Jesus de permanecer no amor até o fim, de não sermos vingativos e intolerantes quando surgem dificuldades.

Este foi o pedido do Papa Francisco antes de rezar o Angelus neste XIII Domingo do Tempo Comum, dirigido aos milhares de fiéis e turistas provenientes de várias partes do mundo, reunidos na Praça São Pedro sob forte calor. para o tradicional encontro dominical.

A inspirar sua reflexão, a passagem do Evangelho do dia onde Lucas fala da decisão de Jesus de partir para Jerusalém, naquela que seria sua última viagem. Motivo pelo qual, era necessária uma decisão firme, determinada.

Como discípulos, seguir Jesus com decisão

Ao contrário do que pensam os discípulos, “cheios de entusiasmo ainda demasiado mundano”, Jesus sabe que é rejeição e morte que o esperam em Jerusalém”:

Ele sabe que terá que sofrer muito; e isso requer uma firme decisão. É a mesma que devemos tomar também nós, se quisermos ser discípulos de Jesus. Porque devemos ser discípulos de Jesus com seriedade, com decisão verdadeira, não como dizia uma idosa que conheci: "cristãos em água de rosas". Não, não, não! Cristãos decididos Em que consiste essa decisão?

E é precisamente o episódio que o evangelista Lucas narra logo em seguida, que nos ajuda a compreender isso.

Amor misericordioso cresce com a paciência, constância e espírito penitencial

De fato, um povoado de samaritanos não acolheu Jesus, pois soube que ele se dirigia a Jerusalém, uma cidade adversária. Os apóstolos Tiago e João ficam indignados e sugerem que Jesus castigue aquelas pessoas fazendo descer fogo do céu:

Jesus não só não aceita a proposta, como repreende os dois irmãos. Eles querem envolvê-lo em seu desejo de vingança e ele não está de acordo. O "fogo" que ele veio trazer à terra é o amor misericordioso do Pai. E para fazer crescer esse fogo é preciso paciência, é preciso constância, é preciso espírito penitencial.

Ou seja, diante daquela situação, os dois apóstolos reagem com ira:

E isso acontece também conosco quando, fazendo o bem, talvez com sacrifício, em vez de acolhida encontramos uma porta fechada. Então vem a raiva: tentamos até mesmo envolver o próprio Deus, ameaçando com castigos celestiais.

Determinação de seguir em frente, por outro caminho, revela força interior

Já a reação de Jesus, é bem diferente:

Jesus, ao contrário, segue outro caminho, não o caminho da raiva, mas aquele da firme decisão de seguir em frente, que, longe de se traduzir em dureza, implica calma, paciência, longanimidade, sem, no entanto, afrouxar minimamente o compromisso de fazer o bem. Este modo de ser não denota fraqueza, mas, ao contrário, uma grande força interior.

“Ficar com raiva na contrariedade é fácil, é instintivo”, recorda o Papa. O que é difícil, é conseguir controlar as reações instintivas e fazer como Jesus, que partiu "a caminho de outro povoado":

Isso significa que, quando encontramos fechamentos, devemos nos voltar para fazer o bem em outro lugar, sem recriminações. Assim Jesus nos ajuda a ser pessoas serenas, felizes com o bem realizado e que não buscam as aprovações humanas.

Servir no silêncio

“E nós, em que ponto estamos?”, pergunta Francisco:

“Diante das contrariedades, das incompreensões, nos dirigimos ao Senhor, pedimos a Ele sua firmeza em fazer o bem? Ou buscamos confirmação nos aplausos, acabando por ser ásperos e rancorosos quando não os ouvimos? Quantas vezes, consciente ou inconscientemente, buscamos os aplausos, a aprovação dos outros? E nós, fazemos [o bem] pelos aplausos? Não, isso não está certo. Devemos fazer o bem pelo serviço e não buscar os aplausos":

Às vezes - acrescentou o Papa - pensamos que nosso fervor se deve ao senso de justiça por uma boa causa, "mas na realidade na maioria das vezes não passa de orgulho, aliado à fraqueza, suscetibilidade e impaciência":

Peçamos então a Jesus a força de ser como Ele, de segui-lo com firme decisão neste caminho de serviço. De não ser vingativos, de não ser intolerantes quando surgem dificuldades, quando nos gastamos pelo bem e os outros não entendem isso, antes ainda, quando nos desqualificam. Não: silêncio e em frente.

Que a Virgem Maria nos ajude a tomar a firme decisão de Jesus de permanecer no amor até o fim.

Jackson Erpen

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Assista:


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Reflita com dom Félix:

Mensagem às famílias no Encontro Mundial das Famílias

Tema: “O amor familiar: vocação e caminho de santidade”

No caminho sinodal proposto pelo Papa Francisco, cada membro desempenha seu papel fundamental, unido aos demais. As famílias, Igrejas domésticas, formam parte deste caminho oferecendo-se como âmbito de “comunhão, participação e missão”, palavras-chave do processo sinodal. Entretanto, se por um lado, é necessário “despertar” as famílias, torná-las conscientes do dom que elas mesmas são para a Igreja; por outro lado, é importante que a Igreja aprenda a aproveitar os dons que o Espírito Santo concede à família, reconhecendo-a como protagonista da evangelização: as famílias devem ser “Igrejas domésticas e fermento evangelizador na sociedade” (AL 290).

Dom Félix

“A família cristã é chamada a tomar parte viva e responsável na missão da Igreja de maneira própria e original, isto é, pondo a serviço da Igreja e da sociedade seu próprio ser e agir, enquanto comunidade íntima de vida e de amor” (FC 50). “Se a família cristã é comunidade, sua participação na missão da Igreja deve realizar-se segundo uma modalidade comunitária; juntos, pois os cônjuges enquanto casal e os pais e os filhos enquanto família hão de viver seu serviço à Igreja e ao mundo” (FC 50). “Quanto mais cresce nos esposos e pais cristãos a consciência de que sua família, “Igreja doméstica”, é participante da vida e da missão da Igreja universal, tanto mais poderão ser formados os filhos no ‘sentido de Igreja’ e sentirão toda a beleza de dedicar suas energias a serviço do Reino de Deus” (ChL 62).

Infelizmente, “há tristes situações de violência familiar que são caldo de cultivo para novas formas de agressividade social, porque as relações familiares também explicam a predisposição a uma personalidade violenta. As famílias que influem para isso são as que têm uma comunicação deficiente; nas que predominam atitudes defensivas e seus membros não se apoiam entre si; nas que não há atividades familiares que propiciem a participação; nas que as relações dos pais são conflituosas e violentas; e nas que as relações paterno-filiais se caracterizam por atitudes hostis” (AL 51). “Destaco a vergonhosa violência que às vezes se exerce sobre as mulheres, o maltrato familiar e distintas formas de escravidão que não constituem uma amostra de força masculina, mas uma covarde degradação. A violência verbal, física e sexual que se exerce contra as mulheres em alguns matrimônios contradiz a natureza da união conjugal” (AL 54).

Daí a importância da Pastoral Familiar, que tem como meta uma adequada e constante evangelização da família para que, educada no amor, possa cumprir seus deveres gerais: a formação de uma comunidade de pessoas; o serviço à vida; a participação no progresso da sociedade; a participação na vida e missão da Igreja. Por isso, ela se destina a toda pessoa humana, seja qual for sua situação familiar. Visa promover a inclusão e resgatar os valores e a dignidade de cada pessoa e de toda família, bem como motivar as lideranças cristãs e as comunidades eclesiais nessa missão de evangelizar e promover humana e socialmente a pessoa e a família tendo em vista a construção de uma sociedade ética, pacífica, justa e solidária.

Recebam o meu abraço fraterno e a minha bênção apostólica! Fiquem com Deus!

Dom Antônio Carlos  - Bispo de Governador Valadares - MG

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sábado, 25 de junho de 2022

Papa na Missa de encerramento do 10º Encontro Mundial:

defender a beleza da família

“A família é o lugar do encontro, da partilha, da saída de si mesmo para acolher o outro e estar junto dele. É o primeiro lugar onde se aprende a amar: Papa Francisco na sua homilia na Missa de encerramento do seu X Encontro Mundial.

Na tarde deste sábado, 25 de junho, o Papa Francisco voltou a se encontrar com as famílias, na Missa de encerramento do X Encontro Mundial, celebrada na Praça São Pedro e presidida pelo prefeito do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida, cardeal Kevin Farrel. Após passar de papamóvel entre os presentes, Francisco dirigiu-se ao adro da Basílica, sentando à direita do Altar. A homilia, no entanto, foi lida pelo Santo Padre:

Depois de recordar que no âmbito do X Encontro Mundial das Famílias, a Santa Missa é o momento da ação de graças o Papa recordou que algumas famílias participaram nos momentos de reflexão e partilha no Vaticano e outras animaram e viveram os mesmos momentos nas respetivas dioceses, formando uma espécie de imensa constelação.

“Imagino a riqueza de experiências, propósitos, sonhos, como não faltaram também as preocupações e as incertezas. Agora apresentamos tudo ao Senhor e pedimos-Lhe que vos sustente com a sua força e o seu amor. Sois pais, mães, filhos, avós, tios; sois adultos, crianças, jovens, idosos; cada qual com uma experiência diversa de família, mas todos com a mesma esperança feita oração: Que Deus abençoe e guarde as vossas famílias e todas as famílias do mundo".

Em seguida o Papa recordou a segunda Leitura na qual São Paulo fala de liberdade. A liberdade – disse Francisco - é um dos bens mais apreciados e procurados pelo homem moderno e contemporâneo. Todos desejam ser livres, não sofrer condicionamentos, nem ver-se limitados; por isso aspiram a libertar-se de qualquer tipo de «prisão»: cultural, social, económica.

“E, no entanto, quantas pessoas carecem da liberdade maior: a liberdade interior! O Apóstolo lembra-nos, a nós cristãos, que esta é primariamente um dom, quando exclama: «Foi para a liberdade que Cristo nos libertou» (Gal 5, 1). A liberdade foi-nos dada".

Nascemos, todos, com muitos condicionamentos, interiores e exteriores, e sobretudo com a tendência para o egoísmo, isto é, para nos colocarmos a nós mesmos no centro e privilegiar os nossos interesses. Mas, desta escravidão, libertou-nos Cristo.

Família, lugar de encontro

“Todos vós, esposos, ao formar a vossa família, com a graça de Cristo fizestes esta corajosa opção: não usar a vossa liberdade para proveito próprio, mas para amar as pessoas que Deus colocou junto de vós. Em vez de viver como «ilhas», fizestes-vos «servos uns dos outros». Assim se vive a liberdade em família!"

A família – sublinhou o Papa - é o lugar do encontro, da partilha, da saída de si mesmo para acolher o outro e estar junto dele. É o primeiro lugar onde se aprende a amar.


O Santo Padre então reafirmou que bem sabemos que na realidade dos fatos não é sempre assim, por muitos motivos e pelas mais variadas situações. Por isso, justamente enquanto afirmamos a beleza da família, sentimos mais do que nunca que devemos defendê-la.

Não deixemos que seja poluída pelos venenos do egoísmo, do individualismo, da cultura da indiferença e do descarte, perdendo assim o seu DNA que é o acolhimento e o espírito de serviço.

A relação Elias e Eliseu

Recordando a  relação entre os profetas Elias e Eliseu, apresentada na primeira Leitura, Francisco  disse que a mesma nos faz pensar na relação entre as gerações, na «passagem do testemunho» entre pais e filhos. No mundo atual, esta relação não é simples, revelando-se muitas vezes motivo de preocupação. Os pais temem que os filhos não consigam orientar-se no meio da complexidade e confusão das nossas sociedades, onde tudo parece caótico e precário, acabando por extraviar-se da sua estrada. Este medo torna alguns pais ansiosos; outros, superprotetores. E por vezes acaba até por bloquear o desejo de trazer novas vidas ao mundo.

"Faz-nos bem refletir sobre a relação entre Elias e Eliseu. Elias, num momento de crise e medo face ao futuro, recebe de Deus a ordem de ungir Eliseu como seu sucessor. Deus faz compreender a Elias que o mundo não termina com ele, e manda-lhe transmitir a outro a sua missão".

Como é importante, - continuou o Papa - para os pais, contemplar o modo de agir de Deus! Deus ama os jovens, mas isto não significa que os preserve de todo o risco, desafio e sofrimento. Não é ansioso, nem superprotetor; pelo contrário, tem confiança neles e chama cada um à medida alta da vida e da missão.

Francisco acrescentou ainda que a melhor maneira de um educador ajudar a outrem a seguir a sua vocação é abraçar com um amor fiel a própria. Foi o que os discípulos viram Jesus fazer; e o Evangelho mostra-nos um momento emblemático disso mesmo, quando Jesus «Se dirigiu resolutamente para Jerusalém» (Lc 9, 51), sabendo bem que lá seria condenado e morto. E, no caminho para Jerusalém, Ele vê-Se repelido pelos habitantes da Samaria; uma rejeição, que suscita a reação indignada de Tiago e João, mas que Jesus aceita pois faz parte da sua vocação: ao princípio, fora rejeitado em Nazaré, agora, na Samaria e, no fim, será rejeitado em Jerusalém. Jesus aceita tudo isto, porque veio para tomar sobre Si os nossos pecados.

Três chamamentos

Imediatamente depois deste episódio que, de certo modo, nos descreve a «vocação de Jesus», o Evangelho apresenta-nos outros três chamamentos, três vocações de igual número de aspirantes a discípulos de Jesus. O primeiro é convidado a não procurar, no seguimento do Mestre, uma morada estável, uma acomodação segura. Com efeito Ele «não tem onde reclinar a cabeça» (Lc 9, 58). Seguir Jesus significa pôr-se em movimento e estar sempre em movimento, «em viagem» com Ele através das vicissitudes da vida.

“Como tudo isto é verdade para vós, casados! Também vós, ao acolher a vocação para o matrimônio e a família, deixastes o vosso «ninho» e começastes uma viagem, da qual não podíeis conhecer de antemão todas as etapas, e que vos mantém em constante movimento, com situações sempre novas, factos inesperados, surpresas. Assim é o caminho com o Senhor: dinâmico, imprevisível mas sempre uma maravilhosa descoberta!"

O segundo discípulo é convidado a não voltar atrás porque queria, «primeiro, sepultar o pai» (cf. Lc 9, 59-60). Não se trata de faltar ao quarto mandamento, que permanece sempre válido; mas é um convite a obedecer, antes de tudo, ao primeiro mandamento: amar a Deus sobre todas as coisas. O mesmo se verifica com o terceiro discípulo, chamado a seguir Cristo resolutamente e de todo o coração, sem «olhar para trás», nem mesmo para se despedir dos seus familiares (cf. Lc 9, 61-62).

Não olhar para trás

O Papa acrescentou: “Queridas famílias, também vós sois convidadas a não ter outras prioridades, a «não olhar para trás», isto é, a não vos lamentardes repassando a vida de outrora, a liberdade de antes com as suas ilusões enganadoras: a vida fossiliza-se quando não acolhe a novidade do chamamento de Deus, chorando pela falta do passado. Quando Jesus chama, nomeadamente ao matrimônio e à família, pede para olharmos em frente, e sempre nos precede no caminho, sempre nos precede no amor e no serviço. Quem O segue, não fica decepcionado!"

O amor que viveis entre vós seja sempre aberto, comunicativo, - finalizou o Papa - capaz de «tocar com a mão» os mais frágeis e os feridos que encontrardes pelo caminho: frágeis no corpo e frágeis na alma. De facto é quando se dá que o amor, incluindo o amor familiar, se purifica e fortalece.

"A Igreja está convosco; antes, a Igreja está em vós! Com efeito, a Igreja nasceu de uma família, a família de Nazaré, e é composta principalmente por famílias. Que o Senhor vos ajude cada dia a permanecer na unidade, na paz e na alegria, mostrando a todos que Deus é amor e comunhão de vida."

Silvonei José

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Reflexão para

o 13º Domingo do Tempo Comum

Enterrar os mortos, despedir-se da família, são as desculpas que damos para não nos comprometermos, para adiarmos a resposta ao chamado amoroso de Jesus, que nos chama a segui-lo para caminhar junto com Ele nos caminhos que levam ao Pai.

A missão de Jesus foi a de revelar a face amorosa de Deus Pai para a humanidade e para isso Ele foi até as últimas consequências. Neste domingo vemos como Jesus, consciente da decisão que amadureceu em seu coração, de partir para Jerusalém, nos ensina que a maturidade, ou seja, a capacidade de discernir e fazer escolhas, mesmo sabendo das consequências, permite que possamos oferecer nossas vidas como oferta generosa para Deus e para os irmãos e irmãs.

No caminho rumo à Jerusalém vemos alguns diálogos muito significativos em que Jesus convida ou recebe propostas de novos seguidores. No primeiro alguém disse: “Eu te seguirei para onde quer que fores”, e em seguida Jesus esclarece que nem mesmo Ele tem onde repousar a cabeça. No segundo Jesus convida outro, dizendo: “segue-me” e o convidado diz sobre a necessidade de enterrar o próprio pai, ou seja, estava ligado aos compromissos deste mundo. O terceiro também faz uma promessa de seguimento, mas primeiro teria que ir se despedir de seus familiares, e Jesus o interpela dizendo: “Quem põe a mão no arado e olha para trás não está apto para o Reino de Deus”.

Enterrar os mortos, despedir-se da família, são as desculpas que damos para não nos comprometermos, para adiarmos a resposta ao chamado amoroso de Jesus, que nos chama a segui-lo para caminhar junto com Ele nos caminhos que levam ao Pai.

Jesus deixa bem claro que segui-lo não é fácil, pois nem mesmo Ele tinha onde repousar a cabeça, ou seja, é um caminho de desapego. Também nos ensina que as prioridades do Reino de Deus estão em dissonância com as prioridades deste mundo e, que quando alguém se coloca no caminho do Reino, não deve olhar para trás, o que quer dizer, viver se lamentando pelas coisas pelas quais abriu mão para poder estar com Ele.  

O Reino de Deus deve ser o objetivo de nossas vidas. Todas as nossas urgências devem ser trocadas pela verdadeira prioridade. Todos nós temos traumas da nossa infância, coisas não resolvidas, que nos impedem de dar passos, de assumir compromissos definitivos. Todos somos convidados por Jesus a viver um processo de amadurecimento permanente, que nos permitirá, assim como ele que caminhou rumo a Jerusalém, mesmo sabendo das consequências que isso traria.

Peçamos a intercessão da Virgem Maria, modelo de seguidora de Jesus, que nos ajude neste processo de amadurecimento, para que o nosso sim, seja sempre renovado todos os dias, para que o nosso desejo de seguir Jesus, num caminho de conversão permanente, possa ir além das nossas fraquezas, medos e traumas, para que as prioridades do Reino de Deus sejam também as nossas.

Padre Pedro André, SDB

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As palavras do Papa

em defesa da vida

Nos seus nove anos de Pontificado, o Papa Francisco pronunciou palavras muito claras sobre a defesa da vida do nascituro que, afirma, está ligada à defesa de qualquer direito humano. A vida, observa, sempre deve ser defendida: quer a dos nascituros como a dos idosos e dos enfermos ou dos que correm o risco de morrer de fome ou no trabalho ou como migrantes nos barcos na travessia do Mediterrâneo.

Papa Francisco no encontro com as famílias em 4 de dezembro de 2017 (Vatican Media)

A Igreja defende a vida, sobretudo daqueles que não têm voz. Em sua Exortação apostólica Evangelii gaudium, Francisco recorda que na Igreja há um sinal que nunca deve faltar: “a opção pelos últimos, por aqueles que a sociedade descarta e joga fora” (EG 195). Trata-se da atenção preferencial pelos mais frágeis.

Ao lado dos mais frágeis e dos direitos humanos

“Entre estes seres frágeis, de que a Igreja quer cuidar com predileção, estão também os nascituros, os mais inermes e inocentes de todos, a quem hoje se quer negar a dignidade humana para poder fazer deles o que apetece, tirando-lhes a vida e promovendo legislações para que ninguém o possa impedir. Muitas vezes, para ridiculizar jocosamente a defesa que a Igreja faz da vida dos nascituros, procura-se apresentar a sua posição como ideológica, obscurantista e conservadora; e no entanto esta defesa da vida nascente está intimamente ligada à defesa de qualquer direito humano. Supõe a convicção de que um ser humano é sempre sagrado e inviolável, em qualquer situação e em cada etapa do seu desenvolvimento. É fim em si mesmo, e nunca um meio para resolver outras dificuldades. Se cai esta convicção, não restam fundamentos sólidos e permanentes para a defesa dos direitos humanos, que ficariam sempre sujeitos às conveniências contingentes dos poderosos de turno.” (EG 213).

Não é progressista eliminar uma vida humana

O Papa Francisco tem palavras muito claras: “não se deve esperar que a Igreja altere a sua posição sobre esta questão. A propósito, quero ser completamente honesto. Este não é um assunto sujeito a supostas reformas ou «modernizações». Não é opção progressista pretender resolver os problemas, eliminando uma vida humana. Mas é verdade também que temos feito pouco para acompanhar adequadamente as mulheres que estão em situações muito duras, nas quais o aborto lhes aparece como uma solução rápida para as suas profundas angústias, particularmente quando a vida que cresce nelas surgiu como resultado duma violência ou num contexto de extrema pobreza. Quem pode deixar de compreender estas situações de tamanho sofrimento?” (EG 214).

As palavras do Papa são muito fortes: “o aborto é um crime. É tirar a vida de um para salvar outro. É o que faz a máfia” (Coletiva de imprensa durante o voo de volta do México, em 17 de fevereiro de 2016). “É como contratar um sicário para resolver um problema.” (Audiência Geral de 10 de outubro de 2018).

Aborto, um problema humano, não religioso

O Papa repetiu várias vezes que o problema do aborto “não é um problema religioso: nós não somos contra o aborto devido à religião. Não. É um problema humano” (Coletiva de imprensa no voo de regresso de Dublin, 26 de agosto de 2018). E explica: “O aborto é um homicídio. O aborto... sem meias palavras: quem faz um aborto, mata. Pegai em qualquer livro sobre embriologia, daqueles que estudam os alunos nas Faculdades de Medicina e vede que, na terceira semana da gestação – na terceira semana, e muitas vezes antes que a mãe se dê conta –, o feto já tem todos os órgãos; todos, mesmo o DNA. E não seria uma pessoa? É uma vida humana… ponto final! E esta vida humana deve ser respeitada (...). Cientificamente, é uma vida humana. Os livros no-lo ensinam. E eu pergunto: é justo eliminá-la, para resolver um problema? Por isso a Igreja é tão severa neste tema, porque, se aceitasse isto, era como se aceitasse o homicídio diário”. (Coletiva de imprensa no voo de volta de Bratislava, 15 de setembro de 2021).

Os pequeninos jogados pelos espartanos

"Quando eu era criança, na escola - recorda o Papa - ensinavam-nos a história dos espartanos. Impressionava-me sempre o que dizia a professora, que quando nascia um menino ou uma menina com malformações, levavam-no ao cimo do monte e atiravam-no para baixo, para que estes pequeninos não existissem. Nós, crianças, dizíamos: “Mas quanta crueldade!”. Irmãos e irmãs, nós fazemos o mesmo, com maior crueldade, com maior ciência. Aquele que não serve, aquele que não produz, é descartado. Esta é a cultura do descarte, hoje os pequeninos não são desejados." (Homilia em San Giovanni Rotondo, 17 de março de 2018).

Defender cada vida, sempre

Francisco recorda que estar ao lado da vida não significa cuidar dela somente no início ou no fim, mas significa defendê-la sempre: " O grau de progresso de uma civilização mede-se precisamente pela capacidade de salvaguardar a vida, sobretudo nas suas fases mais frágeis, mais do que pela difusão de instrumentos tecnológicos. Quando falamos do homem, nunca esqueçamos todos os atentados contra a sacralidade da vida humana. É atentado contra a vida o flagelo do aborto. É atentado contra a vida deixar morrer os nossos irmãos nas embarcações no canal da Sicília. É atentado contra a vida a morte no trabalho, porque não se respeitam as mínimas condições de segurança. É atentado contra a vida a morte por subalimentação. São atentados contra a vida o terrorismo, a guerra e a violência; mas também a eutanásia. Amar a vida é sempre cuidar do outro, desejar o seu bem, cultivar e respeitar a sua dignidade transcendente.” (Discurso aos participantes no encontro promovido pela Associação Ciência e Vida, 30 de maio de 2015).

A misericórdia é para todos

O Papa sublinha o drama que vivem as mulheres. E a quem o acusa de não ter misericórdia responde assim: “A mensagem da misericórdia é para todos, mesmo para a pessoa humana que está em gestação. É para todos. Depois de cair tal fracasso, ainda há misericórdia, mas uma misericórdia difícil, porque o problema não está em dar o perdão, o problema está em acompanhar uma mulher que tomou consciência de ter abortado. São dramas terríveis. Uma vez ouvi um médico referir uma teoria segundo a qual – não me lembro bem – uma célula do feto acabado de conceber comunica com a medula da mãe e disso existe memória mesmo física. É uma teoria, mas para dizer: uma mulher, quando pensa no que fez... Digo-te a verdade: é preciso estar no confessionário e lá não devo punir nada, mas dar consolação. Por isso, abri a faculdade de absolver [do pecado de] o aborto por misericórdia, porque muitas vezes – antes, sempre – devem encontrar-se com seu filho. E com frequência, vendo-as chorar e carregar esta angústia, aconselho: «O teu filho está no céu, fala com ele, canta-lhe a canção de embalar que não cantaste, que não pudeste cantar-lhe». E nisto encontra-se uma via de reconciliação da mãe com o filho. Com Deus, já existe: é o perdão de Deus. Deus perdoa sempre. Mas a misericórdia passa também por ela [a mulher] elaborar isto. O drama do aborto. Para o compreender bem, é preciso estar num confessionário. É terrível." (Coletiva de imprensa no voo de volta do Panamá, 28 de janeiro de 2019).

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