Livro de Daniel
Setembro
é dedicado à Palavra de Deus, a Bíblia Sagrada, que deve ocupar lugar especial
em nossa vida, pois, de acordo com São Jerônimo, “ignorar as Escrituras é
ignorar o próprio Cristo”! Ou seja, para se ter o conhecimento sobre Deus e
para amar de verdade a Deus, temos como uma das fontes mais importantes os Escritos
Sagrados, por meio dos quais Ele se revela a nós e nos dá a mensagem de seu
amor e de sua salvação.
A
Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, já há anos, propõe que,
especialmente neste mês, tomemos conhecimento de um livro da Sagrada Escritura.
Neste ano, o livro escolhido é o de Daniel, o quarto e último livro dos
chamados profetas maiores da Bíblia. O livro surgiu em uma época de grandes
perseguições e sofrimento do povo. Seu objetivo era animar as pessoas e
fortalecer sua fé e fidelidade a Deus, aqueles que arriscavam a própria vida
para trilhar os caminhos da salvação.
O
livro não foi escrito por uma pessoa chamada Daniel e sim por um autor
desconhecido, provavelmente um grupo piedoso dos “homens esclarecidos” é o
redator da união de diversas histórias e momentos. O nome do livro vem de um
recurso bíblico que consiste em atribuir a autoria a personagem importante do
passado. Daniel fora um homem justo e sábio (cf. Ezequiel 14,14.20; 28,3), que,
mesmo diante das ameaças de violência e morte, se tornou modelo de fidelidade e
confiança em Deus.
O
livro não narra apenas a história de uma pessoa, mas demonstra a fé de
comunidades que permaneceram fiéis aos seus ideais no enfrentamento das
perseguições e da morte no período em que governava um terrível perseguidor dos
judeus, o rei Antíoco IV Epifanes (175-164 a.C.).
O
autor utiliza a linguagem apocalíptica. O vocábulo apocalipse significa
“revelação”. Por meio de sonhos, visões e símbolos, o livro demonstra uma
verdade fundamental: “Deus continua se revelando como o Senhor da história, e
os poderes que oprimem seu povo não são eternos, estão destinados a
desaparecer”[1].
É
nesse cenário de perseguições e martírios que o livro de Daniel anuncia a fé na
ressurreição dos mortos. Essa esperança é uma resposta ao grande questionamento
daqueles que eram perseguidos: vale a pena permanecer fiel até a morte? Daniel
proclama que Deus fará justiça e que a vida dos justos não será perdida. A
ressurreição torna-se sinal de que a fidelidade a Deus é mais forte que a
morte, e de que o martírio não é derrota, mas vitória, caminho para a vida
plena[2].
Daniel
é modelo de oração e perseverança em meio às crises da vida. “No exílio
babilônico, Daniel e seus amigos tornaram-se paradigma de coragem e fidelidade,
sustentados por uma disciplina espiritual concreta e pública. A vida de Daniel
nos ensina que a oração diária sustenta o coração em tempos de paz e de crise.
Ela forma em nós confiança, discernimento e coragem para permanecermos fiéis
quando tudo ao redor vacila. A oração pessoal e comunitária torna-se refúgio,
força e caminho de transformação interior. Quem ora de verdade descobre que
Deus vê o oculto, restaura a esperança e mantém firme o seu povo”[3].
Daniel
é também exemplo de pessoa que age, que atua em defesa da justiça e defende
quem sofre. É o que ocorreu com uma importante personagem do livro, Susana, que
foi difamada e a quem foi atribuído um grande pecado. Daniel sai em sua defesa
e, exigindo um julgamento justo, faz com seja reconhecida a sua inocência.
Por
outro lado, o contexto de violência e perseguição da época também se fez
presente na história da humanidade e hoje se revela com suas garras que oprimem
nações e pessoas. Tem, portanto, a temática de Daniel atualidade e importância.
Conhecer,
estudar e rezar com o livro de Daniel no mês da Bíblia é uma interessante forma
de, à luz de seus ensinamentos, iluminar as crises pessoais e coletivas do
mundo atual para firmar nossa fé n’Aquele que jamais nos decepciona e quer a
realização e a salvação de todos os homens e mulheres que aspiram à vida plena
em Deus.
Luiz Gonzaga da Rosa - Autor do livro Discípulos e missionários na paróquia (Paulus) e membro da Comissão de Formação Permanente da arquidiocese de Pouso Alegre
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