terça-feira, 1 de setembro de 2026

Setembro - Mês da Bíblia

Livro de Daniel

Setembro é dedicado à Palavra de Deus, a Bíblia Sagrada, que deve ocupar lugar especial em nossa vida, pois, de acordo com São Jerônimo, “ignorar as Escrituras é ignorar o próprio Cristo”! Ou seja, para se ter o conhecimento sobre Deus e para amar de verdade a Deus, temos como uma das fontes mais importantes os Escritos Sagrados, por meio dos quais Ele se revela a nós e nos dá a mensagem de seu amor e de sua salvação.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, já há anos, propõe que, especialmente neste mês, tomemos conhecimento de um livro da Sagrada Escritura. Neste ano, o livro escolhido é o de Daniel, o quarto e último livro dos chamados profetas maiores da Bíblia. O livro surgiu em uma época de grandes perseguições e sofrimento do povo. Seu objetivo era animar as pessoas e fortalecer sua fé e fidelidade a Deus, aqueles que arriscavam a própria vida para trilhar os caminhos da salvação.

O livro não foi escrito por uma pessoa chamada Daniel e sim por um autor desconhecido, provavelmente um grupo piedoso dos “homens esclarecidos” é o redator da união de diversas histórias e momentos. O nome do livro vem de um recurso bíblico que consiste em atribuir a autoria a personagem importante do passado. Daniel fora um homem justo e sábio (cf. Ezequiel 14,14.20; 28,3), que, mesmo diante das ameaças de violência e morte, se tornou modelo de fidelidade e confiança em Deus.

O livro não narra apenas a história de uma pessoa, mas demonstra a fé de comunidades que permaneceram fiéis aos seus ideais no enfrentamento das perseguições e da morte no período em que governava um terrível perseguidor dos judeus, o rei Antíoco IV Epifanes (175-164 a.C.).

O autor utiliza a linguagem apocalíptica. O vocábulo apocalipse significa “revelação”. Por meio de sonhos, visões e símbolos, o livro demonstra uma verdade fundamental: “Deus continua se revelando como o Senhor da história, e os poderes que oprimem seu povo não são eternos, estão destinados a desaparecer”[1].

É nesse cenário de perseguições e martírios que o livro de Daniel anuncia a fé na ressurreição dos mortos. Essa esperança é uma resposta ao grande questionamento daqueles que eram perseguidos: vale a pena permanecer fiel até a morte? Daniel proclama que Deus fará justiça e que a vida dos justos não será perdida. A ressurreição torna-se sinal de que a fidelidade a Deus é mais forte que a morte, e de que o martírio não é derrota, mas vitória, caminho para a vida plena[2].

Daniel é modelo de oração e perseverança em meio às crises da vida. “No exílio babilônico, Daniel e seus amigos tornaram-se paradigma de coragem e fidelidade, sustentados por uma disciplina espiritual concreta e pública. A vida de Daniel nos ensina que a oração diária sustenta o coração em tempos de paz e de crise. Ela forma em nós confiança, discernimento e coragem para permanecermos fiéis quando tudo ao redor vacila. A oração pessoal e comunitária torna-se refúgio, força e caminho de transformação interior. Quem ora de verdade descobre que Deus vê o oculto, restaura a esperança e mantém firme o seu povo”[3].

Daniel é também exemplo de pessoa que age, que atua em defesa da justiça e defende quem sofre. É o que ocorreu com uma importante personagem do livro, Susana, que foi difamada e a quem foi atribuído um grande pecado. Daniel sai em sua defesa e, exigindo um julgamento justo, faz com seja reconhecida a sua inocência.

Por outro lado, o contexto de violência e perseguição da época também se fez presente na história da humanidade e hoje se revela com suas garras que oprimem nações e pessoas. Tem, portanto, a temática de Daniel atualidade e importância.

Conhecer, estudar e rezar com o livro de Daniel no mês da Bíblia é uma interessante forma de, à luz de seus ensinamentos, iluminar as crises pessoais e coletivas do mundo atual para firmar nossa fé n’Aquele que jamais nos decepciona e quer a realização e a salvação de todos os homens e mulheres que aspiram à vida plena em Deus.

Luiz Gonzaga da Rosa - Autor do livro Discípulos e missionários na paróquia (Paulus) e membro da Comissão de Formação Permanente da arquidiocese de Pouso Alegre

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[1] https://deg.paulus.com.br/9788534961080.pdf

[2] https://deg.paulus.com.br/9788534961080.pdf

  [3] Prof. Dr. Luiz Alexandre Solano Rossi – Vida pastoral n. 371 – Paulus Editora.

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