terça-feira, 5 de março de 2024

Papa Francisco em mensagem:

gratuidade é imitar
o modo de Jesus se doar por nós, sempre e totalmente

Os líderes das Instituições e Organizações de Ajuda à Igreja na América Latina, reunidos em encontro em Bogotá, na Colômbia, receberam uma mensagem do Papa nesta terça-feira (5). O Pontífice refletiu sobre o valor da gratuidade, afirmou que "o esforço não é inútil" e que "abraçar a cruz não é um sinal de fracasso", ao contrário: "a gratuidade é imitar o modo de Jesus se doar por nós, seu Povo, sempre e totalmente, apesar da nossa pobreza".

O Papa Francisco buscou nas ferramentas do jornalista os elementos para refletir sobre o tema da gratuidade - daquilo que é ofertado gratuitamente sem necessidade que seja pago ou traga algum resultado, por exemplo. Em mensagem enviada nesta terça-feira (5) aos líderes de Instituições e Organizações de Ajuda à Igreja na América Latina, reunidos até sexta (8) em Bogotá, na Colômbia, o Pontífice explorou o argumento, sugerindo se concentrar "no que Jesus nos pede e no que o Evangelho nos diz", tentando usar as questões fundamentais para compor o primeiro parágrafo de uma notícia (lead), ou seja, respondendo às seguintes perguntas sobre a gratuidade: "Quem dá? O que se dá? Onde se dá? Como se dá? Quando se dá? Por que se dá? Para que se dá?".

No texto em espanhol, também dirigido ao cardeal Robert Prevost, presidente da Pontifícia Comissão para a América Latina (CAL) que promove o evento, o Papa alertou que, "quando fazemos um esforço" nesse percurso, é natural esperar por um resultado, para não "ser considerado um fracasso" ou pensar que o trabalho foi em vão. "Mas essa percepção parece ser contrária à gratuidade, que evangelicamente se define como dar sem esperar nada em troca (cf. Lc 6:35). Como conciliar as duas dinâmicas?", então, propôs Francisco, ao usar a regra jornalística do lead.

Começou, assim, respondendo a primeira pergunta, sobre quem dá a gratuidade: é Deus, "e nós somos apenas administradores dos bens recebidos". Ao responder sobre o que o Senhor nos dá, Francisco afirmou que "a resposta é simples: nos deu tudo":

"Tudo o que temos ou é Deus ou é prova e penhor do seu amor. Se perdermos essa consciência ao dar e também ao receber, pervertemos sua essência e a nossa própria. De administradores solícitos de Deus (cf. Lc 12:42), passamos a ser escravos do dinheiro (cf. Mt 6:24) e, subjugados pelo medo de não ter (v. 25), entregamos nosso coração ao tesouro da falsa segurança econômica, da eficiência administrativa, do controle, de uma vida tranquila (v. 20)."

A reflexão do Papa também abriu espaço para que os líderes se questionassem onde acontece a entrega do Senhor. Francisco recordou que Ele tem se doado a nós "desde a criação", "permanecendo fiel apesar das repetidas infidelidades" e "com sua encarnação, sua cruz, seus sacramentos. Deus se dá, em uma palavra, no meio do seu povo". 

Então, como e quando o Senhor se entrega ao seu povo? "É muito simples: sempre e totalmente", disse Francisco, porque Deus não impõe limites, "mil vezes pecamos, mil vezes nos perdoa":

"Na Sagrada Comunhão, não recebemos um pedacinho de Jesus, mas todo Ele em corpo e sangue, alma e divindade. É isso que Deus faz, até o ponto de se tornar pobre por nós, a fim de nos enriquecer com sua pobreza (cf. 2Cor 8,9)."

“Portanto, podemos concluir que a gratuidade é imitar o modo de Jesus se doar por nós, seu Povo, sempre e totalmente, apesar da nossa pobreza.”

por quê? Por causa do amor, afirmou o Papa Francisco. Porque, "o amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta" (1 Cor 13:4-7). O Pontífice assim terminou a reflexão sobre o gesto da gratuidade, destacando para que a força da generosidade é importante na prática diária das Instituições e Organizações de Ajuda à Igreja na América Latina:

"Por isso que o esforço não é inútil, porque tem um fim. Ao nos doarmos assim, imitamos Jesus, que se entregou para salvar todos nós. Abraçar a cruz não é um sinal de fracasso, não é um trabalho em vão, é nos unirmos à missão de Jesus de levar 'a Boa Nova aos pobres, proclamar a liberdade aos presos e a recuperação da vista aos cegos, libertar os oprimidos" (Lc 4,18). É tocar concretamente a ferida daquele irmão, daquela comunidade, que tem um nome, que tem um valor infinito para Deus, para dar-lhe luz, fortalecer suas pernas, limpar sua miséria, dando-lhe a oportunidade de responder ao projeto de amor que o Senhor tem para eles, pedindo de joelhos que, ao chegar lá, Jesus encontre fé naquela terra (cf. Lc 18,8)."

Andressa Collet - Vatican News

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                                                                                                        Fonte: vaticannews.va

Reflita com o padre Zezinho:

Nenhum pregador tem este direito!...

Pe. Zezinho, scj |||||||||||||||||||||||||||||||||

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Tenho a coragem de ensinar que o Céu está apinhado de santos e santas. Se o Evangelho funciona, então todos os que foram caridosos e fraternos estão lá com Jesus!

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Mas não tenho a mesma coragem de certos pregadores de mídia e de microfone na mão que garantem que o “inferno está cheio de pecadores que não se arrependeram.”

Talvez estes pregadores saibam o que a nossa Igreja não saiba.

Eu, por exemplo, não sei como foram os últimos momentos da maioria absoluta dos humanos que já morreram.

É muita pretensão um pregador garantir que “o inferno está cheio de pecadores”. Como ele sabe?

Dimas era um ladrão e morreu arrependido. Um pedido de perdão bastou para salvá-lo.

Aprendi há mais de 60 anos que a consciência de cada ser humano o coloca frente a frente com Deus. É assunto dele com seu Criador!

E aprendi nos meus cursos de Teologia que não é o pregador que decreta quem está no Céu ou no Inferno. A decisão está com Deus e com a pessoa em agonia.

A catequese católica não permite que coloquemos ninguém no inferno.

O mínimo que devemos e podemos é colocar a pessoa pecadora no colo de Deus. O resto não é com um pregador de microfone em punho e com a ousadia de colocar os outros no inferno!

Até porque nós pregadores também somos pecadores! Que direito temos de decretar que alguém está no inferno? Só Deus pode saber quais foram os últimos momentos de uma vida.

A BÍBLIA DIZ que Deus é benigno, bondoso, compassivo e rico em misericórdia e que sua misericórdia dura para sempre (Sl 136, 1-26)

O inferno é uma realidade. Mas decretar quem foi ou vai para lá não é tarefa de nenhum pregador da fé!

Jesus veio ao mundo não para condenar. Veio para salvar (Leia São João por inteiro!)

ENTÃO deixemos que Deus decida! A nós cabe orar para que todos nós discípulos de Jesus, um dia nos convertamos.

Você acha que fulano de tal é um grande pecador? Então ore por ele e pare de dizer que ele irá para o inferno e você irá para o Céu!

Isto é coisa que nem eu nem você sabemos!

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                                                                                             Fonte: facebook.com/padrezezinho

segunda-feira, 4 de março de 2024

Reflexão muito oportuna:

Confissão Quaresmal!

Neste tempo sagrado da Quaresma, nos voltamos a Deus de todo o coração, reconhecendo nossas fraquezas e pecados, e buscando a reconciliação com Ele. Uma maneira poderosa de realizar isso é por meio do sacramento da confissão, que nos oferece a oportunidade de nos arrependermos sinceramente de nossos pecados e de recebermos o perdão misericordioso de Deus. 

A Palavra de Deus nos ensina sobre a importância da confissão e do arrependimento sincero. Em 1 João 1,9, lemos: “Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.” Essa passagem nos lembra do amor infinito de Deus, que está sempre pronto para nos perdoar quando nos aproximamos dele com um coração contrito. 

Além disso, Jesus mesmo instituiu o sacramento da Confissão quando disse aos seus discípulos em João 20,23: “A quem perdoardes os pecados, eles lhes são perdoados; a quem os retiverdes, eles lhes são retidos.” Essas palavras destacam o poder que Jesus concedeu à sua Igreja para perdoar os pecados em Seu nome, oferecendo-nos uma maneira concreta de recebermos o perdão de Deus. 

A confissão deve ser precedida de um acurado exame de consciência quando – de maneira didática – escrevemos num papel os nossos pecados para depois enumerá-los para o sacerdote no confessionário. Não devemos esquecer nenhum de nossos pecados. A confissão é completa de todos os pecados. 

Durante a Quaresma, somos convidados a nos aproximarmos do sacramento da confissão – de maneira auricular – ou seja, no confessionário, com humildade e sinceridade de coração. Devemos começar fazendo um exame de consciência, refletindo sobre nossas ações, palavras e pensamentos à luz dos mandamentos de Deus e da lei do amor ao próximo. 

Ao nos confessarmos, devemos nos arrepender sinceramente de nossos pecados, reconhecendo nossa necessidade do perdão de Deus e nosso desejo de mudar de vida. Devemos relatar nossos pecados ao sacerdote de maneira clara e honesta, sem omitir nada que seja grave. 

Após confessarmos nossos pecados, o sacerdote nos dará uma penitência para cumprir, como sinal de nosso arrependimento e disposição de reparar o mal que fizemos. Devemos realizar essa penitência com sinceridade e ter um firme propósito de emenda, buscando evitar os pecados no futuro. 

Por fim, ao recebermos a absolvição do sacerdote, experimentamos a maravilhosa graça do perdão de Deus, que nos reconcilia com Ele e com a comunidade cristã. Que possamos aproveitar este tempo da Quaresma para nos reconciliarmos com Deus por meio do sacramento da confissão, renovando nossa fé e nossa vida espiritual. 

Que Deus nos conceda a graça de nos aproximarmos do sacramento da confissão com humildade e sinceridade de coração, para que possamos experimentar a alegria do perdão e da reconciliação com Ele. Amém. 

Dom Anuar Battisti - Arcebispo Emérito de Maringá (PR) 

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                                                                 Fonte: cnbb.org.br     Foto: vaticannews.va  

domingo, 3 de março de 2024

Papa Francisco no Angelus deste domingo:

"fazer ao nosso redor mais casa
e menos mercado, espalhar a fraternidade”

Francisco reza a Oração mariana do Angelus com os fiéis reunidos na Praça São Pedro e recorda a advertência de Jesus: "não façam da casa de meu Pai um mercado".

"O convite para o nosso caminho de Quaresma é fazer com que em nós e ao nosso redor haja mais casa e menos mercado. Antes de tudo, em direção a Deus. Rezando muito,  como filhos que batem incansavelmente e com confiança à porta do Pai, e não como vendedores avaros e desconfiados. E depois, espalhando a fraternidade. Há necessidade". Foi o que disse o Papa Francisco no Angelus deste Terceiro Domingo da Quaresma, na Praça São Pedro.

O Evangelho de hoje – disse o Santo Padre na alocução que precedeu o Angelus - nos mostra uma cena dura: Jesus que expulsa os vendilhões do templo. Ele afasta os vendedores, derruba os bancos dos cambistas e admoesta a todos dizendo: "Não façam da casa de meu Pai um mercado". O Papa se detém exatamente no contraste entre casa e mercado: são, de fato, duas maneiras diferentes de se apresentar diante do Senhor.

"No templo, entendido como um mercado, para estar de bem com Deus, bastava comprar um cordeiro, pagá-lo e consumi-lo nas brasas do altar". Comprar, pagar, consumir, e depois cada um para casa sua, frisou o Papa.

No templo, porém, entendido como casa, acontece o contrário: a pessoa vai ao encontro do Senhor, une-se a Ele e aos irmãos, para compartilhar alegrias e tristezas.

Ainda mais: "no mercado, joga-se com o preço, em casa não se calcula; no mercado, busca-se o próprio interesse, em casa, dá-se gratuitamente". E Francisco sublinha:

“Jesus é duro hoje porque não aceita que o templo-mercado substitua o templo-casa, que o relacionamento com Deus seja distante e comercial em vez de próximo e confiante, que os bancos de vendas tomem o lugar da mesa da família, os preços o lugar dos abraços e as moedas o lugar das carícias. Pois, dessa forma, cria-se uma barreira entre Deus e o homem e entre irmão e irmão, ao passo que Cristo veio para trazer comunhão, misericórdia e proximidade”.

Então, vamos nos perguntar, continuou Francisco: antes de tudo, como é minha oração? É um preço a pagar ou é um momento de entrega confiante, em que não olho para o relógio? E como são meus relacionamentos com os outros? Sei como dar sem esperar pela reciprocidade? Sei dar o primeiro passo para quebrar os muros do silêncio e os vazios das distâncias?

E conclui pedindo que Maria nos ajude a "fazer casa" com Deus, entre nós e ao nosso redor.

Silvonei José – Vatican News

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Assista:

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Francisco sobre Oriente Médio:

chega, por favor! Parem!

O Papa encoraja a continuar as negociações para um cessar-fogo imediato em Gaza e em toda a região. "E, por favor, não nos esqueçamos da martirizada Ucrânia, onde muitos morrem todos os dias. Há muita dor lá".

Forte apelo do Papa Francisco no Angelus deste domingo, também sobre o desarmamento.

“Carrego diariamente em meu coração, com dor, o sofrimento das populações da Palestina e de Israel devido às hostilidades em curso, disse o Santo Padre. Os milhares de mortos, feridos, desabrigados e imanes destruições causam dor, e isso com consequências terríveis para os pequenos e indefesos, que veem seu futuro comprometido”.

Francisco então se pergunta: “verdadeiramente se pensa em construir um mundo melhor dessa forma, se pensa realmente em alcançar a paz? Chega, por favor! Vamos todos dizer: chega, por favor! Parem!

O Papa então encoraja a continuar as negociações para um cessar-fogo imediato em Gaza e em toda a região, “para que os reféns possam ser libertados imediatamente e retornem aos seus entes queridos, que aguardam ansiosamente, e para que a população civil possa ter acesso seguro às devidas e urgentes ajudas humanitárias”.

"E, por favor, não nos esqueçamos da martirizada Ucrânia, onde muitos morrem todos os dias. Há muita dor lá", reafirmou o Santo Padre.

Em seguida o Papa Francisco recordou que no dia 5 de março celebra-se o segundo Dia Internacional de Conscientização sobre Desarmamento e Não-Proliferação. “Quantos recursos – disse- são desperdiçados em gastos militares que, devido à situação atual, infelizmente continuam a aumentar!

E Francisco faz mais um apelo: “espero sinceramente que a comunidade internacional compreenda que o desarmamento é, antes de tudo, um dever, o desarmamento é um dever moral. Vamos colocar isso em nossas cabeças. E isso requer a coragem de todos os membros da grande família de nações de passar do equilíbrio do medo para o equilíbrio da confiança”.

O Santo Padre fez ainda uma saudação a todos os fiéis presentes, romanos e peregrinos de vários países, entre os quais os estudantes da Universidade Sénior de Vila Pouca de Aguiar, em Portugal. E o agradecimento aos jovens ucranianos que a Comunidade de Sant'Egidio convocou para o tema "Vencer o mal com o bem. Oração, pobres, paz". “Queridos jovens, obrigado por seu compromisso com aqueles que mais sofrem com a guerra. Obrigado!”

Silvonei José - Vatican News

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                                                                                                        Fonte: vaticannews.va

sábado, 2 de março de 2024

Refletir é bom e necessário:

O amor não se compra

José Antonio Pagola

Quando Jesus entra no Templo de Jerusalém não encontra pessoas que buscam a Deus, mas comércio religioso. Sua atuação violenta diante dos “vendedores e cambistas” não é senão a reação do Profeta que se encontra com a religião convertida em mercado.

Aquele Templo, chamado a ser o lugar em que se havia de manifestar a glória de Deus e seu amor fiel, converteu-se em lugar de enganos e abusos, onde reina o afã por dinheiro e o comércio interessado.

Quem conhece Jesus não estranhará sua indignação. Se algo aparece constantemente no próprio núcleo de sua mensagem é a gratuidade de Deus, que ama seus filhos e filhas sem limites e só quer ver entre eles amor fraterno e solidário.

Por isso, uma vida convertida em mercado onde tudo se compra e se vende, inclusive a relação com o mistério de Deus, é a perversão mais destruidora do que Jesus quer promover. É certo que nossa vida só é possível a partir do intercâmbio e do mútuo serviço. Todos vivemos dando e recebendo. O risco está em reduzir nossas relações a comércio interessado, pensando que na vida tudo consiste em vender e comprar, tirando o máximo proveito dos outros.

Quase sem dar-nos conta, podemos converter-nos em “vendedores e cambistas” que não sabem fazer outra coisa senão negociar. Homens e mulheres incapacitados para amar, que eliminaram de sua vida tudo o que seja dar.

É fácil então a tentação de negociar inclusive com Deus. Obsequia-se Deus com algum culto para ficar bem com Ele, pagam-se missas ou se fazem promessas para obter dele algum benefício, cumprem-se ritos para tê-lo a nosso favor. O grave é esquecer que Deus é amor, e o amor não se compra. Por alguma razão, dizia Jesus que Deus “quer amor e não sacrifícios”.

Talvez o mais importante que precisamos escutar hoje na Igreja é o anúncio da gratuidade de Deus. Num mundo convertido em mercado, onde tudo é exigido, comprado ou ganho, só o gratuito pode continuar fascinando e surpreendendo, pois é o sinal mais autêntico do amor.

Nós, crentes, devemos estar atentos para não desfigurar um Deus que é amor gratuito, fazendo-o à nossa medida: tão triste, egoísta e pequeno como nossas vidas mercantilizadas.

Quem conhece “a sensação da graça” e experimentou alguma vez o amor surpreendente de Deus, sente-se convidado a irradiar sua gratuidade e, provavelmente, é quem melhor pode introduzir algo bom e novo nesta sociedade onde tantas pessoas morrem de solidão, de tédio e de falta de amor.

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JOSÉ ANTONIO PAGOLA cursou Teologia e Ciências Bíblicas na Pontifícia Universidade Gregoriana, no Pontifício Instituto Bíblico de Roma e na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém. É autor de diversas obras de teologia, pastoral e cristologia. Atualmente é diretor do Instituto de Teologia e Pastoral de São Sebastião. Este comentário é do livro “O Caminho Aberto por Jesus”, da Editora Vozes.

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                                                       Fonte: franciscanos.org.br        Banner: Frei Fábio M. Vasconcelos 

sexta-feira, 1 de março de 2024

Papa Francisco a participantes de conferência:

o perigo mais feio
é a ideologia de gênero, que anula as diferenças

Francisco recebeu os participantes da conferência “"Homem-Mulher, imagem de Deus. Por uma antropologia das vocações", promovida pelo Centro de Pesquisa e Antropologia das Vocações. Devido a um resfriado, o Papa pediu ao seu colaborador mons. Ciampanelli para ler o texto preparado, mas numa breve saudação improvisada, volta a estigmatizar a ideologia de gênero que cancela as diferenças: "Cancela a humanidade".

O Papa Francisco recebeu em audiência, nesta sexta-feira (1°/03), no Vaticano, os participantes do encontro internacional "Homem-Mulher, imagem de Deus. Por uma antropologia das vocações", promovido pelo Centro de Pesquisa e Antropologia das Vocações (CRAV) e coordenado pelo prefeito emérito do Dicastério para os Bispos, cardeal Marc Ouellet. O encontro se realiza, no Vaticano, neste 1° de março e no sábado, dia 2, e reúne vários estudiosos, filósofos, teólogos e pedagogos para refletir sobre a antropologia cristã, o pluralismo, o diálogo entre culturas, e o futuro do cristianismo.

Antes de seu discurso, lido pelo seu colaborador o mons. Filippo Ciampanelli, porque o Papa ainda está resfriado e se cansa quando lê, Francisco proferiu algumas breves palavras.

Encontro importante entre homens e mulheres

Gostaria de sublinhar uma coisa: é muito importante que haja este encontro, este encontro entre homens e mulheres, porque hoje o perigo mais feio é a ideologia de gênero, que anula as diferenças. Pedi para fazer estudos sobre essa ideologia ruim do nosso tempo, que apaga as diferenças e torna tudo igual; cancelar a diferença é cancelar a humanidade. Homem e mulher, porém, vivem uma "tensão" fecunda.

A seguir, o Papa disse que leu um romance do início do século XX, escrito pelo filho do arcebispo de Cantuária intitulado: "O Senhor do Mundo". Segundo Francisco, "o romance fala do futurismo e é profético, pois mostra essa tendência de cancelar todas as diferenças". "É interessante lê-lo, porque há esses problemas de hoje. Aquele homem era um profeta", sublinhou.


A seguir, o mons. Ciampanelli leu o discurso do Papa, que destaca que "o objetivo desta conferência é, primeiramente, considerar e valorizar a dimensão antropológica de cada vocação. Isto remete-nos para uma verdade elementar e fundamental, que hoje precisamos redescobrir em toda a sua beleza: a vida do ser humano é uma vocação. Não nos esqueçamos: a dimensão antropológica, subjacente a cada chamado no âmbito da comunidade, tem a ver com uma característica essencial do ser humano como tal: isto é, que o próprio homem é vocação".

Em seu discurso, o Pontífice ressalta que "cada um de nós, tanto nas grandes escolhas que dizem respeito a um estado de vida quanto nas muitas ocasiões e situações em que elas se encarnam e tomam forma, descobre e se expressa como chamado, como uma pessoa que se realiza na escuta e na resposta, compartilhando seu ser e seus dons com os outros para o bem comum".

Identidade em relação

Segundo o Papa, "esta descoberta nos tira do isolamento de um eu autorreferencial e nos faz olhar para nós mesmos como uma identidade em relação: eu existo e vivo em relação a quem me gerou, à realidade que me transcende, aos outros e ao mundo que me circunda, em relação ao qual sou chamado a abraçar com alegria e responsabilidade uma missão específica e pessoal".

De acordo com Francisco, "essa verdade antropológica é fundamental porque responde plenamente ao desejo de realização humana e de felicidade que habita em nosso coração".

No contexto cultural atual, às vezes há uma tendência a esquecer ou obscurecer essa realidade, com o risco de reduzir o ser humano apenas às suas necessidades materiais ou exigências primárias, como se fosse um objeto sem consciência ou vontade, simplesmente arrastado pela vida como parte de uma engrenagem mecânica.

Neste sentido, o Papa recomenda não sufocar a "saudável tensão interior" que cada um carrega dentro de si, ou seja, o chamado "à felicidade, à plenitude da vida, a algo grande a que Deus nos destinou".

A vida de cada um não é um acidente de percurso

A vida de cada um de nós, sem exceção, não é um acidente de percurso; a nossa existência no mundo não é mero fruto do acaso, mas fazemos parte de um plano de amor e somos convidados a sair de nós mesmos e realizá-lo, para nós e para os outros.

Segundo o Papa, "cada um de nós tem uma missão, ou seja, é chamado a dar a sua contribuição para melhorar o mundo e moldar a sociedade". Francisco encoraja as pesquisas, os estudos e as oportunidades de debates sobre as vocações, os diferentes estados de vida e a multiplicidade de carismas: "São também úteis para nos questionar sobre os desafios de hoje, sobre a crise antropológica em andamento e sobre a necessária promoção das vocações humanas e cristãs." É importante também que se desenvolva "uma circularidade cada vez mais eficaz entre as diferentes vocações", para que as obras que surgem do estado de vida laical a serviço da sociedade e da Igreja, junto com o dom do ministério ordenado e da vida consagrada, possam contribuir para gerar esperança num mundo sobre o qual pairam pesadas experiências de morte".

Por fim, o Papa desejou a todos um bom trabalho e disse-lhes "para não terem medo nestes momentos tão ricos na vida da Igreja".

O Espírito Santo nos pede algo importante: fidelidade. Mas a fidelidade está a caminho e muitas vezes a fidelidade nos leva a arriscar. A “fidelidade de museu” não é fidelidade. Sigam em frente com a coragem de discernir e se arriscar, buscando a vontade de Deus. Coragem e sigam em frente, sem perder o senso de humor!

Mariangela Jaguraba - Vatican News

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3º Domingo da Quaresma:

Leituras e Reflexão

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1ª Leitura: Êx 20,1-17

Leitura do Livro do Gênesis 

Eu sou o Senhor teu Deus que te tirou do Egito, da casa da escravidão. Não terás outros deuses além de mim. Não farás para ti imagem esculpida nem figura alguma do que existe em cima, nos céus, ou embaixo, na terra, ou do que existe nas águas, debaixo da terra. Não te prostrarás diante desses deuses nem lhes prestarás culto, pois eu sou o Senhor teu Deus, um Deus ciumento. Castigo a culpa dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração dos que me odeiam, mas uso da misericórdia por mil gerações com aqueles que me amam e guardam os meus mandamentos. Não pronunciarás o nome do Senhor teu Deus em vão, porque o Senhor não deixará sem castigo quem pronunciar seu nome em vão. Lembra-te de santificar o dia de sábado. Trabalharás durante seis dias e farás todos os teus trabalhos, mas o sétimo dia é sábado dedicado ao Senhor teu Deus. Não farás trabalho algum, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem teu escravo, nem tua escrava, nem teu gado, nem o estrangeiro que vive em tuas cidades. Porque o Senhor fez em seis dias o céu, a terra e o mar e tudo o que eles contêm; mas no sétimo dia descansou. Por isso o Senhor abençoou o dia do sábado e o santificou. Honra teu pai e tua mãe, para que vivas longos anos na terra que o Senhor teu Deus te dará. Não matarás. Não cometerás adultério. Não furtarás. Não levantarás falso testemunho contra o teu próximo. Não cobiçarás a casa do teu próximo. Não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem seu escravo, nem sua escrava, nem seu boi, nem seu jumento, nem coisa alguma que lhe pertença”.

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Responsório: Sl 18(19)

- Senhor, tens palavras de vida eterna.

- Senhor, tens palavras de vida eterna.

- A lei do Senhor Deus é perfeita, / conforto para a alma! / O testemunho do Senhor é fiel, / sabedoria dos humildes. 

- Os preceitos do Senhor são precisos, / alegria ao coração. / O mandamento do Senhor é brilhante, / para os olhos é uma luz. 

- É puro o temor do Senhor, / imutável para sempre. / Os julgamentos do Senhor são corretos / e justos igualmente. 

- Mais desejáveis do que o ouro são eles, / do que o ouro refinado. / Suas palavras são mais doces que o mel, / que o mel que sai dos favos. 

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2ª Leitura: 1Cor 1,22-25
Leitura da Carta de São Paulo aos Romanos

Irmãos, os judeus pedem sinais milagrosos, os gregos procuram sabedoria; nós, porém, pregamos Cristo crucificado, escândalo para os judeus e insensatez para os pagãos. Mas para os que são chamados, tanto judeus como gregos, esse Cristo é poder de Deus e sabedoria de Deus. Pois o que é dito insensatez de Deus é mais sábio do que os homens, e o que é dito fraqueza de Deus é mais forte do que os homens.

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Evangelho: Jo 2,13-25

Proclamação do Evangelho de São  João

A Páscoa dos judeus estava próxima, e Jesus subiu para Jerusalém. No Templo, Jesus encontrou os vendedores de bois, ovelhas e pombas, e os cambistas sentados. Então fez um chicote de cordas e expulsou todos do Templo junto com as ovelhas e os bois; esparramou as moedas e derrubou as mesas dos cambistas. E disse aos que vendiam pombas: «Tirem isso daqui! Não transformem a casa de meu Pai num mercado.» Seus discípulos se lembraram do que diz a Escritura: «O zelo pela tua casa me consome.»

Então os dirigentes dos judeus perguntaram a Jesus: «Que sinal nos mostras para agires assim?» Jesus respondeu: «Destruam esse Templo, e em três dias eu o levantarei.» Os dirigentes dos judeus disseram: «A construção desse Templo demorou quarenta e seis anos, e tu o levantarás em três dias?» Mas o Templo de que Jesus falava era o seu corpo. Quando ele ressuscitou, os discípulos se lembraram do que Jesus tinha dito e acreditaram na Escritura e na palavra de Jesus.

Jesus conhece o homem por dentro. Jesus estava em Jerusalém durante a festa da Páscoa. Vendo os sinais que ele fazia, muitos acreditaram no seu nome. Mas Jesus não confiava neles, pois conhecia a todos. Ele não precisava de informações a respeito de ninguém, porque conhecia o homem por dentro.

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Reflexão do padre Johan Konings:

A aliança de Deus e a cruz de Cristo

A Quaresma é tempo de preparação ou de renovação batismal. No afã de instruir os fiéis, a liturgia do 3º domingo apresenta os Dez Mandamentos (1ª leitura). Não são meros “preceitos”. A primeira frase não é um preceito, mas a expressão do benefício que Deus prestou a seu povo. “Eu sou o Senhor, teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa de escravidão”. Os Dez Mandamentos têm a forma de uma “aliança”, de um pacto entre um soberano e seus subalternos. O soberano “entra” com sua proteção e força, os subalternos com sua colaboração. Deus mostrou sua força, tirando o povo do Egito. Agora, os subalternos vão colaborar, observando as regras necessárias para que o povo que Deus escolheu para si fique em pé. São regras vitais: respeitar e adorar a ele só, e respeitar-se mutuamente, na justiça e na solidariedade. Estas duas regras são necessárias para que o povo não se desintegre pela divisão religiosa e pela divisão político-social. São as duas tábuas da Lei: o amor a Deus e o amor ao próximo. Desde então fazem parte do catecismo, até hoje.

Esse Deus, que nos manda adorar a si e amar os nossos irmãos, dá-se a conhecer de forma sempre mais concreta através da História. Os antigos israelitas o concebiam sobretudo como “o Senhor dos Exércitos”, o Todo-Poderoso, que os tirou do Egito. São Paulo, porém, depois que se converteu a Jesus de Nazaré, percebeu Deus de outra maneira. Deus não se manifesta só no poder; em Jesus, manifestou-se na fraqueza da cruz, “escândalo para os judeus e loucura para os pagãos”( 2ª leitura). Loucura também para os cristãos de nome que somos nós, que preferimos cuidar de nosso próprio proveito, enquanto mais que a metade da humanidade vive na miséria, e isso, bem perto de nós.

Esse Deus da “loucura do amor”, que se manifesta em Jesus, é o centro do evangelho de hoje, que orienta nosso olhar para a obra do amor fiel que Jesus levará a termo em Jerusalém. Jesus entra no Templo, irrita-se com os abusos – comércio em vez de oração – e expulsa, até com chicote, os animais do sacrifício e os vendedores. Ora, expulsando, na véspera da Páscoa, os animais do sacrifício – um para cada família de peregrinos – ele põe fim ao regime do Templo (que servia exatamente para os sacrifícios dos animais). O evangelista acrescenta que os discípulos mais tarde entenderam que a esse gesto se referiam as palavras do Sl 69,10: “O zelo por tua casa me devorará”. E quando os chefes exigem um sinal de sua autoridade, Jesus responde: “Destruí este santuário, eu o reerguerei em três dias”. O evangelista explica que ele falava da ressurreição, do templo de seu corpo, que desde agora toma o lugar do templo de pedra. Jesus é o lugar do verdadeiro culto, da verdadeira adoração, do encontro com Deus. Jesus crucificado.

Jesus renovou a primeira Aliança, a de Moisés e da Lei, no dom de sua própria vida. Este dom é agora o centro de nossa religião, de nossa busca de Deus. Uma vida que não vai em direção da cruz não é cristã.

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PE. JOHAN KONINGS nasceu na Bélgica em 1941, onde se tornou Doutor em Teologia pela Universidade Católica de Lovaina, ligado ao Colégio para a América Latina (Fidei Donum). Veio ao Brasil, como sacerdote diocesano, em 1972. Em 1985 entrou na Companhia de Jesus (Jesuítas) e, desde 1986, atuou como professor de exegese bíblica na FAJE, Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Faleceu no dia 21 de maio de 2022. Este comentário é do livro “Liturgia Dominical, Editora Vozes.

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Reflexão em vídeo de Frei Gustavo Medella


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    Fonte: franciscanos.org.br    BannerFr. Fábio M. Vasconcelos    Imagem:  vaticannews.va