sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

Domingo do Batismo do Senhor:

Leituras e reflexão
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1ª Leitura: Is 42,1-4.6-7

Leitura do Livro do profeta Isaías:

Assim fala o Senhor: “Eis o meu servo – eu o recebo; eis o meu eleito – nele se compraz minh’alma; pus meu espírito sobre ele, ele promoverá o julgamento das nações. Ele não clama nem levanta a voz, nem se faz ouvir pelas ruas. Não quebra uma cana rachada nem apaga um pavio que ainda fumega; mas promoverá o julgamento para obter a verdade. Não esmorecerá nem se deixará abater, enquanto não estabelecer a justiça na terra; os países distantes esperam seus ensinamentos. Eu, o Senhor, te chamei para a justiça e te tomei pela mão; eu te formei e te constituí como o centro de aliança do povo, luz das nações, para abrires os olhos dos cegos, tirares os cativos da prisão, livrares do cárcere os que vivem nas trevas”.

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 Salmo Responsorial: 28
- Que o Senhor abençoe, com a paz, o seu povo!

- Que o Senhor abençoe, com a paz, o seu povo!

- Filhos de Deus, tributai ao Senhor,/ tributai-lhe a glória e o poder!/ Dai-lhe a glória devida ao seu nome;/ adorai-o com santo ornamento!

- Eis a voz do Senhor sobre as águas,/ sua voz sobre as águas imensas!/ Eis a voz do Senhor com poder!/ Eis a voz do Senhor majestosa!

- Sua voz no trovão reboando!/ No seu templo os fiéis bradam: “Glória!”/ É o Senhor que domina os dilúvios,/ o Senhor reinará para sempre!

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2ª Leitura: At 10,34-38

Leitura dos Atos dos Apóstolos:

Naqueles dias, Pedro tomou a palavra e disse: “De fato, estou compreendendo que Deus não faz distinção entre as pessoas. Pelo contrário, ele aceita quem o teme e pratica a justiça, qualquer que seja a nação a que pertença. Deus enviou sua palavra aos israelitas e lhes anunciou a Boa-nova da paz, por meio de Jesus Cristo, que é o Senhor de todos. Vós sabeis o que aconteceu em toda a Judeia, a começar pela Galileia, depois do batismo pregado por João: como Jesus de Nazaré foi ungido por Deus com o Espírito Santo e com poder. Ele andou por toda a parte, fazendo o bem e curando a todos os que estavam dominados pelo demônio; porque Deus estava com ele”.

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Evangelho:  Mc 1,7-11
Leitura do Evangelho de São Marcos:

Naquele tempo, João Batista pregava, dizendo: “Depois de mim virá alguém mais forte do que eu. Eu nem sou digno de me abaixar para desamarrar suas sandálias. Eu vos batizei com água, mas ele vos batizará com o Espírito Santo”. Naqueles dias, Jesus veio de Nazaré da Galileia e foi batizado por João no rio Jordão. E logo, ao sair da água, viu o céu se abrindo, e o Espírito, como pomba, descer sobre ele. E do céu veio uma voz: “Tu és o meu Filho amado, em ti ponho meu bem-querer”.

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Reflexão do Pe. Johan Konings:

Jesus, profeta, servo e filho de Deus

Natal se prolonga nas festas da Epifania e do Batismo de Jesus. Todas estas festas têm em comum a ideia da manifestação de Deus ao mundo, em Jesus de Nazaré.

Ora, o primeiro a quem Deus se manifestou foi o próprio Jesus. Manifestou-se a ele para lhe confiar a missão.

A 1ª leitura apresenta o “Servo de Deus” de que fala o profeta Isaías. “Servo” (= ministro, encarregado) é um título do rei, do profeta ou até do próprio povo da Aliança. Na sua disposição a executar o projeto de Deus, tal “servo” prefigura Jesus.

Quando, depois de Pentecostes, os Apóstolos proclamam Jesus (2ª leitura), chamam-no com o nome bíblico de “Ungido de Deus”, em hebraico: messias – ungido com o Espírito Santo.

É isso que o evangelho descreve. Jesus tinha-se integrado no movimento João Batista, o novo profeta, que fez ressoar novamente a voz profética, silenciada durante séculos. Agora, no momento em que Jesus recebe das mãos de João a aspersão do batismo no rio Jordão, Deus lhe dá “sinal verde” para a própria missão: “Tu és o meu filho, em ti repousa meu pleno agrado”. “Filho de Deus” era o título dado ao rei (Davi). Num sentido infinitamente mais rico, este título cabe a Jesus. Deus estabelece Jesus portador de seu “beneplácito “, nomeia-o realizador de seu reinado. Desce sobre Jesus o Espírito de Deus: sua força, seu dinamismo, seu calor, sua sabedoria … O reinado que ele vai implantar supera de longe o de Davi. É um projeto divino, para que Deus reine nos corações humanos e em todas as estruturas da comunidade humana, e para que seus “aliados” realizem a justiça e o amor.

Jesus aceitou sua “nomeação”. Assumiu sua missão e deu a vida para cumpri-la: para desmascarar o cinismo e a hipocrisia dos chefes religiosos e políticos; para ensinar o plano de Deus ao povo, entregue às mãos dos poderosos; para formar um grupo de discípulos que entendessem sua proposta – ao menos, depois de sua morte e ressurreição …

Celebramos hoje que Jesus assumiu a realização da vontade do Pai, a “justiça “. Anunciou aos que mais a esperavam – os pobres, os excluídos – a libertação do regime que domina este mundo. Mas ele não quis ficar sozinho. Formou uma comunidade que continuasse sua missão. Os que sucedem Jesus no empenho pelo reinado de Deus terão de trilhar seu caminho, inserir-se nos movimentos que buscam a justiça concebida por Deus, assim como Jesus se inseriu no movimento lançado por João Batista. Sobretudo, deveremos prestar nosso ouvido e nosso coração a essa voz bem especial que nos faz descobrir aquele que nos envia como “Pai”: “Chamados filhos de Deus, o sejamos de fato” (oração final).

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PE. JOHAN KONINGS nasceu na Bélgica em 1941, onde se tornou Doutor em Teologia pela Universidade Católica de Lovaina, ligado ao Colégio para a América Latina (Fidei Donum). Veio ao Brasil, como sacerdote diocesano, em 1972. Em 1985 entrou na Companhia de Jesus (Jesuítas) e, desde 1986, atua como professor de exegese bíblica na FAJE, Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Este comentário é do livro “Liturgia Dominical, Editora Vozes.

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                                                      Fonte e ilustração: franciscanos.org.br       Banner: cnbb.org.br

quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

Papa aos cristãos das Igrejas Orientais:

um Santo Natal à luz de Cristo, nossa paz e esperança

As felicitações de Natal, comemorado por muitas Igrejas Orientais que seguem o calendário juliano, vieram do Papa Francisco, através do Twitter e da mensagem no Angelus de ontem (6), e também do líder da Igreja Greco-Católica da Ucrânia. O arcebispo-mor de Kiev-Halyic, Sua Beatitude Sviatoslav Shevchuk, se inspirou no anjo do Senhor para dirigir uma mensagem aos fiéis do mundo neste 7 de janeiro: "Não temais, pois eu vos anuncio uma grande alegria!"

Papa aos cristãos das Igrejas Orientais

Gabriella Ceraso e Andressa Collet - Vatican News O Papa Francisco lançou um tweet nesta quinta-feira (7) por ocasião do dia de Natal festejado por muitos cristãos, na maioria ortodoxos, que festejam o nascimento de Jesus ao seguir o calendário juliano. Diz a mensagem do Pontífice, em referência ao Angelus desta quarta-feira (6), de Solenidade da Epifania do Senhor, quando já antecipava uma saudação especial pelo Santo Natal das Igrejas Orientais:

“Dirijo-me com afeto aos irmãos e irmãs das Igrejas Orientais, católicas e ortodoxas, que hoje celebram o Natal do Senhor. Os melhores votos de um Santo Natal à luz de Cristo, nossa paz e nossa esperança!”

Shevchuk: nunca estaremos sozinhos

O arcebispo-mor de Kiev-Halyic, Sua Beatitude Sviatoslav Shevchuk, também saudou os fiéis greco-católicos da Ucrânia que festejam o Natal, como muitas Igrejas Orientais, católicas e ortodoxas, uma vez que seguem o calendário juliano. Celebrar o Natal nos dá a certeza de que nunca estaremos sozinhos e nos dá a força para não ter medo de olhar para o futuro. E o motivo, refletiu ele, é que Deus se fez homem e veio habitar entre nós.

O arcebispo de Kiev, em entrevista ao Vatican News, também destaca os frutos deste momento difícil marcado pela pandemia: a certeza de que só a solidariedade, a fraternidade, a unidade nos salvará, só a descoberta da nossa pertença comum à família humana, com toda a sua dignidade, mas também com a sua vulnerabilidade:

R. - Este ano, o Natal é verdadeiramente especial. Antes de tudo, porque o celebramos no contexto da pandemia, ou seja, de um problema que tocou o mundo inteiro. Mas o próprio Natal para nós é a fonte da esperança, porque a esperança nasce da fé e nós, cristãos, vemos neste Menino, o Deus feito carne. É precisamente essa fé natalina que nos dá a esperança, que nos dá a luz, que nos dá a certeza de que mesmo no ano que vem estaremos juntos com Ele, não seremos abandonados. No Senhor nascido em Belém está a nossa esperança.

Geralmente, o senhor passa o Natal na sua terra, com a sua comunidade. Qual é, em particular, a sua mensagem aos fiéis da Ucrânia e de toda a sua região, ferida pela guerra e pela pobreza, mas também forte na fé?

R. - A mensagem de Natal é ‘não tenham medo, não temam!’. Essas são as palavras do Anjo que se dirigiu aos pastores que estavam cuidando dos seus rebanhos. O anjo diz: ‘Não temais, pois eu vos anuncio uma grande alegria que será a alegria para todo o povo’. É precisamente o povo ucraniano que teme, há muitos medos porque não tem segurança humana para o próximo ano. Nos sentimos realmente com medo do nosso futuro. Mas justamente as palavras do anjo no Natal, dirigidas a todos nós, nos animam: "Deus está conosco". Nos fazem compreender que podemos superar o medo somente se compreendermos que nosso futuro não é apocalíptico, no sentido da destruição da civilização, da morte ou das dificuldades. Não, o nosso futuro é Cristo. Ele é o centro e o cume da história humana, e não precisamos temer este futuro porque ele é apresentado a nós como um Menino terno.

Falamos sobre o ano que terminou. Um ano marcado também por uma nova encíclica do Papa e por uma forte mensagem de fraternidade. Todos nós nos sentimos, também por causa da situação que estamos vivendo, mais unidos, mais próximos. O Papa diz que "estamos todos no mesmo barco". Em geral, que lições podemos aprender com isso?

R. - Antes de tudo, este ano, como nunca antes, entendemos que todos nós, homens, fazemos parte da mesma natureza humana. O extremo individualismo da cultura moderna às vezes nos fez duvidar da existência de algo que une todos os homens. Existe um tecido único e fundamental da humanidade? Existe ou não? Hoje, a própria experiência do coronavírus mostrou que somos todos iguais e vulneráveis. Na minha opinião, o grande fruto da pandemia é a redescoberta da natureza humana que é comum, da fraqueza comum que nos torna parte do ser humano com a sua dignidade. E é precisamente essa comunhão na natureza humana, na humanidade como um todo, que é a base da fraternidade. Caso contrário, todas as declarações de que o meu vizinho é meu irmão, é minha irmã, permanecem um pouco teóricas. Hoje, ao invés disso, experimentamos que sozinhos não sobreviveremos, bem como diz o Papa. A solidariedade que se baseia em nossa história comum, a nossa natureza humana comum, nos dá o fundamento para ver em cada ser humano o meu irmão ou a minha irmã. Somente a solidariedade nos dará a esperança de sobreviver a esta pandemia.

Imagino, portanto, que este também seja o desejo que o senhor dirige ao mundo neste santo Natal?

R. - Espero que o mundo redescubra que todos nós fazemos parte da mesma natureza humana que sofre e se alegra junto. Uma natureza humana que compartilha as tristezas e as esperanças. Somos todos parte da mesma família humana que, precisamente neste contexto, tem sido para nós o nosso ‘hospital de campanha’, uma família humana que é também, digamos, o foco da Igreja de Cristo.

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                                                                                                                        Fonte: vaticannews.va

Em sua primeira mensagem do ano, Presidência da CNBB

defende a vacina

para todos os brasileiros e a equidade no seu acesso

Em sua primeira mensagem de 2021, a presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) defende que a vacina contra a covid-19 é um direito de todos os brasileiros. A vacinação, de acordo com os bispos, é compreendida como fato social, não individual, para alcançar metas indicadas pelos epidemiologistas.

“É uma questão de responsabilidade a rápida definição de estratégias para se começar imediatamente a vacinação”, defende o documento.

Segundo a presidência da CNBB, é imprescindível que todos caminhem juntos, solidariamente, sem exclusões para a erradicação da covid-19 do mapa do Brasil. “Não se vence uma pandemia isoladamente”, reforçam os bispos. “O novo que buscamos neste ano de 2021 requer a união de todos os cidadãos de boa vontade”, afirmam.

As vidas perdidas, segundo o texto, não podem simplesmente compor quadros estatísticos. “É luto e dor no coração das famílias. São histórias interrompidas por uma ameaça ágil, perigosa e invisível, porém real”, defendem.

 Os bispos também conclamam os fiéis a não se deixarem vencer pelo cansaço, pelas desinformações e a evitar as aglomerações. “Não podemos nos render à indiferença de alguns, negacionismos de outros ou à tentação de nos aglomerarmos, permitindo que nos contaminemos e nos tornemos instrumentos de contaminação, sofrimento e morte de outras pessoas”, aponta o documento.

Em outro trecho, a mensagem defende que a sociedade brasileira exige pronta união e atuação dos governantes, nas diferentes esferas do poder, guiados pela ciência e sérias indicações dos epidemiologistas, para que a vacinação comece urgentemente, pois, a cada dia, vidas são perdidas para a pandemia, agravada também por seus impactos econômico-sociais.

Confira, abaixo, a íntegra do documento

UNIDOS E RESPONSÁVEIS RUMO AO NOVO QUE DESEJAMOS

“Eu vim para que todos tenham vida e vida em abundância” (Jo 10,10)

1. O novo que buscamos neste ano de 2021 requer a união de todos os cidadãos de boa vontade para enfrentamento da covid-19. Os números mostram que a pandemia está se tornando mais grave no Brasil. Já são cerca de 200 mil mortos.

2. As vidas perdidas não podem simplesmente compor quadros estatísticos. É luto e dor no coração das famílias. São histórias interrompidas por uma ameaça ágil, perigosa e invisível, porém real.

3. Para erradicar a covid-19, é imprescindível que todos caminhem juntos, solidariamente, sem exclusões. É preciso reconhecer que o vírus não respeita fronteiras, classes sociais e qualquer outra forma de categorização que, com tanta frequência, fundamentam lamentáveis discriminações.

4. A palavra de ordem é, portanto, união. É preciso haver, cada vez mais, corresponsabilidade no enfrentamento deste desafio sanitário e social. Não se vence uma pandemia isoladamente. Cada pessoa deve cuidar de si e, principalmente, do outro, que é irmão e irmã, com profundo respeito ao distanciamento social e atenção aos protocolos sanitários indicados pelas autoridades em saúde.

5. Não podemos nos render à indiferença de alguns, negacionismos de outros ou à tentação de nos aglomerarmos, permitindo que nos contaminemos e nos tornemos instrumentos de contaminação, sofrimento e morte de outras pessoas. Não deixemos que o cansaço e a desinformação nos levem a atitudes irresponsáveis. Sejamos fortes! Permaneçamos firmes!

6. A vacina seja para todos. É uma questão de responsabilidade a rápida definição de estratégias para se começar imediatamente a vacinação, compreendida como fato social, não individual, para alcançar metas indicadas pelos epidemiologistas.

7. Justiça, solidariedade e inclusão são os principais critérios a serem seguidos no enfrentamento desta pandemia. Cada instituição e segmento da sociedade têm graves responsabilidades neste processo. Por isso, a Igreja Católica assume seu compromisso de colaborar como força educativa e solidária rumo a um novo estilo de vida.

8. A sociedade brasileira exige pronta união e atuação dos governantes, nas diferentes esferas do poder, guiados pela ciência e sérias indicações dos epidemiologistas, para que a vacinação comece urgentemente, pois, a cada dia, vidas são perdidas para a pandemia, agravada também por seus impactos econômico-sociais.

9. Especial atenção seja dedicada aos mais vulneráveis e pobres. É inaceitável e pouco inteligente que a vacina chegue mais rapidamente a alguns, deixando a descoberto a maior parte da população.

10. O Papa Francisco, na Carta Encíclica Fratelli Tutti, ensina que a palavra solidariedade expressa muito mais do que gestos esporádicos. “A solidariedade, no seu sentido mais profundo, é uma forma de fazer história” (Carta Encíclica Fratelli Tutti, n. 116). A humanidade está adoecida pela pandemia e só encontrará a cura se caminhar unida, adotando a solidariedade como princípio que orienta as relações, para que todos tenham a oportunidade de se vacinar, para que cada pessoa assuma a própria responsabilidade no cuidado com o seu semelhante e com a Casa Comum.

11. Deus, que nos fez livres e corresponsáveis pela obra da Criação, pelo cuidado uns dos outros, ajude-nos a aprender com as lições desta pandemia, para que possamos superá-la e avançarmos na construção de um mundo mais saudável, a partir da fraternidade e da solidariedade universal.

Brasília-DF, 6 de janeiro de 2021

Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo de Belo Horizonte (MG)
Presidente da CNBB

Dom Jaime Spengler
Arcebispo de Porto Alegre (RS)
Primeiro Vice-Presidente da CNBB

Dom Mário Antônio da Silva
Bispo de Roraima (RR)
Segundo Vice-Presidente da CNBB

Dom Joel Portella Amado
Bispo auxiliar da arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro (RJ)
Secretário-geral da CNBB
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A íntegra da versão em formato pdf aqui

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quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

Papa Francisco nesta quarta-feira:

como os Magos, prostrar-nos e adorar o Senhor

"Adorar o Senhor não é fácil, não é um dado imediato: requer uma certa maturidade espiritual, sendo o ponto de chegada dum caminho interior, por vezes longo. Não é espontânea em nós a atitude de adorar a Deus. É verdade que o ser humano precisa de adorar, mas corre o risco de errar o alvo; com efeito, se não adorar a Deus, adorará ídolos e, em vez de ser crente, tornar-se-á idólatra."

Vatican News - Na Festa da Epifania, o Papa Francisco presidiu a celebração da Santa Missa na Basílica de São Pedro. Eis sua homilia na íntegra:

"O evangelista Mateus assinala que os Magos, quando chegaram a Belém, «viram o Menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se, adoraram-No» (Mt 2, 11). Adorar o Senhor não é fácil, não é um dado imediato: requer uma certa maturidade espiritual, sendo o ponto de chegada dum caminho interior, por vezes longo. Não é espontânea em nós a atitude de adorar a Deus. É verdade que o ser humano precisa de adorar, mas corre o risco de errar o alvo; com efeito, se não adorar a Deus, adorará ídolos - não existe meio termo, ou Deus ou os ídolos, ou para usar uma palavra de um escritor francês: “Quem não adora a Deus, adora o diabo” - e, em vez de ser crente, tornar-se-á idólatra. É assim, aut aut.

Neste nosso tempo, há particular necessidade de dedicarmos, tanto individualmente como em comunidade, mais tempo à adoração, aprendendo cada vez melhor a contemplar o Senhor. Perdeu-se um pouco o sentido da oração de adoração, devemos retomá-lo, quer comunitariamente como na própria vida espiritual. Por isso, hoje, queremos aprender com os Magos algumas lições úteis: como eles, queremos prostrar-nos e adorar o Senhor. Adorá-lo seriamente, não como disse Herodes: "Diga-me onde é o lugar e irei adorá-lo". Não, essa adoração não está certo. Com seriedade!

Das leituras desta Eucaristia, recolhemos três expressões que podem ajudar-nos a entender melhor o que significa ser adorador do Senhor; ei-las: «levantar os olhos», «pôr-se a caminho» e «ver». Essas três expressões nos ajudarão a entender o que significa ser um adorador do Senhor.

A primeira expressão – levantar os olhos –, encontramo-la em Isaías. À comunidade de Jerusalém, pouco antes regressada do exílio e agora caída em desânimo por causa de dificuldades sem fim, o profeta dirige-lhe este forte convite: «Levanta os olhos e vê» (Is 60, 4). Convida-a a deixar de lado cansaço e lamentos, sair das estreitezas duma visão limitada, libertar-se da ditadura do próprio eu, sempre propenso a fechar-se em si mesmo e nas preocupações particulares. Para adorar o Senhor, é preciso antes de mais nada «levantar os olhos», ou seja, não se deixar enredar pelos fantasmas interiores que apagam a esperança, nem fazer dos problemas e dificuldades o centro da própria existência. Isto não significa negar a realidade, fingindo-se ou iludindo-se que tudo corre bem. Não. Mas olhar de modo novo os problemas e as angústias, sabendo que o Senhor conhece as nossas situações difíceis, escuta atentamente as nossas súplicas e não fica indiferente às lágrimas que derramamos.

Este olhar que, apesar das vicissitudes da vida, permanece confiante no Senhor, gera a gratidão filial. E, quando isto acontece, o coração abre-se à adoração. Pelo contrário, quando fixamos a atenção exclusivamente nos problemas, recusando-nos a levantar os olhos para Deus, o medo invade o coração e desorienta-o, gerando irritação, perplexidade, angústia, depressão. Nestas condições, é difícil adorar ao Senhor. Se isto acontecer, é preciso ter a coragem de romper o círculo das nossas conclusões precipitadas, sabendo que a realidade é maior do que os nossos pensamentos. Levanta os olhos e vê: o Senhor convida-nos, em primeiro lugar, a ter confiança n’Ele, porque cuida realmente de todos. Ora, se Deus veste tão bem a erva no campo, que hoje existe e amanhã é lançada ao fogo, quanto mais não fará Ele por nós? (cf. Lc 12, 28). Se levantarmos o olhar para o Senhor e considerarmos a realidade à sua luz, descobrimos que Ele nunca nos abandona: o Verbo fez-Se carne (cf. Jo 1, 14) e permanece conosco sempre todos os dias (cf. Mt 28, 20). Sempre.

Quando levantamos os olhos para Deus, os problemas da vida não desaparecem, não, mas sentimos que o Senhor nos dá a força necessária para enfrentá-los. Assim, «levantar os olhos» é o primeiro passo que predispõe para a adoração. Trata-se da adoração do discípulo que descobriu, em Deus, uma alegria nova, uma alegria diferente. A alegria do mundo está fundada na posse dos bens, no sucesso ou noutras coisas semelhantes, sempre com o "eu" no centro. Pelo contrário, a alegria do discípulo de Cristo tem o seu fundamento na fidelidade de Deus, cujas promessas nunca falham, apesar das situações de crise em que possamos chegar a encontrar-nos. Então a gratidão filial e a alegria suscitam o desejo de adorar o Senhor, que é fiel e nunca nos deixa sozinhos.

A segunda expressão, que nos pode ajudar, é pôr-se a caminho. Levantar os olhos [a primeira]; a segunda, colocar-se a caminho. Antes de poder adorar o Menino nascido em Belém, os Magos tiveram que enfrentar uma longa viagem. Lê-se em Mateus: «Chegaram a Jerusalém uns Magos vindos do Oriente. E perguntaram: “Onde está o Rei dos judeus que acaba de nascer? Vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-Lo”» (Mt 2, 1-2). A viagem implica sempre uma transformação, uma mudança. A pessoa, depois duma viagem, já não fica como antes; há sempre algo de novo em quem viajou: os seus conhecimentos alargaram-se, viu pessoas e coisas novas, sentiu fortalecer-se a vontade ao enfrentar as dificuldades e os riscos do trajeto. Não se chega a adorar o Senhor sem antes passar pelo amadurecimento interior que nos dá o pôr-se a caminho.

É através dum caminho gradual que nos tornamos adoradores do Senhor. Por exemplo, a experiência ensina que a pessoa, aos cinquenta anos, vive a adoração com um espírito diferente de quando tinha trinta. Quem se deixa moldar pela graça, costuma melhorar com o passar do tempo: enquanto o homem exterior envelhece, diz São Paulo, o homem interior renova-se dia após dia (cf. 2 Cor 4, 16), predispondo-se cada vez melhor a adorar o Senhor. Deste ponto de vista, os falimentos, as crises, os erros podem tornar-se experiências instrutivas: não é raro servirem para nos tornar conscientes de que só o Senhor é digno de ser adorado, porque só Ele satisfaz o desejo de vida e eternidade presente no íntimo de cada pessoa. Além disso, com o passar do tempo, as provas e adversidades da existência – vividas na fé – contribuem para purificar o coração, torná-lo mais humilde e, consequentemente, mais disponível para se abrir a Deus. 

Também os pecados, também a consciência de ser pecadores, de encontrar coisas tão ruins. "Mas eu fiz isso ... eu fiz ...": se pegares isso com fé e arrependimento, com contrição, vai te ajudar a crescer. Tudo, tudo ajuda, diz Paulo, ao crescimento espiritual, ao encontro com Jesus, mesmo os pecados, mesmo os pecados. E São Tomás acrescenta: "etiam mortalia", também os pecados feios, os piores. Mas se o pegares com arrependimento, vai ajudá-lo nessa jornada para um encontro com o Senhor e a adorá-lo melhor.

Como os Magos, também nós devemos deixar-nos instruir pelo caminho da vida, marcado pelas dificuldades inevitáveis da viagem. Não deixemos que o cansaço, as quedas e os fracassos nos precipitem no desânimo; antes, pelo contrário, reconhecendo-os com humildade, devemos fazer deles ocasião de progredir para o Senhor Jesus. A vida não é uma demonstração de habilidades, mas uma viagem rumo Àquele que nos ama. Não precisamos mostrar a carta das virtudes que temos em cada etapa de nossa vida; com humildade devemos ir em direção ao Senhor. Olhando para o Senhor, encontraremos a força para continuar com renovada alegria.

E chegamos à terceira expressão: ver. Levantar os olhos, colocar-se a caminho, ver. Como se lê no Evangelho, «entrando em casa, [os Magos] viram o Menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se, adoraram-No» (Mt 2, 11). A adoração era o ato de homenagem reservado aos soberanos, aos grandes dignitários. Com efeito, os Magos adoraram Aquele que sabiam ser o Rei dos judeus (cf. Mt 2, 2). Mas, na realidade, que viram eles? Viram um menino pobre com a sua mãe. E, contudo, estes sábios, vindos de países distantes, souberam transcender aquela cena tão humilde e quase deprimente, reconhecendo naquele Menino a presença dum soberano. Por outras palavras, foram capazes de «ver» para além das aparências. Prostrando-se diante do Menino nascido em Belém, exprimiram uma adoração era primariamente interior: a abertura dos escrinhos trazidos de prenda foi sinal da oferta dos seus corações.

Para adorar o Senhor, é preciso «ver» além do véu do visível, pois este muitas vezes mostra-se enganador. Herodes e os notáveis de Jerusalém representam a mundanidade, perenemente escrava da aparência. Veem e não sabem ver - não estou dizendo que não creem, seria muito - não sabem ver porque sua capacidade é escrava da aparência e à procura de atrativos: dá valor apenas às coisas sensacionais, aquilo que chama a atenção do vulgo. Entretanto, nos Magos, vemos um comportamento diferente, que poderíamos definir realismo teologal - uma palavra muito "alta", mas podemos dizer assim, um realismo teologal - este percebe com objetividade a realidade das coisas, chegando enfim a compreender que Deus evita toda a ostentação. O Senhor está na humildade, o Senhor é como aquele menino humilde, foge da ostentação, que é precisamente o produto do mundanismo.

Esta forma de «ver» que transcende o visível, faz-nos adorar o Senhor muitas vezes escondido em situações simples, em pessoas humildes e marginais. Trata-se, pois, dum olhar que, não se deixando encandear pelos fogos de artifício do exibicionismo, procura em cada ocasião aquilo que não passa, procura o Senhor. Por isso, como escreve o apóstolo Paulo, «não olhamos para as coisas visíveis, mas para as invisíveis, porque as visíveis são passageiras, ao passo que as invisíveis são eternas» (2 Cor 4, 18).

Que o Senhor Jesus nos torne seus verdadeiros adoradores, capazes de manifestar com a vida o seu desígnio de amor, que abraça a humanidade inteira." Peçamos a graça para cada um de nós e para toda a Igreja, de aprender a adorar, de continuar a adorar, de exercer muito esta oração de adoração, porque somente Deus deve ser adorado.

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Francisco:

luz de Cristo se difunde com o anúncio, a fé, o testemunho

"Cristo é a estrela, mas também nós podemos e devemos ser a estrela, para os nossos irmãos e irmãs, como testemunhas dos tesouros de bondade e infinita misericórdia que o Redentor oferece gratuitamente a todos."

Jackson Erpen – Vatican News - “Cristo é a estrela, mas também nós podemos e devemos ser a estrela, para os nossos irmãos e irmãs, como testemunhas dos tesouros de bondade e infinita misericórdia que o Redentor oferece gratuitamente a todos.”

No Angelus na Solenidade da Epifania, rezado na Biblioteca do Palácio Apostólico, o Papa invocou a proteção de Maria sobre a Igreja universal, “para que possa difundir no mundo inteiro o Evangelho de Cristo, luz de todos os povos.”

“A salvação operada por Cristo – começou explicando Francisco - não conhece fronteiras, é para todos. A Epifania não é outro mistério, é sempre o mesmo mistério da Natividade, mas visto na sua dimensão de luz: luz que ilumina cada pessoa, luz para ser acolhida na fé e luz para ser levada aos outros na caridade, no testemunho, no anúncio do Evangelho.”

Luz de Deus é mais poderosa que as trevas deste mundo

Falando da atualidade da visão do Profeta Isaías narrada na primeira leitura, o Santo Padre recorda que a luz dada por Deus a Jerusalém é destinada a iluminar o caminho de todos os povos. “Esta luz tem o poder de atrair todos, próximos e distantes, e todos se põem a caminho para a alcançar”: 

É uma visão que abre o coração, que alarga o respiro, que convida à esperança. Certamente, as trevas estão presentes e ameaçadoras na vida de cada pessoa e na história da humanidade, mas a luz de Deus é mais poderosa. Trata-se de a acolher a fim de que possa resplandecer para todos. Onde está esta luz? O profeta vislumbrou-a de longe, mas já era suficiente para encher o coração de Jerusalém de uma alegria incontrolável.

Já a narrativa de Mateus, no Evangelho do dia, mostra que a luz “é o Menino de Belém, é Jesus, mesmo que sua realeza não seja aceita por todos. Alguns a rejeitam, como Herodes”. Por meio dele, “Deus realiza o seu reino de amor, seu reino de justiça e paz. Ele nasceu não só para alguns, mas para todos os homens, para todos os povos,” sua luz "é para todos os povos, a salvação é para todos os povos.

A encarnação, "método" de Deus a ser seguido

O Papa então pergunta “como se difunde a luz de Cristo em todos os lugares e tempos”, explicando que "ela tem o seu método":

Não o faz por meio dos poderosos meios dos impérios deste mundo, que procuram sempre apoderar-se do domínio sobre ele. Não, a luz de Cristo se difunde pelo anúncio do Evangelho. O anúncio, a palavra, o testemunho.  E com o mesmo “método” escolhido por Deus para vir no meio de nós: a encarnação, isto é, aproximar-se do outro, conhecendo-o, assumir a sua realidade e levar o testemunho de nossa fé, cada um. Somente assim a luz de Cristo, que é Amor, pode brilhar naqueles que a acolherem e atrair os outros. A luz de Cristo não se expande somente com as palavras, com falsos métodos empreendedores. Não, não. A fé, a palavra, o testemunho.

“Cristo é a estrela, mas também nós podemos e devemos ser a estrela, para os nossos irmãos e irmãs, como testemunhas dos tesouros de bondade e infinita misericórdia que o Redentor oferece gratuitamente a todos. A luz de Cristo não se expande por proselitismo, mas pelo testemunho, pela confissão da fé. Também pelo martírio.”

Deixar-se fascinar e converter por Cristo

E a condição para isso, observou – “é acolher em nós esta luz, acolhê-la cada vez mais”. E advertiu:

Ai de nós se pensarmos que a possuímos, ai de nós se pensamos que devemos somente “geri-la”! Também nós, como os Magos, somos chamados a deixar-nos sempre fascinar, atrair, guiar, iluminar e converter por Cristo: é o caminho da fé, através da oração e da contemplação das obras de Deus, que nos enche continuamente de alegria e de admiração sempre nova. O fascínio é sempre o primeiro passo para seguir em frente.

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Assista:

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                                                                                                                        Fonte: vaticannews.va

Solenidade da Epifania celebra

Manifestação de Jesus aos povos

A Solenidade da Epifania do Senhor é celebrada pela Igreja no dia de Reis, em 6 de janeiro. No Brasil, a celebração ocorre no primeiro domingo após o 1º de janeiro, quando é celebrada a Solenidade de Maria Mãe de Deus. Epifania diz respeito à manifestação de Jesus a todos os povos, representados pelos magos do Oriente.

O bispo de Campos (RJ), dom Roberto Francisco Ferrería Paz, ressalta que a Solenidade da Epifania do Senhor realiza a plenitude do mistério do Natal, do Deus Conosco que veio para salvar e reunir a família humana num só povo, derrubando os muros da desigualdade, opressão e da violência. “Os sábios, ou magos, vindos do Oriente, guiados por uma Estrela que ia atraindo-os ao presépio, representam as Nações da humanidade em sua busca do prometido e esperança de uma era de felicidade completa”, escreveu em artigo.

Na celebração da manifestação de Jesus a todos os homens, dom Eurico dos Santos Veloso, arcebispo emérito de Juiz de Fora (MG), salienta que o Menino Jesus “é uma ‘luz’ que se acende na noite do mundo e atrai a si todos os povos da terra”. Em cumprimento ao projeto libertador que o Pai nos queria oferecer, continua o bispo, “essa ‘luz’ encarnou na nossa história, iluminou os caminhos dos homens, conduziu-os ao encontro da salvação, da vida definitiva”.

Os presentes

Símbolo expressivo do episódio da visita dos magos são os presentes oferecidos ao Menino Jesus. Para dom Eurico, as ofertas “falam muito da contemplação e entendimento que eles tiveram”. O ouro, da realeza de Jesus; o incenso, do Seu sacerdócio, e mirra da Sua missão de Profeta.

Dom Eurico continua pontuando outros aspectos que os presentes apontam da pessoa, vida e obra de Jesus.

“O ouro é o material que simboliza a divindade (no Tabernáculo, o lugar onde a presença de Deus estava, tudo era revestido de ouro) — aquele Menino era Deus manifesto em carne. O incenso nos fala da Sua vida humana, mas perfeita, que viveu sempre de modo que agradou o Pai. E a mirra nos fala de Seus sofrimentos vicários, pelos quais Ele cumpriria aquela grande obra da nossa salvação”.

Dom Roberto Paz observa que “a alegria inusitada e inefável do encontro com o Salvador criança, os levou ao louvor e adoração”. Em seguida, relaciona os significados dos presentes dados ao Menino Deus com a missão dos cristãos na atualidade.

“A partilha dos três presentes: ouro, incenso e mirra, além da doação e reconhecimento, têm um valor simbólico que identifica a missão do recém-nascido: o ouro, realeza; o incenso, divindade e a mirra, o sacrifício da Cruz. Também, hoje, significam para os seguidores de Cristo: a caridade, o ouro; a oração fiel, o incenso e o compromisso de dar a vida, a mirra”.

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                                                                                                                              Fonte: cnbb.org.br

terça-feira, 5 de janeiro de 2021

Papa em mensagem ao Ano Compostelano:

sair de si mesmo para se abrir ao outro

O Ano Jubilar de 2021 dedicado a São Tiago, um dos doze apóstolos de Jesus, já começou em Santiago de Compostela, na região da Galícia, na Espanha. Na mensagem enviada por Francisco, o convite para um caminho de conversão e de solidariedade com os próprios companheiros de viagem.

Adriana Masotti e Antonella Palermo - Vatican NewsComeçou no final de 2020, em 31 de dezembro, o Ano Compostelano, um jubileu que se realiza no ano em que o 25 de julho, em memória a São Tiago, cai em um domingo. Assim, de fato, é o caso de 2021, como foi em 2010 e será em 2027. Segundo o arcebispo de Santiago de Compostela, dom Julián Barrio Barrio, "um ano de graça e de perdão" a todos aqueles que desejam participar. Neste terceiro Ano Santo Compostelano do terceiro milênio do cristianismo, continua o arcebispo, “o testemunho corajoso de São Tiago Apóstolo é uma oportunidade para redescobrir a vitalidade da fé e da missão, recebida no Batismo”.

A mensagem do Papa na abertura da Porta Santa

Por ocasião da abertura da Porta Santa, dom Julián recebeu uma mensagem do Papa Francisco, ao expressar carinho e proximidade "a todos aqueles que participam deste momento de graça para toda a Igreja e, em particular, para a Igreja na Espanha e na Europa". Seguindo os passos do Apóstolo, escreve o Pontífice, "deixamos o nosso eu, aquelas certezas às quais nos agarramos, mas com um objetivo claro em mente, não somos seres errantes, sempre girando em torno de nós mesmos sem chegar a lugar algum. É a voz do Senhor que nos chama e, como peregrinos, nós a acolhemos em atitude de escuta e de busca, empreendendo esta viagem para encontrar Deus, os outros e nós mesmos".

A misericórdia de Deus acompanha o nosso caminho

O objetivo, enfatiza o Papa, é tão importante quanto o caminho rumo a ele, que é um caminho de conversão seguindo Jesus, o Caminho, a Verdade e a Vida. Citando a Carta Apostólica "Misericordia et Misera", de 20 de novembro de 2016, o texto continua com uma mensagem que reafirma: "neste caminho, a misericórdia de Deus nos acompanha e, mesmo que a condição de fraqueza devida ao pecado permaneça, ela é superada pelo amor que nos permite olhar para o futuro com esperança e estar prontos para colocar a nossa vida de volta ao caminho certo".

Um caminho com leveza e em companhia

Para se colocar em caminho, devemos primeiramente nos desligar das coisas que nos pesam. Depois, na vida, não caminhamos sozinhos e confiar nos nossos companheiros sem suspeitas e desconfianças "nos ajuda a reconhecer no próximo um dom que Deus nos dá para nos acompanhar nesta jornada". É uma questão de "sair de si mesmo para se unir aos outros", de esperar e se apoiar uns aos outros, compartilhando trabalhos e realizações.

No final da viagem, escreve o Papa, nos encontraremos com uma mochila vazia, mas com "um coração cheio de experiências forjadas em contraste e em harmonia com a vida de nossos outros irmãos e irmãs que vêm de diferentes contextos existenciais e culturais". E, redescobrindo o nosso dever, ser discípulo missionário "para chamar todos para aquela pátria para a qual estamos nos movendo".

O peregrino comunica a fé com a sua vida

Francisco descreve o peregrino como aquele que é capaz de se colocar nas mãos de Deus, consciente de que a pátria prometida já está presente em Cristo que está perto dele e, assim, "toca o coração do seu irmão, sem artifícios, sem propaganda, na mão estendida, pronta a dar e a receber". Os três gestos que os peregrinos fazem ao chegar à Porta Santa lembram o motivo da viagem, escreve ainda o Papa: o primeiro "é contemplar no Pórtico da Glória o olhar sereno de Jesus, o juiz misericordioso", que nos acolhe na sua casa. O segundo é o abraço que nos vem da imagem de São Tiago Apóstolo que nos mostra o caminho da fé. A participação na celebração eucarística, o terceiro gesto, nos convida a "sentir que somos o povo de Deus", chamado "a compartilhar a alegria do Evangelho".

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Calendário das celebrações presididas pelo Papa Francisco

Neste ano, devido à pandemia, não será celebrada a Missa da Festa do Batismo do Senhor na Capela Sistina, com o rito de batismo. Já nesta quarta-feira, 6, Solenidade da Epifania do Senhor, o Santo Padre preside a Celebração Eucarística na Basílica de São Pedro, às 10 horas, com transmissão do Vatican News.

O Mestre das Celebrações Litúrgicas Pontifícias, monsenhor Guido Marini, divulgou nesta segunda-feira, 4, o calendário das celebrações presididas pelo Santo Padre nos meses de janeiro, até 2 de fevereiro de 2021.

Em 24 de janeiro, III Domingo do Tempo Comum, o Papa Francisco presidirá às 10 horas, na Basílica de São Pedro, o Domingo da Palavra de Deus.

Já no dia 25, Solenidade da Conversão de São Paulo e 54ª (LIV) Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, o Pontífice preside às 17h30 na Basílica São Paulo fora-dos-muros a Celebração das Segundas Vésperas.

Por fim, às 17h30 da terça-feira, 2 de fevereiro, Festa da Apresentação do Senhor e XXV Dia Mundial da Vida Consagrada, o Papa Francisco preside na Basílica de São Pedro a Santa Missa com os membros dos Institutos de Vida Consagrada e das Sociedades de Vida Apostólica.

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segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

Refletindo com Dom Paulo Peixoto:

O olhar solidário

A solidariedade, no dizer do Papa Francisco, é como uma virtude moral e um comportamento social, primeiramente praticada pelas famílias na missão educativa. Toda família deve formar os filhos para princípios fundamentais: o amor, a fraternidade, a convivência, a partilha, a liberdade, o respeito, a solidariedade, o cuidado pelo outro e as dimensões moral, espiritual e social da pessoa.

Dom Paulo Peixoto

O Papa fala também da responsabilidade educativa de todos os agentes da cultura e dos meios de comunicação social. Todos têm a missão de cuidar da fragilidade que cresce no meio da sociedade, quando tudo parece diluir-se e perder consistência. Não é servir com características ideológicas, mas serviço de responsabilidade; não é desenvolver ideias, mas trabalhar a identidade das pessoas.

A palavra solidariedade nem sempre agrada, porque não se restringe a um ato esporádico de auxílio ao outro. Ela é expressão de comunidade, de prioridade naquilo que defende a vida e valoriza as pessoas. É atitude de não se conformar com o império do dinheiro, com o egoísmo sem sensibilidade para com a estrutura de pobreza, de desigualdade, de falta de trabalho, de casa e negação de direitos.

Falar de solidariedade é aludir ao nível moral das pessoas. É apelo para a consciência universal e preocupação pelo cuidado com as coisas comuns. Um exemplo citado pelo Papa se refere ao fato da pessoa ter água em abundância, mas gasta só o necessário, evitando desperdício, para que o outro também tenha para seu próprio uso. Isso é gesto humano, porque vai além das próprias fronteiras.

Nada pode justificar privilégios que venham a dificultar o uso dos direitos e da dignidade de todos, porque o mundo não foi feito apenas para alguns. Os bens criados têm um destino comum. O Papa cita na Fratelli Tutti São Gregório Magno, que diz: “Quando damos aos indigentes o que lhes é necessário, não oferecemos o que é nosso; limitamo-nos a restituir o que lhes pertence”.

São João Paulo II corrobora com o pensamento solidário ao dizer: “Deus deu a terra a todo gênero humano, para que ela sustente todos os seus membros, sem excluir nem privilegiar ninguém”. É justamente por isto que a Igreja fala, dentro da ordem ético-social, da função social da propriedade privada. Um bem da criação não poder ficar retido como propriedade fora do bem comum.

                                                             Dom Paulo Mendes Peixoto - Arcebispo de Uberaba

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