domingo, 3 de janeiro de 2021

Papa no Angelus deste domingo:

Acolher Jesus em família, que nos ama nas nossas fragilidades

Na alocução que precedeu a oração mariana do Angelus, neste domingo (3), Francisco refletiu sobre o Evangelho do dia em que São João revela “algo sobre Jesus antes que viesse entre nós”: o princípio da Palavra que “se fez carne e habitou entre nós”, se unindo para sempre à humanidade. Sem medo, disse o Papa, vamos acolher Jesus na nossa casa, na nossa família, nas nossas fragilidades e ali mesmo, onde a gente mais se envergonha, já “que bate à porta do coração para habitar conosco”.

Andressa Collet - Vatican News O Papa Francisco rezou o Angelus neste domingo (3) novamente da biblioteca do Palácio Apostólico, como medida de restrição por causa da pandemia. No Brasil, a Igreja celebra a Solenidade da Epifania do Senhor com o Evangelho (Mt 2,1-12) sobre os três Reis Magos que, do Oriente, vieram adorar o Menino Jesus em Belém. Já o Pontífice, na alocução que precedeu a oração mariana no Vaticano, refletiu sobre o Evangelho de João (1,1-18) que não traz “um episódio da vida de Jesus, mas nos fala d’Ele antes nascer”, revelando “algo sobre Jesus antes que viesse entre nós”.

Desde o princípio, a Palavra

O Pontífice enaltece, através da liturgia do dia, que Jesus existia antes do aparecimento da vida, “antes do início das coisas, antes do universo, antes de tudo. Ele existe antes do espaço e do tempo”. São João o chama de "Palavra", recorda o Papa, que tem a força da “comunicação”, que significa falar sobre algo com alguém:

“O fato de Jesus ser desde o princípio a Palavra significa que desde o início Deus quer se comunicar conosco, quer falar conosco.”

Uma comunicação que reflete “a beleza de ser filho de Deus”, de sermos amados. O Papa, então, nos recorda que “esta é a maravilhosa mensagem de hoje: Jesus é a Palavra, a Palavra eterna de Deus, que sempre pensou em nós e quer se comunicar conosco”.

Das palavras se fez carne

Para fazer isso, afirma Francisco, “Ele foi além das palavras”, como o próprio Evangelho nos diz que a Palavra "se fez carne e habitou entre nós" (v. 14):

“Se fez carne: por que São João usa esta expressão, ‘carne’? Não poderia dizer, de maneira mais elegante, que se fez homem? Não, usa a palavra carne porque ela indica a nossa condição humana em toda sua vulnerabilidade, em toda sua fragilidade. Ele nos diz que Deus se fez fragilidade para tocar de perto as nossas fragilidades. Portanto, desde que o Senhor se fez carne, nada em nossa vida é estranho para Ele. Não há nada que Ele desdenhe; tudo podemos compartilhar com Ele, tudo. Querido irmão, querida irmã, Deus se fez carne para nos dizer, para dizer que lhe ama ali mesmo, que nos ama ali mesmo, nas nossas fragilidades, nas suas fragilidades; ali mesmo, onde a gente mais se envergonha, onde você mais se envergonha.”

O Papa afirma que essa é uma decisão “audaz de Deus”, de se fazer carne justamente onde nós mais nos envergonhamos. Francisco recorda, assim, que ao se fazer carne Deus “não voltou atrás”:

“Não pegou a nossa humanidade como uma roupa, que se veste e se tira. Não, nunca mais se desprendeu da nossa carne […]. E nunca mais vai se separar: agora e para sempre Ele está no céu com o seu corpo de carne humana. Ele se uniu para sempre à nossa humanidade; poderíamos dizer que se ‘casou’ com ela. [..] O Evangelho diz, na verdade, que veio habitar entre nós. Ele não veio nos fazer uma visita e depois foi embora, veio para habitar conosco, para estar conosco.”

Acolher Jesus na nossa fragilidade

Francisco finaliza a oração mariana do Angelus, pedindo justamente à Santa Mãe de Deus, “em quem a Palavra se fez carne”, que nos ajude a acolher Jesus, “que bate à porta do coração para habitar conosco”. O que Deus deseja de nós realmente, acrescenta o Papa, é uma grande intimidade:

“Ele quer que compartilhemos com Ele alegrias e dores, desejos e medos, esperanças e tristezas, pessoas e situações. Façamos isso, com confiança: abramos o coração a Ele, vamos contar tudo a Ele. Façamos uma pausa em silêncio diante do presépio para saborear a ternura de Deus feito próximo, feito carne. E, sem medo, convidemos Ele para a nossa casa, na nossa família e também – cada um conhece bem – vamos convidá-Lo nas nossas fragilidades. Vamos convidá-Lo para que veja as nossas feridas. Ele virá e a vida vai mudar.”

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sábado, 2 de janeiro de 2021

Reflexão para

a Epifania do Senhor

A Igreja celebra no dia 6 de janeiro a Solenidade da Epifania do Senhor. No Brasil, a festa é sempre transferida para o domingo mais próximo e, por isso, comemora-se neste dia 3 de janeiro. O Evangelho nos apresenta a passagem dos três Reis Magos que oferecem presentes ao Menino Jesus. Na reflexão do Pe. César Augusto dos Santos, uma solenidade que "nos anuncia de modo escancarado a abertura de Deus a todos os povos, todos são seus filhos, todos foram criados por ele, mas a herança dos filhos está reservada para aqueles que se assemelham ao Filho Jesus, na humildade, na simplicidade, ao mesmo tempo sendo luz, referencial do Pai, do próprio Deus!".

“Na Epifania celebramos a vinda do Senhor para todos os povos. Se o Natal celebrava a redenção de Israel, a Epifania celebra a redenção de todos os homens de boa vontade.”

A primeira leitura, Isaías 60, 1-6, cita a luz que brilha sobre Jerusalém, ou seja, a glória do Senhor! Jerusalém cumpre sua vocação de ser luz de acolher e reunir todos os povos para o louvor a Deus. Muito semelhante ao que o batizante sugere ao batizando ao término do batismo, quando entrega a vela acesa no círio pascal, que seja luz, que ilumine todos aqueles com quem encontrar e os leve a Deus. Eis  a missão do cristão, da religião, da Igreja. Por isso, no passado, fazia-se questão de construir igrejas e capelas no alto dos montes, para não só apontar que o Senhor está no alto, na verdade ele está no meio de nós, mas para estar em lugar de destaque. E essa localização, como um farol colocado em ponto estratégico para salvar todos os homens de boa vontade, atraiu a si, não apenas as tribos dos judeus, mas todos os povos pagãos, representados nos três sábios que vieram do Oriente adorar o Menino Jesus, como nos fala o Evangelho de hoje, Mateus 2, 1-12.

Quando se fala em luz, farol, construção elevada, se pensa em poder, em alta promoção, mas com Jesus é diferente. Quem se destaca é a construção simples para abrigar animais da casa de um morador da pobrezinha cidade de Belém. É lá que os pastores vão adorar o Senhor e será também em local marcado pela simplicidade que os “magos” irão adorar o Salvador. Desde o nascimento, o Rei dos reis se identifica com os simples e os recebe. Simples não apenas no aspecto social, mas principalmente no modo de ver o mundo, de entender a Verdade e de buscá-la.

Finalmente, a segunda leitura, a carta de São Paulo aos Efésios 3,2-3.5-6, fala do plano de Deus a nosso respeito. Sim, Deus tem um projeto para nós, sermos admitidos à herança dos filhos, pois somos “membros do mesmo corpo, associados à mesma promessa em Jesus Cristo”.

A solenidade da Epifania nos anuncia de modo escancarado a abertura de Deus a todos os povos, todos são seus filhos, todos foram criados por ele, mas a herança dos filhos está reservada para aqueles que se assemelham ao Filho Jesus, na humildade, na simplicidade, ao mesmo tempo sendo luz, referencial do Pai, do próprio Deus!

                                                                                                             Pe. Cesar Augusto, SJ

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Celebrar em Família:

Solenidade da Epifania do Senhor

Está disponível o roteiro para Celebrar em Família a Epifania do Senhor. O material é oferecido pela Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB)

A Solenidade da Epifania do Senhor é neste primeiro domingo do ano, dia três de janeiro.

Acesse abaixo o roteiro:

Roteiro Celebrar em Família – Epifania do Senhor

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Domingo da Epifania do Senhor:

Leituras e reflexão
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1ª Leitura: Is 60,1-6

Leitura do Livro do profeta Isaías:

Levanta-te, acende as luzes, Jerusalém, porque chegou a tua luz, apareceu sobre ti a glória do Senhor. Eis que está a terra envolvida em trevas, e nuvens escuras cobrem os povos; mas sobre ti apareceu o Senhor, e sua glória já se manifesta sobre ti. Os povos caminham à tua luz e os reis ao clarão de tua aurora. Levanta os olhos ao redor e vê: todos se reuniram e vieram a ti; teus filhos vêm chegando de longe com tuas filhas, carregadas nos braços. Ao vê-los, ficarás radiante, com o coração vibrando e batendo forte, pois com eles virão as riquezas de além-mar e mostrarão o poderio de suas nações; será uma inundação de camelos e dromedários de Madiã e Efa a te cobrir; virão todos os de Sabá, trazendo ouro e incenso e proclamando a glória do Senhor.

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 Salmo Responsorial: 71
As nações de toda a terra hão de adorar-vos, ó Senhor!

As nações de toda a terra hão de adorar-vos, ó Senhor!

- Dai ao Rei vossos poderes, Senhor Deus,/ vossa justiça ao descendente da realeza!/ Com justiça ele governe o vosso povo,/ com equidade ele julgue os vossos pobres.

- Nos seus dias a justiça florirá e grande paz,/ até que a lua perca o brilho!/ De mar a mar estenderá o seu domínio,/ e desde o rio até os confins de toda a terra!

- Os reis de Társis e das ilhas hão de vir/ e oferecer-lhe seus presentes e seus dons;/ e também os reis de Seba e de Sabá/ hão de trazer-lhe oferendas e tributos./ Os reis de toda a terra hão de adorá-lo,/ e todas as nações hão de servi-lo.

- Libertará o indigente que suplica,/ e o pobre ao qual ninguém quer ajudar./ Terá pena do indigente e do infeliz,/ e a vida dos humildes salvará.

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2ª Leitura: Ef 3,2-3a.5-6

Leitura da Carta de São Paulo aos Efésios:

Irmãos: Se ao menos soubésseis da graça que Deus me concedeu para realizar o seu plano a vosso respeito, e como, por revelação, tive conhecimento do mistério. Este mistério Deus não o fez conhecer aos homens das gerações passadas, mas acaba de o revelar agora, pelo Espírito, aos seus santos apóstolos e profetas: os pagãos são admitidos à mesma herança, são membros do mesmo corpo, são associados à mesma promessa em Jesus Cristo, por meio do Evangelho. 

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Evangelho:  Mt 2,1-12
Leitura do Evangelho de São Mateus:

Tendo nascido Jesus na cidade de Belém, na Judeia, no tempo do rei Herodes, eis que alguns magos do Oriente chegaram a Jerusalém, perguntando: “Onde está o rei dos judeus, que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo”.

Ao saber disso, o rei Herodes ficou perturbado, assim como toda a cidade de Jerusalém. Reunindo todos os sumos sacerdotes e os mestres da Lei, perguntava-lhes onde o Messias deveria nascer. Eles responderam: “Em Belém, na Judeia, pois assim foi escrito pelo profeta: E tu, Belém, terra de Judá, de modo algum és a menor entre as principais cidades de Judá, porque de ti sairá um chefe que vai ser o pastor de Israel, o meu povo”.

Então Herodes chamou em segredo os magos e procurou saber deles cuidadosamente quando a estrela tinha aparecido. Depois os enviou a Belém, dizendo: “Ide e procurai obter informações exatas sobre o menino. E, quando o encontrardes, avisai-me, para que também eu vá adorá-lo”.

Depois que ouviram o rei, eles partiram. E a estrela, que tinham visto no Oriente, ia adiante deles, até parar sobre o lugar onde estava o menino. Ao verem de novo a estrela, os magos sentiram uma alegria muito grande. Quando entraram na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Ajoelharam-se diante dele e o adoraram. Depois abriram seus cofres e lhe ofereceram presentes: ouro, incenso e mirra. Avisados em sonho para não voltarem a Herodes, retornaram para a sua terra, seguindo outro caminho.

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Reflexão do Pe. Johan Konings:

Salvação universal e cobiça de poder

No dia 6 de janeiro ou no domingo seguinte celebramos a festa chamada Epifania ou Revelação do Senhor, popularmente, a festa dos Reis Magos, porque o evangelho conta a história dos magos que viram a estrela de Belém.

E de Herodes, que não a viu…

No Antigo Testamento, alguns profetas sonharam com a restauração de Israel. O “terceiro Isaías”, vivendo logo depois que os judeus voltaram do exílio babilônico, tem uma visão da restauração do povo: todos os povos vão ver a luz de Deus que brilhará sobre a Cidade Santa, Jerusalém.

Os judeus dispersos e mesmo os povos pagãos chegarão trazendo ricos presentes. O mundo inteiro proclamará as obras gloriosas do Senhor (1ª leitura). Ora, essa confluência de judeus e pagãos realiza-se no povo fundado por Jesus Cristo. Este é o “mistério”, o projeto escondido de Deus, que Paulo conhece por experiência pessoal; ele dedicou sua vida a pregar o evangelho a judeus e pagãos (2ª leitura).

Mateus, no evangelho, traduz a fé de que Jesus é o Messias universal numa narração que descreve a realização da profecia da 1ª leitura: reis magos (astrólogos) do Oriente enxergam a luz que brilha sobre Belém, cidade de Davi, na proximidade de Jerusalém. É a estrela do recém-nascido messias, “rei dos judeus”. Querem adorá-lo e oferecer-lhe seus ricos presentes. Ora, o rei “em exercício”, Herodes, juntamente com os doutores e os sacerdotes, não enxerga a estrela que brilha tão perto; é obcecado por seu próprio brilho e sede de poder. Os reis das nações pagãs chegam de longe para adorar o menino, mas os chefes dos judeus tramam sua morte… As pessoas de boa vontade, aqueles que realmente buscam o Salvador, o encontram em Jesus, mas os que só gostam de seu próprio poder têm medo de encontrá-lo.

Significativamente, o medo de Herodes, o Grande, o leva a matar todos os meninos de Belém (cf. a festa dos Santos Inocentes, 28 de dezembro). Por que se matam ou se deixam morrer crianças também hoje? Porque os poderosos absolutizam seu poder e não querem dar chances aos pequenos, nem sequer para viverem. Preferem sangrar o povo pela indústria do armamento, dos supérfluos, da fome….

Pobre e indefeso, Jesus é o não-poder. Ele não se defende, não tem medo. Em redor dele se unem os povos que vêm de longe. “E, avisados num sonho, voltaram por outro caminho”. O caminho, na Bíblia, é o símbolo da opção de vida da pessoa (Sl 1). Os reis magos optaram por obedecer à advertência de Deus; optaram pelo Menino Salvador, contra Herodes e contra todos os que rejeitam o “menino, matando vida inocente.

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PE. JOHAN KONINGS nasceu na Bélgica em 1941, onde se tornou Doutor em Teologia pela Universidade Católica de Lovaina, ligado ao Colégio para a América Latina (Fidei Donum). Veio ao Brasil, como sacerdote diocesano, em 1972. Em 1985 entrou na Companhia de Jesus (Jesuítas) e, desde 1986, atua como professor de exegese bíblica na FAJE, Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Este comentário é do livro “Liturgia Dominical, Editora Vozes.

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                                                      Fonte e ilustração: franciscanos.org.br       Banner: cnbb.org.br

sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

Papa no 1º Angelus deste novo ano:

Que 2021

seja um ano de solidariedade fraterna e de paz para todos

"Começamos o Ano Novo colocando-nos sob o olhar materno e amoroso de Maria Santíssima, que a liturgia hoje celebra como a Mãe de Deus", disse Francisco no Angelus, recordando que "os dolorosos acontecimentos que marcaram o caminho da humanidade no ano transcorrido, especialmente a pandemia, nos ensinam como é necessário interessar-se pelos problemas dos outros e compartilhar suas preocupações".

Mariangela Jaguraba/Raimundo Lima - Vatican NewsO Papa Francisco conduziu a oração mariana do Angelus, nesta sexta-feira (1º/01), Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus, e Dia Mundial da Paz, da Biblioteca do Palácio Apostólico.

Começamos o Ano Novo colocando-nos sob o olhar materno e amoroso de Maria Santíssima, que a liturgia hoje celebra como a Mãe de Deus. Desta forma retomamos nosso caminho pelas veredas do tempo, confiando nossas angústias e nossos  tormentos Àquela que pode fazer todas as coisas. Maria nos olha com ternura materna, assim como olhava para seu Filho Jesus. Se olharmos para o Presépio, vemos que Jesus não está no berço. Me disseram que Nossa Senhora disse: "Mas, me deixem segurar um pouco no colo este meu filho?" Assim faz Nossa Senhora conosco: quer nos segurar em seus braços para nos proteger como ela protegeu e amou o seu Filho.

Segundo o Pontífice, “o olhar assegurador e consolador da Virgem Santa é um encorajamento para fazer de modo que este tempo, que nos é dado pelo Senhor, seja gasto para o nosso crescimento humano e espiritual, que seja um tempo para remover os ódios e as divisões, e existem muitas, que seja um tempo para sentir que somos todos mais irmãos e irmãs, que seja um tempo para construir e não para destruir, cuidando uns dos outros e da criação. Um tempo para fazer crescer, um tempo de paz”. A seguir, acrescentou:

É propriamente ao cuidado do próximo e da criação que é dedicado o tema do Dia Mundial da Paz, que hoje celebramos: A cultura do cuidado como percurso de paz. Os dolorosos acontecimentos que marcaram o caminho da humanidade no ano transcorrido, especialmente a pandemia, nos ensinam como é necessário interessar-se pelos problemas dos outros e compartilhar suas preocupações. Esta atitude representa o caminho que leva à paz, pois favorece a construção de uma sociedade fundada em relações fraternais. Cada um de nós, homens e mulheres de nosso tempo, é chamado a realizar a paz: cada um de nós. Não sejamos indiferentes a isso. Somos todos chamados a realizar a paz e a realizá-la todos os dias e em todos os ambientes da vida, estendendo a mão ao irmão que precisa de uma palavra de conforto, de um gesto de ternura, de uma ajuda solidária. Para nós, esta é uma tarefa dada por Deus. O Senhor nos dá a tarefa de sermos operadores de paz.

O Papa ressaltou que “a paz pode ser construída se começarmos a estar em paz conosco mesmos, em paz por dentro, no coração, e conosco, e com aqueles ao nosso redor, removendo os obstáculos que nos impedem de cuidar dos que se encontram necessitados e na indigência”.

Trata-se de desenvolver uma mentalidade e uma cultura do "cuidar", a fim de derrotar a indiferença, vencer o descarte e a rivalidade, indiferença, descarte e rivalidade que infelizmente prevalecem. Eliminar esses comportamentos. A paz não é apenas a ausência de guerra, paz nunca é asséptica: não, a paz do quirófano não existe. A paz está na vida: não é apenas a ausência de guerra, mas uma vida rica em sentido, impostada e vivida na realização pessoal e na partilha fraterna com os outros. Então essa paz tão almejada e sempre ameaçada pela violência, pelo egoísmo e pela maldade, aquela paz colocada em perigo, torna-se possível e realizável se eu a pegar como uma tarefa que me foi doada por Deus.

“Que a Virgem Maria, que deu à luz o "Príncipe da Paz", e que o mima com ternura em seus braços, obtenha para nós do céu o precioso bem da paz, que não podemos perseguir plenamente apenas com a força humana”, disse ainda Francisco. Segundo o Papa, “somente as forças humanas não são suficientes, porque a paz é sobretudo um dom, um dom de Deus; deve ser implorada com oração incessante, sustentada por um diálogo paciente e respeitoso, construída através de uma cooperação aberta à verdade e à justiça e sempre atenta às legítimas aspirações dos indivíduos e dos povos. Meu auspício é que a paz reine no coração dos homens e nas famílias; nos lugares de trabalho e de lazer; nas comunidades e nas nações. Nas famílias, no trabalho, nas nações: paz. E agora que pensamos que a vida hoje é resolvida com guerras, inimizades e muitas coisas que destroem... queremos a paz. E isso é um dom”.

No limiar deste início, a todos estendo meus cordiais votos de um feliz e sereno 2021. Cada um de nós procure fazer com que seja um ano de solidariedade fraterna e de paz para todos; um ano repleto de confiança e de esperanças, que confiamos à proteção celestial de Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe.

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Assista:

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Papa Francisco:

A vacina para o coração

é o cuidado, cuidar das pessoas e das coisas

O Papa Francisco não presidiu a missa da Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus, por causa de uma dolorosa ciatalgia. A homilia preparada pelo Santo Padre foi lida pelo cardeal Pietro Parolin que presidiu a celebração eucarística na Basílica Vaticana.

Mariangela Jaguraba - Vatican NewsO secretário de Estado, cardeal Pietro Parolin, celebrou a missa da Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus, na Basílica de São Pedro, neste 1º de janeiro de 2021, Dia Mundial da Paz. O Papa Francisco não presidiu a celebração eucarística por causa de uma dolorosa ciatalgia.

A homilia preparada pelo Santo Padre foi lida pelo cardeal Parolin durante a missa. Nela, Francisco destaca “três verbos que se realizam na Mãe de Deus: abençoar, nascer e encontrar”, presentes na liturgia de hoje.

Mundo poluído pelo dizer e pensar mal dos outros

O primeiro verbo é “abençoar”. “No livro dos Números, o Senhor pede aos ministros sagrados que abençoem o seu povo. Também hoje é importante que os sacerdotes abençoem incansavelmente o Povo de Deus, e que todos os fiéis sejam também portadores de bênção e abençoem. O Senhor sabe que precisamos de ser abençoados: a primeira coisa que Ele fez depois da criação foi bendizer – dizer bem –, declarar boa cada coisa. Com o Filho de Deus, não recebemos apenas palavras de bênção, mas a bênção em pessoa: Jesus é a bênção do Pai. N’Ele – diz São Paulo –, o Pai nos abençoa «com toda a espécie de bênçãos». Sempre que abrimos o coração a Jesus, entra na nossa vida a bênção de Deus”, ressalta Francisco.

O Filho de Deus é “o Bendito por natureza que vem a nós através de sua Mãe, a bendita por graça. Maria nos traz, assim, a bênção de Deus. Ao dar espaço a Maria, não só ficamos abençoados, mas aprendemos também a abençoar. Com efeito, Nossa Senhora ensina que a bênção se recebe para a dar. Ela, a bendita, foi uma bênção para todas as pessoas que encontrou: para Isabel, para os esposos em Caná, para os Apóstolos no Cenáculo”.

“Também nós somos chamados a abençoar, a bendizer em nome de Deus. O mundo está gravemente poluído pelo dizer mal e pensar mal dos outros, da sociedade, de nós mesmos. De fato, a maledicência corrompe, faz degenerar tudo, enquanto a bênção regenera, dá força para recomeçar.”

Peçamos à Mãe de Deus a graça de sermos jubilosos portadores da bênção de Deus para os outros, como Ela o é para nós.

As mulheres sabem tecer os fios da vida

O segundo verbo é nascer. “São Paulo destaca o fato de o Filho de Deus ter «nascido de uma mulher». Em poucas palavras, nos diz uma coisa maravilhosa: o Senhor nasceu como nós. Não apareceu adulto, mas criança; não veio ao mundo por si só, mas de uma mulher, depois de nove meses no ventre materno onde se deixou tecer a humanidade. Ela não é apenas a ponte entre nós e Deus; é mais: é o caminho que Deus percorreu para chegar até nós e é o caminho que nós devemos percorrer para chegar até Ele”, sublinha o Papa.

Através de Maria, encontramos Deus como Ele quer: na ternura, na intimidade, na carne. Sim, porque Jesus não é uma ideia abstrata; é concreto, encarnado, nasceu de uma mulher e cresceu pacientemente. As mulheres conhecem este concretismo paciente: nós, homens, muitas vezes somos abstratos e queremos uma coisa imediatamente, ao passo que as mulheres são concretas e sabem tecer, com paciência, os fios da vida. Quantas mulheres, quantas mães fazem assim nascer e renascer a vida, dando futuro ao mundo!

“Não estamos no mundo para morrer, mas para gerar vida. E a santa Mãe de Deus nos ensina que o primeiro passo para dar vida àquilo que nos rodeia é amá-lo dentro de nós”, ressalta o Papa. “Diz o Evangelho de hoje que Ela «conservava todas estas coisas, ponderando-as no seu coração».”

Será um bom ano se cuidarmos dos outros

Do coração nasce o bem: como é importante manter limpo o coração, guardar a vida interior, a oração! Como é importante educar o coração para o cuidado, para cuidar das pessoas e das coisas. Tudo começa daqui, de cuidarmos dos outros, do mundo, da criação. Pouco aproveita conhecer muitas pessoas e muitas coisas, se não cuidarmos delas.

“Neste ano, enquanto aguardamos um renascimento e novos tratamentos, não negligenciemos o cuidado. Com efeito, além da vacina para o corpo, é necessária a vacina para o coração: é o cuidado. Será um bom ano se cuidarmos dos outros, como Nossa Senhora faz conosco.”

O terceiro verbo é encontrar. O Papa sublinha que “o Evangelho diz que os pastores «encontraram Maria, José e o menino». Não encontraram sinais prodigiosos e espetaculares, mas uma simples família. Lá, porém, encontraram verdadeiramente Deus, que é imensidão na pequenez, fortaleza na ternura. Mas, como conseguiram os pastores encontrar este sinal tão pouco cintilante? Foram chamados por um anjo. Também nós, não teríamos encontrado Deus, se não fôssemos chamados pela graça. Não podíamos imaginar um Deus assim, que nasce de mulher e revoluciona a história com a ternura. Descobrimos que o seu perdão faz renascer, a sua consolação acende a esperança, a sua presença nos dá uma alegria irreprimível. Na verdade, não se encontra o Senhor de uma vez por todas: Ele tem de ser encontrado todos os dias”.

Encontrar tempo para Deus e para o próximo

“O que somos chamados a encontrar no início do ano? Seria bom encontrar tempo para alguém. O tempo é a riqueza que todos temos, mas somos ciumentos a seu respeito porque queremos usá-la só para nós”, ressalta o Papa.

“Devemos pedir a graça de encontrar tempo para Deus e para o próximo: para quem está só, para quem sofre, para quem precisa de escuta e atenção.”

Se encontrarmos tempo para doar, acabaremos maravilhados e felizes, como os pastores. Nossa Senhora, que trouxe Deus ao tempo, nos ajude a doar o nosso tempo.

O Santo Padre conclui sua homilia, consagrando este novo ano à Santa Mãe de Deus que sabe cuidar de nós e pedindo-lhe para abençoar “o nosso tempo e nos ensinar a encontrar tempo para Deus e para os outros”.

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“Esperançar” é o convite

que o presidente da CNBB faz aos brasileiros neste novo ano

Em mensagem, especialmente gravada para o fim de ano, o arcebispo de Belo Horizonte (MG) e presidente da CNBB, dom Walmor Oliveira de Azevedo, destaca, em referência ao sofrimento causado pela pandemia do novo coronavírus em 2020, que a palavra final não é da dor e da morte, mas da vida que resplandece.

Dom Walmor afirma que em 2021, com a Graça de Deus, a humanidade vencerá a pandemia e um novo ciclo, capaz de gerar uma nova humanidade, se abrirá. Confira, no vídeo abaixo, a íntegra da mensagem do presidente da CNBB para o Ano Novo:

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