domingo, 11 de novembro de 2018

Papa Francisco no Angelus deste domingo:

Jesus diz claramente que Deus está do lado dos últimos
"Jesus desmascara esse mecanismo perverso: denuncia a opressão dos fracos feita instrumentalmente, com base em motivações religiosas, dizendo claramente que Deus está do lado do último. E para fixar bem esta lição na mente dos discípulos, oferece a eles um exemplo vivo: uma pobre viúva, cuja posição social era irrelevante, porque ela não tinha um marido que pudesse defender os seus direitos", disse Francisco.

Cidade do Vaticano - “O ensinamento que Jesus nos oferece hoje nos ajuda a recuperar o que é essencial em nossa vida e favorece um concreto e cotidiano relacionamento com Deus (...). Ele não mede a quantidade, mas a qualidade, perscruta o coração e olha para a pureza das intenções”.
Na presença de 20 mil fiéis e turistas na Praça São Pedro para o tradicional encontro dominical do Angelus, o Papa Francisco refletiu sobre o Evangelho de Marcos, proposto pela liturgia do dia, que contrapõe duas figuras. O escriba que “representa as pessoas importantes, ricas e influentes” e a viúva, que “representa os últimos, os pobres, os fracos”.
Jesus – explica Francisco – tem um julgamento firme em relação aos escribas que “se vangloriam da própria condição social, com o título "rabi", ou seja, mestre, gostam de ser reverenciados e ocupar os primeiros lugares”.
Deus do lado dos últimos
A ostentação deles é “sobretudo de natureza religiosa”, rezam para serem vistos, “e se servem de Deus para se credenciarem como defensores de sua lei”.
“E essa atitude de superioridade e de vaidade – observou o Papa - os leva ao desprezo daqueles que contam pouco ou se encontram em uma posição econômica desvantajosa, como o caso das viúvas”. E Jesus, desmascara este mecanismo perverso:
“Denuncia a opressão dos fracos feita instrumentalmente, com base em motivações religiosas, dizendo claramente que Deus está do lado dos últimos”. 
Para fixar bem este ensinamento, Jesus dá aos seus discípulos o exemplo da viúva, “cuja posição social era irrelevante, porque ela não tinha um marido que pudesse defender os seus direitos, e que por isso torna-se presa fácil de algum credor sem escrúpulos, porque estes credores perseguiam os fracos para que pagassem a eles”:
“Essa mulher, que vai depositar somente duas moedinhas no tesouro do templo, tudo o que lhe restava, e faz a sua oferta procurando passar despercebida, quase envergonhando-se. Mas, precisamente nesta humildade, ela realiza um ato carregado de grande significado religioso e espiritual”.
Deus olha para o coração
Jesus – diz o Santo Padre - vê neste gesto “o dom total de si a quem deseja educar seus discípulos”:
“O ensinamento que Jesus nos oferece hoje nos ajuda a recuperar o que é essencial em nossa vida e favorece um concreto e cotidiano relacionamento com Deus. Irmãos e irmãs, as medidas do Senhor são diferentes das nossas. Ele pesa as pessoas e suas ações de maneira diferente. Deus não mede a quantidade, mas a qualidade, perscruta o coração e olha para a pureza das intenções”.
Isto significa que o nosso "dar" a Deus na oração e aos outros na caridade – observa o Papa - deveria sempre fugir do ritualismo e formalismo, bem como da lógica do cálculo,  ser uma expressão de gratuidade, como fez Jesus conosco: nos salvou gratuitamente; não nos fez pagar a redenção.
Modelo da vida cristã
Desta forma, aquela viúva pobre e generosa torna-se o “modelo da vida cristã a ser imitado”:
“Dela não sabemos o nome, mas conhecemos o coração - a encontraremos no Céu e iremos saudá-la, certamente; e é isso que conta diante de Deus. Quando somos tentados pelo desejo de aparecer e de contabilizar os nossos gestos de altruísmo, quando estamos muito interessados  no olhar dos outros e - permitam-me a palavra - quando fazemos "os pavões", pensemos nessa mulher. Nos fará bem: nos ajudará a nos despojarmos do supérfluo para ir ao que realmente importa e a permanecermos humildes”.
“Que a Virgem Maria – disse o Papa ao concluir -  mulher pobre que se entregou totalmente a Deus, sustente-nos no propósito de dar ao Senhor e aos irmãos não algo de nós mesmos, mas nós mesmos, em uma oferta humilde e generosa”.
Ao saudar os grupos presentes na Praça São Pedro, o Papa Francisco dirigiu-se, entre outros, ao grupo do Coração Imaculado de Maria, do Brasil, e ao grande números de poloneses.
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Reflexão para seu domingo:

O culto prestado a Deus!
O culto prestado a Deus!A Deus não interessam grandes manifestações religiosas ou ritos externos mais ou menos suntuosos, mas uma atitude permanente de entrega nas suas mãos, de disponibilidade para os seus projetos, de acolhimento generoso dos seus desafios, de generosidade para doarmos a nossa vida em benefício dos nossos irmãos.
A liturgia do 32º Domingo do Tempo Comum fala-nos do verdadeiro culto, do culto que devemos prestar a Deus. A Deus não interessam grandes manifestações religiosas ou ritos externos mais ou menos suntuosos, mas uma atitude permanente de entrega nas suas mãos, de disponibilidade para os seus projetos, de acolhimento generoso dos seus desafios, de generosidade para doarmos a nossa vida em benefício dos nossos irmãos.
O Deus de Israel, diferente dos deuses dos pagãos, sente uma predileção especial pelas viúvas e pelos órfãos. É um Deus que é protetor e defensor, e deseja que todo membro do povo eleito se junto a ele em seus cuidados para com estes necessitados. O Apóstolo São Tiago faz das obras de caridade prestadas às viúvas e aos órfãos um dos dois critérios por meio dos quais um cristão pode averiguar se a sua “religião” – a sua devoção – é pura (cf. Tg 1,27).
Dom Eurico dos Santos Veloso
Os pobres são os preferidos de Deus por terem uma vida simples e despojada, sem as superficialidades que complicam a existência humana, as duas viúvas são capazes(a da primeira leitura e do Evangelho) são capazes de sentir as coisas com imediatez. A viúva de Sarepta consegue sentir no seu próprio estômago a fome do profeta Elias(1Rs 17,11-12); a viúva de Jerusalém consegue realmente amar a beleza da casa de Deus, e não apenas apreciá-la esteticamente, precisamente porque é a habitação dele(Mc 12,42).
As viúvas são necessitadas e por isso mesmo simpatizam espontaneamente com outros necessitados. Para um rico é difícil adentrar-se na experiência de um pobre. Para um pobre, é a coisa mais simples do mundo. Os pobres são “totalizantes”(cf. Vultum Dei Quaerere, n. 3). Os pobres não dão parcialmente do pouco que têm; dão tudo, dão o total. A viúva do templo ofereceu as duas únicas moedas que tinha, foi generosa(Mc 12,42). O próprio Jesus ficou alegremente espantado com o gesto irrestrito daquela senhora.
A primeira leitura (cf. 1Rs 17,10-16) apresenta-nos o exemplo de uma mulher pobre de Sarepta, que, apesar da sua pobreza e necessidade, está disponível para acolher os apelos, os desafios e os dons de Deus. A história dessa viúva que reparte com o profeta os poucos alimentos que tem, garante-nos que a generosidade, a partilha e a solidariedade não empobrecem, mas são geradoras de vida e de vida em abundância.
O Evangelho (cf. Mc 12,38-44) diz, através do exemplo de outra mulher pobre, de outra viúva, qual é o verdadeiro culto que Deus quer dos seus filhos: que eles sejam capazes de Lhe oferecer tudo, numa completa doação, numa pobreza humilde e generosa (que é sempre fecunda), num despojamento de si que brota de um amor sem limites e sem condições. Só os pobres, isto é, aqueles que não têm o coração cheio de si próprios, são capazes de oferecer a Deus o culto verdadeiro que Ele espera.
A grande bem-aventurança proclamada por Jesus em sua primeira bem-aventurança é “Felizes vós, os pobres”(Lc 6,20). A sua pobreza os veste com especial beleza, muito apreciada por Jesus e por seu Pai.
A segunda leitura (cf. Hb 9,24-28) oferece-nos o exemplo de Cristo, o sumo-sacerdote que entregou a sua vida em favor dos homens. Ele mostrou-nos, com o seu sacrifício, qual é o dom perfeito que Deus quer e que espera de cada um dos seus filhos. Mais do que dinheiro ou outros bens materiais, Deus espera de nós o dom da nossa vida, ao serviço desse projeto de salvação que Ele tem para os homens e para o mundo.
Jesus discreto no templo: Vê os ricos, mas a sua atenção vira-se para a pobre viúva. Olhar curioso, inquiridor? Não! Como seu Pai, Jesus ultrapassa as aparências, vê o coração. A viúva deu toda a sua vida, tudo o que tinha. Não se questiona sobre como vai viver a seguir. Dá um salto no abandono total de si mesma ao Senhor. Ela é verdadeiramente filha de Abraão, o Pai da fé. Espera contra toda a esperança. Lança-se nos braços de Deus. Ao olhar esta pobre viúva, Jesus devia pensar certamente em si mesmo. Também nós somos reenviados a nós mesmos. Não se trata daquilo que damos no peditório, em cada domingo! Trata-se da nossa fé, da confiança que damos ao nosso Pai dos céus. Todos nós conhecemos momentos em que tudo escurece, em que não temos mais apoios, em que a nossa vida parece tremer. É então que se pode verificar a solidez da nossa fé, da nossa confiança. “Senhor, eu creio, mas vem em auxílio da minha pouca fé! Pai, entrego-me nas tuas mãos!”
                        Dom Eurico dos Santos Veloso - Arcebispo Emérito de Juiz de Fora – MG 
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                                                                                                          Fonte: cnbbleste2.org.br

sábado, 10 de novembro de 2018

Editorial do Vaticano:

Política, em busca do bem comum
O Papa Francisco anunciou ao mundo nesta semana o tema da mensagem do 52ª Dia Mundial da Paz, que será celebrado em 1° de janeiro de 2019: “A boa política está a serviço da paz”.

"Todos nós queremos a paz. E, mais do que ninguém, a deseja quem sofre com a sua falta". Foi o que disse o Papa Francisco na mensagem em vídeo para as intenções de oração do mês de novembro. "Podemos pronunciar palavras esplêndidas - disse - mas se a paz estiver faltando no coração do homem, ela não existirá nem mesmo no mundo". A consciência do Papa é que "com zero de violência e 100% de ternura, poderemos construir a paz evangélica que não exclui ninguém". Portanto, o convite a rezar juntos para que a "linguagem do coração e do diálogo prevaleça sempre sobre a linguagem das armas".
E o Papa Francisco anunciou ao mundo nesta semana o tema da mensagem do 52ª Dia Mundial da Paz, que será celebrado em 1° de janeiro de 2019: “A boa política está a serviço da paz”.
A política, a "boa", tem um longo olhar. Ao tentar interpretar a realidade cotidiana em que está imersa, se preocupa com o amanhã, olha para o "futuro da vida e do planeta", pensa nos "mais jovens e nos pequenos", se pergunta como dar respostas à sua "sede de realização".
Compromisso para com o bem comum
Na Mensagem para o  Dia Mundial da Paz o Papa vai à raiz do compromisso para com o bem comum. Uma "missão" - explica - que não pode ignorar a "salvaguarda do direito" e o incentivo" ao diálogo entre os atores da sociedade, entre as gerações e entre as culturas".
"A boa política está a serviço da paz" este é o tema da Mensagem cujo texto será divulgado em breve. Um reconhecimento, melhor uma recordação, que, enquanto enfatiza que "a responsabilidade política pertence a todos os cidadãos", acrescenta que esse princípio se aplica "em especial àqueles que receberam o mandato de proteger e governar". Cabe a eles, em primeiro lugar, assumir compromissos, ações, medidas capazes de fortalecer a comunidade, de colocar em diálogo componentes mesmo muito distantes, de trabalhar para que se entendam. Longe de preconceitos, na fraternidade. "Não há paz, de fato, sem confiança mútua" - ressalta o breve comentário divulgado pela Sala de Imprensa do Vaticano no qual dá o anúncio do tema. “E a confiança tem como primeira condição o respeito pela palavra dada”. Não às promessas vãs então, aquelas prefiguradas já sabendo que não podem ser mantidas. Sim, a ações capazes de envolver todos os atores sociais na construção do bem comum.
Liberdade de escolha
"De acordo com a sua vocação – escreveu Paulo VI em sua Carta Apostólica ‘Octogesima adveniens’ -, o poder político deve saber como se desvincular de interesses particulares para considerar cuidadosamente a sua responsabilidade para com o bem de todos, superando inclusive os limites nacionais. Levar a política a sério em seus diferentes níveis - local, regional, nacional e mundial - significa afirmar o dever do homem, de todo homem, de reconhecer a realidade concreta e o valor da liberdade de escolha que lhe é oferecida para tentar realizar juntos o bem da cidade, da nação, da humanidade".
A política, portanto, como matéria frágil e poderosa, não deve ser tratada como lugar comum desgastado, mas deve sempre ser respeitada. Respeitada como vocação e compromisso.
A política como a mais alta forma de caridade, para retomar uma imagem de São Paulo VI citada muitas vezes pelo Papa Francisco, rejeitando sem apelo, teorias, ações, intervenções pensadas e realizadas apenas para construir muros, para fazer prevalecer uns sobre os outros, para fortalecer as divisões culturais, sociais e políticas. "Hoje os populismos estão na moda, r nada têm a ver com o" popular "- repetiu o Pontífice - em 6 de outubro último: o popular é a cultura do povo, e a cultura do povo é expressa na arte , se expressa na festa: cada povo faz festa à sua maneira. Mas o populismo é o oposto: é o fechamento em um modelo, "estamos fechados, estamos sozinhos" e, quando estamos fechados, não avançamos ".
Consciência de pertencer à mesma comunidade
A Mensagem para o dia de 1º de janeiro de 2019, ao contrário, traz consigo as sementes boas da comunidade que é baseada na amizade social, que valoriza as peculiaridades, que se traduz em compromisso pessoal e coletivo para o bem de todos. "Quando o homem é respeitado nos seus direitos - recordava São João XXIII na encíclica ‘Pacem in terris’ (1963) – brota nele o sentido do dever de respeitar os direitos dos outros. Os direitos e os deveres do homem aumentam a consciência de pertencer à mesma comunidade, com os outros e com Deus”. Somos, portanto, chamados - diz a nota da Sala de Imprensa do Vaticano - "a levar e anunciar a paz como a boa notícia de um futuro em que cada ser vivo será considerado em sua dignidade e em seus direitos".
Trata-se de pensar em grande e especialmente no plural, de não nos limitarmos ao hoje, mas de desenhar autênticas perspectivas de futuro, de alimentar - escreve o Papa Francisco na Evangelii gaudium - "um diálogo autêntico que se oriente eficazmente para curar as raízes profundas e não a aparência dos males do nosso mundo! A política, tão denegrida - continua a Exortação Apostólica - é uma vocação muito elevada, é uma das mais preciosas formas de caridade, porque busca o bem comum".
                                                                                                                           Silvonei José
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sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Arquidiocese de Pouso Alegre

ganhará nova paróquia em março de 2019

O cônego Simâo Cirineu anunciou na manhã desta sexta-feira (09) a criação da nova paróquia no município de Andradas. Trata-se da paróquia Nossa Senhora Aparecida, que será criada canonicamente no dia 25 de março de 2019. A decisão do padroeiro no novo território eclesial se deu durante reunião do Conselho Paroquial de Pastoral (CPP). 
"Para escolha do nome da padroeira da nova paróquia foi feita uma consulta popular entre os membros do CCP e com as lideranças das comunidades que farão parte do território da nova paróquia. Ao todo, 690 pessoas votaram. Os mais votados foram Nossa Senhora Aparecida, com 251 votos; Sagrada Família com 79; e Santa Rita de Cássia com 68 votos", explicou cônego Simão.
A nova paróquia será formada por 20 comunidades, sendo 10 urbanas e 9  rurais e o distrito da Gramínea. A igreja de Santa Rita, na Vila Leandro Previato, será usada como Matriz, enquanto a casa paroquial está localizada na comunidade Santo Antônio do Nasa, no centro geográfico da nova paróquia. O marco divisório de referência será a Rua Delfim Moreira.
A Arquidiocese
Atualmente, a Arquidiocese de Pouso Alegre é formada por 68 paróquias em 49 municípios. Destas paróquias, 4 foram criadas no século XVIII; 29 no século XIX; 20 no século XX; e 15 no Século XXI. São 114 presbíteros incardinados e um diácono. 
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                                         Fonte: arquidiocese-pa.org.br   Texto e foto: Pe. Andrey Nicioli

Leituras do

32º Domingo do Tempo Comum

1ª Leitura: 1Rs 17,10-16
Primeiro Livro dos Reis
Naqueles dias, Elias pôs-se a caminho e foi para Sarepta. Ao chegar à porta da cidade, viu uma viúva apanhando lenha. Ele chamou-a e disse: “Por favor, traze-me um pouco de água numa vasilha para eu beber”.
Quando ela ia buscar água, Elias gritou-lhe: “Por favor, traze-me também um pedaço de pão em tua mão”. Ela respondeu: “Pela vida do Senhor, teu Deus, não tenho pão. Só tenho um punhado de farinha numa vasilha e um pouco de azeite na jarra. Eu estava apanhando dois pedaços de lenha, a fim de preparar esse resto para mim e meu filho, para comermos e depois esperar a morte”.
Elias replicou-lhe: “Não te preocupes! Vai e faze como disseste. Mas, primeiro, prepara-me com isso um pãozinho e traze-o. Depois farás o mesmo para ti e teu filho. Porque assim fala o Senhor, Deus de Israel: ‘A vasilha de farinha não acabará e a jarra de azeite não diminuirá, até o dia em que o Senhor enviar a chuva sobre a face da terra’”. A mulher foi e fez como Elias lhe tinha dito. E comeram, ele e ela e sua casa, durante muito tempo. A farinha da vasilha não acabou nem diminuiu o óleo da jarra, conforme o que o Senhor tinha dito por intermédio de Elias.
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Salmo: 145
Bendize, minh’alma, bendize ao Senhor!
Bendize, minh’alma, bendize ao Senhor!
- O Senhor é fiel para sempre,/ faz justiça aos que são oprimidos;/ ele dá alimento aos famintos,/ é o Senhor quem liberta os cativos.
- O Senhor abre os olhos aos cegos,/ o Senhor faz erguer-se o caído;/ o Senhor ama aquele que é justo./ É o Senhor quem protege o estrangeiro.
- Quem ampara a viúva e o órfão,/ mas confunde os caminhos dos maus./ O Senhor reinará para sempre!/ Ó Sião, o teu Deus reinará/ para sempre e por todos os séculos!
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2ª Leitura: Hb 9,24-28
Carta aos Hebreus
Cristo não entrou num santuário feito por mão humana, imagem do verdadeiro, mas no próprio céu, a fim de comparecer, agora, na presença de Deus, em nosso favor.
E não foi para se oferecer a si muitas vezes, como o sumo sacerdote que, cada ano, entra no Santuário com sangue alheio. Porque, se assim fosse, deveria ter sofrido muitas vezes, desde a fundação do mundo. Mas foi agora, na plenitude dos tempos, que, uma vez por todas, ele se manifestou para destruir o pecado pelo sacrifício de si mesmo.
O destino de todo homem é morrer uma só vez e, depois, vem o julgamento. Do mesmo modo, também Cristo, oferecido uma vez por todas, para tirar os pecados da multidão, aparecerá uma segunda vez, fora do pecado, para salvar aqueles que o esperam.
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Evangelho: Mc 12,38-44
Evangelho de São Marcos:
A viúva doou tudo o que possuía
Naquele tempo, Jesus dizia, no seu ensinamento a uma grande multidão: “Tomai cuidado com os doutores da Lei! Eles gostam de andar com roupas vistosas, de ser cumprimentados nas praças públicas; gostam das primeiras cadeiras nas sinagogas e dos melhores lugares nos banquetes. Eles devoram as casas das viúvas, fingindo fazer longas orações. Por isso eles receberão a pior condenação”.
Jesus estava sentado no Templo, diante do cofre das esmolas, e observava como a multidão depositava suas moedas no cofre. Muitos ricos depositavam grandes quantias.
Então chegou uma pobre viúva que deu duas pequenas moedas, que não valiam quase nada. Jesus chamou os discípulos e disse: “Em verdade vos digo, esta pobre viúva deu mais do que todos os outros que ofereceram esmolas. Todos deram do que tinham de sobra, enquanto ela, na sua pobreza, ofereceu tudo aquilo que possuía para viver”.
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Reflexão:
A verdadeira generosidade
Tempo de seca. O profeta migrante Elias, aliviado pela água do córrego do Carit e alimentado pelos corvos do céu, dirige-se a Sarepta, no país vizinho (no Líbano). Pede a uma pobre viúva um pedaço de pão, e ela, com a última farinha, prepara-o para o profeta. Depois, não tendo mais nada, ela terá de morrer de fome, ela e seu filho. Milagrosamente, porém, a partir daquele momento a farinha não termina mais (1ª leitura).
A generosidade da pobre viúva tornou-se proverbial. Viúva naquela sociedade geralmente era pobre, sobretudo se não tivesse filho que a sustentasse. Assim era a viúva que entrou no templo, naquele dia em que Jesus estava observando a sala onde se depositavam as ofertas (evangelho). Ela tirou um donativo para o templo daquilo que lhe servia de sustento. Observa Jesus que os ricaços piedosos que passavam por aí davam uma ninharia de seu supérfluo, enquanto a viúva deu tudo quanto tinha para viver, “toda sua vida” (tradução literal). É essa a generosidade que Jesus preza. E essa prática da generosidade é acessível a ricos e pobres, especialmente aos pobres, porque são menos apegados. Isso é importante, pois no tempo de Jesus – e ainda hoje – há quem pense que é preciso ser rico para oferecer donativos e assim agradar a Deus.
A observação de Jesus faz parte de uma critica aos escribas que ensinam a Lei, mas entretanto exploram os pobres e “devoram as casas das viúvas” (Mc 12,38-41). Como? Induzindo as viúvas a entregar em herança as suas moradias em troca de uma mixirrica assistência? Não se sabe com exatidão a que Jesus se refere, mas sua observação constitui uma crítica violenta à generosidade calculista que encontramos em nossa sociedade hoje. Em vez de praticar a justiça social, em vez de fazer (e aplicar) leis que garantam a distribuição eqüitativa dos bens, a sociedade mantém um sistema de beneficência paterna lista, que justifica lucros maiores. As esmolas até se podem descontar do imposto …
A generosidade que Jesus preza é duplamente generosa. É radical, pois priva a gente do necessário. É gratuita, pois ocorre sob os olhos de Deus, com quem não é possível fazer negócios escusos. Dá-se tudo sem pedir nada de volta. “Loucura, a vida não é assim!” Mas na loucura está a felicidade de amar sem restrição nem cálculo, como que para responder ao infinito amor de Deus para conosco. Generosidade gratuita é imitação de Deus (Mt 5,45-48).
Mas, e o lucro que é o “céu”? “Deus te pague”, “Dar ao pobre é investir no céu” … Essas maneiras de falar, examinadas à lupa, mostram ainda muito egoísmo. Não devemos ser generosos para comprar o céu. Devemos ser generosos porque o céu já chegou até nós, porque Deus veio à nossa presença em Jesus. Em certo sentido já ganhamos o céu, porque Jesus se doou a nós. E é por isso que queremos ser generosos como a viúva da entrada do templo e a viúva de Sarepta. Por gratidão.
                             Do livro “Liturgia Dominical”, de Johan Konings, SJ, Editora Vozes
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Papa na missa na Casa Santa Marta:

Evitar uma lista de preços para os Sacramentos
Em sua homilia na capela da Casa Santa Marta, o Papa Francisco comentou o episódio evangélico da "purificação do templo" e convida os fiéis a refletirem sobre o zelo e o respeito que reservam hoje às "nossas igrejas".

Cidade do VaticanoO Papa Francisco iniciou a sexta-feira (09/11) celebrando a missa na capela de sua residência, a Casa Santa Marta.
Na homilia, ele comentou o Evangelho do dia, extraído de João, explicando as motivações que levam à agressividade de Jesus, que expulsa violentamente os mercantes do Templo. O Filho de Deus é impulsionado pelo amor, “pelo zelo” que sente pela casa do Senhor, “convertida num mercado”.
Os ídolos escravizam
Entrando no templo, onde se vendiam bois, ovelhas e pombas, na presença dos cambistas, Jesus reconhece que aquele lugar era povoado por idolatras, homens prontos a servir ao “dinheiro” ao invés de “Deus”. “Por trás do dinheiro há o ídolo”, destacou Francisco, os ídolos são sempre de ouro. E os ídolos escravizam:
Isso nos chama a atenção e nos faz pensar em como nós tratamos os nossos templos, as nossas igrejas; se realmente são casa de Deus, casa de oração, de encontro com o Senhor; se os sacerdotes favorecem isso. Ou se parecem com os mercados. Eu sei... algumas vezes que vi – não aqui em Roma, mas em outro lugar – vi uma lista de preços. “Mas como pagar pelos Sacramentos?”. “Não, é uma oferta”. Mas se querem dar uma oferta – e devem dá-la – que a coloquem na caixa das ofertas, escondido, que ninguém veja quanto está dando. Também hoje existe este perigo: “Mas devemos manter a Igreja. Sim, sim, sim, realmente.” Que os fiéis a mantenham, mas na caixa das ofertas, não com uma lista de preços.
Que as igrejas não se tornem mercado
O Papa Francisco adverte também para a tentação da mundanidade:
Pensemos em algumas celebrações de algum Sacramento talvez, ou comemorativas, onde você vai e vê: não sabe se é um local de culto, a casa de Deus ou uma salão social. Algumas celebrações que escorregam para a mundanidade. É verdade que as celebrações têm que ser bonitas – bonitas –, mas não mundanas, porque a mundanidade depende do deus dinheiro. É uma idolatria também. Isso nos faz pensar, e também no que diz respeito a nós: como é o nosso zelo pelas nossas igrejas, o respeito que nós temos ali quando entramos.
O templo do coração
O Pontífice refletiu depois sobre a primeira carta de São Paulo aos Coríntios, esclarecendo que também o coração de cada um de nós representa “um templo: templo de Deus”. Mesmo conscientes de sermos pecadores, portanto, cada um deveria interrogar o próprio coração para verificar se é “mundano e idolatra”.
Eu não pergunto qual é o seu pecado, o meu pecado. Pergunto se existe dentro de você um ídolo, se há o senhor dinheiro. Porque quando existe o pecado há o Senhor Deus misericordioso que perdoa se você vai até Ele. Mas se há o outro senhor – o deus dinheiro – você é um idolatra, isto é, um corrupto: não mais um pecador, mas um corrupto. O cerne da corrupção é justamente uma idolatria: é ter vendido a alma ao deus dinheiro, ao deus poder. É um idolatra.
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quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Papa Francisco na missa desta quinta-feira:

Testemunhar é romper um costume, uma maneira de ser
"O que atrai é o testemunho, não as palavras, que certamente ajudam, mas o testemunho é o que atrai e faz a Igreja crescer", disse Francisco.

Cidade do Vaticano O Papa Francisco celebrou a missa, nesta quinta-feira (08/11), na Casa Santa Marta, e em sua homilia destacou três palavras: testemunho,  murmuração e pergunta.
A reflexão se desenvolveu a partir do Evangelho de Lucas, da liturgia do dia: “Os publicanos e pecadores aproximavam-se de Jesus para o escutar. Os fariseus, porém, e os mestres da Lei criticavam Jesus. 'Este homem acolhe os pecadores e faz refeição com eles.'”
O testemunho faz a Igreja crescer
Primeiramente, há o testemunho de Jesus: “Uma coisa nova para aquele tempo”, ressaltou o Papa, “porque encontrar os pecadores tornava a pessoa impura, assim como tocar um leproso”. Por isso, os doutores da lei se distanciavam. Francisco observou que “nunca na história o testemunho foi algo confortável para as testemunhas, que muitas vezes pagam com o martírio, e para os poderosos”.
“Testemunhar é romper um costume, uma maneira de ser. Romper para melhorar, para mudar. Por isso, a Igreja vai adiante para testemunhar. O que atrai é o testemunho, não as palavras, que certamente ajudam, mas o testemunho é o que atrai e faz a Igreja crescer. Jesus testemunha. É algo novo, mas não muito novo, porque a misericórdia de Deus existe desde o Antigo Testamento. Os doutores da lei nunca entenderam isso: ‘Eu quero misericórdia e não sacrifícios’. Eles liam, mas não entendiam o significado da misericórdia. Jesus com sua maneira de agir, proclama essa misericórdia com o testemunho.”
O testemunho “sempre quebra um costume e coloca a pessoa em risco”, disse o Papa.
Testemunho de Jesus provoca murmuração
O testemunho de Jesus provoca murmuração. Os fariseus, os escribas, os doutores da lei diziam: ‘Este homem acolhe os pecadores e faz refeição com eles’. Não diziam: ‘Mas, olha, este homem parece ser bom, pois busca converter os pecadores’. Um comportamento que consiste em fazer sempre “um comentário negativo para destruir o testemunho”. “Este pecado da murmuração é cotidiano, tanto no pequeno quanto no grande”, observou Francisco, ressaltando que na vida, nós murmuramos “porque não gostamos disso e daquilo”, e ao invés de dialogar ou “tentar resolver uma situação conflituosa, murmuramos escondido, sempre em voz baixa, pois não temos a coragem de falar claramente”.
Assim, acontece também “nas pequenas sociedades”, “nas paróquias”. “Quanto se murmura nas paróquias? Por muitas coisas”, disse o Papa, evidenciando que se há “um testemunho que eu não gosto ou uma pessoa que eu não gosto, logo se desencadeia a falação”:
“E na diocese? As lutas dentro das dioceses. As lutas internas nas dioceses! Vocês sabem disso. E também na política. Isso é feio. Quando um governo não é honesto, procura sujar os adversários com a murmuração. Que seja difamação, calúnia, procura sempre. Vocês conhecem bem os governos ditadores, pois viveram isso. O que faz um governo ditador? Primeiro, toma os meios de comunicação com uma lei e dali começa a murmurar, a menosprezar todos aqueles que são um perigo para o governo. O murmúrio é o nosso pão cotidiano no âmbito  pessoal, familiar, paroquial, diocesano, social ...”
A pergunta de Jesus
“Trata-se de um subterfúgio para não olhar a realidade, para não permitir que pensemos”. Jesus sabe, mas é bom e ao invés de condená-los pela murmuração, faz uma pergunta. “Usa o mesmo método que eles usam”, ou seja, o de fazer perguntas. Eles fazem perguntas para colocar Jesus em dificuldade, “com má intenção”, “para fazê-lo cair”: por exemplo, com uma pergunta sobre os impostos a serem pagos ao império ou sobre repudiar a própria esposa. Jesus usa o mesmo método, “mas depois vemos a diferença”. Jesus lhes diz:
“Se um de vós tem cem ovelhas e perde uma, não deixa as noventa e nove no deserto, e vai atrás daquela que se perdeu, até encontrá-la?, como recorda o Evangelho de hoje. “O normal seria que eles entendessem”, ao invés disso, eles fazem o cálculo: “Eu tenho 99”, uma se perdeu, “está chegando o pôr do sol. Começa a escurecer”:
“Deixemos pra lá aquela perdida e entre perdas e ganhos teremos lucro. Salvemos estas”. Essa é a lógica farisaica. Essa é a lógica dos doutores da lei. “Qual de vocês? E eles escolhem o contrário de Jesus. Por isso, não conversam com os pecadores, com os publicanos, não vão até eles porque: “É melhor não se sujar com essa gente, é um risco. Conservemos os nossos”. Jesus é inteligente em lhes faz essa pergunta: entra na sua casuística, mas os deixa numa posição diferente em relação àquela justa. “Qual de vocês? Ninguém diz: “Sim, é verdade”, mas todos: “Não, não o farei”. Por isso, são incapazes de perdoar, de serem misericordiosos, de receber.
A lógica do Evangelho contrária à lógica do mundo
Por fim, o Papa recordou mais uma vez as três palavras de sua reflexão: “testemunho”, que é provocador, “que faz a Igreja crescer”, “murmuração” que é “como uma guarda do meu interior para que o testemunho não me fira”, e “a pergunta” de Jesus. Francisco também recordou as palavras alegria e festa, que essas pessoas não conhecem: “Todos aqueles que seguem o caminho dos doutores da lei não conhecem a alegria do Evangelho”, sublinhou o Pontífice, que concluiu com a seguinte frase: “Que o Senhor nos faça entender essa lógica do Evangelho contrária à lógica do mundo”.
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                                                                                                                 Fonte: vaticannews.va