Na tarde deste
domingo, realizou-se no Centro Pastoral São José o Encontro de Formação de
Lideranças de nossa paróquia. Foram cinquenta e seis agentes pastorais da comunidades urbanas e
rurais os participantes.
Foram
trabalhadas pelo Pe. Sebastião Márcio Maciel e pelo seminarista Júlio César as
propostas da 9ª Assembleia de Pastoral que serão implementadas nas paróquias
neste final de ano e em 2017, relacionadas às prioridades Comunidade de fé a
serviço das famílias, Comunidade de fé em estado permanente de missão e
Comunidade de fé a serviço da vida plena para todos, e as condições fundamentais, Formação
Permanente e Pastoral Orgânica.
Pe. Tales, familiares e agentes pastorais
Cada comunidade
representada recebeu um banner para ser afixado em suas igrejas e capelas com o
Objetivo Geral da Ação Evangelizadora da Arquidiocese e com as citadas
prioridades e condições.
No final foram
repassados pelo Pe. Sebastião alguns avisos orientadores da vida das
comunidades paroquiais e dada a bênção pelos sacerdotes.
Após o término
do estudo, houve alguns momentos de confraternização, quando os participantes
homenagearam o Pe. Tales Tadeu Ananias pelo seu aniversário natalício, que
contaram também com a presença de seus pais, familiares e amigos.
Parabéns, Pe. Tales! Que Deus continue derramando
copiosas bênçãos sobre sua vida e seu ministério sacerdotal!
Madre Teresa foi dispensadora generosa da misericórdia divina
Cidade do
Vaticano (RV) - A missão de Madre Teresa de Calcutá “permanece nos nossos dias
como um testemunho eloquente da proximidade de Deus junto dos mais pobres entre
os pobres”: disse o Papa Francisco na missa de canonização da religiosa
fundadora das Missionárias da Misericórdia, cuja celebração foi presidida na
Praça São Pedro, lotada por cerca de 120 mil fiéis e peregrinos provenientes de
todas as partes do mundo.
Uma dia de festa
para a Igreja e para o mundo, para todos homens e mulheres de boa vontade que
conheceram nesta religiosa de origem albanesa uma gigante da caridade dos
nossos dias, apresentada pelo Pontífice ao mundo do voluntariado – que nestes
dias celebra seu Jubileu – “como modelo de santidade para todos os Agentes de
Misericórdia.
Partindo da
passagem do livro da Sabedoria (9,13) em que o autor sapiencial pergunta “Qual
o homem que conhece os desígnios de Deus?”, o Pontífice afirmou que esta
interrogação presente na liturgia dominical apresenta a nossa vida como um
mistério, cuja chave de interpretação não está em nossa posse.
“Os
protagonistas da história são sempre dois: Deus de um lado e os homens do
outro. A nossa missão é perceber a chamada de Deus e aceitar a sua vontade. Mas
para aceitá-la sem hesitar, perguntemo-nos: qual é a vontade de Deus na minha
vida?”, continuou Francisco.
“Para Deus são
agradáveis todas as obras de misericórdia, porque no irmão que ajudamos,
reconhecemos o rosto de Deus que ninguém pode ver (cf. Jo 1,18). Todas as vezes
em que nos inclinamos às necessidades dos irmãos, dêmos de comer e beber a
Jesus; vestimos, apoiamos e visitamos o Filho de Deus (cf. Mt 25,40).
“Somos chamados
a por em prática o que pedimos na oração e professamos na fé.” Dito isso, o
Santo Padre fez uma premente advertência: “Não existe alternativa para a
caridade; quem se põe ao serviço dos irmãos, embora não o saibamos, são aqueles
que amam a Deus.
Francisco na Missa da Canonização
A vida cristã,
observou, não é uma simples ajuda oferecida nos momentos de necessidade. “Se
assim fosse, certamente seria um belo sentimento de solidariedade humana, que
provoca um benefício imediato, mas seria estéril, porque careceria de raízes. O
compromisso que o Senhor pede, pelo contrário, é o de uma vocação para a
caridade com que cada discípulo de Cristo põe ao seu serviço a própria vida,
para crescer no amor todos os dias.”
Após ressaltar
que na página do Evangelho proposto na liturgia do dia ouvimos que “seguiam com
Jesus grandes multidões” (Lc 14,25), hoje, a “grande multidão” é representada
pelo “vasto mundo do voluntariado, aqui reunido por ocasião do Jubileu da
Misericórdia. Sois aquela multidão que segue o Mestre, e que torna visível o
seu amor concreto por cada pessoa”, disse o Pontífice dirigindo-se diretamente
a eles.
“Quantos
corações os voluntários confortam! Quantas mãos apoiam; quantas lágrimas
enxugam; quanto amor é derramado no serviço escondido, humilde e
desinteressado! Este serviço louvável dá voz à fé e manifesta a misericórdia do
Pai que se faz próximo daqueles que passam por necessidade.”
Milhares de fiéis participam da canonização
Francisco
lembrou que seguir Jesus é um compromisso sério e ao mesmo tempo alegre; “exige
radicalidade e coragem para reconhecer o divino Mestre no mais pobre e
colocar-se ao seu serviço”.
“Para isso, os
voluntários que servem os últimos e necessitados por amor de Jesus não esperam
nenhum agradecimento ou gratificação, mas renunciam tudo isso porque
encontraram o amor verdadeiro.”
Como o Senhor
veio até mim e se inclinou sobre mim na hora da necessidade, continuou, “assim
vou ao seu encontro e me inclino sobre aqueles que perderam a fé ou vivem como
se Deus não existisse, sobre os jovens sem valores e ideais, sobre as famílias
em crise, sobre os enfermos e os prisioneiros, sobre os refugiados e imigrantes,
sobre os fracos e desamparados no corpo e no espírito, sobre os menores
abandonados à própria sorte, bem como sobre os idosos deixados sozinhos.”
“Onde quer que
haja uma mão estendida pedindo ajuda para levantar-se, ali deve estar a nossa
presença e a presença da Igreja, que apoia e dá esperança”, afirmou Francisco
com veemência.
“Madre Teresa,
ao longo de toda a sua existência, foi uma dispensadora generosa da
misericórdia divina, fazendo-se disponível a todos, através do acolhimento e da
defesa da vida humana, dos nascituros e daqueles abandonados e descartados.
Comprometeu-se na defesa da vida, proclamando incessantemente que «quem ainda
não nasceu é o mais fraco, o menor, o mais miserável».”
Santa Teresa de Calcutá é elevada aos altares
Referindo-se
ainda sobre a nova Santa, disse que a fundadora das Missionárias da Caridade se
inclinou “sobre as pessoas indefesas, deixadas moribundas à beira da estrada,
reconhecendo a dignidade que Deus lhes dera; fez ouvir a sua voz aos poderosos
da terra, para que reconhecessem a sua culpa diante dos crimes da pobreza
criada por eles mesmos.”
A misericórdia
foi para ela, recordou Francisco, “sal”, que dava sabor a todas as suas obras,
e a luz que iluminava a escuridão de todos aqueles que nem sequer tinham mais
lágrimas para chorar pela sua pobreza e sofrimento.
“A sua missão
nas periferias das cidades e nas periferias existenciais permanece nos nossos
dias como um testemunho eloquente da proximidade de Deus junto dos mais pobres
entre os pobres. Hoje entrego a todo o mundo do voluntariado esta figura
emblemática de mulher e de consagrada: que ela seja o vosso modelo de
santidade!”
“Que esta
incansável agente de misericórdia nos ajude a entender mais e mais que o nosso
único critério de ação é o amor gratuito, livre de qualquer ideologia e de
qualquer vínculo e que é derramado sobre todos sem distinção de língua,
cultura, raça ou religião.”
Madre Teresa
gostava de dizer: «Talvez não fale a língua deles, mas posso sorrir». “Levemos
no coração o seu sorriso e o ofereçamos a quem encontremos no nosso caminho,
especialmente àqueles que sofrem. Assim abriremos horizontes de alegria e de
esperança numa humanidade tão desesperançada e necessitada de compreensão e
ternura”, concluiu o Papa. (RL)
Papa recorda aqueles que se colocam a serviço dos irmãos arriscando a vida
Ao término da celebração da missa de canonização de Madre
Teresa de Calcutá, antes da bênção final, o Papa saudou e agradeceu a todos os
presentes na Praça São Pedro, de modo particular, às Missionárias e aos
Missionários da Caridade, que são a família espiritual da religiosa de origem
albanesa.
“A vossa
Fundadora vele sobre o vosso caminho e obtenha para vós ser fiéis a Deus, à
Igreja e aos pobres.”
Que sejais fiéis a Deus, à Igreja e aos pobres!
Dirigindo-se
também às autoridades presentes, em particular dos países ligados à figura da
nova Santa, bem como às delegações oficiais e aos numerosos grupos de
peregrinos vindos de tais países na feliz circunstância, pediu ao Senhor que
abençoe as nações das quais provinham.
Saudando
afetuosamente os voluntários e agentes de misericórdia, confiou-os – como já
havia feito durante a homilia da celebração – à proteção de Madre Teresa: que
“ela os ensine a contemplar e adorar todos os dias Jesus Crucificado para
reconhecê-lo e servi-lo nos irmãos necessitados”, disse Francisco estendendo o
pedido de graças a todos aqueles que se uniram à celebração através dos meios
de comunicação de todas as partes do mundo.
Em seguida, o
pensamento do Pontífice voltou-se para todos aqueles que, em contextos difíceis
e arriscados, se colocam a serviço dos irmãos:
“Penso
especialmente em tantas religiosas que dão a sua vida sem poupar-se. Rezemos,
em particular, pela missionária espanhola, Irmã Isabel, assassinada dois dias
atrás na capital do Haiti, um país que vive tão duras provações, pelo qual faço
votos de que cessem tais atos de violência e haja maior segurança para todos.
Recordemos também outras Irmãs que, recentemente, sofreram violências em outros
países.” (RL)
“Qualquer um de
vós, se não renunciar a tudo o que tem, não pode ser meu discípulo!”(Lucas
14,33).
Quando nos
apegamos a pessoas, lugares, animais, dinheiro ou a qualquer coisa, nem sempre
é fácil renunciá-los. O que dirá dos vícios! Somente com o fortalecimento da
vontade e em vista de uma necessidade ou um valor muito maior é que o fazemos.
Jesus nos
desafia: “Qualquer um de vós, se não renunciar a tudo o que tem, não pode ser
meu discípulo!” (Lucas 14,33). Para fazer isso, precisamos conhecer bem
quem é Ele e sua proposta de benefício. Se alguém somente vir nele um líder
religioso, pode não levar muito a sério o que Ele diz. Ele fala de seu Reino a
se implantar aqui na nossa vida e ser coroado na eternidade. Mas ele já morreu.
Como podemos conseguir o Reino definitivo feliz? No entanto, Ele está
presente entre nós e estará na eternidade porque não ficou na morte, como nós
mortais. Sua ressurreição nos dá a certeza de quem Ele é. Por isso, suas
palavras devem ser levadas em consideração. Precisamos sim renunciar a tudo, ou
seja, superar nosso apego a tudo para nos ligarmos de forma total a Ele. As
afeições humanas são relativas e devem ser pautadas pelo absoluto de Deus. Daí
o respeito aos valores que superam o puro animalesco e instintivo. Tudo é bom,
mas assumido e usado dentro dos parâmetros do Criador. A ética, a moral, o
respeito à dignidade da vida, da pessoa humana, da família, do sexo e de todos
os valores inerentes à lei natural e divina revelada pelo Filho são
indispensáveis para vivermos como pessoas humanas que têm dignidade.
O próprio Divino
Mestre nos ensina sobre a cruz na vida. Ela está presente em nossos limites,
desafios, transtornos e dificuldades pessoais e relacionais. Ninguém se priva
disso. Mas podemos reverter a amargura de tudo em tentos de resultado positivo,
quando tudo suportamos com amor à causa e ao porquê da vida de sentido,
assumidas para realizar o bem. Dessa maneira compreendemos porque Ele diz que
está conosco ajudando-nos a carregá-la. Nosso mérito será grande diante dele.
Tudo é armazenado na caução de benefício para aqui e a eternidade. Aliás, vemos
até nossos sacrifícios serem motivo de prazer, quando, por exemplo, lutamos
para a aquisição de casa própria. O esforço pode ser grande, mas, uma vez
atingido o objetivo, vemos que o esforço foi compensado. É justamente em vista
do objetivo da vida assumida conforme o projeto divino é que renunciamos a
outras opções, mesmo prazerosas, em vista de um valor maior, sabendo da
recompensa divina. Ao contrário, se já temos a recompensa aqui na terra, na
busca desenfreada de satisfações lícitas e ilícitas moralmente falando, não
teremos o benéfico eterno prometido pelo Filho de Deus.
Vale a pena a
renúncia, em vista da obtenção de valores superiores. Quem usa a vida para
chantagear, prejudicar e diminuir o semelhante, certamente não terá um
resultado bom para a eternidade e até mesmo aqui na terra. Muitos pensam que a
justiça humana não vai acontecer para muitos desmandos. Mas essa também pode
chegar para os falsos, inescrupulosos, imorais e corruptos.
Deus é
misericordioso e quer a conversão dos injustos e pecadores. Aliás, o Filho veio
justamente para salvá-los. No entanto, é preciso haver a aceitação desses para
acontecer o perdão e a mudança de vida. Enquanto é tempo, faz-se necessária a
mudança de vida de quem se encaminha para o desvio de conduta na prática da
injustiça. Da parte de quem já é convertido, a continuação da penitência e
conversão deve ser permanente, pois, quem está de pé precisa firmar-se
para não cair.
Dom José Alberto Moura – Arcebispo de Montes
Claros (MG
Cidade do
Vaticano (RV) – O Papa Francisco abençoou na manhã deste sábado (03/9), nos
Jardins Vaticanos, um monumento em homenagem a Nossa Senhora Aparecida,
Padroeira do Brasil.
Em suas breves
palavras espontâneas, o Papa disse:
Bênção da Imagem de Nossa Senhora Aparecida
“Estou contente
de que a imagem de Nossa Senhora Aparecida esteja aqui nos Jardins. Em 2013,
havia prometido retornar, no próximo ano, a Aparecida. Não sei se será
possível. Mas, pelo menos, estou mais próximo dela aqui. Convido-lhes a rezar
para que ela continue a proteger todo o Brasil, todo o povo brasileiro, neste
momento triste. Que ela proteja os pobres, os descartados, os idosos
abandonados, os meninos de rua. Que ela salve o seu povo, com a justiça social
e o amor de seu Filho, Jesus Cristo”.
Francisco
concluiu exortando a pedir a ela, com amor, por todo o povo brasileiro. Ela,
recordou o Papa, foi encontrada por pobres trabalhadores; que hoje ela seja
encontrada, de modo especial, por todos aqueles que precisam de trabalho, de
educação e por aqueles que estão privados da dignidade.
Por fim, o Santo
Padre convidou os presentes a rezar a Ave Maria. Depois, pediu que cantassem um
canta dedicado a Nossa Senhora Aparecida.
O Papa se
despediu dos presentes, - entre os quais se encontravam autoridades civis e
religiosas do Brasil, com destaque para Dom Raimundo Damasceno Assis, -
concedendo a todos a sua Bênção Apostólica. (MT)
Assista:
............................................................................................................................................................... Papa Francisco:
O amor de Deus nunca diminuirá
nas nossas vidas e na história do mundo
Cidade do
Vaticano (RV) - “Estai sempre prontos para a solidariedade, fortes na
proximidade, diligentes para despertar alegria e convincentes na consolação. O
mundo precisa de sinais concretos de solidariedade, especialmente diante da
tentação da indiferença.”
Foi a exortação
do Pontífice ao participantes do Jubileu dos Agentes de Misericórdia, cujo
evento teve lugar na manhã deste sábado (03/09) na Praça São Pedro, lotada de
voluntários provenientes de todas as partes do mundo, cerca de 24 mil, aos
quais o Papa Francisco reiterou o convite a serem agentes de misericórdia
diante da tentação da indiferença.
O Jubileu dos
Agentes de Misericórdia teve início na sexta-feira tem seu ponto alto este
sábado com o encontro com o Santo Padre e terá sua coroação este domingo com a
canonização de Madre Teresa de Calcutá, exemplo incansável de agente da
Misericórdia de Deus.
Em seu discurso,
o Papa ateve-se ao hino do amor que o apóstolo Paulo escreveu para a comunidade
de Corinto (Cor 13,1-13) definindo-o como uma das páginas mais belas e
exigentes para o testemunho da nossa fé.
O apóstolo
afirma que “ao contrário da fé e da esperança, o amor «jamais acabará». Este
ensinamento deve ser para nós uma certeza inabalável; o amor de Deus nunca
diminuirá nas nossas vidas e na história do mundo. É um amor que permanece para
sempre jovem, ativo, dinâmico capaz de atrair para si de modo incomparável. É
um amor fiel que não trai, apesar das nossas contradições”, ressaltou.
Descrevendo-o,
Francisco disse tratar-se de “é um amor que permanece para sempre jovem, ativo,
dinâmico capaz de atrair para si de modo incomparável. É um amor fiel que não
trai, apesar das nossas contradições. É um amor fecundo que gera e conduz para
além da nossa preguiça. É desse amor que todos nós somos testemunhas”.
O Pontífice
frisou que o amor de Deus, que vem ao nosso encontro, “é como um rio na cheia
que nos arrasta, mas sem nos anular; muito pelo contrário, é uma condição de
vida”, observou, acrescentando que “quanto mais nos deixamos envolver por este
amor, mas a nossa vida se regenera. Deveríamos dizer com toda a nossa força:
sou amado, logo existo!”.
Papa celebra Jubileu dos Agentes da Misericórdia
“O amor de que o
Apóstolo fala não é algo abstrato e vago; pelo contrário, é um amor que se vê,
se toca e se experimenta em primeira pessoa. A maior e mais expressiva forma
desse amor é Jesus. Toda a sua pessoa e a sua vida não são outra coisa senão a
manifestação concreta do amor do Pai, chegando até o ponto culminante: «A prova
de que Deus nos ama é que Cristo morreu por nós, quando éramos ainda pecadores»
(Rm 5,8).”
Diante deste
conteúdo tão essencial da fé, prosseguiu o Papa, “a Igreja nunca poderia
permitir-se fazer como fizeram o sacerdote e o levita com o homem deixado meio
morto por terra (cf. Lc 10,25-36). Não é possível desviar o olhar e tomar outra
direção para não ver as muitas formas de pobreza que pedem misericórdia”.
Ditas tais
palavras, Francisco fez uma premente admoestação, um imperioso dever evangélico
diante do qual a Igreja e nenhum cristão pode furtar-se:
“Não seria digno
da Igreja nem de um cristão “passar ao largo”, supondo que se pode ter a
consciência tranquila só por termos rezado! O Calvário é sempre atual; de
nenhum modo deixou de existir, nem permanece como uma bela pintura nas nossas
igrejas. O vértice de “com-paixão”, de onde brota o amor de Deus diante da
miséria humana, ainda fala aos nossos dias e impele sempre a dar novos sinais
de misericórdia.”
“Nunca me
cansarei de dizer que a misericórdia de Deus não é uma ideia bonita, mas uma
ação concreta”, advertiu o Santo Padre; “e mesmo a misericórdia humana não é
autêntica enquanto não alcança a concretização no seu agir diário. A exortação
do Apóstolo João permanece sempre válida: «Filhinhos, não amemos só com
palavras e de boca, mas com ações e de verdade!» (1 Jo 3,18)”.
De fato, “a
verdade da misericórdia se confirma nos nossos gestos de cada dia, que tornam
visível a ação de Deus no meio de nós”, acrescentou.
Em seguida,
Francisco dirigiu-se diretamente ao multifacetário mundo do voluntariado:.
“Irmãos e irmãs,
vós representais aqui o grande e variado mundo do voluntariado. Sois justamente
vós uma das realidades mais preciosas da Igreja que, muitas vezes no silêncio e
escondidos, dais forma e visibilidade à misericórdia. Exprimis o desejo - entre
os mais belos no coração do homem: fazer com que a pessoa que sofre se sinta
amada. Em diferentes condições de carência e nas necessidades de tantas
pessoas, a vossa presença é a mão de Cristo estendida que alcança a todos.
A credibilidade
da Igreja, observou com ênfase, “passa de forma convincente através do vosso
serviço com as crianças abandonadas, os doentes, os pobres sem comida e
trabalho, os idosos, os sem-abrigo, os prisioneiros, refugiados e migrantes, as
pessoas afetadas por desastres naturais... enfim, onde quer que exista um
pedido de ajuda, ali chega o vosso testemunho ativo e desinteressado. Tornais
visível a lei de Cristo: levar os pesos uns dos outros (cf. Gal 6,2, Jo 13,34).
Francisco concluiu
com uma premente exortação aos Operadores de Misericórdia do mundo inteiro:
“Estai sempre
prontos para a solidariedade, fortes na proximidade, diligentes para despertar
alegria e convincentes na consolação. O mundo precisa de sinais concretos de
solidariedade, especialmente diante da tentação da indiferença, e exige pessoas
capazes de opor-se com as suas vidas o individualismo: pensar só a si mesmo,
ignorando os irmãos em necessidade.”
Antes de
despedir-se, quis deixar uma advertência: “Estai sempre contentes e cheios de
alegria pelo vosso serviço, mas nunca fazei dele um motivo de presunção que
leva a se sentir melhor do que os outros. Em vez disso, que a vossa obra de
misericórdia seja a prolongação humilde e eloquente de Jesus Cristo, que
continua a se curvar e cuidar daqueles que sofrem”.
Por fim,
Francisco lembrou que este domingo teremos a alegria de ver Madre Teresa
proclamada santa: “Este testemunho da misericórdia dos nossos tempos se une à
fileira inumerável de homens e mulheres que tornaram visíveis com a sua
santidade o amor de Cristo. Imitemos nós também o seu exemplo, e peçamos para
ser humildes instrumentos nas mãos de Deus para aliviar o sofrimento do mundo e
dar a alegria e a esperança da ressurreição”. (RL)