quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Te Deum com o Papa Leão:

o projeto de Deus é livre, libertador, pacífico e fiel

Na celebração das Primeiras Vésperas na Solenidade de Maria Santíssima, Mãe de Deus, Leão XIV agradeceu a Deus pelo ano transcorrido e recordou que a história é sustentada por um desígnio de esperança, que se realiza a partir dos pequenos.

No coração de Roma, junto ao Túmulo de Pedro e próximo do encerramento do Jubileu, o Papa Leão XIV presidiu às Primeiras Vésperas da Solenidade de Maria Santíssima, Mãe de Deus, que culminaram no tradicional cântico de ação de graças, o Te Deum, na tarde desta quarta-feira, 31 de dezembro. No limiar entre o ano que se encerra e o que se inicia, a Igreja elevou a Deus um hino de louvor, reconhecendo a sua fidelidade que atravessa o tempo e a história.

Um desígnio que dá sentido ao tempo

Na homilia, o Pontífice destacou a riqueza singular desta liturgia, que une o mistério da maternidade divina de Maria à passagem de um ano para o outro. Trata-se, afirmou, de um tempo que não está entregue ao acaso, mas inserido em um grande desígnio de amor, sábio e misericordioso, que orienta a história humana.

“O mistério de Cristo faz pensar em um desígnio, um grande desígnio para a história”, disse o Papa, observando que esse projeto de Deus tem um centro claro e luminoso, capaz de dar sentido também aos momentos mais obscuros do caminho humano.

Não estratégias de poder, mas um projeto de esperança

Leão XIV alertou para os desígnios que hoje continuam a marcar o mundo, muitas vezes reduzidos a táticas de domínio, "sustentadas por interesses econômicos e estratégias armadas, revestidas de discursos hipócritas, de proclamações ideológicas e falsos motivos religiosos". O plano de Deus, ao contrário, não se impõe pela força, mas se revela como um projeto de esperança e libertação. Maria, a Mãe de Deus, ensinou o Papa, vê a realidade com o olhar do Altíssimo e reconhece a ação divina que transforma a história a partir dos pequenos e humildes, e completou:

“Deus ama esperar com os corações dos pequeninos, e o faz envolvendo-os no seu desígnio de salvação. Quanto mais belo é o desígnio, tanto maior é a esperança. E, de fato, o mundo avança assim, impulsionado pela esperança de tantas pessoas simples, desconhecidas, mas não a Deus, que, apesar de tudo, acreditam em um amanhã melhor, porque sabem que o futuro está nas mãos Daquele que lhes oferece a esperança maior.”

Roma, chamada a servir os pequeninos

Recordando a figura de Pedro e o testemunho dos mártires, o Santo Padre afirmou que Roma ocupa um lugar singular nesse desígnio não por seu poder ou glória, mas pelo sangue derramado por Cristo. Por isso, a cidade é chamada a estar à altura dos seus pequeninos: crianças, idosos, famílias em dificuldade, migrantes e todos aqueles que buscam uma vida digna. “O Jubileu é um grande sinal de um mundo novo, renovado e reconciliado segundo o desígnio de Deus”, afirmou o Pontífice, convidando a cidade e a Igreja a continuarem a caminhar animadas pela esperança cristã.

Ao concluir, Leão XIV agradeceu a Deus pelo dom do Jubileu e por todos os que, ao longo do ano, serviram os peregrinos e contribuíram para tornar Roma mais acolhedora, confiando o futuro da cidade e da humanidade à intercessão da Santa Mãe de Deus, Salus Populi Romani.

Visita ao presépio

Ao final da cerimônia no interior da Basílica Vaticana, Leão XIV foi até a Praça São Pedro para rezar diante do presépio montado junto ao obelisco, ao lado da árvore de Natal, detendo-se com fiéis e peregrinos no decorrer do trajeto.

Thulio Fonseca - Vatican News

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Retrospectiva 2025:

um ano de fé, encontro e esperança

O vídeo revisita os momentos mais significativos do Ano Santo de 2025. O Papa Francisco abre a Porta Santa da Basílica de São Pedro na noite de Natal de 2024, dando início ao Jubileu. Em seguida, a doença do Pontífice, sua morte e o carinho das milhares de fiéis que participam de suas exéquias. O início do Conclave e a eleição do Papa Leão XIV como 267º sucessor de Pedro. Até a primeira viagem apostólica do Pontífice à Turquia e ao Líbano e às celebrações natalinas.

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Leão XIV na Audiência Geral desta quarta-feira:

meditar sobre o que o Senhor fez por nós no ano que passou

"O ano que passou foi certamente marcado por acontecimentos importantes: uns alegres, como a peregrinação de tantos fiéis por ocasião do Ano Santo; outros dolorosos, como o falecimento do Papa Francisco e as guerras que continuam a devastar o planeta", disse o Papa no início de sua catequese na última Audiência Geral deste ano.

Na catequese da última Audiência Geral de 2025 realizada, nesta quarta-feira, 31 de dezembro, na Praça São Pedro, o Papa Leão XIV fez uma reflexão "no último dia do ano civil, perto do final do Jubileu e em pleno período do Natal".

“O ano que passou foi certamente marcado por acontecimentos importantes: uns alegres, como a peregrinação de tantos fiéis por ocasião do Ano Santo; outros dolorosos, como o falecimento do Papa Francisco e as guerras que continuam a devastar o planeta.”

Colocar tudo diante do Senhor

“Ao terminar, a Igreja convida-nos a colocar tudo diante do Senhor, confiando-nos à sua Providência e pedindo-Lhe que se renovem, em nós e ao nosso redor, nos dias vindouros, as maravilhas da sua graça e misericórdia.”

"É neste contexto que se insere a tradição do canto solene do Te Deum, com o qual agradeceremos ao Senhor nesta noite os benefícios recebidos. Cantaremos: «Nós Vos louvamos, ó Deus», «em Vós esperamos», «Desça sobre nós a Vossa misericórdia»", recordou o Santo Padre em sua catequese. "A este propósito", disse Leão XIV, "o Papa Francisco observou que, enquanto «o agradecimento mundano e a esperança mundana são aparentes, [...] Estão nivelados pelo eu, pelos seus interesses, [...] nesta Liturgia, respira-se uma atmosfera totalmente diferente: a do louvor, da admiração, da gratidão»".

Fazer um sincero exame de consciência

“É com estas atitudes que hoje somos chamados a meditar sobre o que o Senhor fez por nós no ano que passou, bem como a fazer um sincero exame de consciência, a avaliar a nossa resposta aos seus dons e a pedir perdão por todos os momentos em que não fomos capazes de valorizar as suas inspirações e investir da melhor forma os talentos que Ele nos confiou.”

Confirmar o compromisso com Cristo

De acordo com o Papa, isto nos leva a refletir sobre outro grande sinal que nos acompanhou nos últimos meses: o da "viagem" e do "destino".

“Este ano, inúmeros peregrinos vieram de todas as partes do mundo para rezar no Túmulo de Pedro e confirmar o seu compromisso com Cristo. Isto recorda-nos que toda a nossa vida é uma viagem, cujo objetivo final transcende o espaço e o tempo, a realizar no encontro com Deus e na comunhão plena e eterna com Ele.”

De acordo com o Papa Leão, "pediremos também isso na oração do Te Deum, quando dissermos: «Recebei-os na luz da glória, na assembleia dos vossos Santos». Não é por acaso que São Paulo VI definia o Jubileu como um grande ato de fé na «espera de destinos futuros [...] que já agora antecipamos e [...] preparamos»".

A passagem pela Porta Santa exprime o nosso sim a Deus

"E, sob esta luz escatológica do encontro entre o finito e o infinito, encaixa-se um terceiro sinal", disse ainda o Pontífice: "A passagem pela Porta Santa, que tantos de nós já fizemos, rezando e implorando indulgência para nós mesmos e para os nossos entes queridos".

“Ela exprime o nosso “sim” a Deus, que com o seu perdão nos convida a transpor o limiar de uma nova vida, animada pela graça, moldada pelo Evangelho, inflamada pelo «amor àquele próximo, em cuja definição [está...] incluído todo o homem, [...] necessitado de compreensão, ajuda, consolo, sacrifício, mesmo que pessoalmente desconhecido, mesmo que incômodo e hostil, mas dotado da incomparável dignidade de irmão». É o nosso “sim” a uma vida vivida com empenho no presente e orientada para a eternidade.”

São Leão Magno e o Nascimento de Jesus

Ao meditar sobre "estes sinais à luz do Natal", o Papa disse que "São Leão Magno, a este respeito, viu na festa do Nascimento de Jesus a proclamação de uma alegria para todos: «Que o santo exulte», exclamou ele, «porque se aproxima da sua recompensa; que o pecador se alegre, porque lhe é oferecido o perdão; que o pagão recupere a coragem, porque é chamado à vida»".

“O seu convite hoje dirige-se a todos nós, santos pelo Batismo, porque Deus se tornou nosso companheiro na caminhada rumo à verdadeira Vida; a nós, pecadores, porque, perdoados, com a sua graça podemos levantar-nos e voltar ao caminho; finalmente, a nós, pobres e frágeis, porque o Senhor, fazendo sua a nossa fraqueza, redimiu-a e mostrou-nos a beleza e a força na sua perfeita humanidade.”

São Paulo VI no final do Jubileu de 1975

A seguir, Leão XIV recordou "as palavras com que São Paulo VI, no final do Jubileu de 1975, descreveu a sua mensagem fundamental: ela, disse ele, está contida numa só palavra: "Amor". E acrescentou:

«Deus é Amor! Esta é a revelação inefável com que o Jubileu, com a sua pedagogia, com a sua indulgência, com o seu perdão e, finalmente, com a sua paz, cheia de lágrimas e alegria, procurou preencher os nossos espíritos hoje e as nossas vidas para sempre amanhã: Deus é Amor! Deus me ama! Deus esperava-me e eu reencontrei-o! Deus é misericórdia! Deus é perdão! Deus é salvação! Deus, sim, Deus é a vida!».

"Que estes pensamentos nos acompanhem na passagem do ano velho para o novo, e então sempre, nas nossas vidas", concluiu.

Mariangela Jaguraba - Vatican News

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terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Vaticano: mais de três milhões de participantes

nas audiências e celebrações em 2025

Dados divulgados pela Prefeitura da Casa Pontifícia indicam mais de 250 mil participantes até abril, levando em consideração a hospitalização do Papa Francisco a partir de 14 de fevereiro e a subsequente distribuição dos textos do Angelus e das Audiências Gerais pela Sala de Imprensa da Santa Sé, mesmo após seu retorno a Santa Marta. Desde maio, após a eleição de Leão XIV, a participação foi de quase três milhões de fiéis.

Em 2025, 3.176.620 fiéis participaram de audiências e celebrações litúrgicas no Vaticano. Os dados, divulgados pela Prefeitura da Casa Pontifícia, incluem Audiências Gerais e jubilares, audiências especiais, celebrações litúrgicas e orações do Angelus.

Presença durante o pontificado do Papa Francisco

De janeiro a abril, durante o pontificado do Papa Francisco, um total de 262.820 pessoas compareceram: 60.500 nas oito audiências gerais e jubilares, 10.320 nas audiências especiais, 62.000 nas celebrações litúrgicas e 130.000 nas orações do Angelus. Na leitura desses números devem ser levados em consideração a hospitalização do Papa Francisco no Hospital Gemelli, que começou em 14 de fevereiro, e seu retorno a Santa Marta. Durante esse período, os textos das audiências gerais e do Angelus foram divulgados exclusivamente pela Sala de Imprensa da Santa Sé.

Presença desde a eleição do Papa Leão XIV

Desde a eleição do Papa Leão XIV para a Cátedra de Pedro, em 8 de maio, até o final do ano, a presença total foi de 2.913.800 pessoas. Especificamente, 1.069.000 pessoas participaram das 36 audiências gerais e jubilares, 148.300 nas audiências especiais, 796.500 nas celebrações litúrgicas e 900.000 nas orações do Angelus. Dezembro registrou o maior número de presença na oração mariana, com aproximadamente 250.000 participantes, enquanto outubro teve o pico de presença tanto nas celebrações litúrgicas (aproximadamente 200.000) quanto nas audiências gerais e jubilares (aproximadamente 295.000).

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Em 2025 o mundo despediu-se do Papa Francisco

Estes últimos dias do ano levam-nos a recordar o Papa Francisco e aquilo que de mais humano e próximo nos tocou durante o seu pontificado. Sempre com especial atenção aos marginalizados do mundo, Francisco deixou intensas memórias com os seus gestos e palavras.

Rui Saraiva – Portugal

Francisco passou por aqui. Pode muito bem ser este o título que podemos usar para descrevermos a sensibilidade pastoral do Papa durante o seu pontificado. Com uma atitude generosa, impregnada de Evangelho e pronta para o serviço, Francisco deixou marca por onde passou.  

A casa de Francisco nas periferias descartadas

Sempre com especial atenção aos marginalizados do mundo, tal como fazia em Buenos Aires. Na capital argentina, Bergoglio era visita regular nas “villas miséria” e as pessoas sabiam o seu nome e viam-no como um deles. Conhecia a realidade. E, por isso, quando esteve em Kangemi, um dos sete bairros de lata de Nairobi a capital do Quénia, na sua visita àquele país africano, afirmou estar ali como se estivesse “em casa”. “Sinto-me em casa, partilhando este momento com irmãos e irmãs que têm um lugar preferencial na minha vida e nas minhas opções, não me envergonho de o dizer”, disse Francisco a 27 de novembro de 2015.

E o Santo Padre denunciou na ocasião, a riqueza concentrada em minorias, enquanto a maioria vive abandonada e descartada. “São as feridas provocadas pelas minorias que concentram o poder, a riqueza e perduram egoisticamente, enquanto a crescente maioria tem que refugiar-se em periferias abandonadas, poluídas e descartadas”, afirmou o Santo Padre.

A simplicidade dos gestos

Para a história da Igreja ficam os documentos ricos e profundos que afirmam valores como a defesa da Criação e a fraternidade humana, em textos papais de grande relevo como “Laudato Si” e “Fratelli Tutti”, mas para a memória de cada um ficam os gestos e atitudes que expressavam o sentir do coração.

Com efeito, desde o primeiro momento que o ritmo acelerado do Papa Francisco foi uma marca do seu pontificado. Com um passo decidido e uma naturalidade desconcertante, o Santo Padre desde o primeiro momento deixou claras várias atitudes que não eram apenas um novo estilo ou formato, mas sinais reveladores do conteúdo fresco do Evangelho.

E, assim, inesperadamente, o Papa Francisco como que desceu na noite da sua eleição da varanda da Basílica de S. Pedro até junto do seu povo, ao qual se inclinou para receber a oração que pede a bênção de Deus. Um momento único, original e inovador que foi um primeiro grande sinal:

“E agora eu gostaria de dar a bênção, mas antes… antes peço-vos um favor: antes de o bispo abençoar o povo, peço-vos que rezeis ao Senhor para que Ele me abençoe: a oração do povo que pede a bênção para o seu bispo. Façamos em silêncio esta oração de vós por mim”, disse o Papa Francisco a 13 de março de 2013.

E assim começou a acelerar a dinâmica pastoral pontifícia logo ali: incluiu o povo no seu caminho, dando um registo de normalidade quotidiana ao pontificado. Começando a anular os resquícios principescos da sua função.

Um dos primeiros gestos foi saldar a conta que faltava pagar na Residencial Domus Paulus VI e aonde se dirigiu logo no dia a seguir à eleição. E os sapatos que usava Francisco já não eram papais vermelhos, mas pretos e… ortopédicos!

E, claro, depois veio a surpreendente decisão de não viver no Palácio Apostólico, mas na Casa de Santa Marta. Uma decisão que arrepiou os mais indefectíveis da formalidade vaticana e do seu regular funcionamento institucional.

A força das palavras

Foi também de palavras intensas, metáforas criativas e pequenas histórias que se fez o pontificado de Francisco. Umas mais fortes e programáticas como “dizer energicamente não a qualquer forma de clericalismo” ou “desmasculinizar a Igreja” e outras bem mais singelas como por exemplo as palavras com licença, obrigado e desculpa.

Um outro exemplo são as palavras teto, terra e trabalho. Recordamos aqui algumas frases que orientaram o pontificado do Papa Francisco e que foram proferidas nos primeiros dias após a sua eleição:

“Quando caminhamos sem a Cruz, quando edificamos sem a Cruz e quando confessamos um Cristo sem Cruz, não somos discípulos do Senhor: somos mundanos, somos bispos, padres, cardeais, papa, mas não discípulos do Senhor”. (Missa Pro Ecclesia, 14 de março 2013).

“Não te esqueças dos pobres!'. E aquela palavra entrou aqui: os pobres, os pobres. Depois, imediatamente em relação aos pobres, pensei em Francisco de Assis. É o homem que nos dá este espírito de paz, o homem pobre... Ah, como gostaria de uma Igreja pobre e para os pobres.” (Audiência aos Jornalistas, 16 de março 2013).

“Ele, nunca se cansa de perdoar, mas nós, por vezes, cansamo-nos de pedir perdão. Nunca nos cansemos, nunca nos cansemos! Ele é o Pai amoroso que perdoa sempre, que tem um coração de misericórdia para todos nós.” (Angelus, 17 de março 2013).

“Nunca nos esqueçamos que o verdadeiro poder é o serviço e que também o Papa para exercer o poder deve entrar cada vez mais naquele serviço que tem o seu vértice luminoso na Cruz”. (Missa do Início Solene do pontificado, 19 de março 2013).

“E por favor, não deixeis que vos roubem a esperança! Não deixeis que roubem a esperança! Aquela que nos dá Jesus”. (Domingo de Ramos, 24 de março 2013).

“Isto eu vos peço: sede pastores com o odor das ovelhas, pastores no meio do próprio rebanho, e pescadores de homens”. (Missa Crismal, 28 de março 2013).

Em 2025 o mundo despediu-se do Papa Francisco, que faleceu no dia 21 de abril.

Laudetur Iesus Christus

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segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

Bela reflexão de dom Itacir Brassiani:

Tudo seria melhor se o Natal não fosse um dia…

Muitos sabem de cor essa simples e bela canção do Padre Zezinho, lançada há meio século atrás. Os versos continuam assim: “… Se as mães fossem Maria, e os pais fossem José; e a gente parecesse com Jesus de Nazaré”. Na verdade, celebramos no dia de Natal um acontecimento perene e grávido de consequências: a encarnação do Filho de Deus. 

Por isso, o Natal de Jesus está longe de ser apenas um fervilhante evento comercial, uma colheita sazonal e abundante do turismo ou um espetáculo cultural repleto de luzes coloridas, anjos barrocos e sons harmoniosos. Também não se resume à recordação piedosa de um fato circunscrito a um casal hebreu e a uma aldeia do império romano. 

O que as celebrações natalinas, oferecidas anualmente pelas Igrejas cristãs, querem lembrar é que Deus e a criatura humana não se opõem; que o céu e a terra não são realidades paralelas; que a história é o lugar onde germinam as sementes da eternidade; que a justiça dá as mãos à compaixão; que a vida humana e terrena é a morada de Deus. 

Assim, o nascimento de Jesus, ocorrido no ano zero da era cristã, também não se esgota na piedade individual, celebrada na intimidade dos lares ou no interior dos templos. O Natal é muito mais que a celebração do “aniversário de Jesus”. A memória desse fato divide em dois e fecunda o tempo histórico e repercute nas relações humanas e sociais. 

Não é por acaso que a narração de Lucas insere este acontecimento na moldura política do império Romano no Oriente Médio (quando o imperador César Augusto ordenou um recenseamento e Quirino era governador da Síria; cf. Lucas 2,1-2), e Mateus o situa no tempo em que o rei Herodes governava a Judéia (cf. Mateus 2,1-3). O que isso tem a ver? 

Numa região e num tempo marcados pelo medo, aumentado pela presença do exército romano, aquele discreto nascimento ocorrido na periférica Belém significou coragem e alegria para os pastores e todo o povo, paz para os amados e amadas de Deus, esperançosa peregrinação para os pagãos. E, também, grande inquietação para Herodes. 

Nós acolhemos o filho de José e de Maria como Filho e Enviado de Deus para “anunciar o Evangelho aos pobres, proclamar a liberdade aos presos e aos cegos a visão, para pôr em liberdade os oprimidos e proclamar um ano do agrado do Senhor” (Lucas 4,18-19). E o reconhecemos como salvação e luz para todos os povos. Mas também, desde sempre, como pedra de tropeço para muitos (cf. Lucas 2,29-35).

Dom Itacir Brassiani - Bispo de Santa Cruz do Sul (RS)

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Presidência da CNBB encerra o Ano com mensagem

de esperança e alerta diante dos desafios do país

A poucos dias do fim do ano, a Presidência da CNBB dirige uma mensagem ao povo brasileiro marcada por esperança cristã e profunda preocupação com a realidade social, política e ética do país. Inspirados na passagem bíblica “a esperança não decepciona” (Rm 5,5), os bispos recordam o Natal como sinal de que nenhuma escuridão é definitiva e reafirmam a esperança como força transformadora da história.

O texto reconhece avanços importantes em 2025, especialmente nas áreas da saúde, com o fortalecimento do Sistema Único de Saúde; da economia, com queda do desemprego, estabilidade da inflação e crescimento do PIB; e da sustentabilidade, destacando a realização da COP-30 no Brasil, o protagonismo em energias renováveis e o aumento de investimentos em práticas ambientais, sociais e de governança. Também são citadas experiências positivas no campo da participação popular e do cooperativismo.

Ao mesmo tempo, a mensagem expressa inquietação diante de retrocessos éticos, sociais e democráticos. Entre os pontos criticados estão o elevado custo da dívida pública, o enfraquecimento da ética e o aumento da corrupção, a fragilização das instituições democráticas, a flexibilização de marcos legais, o desrespeito aos povos originários, as ameaças à proteção ambiental, a persistente desigualdade social, o crescimento da violência, especialmente o feminicídio, e a disseminação de discursos de ódio e radicalismos.

A presidência reafirma a sacralidade da vida humana, da concepção ao fim natural, manifestando-se contra qualquer iniciativa de legalização do aborto, e sublinham que defender a vida implica também combater a fome, a miséria e a desigualdade. A democracia é apresentada como patrimônio do povo brasileiro, que exige cuidado, diálogo e compromisso com o bem comum.

Por fim, a mensagem convoca a todos a serem construtores da paz, promotores da justiça e da responsabilidade social, reafirmando a esperança como caminho para a pacificação do país.

Confira (aqui) a mensagem na íntegra.

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domingo, 28 de dezembro de 2025

Papa no Angelus deste domingo:

que as miragens do mundo
não sufoquem a chama do amor nas famílias

No Angelus deste domingo da Sagrada Família, Leão XIV convidou a contemplar o mistério do Natal "com admiração e gratidão", a pensar "nas nossas famílias e na luz que elas também podem trazer à sociedade em que vivemos". "Infelizmente, o mundo sempre tem os seus “Herodes”, seus mitos de sucesso a qualquer custo, de poder sem escrúpulos, de bem-estar vazio e superficial, e muitas vezes paga as consequências com solidão, desespero, divisões e conflitos", disse o Papa.

O Papa Leão XIV rezou a oração mariana do Angelus deste domingo, 28 de dezembro, Festa da Sagrada Família de Jesus, Maria e José com os fiéis e peregrinos reunidos na Praça São Pedro.

Na alocução que precedeu a oração, o Pontífice recordou que a Liturgia deste domingo nos apresenta a passagem da “fuga para o Egito”.

É um momento de provação para Jesus, Maria e José. Realmente, no contexto luminoso do Natal, projeta-se, quase de repente, a sombra inquietante de uma ameaça mortal, que tem a sua origem na vida atormentada de Herodes, um homem cruel e sanguinário, temido pela sua brutalidade e, precisamente por isso, profundamente só e obcecado pelo medo de ser destronado.

"Quando, através dos Magos", Herodes "toma conhecimento que nasceu o “rei dos Judeus”, sentindo-se ameaçado no seu poder, decreta a morte de todas as crianças com a idade correspondente à de Jesus. No seu reino, Deus está realizando o maior milagre da história, no qual se cumprem todas as antigas promessas de salvação; porém, ele não consegue vê-lo, cego pelo medo de perder o trono, as suas riquezas e os seus privilégios", disse o Papa, acrescentando:

Em Belém, há luz e alegria: alguns pastores receberam o anúncio celestial e, diante do presépio, glorificaram a Deus, mas nada disso consegue penetrar além das defesas reforçadas do palácio real, a não ser como um eco distorcido de uma ameaça, a ser sufocada com uma violência cega.

"Não obstante, justamente essa dureza de coração evidencia ainda mais o valor da presença e da missão da Sagrada Família que, no mundo despótico e ganancioso que o tirano representa, é o ninho e o berço da única resposta de salvação possível: a de Deus que, em total gratuidade, se doa aos homens sem reservas e pretensões. E o gesto de José que, obediente à voz do Senhor, leva em segurança a Esposa e o Menino, manifesta-se aqui em todo o seu significado redentor. Com efeito, no Egito, a chama do amor doméstico a que o Senhor confiou a sua presença no mundo cresce e ganha vigor para levar luz ao mundo inteiro", disse ainda o Papa.

Enquanto contemplamos este mistério com admiração e gratidão, pensamos nas nossas famílias e na luz que elas também podem trazer à sociedade em que vivemos. Infelizmente, o mundo sempre tem os seus “Herodes”, seus mitos de sucesso a qualquer custo, de poder sem escrúpulos, de bem-estar vazio e superficial, e muitas vezes paga as consequências com solidão, desespero, divisões e conflitos. Não deixemos que essas miragens sufoquem a chama do amor nas famílias cristãs.

"Pelo contrário, conservemos nelas os valores do Evangelho: a oração, a frequência aos sacramentos – especialmente a Confissão e a Comunhão –, os afetos saudáveis, o diálogo sincero, a fidelidade, a concretude simples e bela das palavras e dos bons gestos de cada dia. Isso torná-las-á luz de esperança para os ambientes em que vivemos, escola de amor e instrumento de salvação nas mãos de Deus", sublinhou Leão XIV.

Então, peçamos ao Pai do Céu, por intercessão de Maria e de São José, que abençoe as nossas famílias e as do mundo inteiro, para que, crescendo segundo o modelo da família do seu Filho feito homem, elas sejam para todos um sinal eficaz da sua presença e da sua caridade sem fim.

Após a oração mariana do Angelus, o Papa saudou os fiéis e peregrinos provenientes da Itália e outros países. A seguir disse:

À luz do Natal do Senhor, continuemos a rezar pela paz. Hoje, em particular, rezemos pelas famílias que sofrem por causa da guerra, pelas crianças, pelos idosos e pelos mais frágeis. Confiemos juntos à intercessão da Sagrada Família de Nazaré.

Mariangela Jaguraba – Vatican News

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Reflexão para este domingo

Sagrada Família  

Dom Rodolfo Luís Weber - Arcebispo de Passo Fundo (RS)

O mistério do Natal celebra a livre e amorosa inserção de Jesus Cristo na comunidade humana. Logo após o Natal, a liturgia destaca a presença de Jesus na família que é a primeira agregação humana e comunitária. (Eclesiástico 3,3-7.14-17, salmo 127, Colossenses 3,12-21 e Mateus 2,13-15.19-23). A providência divina preferiu reservar para Jesus a forma ordinária e comum de todos os seres humanos para viver a maior parte da sua vida no mundo. A família é importante por natureza, mas recebe uma santificação ainda maior com a presença de Jesus, tornando-a Sagrada Família.  

Somos convidados a olhar para a Sagrada Família. Ela é santa de maneira única e irrepetível graças a presença humana-divina de Jesus Cristo. Contemplando a família de Nazaré e os textos bíblicos encontramos uma mensagem moderna, estimulante e fecunda. Não se trata de restaurar os traços culturais familiares do passado; mas ressaltar o que é permanente, pois isto sempre é contemporâneo. 

Os cristãos são exortados a viverem a santidade na vida familiar, que nada mais é que acolher Cristo na própria vida cotidiana fazendo-o participar das alegrias e conquistas e dos sofrimentos e dificuldades. A presença de Jesus na vida de José e Maria é retratada nas condições ordinárias da vida. 

O livro do Eclesiástico ou Sirácida orienta a viver com sabedoria. A sabedoria bíblica não está ligada essencialmente ao conhecimento adquirido nos livros e na ciência abstrata, mas adquirida na vivência cotidiana. Tornar-se sábio significa aprender a viver, assumindo condutas cotidianas em sintonia com a verdade e a dignidade, em honrar a Deus e os homens. A relação com Deus não é fuga dos deveres habituais, pelo contrário faz assumir as responsabilidades nos confrontos cotidianos começando por aqueles que são os mais próximos: o pai, a mãe, os filhos, os irmãos. A sabedoria de um homem se mede antes de tudo neste laboratório de vida. 

O Eclesiástico insiste na honra devida aos genitores, pois eles estão associados a obra criadora de Deus e à responsabilidade sobre a criação. Explica o mandamento: “Honrar pai e mãe”. Cita atitudes que revelam o cumprimento do mandamento: respeito, obediência, amparo na velhice, não causar desgosto mesmo quando perde a lucidez, ser compreensivo, não humilhar, ser caridoso. A honra aos genitores se torna uma bênção e alegria para o filho: alcança o perdão dos pecados, será ouvido na oração quotidiana, ajunta tesouros, terá alegria nos próprios filhos, terá vida longa, o bem feito não será esquecido. 

O Evangelho acentua o amor e a proteção de José e Maria com o Menino Jesus. Diante da ameaça de Herodes o casal pega o menino e foge para o Egito. Quando a situação muda eles retornam para Nazaré. Os fatos ocorridos com a Sagrada Família são um retrato da situação de tantos indivíduos, famílias e povos perseguidos na dignidade por interesses vis de poderosos. A atitude de Maria e José é o retrato dos pais que tomam os filhos no colo em busca de melhores condições de vida, de atendimento digno de saúde, particularmente para doenças onde o tratamento só é possível em alguns lugares. 

Por fim, na Carta aos Colossenses São Paulo, de forma inspirada e sábia, resume os ensinamentos de Jesus Cristo. São palavras que constroem vínculos de amor no ambiente familiar. “Por isso, revesti-vos de sincera misericórdia, humildade, mansidão e paciência, suportando-vos uns aos outros e perdoando-vos mutuamente, se um tiver queixa contra o outro. Como o Senhor vos perdoou, assim perdoai vós também. Mas, sobretudo, amai-vos uns aos outros, pois ao amor é o vínculo da perfeição. Que a paz de Cristo reine em vossos corações, à qual fostes chamados como membros de um só corpo. E sede agradecidos. Que a palavra de Cristo, com toda a sua riqueza, habite em vós. Ensinai e admoestai-vos uns aos outros com toda a sabedoria. Do fundo dos vossos corações, cantai a Deus salmos, hinos e cânticos espirituais, em ação de graças. Tudo o que fizerdes, em palavras e obras, seja feito em nome do Senhor Jesus Cristo”. 

Rogamos que a Sagrada Família de Nazaré olhe com amor todas as famílias. 

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                                                     Fonte: cnbb.org.br   Imagem: (@Vatican Media

sábado, 27 de dezembro de 2025

Reflexão para este sábado:

Família: urgência das urgências

Frei Almir Guimarães

Dou graças a Deus porque muitas famílias, que estão bem longe de se considerarem perfeitas, vivem no amor, realizam sua vocação, e continuam caminhando, embora caiam muitas vezes ao longo do caminho. (Papa Francisco)

Domingo da Sagrada Família Jesus, Maria e José.  O Altíssimo nasceu e cresceu numa família. Quando nos referimos à família fechamos os olhos e tentamos evocar nossa própria família. Coisas   simples que foram se realizando:  a mãe e o pai, um homem e mulher que se encontraram e resolveram fazer história juntos, a casa, os quartos, o balanço no quintal, o pé de ameixas, a galinha com seus pintinhos, as hortênsias, o cheiro forte de café, a chegada do Papai Noel, a visita do tio e da tia, o enterro do vô com bigode ao jeito dos portugueses.   Família com suas luzes e sombras. “O futuro da humanidade passa pela família (João Paulo II).

Antes de tudo sabemos que o casal não está feito no dia do casamento.  Uma realidade em construção. Não é bom que o homem esteja só.  Companheiros, de mãos dadas, desbravando a história, dias de sol e jornadas de densa cerração. Vontade jogar tudo para o ar.  Olhar para frente, atentos aos ajustes, não jogando lixo para debaixo do tapete.   Construção de uma conjugabilidade. Unidade na diversidade. Lentamente, belamente, persistentemente. O casal é uma obra de arte.

Ele com sua história, ela com sua trajetória.  Ela e ele, oriundos um e outro de família marcada por carinho e delicadezas ou gerados de qualquer jeito, menino e menina marcados pelo negativo, pela violência, por abusos de todos os jeitos.  Um formado pelo contato com a fé cristã, já tendo até mesmo    feito experiências de profunda intimidade com Deus e o outro que nunca ouviu falar das coisas da fé, tendo levado uma vida toda atrapalhada e desajeitadamente faz o sinal da cruz, Agora juntos. Quanta garra será necessária!!!  Conversas, sinceridade, amor profundo, diálogo, respeito pelas lentidões.

Esses dois são colaboradores da obra da criação.  Os amantes se tornam pais.  Criam uma célula de amor e de dedicação.  Comunidade de vida e de amor. Vivendo no meio do mundo, trabalhando, vivendo a vida como ela é, sempre tendo como referência a casa, o casal, os filhos… sem viver um “familismo”, quer dizer um grupo fechado, a família convive com outras famílias e juntas elaboram estratégias para poderem educar os filhos, tirar deles o melhor que a vida ali depositou.  Os pais se recusam a colocar coisas antigas e ultrapassadas em suas cabeças, mas querem que sejam homens e mulheres de pé, seres capazes de conviver com os outros, vacinados contra a indiferença para com os outros e a peste do individualismo e a filosofia do descarte.

Presença, testemunho, coragem para viver, ânimo para começar tudo de novo, capacidade da correção mútua, promoção de encontros com celulares desligados e em que olhos encontram outros olhos e não apenas a telinha do celular.  Vivência de relacionamentos sem pressa, com a tática da lentidão. Relacionamentos gratuitos.  “Vivemos num mundo em que tudo precisa ser caucionado por uma qualquer utilidade e isso nos desvia de um viver gratuito, disponível e autêntico.  Só a inutilidade nos dá acesso à polifonia da vida, na sua variedade, nos seus contrastes, na sua realidade densa, na sua surpresa e na sua inteireza” (Tolentino).

Pai e mãe que vivam alegremente o discipulado cristão. Nada de pieguice.  Força do Evangelho. Pessoas que vão escrevendo suas histórias a partir da história de Jesus. Nada de catequese nocional e seca, mas multiplicações de encontros com Jesus vivo:  na oração à mesa, no aprendizado da partilha, na atenção a ser prestada aos mais abandonados, no testemunho discreto e sem alarde.  Família que vive no mundo, mas que não é do mundo.  Família alegre, espaço onde as pessoas se sentem à vontade.  Não uma camisa de força, mas um espaço de encontros humanizadores. Comunidade de vida e de amor.

Família onde as pessoas se exercitam na arte da convivência, da solidariedade e da ajuda mútua. Uns se interessando pelos outros, de graça, sem interesses pequenos. Solidariedade em casa, com os avós doentes, com os filhos que escorregam nas ladeiras da vida, com os vizinhos que precisam de sopa quente.

Família cristã, fincada no sacramento do matrimônio, marido e mulher sinais do amor de Cristo pela Igreja onde se respira o espírito das bem-aventuranças, o gesto do lava-pés e o espírito do Hino da Caridade de Paulo aos Coríntios.  Família tal que possa ser a melhor preparação para o casamento dos filhos. Um Igreja em casa, doméstica.

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Texto para reflexão

Bebendo juntos o melhor vinho

A história de uma família está marcada por crises de todo o gênero, que são parte também de sua dramática beleza. É preciso ajudar a descobrir que uma crise superada não leva a uma relação menos intensa, mas a melhorar, sedimentar e maturar o vinho da união. Não se vive juntos para ser cada vez menos feliz, mas para aprender a ser feliz de maneira nova, a partir das possibilidades que abre uma nova etapa. Cada crise implica uma aprendizagem, que permite incrementar a intensidade da vida comum, ou pelo menos encontrar um novo sentido para a experiência matrimonial. É preciso não se resignar de modo algum a uma curva descendente, a uma inevitável deterioração, a uma mediocridade que se tem de suportar.  Pelo contrário, quando se assume o matrimônio como uma tarefa que implica também superar obstáculos, cada crise é sentida como uma ocasião a chegar beber,  juntos, o vinho melhor (…). Cada crise esconde uma boa notícia, que é preciso saber escutar, afinando os ouvidos do coração”. (Papa Francisco, A alegria do amor, n. 232)

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Prece de ação e graças

Senhor, pela chuva e pelo sol,

pelo sorriso das crianças,

pelos cabelos brancos dos idosos,

pelas mãos calejadas do agricultor,

nós te damos graças.

Pela fertilidade da terra,

pela generosidade das fontes,

pela serenidade das noites de luar,

nós te damos graças.

Pelos amigos que cruzaram nossos caminhos,

pelos dons que recebemos a cada instante,

pelos que enxugaram nossas lágrimas,

nós te damos graças.

Pelas dores experimentadas com serenidade,

pelas cruzes abraçadas,

pelas preocupações vividas com esperança,

nós te damos graças.

Pelos médicos que se dobram sobre os enfermos,

pelos cautelosos e sábios cirurgiões,

pelos enfermeiros que velam a noite nos hospitais,

nós te damos graças.

Pelo tempo da vida e pelo ano que passou,

pelos amores e dissabores,

pela ofensa que nos foi perdoada,

nós te damos imensas e infinitas graças,

Senhor grande e belo, por Cristo. Amém.

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FREI ALMIR GUIMARÃES, OFM, ingressou na Ordem Franciscana em 1958. Estudou catequese e pastoral no Institut Catholique de Paris, a partir de 1966, período em que fez licenciatura em Teologia. Em 1974, voltou a Paris para se doutorar em Teologia. Tem diversas obras sobre espiritualidade, sobretudo na área da Pastoral familiar. É o editor da Revista “Grande Sinal”.

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