segunda-feira, 28 de abril de 2025

Reflita com Itacir Brassiani:

O enorme e precioso legado do Papa Francisco 

Eu estava em Roma naquela tarde fria e chuvosa de outono. Era o dia 13 de março de 2013. No fim da tarde, saindo de uma palestra, atravessei a Praça de São Pedro lotada de fiéis e curiosos, deixei algumas cartas no correio do Vaticano e voltei para casa. O Padre Edmund, já abrindo a porta para sair, anunciou que o Conclave havia eleito um novo Papa. Todos os outros quatro colegas já haviam saído para receber o anúncio ao vivo… 

Eu não tinha muitas expectativas, e permaneci em casa sozinho. Foram quase duas horas de espera até o anúncio se tornar público e o novo Papa aparecer na sacada da Basílica. Fiquei surpreso quando foi anunciado que Dom Jorge Mário Cardeal Bergóglio era o nome escolhido. A surpresa foi ainda maior, agora recheada de esperança e expectativa, quando ouvi que escolhera o nome de Francisco. 

Os breves minutos que se seguiram me levaram às lágrimas. Um Papa que se apresenta como Bispo de Roma, “pescado” pelos “irmãos cardeais” no “fim do mundo”, que se inclina e pede ao povo cristão oração e bênção, que termina suas alocuções desejando “boa noite” e “bom almoço” e que deseja se inspirar no “Pobre de Assis” não é algo trivial, nem costuma ocorrer amiúde. Perguntava-me se isso tudo era verdade ou era um sonho. 

Passados doze anos – um tempo curto para uma instituição bimilenar como a Igreja católica – posso testemunhar que foi um sonho, sim. Mas foi um sonho que começou a se realizar, uma semente que germinou e lançou tenras e frágeis raízes que precisam ser cuidadas. Sonho de uma Igreja simples e radicalmente cristã, em dia com os tempos, parceira dos pobres e das vítimas, alegre no testemunho e ousada nos compromissos. 

O que se insinuou e eu vislumbrei naquela noite romana de outono não foi um “sonho de verão”. A imagem de um líder religioso mundial no corpo de um idoso fragilizado, em vestes civis e cadeira de rodas que o mundo viu a alguns dias não nos acordou de um sonho, mas nos permitiu tocar o seu realismo. Ali estava um irmão da humanidade, próximo e vizinho, pequeno e grande, como todos desejamos ser. 

O sonho não acabou, ele se tornou semente e legado entregue aos homens e mulheres de boa vontade, sem diferença de nação, de idade, de credo ou de condição social. Que nossas instituições, agregações e organizações sejam enfermarias de campanha, largas e frágeis tendas capazes de acolher e cuidar de todas as vítimas. E que não sejam empreendimentos que lucram com as catástrofes, com a indiferença e com a violência. 

Que este sonho continue em projetos e empreendimentos que fascinam e engajam na construção de pontes e não de muros. Que nossa vida não seja tempo que passa, mas tempo de encontro. Que os homens e mulheres não sejam lobos uns dos outros, mas todos irmãos e irmãs. Que o planeta seja uma casa comum que cuidamos como à nossa mãe, e não um quintal entulhado de dejetos de uma vida feia e de lutas fratricidas.  

E, ainda mais: que nossas relações familiares sejam expressão da alegria do amor, e não de vínculos superficiais, cinzentos e dominadores; que nossas Igrejas não se afoguem em narcisismos doentios, caminhem em saída às periferias, peregrinem na esperança e não no medo, “sujem as mãos” nas causas humanitárias mais urgentes. E que ninguém tema atravessar as noites escuras do nosso tempo com os olhos fixos em Jesus de Nazaré. 

Dom Itacir Brassiani - Bispo de Santa Cruz do Sul (RS)

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                                                                                Fonte: cnbb.org.br      Foto: vaticannews.va

domingo, 27 de abril de 2025

Em Santa Maria Maior,

a homenagem dos cardeais ao Papa e as orações do povo

Na tarde deste domingo, os cardeais reunidos nas Congregações Gerais em vista do Conclave, visitaram o túmulo do Papa Francisco e rezaram as II Vésperas, presididas pelo cardeal Makrickas. Mais de 20 mil pessoas fizeram fila desde esta manhã para "saudar" o Papa, rezar diante de sua lápide e depositar flores, entre elas a "senhora das flores amarelas", Carmela Mancuso, em lágrimas diante da escrita Franciscus.

“Eu o amava, para mim ele é um santo.” Carmela Mancuso, a calabresa conhecida no mundo como “a senhora das flores amarelas” a quem o Papa dedicou suas poucas palavras em 23 de março, dia em que recebeu alta do Hospital Gemelli, chora diante do túmulo do Papa Francisco na Santa Maria Maior. Numa sacola, ela carrega um novo buquê — todo amarelo — e está na fila com milhares de outras pessoas que sobem os degraus da Basílica no Monte Esquilino. Mais de 20 mil desde que foi aberto ao público esta manhã, às 7h, segundo estimativas.

Em meio aos constantes pedidos para não fazer fotos, e agilizar os passos em função da segurança, uma exceção foi feita para Carmela e ela passou à frente, como foi feito muitas vezes durante as Audiências Gerais de quarta-feira, quando o Papa a via aparecer na Praça São Pedro ou na Sala Paulo VI e abria os braços, exclamando: "Aqui está ela!". Carmelina caminha lentamente, coloca as flores de lado e, com a mão na boca, chora ao contemplar a luz suave que ilumina a cruz do Bom Pastor e se reflete na inscrição Franciscus gravada no mármore.

Carmelina reza em frente ao túmulo do Papa Francisco   (VATICAN MEDIA Divisione Foto)


Juntos em oração

O Papa, que ela foi uma das últimas a conseguir saudar fora da Basílica de São Pedro no Domingo de Páscoa, durante o giro no Papamóvel, ato conclusivo da vida de Jorge Mario Bergoglio, está sepultado ali desde o último sábado sob aquele mármore proveniente da Ligúria. “Posso ficar aqui um pouco?” pergunta a senhora das flores amarelas, unindo-se às Vésperas que os mais de 110 cardeais reunidos em Roma rezaram esta tarde na Basílica Liberiana. Foi decidido na Congregação Geral, na sexta-feira passada, organizar um momento de oração “não programado” para prestar homenagem ao Papa.

Homenagem ao túmulo do Pontífice   (VATICAN MEDIA Divisione Foto)


Esta tarde, eles chegaram antes das 16h a Santa Maria Maior, partindo de micro-ônibus da praça em frente à Sala Paulo VI. As pessoas ali presentes e alguns adolescentes do Jubileu acompanharam a passagem dos cardeais pela Porta Santa em procissão até o túmulo do Pontífice.

A procissão até o túmulo do Papa

Diante deles, o cardeal Santos Abril y Castelló, arcipreste emérito da Basílica, que acompanhou o então recém-eleito Papa Francisco em sua primeira visita a Santa Maria Maior no dia seguinte à sua eleição, viveu um momento privado. Depois, um por um ou em grupos de três, os cardeais pararam diante do túmulo. Alguns permaneceram em oração por alguns minutos, rezando uma Ave Maria, outros fizeram o sinal da cruz ou tiraram uma foto, aqueles que puderam se ajoelharam por alguns instantes. Todos se reuniram então na Capela Paulina, ao lado do túmulo, sob o olhar da Salus Populi Romani que 126 vezes viu Francisco, de joelhos nos primeiros tempos e numa cadeira de rodas nos últimos anos, dizer-lhe “obrigado” por uma viagem apostólica a ser realizada ou concluída com sucesso, por uma operação médica que correu bem, por uma simples saudação.

Os cardeais reunidos na Santa Maria Maior para as Vésperas   (VATICAN MEDIA Divisione Foto)


Diante da Salus Populi Romani

Com o olhar voltado para o ícone que a tradição diz ter sido pintado por São Lucas, os cardeais rezaram juntos em silêncio. Depois, rezaram as II Vésperas presididas pelo cardeal arcipreste coadjutor, Rolandas Makrickas. Atrás deles, se uniram grupos de fiéis. O fluxo contínuo de visitantes não parou (assim como a fila em frente aos confessionários não parou) e os celulares, antes voltados para o túmulo, viraram-se para os cardeais que cantavam os salmos.

As orações foram rezadas em diferentes línguas por diferentes sacerdotes. Foram feitas orações pelo Papa Francisco para que “o Senhor Ressuscitado o acolha na morada da luz e da paz”. Tudo durou pouco mais de meia hora. Os cardeais então deixaram a Basílica, que permanece aberta aos fiéis até às 22h locais. Hoje, noite de descanso, amanhã, uma nova Congregação Geral para preparar o Conclave que elegerá o Sucessor de Pedro de número 267.

Salvatore Cernuzio – Vatican News

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Assista:

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                                                                                                                    Fonte: vaticannews.va

Reflexão para seu domingo:

Abrir as portas

José Antonio Pagola

O Evangelho de João descreve com traços obscuros a situação da comunidade cristã quando em seu centro falta Cristo ressuscitado. Sem sua presença viva, a Igreja se converte num grupo de homens e mulheres que vivem “numa casa com as portas fechadas, por medo dos judeus”.

Com as portas fechadas não se pode ouvir o que acontece lá fora. Não é possível captar a ação do Espírito no mundo. Não se abrem espaços de encontro e de diálogo com ninguém. Apaga-se a confiança no ser humano e crescem receios e preconceitos. Uma Igreja sem capacidade de dialogar é uma tragédia, pois os seguidores de Jesus são chamados a atualizar o eterno diálogo de Deus com o ser humano.

O “medo” pode paralisar a evangelização e bloquear nossas melhores energias. O medo nos leva a rejeitar e condenar. Com o medo não é possível amar o mundo. Mas, se não o amamos não o olhamos como Deus o olha. E, se não olhamos com os olhos de Deus, como comunicaremos a Boa Notícia?

Se vivermos com as portas fechadas, quem deixará o redil para buscar as ovelhas perdidas? Quem se atreverá a tocar algum leproso excluído? Quem se sentará à mesa com pecadores ou prostitutas? Quem se aproximará dos esquecidos pela religião. Os que querem buscar o Deus de Jesus nos encontrarão com as portas fechadas.

Nossa primeira tarefa será deixar entrar o Ressuscitado através de tantas barreiras que levantamos para defender-nos do medo. Que Jesus ocupe o centro de nossas igrejas, grupos e comunidades. Que só ele seja fonte de vida, de alegria e de paz. Que ninguém ocupe o seu lugar, que ninguém se aproprie de sua mensagem. Que ninguém imponha um modo diferente do seu.

Já não temos mais o poder de outros tempos. Sentimos a hostilidade e a rejeição em nosso entorno. Somos frágeis. Mais do que nunca, precisamos abrir-nos ao sopro do Ressuscitado para acolher o seu Espírito Santo.

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JOSÉ ANTONIO PAGOLA cursou Teologia e Ciências Bíblicas na Pontifícia Universidade Gregoriana, no Pontifício Instituto Bíblico de Roma e na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém. É autor de diversas obras de teologia, pastoral e cristologia. Atualmente é diretor do Instituto de Teologia e Pastoral de São Sebastião. Este comentário é do livro “O Caminho Aberto por Jesus”, da Editora Vozes.

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                                                        Fonte: franciscanos.org.br    Foto: vaticannews.va

sábado, 26 de abril de 2025

Bela reflexão de Frei Almir Guimarães:

Os discípulos se alegraram por verem o Senhor

Cristo vem até nós e não esconde suas feridas, antes as mostra – querendo encorajar-nos assim a que nos dispamos das nossas armaduras, máscaras e maquiagens, e contemplemos as feridas e cicatrizes que escondemos dos outros e de nós mesmos debaixo das camadas de proteção e olhemos também para as feridas que causamos em outros (Tomás Halík – Toque as feridas – Vozes, p.85).

Estamos vivendo as belas alegrias do tempo pascal. Domingo após domingo são facetas novas do Ressuscitado desenhadas diante de nossos olhos. Ele ressuscitou. Voltou para o Pai, mas está no meio de nós, no lusco-fusco ou na claridade da fé. Não cessamos de repetir aleluias e jubilações. Caminhamos por este tempo na companhia do Ressuscitado, sempre no universo da fé. A morte não pronuncia a última palavra. Colossenses sempre nos lembra: “Vossa vida está escondida com Cristo em Deus” (Cl 3,3). Escondida no Cristo vive. Somos discípulos do Ressuscitado.

As portas da sala em que se encontravam os apóstolos estavam trancadas. Depois da morte do Mestre o pequeno grupo tinha medo, muito medo. Os apóstolos não queriam ser ocasião de caçoada e chacotas de alguns dos chefes religiosos. As portas estavam vedadas, quem sabe, com trancas de ferro. Talvez mais trancados do que as portas estavam os corações daquele pequeno grupo sobre os quais repousava a responsabilidade de anunciar a vitória do Mestre. Mas quanto temor…

“Não tenhas medo. Eu sou o primeiro e o último. Estive morto, mas agora vivo. Eu tenho a chave da morte e da região dos mortos” (Ap 2,17-18).

Jesus chega. Coloca-se no meio deles, como nos tempos passados. Agora atravessa as portas fechadas. Chega desejando a paz. Quer que o coração dos seus busque asilo na certeza de sua presença. Um outro modo de se fazer presente. Mas é ele.

Aquelas mãos, as mãos de Jesus. Ali estão as chagas. Chagas agora brilhosas, luminosas, brilhantes. Antes foram chagas sanguinolentas e sangrentas. Não podem ser separadas umas das outras. Mistério da vida. Morte e vida. Chagas sangrentas e chagas brilhantes que o mais puro dos ouros… mas chagas.

Aquelas mãos de Jesus conservam as marcas dos pregos. Antes elas haviam tocado a madeira na oficina do carpinteiro José, tinham feito lama com a saliva para untar os olhos do cego, mãos que haviam tocado as crianças. Agora elas tinham preciosos rubis. O escarlate do sangue brilhava e os apóstolos experimentam alegria. Assim, Jesus infunde paz no coração dos temerosos e medrosos discípulos.

“Como o Pai me enviou, também eu vos envio”. Ele viera da parte de seu Pai. Voltava para o Pai e enviava os seus para continuarem sua missão. Tinham que abrir portas ou entrar por portas fechadas pelo medo e pela autossuficiência e dizer que acreditavam na vida, na plenitude da vida.

Eles seriam embaixadores do perdão. Nas primeiras páginas da Escritura, Deus soprara sobre o primeiro homem feito de barro e ele se tornou alma vivente. Os apóstolos, constituídos mensageiros do perdão, segundo o texto evangélico hoje proclamado, se tornam embaixadores do perdão, são habitados pelo sopro do Espírito. A missão da Igreja é anunciar o mundo novo da paz, da vida, do perdão dos dilaceramentos, das indiferenças, das crueldades desde que os corações se tornem contritos e arrependidos. O perdão é o grande presente pascal.

Tomé estava ausente. Chegara mais tarde. Queria provas da ressurreição. Queria tocar as chagas. Queria ver. Felizes os que não viram mas creram. Felizes somos nós que tivemos a graça de organizar a nossa vida à luz do Ressuscitado, que nos sentamos à mesa com ele para nos alimentar de seu corpo, que fazemos dele o sentido de nossa vida, ele que mora no amor de um homem e de uma mulher, que deita óleo nas feridas de nossa trajetória e instila esperança em nossas vidas.

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FREI ALMIR GUIMARÃES, OFMingressou na Ordem Franciscana em 1958. Estudou catequese e pastoral no Institut Catholique de Paris, a partir de 1966, período em que fez licenciatura em Teologia. Em 1974, voltou a Paris para se doutorar em Teologia. Tem diversas obras sobre espiritualidade, sobretudo na área da Pastoral familiar. É o editor da Revista “Grande Sinal”.

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                                     Fonte: franciscanos.org.br    Banner: Frei Fábio M. Vasconcelos

sexta-feira, 25 de abril de 2025

Papa Francisco e o magistério sobre os pobres:

palavras e gestos

Os “últimos” do Evangelho serão os últimos a recebê-lo.

Andrea Tornielli

O Papa no Dia Mundial dos Pobres de 2024 (Vatican Media)

E assim, os “últimos” serão os últimos a recebê-lo, na entrada da basílica de Santa Maria Maior, que conserva o ícone da Salus Populi Romani, sob cujo olhar materno Francisco está prestes a ser sepultado. Na reta final de sua trajetória terrena como Bispo de Roma que veio quase do fim do mundo, ele será coroado não pelos poderosos, mas pelos pobres, pelos migrantes, pelos sem-teto, pelos marginalizados que foram colocados no centro de tantas páginas de seu magistério e que estão no centro de cada página do Evangelho.

Já as palavras pronunciadas na manhã da Segunda-feira do Anjo pelo cardeal camerlengo Kevin Joseph Farrell para anunciar a morte inesperada do Papa Francisco haviam sublinhado essa pedra angular de seu ensinamento: “Ele nos ensinou a viver os valores do Evangelho com fidelidade, coragem e amor universal, especialmente em favor dos mais pobres e marginalizados”. “Como eu gostaria de uma Igreja pobre e para os pobres”, disse ele no início de seu pontificado. “Para a Igreja, a opção pelos pobres é uma categoria teológica antes de ser cultural, sociológica, política ou filosófica. Deus lhes concede “sua primeira misericórdia”. Essa preferência divina tem consequências na vida de fé de todos os cristãos, que são chamados a ter “os mesmos sentimentos de Jesus”, escreveu ele na exortação apostólica “Evangelii gaudium”, um documento que ainda não compreendemos plenamente e que marcou o curso de seu ministério como Sucessor de Pedro.

Palavras que sempre foram acompanhadas de gestos e escolhas concretas. O primeiro Papa a escolher o nome do Santo de Assis se inseriu na esteira dos ensinamentos de seus predecessores, como os de São João XXIII, que, um mês antes de abrir o Concílio Ecumênico Vaticano II, havia dito: “A Igreja se apresenta como é e quer ser, como a Igreja de todos, e particularmente a Igreja dos pobres”. Esse magistério de palavras e gestos, para o primeiro Papa sul-americano, teve sua origem no Evangelho e nos ensinamentos dos primeiros Padres da Igreja. Como Santo Ambrósio, que disse: “Não é de suas posses que você faz uma doação aos pobres; você não faz mais do que dar a eles o que lhes pertence. Pois é aquilo que é dado em comum para o uso de todos, aquilo que você anexa. A terra é dada a todos, e não apenas aos ricos”.

Graças a essas palavras, São Paulo VI pôde afirmar em sua encíclica “Populorum Progressio” que a propriedade privada não constitui um direito incondicional e absoluto para ninguém, e que ninguém está autorizado a reservar para seu uso exclusivo o que excede sua necessidade, quando outros não têm o necessário. Ou como São João Crisóstomo que, em uma famosa homilia, disse: “Você quer honrar o corpo de Cristo? Não permita que ele seja objeto de desprezo em seus membros, isto é, nos pobres, privados de roupas para se cobrirem. Não honrem a Cristo aqui na igreja com panos de seda, enquanto lá fora vocês o negligenciam quando ele sofre com o frio e a nudez. Aquele que disse: Este é o meu Corpo, disse também: Vistes-me com fome e não me destes de comer”.

Longe de leituras ideológicas, a Igreja não tem interesses políticos a defender quando pede a superação do que Francisco chamou de “globalização da indiferença”. Movido apenas pelas palavras do Evangelho, sustentado pela tradição dos Padres da Igreja, o Papa nos convidou a voltar nosso olhar para os “últimos” prediletos de Jesus. Esses “últimos” que hoje o acompanharão com seu abraço na última etapa.

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Segundo Domingo da Páscoa:

Leituras e reflexão
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1ª Leitura: At 5,12-16

Leitura do livro dos Atos dos Apóstolos

Muitos sinais e maravilhas eram realizados entre o povo pelas mãos dos apóstolos. Todos os fiéis se reuniam, com muita união, no pórtico de Salomão. Nenhum dos outros ousava juntar-se a eles, mas o povo estimava-os muito. Crescia sempre mais o número dos que aderiam ao Senhor pela fé; era uma multidão de homens e mulheres. Chegavam a transportar para as praças os doentes em camas e macas, a fim de que, quando Pedro passasse, pelo menos a sua sombra tocasse alguns deles. A multidão vinha até das cidades vizinhas de Jerusalém, trazendo doentes e pessoas atormentadas por maus espíritos. E todos eram curados.

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Responsório: Sl 117(118)

- Dai graças ao Senhor porque ele é bom! / “Eterna é a sua misericórdia!”

- Dai graças ao Senhor porque ele é bom! / “Eterna é a sua misericórdia!”

- A casa de Israel agora o diga: / “Eterna é a sua misericórdia!” / A casa de Aarão agora o diga: / “Eterna é a sua misericórdia!” / Os que temem o Senhor agora o digam: / “Eterna é a sua misericórdia!”

- “A pedra que os pedreiros rejeitaram / tornou-se agora a pedra angular. / Pelo Senhor é que foi feito tudo isso: / que maravilhas ele fez a nossos olhos! / Este é o dia que o Senhor fez para nós, / alegremo-nos e nele exultemos!

- Ó Senhor, dai-nos a vossa salvação, / ó Senhor, dai-nos também prosperidade!” / Bendito seja, em nome do Senhor, / aquele que em seus átrios vai entrando! / Desta casa do Senhor vos bendizemos. / Que o Senhor e nosso Deus nos ilumine!

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2ª Leitura: Ap 1,9-13.17-19

Leitura do Livro do Apocalipse

Eu, João, vosso irmão e companheiro na tribulação, e também no Reino e na perseverança em Jesus, fui levado à ilha de Patmos por causa da Palavra de Deus e do testemunho que eu dava de Jesus. No dia do Senhor, fui arrebatado pelo Espírito e ouvi atrás de mim uma voz forte, como de trombeta, 11a qual dizia: “O que vais ver, escreve-o num livro”. Então, voltei-me para ver quem estava falando; e, ao voltar-me, vi sete candelabros de ouro. No meio dos candelabros havia alguém semelhante a um “filho de homem”, vestido com uma túnica comprida e com uma faixa de ouro em volta do peito. Ao vê-lo, caí como morto a seus pés, mas ele colocou sobre mim sua mão direita e disse: “Não tenhas medo. Eu sou o primeiro e o último, aquele que vive. Estive morto, mas agora estou vivo para sempre. Eu tenho a chave da morte e da região dos mortos. Escreve, pois, o que viste, aquilo que está acontecendo e que vai acontecer depois”.

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Evangelho: Jo 20,19-31

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São João
Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e, pondo-se no meio deles, disse: “A paz esteja convosco”. Depois dessas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado. Então os discípulos se alegraram por verem o Senhor. Novamente, Jesus disse: “A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu vos envio”. E depois de ter dito isso, soprou sobre eles e disse: “Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem os não perdoardes, eles lhes serão retidos”. Tomé, chamado Dídimo, que era um dos doze, não estava com eles quando Jesus veio. Os outros discípulos contaram-lhe depois: “Vimos o Senhor!” Mas Tomé disse-lhes: “Se eu não vir a marca dos pregos em suas mãos, se eu não puser o dedo nas marcas dos pregos e não puser a mão no seu lado, não acreditarei”. Oito dias depois, encontravam-se os discípulos novamente reunidos em casa, e Tomé estava com eles. Estando fechadas as portas, Jesus entrou, pôs-se no meio deles e disse: “A paz esteja convosco”. Depois disse a Tomé: “Põe o teu dedo aqui e olha as minhas mãos. Estende a tua mão e coloca-a no meu lado. E não sejas incrédulo, mas fiel”. Tomé respondeu: “Meu Senhor e meu Deus!” Jesus lhe disse: “Acreditaste porque me viste? Bem-aventurados os que creram sem terem visto!” Jesus realizou muitos outros sinais, diante dos discípulos, que não estão escritos neste livro. Mas estes foram escritos para que acrediteis que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais a vida em seu nome.

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Reflexão do padre Johan Konings

A Páscoa de cada semana 

O cristão começa a semana com cara de domingo e não de segunda-feira. Pois, como diz o próprio nome, a segunda-feira é o segundo dia da semana. O primeiro é o domingo, por diversas razões.

Na liturgia do 2° domingo pascal, o autor do Apocalipse faz questão de dizer que ele teve a sua visão no “primeiro dia da semana”, no domingo (2ª leitura). É o dia da ressurreição: o que ele vê, na sua visão, é “o morto que está vivo”, Cristo ressuscitado. É o dia da celebração: ele vê uma liturgia celeste em honra de Jesus, o Cordeiro pascal imolado por nós.

Também o evangelho de hoje nos fala, por duas vezes, do primeiro dia da semana. A primeira cena deste evangelho situa-se no próprio dia da Páscoa, quando Jesus aparece aos discípulos, mostrando-se ressuscitado e vivo, para derramar sobre eles o Espírito Santo, que lhes dá o poder de tirar o pecado do mundo, como ele mesmo tinha feito. A segunda cena ocorre “oito dias depois” (portanto, outra vez no primeiro dia da semana), quando Jesus aparece para se mostrar a Tomé e confirmar a sua fé.

O primeiro dia da semana é o dia de Jesus e de Deus, domingo, dies Domini, dia do Senhor. Lembra o primeiro dia da criação, quando Deus criou a luz. A ressurreição de Jesus é novo primeiro dia da criação, nova luz que surge sobre o mundo. E cada domingo é, para o cristão, a comemoração dessa luz pascal e dessa nova criação. Nós mesmos somos criaturas novas, chamadas à vida na luz – a luz de Cristo morto e ressuscitado.

O domingo é páscoa semanal, dia da comunidade, lembrete da nova criação que nós somos em Cristo. Não só pessoalmente, mas como comunidade, chamada a dar um novo tom ao mundo. Os habitantes de Jerusalém perceberam essa novidade. Muitos aderiram à comunidade e todo o povo a elogiava, diz a 1ª leitura de hoje. Também hoje, o mundo deve perceber essa novidade no novo rumo que os cristãos imprimem à história, transformando-a de história de opressão em história de libertação. O domingo, com seu descanso físico, sua alegria espiritual e sua comunhão na celebração, deve alimentar em nós esta existência pascal nova e formadora.

Israel celebra o dia santo no sábado, dia do descanso de Deus depois de completada a criação. É um símbolo religioso muito profundo. O próprio Jesus observava normalmente o sábado, tomando, porém, a liberdade de fazer curas ou permitir colher espigas, porque a que Deus criou deve também ser conservada no dia de sábado… Os cristãos escolheram como dia santo o dia depois do sábado, o dia da Ressurreição, da restauração da vida, pensando não tanto na criação acabada, mas na novidade de vida inaugurada por Jesus. Por isso, os Pais da Igreja chamaram este dia de “oitavo dia”: ele está fora da sequência dos sete dias da semana, é de outro nível. Simboliza o tempo novo e definitivo. Será que isso se reconhece na maneira em que celebramos o domingo?

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PE. JOHAN KONINGS nasceu na Bélgica em 1941, onde se tornou Doutor em Teologia pela Universidade Católica de Lovaina, ligado ao Colégio para a América Latina (Fidei Donum). Veio ao Brasil, como sacerdote diocesano, em 1972. Em 1985 entrou na Companhia de Jesus (Jesuítas) e, desde 1986, atuou como professor de exegese bíblica na FAJE, Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Faleceu no dia 21 de maio de 2022. Este comentário é do livro “Liturgia Dominical, Editora Vozes.

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Reflexão em vídeo do frei Felipe Carretta

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         Fonte: franciscanos.org.br    Banners: vaticannews.va     Fábio M. Vasconcelos

quinta-feira, 24 de abril de 2025

Queriam que eu predissesse

quem será o próximo Papa!...

Pe. Zezinho, scj |||||||||||||||||||||||||||||||

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Achei engraçado! O Papa nem foi sepultado e há centenas de profetinhas de todas as tendências vendendo seu “peixe”.

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Dizem que o próximo Papa será tipo X ou Y ou W e terá M ou L ou R tendências. Mas é tudo peixe pobre, profecias sem pé nem cabeça, predições ridículas e dignas de fazer dó.

Fará melhor quem nada predisser, sinal de que é pessoa serena e sensata que não brinca de futurologia ou adivinhações!

Seja qual for o próximo Papa uma coisa é certa: eu o respeitarei. Tenho certeza de que será melhor e mais sensato do que todos estes adivinhos de palco, microfone, câmeras, holofotes ou celular na mão!

99% deles não acertariam na loteria, nem também nas predições sobre o futuro Papa católico.

Simplesmente não sabem, mas opinam. São cidadãos que mal conseguem ler um livro de 100 páginas por ano, mas vivem opinando sobre tudo.

Por isso já estão opinando sobre o futuro Papa Católico, quando o atual ainda está no caixão e ainda não o sepultaram!

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                                                                                         Fonte: facebook.com/padrezezinho,sjc