domingo, 28 de agosto de 2022

Reflexão para seu domingo:

O delicado perfume da gratuidade

Frei Almir Guimarães

A sociedade atual tende a produzir um tipo de homem insolidário, consumista, de coração mesquinho e horizonte estreito, incapaz de generosidade. É difícil ver gestos gratuitos. Às vezes até a amizade e o amor aparecem influenciados pelo interesse e pelo egoísmo. José Antonio Pagola

Mais uma vez entramos em contato com a parábola dos convidados para uma festa de casamento que estavam ansiosos por ocupar os primeiros lugares à mesa do banquete. Foram afoitos. Poderia haver gente mais importante a ocupar os lugares que eles andavam pretendendo tomar. Tema da gratuidade, tema da humildade. Postura essencial para entrarmos no mundo de Jesus: pessoas não presunçosas, gente que conhece sua dignidade mas não querem estar sempre na passarela.

As coisas não aconteceram tal qual como são descritas por Lucas. Trata-se de uma história que deve nos levar a pensar. As pessoas começavam a chegar. Esperavam os noivos. O desejo de muitos era de ocupar os primeiros lugares, perto dos principais do lugar. Merecimento? Vontade de aparecer? Os que agora são convidados, posteriormente convidariam seus anfitriões. Jogo de troca. Toma lá, dá cá. Às vezes, como diz Pagola, até a amizade e o amor aparecem marcados pelo interesse e pelo egoísmo. Em nossos dias há pessoas que cumprem obrigações sociais em certos eventos… Há mesmo os que ousam ocupar os primeiros lugares sem mérito. Podem ser convidados a deixar o lugar para os amigos mais íntimos do anfitrião. Cuidado.

Humildade se opõe a orgulho, pretensões de superioridade, desejo de dominar, imaginação de que somos melhores do que os outros e merecedores de favores. Postura que torna a pessoa insolidária e mesquinha. Os de bom senso contemplam a falta de quem avança esquecendo os outros. Luta pelo poder, desejo desmedido do ego.

Em latim se diz humilitas. A palavra deriva de humus, isto é, terra, chão, humus. Humildade significa a coragem de aceitarmos nosso vínculo com a terra, a vontade de conciliarmos com nossa realidade, com o fato que viemos da terra e fomos alçados à dignidade de filhos de Deus por graça, sem mérito de nossa parte. Sabemos que tudo é graça, tudo é dom. Não somos os donos de nós mesmos. Ele, o Senhor, nos inventou e anda nos acompanhando e fecundando o labor de nossas mãos. Tudo dele recebemos. Quando atribuímos valores a nós mesmos estamos roubando o que é do Senhor. São Francisco de Assis dizia: “Nada de vós retenhais para vós mesmos, para que totalmente vos receba quem totalmente se vos dá” (Carta a toda a Ordem 29). O pior que pode acontecer com uma pessoa é que ela viva orgulhosamente. Este talvez seja o mais grave pecado. Homem algum é uma ilha. O mestre não hesitou em ser lavador dos pés dos irmãos.

Jesus buscava organização do mundo diferente, sob a lei da partilha. Uma sociedade em que as pessoas pensassem nos mais fracos, nos sem prestígio público, que não ficasse vidrada nas pessoas que pudessem lhes dar lucros, em amizades interesseiras.

A leitura do Eclesiástico aborda o mesmo tema: “Para o mal do orgulhoso não existe remédio, pois uma planta de pecado está enraizada nele e ele não compreende”.

Em inúmeras passagens a Escritura nos diz que Deus se revela aos humildes e se fecha aos soberbos, que o publicano que rezava com o coração arrependido encontrou a Deus e não o fariseu presunçoso. É extremamente agradável conviver com pessoas simples. Não conseguimos dar atenção por longo tempo a pessoas amantes de ilusórias grandezas e que aberta ou camufladamente incensam-se a si mesmas.

A pessoa humilde não precisa alardear sua humildade: sua vida respira simplicidade e temos vontade de conviver com ela. Os que se dizem humildes, nem sempre o são.

A pessoa humilde aceita que sua agenda seja modificada diante de um exigência urgente. Não reclama. Troca o bom pelo melhor.
A pessoa humilde aceita ocupações simples, domésticas, feitas no oculto.
A pessoas humildes dizem como Maria: “O Senhor fez em mim maravilhas.., santo é seu nome. É o Senhor que opera o bem em nós”.
O humilde volta atrás numa decisão tomada desde que outro o convença de algo melhor.
O humilde não é intransigente, mas senta-se à mesa do diálogo. É homem de negociações.

Anselm Grün: “Pessoas humildes não são pessoas que se diminuem ou que sintam paralisadas diante de qualquer tarefa, por se acharem incapazes das mesmas. Humildes são aqueles que têm a coragem de assumir a própria realidade e, nela, comportam-se modestamente”.

Eclesiástico: “Na medida em que fores grande deverás praticar a humildade e assim encontrarás graça diante de nosso Senhor”.

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Texto seleto

Maria reconhece sua pequenez diante da grandeza de Deus, e porque reconhece é porque ela pode também alegrar-se. Colocar nossa vida nua, a nossa inteira e pequena vida nas mãos de Deus em nada nos diminui. São Paulo há de escrever, na linha do Magnificat, “quando sou fraco, então sou forte, porque nos basta a graça de Deus (2Cor 12,10). (…). Deus nos ama sem por que, ama-nos porque nos ama. A fraqueza que achamos dentro de nós não é obstáculo ao seu amor, ao contrário do que pensamos. Deixemos Deus amar a nossa pequenez, insignificância, escassez, o nosso nada. Porque só isso permitirá que abramos realmente as portas do nosso coração a Deus e aí ele possa dizer que a nossa vocação, qualquer que seja, será o Amor (José Tolentino Mendonça).

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Oração

Pai amado, realiza por meio de nós a obra da verdade.
Mantém nossas mãos ocupadas em servir a todos.
Faze com que nossa voz anuncie a todos o teu reino.
Faze com que nossos pés avancem sempre pelos caminhos da justiça.
Guia-nos da ignorância para a tua luz.

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FREI ALMIR GUIMARÃES, OFM, ingressou na Ordem Franciscana em 1958. Estudou catequese e pastoral no Institut Catholique de Paris, a partir de 1966, período em que fez licenciatura em Teologia. Em 1974, voltou a Paris para se doutorar em Teologia. Tem diversas obras sobre espiritualidade, sobretudo na área da Pastoral familiar. É o editor da Revista “Grande Sinal”.

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sábado, 27 de agosto de 2022

Dia do catequista:

“Como servidor da Palavra
ajuda a conhecer e fazer experiência com Jesus Cristo”

O último domingo do mês de agosto, 28, é dedicado a vocação de catequista. “Ele como servidor da Palavra ajuda a adultos, jovens, adolescentes e crianças a conhecer e fazer uma experiência com Jesus Cristo”, diz o assessor da Comissão para a Animação Bíblico-Catequética da CNBB, padre Jânison de Sá.

O catequista é alguém que foi chamado por Deus, passou por um tempo de formação na escola de Jesus para depois ser enviado a anunciar e testemunhar. Não se nasce catequista, se adquire conhecimentos teóricos e experiência com a prática concreta”.

Padre Jânison salienta que é importante que o catequista se deixe sempre guiar pelo Espírito Santo, tenha abertura para uma catequese a serviço da Iniciação à vida cristã com inspiração catecumenal, capacidade de construir relações de amizade, diálogo, trabalho em equipe, solidariedade, construir comunhão e vivenciar o Evangelho de Jesus Cristo.

“Ele exerce um serviço importante na comunidade eclesial missionária. Agradecemos a todos os catequistas por tamanha generosidade e dedicação no serviço a Igreja”, diz o padre.

Por ocasião da data, o presidente da Comissão para a Animação Bíblico-Catequética, dom José Antônio Peruzzo, manifestou gratidão pelo ministério do catequista. “Eu gostaria de lhe dizer: voltem aquelas primeiras experiências do chamado à catequese – alguém o chamou e você aceitou. A voz era humana, mas a fonte que convidada procedia do Espírito de Deus”, diz dom Peruzzo.

Tivemos esses dias difíceis da pandemia: quantos esquecimento, quantos distanciamentos e até desânimos, cansaços e certamente até passou na sua mente que já contribuiu bastante e já era hora de deixar para outros, mas estar aqui é recomeçar.

Confira o depoimento do bispo na íntegra:

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59ª Assembleia da CNBB:

vai votar cinco temas prioritários
e debater sobre outros 14 temas diversos

No próximo domingo, 28 de agosto, tem início a 59ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Aparecida (SP). Serão cinco dias de discussões, reflexões e votações. Na pauta, cinco temas prioritários, entre eles: o Tema Central: “Igreja Sinodal – Comunhão, Participação e Missão”, propostas e indicações para a elaboração das próximas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE) serão feitas rumo à consolidação na 60ª Assembleia Geral da CNBB, em 2023.

Serão votados ainda pelo episcopado as atualizações do Estatuto da CNBB, a tradução do Missal Romano, o texto do Ministério do Catequista e o Estudo nº 114 da CNBB cujo título é: “E a Palavra habitou entre nós” (Jo 1,14) – Animação Bíblica da Pastoral a partir das comunidades eclesiais missionárias”. Além disso, outros 14 temas diversos vão ser objeto de reflexão e discussão dos cardeais, arcebispos, bispos diocesanos e auxiliares e coadjutores que participarão da 59ªAssembleia Geral. os prelados também vão se reunir em retiro.

Temas diversos:

- 18º Congresso Eucarístico Nacional

- Análise de Conjuntura Eclesial

- Análise de Conjuntura Social

- Assuntos relacionados ao Celam (Conselho Episcopal Latino-Americano)

- Celebração dos 70 anos da CNBB

- Assuntos relacionados ao Ceris (Centro de Estatística Religiosa e Investigações Sociais)

- Comissão Especial para a Mineração e Ecologia Integral

- Jornada Mundial da Juventude 2023

- Campanha Junho Verde

- Apresentação da nova marca da CNBB (Identidade Visual)

- Pesquisa sobre  “Saúde Integral do Clero”

- Questões relacionadas à Proteção de Crianças e Adolescentes

- Questões jurídicas

- Sínodo dos Bispos 2023

O processo de votação

Podem votar todos os bispos membros da CNBB, isto é, os que estão no exercício do ofício. Bispos eméritos, ou seja, os que já se aposentaram ao completarem 75 anos de idade, apenas têm voz.

Foto: Thiago Leon/ A12.com

De acordo com o Código de Direito Canônico, o estatuto da CNBB e o regimento interno da conferência, as votações em Assembleia precisam de modo presencial, em cédulas que constam item por item de cada objeto de votação e essas cédulas precisam ser arquivadas. O estatuto que está sendo agora preparado já prevê votações por meio eletrônico.

Para aprovação de documentos, estatuto e regimento, por exemplo, é necessário que haja consenso e a aprovação é garantida com a maioria dos bispos presentes com direito a voto. São realizados vários escrutínios até que haja consenso de que se pode votar.

No caso do Missal, como é regido pela legislação canônica, a votação precisa ser presencial com maioria qualificada dos membros da Conferência, ou seja, 2/3 + 1. Para outras votações, são considerados apenas a maioria simples dos presentes. Já para votações como a nova identidade visual da conferência, por exemplo, o sistema de votação é o simples sem cédulas: sim ou não e abstenções. Em todos os casos, os bispos que não se sentirem contemplados poderão fazer um destaques, defendendo seu ponto de vista para uma nova sessão de votações.

Igreja no Brasil

A Igreja Católica no Brasil possui 278 circunscrições eclesiásticas, um total de 478 bispos hoje, dos quais 321 exercendo alguma missão e função de governo mais 157 bispos eméritos (aposentados).

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sexta-feira, 26 de agosto de 2022

Oportuna reflexão de dom Paulo Peixoto:

Campanha Eleitoral 2022

Começo citando uma frase bíblica: “Quem se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado” (Lc 14,11). Novamente estão aí os candidatos na corrida para a conquista de votos, mas qual a verdadeira intenção de fundo, a humildade no serviço ao povo, principalmente aos mais desfavorecidos e ao bem comum ou a exaltação pessoal com interesses egoístas e sem compromisso social?

Dom Paulo Mendes Peixoto 

No mês de outubro vamos eleger Presidente, Governadores, Senadores, Deputados Federais, Estaduais e Distritais. É uma tarefa muito difícil, porque ninguém tem estrela na testa. Todos têm, sim, uma história de vida, que precisa ser checada. O eleitor precisa estar de antena ligada para não ser conivente com uma má administração, dando um voto sem responsabilidade em candidato desqualificado. 

Três virtudes podem perfeitamente identificar o perfil de um bom candidato, uma delas citada acima, a humildade, mas também a gratuidade e a caridade. Quem tem estas qualidades, investe no que assumiu como proposta no tempo da campanha, deixa de lado o comodismo, a zona egoísta de conforto e age de forma honesta e transparente para trabalhar seriamente em benefício do povo. 

Estamos numa cultura política viciada de muitas falcatruas, de arrogâncias, carreirismos e explorações egoístas, que emperra a viabilidade de uma nação comprometida e de destaque no cenário mundial. O peso de tudo isto recai sobre os eleitores neste momento, porque o voto livre e sagrado é emitido por todos os cidadãos, dando aos candidatos plenos poderes para administrar. 

É fundamental na política cultivar a virtude da humanidade, de forma que o candidato possa ocupar, com simplicidade, o posto para o qual foi eleito. Agindo desta forma, evita se sentir superior aos outros, mas alguém que coloca seus próprios talentos para ajudar no desenvolvimento do país. Infelizmente não é o que vemos no cenário político brasileiro, porque se tornou cabide de emprego fácil. 

Existe um abismo entre o povo e a classe política com seus privilégios. Acontece que o político sai do meio do povo e se distancia dele na hora de administrar o bem público, principalmente aquilo que beneficia a maioria. Na lógica cristã, o valor da pessoa não depende do cargo que ocupa, mas a capacidade relacional de humildade, ser simples e dedicado com honestidade na missão assumida. 

Dom Paulo Mendes Peixoto - Arcebispo de Uberaba (MG)

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22º Domingo do Tempo Comum:

Leituras e Reflexão

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1ª Leitura:  Eclo 3,19-21.30-31

Leitura do Livro do Eclesiástico:

Filho, realiza teus trabalhos com mansidão e serás amado mais do que um homem generoso. Na medida em que fores grande, deverás praticar a humildade, e assim encontrarás graça diante do Senhor. Muitos são altaneiros e ilustres, mas é aos humildes que ele revela seus mistérios. Pois grande é o poder do Senhor, mas ele é glorificado pelos humildes.

Para o mal do orgulhoso não existe remédio, pois uma planta de pecado está enraizada nele, e ele não compreende. O homem inteligente reflete sobre as palavras dos sábios, e com ouvido atento deseja a sabedoria.

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Responsório: Sl 67

- Com carinho preparastes uma mesa para o pobre.
- Com carinho preparastes uma mesa para o pobre.

- Os justos se alegram na presença do Senhor,/ rejubilam satisfeitos e exultam de alegria!/ Cantai a Deus, a Deus louvai, cantai um salmo a seu nome!/ O seu nome é Senhor: exultai diante dele!

- Dos órfãos ele é pai, e das viúvas protetor:/ é assim o nosso Deus em sua santa habitação./ É o Senhor quem dá abrigo, dá um lar aos deserdados,/ quem liberta os prisioneiros e os sacia com fartura.

- Derramastes lá do alto uma chuva generosa,/ e vossa terra, vossa herança, já cansada, renovastes;/ e ali vosso rebanho encontrou sua morada;/ com carinho preparastes essa terra para o pobre.

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2ª Leitura: Hb 12,18-19.22-24a

Leitura da Carta aos Hebreus:

Irmãos: Vós não vos aproximastes de uma realidade palpável: “fogo ardente e escuridão, trevas e tempestade, som da trombeta e voz poderosa”, que os ouvintes suplicaram não continuasse.

Mas vós vos aproximastes do monte Sião e da cidade do Deus vivo, a Jerusalém celeste; da reunião festiva de milhões de anjos; da assembleia dos primogênitos, cujos nomes estão escritos nos céus; de Deus, o Juiz de todos; dos espíritos dos justos, que chegaram à perfeição; de Jesus, mediador da nova aliança.

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Evangelho: Lc 14,1.7-14

Proclamação do Evangelho de São Lucas:

Aconteceu que, num dia de sábado, Jesus foi comer na casa de um dos chefes dos fariseus. E eles o observavam. Jesus notou como os convidados escolhiam os primeiros lugares. Então contou-lhes uma parábola:

“Quando tu fores convidado para uma festa de casamento, não ocupes o primeiro lugar. Pode ser que tenha sido convidado alguém mais importante do que tu, e o dono da casa, que convidou os dois, venha te dizer: ‘Dá o lugar a ele’. Então tu ficarás envergonhado e irás ocupar o último lugar.

Mas, quando tu fores convidado, vai sentar-te no último lugar. Assim, quando chegar quem te convidou, te dirá: ‘Amigo, vem mais para cima’. E isto vai ser uma honra para ti diante de todos os convidados. Porque quem se eleva, será humilhado e quem se humilha, será elevado”.

E disse também a quem o tinha convidado: “Quando tu deres um almoço ou um jantar, não convides teus amigos, nem teus irmãos, nem teus parentes, nem teus vizinhos ricos. Pois estes poderiam também convidar-te e isto já seria a tua recompensa. Pelo contrário, quando deres uma festa, convida os pobres, os aleijados, os coxos, os cegos. Então tu serás feliz! Porque eles não te podem retribuir. Tu receberás a recompensa na ressurreição dos justos”.

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Reflexão do padre Johan Konings:

Simplicidade e gratuidade

As leituras de hoje insistem em virtudes fora de moda: mansidão e humildade (1ª leitura), modéstia e gratuidade (evangelho). Quanto à modéstia, Jesus usa um argumento da sabedoria popular, do bom senso: se alguém for sentar no primeiro lugar num banquete e um convidado mais digno chegar depois dele, esse primeiro terá de ceder seu lugar e contentar-se com qualquer lugarzinho que sobrar. Mas quem se coloca no último lugar só pode ser convidado para subir e ocupar um lugar mais próximo do anfitrião.

Ora, citando essa humildade de quem se faz de burro para comer milho, Jesus pensa em algo mais. Por isso, acrescenta uma outra parábola, para nos ensinar a fazer as coisas não por interesse egoísta, mas com gratuidade. Seremos felizes – diz Jesus – se convidarmos os que não podem retribuir, porque Deus mesmo será então nossa recompensa. Estaremos bem com ele, por termos feito o bem aos seus filhos mais necessitados.

A gratuidade não é a indiferença do homem frio, que faz as coisas de graça porque não se importa com nada, pois isso é orgulho! Devemos ser gratuitos simplesmente porque os nossos “convidados” são pobres e sua indigência toca o nosso coração fraterno. O que lhes damos tem importância, tanto para eles como para nós. Tem valor. Recebemo-lo de Deus, com muito prazer. E repartimo-lo, porque o valorizamos. Dar o que não tem valor não é partilha: é liquidação… Mas quando damos de graça aquilo que com gratidão recebemos como dom de Deus, estamos repartindo o seu amor.

Tal gratuidade é muito importante na transformação que a sociedade está necessitando. Importa não apenas “fazer o bem sem olhar para quem” individualmente, mas também social ou coletivamente: contribuir para as necessidades da comunidade, sem desejar destaque ou reconhecimento especial; trabalhar e lutar por estruturas mais justas, independentemente do proveito pessoal que isso nos vai trazer; praticar a justiça e humanitarismo anônimos; ocupar-nos com os insignificantes e inúteis…

Assim, a lição de hoje tem dois aspectos: para nós mesmos, procurar a modéstia, ser simplesmente o que somos, para que a graça de Deus nos possa inundar e não encontre obstáculo em nosso orgulho. E para os outros, sermos anfitriões generosos, que não esperam compreensão, mas, sem considerações de retorno em dinheiro ou fama, oferecem generosamente suas dádivas a quem precisa.

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PE. JOHAN KONINGS nasceu na Bélgica em 1941, onde se tornou Doutor em Teologia pela Universidade Católica de Lovaina, ligado ao Colégio para a América Latina (Fidei Donum). Veio ao Brasil, como sacerdote diocesano, em 1972. Em 1985 entrou na Companhia de Jesus (Jesuítas) e, desde 1986, atuou como professor de exegese bíblica na FAJE, Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Faleceu no dia 21 de maio de 2022. Este comentário é do livro “Liturgia Dominical, Editora Vozes.

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Reflexão em vídeo de Frei Gustavo Medella:


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                                           Reflexões e ilustração: franciscanos.org.br        Banner: cnbb.com.br 

quinta-feira, 25 de agosto de 2022

Sínodo 2023: subsecretário de pastoral da CNBB defende

o aprofundamento da ministerialidade
como caminho para superar o clericalismo na Igreja

“Vivenciamos um tempo muito bonito e de escuta em toda a semana que aqui passamos com a equipe do Sínodo. Foi um tempo fecundo e muito profundo de escuta do Espírito Santo, através dos relatórios das sínteses das nossas dioceses”

Padre Marcus Barbosa

A fala acima é do subsecretário adjunto de pastoral da CNBB, padre Marcus Barbosa, sobre o processo de escuta da fase diocesana do Sínodo 2021-2023. Ele integrou a Equipe Nacional de Animação do Sínodo no Brasil, que esteve reunida na sede da CNBB, em Brasília (DF), nos dias 8 a 12 de agosto, e partilhou em vídeo algumas considerações sobre o processo. A ele coube sintetizar o tema “formar-se na sinodalidade”.

Segundo o padre Marcus, inúmeras dioceses registraram que para além do conteúdo da formação oferecida é necessário crescer naquilo que é o cerne da sinodalidade: “saber escutar, dialogar, mergulhar nas realidades locais, acolher e integrar os diferentes, vencer as estruturas engessadas, os preconceitos, os tradicionalismos e também moralismos fundamentalistas”.

Padre Marcus destaca que as dioceses clamam por uma formação que esteja em sintonia com os valores da sociabilidade humana e que ajude a crescer nos relacionamentos, no acolhimento, na ternura e na solidariedade.

“Uma formação que nos ajude a sermos mediadores em tantas formas de conflitos, que possa nos tocar por dentro a partir da ação do Espírito do Senhor, a dimensão humana, porque sem o humano, não há eclesialidade. Uma formação que nos ajude a termos um estilo sinodal”.

Ministerialidade na Igreja

Por último, padre Marcus Barbosa salientou que um dos aspectos que também aparece nos relatórios e que merece uma maior atenção é a questão da ministerialidade na Igreja. “E aí devemos recuperar a teologia batismal, recuperando a eclesiologia do Concílio Vaticano II, a eclesiologia do povo de Deus, a eclesiologia da comunhão, os diversos serviços, os diversos ministérios, a comunhão entre os ministérios e todos que estejam a serviço da humanidade, do Reino, da missão evangelizadora da Igreja.

“Creio que se nós cuidarmos um pouco mais e trabalharmos com mais profundidade a ministerialidade nós iremos com mais clareza e com mais eficácia, empenho e sinais rompermos uma cultura clerical que ainda nos atrapalha e sermos mais expressão daquilo que o Senhor quer: uma Igreja de comunhão, participação e missão”.

Confira o vídeo na íntegra:

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Editorial do Vatican News - Andrea Tornielli:

Aquelas sementes de esperança entre destruição e morte

O trágico desfecho de seis meses de guerra no coração da Europa e as razões da paz

"O preço da guerra é pago pelos inocentes, os inocentes!” A do Papa Francisco parece ser a voz daquele que clama no deserto, seis meses após o início da insensata e horrível agressão da Ucrânia: destruição, morte e o espectro do conflito nuclear.

"Penso - disse o Pontífice ao final da Audiência Geral, fazendo um chamado às responsabilidades de todos - na tanta crueldade para com tantos inocentes que estão pagando a loucura, a loucura de todos os lados, porque a guerra é uma loucura e ninguém na guerra pode dizer: não, eu não sou louco”.

Não podemos nos acostumar com o que está acontecendo, depois de meses de imagens chocantes, que atestam a morte e a destruição causada pelos armamentos modernos e o alto preço em termos de vidas humanas inocentes sacrificadas, de famílias destruídas, de casas e negócios destruídos, bairros arrasados. A voz de Pedro nunca deixou de expressar solidariedade com os agredidos e com todos aqueles que sofrem as consequências da guerra, mas também de exortar os líderes das nações envolvidas de várias formas no conflito a buscar uma solução negociada.

O balanço deste meio ano de conflito entre duas nações no coração da Europa é trágico. Fossas comuns, crianças mortas e feridas, mães ucranianas e russas que choram a morte no front de seus filhos ainda muitos jovens, milhões de pessoas deslocadas, risco de fome e devastação ambiental, atestam a impotência dos chefes de Estado e das organizações internacionais e a incapacidade de implementar - com coragem e criatividade - o que o Papa chama de "esquema de paz".

De fato muitos, muitos, continuam a raciocinar de acordo com o “esquema de guerra” e considerando o fortalecimento de antigas alianças militares e a corrida desenfreada ao rearmamento como a única resposta viável.

O mundo, já marcado por tantas guerras que compõem os "pedaços" daquela Terceira Guerra Mundial da qual Francisco falou várias vezes, está mergulhando novamente em uma nova Guerra Fria. Sem falar nas graves consequências, econômicas e de abastecimento de energia, esperadas a curto e médio prazo para muitos países.

É possível vislumbrar neste panorama de devastação sinais de esperança? Sim, é possível. Uma semente de esperança é a generosidade com que tantas pessoas abriram suas portas aos refugiados ucranianos, levaram pessoalmente ajuda, se envolveram em iniciativas humanitárias sem se deixar vencer pela "globalização da indiferença".

Outra semente de esperança é representada pelas organizações, associações e grupos que se engajaram em ações e iniciativas pela paz, pelo diálogo, pela negociação, assumindo riscos pessoais ao visitar a Ucrânia em guerra.

A semente da esperança é a crescente consciência, mais difundida entre os povos do que entre seus dirigentes e seus líderes políticos, da necessidade urgente de parar o massacre por meio de uma trégua e de negociações. Porque, caso se continuar a responder à emergência de novos conflitos com base em velhos esquemas, em vez de ousar na tentativa de construir uma nova convivência internacional, o destino da humanidade, infelizmente, corre o risco de já estar selado.

Por fim, existe uma semente de esperança que para quem crê é a primeira e mais importante. Quem crê sabe que as guerras começam no coração do homem, que Deus intervém na história e que a oração - especialmente a dos humildes, dos simples, dos sofredores - pode influenciar e mudar os destinos da humanidade.

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