terça-feira, 4 de março de 2025

Em um livro,

o magistério do Papa sobre a arte poética

A editora italiana Ares publicou uma coletânea de textos do Papa Francisco sobre a importância da poesia e da literatura na formação e na educação, bem como no diálogo entre a Igreja e a cultura contemporânea. Em um bilhete autógrafo ao curador, padre Antonio Spadaro, Francisco expressa o desejo de que a poesia suba à cátedra nas Universidades Pontifícias.

O bilhete autografado do Papa para o curador do livro, padre Antonio Spadaro. 

"O romance, a literatura, lê o coração do homem, ajuda a acolher o desejo, o esplendor e a miséria. Não é teoria. Ajuda a pregar, a conhecer o coração." Foi assim que o Papa Francisco se expressou em 2016, em uma entrevista ao padre Antonio Spadaro, então diretor da revista La Civiltà Cattolica. Hoje, quase ao final do décimo segundo ano de seu Pontificado, o teólogo e crítico literário jesuíta, atualmente subsecretário do Dicastério para a Cultura e a Educação, retoma o fio daquela conversa com o Papa e organiza a publicação de Viva la poesia! (Milão, Editora Ares, março de 2025, 224 páginas), a primeira antologia dos textos em que o Pontífice argentino expressa seu singular magistério sobre poesia e literatura.

Trata-se de uma coletânea de trechos de encíclicas, exortações apostólicas, discursos e mensagens, bem como prefácios, entrevistas e cartas pessoais em que o Papa se refere à importância da escrita poética. Entre esses textos, destacam-se pela profundidade e clareza a recente Carta do Santo Padre Francisco sobre o papel da literatura na educação, de 17 de julho de 2024, e sua Carta aos poetas, publicada no volume Versos a Deus. Antologia da poesia religiosa, de 2024, pela editora Crocetti.

A poesia como parte integrante do magistério

A introdução aos textos papais traz um ensaio crítico no qual o próprio Spadaro busca fornecer as chaves para compreender a inteligência literária do Pontífice, delineando o vasto panorama dos autores que marcaram sua formação – dos argentinos Borges e Marechal a Dostoiévski, Manzoni e Dante. “Em seu magistério pontifício – escreve Spadaro – Francisco inclui o logos poético e simbólico como parte integrante de seu discurso”, ou seja, cita frequentemente poetas e escritores, “e isso é um dado extremamente relevante”. Apenas para ilustrar, na Exortação Apostólica Querida Amazônia, o Papa cita nada menos que 17 escritores e poetas.

No final do livro, uma entrevista com o jornalista argentino Jorge Milia, ex-aluno do professor Bergoglio quando este lecionava no Liceu de Santa Fé, na Argentina, na metade dos anos 1960, revela alguns aspectos da paixão do então jovem jesuíta pela literatura e pela arte. Seu método de ensino criativo chegava ao ponto de incentivar os alunos a escreverem contos – que depois foram publicados com um prefácio de Jorge Luis Borges – e até a estimular a criação, no ambiente escolar, de uma banda de rock juvenil inspirada na música dos Beatles.

"Que a poesia suba à cátedra"

O livro se abre com um bilhete autógrafo do Papa Francisco. Um pequeno texto no qual, além de exclamar Viva a poesia! e agradecer ao curador da obra, o Pontífice afirma que devemos “recuperar o gosto pela literatura em nossa vida, mas também na formação, caso contrário, seremos como um fruto seco”. “A poesia – acrescenta Francisco – nos ajuda a sermos humanos, e hoje precisamos muito disso”. Vale destacar que, nesse bilhete, o Papa expressa seu desejo de que a poesia suba “à cátedra” nas instituições acadêmicas pontifícias.

Uma fé que não sabe mais imaginar

“O Papa Francisco usa frequentemente a palavra ‘poetas’: para ele, a literatura, a música e a arte são capazes de expressar e nutrir o imaginário”, afirmou Spadaro em 2022, em um podcast para a Rádio Vaticano – Vatican News. “Um dos grandes problemas da fé, segundo ele, é o fato de que não conseguimos imaginar as verdades em que acreditamos: faltam-nos imagens poderosas. A poesia, portanto, para o Papa, é a sintaxe da ação, que exige genialidade e criatividade.”

"Precisamos de uma linguagem nova e potente"

As reflexões de Francisco, selecionadas por Spadaro neste volume, além de ressaltarem o papel fundamental da poesia e da literatura na formação humana e espiritual – para “compreender melhor a si mesmo e aos outros” – exploram também a importância da criatividade e da imaginação na vida e na fé, incentivando o uso de uma “linguagem nova e poderosa” para comunicar a mensagem evangélica.

“O pensamento da Igreja precisa recuperar a genialidade e entender cada vez melhor como o homem se compreende hoje, para desenvolver e aprofundar seu ensinamento”, afirmou o Papa em uma entrevista publicada na La Civiltà Cattolica, em 2013. “A poesia é cheia de metáforas”, dirá ele, mais tarde, à comunidade da mesma revista, em 2017. “Compreender as metáforas ajuda a tornar o pensamento ágil, intuitivo, flexível e perspicaz.”

“A Igreja deve ter cuidado para não cair na armadilha da linguagem banal, das frases repetidas de maneira mecânica e cansada”, escreveu o Papa em 2023, no prefácio do livro Uma trama divina. Jesus em contra-campo, de Spadaro. “O Evangelho – acrescenta – deve ser fonte de genialidade, de surpresa, capaz de nos provocar profundamente.”

“Faço um apelo: neste tempo de crise da ordem mundial, de guerra e grandes polarizações, de paradigmas rígidos, de desafios climáticos e econômicos graves, precisamos da genialidade de uma linguagem nova, de histórias e imagens poderosas, de escritores, poetas e artistas capazes de gritar ao mundo a mensagem evangélica, de nos fazer ver Jesus”, escreveu ainda o Papa.

“O papel dos que acreditam em Deus, e dos sacerdotes em particular, é justamente ‘tocar’ o coração do ser humano contemporâneo, para que ele se comova e se abra ao anúncio do Senhor Jesus” – acrescentou na sua Carta sobre o papel da literatura na educação – “e, nesse compromisso, a contribuição da literatura e da poesia é de valor inigualável.” No mesmo texto, Francisco destaca: “A literatura ajuda o leitor a romper com os ídolos das linguagens autorreferenciais, falsamente autossuficientes, estaticamente convencionais, que às vezes correm o risco de contaminar até mesmo o nosso discurso eclesial, aprisionando a liberdade da Palavra.”

Poetas capazes de nos levar a Jesus

Fica claro, portanto, que, além de sua importância na educação e na formação de sacerdotes e agentes pastorais, a poesia e a literatura são, no magistério do Papa Francisco, instrumentos essenciais para promover o diálogo entre a fé cristã e a cultura contemporânea, possibilitando uma melhor compreensão e comunicação da mensagem cristã.

“Eu também sinto, confesso a vocês – reafirma Francisco em sua Carta aos poetas – a necessidade de poetas capazes de gritar ao mundo a mensagem evangélica, de nos fazer ver Jesus, de nos fazer tocá-lo.”

A poética de Francisco

Em sua introdução, Spadaro aprofunda e interpreta algumas diretrizes do pensamento poético de Francisco, relacionando-as com seus autores preferidos. “A vida é – explica – a comparação das palavras, e, portanto, a palavra poética que Bergoglio ama é aquela que mantém uma relação íntima com a vida e que fornece imagens, metáforas e termos para expressá-la”. Sua “paixão pela tragédia” – e, consequentemente, pelos romances de Dostoiévski – nasce de sua atenção às “oposições polares”, como as chama Romano Guardini. O amor por uma poesia capaz de captar a “complexidade poliédrica” da existência deriva de sua predileção por um “pensamento incompleto, no qual dois mais dois nem sempre resulta em quatro” – o oposto do pensamento único e globalizado. Sua paixão pela literatura clássica, entendida como “popular”, foi cultivada através da leitura de autores argentinos como Hernández, Güiraldes e Marechal. Já sua admiração por obras que expressam a misericórdia e a poética da “classe média” se encarna nos escritos de Malègue e Manzoni. E ainda, sua afinidade com a figura do chamado homo viator, em missão, pode ser encontrada na Eneida de Virgílio, bem como em Pemán e Tolkien.

Perdemos as palavras

“Nossa humanidade – e, ainda mais, a capacidade para o ministério pastoral – não se forma sem um contato direto com as histórias narradas”, conclui acertadamente Spadaro ao comentar a “Carta aos Poetas” de Francisco. “Desenvolvemos uma formação excessivamente conceitual para que ela possa sustentar o confronto com a experiência: perdemos as palavras e repetimos as fórmulas.”

Fabio Colagrande – Cidade do Vaticano

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segunda-feira, 3 de março de 2025

Em uma mensagem enviada do Hospital Gemelli

a "policrise" mundial exige
escuta, responsabilidade e esperança

Em uma mensagem enviada do Hospital Gemelli de Roma, o Papa se dirige aos participantes da Assembleia Geral da Pontifícia Academia para a Vida e alerta sobre os desafios da atual crise global: "Se não analisarmos seriamente nossas resistências profundas à mudança, tanto como indivíduos quanto como sociedade, continuaremos a repetir os mesmos erros cometidos diante de crises anteriores".

O Papa Francisco, nesta segunda-feira, 03 de março, dirigiu uma mensagem aos participantes da Assembleia Geral da Pontifícia Academia para a Vida, que tem como tema: "Fim do mundo? Crises, responsabilidades e esperanças". No texto, o Pontífice destaca a necessidade de uma profunda reflexão sobre a atual "policrise", que envolve desafios como guerras, mudanças climáticas, crises energéticas, pandemias, fluxos migratórios e inovações tecnológicas, e ressalta que essa convergência de crises demanda uma revisão das concepções humanas sobre o mundo e uma escuta atenta do conhecimento científico.

Um olhar sobre o destino do mundo

Francisco enfatiza a importância de examinar com atenção a representação do mundo e do cosmo. "Se não analisarmos seriamente nossas resistências profundas à mudança, tanto como indivíduos quanto como sociedade, continuaremos a repetir os mesmos erros cometidos diante de crises anteriores", alerta. O Pontífice lamenta que a humanidade tenha desperdiçado oportunidades de transformação, como no caso da pandemia de Covid-19: "Poderíamos ter trabalhado mais intensamente na transformação das consciências e das práticas sociais". 

Segundo o Papa, um passo essencial para evitar a estagnação diante dos desafios globais é saber escutar: "O tema da escuta é decisivo. Ele é uma das palavras-chave de todo o processo sinodal que iniciamos e que agora está na fase de implementação". O Papa também elogia a abordagem da Assembleia, que busca integrar essa escuta em sua metodologia. "Vejo nela um esforço para praticar aquela 'profecia social' a que também o Sínodo se dedicou".

Ciência e ética na construção do futuro

Ao sublinhar a relevância da ciência na construção de um novo olhar sobre a vida, Francisco destaca que "o conhecimento científico nos apresenta continuamente novas descobertas. Basta considerar o que nos dizem sobre a estrutura da matéria e a evolução dos seres vivos". Para o Papa, essa visão dinâmica da natureza exige uma reformulação da ideia de "criação contínua", afastando-se da tecnocracia como solução. "Não será a tecnocracia que nos salvará. Submeter-se a uma desregulação utilitarista e neoliberal global significa impor a lei do mais forte, e essa é uma lei que desumaniza".

A esperança como fundamento da ação

O Santo Padre reforça a necessidade de cultivar a esperança como atitude essencial diante das crises globais. "A esperança não consiste em esperar resignadamente, mas em lançar-se com vigor em direção à verdadeira vida, que vai muito além do estreito perímetro individual", recordando em seguida as palavras do Papa Bento XVI: "A esperança está ligada ao fato de estar em união existencial com um 'povo' e só pode se realizar plenamente dentro desse 'nós'".

Nesse contexto, o Pontífice destaca a urgência de fortalecer organizações internacionais que possam responder eficazmente às crises globais. "Infelizmente, constatamos uma crescente irrelevância dos organismos internacionais, minados por atitudes míopes que priorizam interesses particulares e nacionais. No entanto, devemos continuar a trabalhar com determinação para 'organizações mundiais mais eficazes, dotadas de autoridade para assegurar o bem comum global, a erradicação da fome e da miséria e a defesa inegociável dos direitos humanos fundamentais'", referindo-se à encíclica Fratelli tutti.

Um compromisso pelo bem da humanidade

O Papa finaliza sua mensagem confiando os membros da Pontifícia Academia para a Vida à intercessão de Maria, "Sede da Sabedoria e Mãe da Esperança" e encoraja os participantes da Assembleia a caminharem "como povo peregrino, povo da vida e pela vida, confiantes na promessa de 'um novo céu e uma nova terra'".

A mensagem foi enviada do Hospital Gemelli, em Roma, onde Francisco se encontra desde 14 de fevereiro, continuando a realizar alguns trabalhos e atividades pastorais. O Pontífice concluiu sua saudação concedendo sua bênção a todos os presentes e ao trabalho realizado pela Pontifícia Academia para a Vida.

Thulio Fonseca - Vatican News

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domingo, 2 de março de 2025

Catequese com o padre Zezinho:

leituras para refletir neste domingo:

Padre Zezinho

Livro do Eclesiástico 27,5-8

Quando a gente sacode a peneira, ficam nela só os refugos; assim os defeitos de um homem aparecem no seu falar. Como o forno prova os vasos do oleiro, assim o homem é provado pelo que fala O fruto revela como foi cultivada a árvore; assim, a palavra mostra o coração do homem. Não elogies a ninguém, antes de ouvi-lo falar: pois é no falar que o homem se revela.

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Do evangelho de hoje: Lucas 6, 39-45

“Pode um cego guiar outro cego? Não cairão os dois num buraco?

Um discípulo não é maior do que o mestre; todo discípulo bem formado será como o mestre. Por que vês tu o cisco no olho do teu irmão, e não percebes o enorme graveto no teu próprio olho?

Como podes dizer a teu irmão: irmão, deixa-me tirar o cisco do teu olho, quando tu não vês o tamanho do graveto no teu próprio olho? Hipócrita! Tira primeiro graveto do teu olho, e então poderás enxergar bem para tirar o cisco do olho do teu irmão.

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Eis mais um trecho dos evangelhos que não entende só quem está espiritualmente cego. O outro de quem não gostamos, ou os grupos de fé de quem não gostamos sempre parecem com enormes defeitos.

“Mas EU E O NOSSO GRUPO e A NOSSA IGREJA já nos entregamos a Jesus, e, graças a Deus, não temos ciscos ou gravetos. Jesus nos tirou a cegueira!… E bla bla bla - “Recebemos o Espírito Santo e nos entregamos a Jesus E bla bla bla … 

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Quem NÃO leu ou NÃO escutou isto na TV, no Rádio e na Internet?

Ou não leram Lucas, ou seguiram o pregador errado! Todos os domingos, no comecinho da missa, os católicos são chamados a tirar os próprios ciscos ou gravetos da semana, ao invés de ficar fazendo fofocas contra os pecados dos outros.

Hoje mesmo, se você ligar seu celular, vai ver e ouvir algum pregador falando dos gravetos do outro grupo (TL, CN, SHALOM, RCC) ou dos CATÓLICOS ou PROTESTANTES ou de OUTRA RELIGIÃO.

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Poderiam discordar sem detonar os outros! Mas escolhem detonar os outros, como se os outros fossem pedreiras a serem detonadas.

Ora, todo ser humano tem seus próprios ciscos, gravetos ou pedreiras a implodir.

É como disse Jesus: “comecem por vocês mesmos (Lc 6,42)

Antes de criticar os outros, comecem a criticar a si mesmos! E, depois, se houver crítica aos outros, que não sejam críticas azedas e impiedosas.

Dizer que o grupo do outro é um câncer na Igreja; ou maldito e alienado, ou sem isto, mais aquilo: é tiroteio. O outro vai responder. E o mundo ficará mais odioso e odiento porque algum “convertido” tinha mais munição do que o outro.

Igrejas não deveriam nunca ser trincheiras ou bunkers e, sim, lufares de oração e de diálogo!

Infelizmente às vezes não são!

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                                                                                         Fonte: facebook.com/padrezezinhoscj

Papa Francisco desde o hospital Gemelli:

na fragilidade aprendemos a confiar ainda mais no Senhor

A Sala de Imprensa da Santa Sé divulgou o texto do Angelus deste domingo (02/03) entregue pelo Pontífice, ainda internado no Gemelli de Roma. O Papa agradeceu a proximidade de todos, do cuidado da equipe médica à oração de fiéis do mundo inteiro, e disse se sentir “carregado” por todo o Povo de Deus: "sinto no coração a 'bênção' que se esconde na fragilidade, porque nestes momentos aprendemos ainda mais a confiar no Senhor". O pensamento pela paz: "daqui a guerra parece ainda mais absurda".

O Pontífice, através do Angelus deste domingo (02/03), agradeceu a proximidade e oração de todo o Povo de Deus

"Sinto no coração a 'bênção' que se esconde na fragilidade, porque justamente nestes momentos aprendemos ainda mais a confiar no Senhor; ao mesmo tempo, agradeço a Deus porque me dá a oportunidade de compartilhar no corpo e no espírito a condição de tantas pessoas doentes e sofredoras."

A mensagem do Papa Francisco, internado desde 14 de fevereiro no Hospital Gemelli de Roma, chega através da Sala de Imprensa da Santa Sé que divulgou o texto do Angelus escrito pelo Pontífice para este domingo (02/03). "Irmãs e irmãos, envio-lhes esses pensamentos ainda do hospital, de onde, como vocês sabem, estou há vários dias, acompanhado pelos médicos e profissionais de saúde, a quem agradeço pela atenção com que cuidam de mim", continuou ele, ao demonstrar gratidão a partir da equipe médica, mas extensiva ao mundo inteiro:

"Gostaria de agradecer as orações que se elevam ao Senhor do coração de tantos fiéis de muitas partes do mundo: sinto todo o carinho e a proximidade de vocês e, neste momento particular, sinto-me como que 'carregado' e apoiado por todo o Povo de Deus. Obrigado a todos!"

A reflexão do Evangelho 

Ao refletir sobre o Evangelho deste domingo (Lc 6,39-45), o Papa recordou como Jesus usou os sentidos da visão e do paladar para demonstrar a importância das relações com o próximo:

"Com relação à visão, pede para treinar os olhos para observar bem o mundo e julgar o próximo com caridade. Diz o seguinte: 'Tira primeiro a trave do teu olho, e então poderás enxergar bem para tirar o cisco do olho do teu irmão' (v. 42). Somente com esse olhar de cuidado, não de condenação, a correção fraterna pode ser uma virtude. Porque se não for fraterna, não é uma correção!"

"Com relação ao paladar, Jesus nos lembra que 'toda árvore é reconhecida pelos seus frutos' (v. 44). E os frutos que vêm do homem são, por exemplo, as suas palavras, que amadurecem em seus lábios, de modo que 'sua boca fala do que o coração está cheio' (v. 45). Os frutos ruins são as palavras violentas, falsas, vulgares; aqueles bons são as palavras justas e honestas que dão sabor aos nossos diálogos."

E, então, ponderou o Papa, podemos nos perguntar: "como eu olho as outras pessoas, que são meus irmãos e irmãs? E como me sinto visto por eles? As minhas palavras têm um sabor bom ou estão impregnadas de amargura e de vaidade?".

"Daqui a guerra parece ainda mais absurda"

Ao final do texto do Angelus, Francisco, confiante na intercessão de Maria, novamente disse rezar pela paz ao recordar do mundo ferido pelas guerras, e de dentro de um hospital onde a dimensão pode ganhar novos valores:

"Eu também rezo por vocês. E rezo especialmente pela paz. Daqui a guerra parece ainda mais absurda. Rezemos pela martirizada Ucrânia, pela Palestina, Israel, Líbano, Mianmar, Sudão, Kivu."

Andressa Collet - Vatican News

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                                                                                                                    Fonte: vaticannews.va

sábado, 1 de março de 2025

Bela reflexão:

Esta manhã nas Laudes rezamos isto!

Pe. Zezinho, scj |||||||||||||||||||||||||||||||

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“Dai-me vossa sabedoria, ó Senhor, sabedoria que vem do vosso trono. Não me excluais de vossos filhos como indigno: sou vosso servo e minha mãe é vossa serva; sou homem fraco e de existência muito breve, incapaz de discernir o que é justo. Até mesmo o mais perfeito dentre os homens não é nada, se não tem vosso saber” (Sabedoria 9,1-11).

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Uns escolheram a sabedoria de adorar e louvar dia e noite. Outros escolheram a sabedoria de libertar e ajudar dia e noite. Há samaritanos, levitas e consagrados cuidando de Lázaros, de gente que teria como sobreviver.

E seria maravilhoso se os adoradores de plantão aprendessem a valorizar os cuidadores e libertadores plantão e estes aprendessem a valorizar os contempladores de plantão.

No dia em que direitistas e esquerdistas religiosos se comportarem como catequistas, e não como servidores de partidos e começarem a ver o lado bom um do outro,

o partido e as ideologia cederão espaço maior para a fé que, se for fé verdadeira, dialogarão, ao invés de postarem ataques caluniosos de aleivosos, contra a visão do outro. A Bíblia e a Teologia apontam para o diálogo com Deus e com o Próximo!

Quando o religioso passa a tratar o Próximo como inferior e inimigo é sinal de ele mesmo está se inferiorizando e se distanciando do Evangelho pregado por Jesus. A paixão política engoliu a Razão e a Fraternidade.

Não felicidade eterna para quem causou infelicidade e pisoteou a fraternidade! Não pecou só por fraqueza. Pecou maldosa e calculadamente para excluir o outro.

As duas místicas serão libertadoras se os seus pregadores parassem de ver apegas os defeitos e pecados uns dos outros e começassem a praticar o respeito mútuo, mesmo que discordassem um do outro!…

Falei e assino em baixo! Pz

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                                                                                   Fonte: facebook.com/padrezezinhoscj


Papa Francisco em mensagem:

que a liturgia seja sem ostentações
e sem ignorar alegrias e sofrimentos do povo de Deus

Em uma mensagem enviada do Hospital Gemelli de Roma, o Papa se dirige aos participantes da segunda edição do “Curso Internacional de Formação para Responsáveis das Celebrações Litúrgicas do Bispo”, realizado na capital italiana, de 24 a 28 de fevereiro, no Pontifício Santo Anselmo, e os exorta a “propor e encorajar um estilo litúrgico que expresse o seguimento de Jesus, evitando ostentações ou protagonismos inúteis”.



A liturgia “deve ser sempre encarnada, inculturada”, pois expressa “a fé da Igreja”, “toca a vida do povo de Deus e lhe revela a sua verdadeira natureza espiritual”. Do Hospital Gemelli de Roma, onde está internado desde 14 de fevereiro e continua a realizar as suas atividades, Francisco se dirige em uma mensagem aos participantes do Curso Internacional de Formação para Responsáveis das Celebrações Litúrgicas do Bispo, realizado na capital italiana de 24 a 28 de fevereiro, no Pontifício Sant'Anselmo.

O Pontífice exorta a não ignorar “as alegrias e os sofrimentos, os sonhos e as preocupações do povo de Deus”, porque “possuem um valor hermenêutico”, e a “propor e encorajar um estilo litúrgico que expresse o seguimento de Jesus, evitando ostentações ou protagonismos inúteis”. “Convido vocês a exercer o ministério com discrição, sem se vangloriar dos resultados do seu serviço”, escreve o Papa, que também incentiva a "transmitir essas atitudes aos ministrantes, aos leitores e aos cantores’.

Acompanhar os fiéis no evento sacramental

O Pontífice enfatiza que “toda diocese olha para o bispo e para a catedral como modelos celebrativos a serem imitados” e que o responsável pelas celebrações litúrgicas “é um mestre colocado a serviço da oração da comunidade” e, portanto, “enquanto ensina humildemente a arte da liturgia, deve guiar” os celebrantes, “marcando o ritmo ritual e acompanhando os fiéis no evento sacramental”. É sua tarefa preparar “cada celebração com sabedoria, para o bem da assembleia”; deve garantir que “os princípios teológicos expressos nos livros litúrgicos” se tornem “práxis celebrativa”; acompanhar e apoiar “o bispo em seu papel de promotor e guardião da vida litúrgica”, de modo que o pastor possa “conduzir gentilmente toda a comunidade diocesana na oferta de si mesmo ao Pai, à imitação de Cristo”.

Na liturgia, o encontro com o Senhor

“O cuidado com a liturgia é, antes de tudo, o cuidado com a oração”, enfatiza Francisco, acrescentando que isso significa cuidar do "encontro com o Senhor". Há uma “grande mestra da vida espiritual” que pode servir de exemplo, Santa Teresa d'Ávila, proclamada Doutora da Igreja por Paulo VI, que observou a “sabedoria das coisas divinas e das coisas humanas”. E “preparar e orientar as celebrações litúrgicas significa” precisamente conjugar “sabedoria divina e sabedoria humana”: “a primeira se adquire rezando, meditando, contemplando”, explica o Papa, “a segunda vem do estudo, do empenho em aprofundar, da capacidade de escutar”.

Ter sempre o povo de Deus no coração

Para realizar “essas tarefas”, o conselho de Francisco é “manter o olhar fixo no povo” - que tem o bispo como “pastor e pai” - e isso para entender “as necessidades dos fiéis, bem como as formas e modalidades para favorecer sua participação na ação litúrgica”. Por fim, o Papa espera que aqueles que cuidam da liturgia “tenham sempre no coração o povo de Deus” e o acompanhem “no culto com sabedoria e amor”, e conclui a mensagem pedindo mais uma vez que rezem por ele.

Tiziana Campisi - Vatican News

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                                                                                                                    Fonte: vaticannews.va

Reflexão para o seu dia:

Do que brota do fundo do coração

Frei Almir Guimarães

Não existe árvore boa que dê frutos ruins, nem árvores ruim que dê frutos bons. Toda árvore é reconhecida pelos seus frutos (Lc 6, 44).

♦ Buscar a verdade é meta de nossa existência. Não apenas uma verdade intelectual e cerebral, mas verdade existencial. Ela estaria no mais íntimo de nós mesmos. As aparências enganam. Ritos e rezas, práticas e prescrições religiosas e morais têm seu valor quando partem do mistério interior da vida da pessoa. As aparências podem enganar e enganam de fato. Os bons frutos são produzidos por árvores boas, pessoas transparentes, verazes. Tudo a partir do coração.

♦ A primeira leitura da liturgia deste domingo tem um tom sapiencial. Nas poucas linhas hoje proclamadas o autor sagrado afirma que é pelo falar que se conhece o homem. O forno prova os vasos do oleiro. O homem é provado por sua conversa, por sua fala. O fruto revela como foi cultivada a árvore. Desta maneira, a palavra mostra o coração do homem. Isso pode acontecer e acontece. Nem sempre, é verdade, a fala mostra a verdade do interior. O homem pode usar um jeito tal de falar que esconda quem de fato ele é. Em princípio pode-se dizer que pela conduta, pelos gestos, pelo exemplo alguém pode revelar quem ele é de fato. Há alguma coisa da luz interior do homem que vem à tona. Há uma recomendação do Sábio: “Não elogies a ninguém, antes de ouvi-lo falar, pois é no falar que o homem se revela”. O homem, no entanto, não se exprime somente pela fala da voz. Fala com todo o seu corpo, seu olhar, a perseverança de seus propósitos. Nada de elogios desmedidos antes da hora.

♦ O trecho do evangelho de Lucas nos remete para nossa verdade mais íntima, para o coração, para nosso ser mais profundo que chamamos precisamente de coração. “O homem bom tira coisas boas do bom tesouro de seu coração. Mas o homem mau tira coisas más de seu mau tesouro, pois sua boca fala do que o coração está cheio”. É de dentro, do interior de nossas entranhas que partem o bem e o mal. O importante será cultivar as dimensões interiores de nossa vida. Ter a sabedoria de um coração reto e generoso.

♦ Sair da superficialidade, não basear a vida em coisas acidentais e em resultados aparentemente brilhantes. Seremos pessoas profundas na medida em que procuramos o “lugar do coração”. Um pequeno e antigo fascículo da Ordem do Frades Menores (2003) falava do caminho que leva ao lugar do coração. Seus autores se dirigiam aos frades menores exortando-os a viver a partir do interior. Estas linhas, no entanto, podem ajudar a quem quer que seja a penetrar nos espaços do interior: “Esse caminho progressivo é possível à medida em que voltamos ao “lugar do coração” tomando contato com as raízes de nossa vida e de nossa fé. Nesse ponto é possível aprofundar o dinamismo que existe entre interioridade e silêncio e missão evangelizadora, como parte essencial do carisma. A interioridade, finalmente, espaço habitado é o clima, o ambiente, o húmus do encontro com Deus e com as criaturas humanas”.

♦ O ser humano se constrói de dentro. É a consciência ou o coração que devem orientar e dirigir a vida da pessoa. O coração é esse lugar secreto e íntimo de nós mesmos onde não podemos nos enganar a nós mesmos. É a partir desse interior que se decide o melhor e o pior da existência.

♦ Reflexão, interioridade, silêncio. Voltar à nossa verdade. “A sociedade oferece hoje um clima pouco propício para quem quer buscar silêncio e paz para encontrar-se consigo mesmo, com os outros e com Deus. É difícil libertar-se do ruído e do assédio constante de todo tipo de apelos e mensagens. Por outro lado as preocupações, problemas e pressas de cada dia nos levam de um lugar para o outro, quase sem permitir que sejamos donos de nos mesmos’ (Pagola, Lucas, p. 118).

♦ Como refazer nosso interior? Silêncio, silêncio de ruídos, silêncio de nós mesmos para que tenhamos riquezas no baú da vida. Momentos de santa ociosidade. Leituras que nos façam mergulhar no mistério da vida. Terapia das coisas feitas com mais lentidão. Busca de um limpidez interior. Revisões constantes da vida. Auscultação sempre mais apurada daquilo que o Senhor nos pede neste momento de nossa vida pessoal e do mundo.

♦ A página evangélica aponta posturas sábias que podem nascer da verdade do coração:

♦ Não se pode condenar o irmão sem mais nem menos. Por que querer tirar o cisco do olho do irmão, quando temos a trave diante dos olhos. Que postura falsa de querer condenar o irmão por um cisquinho quando somos inteiramente cegos, frutos da superficialidade e da incapacidade de olhar para além das aparências.

♦ O Cuidado com a postura de superioridade frente aos outros. Um discípulo não é maior do que o Mestre. Quando o coração da pessoa é habitado o discípulo se reveste de sábia humildade. Nada de superioridade. Nosso Mestre foi aquele que lavava os pés dos seus.

♦ Como querer exercer influência sobre os outros, quando não enxerga com clareza. Um cego não pode guiar outro cego. Os dois vão cair no buraco.

♦ É pelos frutos que se reconhece a árvore boa. Uma comunidade, um grupo e religiosos, os membros da Igreja atentos à voz do Senhor, feito de pessoas que se estimam para além de simpatias e antipatias, gente que faz vibrar seu coração com o coração dos mais infelizes, pessoas que não exageram a importância de um cisco no rosto do irmãos, gente que tira do tesouro da memória da fé preciosidades. A boca, os gestos do rosto, a transparência do olhar falam da beleza do coração.

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Oração

A sabedoria da paz

Dá, Senhor, à nossa vida a sabedoria da paz.

Que o nosso coração não naufrague na lógica de tanta violência disseminada ao nosso redor.

Que sentimentos de dor e de despeito não sufoquem a necessidade de gestos de reconciliação, a urgência de uma palavra amável que rompa as paredes do silêncio, o reencontro dos olhares que se desviam.

Dá-nos a força de insinuar no inverno gelado em que, por vezes vivemos, o ramo verde, a inesperada flor, a claridade que é esta irreprimível e pascal vontade de recomeçar.

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José Tolentino Mendonça, Um Deus que dança, Paulinas, p. 95.

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FREI ALMIR GUIMARÃES, OFMingressou na Ordem Franciscana em 1958. Estudou catequese e pastoral no Institut Catholique de Paris, a partir de 1966, período em que fez licenciatura em Teologia. Em 1974, voltou a Paris para se doutorar em Teologia. Tem diversas obras sobre espiritualidade, sobretudo na área da Pastoral familiar. É o editor da Revista “Grande Sinal”.

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                                                                                                           Fonte: franciscanos.org.br