domingo, 10 de março de 2024

Papa Francisco no Angelus:

não devemos julgar os outros, mas ajudá-los

Aquele que conhece Jesus carrega a luz da salvação de Deus, não o machado de seus próprios julgamentos. Portanto, o conhecimento e a compreensão que temos dos outros não são para julgá-los, mas para ajudá-los: disse o Papa no Angelus, ao meio-dia deste IV Domingo da Quaresma em preparação para a Páscoa do Senhor.

O olhar do Senhor sobre nós não é um farol ofuscante que nos ofusca e nos coloca em dificuldade, mas o brilho suave de uma lâmpada amiga, que nos ajuda a ver o bem em nós e a perceber o mal, para que possamos nos converter e ser curados com o apoio de sua graça. Foi o que disse o Papa no Angelus, ao meio-dia deste domingo, 10 de março, IV Domingo da Quaresma em preparação para a Páscoa do Senhor.

Jesus não veio para condenar, mas para salvar o mundo

Na alocução que precedeu a oração mariana diante de milhares de fiéis e peregrinos reunidos na Praça São Pedro para rezar com o Pontífice, Francisco deteve-se sobre a página do Evangelho do dia (Jo 3,14-21), que nos apresenta a figura de Nicodemos, um fariseu, "um dos chefes dos Judeus". Ele viu os sinais que Jesus realizou, reconheceu n’Ele um mestre enviado por Deus e foi encontrá-lo à noite, para não ser visto.

O Senhor o recebeu, dialogou com ele e lhe revelou que não tinha vindo para condenar, mas para salvar o mundo, ressaltou Francisco, convidando a refletir sobre isso: Jesus não veio para condenar, mas para salvar o mundo.

Com frequência, no Evangelho, vemos Cristo revelar as intenções das pessoas que encontra, às vezes desmascarando suas atitudes falsas, como no caso dos fariseus, observou o Santo Padre, ou fazendo-as refletir sobre a desordem de suas vidas, como no caso da Samaritana.

Jesus não quer que nenhum de nós se perca

Diante d’Ele não há segredos: Ele lê os corações. Essa capacidade pode ser inquietadora porque, se mal utilizada, prejudica as pessoas, expondo-as a julgamentos impiedosos. Pois ninguém é perfeito, todos somos pecadores, todos erramos, e se o Senhor usasse o conhecimento de nossas fraquezas para nos condenar, ninguém poderia ser salvo.

Mas não é assim, continuou o Papa. Pois Ele não a usa para apontar o dedo para nós, mas para abraçar nossas vidas, para nos libertar do pecado e nos salvar. Jesus não está interessado em nos colocar em julgamento e nos submeter a sentenças; Ele não quer que nenhum de nós se perca. Jesus não veio para condenar, mas para salvar o mundo. 

Que o Senhor nos dê um olhar de misericórdia

Antes de concluir, o Santo Padre solicitou-nos a pedir ao Senhor que nos dê um olhar de misericórdia, para não julgar os outros, mas ajudá-los, que olhemos para os outros como Ele olha para todos nós.

Pensemos em nós, que tantas vezes condenamos os outros; tantas vezes gostamos de fazer fofoca, de procurar fazer fofoca contra os outros. Peçamos ao Senhor que nos dê esse olhar de misericórdia, que olhe para os outros como Ele olha para todos nós. Que Maria nos ajude a desejar o bem uns dos outros.

Raimundo de Lima - Vatican News

____________________________________________________________________________

Assista:

 _____________________________________________________________________________
                                                                                                        Fonte: vaticannews.va

sábado, 9 de março de 2024

Reflexão para o seu dia:

Deus é de todos

José Antonio Pagola

Poucas frases terão sido tão citadas como esta que o Evangelho de João coloca nos lábios de Jesus. Os autores veem nela um resumo do essencial da fé, tal como era vivida entre os poucos cristãos nos começos do século II: “Deus amou tanto o mundo que entregou seu Filho único”.

Deus ama o mundo inteiro, não só aquelas comunidades cristãs às quais chegou a mensagem de Jesus. Deus ama todo gênero humano, não só a Igreja. Deus não é propriedade dos cristãos. Não deve ser monopolizado por nenhuma religião. Não cabe em nenhuma catedral, mesquita ou sinagoga.

Deus habita em todo ser humano acompanhando cada pessoa em suas alegrias e desgraças. Não deixa ninguém abandonado, pois tem seus caminhos para encontrar-se com cada qual, sem que tenha que seguir necessariamente os caminhos que nós lhe indicamos. Jesus o via cada manhã “fazendo surgir o Sol sobre bons e maus”.

Deus não sabe nem quer, nem pode fazer outra coisa senão amar, pois, no mais íntimo de seu ser, Ele é amor. Por isso diz o Evangelho que Ele enviou seu Filho único, não para “condenar o mundo”, mas para que “o mundo se salve por meio dele”. Deus ama o corpo tanto como a alma, e o sexo tanto como a inteligência. O que Ele deseja unicamente é ver já, desde agora e para sempre, a humanidade inteira desfrutando de sua criação.

Este Deus sofre na carne dos famintos e humilhados da Terra; está nos oprimidos defendendo sua dignidade e nos que lutam contra a opressão dando ânimo a seu esforço. Está sempre em nós para “buscar e salvar” o que nós deturpamos e deixamos se perder.

Deus é assim. Nosso maior erro seria esquecê-lo, mais ainda, fechar-nos em nossos preconceitos, condenações e mediocridade religiosa, impedindo as pessoas de cultivar esta fé primeira e essencial. Para que servem os discursos dos teólogos, dos moralistas, dos pregadores e dos catequistas, se não despertam o louvor ao Criador, se não fazem crescer no mundo a amizade e o amor, se não tornam a vida mais bela e luminosa, lembrando que o mundo está envolto nos quatro lados pelo amor de Deus?

_______________________________________________________________________________

JOSÉ ANTONIO PAGOLA cursou Teologia e Ciências Bíblicas na Pontifícia Universidade Gregoriana, no Pontifício Instituto Bíblico de Roma e na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém. É autor de diversas obras de teologia, pastoral e cristologia. Atualmente é diretor do Instituto de Teologia e Pastoral de São Sebastião. Este comentário é do livro “O Caminho Aberto por Jesus”, da Editora Vozes.

____________________________________________________________________________________
                                                       Fonte: franciscanos.org.br        Banner: Frei Fábio M. Vasconcelos

sexta-feira, 8 de março de 2024

Papa Francisco na Celebração da Penitência

recomeçar a vida nova pelo perdão de Deus

Francisco presidiu a Celebração da Penitência na tarde desta sexta-feira (8), numa paróquia de Roma, dando início à iniciativa "24 Horas de Oração para o Senhor". Antes de confessar alguns paroquianos, o Papa exortou a não adiar o encontro com o sacramento da Reconciliação, que também é da cura e da alegria: "vamos colocar o perdão de Deus de volta no centro da Igreja!" para recomeçar a vida nova, iniciada no Batismo.

O Papa Francisco se deslocou até a periferia de Roma para presidir a Celebração da Penitência, com o rito da reconciliação, que dá início à iniciativa "24 Horas de Oração para o Senhor", promovida pelo Dicastério para a Evangelização dirigida às dioceses do mundo inteiro. A cerimônia aconteceu no final da tarde desta sexta-feira (8) na paróquia de São Pio V, no bairro Aurelio. Antes de ouvir as confissões de alguns paroquianos, Francisco falou da importância de nos reconhecermos pecadores e de "nos lançarmos nos braços do amor de Jesus crucificado para sermos libertados" a partir do perdão.

Na homilia, o Pontífice refletiu sobre o que escreveu o apóstolo Paulo aos primeiros cristãos romanos, que também foi o lema escolhido para este ano das "24 Horas para o Senhor": "Caminhar numa vida nova" (Rm 6,4). Segundo o Papa, essa vida nova "nasce do Batismo, que nos imerge na morte e na ressurreição de Jesus e nos torna para sempre filhos de Deus", e é feita caminhando.

Mas, observou o Papa, "depois de tantos passos no caminho", "imersos em um ritmo repetitivo" diariamente, "envolvidos em mil coisas, atordoados com tantas mensagens", procurando "em toda parte satisfação e novidade, estímulos e sensações positivas", "talvez perdemos de vista a vida santa que corre dentro de nós". E a beleza da face de Deus acaba sendo ofuscada:

"Então, Deus, que na vida nova é nosso Pai, nos aparece como um patrão; em vez de nos confiarmos a Ele, fazemos contratos com Ele; em vez de amá-Lo, nós O tememos. E os outros, em vez de serem irmãos e irmãs, como filhos do mesmo Pai, parecem-nos obstáculos e adversários. E existe um mau hábito, o de transformar nossos companheiros de viagem em adversários. E muitas vezes fazemos isso. Os defeitos do próximo parecem exagerados e suas virtudes escondidas; quantas vezes somos inflexíveis com os outros e indulgentes conosco!"

O caminho do perdão de Deus

O importante é continuar no caminho, alertou Francisco, para redescobrir a beleza do Batismo e o sentido para seguir em frente. E esse caminho é o do perdão de Deus, que "nos torna novos novamente", garantiu o Pontífice, porque "nos devolve uma vida e uma visão nova". E não se cansa nunca de perdoar, insistiu Francisco, várias vezes durante a homilia: "Deus não se cansa nunca de perdoar", o problema "somos nós que nos cansamos de pedir perdão". Por isso, no Evangelho (Mt 5,1-12), Jesus proclamou que somente Deus conhece e cura o coração, "só Deus é capaz de conhecer e curar o coração", repetiu o Papa, mas devemos estar abertos para "a purificação" que vem dEle:

“Ele quer isso, porque nos quer renovados, livres e leves por dentro, felizes e em caminho, não estacionados nas estradas da vida. Ele sabe como é fácil tropeçarmos, cair e ficar no chão, e Ele quer nos levantar novamente. Não o entristeçamos, não adiemos o encontro com o seu perdão.”

A ressurreição do coração

E a quem ouve os pecados, acrescentou o Papa, procurar transformar as feridas "em canais de misericórdia", através da "carícia do Espírito Santo". Aos irmãos sacerdotes, Francisco orientou que ajudem quem tem medo de se aproximar "com confiança do sacramento da cura e da alegria. Vamos colocar o perdão de Deus de volta no centro da Igreja!", exortou ainda o Pontífice, "e não peçam demais, deixem que digam, e perdoem tudo", finalizando:

“Esse é o recomeço da vida nova: iniciada no Batismo, recomeça pelo perdão. Não renunciemos ao perdão de Deus, ao sacramento da Reconciliação: não é uma prática de devoção, mas o fundamento da existência cristã; não se trata de saber dizer bem os pecados, mas de nos reconhecermos pecadores e de nos lançarmos nos braços do amor de Jesus crucificado para sermos libertados; e isso não é um gesto moralista, não, mas a ressurreição do coração: o Senhor ressuscitado nos ressuscita, todos nós.”

____________________________________________________________________________

Assista:

 _____________________________________________________________________________
                                                                                                        Fonte: vaticannews.va

Duas interessantes reflexões para este 8 de março:

O papel da mulher na Igreja:
empoderamento, serviço e liderança

Dom Anuar Batistti
A discussão sobre o papel da mulher na Igreja tem sido um tema de grande importância e relevância nos tempos atuais. No contexto do século XX, mulheres como Santa Teresa de Calcutá e Santa Dulce dos Pobres se destacam como exemplos inspiradores de serviço e amor ao próximo, mostrando como as mulheres podem desempenhar papéis cruciais na vida da Igreja e na sociedade como um todo.

À medida que buscamos compreender melhor as Escrituras e aplicar seus princípios à nossa sociedade em constante mudança, é fundamental examinar o papel das mulheres na história bíblica e na vida da Igreja primitiva. 

Não podemos deixar de mencionar Nossa Senhora, Mãe de Jesus e da Igreja. Maria desempenhou um papel único e crucial na história da redenção, sendo escolhida por Deus para dar à luz o Salvador do mundo. Sua humildade, devoção e obediência são um exemplo para todos os cristãos, homens e mulheres, de como responder à vontade de Deus com fé e submissão (Lucas 1,26-38). 

Ao longo das Escrituras, encontramos numerosos exemplos de mulheres que desempenharam papéis significativos na história da redenção e na vida do povo de Deus. Desde o Antigo Testamento até o Novo Testamento, essas mulheres são apresentadas como modelos de fé, coragem e serviço. 

Débora: No livro de Juízes, encontramos a história de Débora, uma profetisa e juíza em Israel. Débora foi uma líder corajosa que exerceu autoridade e liderança sobre o povo de Deus em um tempo de grande dificuldade (Juízes 4-5). 

Ester: Ester é uma figura central no livro que leva seu nome. Ela era uma jovem judia que se tornou rainha da Pérsia e desempenhou um papel crucial na salvação de seu povo da destruição (Ester 4,14). 

Maria de Magdala: Maria de Magdala é frequentemente lembrada como uma das seguidoras mais fiéis de Jesus. Ela foi testemunha da ressurreição de Jesus e foi comissionada por ele para anunciar a boa nova aos discípulos (João 20,11-18). 

Priscila: Priscila é mencionada várias vezes no Novo Testamento como uma colaboradora fiel na propagação do Evangelho. Ela e seu marido, Áquila, trabalharam lado a lado com Paulo na missão de plantar igrejas e ensinar o evangelho (Atos 18, 2.18.26; Romanos 16, 3-5; 1 Coríntios 16,19). 

Febe: Febe é mencionada por Paulo em sua carta aos Romanos como uma serva da Igreja em Cencréia. Ela foi elogiada por sua dedicação ao serviço cristão e pela liderança que exercia entre os irmãos (Romanos 16,1-2). 

Embora haja diferenças nos papéis e responsabilidades dentro da comunidade cristã, a igualdade de dignidade e valor entre homens e mulheres é fundamental. 

Paulo expressa esse princípio claramente em sua carta aos Gálatas: “Não há judeu nem grego, escravo nem livre, homem nem mulher; pois todos são um em Cristo Jesus” (Gálatas 3,28). Essa passagem ressalta a igualdade fundamental de todos os crentes perante Deus, independentemente de sua raça, classe social ou gênero. 

Além disso, é importante reconhecer que o chamado ao serviço na Igreja não é limitado pelo gênero. Todos os cristãos, homens e mulheres, são chamados a servir conforme os dons e talentos que receberam de Deus, contribuindo para o crescimento e edificação do corpo de Cristo (1 Coríntios 12, 4-11). 

À medida que refletimos sobre o papel da mulher na Igreja, somos desafiados a reconhecer e valorizar a diversidade de dons, talentos e perspectivas que cada membro traz para a comunidade cristã. Mulheres e homens são chamados a se unir em um espírito de amor, serviço mútuo e cooperação, buscando juntos o avanço do Reino de Deus neste mundo. 

Que possamos, como comunidade de fé, honrar e celebrar o papel das mulheres na Igreja, reconhecendo sua contribuição vital para a missão e o testemunho do Evangelho. Sigamos o exemplo daqueles que nos precederam na fé, homens e mulheres que serviram fielmente ao Senhor, proclamando sua verdade e compartilhando seu amor com o mundo ao nosso redor. 

Que Deus nos conceda a graça de vivermos juntos em unidade e diversidade, como membros do corpo de Cristo, trabalhando para a glória de seu nome e para o bem de sua criação. Deus abençoe todas as mulheres e a sua ação evangelizadora na Igreja! Amém! 

Dom Anuar Battisti - Arcebispo Emérito de Maringá (PR)

__________________________________________________________________________

Mulheres:
poetas e artesãs da paz, da paz, da ternura e da amizade social

Dom Roberto Paz
Ao comemorarmos o dia Internacional da Mulher, queremos iluminados pela Campanha da Fraternidade deste ano, tão necessária para refazermos o tecido social, superarmos a divisão e a polarização que nos atinge no nosso país e no mundo que vivemos, agradecer a missão e papel da mulher nossa irmã como profeta e tecedora da amizade social.

O texto-base considera o exemplo de Rute e Noemi, que a partir da amizade parental de nora e sogra vivenciaram uma bela página de amizade que transcende fronteiras e preconceitos. Mais adiante nos deparamos com a menção de uma mulher especial na história de São Francisco, a beata Jacoba Desettesoli, viúva que se dedicou a caridade e a hospitalidade com os pobres como a família de seu marido Frangipane, famosa pelos doces (mustacciuolo de amêndoas) que dava ao Pai Francisco e a todas as pessoas.  

Pressentiu a morte do santo e foi ao seu encontro, encarregando-se de detalhes do seu funeral e foi enterrada junto aos frades Rufino, Leone, Masseo e Ângelo, os primeiros seguidores de São Francisco na parte superior da Basílica de Assis. Poderíamos acrescentar as Santas Mulheres que acompanhavam a Jesus e os Apóstolos, Santa Maria Madalena e as companheiras de missão de São Paulo.  

Mostram o rosto de uma Igreja servidora, acolhedora, terna e alegre, que abre as portas e alarga a tenda. No Brasil podemos citar também várias mulheres que protegeram direitos, ampliaram a consciência de dignidade e tornaram a nossa Igreja mais presente e a sociedade mais igualitária, justa e fraterna, mulheres como Margarida Genevois que trabalhou mais de 25 anos na Comissão Justiça e Paz, Maninha Xucuru, pertencente aos xucurus-kariris de Palmeira dos Índios,  

Procópia dos Santos do quilombo Kalunga em Goiás, mãe e líder do seu povo, Zilda Arns Neumann, a grande defensora da vida das crianças e idosos, e Santa Dulce dos Alagados. Junto a estas mulheres mais conhecidas que nos estimulam e encorajam existe uma grande multidão de mulheres que desde os seus lares, estudos, trabalhos e lutas vão construindo todos os dias uma convivência mais saudável, inclusiva, partilhando seus dons e desempenhando ministérios de partilha, reconciliação e sanação.  

Que Maria Nossa querida Mãe na sua ternura e misericórdia transbordante sempre as proteja, encoraje e ilumine no testemunho e missão de curar os relacionamentos e de gerar a paz social e planetária. Deus seja louvado!

Dom Roberto Francisco Ferreria Paz - Bispo de Campos (RJ)
_____________________________________________________________________
                                                                                                         Fonte: cnbb.org.br 

4º Domingo da Quaresma:

Leituras e Reflexão

____________________________________________________________________________________

_____________________________________________________________________________________

1ª Leitura: 2Cr 36,14-16.19-23

Leitura do Segundo Livro das Crônicas 

Naqueles dias, todos os chefes dos sacerdotes e o povo multiplicaram suas infidelidades, imitando as práticas abomináveis das nações pagãs, e profanaram o templo que o Senhor tinha santificado em Jerusalém.

Ora, o Senhor Deus de seus pais dirigia-lhes frequentemente a palavra por meio de seus mensageiros, admoestando-os com solicitude todos os dias, porque tinha compaixão do seu povo e da sua própria casa.

Mas eles zombavam dos enviados de Deus, desprezavam as suas palavras, até que o furor do Senhor se levantou contra o seu povo e não houve mais remédio.

Os inimigos incendiaram a casa de Deus e deitaram abaixo os muros de Jerusalém, atearam fogo a todas as construções fortificadas e destruíram tudo o que havia de precioso.

Nabucodonosor levou cativos para a Babilônia, todos os que escaparam à espada, e eles tornaram-se escravos do rei e de seus filhos, até que o império passou para o rei dos persas.

Assim se cumpriu a palavra do Senhor pronunciada pela boca de Jeremias: “Até que a terra tenha desfrutado de seus sábados, ela repousará durante todos os dias da desolação, até que se completem setenta anos”.

No primeiro ano do reinado de Ciro, rei da Pérsia, para que se cumprisse a palavra do Senhor pronunciada pela boca de Jeremias, o Senhor moveu o espírito de Ciro, rei da Pérsia, que mandou publicar em todo o seu reino, de viva voz e por escrito, a seguinte proclamação:

“Assim fala Ciro, rei da Pérsia: O Senhor, Deus do céu, deu-me todos os reinos da terra, e encarregou-me de lhe construir um templo em Jerusalém, que está no país de Judá. Quem dentre vós todos pertence ao seu povo? Que o Senhor, seu Deus, esteja com ele, e que se ponha a caminho”.

_____________________________________________________________________________________

Responsório: Sl 136(137)

— Que se prenda a minha língua ao céu da boca, se de ti, Jerusalém, eu me esquecer!

— Que se prenda a minha língua ao céu da boca, se de ti, Jerusalém, eu me esquecer!

— Junto aos rios da Babilônia nos sentávamos chorando, com saudades de Sião. Nos salgueiros por ali penduramos nossas harpas.

— Pois foi lá que os opressores nos pediram nossos cânticos; nossos guardas exigiam alegria na tristeza: “Cantai hoje para nós algum canto de Sião!”

— Como havemos de cantar os cantares do Senhor numa terra estrangeira? Se de ti, Jerusalém, algum dia eu me esquecer, que resseque a minha mão!

— Que se cole a minha língua e se prenda ao céu da boca, se de ti não me lembrar! Se não for Jerusalém minha grande alegria!

_____________________________________________________________________________________

2ª Leitura: Ef 2,4-10
Leitura da Carta de São Paulo aos Efésios

Irmãos: Deus é rico em misericórdia. Por causa do grande amor com que nos amou, quando estávamos mortos por causa das nossas faltas, ele nos deu a vida com Cristo. É por graça que vós sois salvos!

Deus nos ressuscitou com Cristo e nos fez sentar nos céus, em virtude de nossa união com Jesus Cristo. 7 Assim, pela bondade que nos demonstrou em Jesus Cristo, Deus quis mostrar, através dos séculos futuros, a incomparável riqueza de sua graça.

Com efeito, é pela graça que sois salvos, mediante a fé. E isso não vem de vós; é dom de Deus! Não vem das obras, para que ninguém se orgulhe. 10 Pois é ele quem nos fez; nós fomos criados em Jesus Cristo para as obras boas, que Deus preparou de antemão, para que nós as praticássemos.

_____________________________________________________________________________________
Evangelho: Jo 3,14-21

Proclamação do Evangelho de São  João

Naquele tempo, disse Jesus a Nicodemos: “Do mesmo modo como Moisés levantou a serpente no deserto, assim é necessário que o Filho do Homem seja levantado, para que todos os que nele crerem tenham a vida eterna. Pois Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna.

De fato, Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele.

Quem nele crê, não é condenado, mas, quem não crê, já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho unigênito.

Ora, o julgamento é este: a luz veio ao mundo, mas os homens preferiram as trevas à luz, porque suas ações eram más.

Quem pratica o mal odeia a luz e não se aproxima da luz, para que suas ações não sejam denunciadas. Mas, quem age conforme a verdade, aproxima-se da luz, para que se manifeste que suas ações são realizadas em Deus.

_____________________________________________________________________________________

Reflexão do padre Johan Konings:

Nossa vida restaurada em Cristo

A liturgia de hoje fala de crime e castigo e, sobretudo, de restauração, pois Deus não quer a morte do pecador, e sim, que ele mude de caminho e viva (cf. Ez 18,23.32). A 1ª leitura mostra como os israelitas se afastaram de Deus. Quando, porém, foram exilados de sua terra e levados à Babilônia, entenderam que sua desgraça era um sinal de seu afastamento. Voltaram seu coração para Deus, que os fez voltar à sua terra. Essa história prefigura a volta de todos os seres humanos para Deus, reconduzidos pelo amor que Cristo manifestou.

Os que estávamos mortos pelo pecado, mas acreditamos em Cristo, fomos salvos pela graça recebida na fé: “Pela graça fostes salvos” (2ª leitura). Nossos erros mostram que, por nós mesmos, não somos capazes de trilhar o caminho certo. A única maneira de “voltar” é deixar-nos atrair pela oferta de amizade de Deus. Não nos salvamos pelas nossas obras (no sentido de esforços para “merecer”), mas Deus nos salva para as boas obras que ele preparou para que nós entrássemos nelas: a caridade, a solidariedade… (Ef 2,10). Não são as nossas obras que nos salvam: quem nos salva é Deus. Mas o que fazemos – a nossa prática de vida fraterna e solidária – encarna nossa salvação.

O evangelho expressa ideias semelhantes. É o fim do diálogo de Jesus com Nicodemos, o fariseu. O trecho que lemos hoje inicia com uma lembrança do Êxodo. Deus tinha castigado a rebeldia do povo com a praga das serpentes. Para os livrar da praga, Moisés levantou numa haste, à vista dos israelitas, uma serpente de bronze. Os que levantaram com fé os olhos para este sinal ficaram curados. Assim devemos levantar com fé os olhos para o Cristo elevado na cruz e receber dele a salvação, pois Deus o deu ao mundo para que testemunhasse seu amor até o fim. “Tanto Deus amou o mundo….” (Jo, 3,14-16). A liturgia da Quaresma insiste: o pecado não é irreparável. Para os que creem, existe volta, conversão, perdão e salvação. Jesus não veio para condenar, mas para salvar. Ele é a luz que penetra nossas trevas. Mas há quem fuja da luz, para não admitir que está agindo de maneira errada. Nesse caso, não há remédio (Jô 3,19-21). Assim como a gente gosta de expor-se ao benfazejo sol da manhã, devemos expor-nos à luz de Cristo. Sua prática deve iluminar nossa vida, para que “pratiquemos a verdade”. Todos somos salvos ou devemos ser salvos pelo amor de Deus que Cristo nos manifesta. Ninguém fabrica sua própria salvação. O autossuficiente permanece nas trevas, ainda que sua suficiência pareça virtude, como era o caso dos fariseus, aos quais se dirige a advertência do evangelho. Por outro lado, se nos deixarmos iluminar por Cristo, sejamos também uma luz para nossos irmãos. O evangelizado seja também evangelizador.

_____________________________________________________________________________________

PE. JOHAN KONINGS nasceu na Bélgica em 1941, onde se tornou Doutor em Teologia pela Universidade Católica de Lovaina, ligado ao Colégio para a América Latina (Fidei Donum). Veio ao Brasil, como sacerdote diocesano, em 1972. Em 1985 entrou na Companhia de Jesus (Jesuítas) e, desde 1986, atuou como professor de exegese bíblica na FAJE, Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Faleceu no dia 21 de maio de 2022. Este comentário é do livro “Liturgia Dominical, Editora Vozes.

_____________________________________________________________________________________

Reflexão em vídeo de Frei Gustavo Medella

_______________________________________________________________________________
    Fonte: franciscanos.org.br    BannerFr. Fábio M. Vasconcelos    Imagem:  vaticannews.va

quinta-feira, 7 de março de 2024

Papa celebra as "24 horas para o Senhor"

em paróquia de Roma nesta sexta-feira

O encontro tradicional durante a Quaresma, "24 horas para o Senhor", começa na sexta-feira (8) com celebração penitencial do Papa na paróquia romana de São Pio V. As igrejas do mundo todo são convidadas a permanecerem abertas durante um dia inteiro. Material em português produzido pelo Dicastério para a Evangelização já está disponível para preparar os fiéis ao momento de oração e confissão.

O Papa Francisco irá visitar a paróquia romana de São Pio V, no bairro Aurelio, em Roma, para celebrar a iniciativa quaresmal de oração e reconciliação "24 horas para o Senhor". A celebração está marcada para esta sexta-feira, 8 de março, a partir das 16h30 na Itália (12h30 no horário de Brasília). A notícia já tinha sido dada aos fiéis da comunidade pelo pároco local, Pe. Donato De Pera, há uma semana, e foi confirmada pelo Dicastério para a Evangelização em comunicado de imprensa divulgado nesta segunda-feira (4).

A paróquia romana fica a poucos quilômetros da Casa Santa Marta, no Vaticano, e já foi visitada por Paulo VI, em 1969, e por João Paulo II, em 1979. No ano passado, Francisco havia visitado a paróquia de Santa Maria delle Grazie al Trionfale para participar da mesma iniciativa. Também neste ano, durante a celebração, os fiéis poderão receber o Sacramento da Reconciliação. Inclusive o Pontífice deve ouvir as confissões de alguns paroquianos.

"24 horas para o Senhor"

A iniciativa "24 horas para o Senhor" é um momento de oração e reconciliação durante o período da Quaresma desejado pelo próprio Pontífice e promovido pelo Dicastério para a Evangelização, que já está em sua décima primeira edição. O lema escolhido para este ano foi extraído de um versículo da Carta aos Romanos que diz: "Caminhar numa vida nova" (Rm 6,4). 

O evento começa na sexta-feira (8) e percorre todo o sábado (9), véspera do quarto domingo de Quaresma, e se celebra nas dioceses do mundo inteiro. Paróquias e comunidades cristãs são convidadas a aberturas extraordinárias das igrejas, para oferecer a possibilidade dos fiéis pararem em momento de adoração e também como oportunidade para se confessarem.

Um subsídio litúrgico-pastoral para o momento já está sendo disponibilizado em preparação à iniciativa, que envolve desde uma reflexão sobre Sacramento da Reconciliação até a abordagem da oração pessoal através da Palavra de Deus e sugestões para a celebração em comunidade, com a catequese do Papa Francisco sobre o Perdão. O material pode ser baixado gratuitamente em português e outras 5 línguas, como inglês e espanhol, através do site do dicastério: www.evangelizatio.va.

O objetivo da iniciativa, segundo o pró-prefeito Rino Fisichella, "é colocar o Sacramento da Reconciliação novamente no centro da vida pastoral da Igreja, portanto, das nossas comunidades, das nossas paróquias, de todas as realidades eclesiais. Esse é o centro da mensagem do Evangelho: a Misericórdia de Deus, que nos dá a certeza de que diante do Senhor ninguém encontrará um juiz, mas, sim, um pai que o acolhe, o consola e também lhe mostra o caminho da renovação".

Andressa Collet - Vatican News

 _____________________________________________________________________________
                                                                                                        Fonte: vaticannews.va

quarta-feira, 6 de março de 2024

Papa Francisco na catequese desta quarta-feira:

quem cede à soberba está longe de Deus

"Aproveitemos esta Quaresma para combater a nossa soberba". Esse é o convite que o Papa dirige aos fiéis presentes na Praça de São Pedro para a Audiência Geral desta quarta-feira (06). Em sua catequese dedicada a este vício, Francisco sublinha que "por trás desse mal está o pecado original, a absurda pretensão de ser como Deus".

Com um significativo aumento das temperaturas, sinalizando o fim do inverno no hemisfério norte, a Praça São Pedro voltou a receber nesta quarta-feira, 06 de março, milhares de peregrinos para a Audiência Geral. Antes da catequese, o Papa saudou os presentes a bordo do papamóvel e recebeu calorosas demonstrações de afeto por parte dos fiéis.

Francisco, que ainda se recupera de um resfriado, antes de seu discurso, lido por mons. Pierluigi Giroli, proferiu algumas breves palavras:

"A catequese de hoje será lida por um dos meus ajudantes, porque ainda estou resfriado e não consigo ler bem. Muito obrigado!"

A décima reflexão do Santo Padre no ciclo de catequeses sobre os vícios e as virtudes foi dedicada ao pecado da soberba.

De todos os vícios, a soberba é a grande rainha

No texto, o Papa define o soberbo como “alguém que se acha muito mais do que realmente é; alguém que se agita para ser reconhecido como maior que os outros, quer sempre ver seus méritos reconhecidos e despreza os outros considerando-os inferiores.” Ao recordar o vício da vanglória, tema da ultima reflexão, Francisco enfatiza que "é uma doença infantil" quando comparada a destruição de que a soberba é capaz:

“Analisando as loucuras do homem, os monges da antiguidade reconheciam uma certa ordem na sequência dos males: dos pecados mais grosseiros, como a gula, para chegar aos monstros mais perturbadores. De todos os vícios, a soberba é a grande rainha. [...] Quem cede a este vício está longe de Deus, e a correção deste mal exige tempo e esforço, mais do que qualquer outra batalha para que o cristão é chamado.”

Absurda pretensão de ser como Deus

Na raiz da soberba, prossegue o Papa, “reside a absurda pretensão de ser como Deus”. Este vicio arruína as relações humanas, envenena o sentimento de fraternidade e revela uma série de sintomas:

“O soberbo é altivo, propenso a julgamentos, desdenhoso, em vão emite sentenças irrevogáveis ​​contra os outros, que lhe parecem irremediavelmente ineptos e incapazes. Na sua arrogância, esquece-se que Jesus nos deu poucos preceitos morais nos Evangelhos, mas em um deles mostrou-se intransigente: não julgueis.

Sintomas de um soberbo

Segundo Francisco, quando lidamos com uma pessoa soberba, quando, fazendo-lhe uma pequena crítica construtiva, ou uma observação completamente inofensiva, ela reage de forma exagerada, fica furiosa, grita, interrompe relações com outros de uma forma ressentida:

“Há pouco que se possa fazer com uma pessoa cheia de soberba. É impossível falar com ela, muito menos corrigi-la, porque em última análise ela não está mais presente consigo mesma. Com ela basta apenas ter paciência, porque um dia o seu prédio desabará.”

O Pontífice acrescenta o exemplo do apóstolo Pedro que, confiante, diz a Jesus: "Mesmo que todos te abandonassem, eu não o faria!", mas se descobre tão temeroso quanto os outros quando se depara com o perigo da morte:

“E assim o segundo Pedro, aquele que já não levanta o queixo, mas chora lágrimas salgadas, será curado por Jesus e estará finalmente apto a suportar o peso da Igreja. Antes, exibia uma presunção que era melhor não ostentar; agora, em vez disso, é um discípulo.”

A salvação passa pela humildade

Por fim, o Papa enfatiza que o verdadeiro remédio para todo ato de soberba é a humildade. “No Magnificat, Maria canta ao Deus que com o seu poder dispersa os soberbos nos pensamentos doentios dos seus corações”:

"É inútil roubar algo de Deus, como os soberbos esperam fazer, porque em última análise Ele quer dar-nos tudo."

"Portanto, queridos irmãos e irmãs, aproveitemos esta Quaresma para lutar contra a nossa soberba", concluiu o Papa.

Thulio Fonseca - Vatican News 

_____________________________________________________________________

Assista:

 _____________________________________________________________________________
                                                                                                        Fonte: vaticannews.va