quinta-feira, 20 de julho de 2023

Dom Vital Corbellini:

a importância do XVº Intereclesial das CEBs

O encontro está se realizando em Rondonóplis, Mato Grosso com o tema: CEBs, Igreja em saída na busca da vida plena para todos e o seu lema: “Vejam eu vou criar novo céu e uma nova terra” (Is 65,17ss).

Dom Maurício Jardim com membros das CEBs 

Muitas lideranças das Dioceses e Prelazias da Igreja no Brasil e de outros lugares do Continente participam deste encontro muito importante na vida da Igreja do Senhor Jesus Cristo. É importante estar em comunhão com todas as pessoas participantes e com toda a equipe organizadora das CEBs, da Diocese de Rondonópolis, MT, para que tudo se realize conforme a vontade de Deus Uno e Trino. O Texto-Base segue a metodologia do ver, julgar e agir.

Ver: A realidade que interpela

O tema à vida plena é uma referência à escatologia, às realidades últimas, junto de Deus, porque Ele é a vida plena. No entanto em Jesus está a visão da vida plena, como Mestre, como enviando do Pai porque nela está a vida eterna, como Pedro disse que Ele tinha palavras de vida eterna (Jo 6,68), mas também pelos milagres que Ele realizava junto aos pobres, aos doentes. A missão da Igreja é o seguimento a Jesus Cristo, ajudando pelo restabelecimento da dignidade humana em todas as pessoas[1].

Vida digna

O Texto-Base fala da vida digna na qual a Igreja, como CEBs compromete-se com todas as pessoas. Na sociedade atual a vida digna refere-se num mundo livre das formas de violência, exploração, exclusão e discriminação[2]. A vida digna é também a integração das dimensões da existência consigo mesmo, com os outros, com o meio ambiente e com Deus.

A renda e a desigualdade social

A vida digna possui uma referência fundamental com a distribuição de renda e a desigualdade social. O Brasil é um dos países mais desiguais do mundo, em relação à distribuição de renda. A distribuição de rendimentos na população coloca uma grande maioria do povo brasileiro que recebe pouco da renda nacional, enquanto uma pequena parcela da população recebe uma renda maior. Um por cento da população mais rica recebe vinte oito vírgula três por cento enquanto quarenta por cento do povo brasileiro recebe dez, vírgula quatro por cento[3].

A vida digna tem referência também em relação ao mundo do trabalho, pois ainda que a taxa de desemprego diminua com o esforço do governo e da sociedade civil, fazendo a pessoa ter uma moradia nova pelo esforço do trabalho, uma grande parcela do povo não tem moradia digna[4].

A violência no País

O Texto-Base coloca o Brasil como um pais muito violento, com mais de cinqüenta mil mortes por ano, na grande maioria, mortas, com uso de seus autores por armas de fogo[5]. São percebidos homicídios, feminicídios, disputas por controle territorial do comercio de drogas, ações de extermínio, balas perdidas, casos de violência das polícias, contra a diversidade de pessoas do gênero, povos indígenas e assassinatos no campo[6]. Estes e outros dados chamam a atenção de toda a população brasileira para a realização de obras em favor da vida digna, como o Senhor quer de todos os seus seguidores e seguidoras.

Políticas Públicas

As políticas públicas ajudam as pessoas a terem uma vida digna diante das desigualdades políticas, sociais, econômicas das pessoas. Há o reconhecimento nos governos pelas políticas públicas, para melhorar a qualidade de vida de modo que todos façam o esforço para superar as desigualdades sociais. O Texto-Base não deixa também de mencionar a crise política, corrupções dos governos, os desmontes das políticas públicas, as falsas noticias[7], pois estes fatores não ajudam a ter uma vida digna conforme o plano do Senhor em relação às pessoas.

As políticas públicas referem também a superação da crise ambiental na qual o pais enfrenta sérios problemas, como o consumo de energia, a construção de grandes usinas hidrelétricas que se de um lado trouxeram desenvolvimentos, por outro lado tem presentes os impactos com a natureza e a vida dos povos indígenas. Os desmatamentos na Amazônia, os garimpos ilegais preocupam a sociedade, a Igreja e o mundo[8].

A crise sanitária está ligada também pelo novo Coronavírus que encontrou um pais despreparado para uma emergência sanitária desta envergadura[9]. A pandemia mostrou a desigualdade entre estudantes pobres e aqueles com melhores condições de vida, pois se alguns tiveram acesso rápido pela internet, milhares de estudantes tiveram um atendimento precário pela internet em vista dos estudos[10]. É preciso lutar por uma vida digna, na superação do racismo e do machismo na sociedade para assim todos viverem na paz e no amor.

Uma nova visão das coisas

É possível uma nova visão das coisas através da solidariedade com os pobres, como teve na pandemia, manifestados pelas instituições como a CNBB: Conferência Nacional dos Bispos no Brasil, os seus posicionamentos públicos, a economia de Francisco e Clara pelo Papa Francisco, o Pacto educativo global, o cuidado com a casa comum e os projetos de ajuda aos mais necessitados pelas comunidades, paróquias e dioceses[11]

Julgar: Horizontes da Esperança, um novo céu e uma nova terra

O tema e o lema têm proveniência do profeta Isaias em referência aos novos céus e à nova terra que une sonhos, utopias e uma realidade que não mata a esperança com o Senhor Deus para a realidade humana unindo dois rios da utopia, que é o tempo para amanhã com o rio do rito, que é dado no hoje[12]. O Senhor diz: “Vejam! eu vou criar um novo céu e uma nova terra” (Is 65, 13). O profeta colocou também uma realidade marcada pela ausência de anseios que se deseja viver, portanto uma realidade dura, sofrida, mas que haverá uma utopia que a alimenta em vista de uma transformação da graça de Deus diante da realidade de sofrimentos[13]. A esperança é dada também pela glória de Deus que a ilumina, e sua lâmpada, sendo, Jesus, o Cordeiro (Ap 21,23). Um novo céu e uma nova terra serão criados onde não mais existirão opressão, exploração, injustiça, perseguição, mas sim a paz e o amor[14].

Uma nova tenda

Será Deus a colocar sua tenda, sua morada na humanidade. Nesta nova cidade circularão em igualdade e reciprocidade, desaparecendo as desigualdades, e onde haverá a nova comunidade universal, a nova sociedade, a nova humanidade atuando com o projeto histórico de Deus no novo céu e na nova terra[15].

Jesus de Nazaré, fermento na massa

Jesus de Nazaré é a palavra de Deus que se fez carne (Jo 1,14). Ele é o fermento na massa que torna presente na história a utopia do profeta pós-exílico e antecipa a profecia de João. Ele é o cumpridor das Escrituras (Lc 4,21), proclama bem-aventurados os pobres, sendo o Cordeiro imolado para a salvação humana. Ele morre na cruz, mas ressurge enviando os seus discípulos ao mundo, garantindo também a presença do Espírito Santo (Mt 28,19: At 1,8). O Ressuscitado envia os seus discípulos dando continuidade à sua missão[16].

Tempo Novo

Jesus inaugurou o tempo novo, ao dizer na sinagoga que aquela passagem da Escritura se cumpriu (Lc 4,21), pois com Ele começou a vida nova, e esta se realiza no cotidiano da história até sua plenitude no Reino[17]. A partir de Pentecostes, o movimento de Jesus, com os seus discípulos, discípulas espalhou-se rapidamente por outros lugares, nações, sendo no início visto como um movimento de contestação no interior do judaísmo, mas as comunidades foram se formando centradas nas casas onde essas eram animadas, pela presença do Ressuscitado, o Espírito Santo, tendo em frente os missionários, missionárias[18], os quais participavam do Templo e celebravam nas casas, mas aos poucos foram criando uma liturgia própria, centralizada na nova visão da Páscoa[19]. Os seguidores de Jesus foram vivendo a sua fé na presença do Cristo Ressuscitado, com a iluminação do Espírito Santo e a mão do Pai, foram constituindo a Igreja do Senhor e pela primeira vez em Antioquia, os discípulos de Jesus foram chamados de cristãos (At 11,26), onde eles souberam ler os sinais dos tempos e dar uma resposta adequada às interpelações na Igreja e no mundo[20]. Com a presença de Paulo, evangelizar é criar e manter comunidades, porque ele se tornou o apóstolo dos gentios, dos pagãos que evangelizava nas suas viagens missionárias e formava comunidades[21]. A criação das Igrejas domésticas possibilitou maior influência e participação das mulheres na vida das comunidades, aparecendo como elos vivos na rede formada pelas casas e igrejas domésticas[22].

Igreja doméstica

Na atualidade Igreja doméstica é a vivência da fé cristã de forma normal, corresponsável, no dinamismo da vida dos convertidos e convertidas ao Reino de Deus[23]. É o cultivo diário da vida nova, no amor a Deus, ao próximo como a si mesmo. A Igreja doméstica necessita de conversão, superando a violência, sobretudo em relação à mulher, às pessoas idosas, para que seja evangelizada e tenha a formação pelas Comunidades eclesiais de base, alimentada também pela oração e os círculos bíblicos[24].

Sinodalidade e casa comum

As CEBs são convidadas a fazer junto com todo o povo de Deus um caminho de sinodalidade, caminhar juntos, A sinodalidade expressa comunhão e participação em uma Igreja em saída para as periferias ao encontro com Deus[25], como muito bem expressa o Papa Francisco para toda a Igreja. O Papa Francisco solicita também de todo povo e dos fieis cristãos, católicos e católicas o cuidado com a casa comum, casa de todas as pessoas como o Criador criou para todo o mundo. As CEBs tenham práticas de cuidado com a Casa Comum, ponto central do sínodo da Amazônia, pautada por uma vida sustentável na defesa dos biomas, no respeito dos povos do campo, das cidades e das florestas[26].

O bem viver, a alegria do evangelho, a força missionária, a fraternidade e amizade social nas CEBs

A proposta do bem viver é uma prática dos povos indígenas, que visa viver em comunidade, em harmonia com as pessoas, compartilhando e trabalhando em vista do Reino de Deus[27]. As CEBs, vivendo sob a luz de Cristo e iluminadas pela Palavra de Deus, celebram a sua presença na comunidade e na liturgia[28] o bem viver com todas as pessoas, sobretudo com os mais necessitados. A Encíclica do Papa Francisco Evangelii Gaudium, a alegria do evangelho dá uma confiança que as CEBs são obra de Deus e no seguimento de Jesus faz uma entrega generosa mantendo serenidade na presença do Ressuscitado[29]. Pela força da Palavra de Deus, as CEBs são verdadeiras comunidades de discípulos e discípulas missionários[30] levando a Palavra de Jesus para todas as pessoas, sobretudo os pobres e os necessitados. O Papa Francisco propõe para todas as pessoas a fraternidade e a amizade social como forma de vida a partir do Evangelho do Senhor. O mundo globalizado torna as pessoas mais próximas, mas isso não significa que as faz irmãos e irmãs. Enquanto uma parte da humanidade vive na opulência, outra grande parte tem os seus direitos desprezados, violados (FT 22). O projeto das CEBs é o da fraternidade superando o isolamento e reforçando a proximidade, a cultura do encontro com Deus e com os irmãos e irmãs[31]

O agir das Comunidades Eclesiais de Base

Em comunhão com o Senhor, com o Papa Francisco, as CEBs buscam uma contribuição para a construção sinodal da Igreja católica. O objetivo é reacender o novo jeito de ser Igreja em comunhão com o sínodo da Amazônia. O mundo novo, proposta pela Palavra de Deus é um estímulo a lutar contra a morte prematura e fazer a vida ser vivida em plenitude. É uma Aliança feita com Deus e com a humanidade. Tudo isso é apresentado como a criação de um novo céu e uma nova terra (Is 65,17; Ap 21,1)[32].

O agir das CEBs nasce pela compreensão do messianismo de Jesus e é no compromisso pelo seguimento com o seu projeto de paz e de amor[33]. A Igreja é chamada a ir em busca das pessoas, construindo uma Igreja com rosto Amazônico, ameríndio, na centralidade da vida, no cuidado com a Casa Comum, na luta pelas políticas públicas, sendo uma Igreja missionária, servidora, ministerial. Toda a Igreja é chamada a fazer o caminho na sinodalidade, pela diversidade de vocações e ministérios, na edificação do Corpo de Cristo (LG 32)[34]. Os cristãos leigos e leigas nas CEBs desempenham um papel ativo na construção da Igreja de Cristo e no exercício de sua missão[35]. Todos são responsáveis pela vida e pela missão de anunciar o evangelho de Cristo às pessoas, sobretudo aos necessitados. É preciso colocar-se sempre no caminho de Jesus e da Igreja para viver a fé, a esperança e a caridade neste mundo e um dia na eternidade. Tudo ocorra bem no Décimo Quinto Intereclesial das CEBs.

[1] Cfr. 15º Encontro Intereclesial das Comunidades Eclesiais de Base. CEBs: Igreja em saída, na busca da vida plena para todos e todas!Cuiabá, MT, Ed. dos Autores, 2022, pg. 25.

[2] Cfr. Ibidem, pg. 25.                  [3] Cfr. Ibidem, pg. 29.                [4] Cfr. Ibidem, pg. 37.

[5][5] Cfr. Ibidem, pg. 37.            [6] Cfr. Ibidem, pgs. 39-40.         [7] Cfr. Ibidem, pgs. 45-50.

[8] Cfr. Ibidem, pgs. 51-55.          [9] Cfr. Ibidem, pg. 56.                [10] Cfr. Ibidem, pgs. 57-58.

[11] Cfr. Ibidem, pgs. 67-68.        [12] Cfr. Ibidem, pg. 78-79.         [13] Cfr. Ibidem, pgs. 82-83

[14] Cfr. Ibidem, pgs. 85-86.        [15] Cfr. Ibidem, pg. 87.             [16] Cfr. Ibidem, pg. 88.

[17] Cfr. Ibidem, pg. 89.                [18] Cfr. Ibidem, 90.                   [19] Cfr. Ibidem, pg. 91.

[20] Cfr. Ibidem, pg.s 92-93.       [21] Cfr. Ibidem, pg. 93.             [22] Cfr. Ibidem, pgs 94-95.

[23] Cfr. Ibidem, pg 98.                [24] Cfr. Ibidem, pg. 100.          [25] Cfr. Ibidem, pg. 202.

[26] Cfr. Ibidem, pg. 103.             [27] Cfr. Ibidem, pg. 106.           [28] Cfr. Ibidem. pgs. 106-107.

[29] Cfr. Ibidem, pg. 108.             [30] Cfr. Ibidem, pg. 110.            [31] Cfr. Ibidem, pgs. 113-115.

[32] Cfr. Ibidem, pg. 123.              [33] Cfr. Ibidem, pg. 124.           [34] Cfr. Ibidem, pgs. 125-130.

[35] Cfr. Ibidem, pg. 131. 

Dom Vital Corbellini, Bispo de Marabá – PA

.........................................................................................................................................................................

Papa Francisco envia mensagem em vídeo aos participantes do 15º Intereclesial das CEBS:

“Sigam trabalhando. Vão adiante!”

Na noite da terça-feira, 18 de julho, aconteceu a celebração de abertura do 15º Encontro Intereclesial das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), em Rondonópolis/MT, no Centro de Eventos Santa Terezinha.  O tom foi de valorização da atuação religiosa de leigas e leigos, da diversidade cultural e de crítica ao modelo socioeconômico voltado ao extrativismo dos recursos naturais.

A celebração abriu oficialmente o Intereclesial que se estende até o dia 22 (sábado), reunindo cerca de 1,5 mil representantes das CEBs de todo o Brasil, além religiosas e religiosos, lideranças de organismos ligados à Igreja Católica, a outras denominações cristãs e expressões espirituais, movimentos sociais e populares. Participam do intereclesial 63 bispos.

O Papa Francisco enviou uma mensagem aos participantes do encontro dizendo querer-se fazer próximo do 15º Intereclesial de CEBs. O Santo Padre pediu aos participantes para seguirem trabalhando e para não se esquecerem de buscar sintonia com o tema: “Igreja em Saída”. O Papa comparou a Igreja como a água. “Se a água não corre no rio, fica estagnada e adoece. A Igreja quando sai, caminha, se sente mais forte”, disse.

Confira o vídeo que o Papa enviou aos participantes:

Cultura popular e biomas brasileiros

Os milhares de participantes da cerimônia sentaram-se em cadeiras dispostas ao redor de um grande palco, que funcionou como altar. A celebração foi conduzida pela Equipe de Liturgia do Intereclesial, um grupo de leigas e leigos trajados com túnicas que destacavam a simbologia afro-brasileira e indígena. A mesa do altar estava coberta por uma toalha feita de retalhos de tecido, destacando o caráter popular da Igreja.

A cerimônia de abertura teve várias procissões, músicas e menções verbais que valorizaram as comunidades indígenas, quilombolas, pessoas que vivem da agricultura familiar ou estão em acampamentos provisórios, pescadores, trabalhadoras e trabalhadores urbanos, mulheres artesãs, migrantes e imigrantes, entre outros grupos sociais que compõem o povo brasileiro. Delegações de representantes das regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sul e Sudeste foram lembradas e homenageadas pela associação com seus biomas (Amazônia, Caatinga, Cerrado, Pantanal, Pampa e Mata Atlântica) e pela disposição histórica à luta e resistência populares.

Em seguida a história dos Intereclesiais foi lembrada por uma mescla entre informações ditas ao microfone e entradas com os estandartes referentes a cada uma das edições do encontro, desde o primeiro, em Vitória (ES), em 1975, até a atual, em Rondonópolis (MT).

A proclamação da abertura oficial do 15º Intereclesial ocorreu a partir de uma fala do bispo da diocese de Rondonópolis-Guiratinga, dom Maurício Jardim. Ele agradeceu a presença dos participantes e recordou do bispo anterior, dom Juventino Kestering, falecido em 2022, que foi quem assumiu o compromisso de acolher o Intereclesial na diocese. Um grande banner contendo a imagem de dom Juventino e uma de suas frases emblemáticas – “Saúde aos doentes, alegria aos tristes e esperança aos desanimados” – foi exposto perante o público, que fez uma sessão de aplausos em sua memória.

Homenagem a dom Juventino Kestering na abertura do Intereclesial. | Fotos: Comunicação 15º Intereclesial


.............................................................................................................................................................
                                                                                       Fontes: vaticannews.va     cnbb.org.br

quarta-feira, 19 de julho de 2023

Aprendendo sobre a Mãe de Deus:

Nossa Senhora Advogada

"Na oração da Salve Rainha, invocamos a Mãe de Jesus como nossa advogada, aquela a quem vamos gemendo e chorando pedir ajuda. Suplicamos, antes de tudo, que volva seu olhar misericordioso a nós. Ora, quem é essa advogada do céu, de quem os santos dizem coisas admiráveis? Quem é essa senhora, amada e venerada nos quatro cantos do mundo e temida até pelos demônios?"

Afresco na Basílica de Santa Maria di Collemaggio 

“A Igreja de todos os tempos, começando no Cenáculo do Pentecostes, rodeia sempre Maria de veneração especial e dirige-se a Ela com especial confiança. A Igreja dos nossos tempos, mediante o Concílio Vaticano II, fez uma síntese de tudo o que se foi desenvolvendo durante as gerações. O capítulo oitavo da Constituição dogmática Lumen Gentium é, em certo sentido, uma «magna charta» da mariologia para a nossa época: Maria presente de modo especial no mistério de Cristo e no mistério da Igreja, Maria «Mãe da Igreja», segundo começou a chamar-Lhe Paulo VI (no Credo do Povo de Deus) dedicando-Lhe em seguida um documento à parte («Marialis cultus»).”

Na Audiência Geral de 2 de maio de 1979, São João Paulo II confiou a Maria as vocações sacerdotais. Em sua catequese, o Papa polonês destacou sua presença no mistério de Cristo, no mistério da Igreja, bem como na vida dos fiéis:

Esta presença de Maria no mistério da Igreja, isto é, ao mesmo tempo na vida quotidiana do Povo de Deus em todo e mundo, é sobretudo presença maternal. Maria, por assim dizer, dá à obra salvífica do Filho e à missão da Igreja uma forma singular: a forma maternal. Tudo o que se pode enunciar na linguagem humana sobre o tema do «génio» próprio da mulher-mãe — o génio do coração — tudo isso se refere a Ela.

Depois de "Nossa Senhora Medianeira", padre Gerson Schmidt* nos propõe hoje uma reflexão sobre outro título atribuído a Maria, com a qual invocamos também na oração Salve Rainha: "Nossa Senhora Advogada":

"A Lumen Gentium faz alguns atributos a Maria sobretudo no número 62 da Constituição Dogmática sobre a Igreja, como já apontamos, inserindo o papel de Maria dentro da eclesiologia. Difícil pensar em Maria, sem pensar nela como mãe e discípula da Igreja, atributos destacados pelo Papa Francisco. Poderíamos até arriscar em dizer que não existe Mariologia sem Eclesiologia. Já vimos aqui e aprofundamos o título de Nossa Senhora Medianeira. A constituição sobre a Igreja também utiliza o título de “Advogada”. O advogado é quem fala e age em prol daquele que o procura. O que acolhe, auxilia, socorre, apela, argumenta, para que a pretensão de seu cliente seja ouvida e atendida. Maria, como advogada nossa, nos defende em nossas causas, intercedendo ao divino advogado Jesus.

Diz assim a LG: “De fato, depois de elevada ao céu, não abandonou esta missão salvadora, mas, com a sua multiforme intercessão, continua a alcançar-nos os dons da salvação eterna (185). Cuida, com amor materno, dos irmãos de seu Filho que, entre perigos e angústias, caminham ainda na terra, até chegarem à pátria bem-aventurada. Por isso, a Virgem é invocada na Igreja com os títulos de advogada, auxiliadora, socorro, medianeira (186)”.

São Francisco de Sales dizia assim: “A Virgem, porém, e os santos são advogados da graça; eles rezam por nós, para que sejamos perdoados e, tudo por meio da Paixão de Cristo, o Salvador; eles não têm como nos justificar, mas confiam no Salvador. Em suma, os santos não juntam suas orações à intercessão do Cristo Salvador, pois elas não possuem a mesma qualidade; eles se juntam às nossas orações. Se Jesus Cristo reza, dirige-se ao céu, Ele reza em sua virtude; mas a Virgem ora como nós oramos, confiando na virtude de seu Filho, e com mais crédito, privilégio e favor. Vós não percebeis que tudo isso se resume na honra de seu Filho e engrandece e magnifica a sua glória?”

A Igreja sempre atribuiu à Maria a missão de ser “advogata nostra”, como aponta também a tradicional e consagrada oração da Salve Rainha. A oração, rezada como conclusão do terço Mariano, reza assim: “Eia pois advogada nossa, esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei, e depois deste desterro, mostrai-nos Jesus, bendito fruto do vosso ventre, ó clemente, ó piedosa ó doce e sempre Virgem Maria”.

Na oração da Salve Rainha, invocamos a Mãe de Jesus como nossa advogada, aquela a quem vamos gemendo e chorando pedir ajuda. Suplicamos, antes de tudo, que volva seu olhar misericordioso a nós. Ora, quem é essa advogada do céu, de quem os santos dizem coisas admiráveis? Quem é essa senhora, amada e venerada nos quatro cantos do mundo e temida até pelos demônios? Aquela que permaneceu oculta toda a sua vida, tão profunda sua humildade: “Deus Pai consentiu que jamais em sua vida ela fizesse algum milagre, pelo menos um milagre visível e retumbante”, mas “é a obra- -prima por excelência do Altíssimo”, é a “magnificência de Deus, em que Ele se escondeu”. Essa menina se tornou uma “advogada tão poderosa, que não foi jamais repelida; tão habilidosa, que conhece os segredos para ganhar o coração de Deus; tão boa e caridosa, que não se esquiva a ninguém, por pequeno e mau que seja” (“Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem”, de São Luís Maria Grignion de Monfort).

Nosso desejo que Nossa Senhora, Mãe de Deus, advogada nossa, guarde e livre de todo o mal aqueles que a ela se socorrem!"

*Padre Gerson Schmidt foi ordenado em 2 de janeiro de 1993, em Estrela (RS). Além da Filosofia e Teologia, também é graduado em Jornalismo e é Mestre em Comunicação pela FAMECOS/PUCRS.

Jackson Erpen - Cidade do Vaticano
.............................................................................................................................................................
                                                                                                                     Fonte: vaticannews.va

terça-feira, 18 de julho de 2023

Interessante reflexão do padre Zezinho:

POLÍTICA NOTA 80.
CATEQUESE NOTA 20.

Pe Zezinho scj ||||||||||||||||||||||||

________________________

Que há católicos que trocam o Catecismo pela política da direita ou da esquerda, eu vi e vejo na minha página que sempre foi catequética!

Eu repercuto o CIC, CVII e a DSI! Ensino Doutrina Social. A política para mim é nota 20 e Catequese é Nota 80 .

Há três anos, quando se acendeu e esquentou mais forte a polêmica esquerda e direita, entre Bolsonaro e Lula, os católicos e evangélicos entravam na minha página para repercutir sua posição de direita ou de esquerda. Era nítida a sua escolha!

Houve tempos em que as respostas chegaram a 3,5 milhões. Em geral eram 1 milhão. Quase sempre, 300 a 500 mil.

O assunto política mexia fortemente com estes cristãos católicos e evangélicos.

****

À medida que deixei claro que meu intuito era dialogar com todos, colocando a Catequese Católica no centro, e a política para depois, as respostas diminuíram.

Passadas as eleições, diminuiu o interesse pela minha página. Na minha página, passadas as eleições o debate político amenizou. Agora , ambos ainda jogam farpas, falam em vingança, mas não era tão aceso como era .

Na minha página as respostas desceram para menos de 100 mil internautas católicos a visitar minhas catequeses.

Ficou somente quem realmente queria saber mais religião e CATECISMO.

Os outros provavelmente voltarão quando houver dois candidatos opostos, um esquerdista e outro direitista. Isso lhes interessa. Isto acende estes católicos!

Para milhões, a catequese católica e cristã e o diálogo fraterno pouco lhes interessa! A luta pelo poder, sim!

Na verdade sempre foi assim!

O assunto Jesus e FÉ cristã interessa menos do que as eleições e que ideologia vencerá.

A teologia sempre perdeu para a ideologia.

Releia a História da Igreja ou a História das Igrejas. O pano de fundo sempre foi o poder político e quem governa ou governaria o país e o povo!…

.............................................................................................................................................................
                                                                                        Fonte: facebook.com/padrezezinhoscj

Vale a leitura:

Fundamento das Pastorais Sociais da Igreja Católica

Parte I

“Quando dou comida aos pobres, me chamam de santo,
mas, quando pergunto pelas causas da pobreza,
me chamam de comunista”.
Dom Hélder Câmara

A Igreja Católica tem um vasto catálogo de pastorais que querem ser a atenção especial por algum tipo de ação ou segmento da própria Igreja ou da sociedade. As pastorais Catequética, Familiar, Litúrgica, entre outras, são voltadas para o interior da Igreja. Já, as pastorais que se voltam para a sociedade são chamadas de Pastorais Sociais. Entre as Pastorais Sociais, podemos citar: Pastoral da Terra, Pastoral da Criança, Pastoral da Saúde, Pastoral da Mulher Marginalizada. Porém, qual é mesmo o fundamento das Pastorais Sociais da Igreja? Por que a Igreja se preocupa com os problemas sociais? Por que o agir da Igreja na sociedade se dá dessa forma? Na verdade, a preocupação não é com os problemas, mas com as pessoas atingidas por eles.

Toda ação da Igreja tem como objetivo o ser humano, imagem e semelhança de Deus e salvo por Jesus em sua encarnação e ressurreição.

Então, vejamos a fé cristã. Ela tem como centro a vivência da caridade, compreendida como amor a Deus e ao próximo. Há duas formas de se viver a caridade. Uma é a vida de comunidade expressa na vivência fraterna de seus membros. A vida fraterna acontece na família, numa pastoral ou movimento de Igreja, numa comunidade. Entretanto, só a vivência fraterna não é suficiente, pois a caridade é bem maior que essa vivência. Assim, ela se expressa também no serviço aos pobres como socorro aos irmãos e irmãs necessitados. Desde seu início, a Igreja está ao lado dos pobres de forma muito forte. Em tempos passados, os hospitais, as creches e a assistência social eram cuidados, quase que completamente, pela Igreja. Esse tipo de ação social da Igreja é conhecido como “assistência”: dar ao outro aquilo que ele precisa imediatamente.

No século XVII, um cristão leigo, Frederico Ozanan, hoje declarado beato pela Igreja, criou as Conferências de São Vicente de Paulo, inspirado na obra do santo da caridade. As conferências, no sonho de Ozanan, tinham como objetivo discutir as causas da pobreza. Porém, para que as discussões não fossem só teóricas, cada conferência deveria assistir e promover uma família carente.

Aí, está o outro nível de serviço aos pobres feito pela Igreja: a promoção, que é arrumar um emprego ou dar uma formação, para que as pessoas não precisem mais serem assistidas e possam prover o próprio sustento.

A partir do século XIX, com o advento das Ciências Sociais, a Igreja passou a dialogar com elas. No século XX, o Concílio Vaticano II (1962 a 1965) introduziu a Igreja, por fim, na modernidade. Os documentos do Concílio incentivaram a Igreja, cada vez mais, a atuar no serviço aos pobres da sociedade. Voltando às fontes dos seus primórdios, a Igreja compreendeu que sua ação social é parte integrante da fé, pois vem do amor, caridade. Isso significa que se envolver nas questões sociais é uma obrigação da Igreja e não uma opção, algo que eu possa escolher ou não. Debruçando-se mais sobre as realidades sociais e com o auxílio das ciências sociais, a Igreja descobriu que muitos dos problemas que afligem a sociedade não estão aí por acaso e nem são vontade de Deus. O que existem são “estruturas” sociais historicamente construídas e que estão acima das pessoas e dos grupos.

Assim, uma caridade eficaz não pode ser meramente assistencial e promocional. A verdadeira caridade precisa enfrentar os mecanismos sociais que geram a pobreza e a mantém. Para isso, é preciso conhecer o processo de estruturação e organização da sociedade e conhecer também o modo adequado de interferir nessas estruturas, em vista da garantia dos direitos dos pobres e marginalizados.

É preciso compreender que nascemos e vivemos em uma sociedade concreta, organizada de forma bem determinada. A sociedade condiciona e determina, em grande medida, para o bem e/ou para o mal, a vida de todas as pessoas.

É preciso também compreender que a interferência nas estruturas da sociedade enfrenta inúmeras dificuldades, pois há setores sociais bem determinados que se beneficiam dessas estruturas. Esses setores não estão dispostos a perder seus privilégios e fazem forte oposição aos que ousam mudar o modo como a sociedade está estruturada. Outra dificuldade é que essa discussão parece ser muito teórica e não chega ao chão onde as pessoas vivem. Por isso, é preciso um esforço enorme de convencimento dentro da própria Igreja e no meio dos pobres de que essas lutas precisam ser travadas e de que são vontade de Deus, o qual nos convidou a defendermos uma vida plena para todos. Esse esforço de convencimento precisa ser feito também juntos aos pobres e excluídos para que eles mesmo tomem a sua parte no processo, sejam sujeitos dele e tomem, em suas mãos, a direção de suas vidas. É importante ainda que a interferência seja um processo coletivo e social, em parceria com outras forças vivas da sociedade, os quais trarão sua colaboração.

Sendo assim, é necessário que as Pastorais Sociais se preparem para o embate com conhecimento técnico e as análises sociológicas suficientes para lutar. Ainda mais, é preciso que busquem o verdadeiro fundamento dessas ações, o qual é a caridade cristã, para assim se fortalecerem espiritualmente. É preciso que tenham uma verdadeira mística cristã e conheçam a Palavra de Deus e a Doutrina Social da Igreja.

Este texto continua no próximo mês. Aguardo você!

Imagem: billy cedeno por Pixabay

.............................................................................................................................................................
                                                                                                        Fonte: arquidiocesepa.org.br

segunda-feira, 17 de julho de 2023

Mês da Bíblia 2023:

comunidades podem contar
com texto-base e roteiro de encontros

Setembro se aproxima e as comunidades de todo o país podem se preparar para vivenciar o Mês da Bíblia. A iniciativa é motivada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e é oportunidade para estudo da Palavra de Deus. Neste ano, o livro bíblico escolhido para aprofundamento é a Carta aos Efésios, com a inspiração “Vestir-se da nova humanidade! (cf. Ef 4,24)”. A Edições CNBB oferece como materiais de apoio o texto-base, um livreto com encontros e um cartaz.

Texto-base

As irmãs Márcia Eloi Rodrigues e Luciene Lima Gonçalves, religiosas do Instituto Religioso Nova Jerusalém, são as autoras do texto-base. O material procura explorar o sentido da unidade do Corpo de Cristo, que é a Igreja. Essa unidade, segundo o texto, significa a vivência como filhos e filhas reconciliados com Deus, e assumir, no cotidiano, a vida nova experimentada no Batismo individualmente e em comunidade.

De acordo com o arcebispo de Curitiba (PR) e ex-presidente da Comissão Episcopal para a Animação Bíblico-Catequética, dom José Antônio Peruzzo, as páginas do texto-base são dedicadas ao povo que quer alimentar e realimentar a sua fé no Senhor Jesus Cristo, “àqueles que querem crer com a Igreja”.

Segundo o arcebispo, quem ler as páginas do material “perceberá que os grandes problemas que nossa Igreja enfrenta hoje não deveriam causar nem surpresas, nem sustos. O que temos hoje é versão atualizada de desafios já antigos, espinhos já dos primeiros dias do cristianismo”.

Encontros

O subsídio de “Encontros Bíblicos” para o Mês da Bíblia 2023 propõe roteiros para a realização de encontros em grupos que se reúnem para ouvir a Palavra de Deus e intensificar a sua formação bíblica, abrindo-se ao diálogo e anunciando Jesus Cristo de forma missionária.

Dom José Antônio Peruzzo explica que o estudo da Carta aos Efésios proposto para o Mês da Bíblia deste ano procura, primeiro, explicitar a temática central da carta, que é a unidade do corpo de Cristo para, em segundo lugar, refletir sobre o lema: “vestir-se da nova humanidade!” (cf. Ef 4,24).

O material é composto por roteiros para quatro encontros e para a celebração de encerramento:

1. Conhecer o amor de Cristo (Ef 3, 14-21)

2. A unidade da Igreja (Ef 4, 1-16)

3. Procedei como filhos da luz (Ef 5, 6-20)

4. Honra teu pai e tua mãe (Ef 6, 1-9)

Celebração de encerramento do Mês da Bíblia – “Vestir-se da nova humanidade!” (cf. Ef 4, 24)

Para adquirir os materiais do Mês da Bíblia 2023, acesse aqui o site da Edições CNBB.

.............................................................................................................................................................
                                                                                                                          Fonte: cnbb.org.br

domingo, 16 de julho de 2023

Papa Francisco no Angelus deste domingo:

semear a Palavra sempre, mesmo que o mundo reme contra

Eu semeio o bem? Preocupo-me apenas em colher para mim mesmo ou também semeio para os outros? Lanço algumas sementes do Evangelho em minha vida cotidiana: estudo, trabalho, tempo livre? Fico desanimado ou, como Jesus, continuo a semear, mesmo que não veja resultados imediatos? Perguntou o Papa no Angelus deste domingo, 16 de julho, ressaltando que é preciso semear o bem sempre.

Na alocução que precedeu a oração do Angelus, este XV Domingo do Tempo Comum, o Papa ateve-se ao Evangelho do dia, que nos apresenta a parábola do semeador.

A da "semeadura" é uma imagem muito bonita, que Jesus usa para descrever o dom da sua Palavra, disse Francisco.

Imaginemos uma semente: ela é pequena, quase invisível, mas produz plantas que dão frutos. A Palavra de Deus é assim; pensemos no Evangelho, um pequeno livro, simples e ao alcance de todos, que produz vida nova naqueles que o acolhem. Portanto, se a Palavra é a semente, nós somos o terreno: podemos recebê-la ou não. Mas Jesus, o "bom semeador", não se cansa de semeá-la com generosidade. Ele conhece o nosso terreno, sabe que as pedras da nossa inconstância e os espinhos dos nossos vícios podem sufocar a Palavra, mas sempre espera que possamos dar frutos abundantes.

Os pais: semear o bem e a fé nos filhos, sem desanimar-se

O Santo Padre destacou que assim faz o Senhor e assim somos chamados também nós a fazer: a semear sem nos cansar. O Papa deu alguns exemplos, partindo dos pais.

Eles semeiam o bem e a fé nos filhos, e são chamados a fazer isso sem desanimar se, às vezes, eles parecem não entender ou apreciar seus ensinamentos, ou se a mentalidade do mundo "rema contra eles". A boa semente permanece, isso é o que importa, e ela criará raízes no devido tempo. Mas se, cedendo à desconfiança, eles desistirem de semear e deixarem seus filhos à mercê das modas e do celular, sem dedicar tempo a eles, sem educá-los, então o terreno fértil se encherá de ervas daninhas.

Os jovens: dedicar tempo aos mais necessitados

Em seguida, o Pontífice trouxe o exemplo dos jovens: eles também podem semear o Evangelho nos sulcos da cotidianidade. Por exemplo, com a oração: é uma pequena semente que não se vê, mas com a qual se confia tudo o que se vive a Jesus, e assim Ele pode fazê-la amadurecer. Mas também penso no tempo para dedicar aos outros, aos mais necessitados: pode parecer perdido, ao invés, é um tempo sagrado, enquanto as aparentes satisfações do consumismo e do hedonismo deixam de mãos vazias. E penso no estudo, que é cansativo e não satisfaz imediatamente, como a semeadura, mas é essencial para construir um futuro melhor para todos.

Padres e leigos: pregar a Palavra, mesmo sem êxito imediato

Por fim, trouxe o exemplo dos semeadores do Evangelho, muitos bons sacerdotes, religiosos e leigos engajados na proclamação, que vivem e pregam a Palavra de Deus, muitas vezes sem sucesso imediato.

Nunca nos esqueçamos, quando proclamamos a Palavra, que mesmo onde nada parece estar acontecendo, na realidade o Espírito Santo está trabalhando e o reino de Deus já está crescendo, por meio e além de nossos esforços. Portanto, avante com alegria! Lembremo-nos das pessoas que plantaram a semente da Palavra de Deus em nossa vida: ela pode ter brotado anos depois de termos encontrado seus exemplos, mas isso aconteceu graças a elas!

Como Jesus, semear sempre

Francisco concluiu lançando mais uma interrogação, pedindo a cada um que respondesse a si mesmo. Eu semeio o bem? Preocupo-me apenas em colher para mim mesmo ou também semeio para os outros? Lanço algumas sementes do Evangelho em minha vida cotidiana: estudo, trabalho, tempo livre? Fico desanimado ou, como Jesus, continuo a semear, mesmo que não veja resultados imediatos?

O Papa lembrou que este 16 de julho veneramos Maria sob o título de Nossa Senhora do Carmo, pedindo a ela que nos ajude a sermos semeadores generosos e alegres da Boa Nova.

Raimundo de Lima – Vatican News

.........................................................................................................................................................................

Fiéis e peregrinos na Praça São Pedro durante o Angelus (Vatican Media)
.............................................................................................................................................................
                                                                                                                     Fonte: vaticannews.va


sábado, 15 de julho de 2023

Reflexão para

o XV Domingo do Tempo Comum

Se o terreno, se os corações forem trabalhados pela simplicidade, pela autenticidade, pela educação libertadora daqueles ídolos, a Palavra descerá qual chuva fina, penetrando a terra e fazendo a semente frutificar.

A demora na realização das promessas de Deus possibilita aos discípulos e a nós, entrarmos em crise. Percebendo essa situação, Jesus conta para eles e para nós, a parábola das sementes.

A Palavra de Deus é, em si mesma, boa e, se bem apresentada, produzirá muitos frutos; mas isso não depende só da Palavra; depende também das diversas situações em que se encontra o terreno onde ela é depositada, isto é, das diversas respostas.

A Palavra é oferecida e exatamente por ser oferecida, conserva em si todo o risco da negligência, do descaso, da não aceitação, da oposição.

De acordo com a parábola, ela poderá ser comida pelos pássaros, poderá cair entre as pedras e não criar raízes e, finalmente, poderá cair entre os espinhos e morrer sufocada.

Vamos refletir sobre cada um desses alertas feitos por Jesus. O primeiro se refere à semente que pode ser ciscada pelos pássaros. É o nosso medo do sofrimento, em relação ao caminho da cruz, tantas vezes abordado por Jesus e a busca incessante de realizações, de êxito. É como aquela pessoa que vê na possibilidade de exercer um serviço eclesial, como uma ocasião de prestígio, de ter status.

A semente que caiu entre as pedras e não criou raízes, representa aqueles que só externamente aceitaram a Palavra. Ela não foi aceita com profundidade. Teme-se que a adesão a Cristo seja ocasião de constrangimento, de envergonhar-se.

A que caiu entre os espinhos é a semente sufocada, imagem de muitíssimos cristãos. As preocupações da vida presente, a atração exercida pelo ter, pelo poder, pelo possuir, pelo ganhar se impõem, são obstáculos para o acolhimento da Palavra.

A Palavra não é ineficaz, mas falta o acolhimento. A Palavra se adapta às condições do terreno, ou melhor, aceita as respostas que o terreno dá e que com frequência são negativas. É necessário preparar o terreno, os corações, para que percam o endurecimento causado pelos ídolos das ideologias, do consumismo, do dinheiro, do prazer, das demais riquezas.

Se o terreno, se os corações forem trabalhados pela simplicidade, pela autenticidade, pela educação libertadora daqueles ídolos, a Palavra descerá qual chuva fina, penetrando a terra e fazendo a semente frutificar.

Padre Cesar Augusto, SJ – Vatican News

.............................................................................................................................................................
                                                                                                                     Fonte: vaticannews.va