quinta-feira, 7 de julho de 2022

Reflita com dom Paulo Peixoto:

Diretivas divinas

"Numa atitude de despojamento, Deus está na sentinela"

No entender dos cristãos, Deus está por trás de todas as atividades da vida, sejam divinas ou humanas, boas ou más. Nada escapa aos seus olhos, mas sempre focados no bom caminho, no que é digno e convém para a realização de seus objetivos. O projeto divino se realiza num comprometido amor a Ele mesmo e às pessoas, no acolhimento e convivência social e fraterna, na prática de Jesus.

Dom Paulo

Para qualificar a vida humano-divina, Deus apresenta Jesus como modelo de perfeição, sendo nossa referência fundamental. Mas o caminho que nos identifica não é fácil, é cheio de confrontos entre o bem e o mal. Significa que ninguém está pronto, perfeito, mas busca os próprios objetivos apoiados nos princípios de referência. Numa atitude de despojamento, Deus está na sentinela.

Não é fácil perceber e compreender a presença de Deus nas falcatruas praticadas na sociedade, dizendo que Ele está por trás até das coisas erradas. Isto sim porque é o sustentáculo da vida, mesmo da vida que pratica atos de irresponsabilidade. Jesus disse aos seus seguidores que não veio para os santos, os perfeitos, mas para os doentes com o intuito de libertá-los das amarras que os prendem.

Diante do desgaste constante que a sociedade brasileira vem sistematicamente sofrendo nos últimos tempos, num clima de insegurança total e sofrimento generalizado da classe vulnerável, a hora é de abrir os nossos corações e nossa consciência, porque são espaços onde Deus fala e agir com mais responsabilidade. É preciso intuir as propostas e indicações de Deus para um mundo melhor.

Falamos de “salada de frutas”, que parece ser expressão que explica muito bem o que está sendo praticado no Brasil. Política deixando de ser uma verdadeira política; a religião deixando de ser verdadeira religião; a economia, que deveria ser estabilidade social e econômica, para defender os mais pobres, centralizada nas mãos de um pequeno grupo privilegiado e incapaz de partilhar.

A grande pergunta que surge em nosso pensamento é esta: onde estão as diretivas divinas se, em diversas situações, o que reina mesmo é a exploração como um verdadeiro assalto contra o direito à dignidade dos excluídos? Não é fácil dar uma resposta mediante uma corrupção instituída e sem perspectiva de mudança. Mas temos que acreditar na ação de Deus transformando a conduta das pessoas.

Dom Paulo Mendes Peixoto - Arcebispo Metropolitano de Uberaba – MG

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Testemunho missionário vindo da Amazônia:

Servir e ser um com o povo

O que leva um sacerdote espanhol a atravessar o Oceano Atlântico e viver na região amazônica para compartilhar a fé e as dificuldades dos povos daquela região? As alegrias e os desafios da missão que desenvolve na Amazônia estão entre os temas da entrevista que o padre Luis Miguel Modinho concedeu ao Vatican News.

Esse é o testemunho que padre Luis Miguel Modino quer dar ao povo da Amazônia. Padre Luis, que é natural de Madri capital da Espanha, foi ordenado em sua diocese de origem Madri, em 1998. São quase 25 anos de sacerdócio! E de todos esses anos de presbiterado, 16 anos tem sido em terras brasileiras. Padre Modino fez parte da equipe de comunicação do Sínodo da Amazônia. 

Filho da Igreja

Padre Modino esteve em Roma acompanhando os bispos dos Regionais Norte1 e Noroeste da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) por ocasião da visita ad limina e conversou com Silvonei José nos estúdios Vatican News.

O sacerdote tem se dedicado longos anos na evangelização em terras da Amazônia. Ao ser questionado sobre o caminho para chegar à região afirmou: “Logo após ser ordenado sacerdote, trabalhei em uma paróquia em Madri e esta tinha uma Igreja irmã na Arquidiocese de Feira de Santana, uma paróquia em Serrinha. Naquele período não existia a Arquidiocese de Feira de Santana e Serrinha ainda não era diocese. Fomos ao Brasil acompanhando um grupo de jovens que desejavam conhecer a missão e também a proposta de ter uma aproximação maior entre as Igrejas irmãs.

Estando em Serrinha percebi uma necessidade de evangelização e pedi que voltasse para aquelas terras. Neste primeiro momento não teve sucesso o pedido de ir para o Brasil, mas em 2006 fui enviado à Diocese de Rui Barbosa, também no interior da Bahia, onde atuei até o início de 2016. Após 10 anos fui enviado à Diocese de São Gabriel da Cachoeira, Amazonas, para acompanhar comunidades indígenas, principalmente entre as fronteiras com a Colômbia e Venezuela, uma experiência enriquecedora.

Já em 2018 fui convidado a trabalhar na equipe de comunicação da REPAM (Rede Eclesial Pan-Amazônica) em preparação para o Sínodo da Amazônia. Nesta missão exigia-se viagens e um bom sinal de internet. Visto que no interior essas necessidades não seriam atendidas, me mudei para Manaus. Durante a preparação e o desenvolvimento do Sínodo da Amazônia colaborei na equipe de comunicação. Desde 2021 também atuo na equipe de comunicação CELAM (Conselho Episcopal Latino-Americano) e acompanho uma área missionária que está sendo criada com comunidades ribeirinhas no Rio Negro.

Ao ser questionado sobre uma possível volta à sua cidade de origem, Pe. Modino - como é conhecido - não tem dúvidas em afirmar: “Em meus pensamentos está a decisão de continuar no Brasil, mas entendo que sou filho da Igreja e se o arcebispo de Madri chamar para voltar, teria que voltar.”

As dores dos povos na Amazônia

Desde 2016 o sacerdote espanhol se dedica à Igreja presente na Amazônia, à qual o Papa Francisco sempre faz referências, tendo já escrito o Documento Querida Amazônia,  no qual reflete sobre os sonhos eclesiais para a Igreja daquela região do Brasil.

Sobre os sinais que a Amazônia tem dado pela voz da Igreja, o padre diz: “os principais clamores são os dos povos e da terra, estes estão interligados. O sofrimento do bioma Amazônico provoca sofrimento na vida do povo, que reflete principalmente na vida dos mais pobres. São situações de lugares como escolas que são precários que provoca profundas dores.

A saúde dos ribeirinhos e comunidades indígenas é de grande sofrimento e padeceram muito mais durante o período da pandemia. Sobre a poluição, garimpo, pesca predatória, invasão de terras e devastação digo que são situações de calamidades e não há respeito pela lei. Isso tem resultado em migrações dos povos das comunidades e que se torna um perigo. Ao sair de suas comunidades, ribeirinhos e indígenas migram para as grandes cidades e isso facilita a invasão das terras, pois estes povos ao estar em seus terrenos conseguem cuidar e proteger.”

Crescer a presença da Igreja na Amazônia

A presença da Igreja na região da Amazônia também foi destaque da conversa: “Tenho que reconhecer que a nossa presença ainda é muito limitada, muitas vezes por falta de possibilidade. É preciso procurar meios para que essa presença seja maior e sem atropelos de tempo. Quando se visita uma comunidade carece ficar ao menos um dia inteiro para realizar um bom trabalho. Seria uma “perda de tempo” na mentalidade ocidental, mas é perder tempo na companhia das pessoas, com diálogos e momentos de acompanhamentos da vida daquela comunidade. Geralmente em uma comunidade se mora cerca de quatro à cinco famílias, em um total de trinta pessoas.

Não é fácil aplicar uma formação sistemática, pois eles rezam a partir do próprio sentimento. Mas com um bom acompanhamento é possível passar de uma Igreja de visita para uma Igreja de presença.”

Caminhos possíveis para a Igreja na Amazônia

A presença da Igreja seria mais forte se houvesse uma maior quantidade de sacerdotes, pois o número é reduzido. Um trabalho com jovens daquela região para o caminho sacerdotal seria um bom caminho.

Pe. Modino afirma que este é um percurso que precisa ser trilhado: “Devemos incentivar as vocações locais. Mas a grande dificuldade está por conta do período da pandemia que reduziu drasticamente o número de vocações. Precisamos ampliar o horizonte que o presbítero deve ser ordenado para a Igreja particular e também universal. O sentimento missionário deveria ser mais trabalhado nos seminários no Brasil.

Um outro caminho proposto é retomar o processo das igrejas irmãs no Brasil. O Santo Padre tem incentivado também a presença de casas religiosas na Amazônia. Devemos buscar caminhos para uma maior presença nas comunidades.

Os evangelizadores do povo na Amazônia também devem fazer alguns esforços para que o evangelho seja anunciado. Um exemplo de esforço que podemos dar é aprender a língua dos povos indígenas, para atender confissão, cantar como eles e até mesmo celebrar a Santa Missa. Estes povos tem um sentimento de fé muito profundo.”

A vida nos rios

Uma nova experiência que o sacerdote o vive é com as comunidades ribeirinhas. Sobre esse novo trajeto ele diz: “Posso dizer que essas novas comunidades são frutos das migrações que os povos originários fazem para cidade. São comunidades de indígenas que moravam no alto do rio Negro e vão para essas comunidades mais próximas de Manaus. Se mudam para garantir saúde e educação. O número de comunidades que fazem parte desta área missionária é de 23 comunidades nos rios e que desenvolvemos acompanhamento com a ajuda de três irmãs e quatro seminaristas.

Uma experiência negativa que tivemos recente foi de sermos assaltados à mão armada no rio e levaram nosso meio de transporte. Isso não faz parar a missão, mas dificulta, estamos procurando outra voadeira para as missões nestas comunidades.

Os assaltos realizados por piratas na Amazônia não são casos isolados, mas acontecem com frequência. Nesta ocasião que fomos assaltados, digo que pela graça de Deus não atiraram em ninguém. Em outros casos levam pessoas como refém, atiram e se assaltam quando os barcos que estão no meio do rio fazem com que a tribulação pule no rio para levarem o barco e tudo que tem nele. São piratas vinculados com traficantes.

São situações que todo povo da Amazônia passa, que nós também passamos, mas não perdemos a motivação.”

Servir e ser um com povo

Para concluir o sacerdote enfatizou o processo de escuta do Sínodo da Amazônia: “quase oitenta e sete mil pessoas foram escutadas, está foi uma experiência riquíssima que sendo vivenciada por toda Igreja presente na Amazônia. Estamos criando a cultura de escuta que pode ajudar as pessoas terem laços com a Igreja e resulta em comprometimento.

As pessoas se sentem valorizadas quando são escutadas. Servir e ser um com povo esse deve ser nosso testemunho.”   

Marília de Paula Siqueira

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quarta-feira, 6 de julho de 2022

Seminário Nacional de Catequese, de 11 a 15 de julho,

comemora os 30 anos do Catecismo da Igreja Católica 

Neste ano de 2022 comemora-se os 30 anos da publicação do Catecismo da Igreja Católica, ocorrido em 11 de outubro de 1992. Para promover a recordação acerca do ambiente de recepção do texto do Catecismo, bem como favorecer a ampliação e o aprofundamento de seu conhecimento no Brasil, a Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico-Catequética da CNBB tem realizado uma série de eventos comemorativos e formativos.

No próximos dias 11 a 15 de julho, a Comissão realiza o Seminário Nacional de Catequese – já comum nas programações – com o tema “Catecismo da Igreja Católica: 30 anos”. A iniciativa acontece de forma online, com transmissão pelo YouTube da CNBB e da Catequese no Brasilsempre às 19h30.

A semana catequética terá como objetivo aprofundar temáticas presentes no Catecismo em vista de ajudar o Povo de Deus em um maior conhecimento dos ensinamentos da Igreja e da vivência da fé em Cristo Jesus. 

A programação pode ser conferida abaixo:

11/07 – Segunda-feira  

Saudações de dom Rino Fisichella, presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização; e dom Jaime Spengler, vice-presidente da CNBB.

Conferência – O Catecismo da Igreja Católica e sua importância para a missão da Igreja  com assessoria de dom Antônio Luiz Catelan Ferreira, bispo Auxiliar do Rio de Janeiro e professor na PUC Rio .

12/07 – Terça-feira  

Saudação de dom José Antônio Peruzzo, presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico-Catequética da CNBB.

1ª Conferência – Fundamentos bíblicos no Catecismo da Igreja Católica – Antigo Testamento  com assessoria do frei Vicente Artuso, professor na PUC Paraná.

2ª Conferência – Fundamentos bíblicos no Catecismo da Igreja Católica- Novo Testamento com assessoria do Cláudio Vianney Manzoni, professor na Universidade Católica de Pernambuco.

13/07 – Quarta-feira  

Saudação de dom Waldemar Passini Dalbello, membro da Comissão Bíblico-Catequética da CNBB.

Conferência – Patrística no Catecismo da Igreja Católica com assessoria do padre André Luiz Rodrigues da Silva, professor na PUC Rio.

14/07 – Quinta-feira 

Saudação de dom Armando Bucciol, membro da Comissão Bíblico-Catequética da CNBB. 

1ª Conferência – Aspectos cristológicos no Catecismo da Igreja Católica com assessoria da irmã Sueli da Cruz Pereira,  membro do Grupo de reflexão bíblica e catequética da CNBB. 

2ª Conferência – Aspectos mariológicos no Catecismo da Igreja Católica com assessoria da irmã Maria Freire, professora na PUC SP.

15/07 – Sexta-feira   

Saudação de dom Joel Portella Amado, secretário-geral da CNBB.

Conferência – Catequética e pastoral no Catecismo da Igreja Católica com o padre Abimar Oliveira de Moraes, professor na PUC Rio. 

O Catecismo da Igreja Católica (CIC)

O Catecismo da Igreja Católica é uma exposição sistemática da doutrina Católica publicada no ano de 1992. A apresentação do seu conteúdo está organizada em quatro partes, a saber, a fé professada (a explicação do Credo), a fé celebrada (a apresentação da liturgia da Igreja), a fé vivida (a moral ou exigências dos mandamentos) e a fé rezada (a vida de oração da Igreja).

As bases que fundamentam toda essa apresentação são: a Sagrada Escritura, a Tradição Apostólica e o Magistério da Igreja. Esse conteúdo constitui a riqueza do pensamento da Igreja sobre os mais variados assuntos e dimensões da vida da pessoa humana, da Igreja e da sociedade.

Como adquirir o seu?

No site da Editora da CNBB, a Edições CNBB, no link: Catecismo da Igreja Católica.

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Papa Francisco:

os idosos, um presente para o futuro da humanidade

Nesta primeira quarta-feira de julho, o mês em que as audiências gerais estão suspensas, recordamos as recentes catequeses do Papa Francisco sobre a velhice dadas no encontro com os fiéis nas quartas-feiras. Uma sociedade é "estéril", recorda o Pontífice em suas várias catequeses, "quando não há diálogo entre idosos e jovens".

Os idosos, "nunca foram tão numerosos como agora", e frequentemente vistos como "um fardo", especialmente quando prevalece a cultura do descarte e da produtividade. Na dramática primeira fase da pandemia, eles pagaram "o preço mais alto". Nos totalitarismos do século XX, "o ícone dominante" era a exaltação da juventude, combinada com o desprezo pelos velhos. A velhice, na realidade, é um presente "para todas as idades da vida". Foi nesse sentido que o Papa Francisco iniciou em 23 de fevereiro de 2022 um itinerário de catequese sobre o significado e o valor da velhice. Um itinerário marcado pelo exemplo de figuras bíblicas, incluindo Moisés, Eleazar e Judite, e que traça um perfil da pessoa idosa diferente daquele muitas vezes proposto pela cultura dominante. Não apenas de uma pessoa frágil, por causa de duras provas como a da doença, mas de um testemunho insubstituível capaz de transmitir para as novas gerações sabedoria, valores, fé.

Os ritmos da velhice

As oportunidades associadas à longevidade são o foco da audiência geral em 2 de março de 2022. "A velhice, certamente, impõe ritmos mais lentos: mas não são apenas tempos de inércia. De fato, a medida destes ritmos", explica Francisco, "abre, para todos, espaços de significado na vida desconhecidos à obsessão da velocidade". O Papa também lembra que a aliança de gerações é indispensável. Uma sociedade é "estéril" e "sem futuro", quando "os velhos não falam com os jovens" e "os jovens não falam com os velhos". "Perder tempo" com seus filhos, avós e anciãos "fortalece a família humana".

A voz profética dos idosos

Os idosos são um recurso para os jovens. Na audiência geral de 16 de março de 2022, o Papa enfatizou, em particular, que a sabedoria dos idosos é uma palavra profética "ir contra a corrupção". O mundo precisa de "jovens fortes" e "idosos sábios". E os idosos, lembra o Pontífice, devem "ser profetas contra a corrupção, assim como Noé foi o profeta contra a corrupção de seu tempo, porque ele era o único em quem Deus confiava".

 Memória e testemunha

O foco da audiência geral de 23 de março de 2022 é o exemplo de Moisés que, no final de seus dias, proclama o nome do Senhor, transmitindo às novas gerações o legado de sua história vivida com Deus. "Moisés vê a história e transmite a história". Os idosos, acrescenta Francisco, "veem a história e transmitem a história". "Uma velhice à qual é concedida esta lucidez é um dom precioso para a geração que há de vir".

Amor por uma vida vivida

Na audiência geral de 20 de abril de 2022, o Papa Francisco enfatizou que nem sempre há nas sociedades a atenção de devolver aos nossos idosos o amor recebido. Honra pela vida vivida, "não é uma questão para velhos". Ao contrário, " trata-se de uma ambição que fará brilhar a juventude que herda as suas melhores qualidades”.

A aliança entre gerações abre o futuro

Na catequese da audiência geral de 27 de abril de 2022, Francisco relê o vínculo bíblico entre a jovem viúva Rute e sua sogra idosa Noemi. É "um ensinamento precioso sobre a aliança de gerações" com a juventude - diz o Papa - "capaz de dar novo entusiasmo à idade madura" e à velhice "capaz de reabrir o futuro para a juventude ferida".

Uma velhice generosa

Judite, a heroína bíblica, é um exemplo da contribuição que as pessoas de mais idade podem dar às famílias e à sociedade. O Papa Francisco recorda disso em sua catequese de 11 de maio de 2022. O heroísmo, diz o Santo Padre, "não é apenas o dos grandes acontecimentos sob as luzes da ribalta", mas é também "encontra-se na tenacidade do amor derramado numa família difícil e a favor de uma comunidade ameaçada".

O sentido das coisas da vida

Uma razão inafetiva e irresponsável tira o sentido e energias também ao conhecimento da verdade, o perigo é dar espaço à indiferença. O Papa Francisco, recordando as páginas bíblicas de Qohélet, nos lembra disso na audiência geral de 25 de maio de 2022. A terceira idade pode abrir um novo caminho: "se os idosos, que agora viram tudo, mantêm intacta sua paixão pela justiça, então há esperança no amor, e também na fé".

Cuidar dos idosos

Dos idosos aprendemos o dom de "abandonar-nos aos cuidados dos outros e de Deus". O Papa Francisco enfatizou isto em sua audiência geral em 1º de junho de 2022, apontando também a necessidade de reformar uma civilização e uma política que marginalizam a velhice e a doença. "A sociedade como um todo deve apressar-se a cuidar dos seus idosos – são o tesouro!  –  cada vez mais numerosos, e com frequência também mais abandonados".

Os idosos caminham em direção ao Eterno

Na catequese da audiência geral de 8 de junho de 2022, o Pontífice, recordando a figura de Nicodemos, lembra que a missão do idoso é dissipar "a ilusão tecnocrática de uma sobrevivência biológica e robótica" e abrir-se "à ternura do ventre criador e gerador de Deus". O velho, afirma Francisco, caminha para a frente, rumo ao Eterno e se prepara para o "nascimento do alto".

Os idosos e a doença

O relato na versão evangélica de Marcos sobre a cura da sogra de Simão, que ainda não se chama Pedro, é o foco da catequese de 15 de junho de 2022. "A doença pesa sobre os idosos de uma maneira diferente e nova do que quando se é jovem ou adulto. É como um golpe duro que cai em um momento já difícil". Jesus, lembra o Papa, não visita sozinho aquela idosa doente, vai com seus discípulos. É precisamente a comunidade cristã que deve cuidar dos idosos: parentes e amigos, mas também a comunidade”.

Seguir sempre Jesus

No percurso de catequeses sobre a velhice, a meditação de 22 de junho de 2022 focaliza o diálogo entre Jesus ressuscitado e Pedro no final do Evangelho de João. O Pontífice aborda o tema da fraqueza senil que leva à dependência dos outros. "O seguimento de Jesus continua sempre, com boa saúde, sem boa saúde. É preciso seguir "Jesus sempre, a pé, de corrida, lentamente, de cadeira de rodas, mas segui-lo sempre".

"A vida da pessoa idosa é uma despedida, uma despedida lenta, mas uma despedida alegre". E é lindo, acrescenta por fim Francisco, quando uma pessoa idosa pode dizer o seguinte: 'Eu vivi a vida, esta é minha família; vivi a vida, fui um pecador, mas também fiz o bem'. É esta paz que vem. Esta é a despedida do idoso.

Amedeo Lomonaco

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O Papa recorda o cardeal Hummes:

pediu-me que não me esquecesse dos pobres

No telegrama de pesar pela morte de dom Cláudio, Francisco recorda os "longos anos de seu dedicado e zeloso serviço, sempre pautado pelos valores evangélicos", e seu compromisso "em anos recentes pela Igreja que caminha na Amazônia".

O Papa Francisco enviou um telegrama de pesar ao arcebispo metropolitano de São Paulo, cardeal Odilo Pedro Scherer, pelo falecimento do cardeal Cláudio Hummes, na última segunda-feira (04/07).

Francisco recebeu "com profundo pesar a notícia do falecimento do eminentíssimo cardeal Cláudio Hummes", antecessor de Dom Odilo "na condução pastoral da dileta Arquidiocese de São Paulo".

"Quero assegurar-lhe dos sufrágios que elevo ao altíssimo pelo eterno descanso deste querido irmão. Minhas preces são também de gratidão a Deus pelos longos anos de seu dedicado e zeloso serviço, sempre pautado pelos valores evangélicos, à Santa Mãe Igreja nos diversos encargos pastorais que lhe foram confiados tanto no Brasil quanto na Cúria Romana, e por seu empenho em anos recentes pela Igreja que caminha na Amazônia", ressalta o Papa no telegrama.

"Trago sempre vivas na memória as palavras que dom Cláudio me disse no dia 13 de março de 2013, pedindo-me que não me esquecesse dos pobres", escreve Francisco, enviando a bênção apostólica ao arcebispo de São Paulo e a todos os que se unem em oração para as exéquias do cardeal Hummes, como penhor de consolação e de esperança na vida eterna.

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terça-feira, 5 de julho de 2022

Dom Cláudio,

profeta da Amazônia

O presidente da Repam, Dom Evaristo Spengler, visitou o Vatican News na manhã desta terça-feira e concedeu uma entrevista em que ressalta a “profecia” de Dom Cláudio, revelando que o Papa Francisco falou de seu amigo durante a audiência realizada uma semana atrás por ocasião da visita ad Limina dos bispos dos regionais Norte 2 e 3 da CNBB. O Pontífice disse que Dom Cláudio estava chegando ao seu fim e que havia enviado um telegrama a ele, garantindo suas orações.

“Louvado sejas, meu Senhor, pela irmã nossa, a morte corporal, da qual nenhum homem vivente pode escapar.”

Com esta frase de São Francisco de Assis, a Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM-Brasil) expressa seu pesar, mas ao mesmo tempo gratidão pela celebração da páscoa do Cardeal Dom Claudio Hummes, OFM.

“Agradecemos ao Senhor a vida, a vocação e o serviço de Dom Claudio vividos e dedicados em favor do Reino de Deus. (...) Convencido de que “o Cristo aponta para a Amazônia” não mediu esforços em abrir caminhos que para uma Igreja com rosto amazônico, encarnada e comprometida com os povos, a cultura e o meio ambiente da Amazônia.”

A direção da Repam recorda a trajetória de Dom Cláudio, afirmando que deixa um legado que inspirará a evangelização na Amazônia. “Nossa gratidão a Deus. Agora o ofertamos de volta ao Pai.”

O presidente da Repam, Dom Evaristo Spengler, visitou o Vatican News na manhã desta terça-feira e concedeu uma entrevista em que ressalta a “profecia” de Dom Cláudio, revelando que o Papa Francisco falou de Dom Cláudio durante a audiência realizada uma semana atrás por ocasião da visita ad Limina dos bispos dos regionais Norte 2 e 3 da CNBB.

O Pontífice disse que Dom Cláudio estava chegando ao seu fim e que havia enviado um telegrama a ele, garantindo suas orações.

“Mas ele parte em paz: foi a palavra do Papa. Quando ele disse para nós que Dom Cláudio parte em paz eu entendi assim: Dom Cláudio cumpriu a sua missão, aquilo que ele necessitaria fazer na sua vida ele fez, foi tão profeta que completou o seu percurso. Deixou o exemplo e caminhos abertos para nós agora trilharmos.”

Bianca Fraccalvieri

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Dom Angelo recorda o cardeal Hummes:

morreu como um verdadeiro franciscano

Nestes últimos 4 meses, o bispo auxiliar da Arquidiocese de São Paulo, dom Angelo Ademir Mezzari, foi agraciado em conviver diariamente com dom Claudio Hummes. Mesmo com o agravamento do câncer, "sempre às 7h30 da manhã lá estava ele, devagarinho: muita fé, muita fé! Uma oração intermitente, uma veneração à Eucaristia e à plena comunhão". Dom Angelo conta sobre a espera da "irmã morte" na fé, na certeza que Cristo estava junto, e que aconteceu em casa: "um verdadeiro franciscano!".

"Recebo com muita tristeza, mas também na esperança da vida da Ressurreição a notícia da morte do cardeal dom Claudio Hummes", afirmou em declaração ao Vatican News o bispo auxiliar da Arquidiocese de São Paulo, dom Angelo Ademir Mezzari. Ele está na Itália desde a semana passada por ocasião do XIII Capítulo Geral da Congregação dos Rogacionistas do Coração de Jesus, da qual já foi superior geral (2010-2016). 

Dom Angelo conta que recebeu de dom Odilo Scherer no início de março "a responsabilidade de organizar e coordenar a celebração das missas com dom Claudio sempre às 7h30", porque ele já não se sentia mais em condições de presidir sozinho as Eucaristias. Foram cerca de 4 meses de comunhão fraterna na casa de dom Claudio, que inclusive ficava na mesma região episcopal de dom Angelo, e onde na manhã desta segunda-feira (4) o arcebispo emérito de São Paulo e prefeito emérito da Congregação para o Clero faleceu aos 87 anos. Era ali na residência na zona sul de São Paulo que dom Claudio recebia cuidados paliativos após um quadro irreversível de câncer.

A graça do encontro diário com dom Cláudio

Um período de grande aprendizado para o bispo auxiliar de São Paulo que nunca tinha tido "a graça de partilhar a vida dele em vários momentos". Foram 4 meses para se aprender a viver com o sofrimento natural de uma doença "a luz da fé, do amor e da esperança", como também um tempo para se celebrar com dom Claudio e conhecer a fundo as suas mais diferentes missões:

"Estes momentos pessoais, quando a doença estava se agravando, foram para mim de grande sinal e grande testemunho. Tínhamos a graça também, pelo menos nos primeiros tempos, logo depois da missa, de tomar café com ele e, claro, também recebia outros bispos e sacerdotes que vinham."

Como é o caso de dom Odilo Scherer que, com preocupação e cuidado com dom Claudio, sempre "teve uma atitude de pai" auxiliando nas necessidades mais pontuais da doença. Uma condição física, disse dom Angelo, que nunca o impediu de demonstrar o seu "amor à Eucaristia":

"Mesmo nos últimos tempos, quando devido o avançamento do câncer, com as dificuldades no pulmão, também de respiração, teve alguns dias no hospital; o momento da Consagração era muito sagrado e ele fazia um esforço enorme - sobretudo nos últimos tempos - para rezar em voz alta também o momento da Consagração do pão e do vinho. Mas era sagrada missa, então, desde o começo até nesses últimos 4 meses, 7h30 da manhã, lá estava ele, devagarinho, os últimos tempos ainda caminhando - até caminhou nos outros dias: muita fé, muita fé! Uma oração intermitente, uma veneração à Eucaristia e à plena comunhão."

Dom Claudio esperou 'a irmã morte'

O grande testemunho de amor à Igreja era demonstrado pelo amor à Eucaristia, a Jesus Cristo, ao Papa Francisco, à Arquidiocese de São Paulo e, sobretudo, lembrou dom Angelo, à Amazônia através de um legado de muita alegria e também despojamento, já que "ele foi se despojando de tudo, com muita liberdade, deixando tudo que tinha vivido e que tinha passado, e se colocando nas mãos de Deus. Ele sabia que a sua hora iria chegar". Um aspecto que o bispo auxiliar considera fundamental e de ensinamento para todos, assim como a sua espiritualidade franciscana:

"Ele esperou a irmã morte. Nos últimos tempos não queria se submeter ao tratamento de saúde que poderia deixar de viver a dor e o sofrimento. E ele viveu a dor, o sofrimento e a perda das forças com espírito de fé e aquele espírito de alguém que estava chegando. Eu ainda celebrei com ele antes de vir para Roma, foi no dia 26 de junho, e ainda tomei um cafezinho com ele. Ele estava bem debilitado, ainda tive a oportunidade de ajudá-lo a sentar e se levantar."

“Mas, que testemunho! Estava bem tranquilo, claro, respirando com dificuldade, mas ele esperou na fé, no amor, na certeza de que Cristo estava com ele; a irmã morte que chegava. Um verdadeiro franciscano!”

Um homem que todos já conheciam como "muito sereno, altivo, se colocava diante das coisas com equilíbrio e naturalidade", mesmo tendo vivido uma história tão significativa como religioso, bispo e cardeal".

"Eu tive a graça, uma graça que é de poucos, de poder estar acompanhando ele diariamente, porque nesses últimos meses ele se recolheu nesse silêncio, nessa oração, nesse dia a dia com muita fé. E aguardava. E esperou e, como ele tanto pediu, ele morreu em casa, onde residiu nesses últimos anos, onde exerceu o seu ministério, onde foi chamado pelo Papa em relação a Repam e depois também a Ceama."

“Tu és pó e ao pó retornarás”

Segundo informações da Arquidiocese de São Paulo, o velório e os ritos fúnebres serão realizados na Catedral Metropolitana de São Paulo, com início ainda nesta segunda-feira (4). O sepultamento será na Cripta da Catedral, conforme desejo do cardeal Hummes:

"Lá na Catedral da Sé ele pediu para ser sepultado na terra. Então, lá na cripta, eles encontraram um modo lá, não nas laterais, mas no chão. Aquele espírito mesmo da vida eterna 'do pó tu és, e ao pó retornarás'. Então foi encontrado, diante de algumas dificuldades, no solo da cripta, o modo de ele ser sepultado em contato com a terra."

Andressa Collet

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segunda-feira, 4 de julho de 2022

Papa desmente rumores de renúncia

 e diz querer viajar a Moscou e Kiev

Entrevista da agência Reuters com Francisco, que disse "respeitar" a decisão da Suprema Corte dos EUA sobre o aborto e reiterou sua condenação à interrupção da gravidez.

Entrevista da Reuters com o Papa Francisco (Reuters)

O Papa Francisco nega ter qualquer intenção de renunciar ("Nunca me passou pela cabeça. Não por enquanto"), nega os rumores de que ele estaria doente de câncer. E reitera, ao invés, seu desejo de ir à Rússia e Ucrânia assim que for possível, talvez em setembro. Também diz respeitar a decisão da Suprema Corte dos EUA sobre a interrupção da gravidez e reitera sua forte condenação ao aborto. O Bispo de Roma concedeu uma longa entrevista ao correspondente da Reuters, Phil Pullella, no sábado. O encontro durou cerca de 90 minutos e este é um relato inicial com alguns dos conteúdos publicados pela agência.

Como é sabido, de acordo com vários artigos e comentários na mídia, alguns eventos recentes ou programados (desde o consistório no final de agosto até a visita a L'Aquila onde Celestino V, que renunciou em 1294, está enterrado) sugeririam a intenção do Papa de renunciar ao pontificado. Mas Francisco desmentiu esta interpretação: "Todas estas coincidências fizeram alguns pensarem que a mesma 'liturgia' ocorreria. Mas isso nunca me passou pela cabeça. Não por enquanto, não por enquanto. Realmente!" Ao mesmo tempo, o Papa, como havia feito várias vezes no passado, explicou que a possibilidade de renunciar é levada em consideração, sobretudo após a escolha feita por Bento XVI em 2013, caso a saúde o impossibilite de continuar em seu ministério. Mas quando perguntado quando isso poderia acontecer, respondeu: "Não sabemos. Deus dirá", com palavras semelhantes às usadas na sexta-feira 1º de julho em uma entrevista com a agência de notícias Télam.

Sobre a questão dos problemas no joelho, Francisco falou sobre o adiamento da viagem à África e da necessidade de terapia e descanso. Ele disse que a decisão de adiar lhe causou "muito sofrimento", sobretudo porque ele queria promover a paz tanto na República Democrática do Congo quanto no Sudão do Sul. O Papa, observa o entrevistador, usou uma bengala para entrar na sala de recepção no andar térreo da Casa Santa Marta, no Vaticano. E em seguida deu detalhes sobre o estado de seu joelho, dizendo que sofreu "uma pequena fratura" quando deu um passo falso enquanto um ligamento estava inflamado. "Estou bem, estou melhorando lentamente", acrescentou, explicando que a fratura está curando, auxiliada pela terapia com laser e magnetes.

Em seguida, Francisco desmentiu os rumores de que havia sido diagnosticado com câncer há um ano, quando foi submetido a uma operação de seis horas para remover uma parte de seu cólon devido a diverticulite, uma condição comum em idosos. "A operação foi um grande sucesso", disse o Papa, acrescentando com um sorriso em seu rosto que "eles não me disseram nada" sobre o suposto câncer, o que descartou como "fofocas de corte". Sucessivamente, declarou à Reuters que não queria uma operação no joelho porque a anestesia geral da cirurgia do ano passado tinha tido efeitos colaterais negativos.

A entrevista abordou em seguida questões internacionais. Falando da situação na Ucrânia, Francisco observou que houve contatos entre o Secretário de Estado Pietro Parolin e o Ministro das Relações Exteriores russo Sergei Lavrov, sobre uma possível viagem a Moscou. Os sinais iniciais não eram bons. Falou-se desta possível viagem pela primeira vez há vários meses, disse o Papa, explicando que Moscou respondeu que este não era o momento certo. Deixou entender, no entanto, que algo poderia ter mudado agora. "Eu gostaria de ir à Ucrânia e queria ir primeiro a Moscou. Trocamos mensagens sobre isso, porque pensei que se o presidente russo me concedesse uma pequena janela para servir a causa da paz.... E agora é possível, depois que eu voltar do Canadá, que eu consiga ir à Ucrânia. A primeira coisa a fazer é ir à Rússia para tentar ajudar de alguma forma, mas eu gostaria de ir às duas capitais."

Por fim, o Papa na entrevista com Phil Pullella tocou no assunto da decisão da Suprema Corte dos EUA que derrubou a histórica decisão Roe contra Wade que estabelecia o direito de uma mulher a abortar, Francisco disse que respeitava a decisão, mas não tinha informações suficientes para falar sobre ela de um ponto de vista jurídico. Mas também condenou fortemente o aborto, comparando-o - como havia feito muitas vezes antes - à "contratação de um sicário". "Eu pergunto: é legítimo, é justo, eliminar uma vida humana para resolver um problema?"

O Papa também foi solicitado a comentar sobre o debate em curso nos Estados Unidos sobre se um político católico, que se opõe pessoalmente ao aborto, mas apoia o direito de outros de escolher, pode receber a comunhão. A presidente da Câmara dos Deputados, Nancy Pelosi, por exemplo, foi proibida de receber a Eucaristia pelo arcebispo de sua arquidiocese, São Francisco, mas recebe regularmente a comunhão em uma paróquia em Washington, e na semana passada recebeu a comunhão de um padre durante a Missa em São Pedro presidida pelo Pontífice.

"Quando a Igreja perde sua natureza pastoral, quando um bispo perde sua natureza pastoral, isto causa um problema político", comentou o Papa. "Isto é tudo o que posso dizer."

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O Brasil perde na terra um grande e santo pastor:

faleceu o Cardeal Cláudio Hummes

O arcebispo de São Paulo (SP), cardeal Odilo Pedro Scherer, comunicou o falecimento do cardeal Cláudio Hummes, arcebispo emérito de São Paulo e prefeito emérito da Congregação para o Clero, na manhã desta segunda-feira, 4 de julho, aos 87 anos. Segundo dom Odilo, dom Cláudio Hummes “suportou com paciência e fé em Deus” a prolongada enfermidade que o vitimou. 

“Convido todos a elevarem preces a Deus em agradecimento pela vida operosa do falecido Cardeal Hummes e de sufrágio em seu favor, para que Deus o acolha e lhe dê a vida eterna, como creu e esperou. Deus acolha em suas moradas eternas nosso irmão falecido, cardeal Cláudio Hummes, e faça brilhar para ele a luz eterna”, afirmou o cardeal Odilo.

O velório será realizado na Catedral Metropolitana de São Paulo, onde serão celebradas Missas em diversos horários a serem oportunamente divulgados. A Presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou nota de pesar. 

Trajetória

O cardeal Cláudio Hummes, franciscano da Ordem dos Frades Menores, nasceu no município de Montenegro (RS), em 8 de agosto de 1934. Filho de Pedro Adão Hummes e Maria Frank Hummes, recebeu de batismo os prenomes Auri Afonso. Ingressou na Ordem dos Frades Menores em 1º de fevereiro de 1952, onde emitiu os primeiros votos no dia 2 de fevereiro de 1953 e professou solenemente no dia 2 de fevereiro de 1956, quando então mudou seu nome para “Cláudio”.  

Foi ordenado presbítero no dia 3 de agosto de 1958. Em seguida, enviado a Roma, ali doutorou-se em filosofia na atual Universidade Antonianum, em 1963. Também especializou-se em Ecumenismo pelo Instituto Ecumênico de Bossey, de Genebra, Suíça.  

De volta ao Brasil, foi professor de filosofia na Escola de Filosofia da O.F.M. e na Pontifícia Universidade Católica de Porto Alegre (RS). De 1968 a 1972, foi diretor da Faculdade de Filosofia de Viamão (RS). De 1972 a 1975, foi Superior Provincial dos Franciscanos. 

Em 22 de março de 1975, foi eleito bispo coadjutor de Santo André (SP), com direito à sucessão. Em 25 de maio de 1975, aos 40 anos de idade, recebeu a ordenação episcopal, na Catedral de Porto Alegre (RS), sendo sagrante principal o cardeal Aloísio Lorscheider. No mesmo ano, assumiu como bispo titular e ali permaneceu por 21 anos.  

Em 29 de maio de 1996, foi nomeado arcebispo de Fortaleza (CE) e, em 15 de abril de 1998, foi transferido para a Sé de São Paulo, tomando posse em 23 de maio. Em 2001, foi criado cardeal pelo Papa João Paulo II, permanecendo ainda como arcebispo de São Paulo até 2006, quando então foi chamado para Roma para ocupar o cargo de Prefeito da Congregação para o Clero, onde permaneceu até ser substituído por limite de idade, no final de 2010. 

Novamente de volta ao Brasil, foi nomeado presidente da Comissão Episcopal para a Amazônia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), cargo que exerceu até março de 2022. Em 2014, ajudou a criar a Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam), da qual foi o primeiro presidente. Foi relator-geral do Sínodo para a Amazônia, em 2019, e, de julho de 2020 a março de 2022, presidiu a recém-criada Conferência Eclesial da Amazônia (Ceama). 

Entre 1979 e 1983, dom Cláudio Hummes foi membro da Comissão Episcopal da CNBB para o Ecumenismo e para os Leigos. Assessorou a Pastoral Operária de 1979 a 1990. Na década de 1990, foi membro da Comissão Episcopal da CNBB para a Família e a Cultura, ele foi um dos responsáveis por organizar o II Encontro Mundial das Famílias com o Papa João Paulo II, no Rio de Janeiro, em 1997. Ele também abençoou o terreno e deu início às obras da Secretaria Executiva Nacional da Pastoral Familiar (Secren), em Brasília (DF). 

Mais recentemente, foi legado pontifício do Papa Francisco para o XVII Congresso Eucarístico Nacional, realizado em Belém, em 2016. Em 2019, foi relator da Assembleia Especial dos Bispos para a Região Pan-Amazônica.  

Foi o ordenante principal das sagrações episcopais de 20 bispos. 

O cardeal presidiu a celebração, em outubro de 2019, que reeditou o Pacto das Catacumbas, na catacumba de Santa Domitilia, em Roma. Trata-se de um ato, cujo um dos organizadores foi dom Hélder Câmara, realizado às vésperas da conclusão do Concílio Vaticano II, em 1965. Dom Hélder foi um dos redatores do documento assinado por cerca de 40 bispos latino-americanos à época. Em 2019, durante o Sínodo para a Amazônia, recebeu o nome “Pacto das Catacumbas pela Casa Comum” e foi organizado por dom Erwin Kräutler, e reafirmou a opção pelos pobres assumida pelos prelados da América Latina.

Cardeal Cláudio Hummes preside celebração do Pacto das Catacumbas
Foto Guilherme Cavali

No Vaticano  

Foi membro da Congregação para a Doutrina da Fé, da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos e da Congregação para os Bispos. E também dos Pontifícios Conselhos para a Cultura, para os Leigos, para a Família, para o Diálogo Inter-Religioso, Cor Unum, da Pontifícia Comissão para a América Latina e do Conselho Ordinário da Secretaria Geral do Sínodo dos Bispos. 

Conclaves 

Em 2005, por ocasião do Conclave que elegeria Bento XVI à Cátedra de Pedro, o cardeal Cláudio Hummes disse que o futuro Papa deveria preocupar-se com três coisas: a discussão das novidades da ciência na área da bioética e da biogenética; a ampliação do diálogo inter-religioso e a pobreza no mundo.  

Em 2007, esteve próximo do cardeal argentino Jorge Mário Bergoglio quando este foi o relator do documento conclusivo da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e Caribenho, em Aparecida. Para dom Cláudio, Bergoglio “foi um dos mais importantes atores” daquela conferência e “deixou muito dele mesmo, da sua experiência e da sua visão de evangelização” no Documento de Aparecida, cujas reflexões “através desse Papa é universalizado para a Igreja inteira”.  

A relação de amizade com Bergoglio também deu origem a uma curiosidade em relação à escolha do nome pontifício, em 2013. Quando a contagem dos votos indicava a eleição de Bergoglio para a sucessão papal, dom Cláudio Hummes soprou aos ouvidos do cardeal argentino: “Não se esqueça dos pobres”. Com esse recado, Bergoglio, simbolicamente, mesmo sendo jesuíta, escolheu o nome Francisco, pela primeira vez na história da Igreja.     

Nota de pesar pelo falecimento do Cardeal Cláudio Hummes 

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) une-se em solidariedade aos familiares, à arquidiocese de São Paulo, aos Franciscanos e aos amigos do cardeal Cláudio Hummes, falecido nesta segunda-feira, 4 de julho de 2022. E manifesta o pesar pela Páscoa deste irmão, renovando a confiança na ressurreição.  

Cardeal Cláudio Hummes marcou a Igreja no Brasil com sua atuação, de forma particular durante o ministério episcopal, que soma quase cinco décadas. Foi bispo coadjutor e bispo titular de Santo André, em São Paulo, e arcebispo das arquidioceses de Fortaleza, no Ceará, e de São Paulo.  

Desde o início do seu ministério episcopal, contribuiu na missão desta Conferência Episcopal nas dimensões do Ecumenismo, dos leigos, da família, da cultura e, mais recentemente na realidade da Amazônia. Também atuou por vários anos à frente da Pastoral Operária. 

Toda a dedicação de dom Cláudio à ação pastoral no Brasil o fez ser chamado para o cardinalato e para colaborar na Cúria Romana, tanto em Assembleias Sinodais, quanto nas diversas Congregações das quais foi membro e, de forma especial, na Congregação para o Clero, da qual foi prefeito entre 2006 e 2010. 

A CNBB recorda o que foi destacado pelo Papa Bento XVI, quando dom Cláudio renunciou a função à frente da Congregação para o Clero, por limite de idade. O pontífice agradeceu pelo “bem realizado no longo e fiel serviço à Igreja” e salientou que Hummes dedicou “incansavelmente, com alegria e competência, toda tua energia pela causa do Reino de Deus”. Resta parafrasear o hoje Papa Emérito, pois assim o fez dom Cláudio até aqui.  

Nos últimos anos, o seu empenho permitiu novo impulso à presença da Igreja na Amazônia, ao favorecer, por meio da Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM), maior articulação, escuta às dores e alegrias dos povos e o protagonismo das comunidades. Esse caminho foi coroado com o Sínodo para Amazônia e a publicação da exortação apostólica Querida Amazônia. A criação da Conferência Eclesial da Amazônia, da qual dom Cláudio esteve à frente até quando sua saúde permitiu, também revela o esforço para realizar os sonhos apontados pelo Papa Francisco para a região amazônica.  

Roguemos a Deus que acolha o eminentíssimo cardeal Cláudio Hummes em seu Reino e lhe dê o descanso eterno. Possamos imitar seu testemunho de comprometimento com a causa do Reino, com a comunhão eclesial e com o cuidado com os pobres e com a casa comum.  

Em Cristo, 

Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo de Belo Horizonte (MG)
Presidente da CNBB

Dom Jaime Spengler
Arcebispo de Porto Alegre (RS)
1º Vice-presidente da CNBB

Dom Mário Antônio da Silva
Arcebispo de Cuiabá (MT)
2º Vice-presidente da CNBB

Dom Joel Portella Amado
Bispo auxiliar da arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro (RJ)
Secretário-geral

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