Tempo forte na
liturgia da Igreja e na vida dos cristãos, o Natal tem um período especial de
preparação, assim como a Páscoa. As quatro semanas que antecedem a data em que
a Igreja celebra o nascimento de Jesus são dedicadas ao Tempo do Advento,
período de esperança pela vinda do Salvador. Para auxiliar na vivência desse
tempo, pastorais e organismos eclesiais vinculados à Conferência Nacional dos
Bispos do Brasil (CNBB) tem promovido iniciativas com o objetivo de que
corações e mentes possam acolher o Menino Jesus em 25 de dezembro.
É tempo de um
admirável sinal, como o Papa Francisco ressalta em sua carta sobre o presépio:
“Ao mesmo tempo
que contemplamos a representação do Natal, somos convidados a colocar-nos
espiritualmente a caminho, atraídos pela humildade d’Aquele que Se fez homem a
fim de Se encontrar com todo o homem, e a descobrirmos que nos ama tanto, que
Se uniu a nós para podermos, também nós, unir-nos a Ele”.
Confira algumas
das iniciativas promovidas neste Advento:
Novena de Natal
A mais tradicional
forma de preparação para o Natal é a celebração da Novena de Natal nas famílias
e comunidades em todo o Brasil. Para este ano, a Edições CNBB preparou um
roteiro para os encontros a partir do pilar da Palavra.
“Jesus é o
semeador divino! Continua a semear no coração dos homens a sua Palavra de
Salvação. A Novena convida-nos à catequese em nossas casas, a reunir todas as
pessoas que estavam distantes. Com a ternura materna de Maria e o silêncio
oblativo de José, acolhemos, protegemos, promovemos e integramos em nossa casa
todas as famílias para a festa da Encarnação do Verbo de Deus”, motiva a
editora.
O livreto da
novena de Natal acompanha os fiéis no caminho litúrgico do Advento na unidade
eclesial, refletindo, com simplicidade doméstica, a chegada do Menino Deus que
sempre vem ao nosso encontro para nos salvar e garantir a vida.
A Comissão
Episcopal Pastoral para a Vida e a Família da CNBB, por meio da Comissão
Nacional da Pastoral Familiar (CNPF) propôs para este tempo do Advento a campanha
“Minha Família acolhe o Menino Jesus”, uma iniciativa que pretende resgatar e
fortalecer nas casas o verdadeiro sentido natalino para os cristãos, que é o
nascimento do Salvador. Neste tempo do advento, a CNPF oferece informações e
reflexões a respeito do presépio a partir da carta Admirável Sinal, publicada
pelo Papa Francisco em dezembro do ano passado.
As famílias são
convidadas a prepararem o ambiente doméstico para receber o Menino Jesus e
compartilharem os preparativos por meio de fotos e vídeos com a hashtag
#presepioemcasa. Outra sugestão da Pastoral Familiar é que os membros das
famílias fiquem alguns momentos longe da internet para dedicarem-se uns aos
outros. Além da montagem dos presépios, os agentes são convidados a celebrar em
família a Novena de Natal.
Assista ao vídeo:
Ele vencerá
A Comissão
Episcopal Pastoral para a Juventude tem em sua programação uma série de vídeos
para cada domingo com reflexões sobre o Advento, intitulada “Ele vencerá”.
“A série fala
sobre a força do tempo do Advento e da necessidade que cada pessoa tem de se
abrir à presença gloriosa do Cristo que vem, para vencer tudo em todos. Que
mesmo diante de tantas angústias e dificuldades, há de vir Aquele que vence
tudo em nós: medos, angústias, dores e tristezas. Portanto, é um brado de
esperança. Para despertar nos jovens a esperança, pois Ele Vencerá!”, reforça a
articuladora da equipe dos Jovens Conectados, Layla Kamila.
No primeiro vídeo
da série, o bispo de Valença (RJ) e presidente da Comissão para a Juventude da
CNBB, dom Nelson Francelino Ferreira, motivou os jovens com uma palavra de
esperança.
“Queira Deus,
entrando nesta atmosfera, entrando neste sentimento, entrando nesta força deste
tempo do advento, possamos nós nos abrir para sermos curados, porque o Senhor
da glória virá tocar os nossos medos, nossas fragilidades, nossas derrotas,
nosso desespero emocional, nossas incertezas sociais, as questões procedentes
do desemprego. Eu creio Senhor, que esse advento vai acendendo, a cada semana,
a vela, a chama da Esperança”, disse o bispo.
Assista ao vídeo:
“Viu, cuidou e o
mundo inteiro se iluminou!”
A Cáritas
Brasileira retoma neste tempo do Advento a campanha 10 Milhões de Estrelas com
uma proposta inspirada na Campanha da Fraternidade deste ano. Motivam a
iniciativa o tema “Viu, cuidou e o mundo inteiro se iluminou!” e o lema “Brilhe
vossa luz para que vejam as vossas boas obras” (cf. Mt 5,16).
A cada ano, no
período do Advento e do Natal, como gesto concreto e coletivo, na perspectiva
da consolidação da cultura de paz, da justiça social e de uma espiritualidade
comprometida com a vida humana e com os direitos da natureza, a Cáritas busca
iluminar pensamentos e inspirar gestos de solidariedade humana para a
construção de um mundo socialmente mais justo para todas as pessoas e
espiritualmente mais conectado com Deus e com os irmãos e irmãs, independente
de etnia racial ou crença religiosa.
Na edição deste
ano, a inciativa objetiva animar a esperança proativa em tempos desafiadores
como o que estamos vivendo, com as consequências da pandemia de Covid-19.
Assista ao vídeo:
Celebrar em
família
Para auxiliar as
famílias em sua vivência cristã, a Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia
da CNBB continua oferecendo os roteiros “Celebrar em família”. A cada semana,
serão disponibilizados os roteiros para a celebração da Palavra de cada domingo
do Advento e, em seguida, para as celebrações do Tempo do Natal.
pessoas com
deficiência têm o direito de receber os Sacramentos
Neste Dia
Internacional das Pessoas com Deficiência, Francisco divulga uma mensagem com
um forte apelo, tanto às instituições civis quanto à Igreja, pela inclusão e
participação ativa de quem vive uma limitação física e/ou psíquica. Em âmbito
paroquial, o Papa reafirma a exigência de oferecer – de forma gratuita –
instrumentos idôneos e acessíveis para transmitir a fé, de tornar as pessoas
com deficiência em catequistas e de fazer crescer nos fiéis um “estilo acolher”
para enriquecer a vida das comunidades: “todas as celebrações litúrgicas da
paróquia deveriam estar acessíveis para que cada um possa viver a sua fé”.
Andressa Collet -
Vatican News - O Papa Francisco divulga uma mensagem neste 3 de dezembro,
instituído pela ONU há 28 anos como Dia Internacional das Pessoas com
Deficiência, com um forte apelo à criação de novas iniciativas dentro e fora da
Igreja para ajudar na construção de um mundo inclusivo para todos. O Pontífice
reconhece os passos importantes dados nos últimos 50 anos, mas volta a
encorajar ao compromisso conjunto desde o âmbito da catequese e realidades
eclesiais até às instituições civis.
No texto,
Francisco demonstra proximidade a quem atravessa situações particularmente
difíceis sobretudo durante a emergência sanitária do coronavírus. Apesar de
estarmos “todos no mesmo barco, no meio de um mar agitado”, afirma o Pontífice,
há “pessoas com deficiências graves que têm de lutar mais”.
A partir do
próprio tema da jornada deste ano, «Reconstruir melhor: rumo a um mundo
pós-Covid-19, inclusivo da deficiência, acessível e sustentável», o Papa conduz
a mensagem através da expressão “reconstruir melhor” que o lembra da parábola
evangélica da casa construída sobre a rocha ou sobre a areia (cf. Mt 7, 24-27;
Lc 6, 46-49). Por isso, aprofunda sobre a ameaça da cultura do descarte e o
fortalecimento da inclusão e da participação ativa, duas rochas para sustentar
um novo mundo de inclusão.
A cultura do
descarte
Assim como a
chuva, os rios e os ventos ameaçam a casa, a cultura do descarte “afeta
sobretudo as categorias mais frágeis, entre as quais se contam as pessoas com
deficiência”, especialmente em nível cultural. E o Papa afirma:
“Existem atitudes
de rejeição que, por causa também de uma mentalidade narcisista e utilitarista,
conduzem à marginalização, sem considerar que, inevitavelmente, a fragilidade é
de todos. [...] Assim, de modo especial neste Dia, em defesa nomeadamente dos
homens e mulheres com deficiência, é importante promover uma cultura da vida
que afirme sem cessar a dignidade de toda a pessoa, independentemente da sua
idade e condição social.”
A inclusão a
partir da Igreja e sociedade civil
A pandemia da
Covid-19 também acabou evidenciando ainda mais as disparidades e desigualdades,
com particular detrimento dos mais frágeis. Por isso, “uma primeira ‘rocha’
sobre a qual construir a nossa casa é a inclusão”, encoraja Francisco, ao
procurar “ser bons samaritanos” e não “viandantes indiferentes” ao desprezar
pessoas “com traços da deficiência e da fragilidade” que encontramos pelo
caminho:
“A inclusão
deveria ser a ‘rocha’ sobre a qual construir os programas e iniciativas das
instituições civis para que ninguém, especialmente quem enfrenta maior
dificuldade, fique excluído. A força de uma corrente depende do cuidado
dispensado aos elos mais frágeis.”
Quanto às
instituições eclesiais, o Papa reafirma a exigência de preparar instrumentos
idôneos e acessíveis para a transmissão da fé:
“Espero também que
os mesmos sejam disponibilizados, da forma mais gratuita possível, àqueles que
precisam deles, inclusivamente através das novas tecnologias que se revelaram
tão importantes para todos neste período de pandemia. Do mesmo modo encorajo,
para sacerdotes, seminaristas, religiosos, catequistas e agentes pastorais, uma
formação ordinária sobre a relação com a deficiência e o uso de instrumentos
pastorais inclusivos.”
Francisco enaltece
a importância do empenho das comunidades paroquiais em “fazer crescer, nos
fiéis, o estilo acolhedor das pessoas com deficiência”. A criação de uma
paróquia plenamente acessível, complementa o Papa, “requer não só a eliminação
das barreiras arquitetônicas, mas sobretudo atitudes e ações de solidariedade e
serviço, por parte dos paroquianos, para com as pessoas com deficiência e suas
famílias”.
A participação
ativa
Para “reconstruir
melhor” a sociedade, acrescenta o Pontífice, é preciso que a inclusão “englobe
também a promoção da participação ativa” para que as pessoas com deficiência se
tornem “sujeitos ativos” e “não só destinatários” tanto na sociedade como na
Igreja:
“Reafirmo
veementemente o direito de as pessoas com deficiência receberem os Sacramentos
como todos os outros membros da Igreja. Todas as celebrações litúrgicas da
paróquia deveriam estar acessíveis para que cada um, juntamente com os irmãos e
irmãs, possa aprofundar, celebrar e viver a sua fé. Deve ser reservada uma
atenção especial às pessoas com deficiência que ainda não receberam os
Sacramentos da iniciação cristã: poderiam ser acolhidas e inseridas no percurso
catequético de preparação para estes Sacramentos.”
O Papa, então,
traz a indicação da participação ativa na catequese das pessoas com
deficiência, que “constitui uma grande riqueza para a vida de toda a paróquia”.
Dessa forma, finaliza Francisco, é possível edificar, contra todas as
intempéries e junto à sociedade civil, a “casa” sólida, capaz de acolher também
as pessoas com deficiência, “porque construída sobre a rocha da inclusão e da
participação ativa”:
“Portanto, também
a presença entre os catequistas de pessoas com deficiência, de acordo com as
suas próprias capacidades, representa um recurso para a comunidade. Neste
sentido, deve-se favorecer a sua formação para que possam adquirir uma preparação
mais avançada nomeadamente em campo teológico e catequético. Espero que, nas
comunidades paroquiais, cada vez mais pessoas com deficiência possam tornar-se
catequistas, para transmitir a fé de maneira eficaz, inclusive com o seu
próprio testemunho (cf. Discurso no Congresso «Catequese e Pessoas com
Deficiência», 21/X/2017).”
Na intenção de
oração para este mês, o Santo Padre recorda que, por meio de uma vida de
oração, nutrimos o nosso relacionamento com Jesus Cristo. “O nosso coração muda
quando reza”, diz Francisco.
Mariangela
Jaguraba - Vatican News - Foi divulgada, nesta terça-feira (1°/12), a
videomensagem do Papa Francisco com a intenção de oração para dezembro, último
mês de 2020, ano marcado pela pandemia da Covid-19. O Santo Padre confia a
intenção de oração a toda Igreja por meio da Rede Mundial de Oração do Papa.
“O coração da
missão da Igreja é a oração. A oração é a chave para podermos entrar em diálogo
com o Pai. Cada vez que lemos uma pequena passagem do Evangelho escutamos Jesus
que nos fala. Conversamos com Jesus. Escutamos Jesus e respondemos. E isto é a
oração. Rezando, mudamos a realidade. E mudamos nossos corações. O nosso
coração muda quando reza. Podemos fazer muitas coisas, mas sem oração não
funciona. Rezemos para que nossa relação com Jesus Cristo se alimente da
Palavra de Deus e de uma vida de oração. Em silêncio, cada um reze com o
coração.”
A oração do Papa
durante a pandemia
O Papa é um homem
de oração e a videomensagem testemunha isso com imagens tiradas dos momentos
mais emocionantes de 2020: a oração pela pandemia na Praça São Pedro vazia, sua
peregrinação ao crucifixo de São Marcelo na Via del Corso, no centro de Roma,
os momentos de recolhimento diante do ícone bizantino da Salus Populi Romani na
Basílica Romana de Santa Maria Maior. Para o Papa Francisco, a oração não se
reduz apenas a um espaço ou momento de contemplação interior. A oração sempre
produz uma mudança.
A oração do Papa
em tempos de pandemia 27.03.2020
O diretor
Internacional da Rede Mundial de Oração do Papa, pe. Frédéric Fornos S.J, recorda
que a missão da Igreja está a serviço dos desafios do mundo e isso não é
possível sem oração. Francisco resumiu de forma muito simples: “O coração da
missão da Igreja é a oração”.
“Para muitos, a oração
se resume em um momento de silêncio ou reflexão, mas para aqueles que descobrem
sua profundidade é a respiração do coração.”
"A oração nos
abre para o Amor, que tem rosto, Jesus Cristo, e nos leva ao Pai. A oração é
essencial para a missão da Igreja. Rezemos para que a nossa relação pessoal com
Jesus seja sempre nutrida pela Palavra de Deus e por uma vida de oração."
O vídeo do Papa
deste mês termina com um convite especial de Francisco a rezar com o coração,
durante seu encontro com a Rede Mundial de Oração, em 28 de junho de 2019, por ocasião dos 175 anos do Apostolado
da Oração.
Na Audiência Geral do dia 4 de novembro, Francisco aproveitou
a ocasião para explicar a vida de oração que Jesus sempre teve: “Durante sua
vida pública, Jesus recorre constantemente à força da oração. Os Evangelhos nos
mostram isso quando ele se retira para lugares isolados para rezar. São
observações sóbrias e discretas, que só nos permitem imaginar esses diálogos
orantes. No entanto, eles testemunham claramente que, mesmo nos momentos de
maior dedicação aos pobres e doentes, Jesus nunca descuidou do seu diálogo
íntimo com o Pai.”
pregações do Advento com o novo cardeal Cantalamessa
O novo cardeal e
pregador da Casa Pontifícia Raniero Cantalamessa fará as meditações deste
Advento com o tema: "Ensina-nos a contar nossos dias, para que venhamos a
ter um coração sábio" (Salmo 90, 12). As meditações, com a presença do
Papa, serão realizadas na Sala Paulo VI para o devido distanciamento por causa
da pandemia.
Gabriella Ceraso –
Vatican News - A partir da próxima sexta-feira, 4 de dezembro, com a presença
do Papa, terão início as meditações para o Advento. O anúncio foi dado pela
Prefeitura da Casa Pontifícia. As meditações foram confiadas ao pregador da
Casa Pontifícia, o recém eleito Cardeal Raniero Cantalamessa O.F.M. Cap. que
escolheu para este ano o tema: "Ensina-nos a contar nossos dias, para que
venhamos a ter um coração sábio " do Salmo 90, 12.
Escolhido por João
Paulo II
Desde 23 de junho
de 1980, quando João Paulo II o escolheu como pregador, o frade capuchinho
continua o seu caminho. Neste longo período o novo cardeal teve a apreciação
por parte de três pontífices, causando muita admiração como ele mesmo teve a
oportunidade de dizer em uma recente entrevista: "Pensar", disse,
"que um Papa como João Paulo II, Bento XVI e até mesmo Francisco encontram
tempo para ouvir um pobre e simples frade capuchinho é um exemplo que eles dão
a toda a Igreja, um exemplo de estima pela Palavra de Deus. Em certo sentido,
são eles que me fazem a pregação".
Para este ano o
lugar escolhido para os três encontros de dezembro em preparação ao Natal é a
Sala Paulo VI, porque, explica a Prefeitura, responde à necessidade de permitir
a devida distância entre os participantes em termos de prevenção anti-Covid.
Os convidados às
meditações são os cardeais, arcebispos, bispos, prelados da Família Pontifícia,
funcionários da Cúria Romana e do Vicariato de Roma, os Superiores Gerais ou
Procuradores das Ordens religiosas que fazem parte da Capela Pontifícia.
O calendário das
pregações segue o do Advento, assim desde a primeira semana, 4 de dezembro,
depois sexta-feira, dia 11 a segunda semana, e finalmente sexta-feira, 18 de
dezembro, sempre às nove horas da manhã.
O Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral do Vaticano lançou um site dedicado à última encíclica do Papa Francisco ‘Fratelli Tutti’, sobre a fraternidade e a amizade social, lançada em 4 de outubro de 2020.
O site tem como objetivo divulgar a mensagem de amizade e fraternidade humana, em três línguas e com atualizações constantes. A página entrou no ar nesta terça-feira, 1º de dezembro e pode ser acessada através do link www.fratellitutti.va
De acordo com o Dicastério, o site é um espaço interativo uma vez que, através do espaço ‘Iniciativas’, todas as contribuições que igrejas, comunidades e indivíduos queiram divulgar serão recebidas e compartilhadas para colocar em prática a mensagem contida na Encíclica.
Apesar da página estar disponível, por enquanto, em três idiomas – italiano, espanhol e inglês – ela possui diversos recursos também em outros idiomas, entre eles francês, português, árabe e chinês.
Em relação a conteúdo, o site traz uma introdução sobre a encíclica e o documento para download em diversos idiomas, reflexões com comentários e análises, notícias e recursos como infográficos e materiais de aprofundamento.
O Papa frisou que
“a grande bênção de Deus é Jesus Cristo, é o grande dom de Deus, é o seu filho.
Uma bênção para toda a humanidade, uma bênção que salvou todos nós.
Mariangela
Jaguraba - Vatican News - O Papa Francisco deu continuidade ao ciclo de
catequeses sobre a oração, na Audiência Geral desta quarta-feira (02/12). “A
bênção”, uma dimensão essencial da oração, foi o tema deste encontro semanal
realizado na Biblioteca do Palácio Apostólico, por causa da pandemia de
coronavírus.
“Nas narrações da
criação Deus abençoa continuamente a vida. Abençoa os animais, abençoa o homem
e a mulher, e no final abençoa o sábado, dia de descanso e de fruição de
toda a criação. As primeiras páginas da Bíblia é uma repetição contínua de
bênçãos. Deus abençoa, mas também os homens abençoam, e depressa descobre-se
que a bênção possui uma força especial, que acompanha o destinatário ao longo
da vida e dispõe o coração humano a deixar-se mudar por Deus”, disse o Papa,
acrescentando:
Portanto, no
início do mundo há Deus que “diz bem”, que bendiz. Ele vê que cada obra das
suas mãos é boa e bela, e quando chega ao homem e completa-se a criação, Ele
reconhece que é «muito boa». Pouco tempo depois, aquela beleza que Deus
imprimiu na sua obra será alterada e o ser humano se tornará uma criatura
degenerada, capaz de difundir o mal e a morte no mundo; mas nada poderá apagar
a primeira marca de Deus, uma marca de bondade que Deus colocou no mundo, na
natureza humana, em todos nós. A capacidade de abençoar e ser abençoado. Deus
não errou com a criação, nem com a criação do homem. A esperança do mundo
reside completamente na bênção de Deus: Ele continua a nos amar, Ele primeiro,
como diz o poeta Péguy, continua esperando o nosso bem.
A grande bênção de
Deus é Jesus Cristo
O Papa frisou que
“a grande bênção de Deus é Jesus Cristo, é o grande dom de Deus, é o seu filho.
Uma bênção para toda a humanidade, uma bênção que salvou a todos nós. Ele é a
Palavra eterna com o qual o Pai nos abençoou, «quando éramos ainda pecadores»,
diz São Paulo: Palavra que se fez carne e foi oferecida por nós na cruz”.
Segundo Francisco,
“não há pecado que possa cancelar completamente a imagem de Cristo presente em
cada um de nós. Nenhum pecado pode cancelar aquela imagem que Deus nos deu. A
imagem de Cristo. Pode desfigurá-la, mas não a pode subtrair à misericórdia de
Deus. Um pecador pode permanecer nos seus erros por muito tempo, mas Deus é
paciente até o fim, esperando que no final aquele coração se abra e mude. Deus
é como um bom pai, é um bom pai, e como uma boa mãe. Ele também é uma boa mãe:
nunca deixa de amar o seu filho, por mais que ele possa errar”.
Penso nas muitas
vezes que eu vi as pessoas fazendo fila para entrar nos cárceres e muitas mães
ali na fila para ver o seu filho preso. Não deixam de amar o seu filho. Elas
sabem que as pessoas que passam nos ônibus, dizem: “Esta é a mãe do
encarcerado”. Não têm vergonha disso, aliás, têm vergonha, mas vão adiante
porque é mais importante o filho do que a vergonha. Nós para Deus somos mais
importantes do que todos os pecados que cometemos. Porque Ele é Pai, Ele é mãe,
Ele é puro amor, Ele nos abençoou para sempre e nunca deixará de nos abençoar.
“Uma forte
experiência é ler estes textos bíblicos de bênção numa prisão, ou numa
comunidade de recuperação. Fazer com que as pessoas que permanecem abençoadas
apesar dos seus graves erros, sintam que o Pai celestial continua a amá-las e
espera que elas finalmente se abram ao bem”, disse ainda o Papa. “Se até os
seus parentes mais próximos os abandonaram, e muitos os deixam, não são como
aquelas mães que enfrentam fila para ver os filhos, não se importam, porque são
considerados irrecuperáveis, para Deus eles continuam sendo sempre filhos. Deus
não pode cancelar em nós a imagem de filho. Cada um de nós é filho, é filha. Às
vezes acontecem milagres: homens e mulheres renascem, pois encontram essa
bênção que os ungiu como filhos. A graça de Deus muda a vida: aceita-nos como
somos, mas nunca nos deixa como somos”, disse ainda o Papa.
Abençoar e não
amaldiçoar
“A Deus que
abençoa, nós também respondemos abençoando: Deus nos ensinou a abençoar e nós
devemos abençoar. É a oração de louvor, de adoração, de ação de graças”,
sublinhou Francisco. “A oração é alegria e gratidão. Deus não esperou que nos
convertêssemos para começar a nos amar, mas o fez muito antes, quando ainda
estávamos no pecado.” A seguir, disse:
Não podemos apenas
bendizer este Deus que nos abençoa. Devemos bendizer tudo Nele. Todas as
pessoas. Bendizer a Deus é abençoar todos os irmãos, abençoar o mundo. Esta é a
raiz da mansidão cristã. A capacidade de se sentir abençoado e a capacidade de
abençoar. Se todos nós fizéssemos assim certamente não haveriam as guerras.
Este mundo precisa de bênção e nós podemos dar e receber a bênção. O Pai nos
ama. E tudo o que nos resta é a alegria de o abençoar e lhe agradecer, e de
aprender com Ele a não amaldiçoar, mas a abençoar.
O Papa dirigiu uma
palavra às pessoas que são acostumadas a amaldiçoar. “As pessoas que têm sempre
na boca e no coração uma palavra ruim, uma maldição. Cada um de nós deve
pensar se tem o costume de amaldiçoar e pedir ao Senhor a graça de mudar esse
costume, porque temos um coração abençoado e de um coração abençoado não pode
sair a maldição. Que o Senhor nos ensine a nunca a amaldiçoar, mas a abençoar”,
conclui o Papa, concedendo a todos a sua bênção apostólica.
A Conferência
Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) continua com sua iniciativa que une todo o
Brasil em oração diante da emergência de saúde causada pela pandemia da
Covid-19. Nesta quarta-feira, 2 de dezembro, a partir das 15h30, vai ao ar mais
uma edição do Terço da Esperança e da Solidariedade, direto de Belém (PA).
O terço será
gerado pela TV Nazaré a partir da Igreja de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro,
em Belém do Pará, templo sob os cuidados dos padres Redentoristas. A
transmissão será feita pelas emissoras de rádio e TV de inspiração católica e
também pelas redes sociais da CNBB.
O rito
zairense "caminho promissor" para um rito amazônico
No prefácio do
volume "O Papa Francisco e o 'Missal Romano para as dioceses do
Zaire'", publicado pela LEV, o Pontífice reflete sobre a inculturação da
liturgia: deve tocar o coração daqueles que vivem na Igreja local.
Debora Donnini –
Vatican News - O rito zairense do
Missal Romano é "até agora o único rito inculturado da Igreja latina
aprovado após o Concílio Vaticano II" e "este processo de
inculturação litúrgica no Congo é um convite a valorizar os diferentes dons do
Espírito Santo, que são uma riqueza para toda a humanidade". Isto é
sublinhado pelo Papa no prefácio do texto, que é apresentado nesta terça-feira,
e cuja intenção é precisamente conhecer em profundidade os diferentes aspectos
do "Missal Romano para as dioceses do Zaire", aprovado em 1988 pela
Congregação para o Culto Divino. Publicado pela Livraria Editora Vaticana (LEV)
e realizado por Rita Mboshu Kongo, das Filhas de Maria Santíssima Co-Redentora
e professora de Teologia espiritual e formação à vida consagrada na Pontifícia
Universidade Urbaniana, o texto reúne a sua contribuição junto com as de Maurizio
Gronchi, Jean-Pierre Sieme Lasoul, Oliver Ndondo e Silvina Perez. O texto chega
às livrarias no dia 9 de dezembro.
Inculturação sem
distorcer a natureza do Missal Romano
No primeiro
aniversário da Eucaristia celebrada pelo Papa em rito zairense por ocasião do
25º aniversário do nascimento da Capelania católica congolesa em Roma, é
apresentado este volume, que tem também em anexo o Ritual desta Missa e algumas
imagens da cerimônia. "O Papa Francisco e o 'Missal Romano para as
dioceses do Zaire'" tem como subtítulo "Um rito promissor para outras
culturas". Um "exemplo de inculturação litúrgica", escreve o
Papa, que também se refere à "Querida Amazónia" onde se diz
explicitamente de "reunir na liturgia muitos elementos próprios da
experiência dos indígenas no seu íntimo contato com a natureza e estimular
expressões nativas em canções, danças, ritos, gestos e símbolos". "O
Concílio Vaticano II já tinha solicitado este esforço de inculturação da
liturgia nos povos indígenas, mas passaram-se mais de cinquenta anos e fizemos
poucos progressos nesta direção", observa a Exortação Apostólica
Pós-Sinodal de 2020. Para o Papa Francisco, portanto, "o caso do rito
zairense sugere um caminho promissor também para a eventual elaboração de um
rito amazônico, enquanto são percebidas as exigências culturais de uma
determinada área do contexto africano, sem perturbar a natureza do Missal
Romano, como garantia de continuidade com a tradição antiga e universal da
Igreja". E o Papa espera, portanto, que este trabalho "possa ajudar a
caminhar nesta direção".
Uma celebração
alegre, lugar de encontro com Jesus
No prefácio, o
Papa sublinha como na celebração, segundo o rito zairense, "vibra uma
cultura e uma espiritualidade animadas por canções religiosas no ritmo
africano, com o som dos tambores e de outros instrumentos musicais que
constituem um verdadeiro progresso no enraizamento da mensagem cristã na alma
congolesa". É "uma celebração jubilosa" e "um verdadeiro
lugar de encontro com Jesus", destaca citando a Evangelii gaudium várias
vezes.
Sobre o assunto,
então, da importância da inculturação, o Papa assinala que "todo povo,
depois de ter feito a experiência pessoal do encontro transformador com Cristo,
procura invocar Deus, que se revelou através de Jesus Cristo com as suas
palavras, com a sua linguagem religiosa, poética, metafórica, simbólica e
narrativa". E é precisamente "nesta dinâmica que a Conferência
Episcopal do Congo forjou uma personalidade própria querendo rezar a Deus, não
por procuração ou com palavras emprestadas de outros, mas assumindo toda a
especificidade espiritual e sócio-cultural do povo congolês, com as suas
transformações".
A Igreja e a
beleza de um rosto multiforme
No volume, há
então uma referência à necessidade de ir a algo que toque "o mundo
cultural das pessoas" porque "a liturgia - evidencia Francisco -,
deve tocar o coração dos membros da Igreja local e ser sugestiva". Ainda
referindo-se à Exortação Apostólica sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual
- considerado o texto programático do Pontificado - o Papa recorda que "o
cristianismo não tem um modelo cultural único", mas "permanecendo
plenamente si mesmo, em total fidelidade ao anúncio do Evangelho e à tradição
eclesial, terá também o rosto das muitas culturas e povos em que é acolhido e
enraizado". Portanto, nos diversos povos que experimentam o dom de Deus
segundo a sua própria cultura "a Igreja", enfatiza Francisco,
"exprime a sua autêntica catolicidade" e mostra "a beleza deste
rosto multiforme". E "o Espírito Santo embeleza a Igreja
mostrando-lhe novos aspectos da Revelação e dando-lhe um rosto novo".
A inveja é um sentimento que nos impede de ter acesso às coisas boas da vida. O invejoso é alguém que não consegue reconhecer as coisas boas que outra pessoa pode dar, e muitas vezes responde com agressividade e destruição àqueles que podem ajudá-lo, ou possuem algo que lhes dá admiração.
Dom José Francisco
No fundo da inveja existe uma profunda baixa estima, encouraçada por um orgulho, que visa a fornecer uma ilusão de onipotência. Essas pessoas se consideram as melhores, e acreditam que tudo o que tocam vira ouro. São pessoas normalmente classificadas como orgulhosas, arrogantes, onipotentes, e … solitárias.
A gratidão, ao contrário da inveja, é um sentimento que permite que se tenha acesso às coisas boas do outro. Aquele que é grato reconhece no outro algo que falta em si, e nem por isso tem uma baixa estima. Muito pelo contrário. Feliz aquele que sabe suas faltas e sabe buscar isso no outro, não de uma forma destrutiva, mas como resultado das trocas normais de um relacionamento.
Podemos dizer que gratidão é um sentimento de reconhecimento, uma emoção por saber que uma pessoa fez uma boa ação, em favor de outra. Gratidão é querer agradecer a outra pessoa por ter feito algo benéfico para ela.
A gratidão ocorre sempre que alguém faz algo que o outro gostaria que acontecesse, sem esperar nada mais em troca, e isso faz com que a pessoa que fez a ação se sinta feliz e a que recebeu também. A gratidão traz junto dela uma série de outros sentimentos, como amor, fidelidade, amizade e muito mais.
A sensação de gratidão pode estar relacionada a todos os acontecimentos da vida de uma pessoa, que pode sentir-se grata, também, por experiências ruins que lhe trouxeram algum aprendizado.
Somos agradecidos?
+ José Francisco Rezende Dias
Arcebispo Metropolitano de Niterói
Artigo publicado nos jornais O Fluminense e A Tribuna – 25 de novembro 2020