Estimados irmãos e irmãs em Cristo Jesus! Celebramos com alegria e esperança o Domingo da Palavra de Deus, tendo presente que foi através da Palavra que Deus criou o mundo e, pela palavra, “ o Verbo” encarnou-se no seio da Virgem Maria. Também pela palavra Deus conduziu o seu povo da Antiga Aliança, por meio dos Profetas.
Dom José Gislon
Uma das grandes figuras do Novo Testamento, conhecido como o Apóstolo das Nações, Paulo de Tarso, ou São Paulo, Apóstolo, cuja data de conversão recordamos no dia 25 de janeiro, nos ajuda neste processo de reflexão sobre a importância da Palavra de Deus na vida da Igreja, no processo de Iniciação à Vida Cristã, mas também no processo de evangelização de uma Igreja em saída.
Sabemos que São Paulo Apóstolo foi um grande e incansável missionário. Mas, às vezes, esquecemos de olhar o processo de conversão pelo qual passou. A expansão do cristianismo e a fundação de muitas comunidades na Igreja primitiva contaram com a força iluminadora do Espírito Santo e a atuação incansável deste homem, que renasceu para uma nova vida, pela graça misericordiosa do Pai. Acolheu o Senhor Jesus, converteu-se e mudou de vida, tornando-se discípulo do Senhor Jesus, trocando a espada de soldado do exército do Império Romano pelo Evangelho, tornando-se soldado de Cristo, do Reino de Deus.
Era um homem muito bem preparado intelectualmente e não teve medo de colocar todo o seu conhecimento e a sua capacidade de reflexão a serviço da missão, nos areópagos do seu tempo. A figura de São Paulo, a sua atividade, a sua pregação e a sua reflexão teológica dominam, por assim dizer, a história da Igreja primitiva. O teólogo e o pastor estão unidos na pessoa de Paulo. Ele é um mestre de rara competência sobre as escrituras e o encontro com Cristo o marcou profundamente, e lhe revelou o sentido profundo do Evangelho, isto é: salvação e graça.
Ele nos ensina o correto modo cristão de nos colocarmos diante do mistério de Deus e do homem. Para ele, a graça é o centro do Evangelho, o único modo correto para entendermos a cruz e a ressurreição. Quem acolhe com fé o Evangelho vive uma existência livre da morte, do pecado e da lei, uma vida nova animada pelo Espírito Santo (Rm 5,1-8,39).
Na sociedade atual, muitos areópagos necessitam da presença de quem anuncie o Evangelho. Dentre estes, a “família” é o areópago primordial. Ela é o lugar que acolhe a vida e nos inicia para a vida. Ela é o primeiro lugar onde se faz urgente a ação dos cristãos leigos e leigas. “A família, comunidade de vida e amor, escola de valores e Igreja doméstica, grande benfeitora da humanidade. Nela se aprendem as orientações básicas da vida: o afeto, a convivência, a educação para o amor, a justiça e a experiência de fé”.
a comunicação católica é para todos, é um ato de amor
Aos responsáveis pela comunicação eclesiástica institucional, Francisco pede que trabalhem em rede para comunicar uma Igreja em saída. A comunicação católica é para todos, recordou Francisco. Não é uma “seita para falar entre nós”.
Bianca Fraccalvieri - Vatican News
No encerramento do Jubileu dos Comunicadores, o Papa recebeu na manhã desta segunda-feira os presidentes das Comissões Episcopais da Comunicação e assessores de imprensa das Conferências Episcopais.
Mais do que indicações, o discurso do Papa foi um convite a um exame de consciência através de vários interrogativos para refletir sobre como a Igreja comunica atualmente.
Francisco então começa: de que modo semeamos esperança em meio a tanto desespero? Como lidamos com o vírus da divisão que ameaça as nossas comunidades? A nossa comunicação é acompanhada pela oração? Ou comunicamos a Igreja adotando somente as regras do marketing empresarial?
E continua: como indicamos uma perspectiva diferente em relação a um futuro que ainda não foi escrito?
“Gosto desta expressão: escrever o futuro. Cabe a nós escrever o futuro. Sabemos comunicar que esta esperança não é uma ilusão? A esperança nunca decepciona, mas sabemos comunicar isso? Sabemos comunicar que a vida dos outros pode ser mais bela também através de nós? Eu posso contribuir a dar beleza à vida dos outros? E sabemos comunicar e convencer que é possível perdoar? É muito difícil isso.”
Para o Pontífice, a comunicação cristã é mostrar que o Reino de Deus está próximo: aqui, agora, e é como um milagre que pode ser vivido por cada pessoa, por cada povo. Um milagre que deve ser contado oferecendo chaves de leitura para olhar além do banal, do mal, dos preconceitos, dos estereótipos, de si mesmo.
O desafio é grande, afirma o Papa, encorajando os presentes a reforçarem a sinergia entre si, seja em nível continental, seja universal. Comunicar construindo pontes é uma alternativa às novas torres de Babel. “Pensem nisso. As novas torres de Babel: todos falam e não se entendem.”
Comunicar juntos e em rede
Para responder a todos esses interrogativos, o Pontífice indica duas palavras: “juntos” e “rede”.
Somente juntos é possível comunicar a beleza do encontro com Cristo e semear esperança. “Não se esqueçam disto: semear esperança.” Comunicar, prosseguiu, não é uma tática nem uma técnica, “comunicar é um ato de amor”. Somente um ato de amor gratuito tece redes de bem, redes que devem ser reparadas todos os dias.
Rede, aliás, não é uma palavra ligada à civilização digital. Antes das redes sociais já havia as redes dos pescadores e o convite de Jesus a Pedro a se tornar pescadores de homens.
“Pensemos então o que podemos fazer juntos graças aos novos instrumentos da era digital, graças também à inteligência artificial, se ao invés de transformar a tecnologia em um ídolo, nos comprometêssemos mais a fazer rede. Eu lhes confesso uma coisa: mais do que a inteligência artificial, me preocupa aquela natural, aquela inteligência que nós devemos desenvolver.”
O segredo da força comunicativa da Igreja é fazer rede e ser rede, disse ainda o Papa, ao invés de se entregar às sirenes estéreis da autopromoção. O maior milagre de Jesus não é a rede cheia de peixes, mas não deixar que os pescadores fossem vítimas da desilusão e do desencorajamento. “Por favor, não cair na tristeza interior. Não perder o sentido do humorismo que é sabedoria, sabedoria de todos os dias.”
A comunicação católica é para todos, recordou Francisco. Não é uma “seita para falar entre nós”. É o espaço aberto de um testemunho que sabe ouvir e interceptar os sinais do Reino.
Por fim, mais uma interrogação: nossos escritórios, relações, redes são realmente de uma Igreja em saída?
A Igreja deve sair de si mesma, concluiu o Santo Padre, oferecendo como imagem a narração do Apocalipse, em que o Senhor bate à porta para entrar. “Mas agora, muitas vezes o Senhor bate a partir de dentro porque nós, cristãos, o deixemos sair. E nós muitas vezes o prendemos somente para nós. Devemos deixar sair o Senhor, bate à porta para sair, e não ‘escravizá-lo’ para o nosso trabalho”.
Participação da CNBB
Estava presente no encontro presidente da Comissão Episcopal para a Comunicação da CNBB, dom Valdir José de Castro, bispo de Campo Limpo (SP), que comenta este Jubileu da comunicação.
Cerca de 6.500
fiéis participaram na Basílica Vaticana da missa presidida por Francisco por
ocasião do Domingo da Palavra de Deus. Durante a celebração, o Pontífice
conferiu o ministério do leitorado a 40 leigos de vários países.
Bianca
Fraccalvieri – Vatican News
O Papa presidiu
à Santa Missa na Basílica de São Pedro por ocasião da sexta edição do Domingo
da Palavra de Deus, com a participação de milhares de jornalistas de mais de
130 países, presentes em Roma para o Jubileu dos Comunicadores.
Na homilia, o
Pontífice refletiu sobre o Evangelho deste III Domingo do Tempo Comum, em que
Jesus diz na sinagoga de Nazaré: «Cumpriu-se hoje esta passagem da Escritura,
que acabais de ouvir» (Lc 4, 21).
“Ele é a Palavra
viva, em quem toda a Escritura encontra o seu pleno cumprimento”, explicou o
Pontífice. E nós, no hoje da Sagrada Liturgia, somos seus
contemporâneos: também nós, cheios de admiração, abrimos o coração e a mente
para O escutar.
“Eu disse uma
palavra: admiração. Quando nós ouvimos o Evangelho, as palavras de Deus, não se
trata somente de ouvir, compreender. Não. Deve chegar ao coração e produzir o
que disse: admiração. A Palavra de Deus sempre nos deslumbra, sempre nos
renova, entra no coração e nos renova sempre.”
O brasileiro Marcelo Mito recebe a Bíblia das mãos do Papa
As cinco ações
de Jesus
Francisco então
identificou cinco ações que caracterizam a missão do Messias.
Antes de mais,
Ele é enviado «para anunciar a Boa-Nova aos pobres». Eis o “evangelho”, a
Boa-Nova que Jesus proclama: o Reino de Deus está próximo! O Senhor vem visitar
o seu povo, cuidando dos humildes. Este Evangelho é palavra de compaixão,
que nos chama à caridade, a um generoso compromisso social.
A segunda ação
de Cristo é «proclamar a libertação aos cativos». O mal tem os dias contados,
porque o futuro pertence a Deus. Jesus nos redime de toda a culpa e liberta o
nosso coração de todas as amarras interiores. Este Evangelho é palavra de
misericórdia, que nos chama a ser testemunhas apaixonadas de paz, solidariedade
e reconciliação.
A terceira ação
é dar «aos cegos, a recuperação da vista». O Messias abre-nos os olhos do
coração, muitas vezes ofuscados pelo fascínio do poder e da vaidade: doenças da
alma. Este Evangelho é palavra de luz, que nos chama à verdade e à
coerência de vida.
A quarta ação de
Jesus é «mandar em liberdade os oprimidos». Nenhuma escravatura resiste à ação
do Messias, que nos faz irmãos no seu nome. Este Evangelho é palavra de
liberdade, que nos chama à conversão do coração.
Por fim, a
quinta ação: Jesus é enviado «a proclamar um ano favorável da parte
do Senhor». É um Jubileu, como este que iniciamos, preparando-nos com esperança
para o encontro definitivo com o Redentor. Este Evangelho é palavra de
alegria, que nos chama a caminhar, como peregrinos, em direção ao Reino de
Deus.
Rito das oferendas
Responder com
ardor ao anúncio de Cristo
“Irmãos e irmãs,
no domingo dedicado de modo especial à Palavra de Deus, agradeçamos ao Pai por
nos ter dirigido o seu Verbo, feito homem para a salvação do mundo”, exortou o
Papa. Quando lemos, rezamos e estudamos as Escrituras, não recebemos apenas informações
sobre Deus, mas acolhemos o Espírito que nos recorda tudo o que Jesus disse e
fez. O Santo Padre reiterou sua recomendação de sempre termos conosco uma
edição de bolso do Evangelho para, durante o dia, ler um ou dois versículos e
meditar.
Assim, o pedido
de Francisco é para que respondamos com ardor ao alegre anúncio de Cristo. Com
efeito, o Senhor não nos falou como a ouvintes mudos, mas como a testemunhas,
chamando-nos a evangelizar em todos os tempos e lugares.
Na sequência,
Francisco conferiu o ministério do leitorado a a 40 fiéis leigos, homens e
mulheres de diferentes nações, sendo quatro do Brasil, e reforçou o que disse
na homilia de sempre levarem consigo o Evangelho: "Este é nosso alimento
cotidiano".
Ao final da
missa, foi distribuída uma cópia do Evangelho de Lucas a todos os presentes.
Durante o
Angelus deste domingo (26/01), o Papa Francisco destacou a importância de
reconhecer Jesus como o Salvador que traz uma mensagem que ninguém mais pode
nos dar. "Nós também somos chamados a nos questionar sobre sua identidade
e missão em nossa vida", afirmou o Pontífice, convidando os fiéis a
refletirem sobre a autoridade única de Cristo.
Neste domingo,
26 de janeiro, o Papa Francisco, após presidir a missa na Basílica de São
Pedro, também se encontrou com milhares de fiéis e peregrinos para a oração
mariana do Angelus, na Praça São Pedro. Em sua reflexão, inspirada no Evangelho
de Lucas, o Santo Padre recordou o momento em que Jesus, na sinagoga de Nazaré,
leu a passagem do profeta Isaías e proclamou: “Hoje se cumpriu esta Escritura”
(Lc 4,21), anunciando sua missão evangelizadora e libertadora enquanto Messias.
Francisco
ressaltou o impacto dessa declaração entre os conterrâneos de Jesus, que, por
conhecê-lo como "o filho do carpinteiro", não conseguiam aceitar sua
identidade como o Cristo. "Eles pensavam conhecê-lo bem demais, e isso, ao
invés de abrir suas mentes e corações, os bloqueava, como um véu que obscurece
a luz", observou o Papa.
Reconhecer a
mensagem de Jesus
O Papa destacou
que essa atitude dos nazarenos ainda pode ser vista em nossos dias:
"Também nós somos interpelados pelas palavras e pela presença de Jesus. Às
vezes, pensamos que já o conhecemos, que não há nada de novo a descobrir,
porque crescemos com Ele, no catecismo, na paróquia ou em um país de cultura
cristã."
Segundo
Francisco, esse senso de familiaridade pode nos impedir de reconhecer a
singularidade de Cristo e sua mensagem. "Reconhecemos que Jesus traz
uma mensagem de salvação que ninguém mais pode nos dar? Sentimos que, de algum
modo, também somos pobres, prisioneiros, cegos e oprimidos, necessitados de sua
graça?", questionou o Pontífice.
Ao concluir sua
reflexão, o Papa confiou os fiéis à intercessão de Maria, Mãe de Deus, pedindo
sua ajuda para redescobrir Jesus.
sobre a disponibilidade pastoral dos bispos eméritos no Brasil
A Igreja
Católica deu um passo significativo para valorizar o conhecimento, a sabedoria
e a experiência dos bispos eméritos com o lançamento do Guia “Disponibilidade
Pastoral dos Bispos Eméritos”, organizado e publicado pela Comissão Especial
para os Bispos Eméritos da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
Atualmente, a Igreja no Brasil possui 175 bispos eméritos.
Dom Francisco Biasin
O bispo emérito da diocese de Barra do Piraí-Volta
Redonda (RJ) e presidente da Comissão Especial para os Bispos Eméritos, dom
Francisco Biasin, conta que o que motivou a construção do guia foi a
evidência de que boa parte dos bispos eméritos no país gozam de ótima saúde
física e mental, tendo condições de cunho bíblico-litúrgico, teológico e
pastoral de acordo com a competência e experiência adquirida por cada um.
“É importante
que esta lista seja utilizada e cada um seja valorizado de acordo com a
competência e experiência que tem de acordo com o seu ministério episcopal.
Cada bispo se sentirá útil diante da Igreja e, sobretudo, dará a possibilidade
a quem solicitar esse serviço de assessoria de sentir quanta sabedoria,
experiência de vida e riqueza por haver por trás de cada um deles”, disse dom
Biasin.
A
iniciativa visa promover uma maior integração e garantir que a experiência e a
sabedoria dos bispos eméritos continuem a contribuir de maneira eficaz para a
vida pastoral das dioceses. Dom Biasin expressa também sua gratidão a todos que
trabalharam para organizar este o guia.
O que é o Guia?
A partir de um
levantamento feito, a Comissão disponibiliza o Guia com informações sobre
a disponibilidade pastoral dos bispos eméritos, considerando suas
competência e experiência. Os bispos foram consultados por meio de um
formulário on-line resultando numa amostra de 52 respostas.
Principais
Diretrizes do Guia
O novo documento
oferece orientações detalhadas sobre a área de atuação dos bispos eméritos,
incluindo as atividades que os bispos eméritos podem realizar, como celebrações
litúrgicas, orientação espiritual e acompanhamento de seminários, a exemplo das
áreas a seguir:
1. Formação para
catequistas;
2. Formação
Litúrgica;
3. Formação para
Pastorais Sociais
4. Retiro para
Cristãos Leigos e Leigas;
5. Retiro para
Padres;
6. Retiro para
Diáconos;
7. Retiro para
Seminaristas;
8. Retiro para a
Vida Consagrada
Dons à serviço
da Igreja
Para o padre
Guilherme Maia Jr., assessor da Comissão, a ação visa oferecer à Igreja os
dons, que foi o chamado de Deus para cada bispo:
“Atualmente tem,
no Brasil, um número grande de bispos eméritos que tem a mais variada formação,
seja mestrado e doutorado em diversas áreas do conhecimento da ciência
teológica e também de outras ciências, como a psicologia, a pedagogia, então é
uma grande riqueza, né? Os bispos eméritos são joias e pedras preciosas para a
Igreja do Brasil, então eles têm muito a oferecer e na disponibilidade do tempo
que agora eles têm não mais governando uma diocese, eles podem espalhar esse
grande dom que Deus deu a cada um deles. Então, a disponibilização desses dados
visa justamente contribuir com a missão dos bispos eméritos, mas também na
valorização de cada um deles, que é uma grande riqueza para a nossa igreja do
Brasil”.
Impacto Esperado
O lançamento do
guia é visto como uma resposta às necessidades práticas da Igreja, que tem
acompanhado a transformação nas dinâmicas das dioceses e a mudança no perfil
das lideranças. A implementação desse novo modelo promete não apenas dar mais
clareza aos bispos eméritos, mas também proporcionar uma estrutura mais
eficiente para o gerenciamento das dioceses.
A expectativa é
que o guia ajude a fortalecer a Igreja local, ao mesmo tempo que valoriza a
experiência e o compromisso dos bispos eméritos, que continuarão a desempenhar
um papel fundamental no crescimento e na estabilidade da Igreja.
Membros da
Comissão Especial para os bispos eméritos
Dom Francisco
Biasin (bispo emérito de Barra do Piraí-Volta Redonda – RJ) – presidente;
Dom Vicente
Costa (bispo emérito de Jundiaí – SP);
Dom Paulo
Antônio de Conto (bispo emérito de Montenegro – RS);
Dom José
Belisário da Silva (bispo emérito de São Luís do Maranhão – MA);
Dom Manoel João
Francisco (bispo emérito de Cornélio Procópio – PR);
Dom Jaime Vieira
Rocha (arcebispo emérito de Natal – RN);
Dom Jacinto
Furtado de Brito Sobrinho (arcebispo emérito de Teresina – PI);
Dom Murilo
Sebastião Krieger (arcebispo emérito de Salvador – BA).
Padre Guilherme
Maia Júnior (diocese de Coxim – MS) – secretário da Comissão
Realiza-se no Vaticano o primeiro dos Jubileus temáticos programados para este Ano Santo. São milhares os jornalistas que vieram a Roma participar de três dias intensos de programação. Francisco deixou o discurso de lado e preferiu dirigir algumas palavras improvisadas aos presentes na Sala Paulo VI.
O Papa se reuniu com comunicadores de todo o mundo para o primeiro Jubileu temático deste Ano Santo. A Sala Paulo VI acolheu milhares de profissionais oriundos de 138 países, superando as expectativas dos organizadores.
A eles, Francisco dirigiu algumas palavras de saudação, afirmando ser uma "tortura" ler naquele momento, próximo do almoço, o discurso de nove páginas preparado para a ocasião.
"Gostaria somente de dizer uma palavra sobre a comunicação: comunicar é sair um pouco de nós mesmos, para dar algo de mim ao outro. E a comunicação não é só saída, mas também o encontro com o outro. Saber comunicar é uma grande sabedoria. Estou feliz com este Jubileu dos Comunicadores. O seu trabalho é de construção, constrói a sociedade, a Igreja, fazer tudo ir para frente desde que seja verdadeiro. Comunicar é algo divino. Obrigado por aquilo que fazem."
Após a bênção, o Pontífice saudou pessoalmente alguns dos comunicadores presentes.
Papa com o prefeito do Dicastério para a Comunicação, Paolo Ruffini
Já no discurso entregue ao prefeito do Dicastério para a Comunicação, Paolo Ruffini, e transmitido a todos os participantes, Francisco afirma rezar por todos os comunicadores que morreram no exercício de sua profissão, colocando “suas vidas em risco para buscar a verdade e relatar os horrores da guerra” e “assinaram suas reportagens com o próprio sangue”.
A oração do Pontífice foi também a todos os profissionais que estão detidos “simplesmente por serem fiéis à sua profissão de jornalista, fotógrafo, cinegrafista”. “Que uma ‘porta’ também seja aberta para eles, pediu o Santo Padre, recordando que “a liberdade deles é a liberdade de cada um de nós”.
A propósito, Francisco pediu que seja garantida a liberdade de imprensa e de pensamento, pois a “informação livre, responsável e correta é um patrimônio” a ser preservado e promovido.
Ser jornalista, afirmou o Papa, é mais do que uma profissão. É uma vocação e uma missão, com uma responsabilidade peculiar e uma tarefa preciosa. A linguagem utilizada pode acender ou apagar a esperança, pode dar voz aos marginalizados.
Outro ponto tocado por Francisco foi sobre a coragem, que tem sua raiz na palavra coração. Para o Santo Padre, é esta palavra que sintetiza todas as mensagens publicadas nos últimos anos para o Dia Mundial das Comunicações Sociais, pois implica a coragem para ouvir com o coração, falar com o coração, custodiar a sabedoria do coração, compartilhar a esperança do coração. “Por isso, gostaria de acrescentar ao meu apelo pela liberação dos jornalistas outro ‘apelo’ que diz respeito a todos nós: o da “liberação” da força interior do coração. De cada coração!”
O convite do Papa é para aproveitar a oportunidade deste Jubileu para renovar e redescobrir essa coragem e libertar o coração daquilo que o corrompe. Como por exemplo, a coragem para expulsar a “atrofia cerebral” (brain rot) causada pela sobrecarga digital, definida pelo Dicionário de Oxford como a palavra do ano. “Onde melhor encontrar a cura para essa doença do que trabalhando, todos juntos, na formação, especialmente dos jovens?”, provoca Francisco, que identifica a necessidade de uma “alfabetização midiática” para educar ao pensamento crítico. “Os grandes combates não podem ser o resultado de uma multidão de mentes adormecidas, mas começa com a comunhão de corações iluminados.”
Como exemplo desta coragem e coração, o Pontífice citou São Paulo, de quem celebramos a sua conversão neste 25 de janeiro. A metamorfose de Paulo foi causada por seu encontro face a face com Jesus ressuscitado e vivo, isto é, gerada pela comunicação direta entre os dois, que foi descrito nos Atos dos Apóstolos três vezes com um poder transformador.
O convite do Papa é para que os jornalistas utilizem justamente este poder para contar histórias de esperança, histórias que alimentam a vida. “Quando contarem sobre o mal, deixem espaço à possibilidade de consertar o que está rompido", semeando interrogativos. Contar a esperança significa ver as migalhas do bem escondidas mesmo quando tudo parece perdido.
“E é isso o que eu os encorajo a fazer: contar a esperança, compartilhá-la. Esse é - como diria São Paulo - o seu ‘bom combate.”
Na mensagem por
ocasião do 59o Dia Mundial das Comunicações Sociais, que será celebrado em 1o
de junho, Francisco recorda que “a comunicação dos cristãos – e eu diria até a
comunicação em geral – deve ser feita com mansidão, com proximidade: eis o
estilo dos companheiros de viagem, na pegada do maior Comunicador de todos os
tempos, Jesus de Nazaré”.
Papa em coletiva de imprensa durante viagem à Bélgica
Ser
comunicadores de esperança: este é o convite feito pelo Papa Francisco aos
jornalistas de todo o mundo na mensagem para o LIX Dia Mundial das Comunicações
Sociais.
O texto é
divulgado tradicionalmente no dia 24 de janeiro, festa de São Francisco de
Sales, padroeiro dos jornalistas, e este ano véspera do Jubileu dos
Comunicadores, programado para este final de semana no Vaticano.
“Partilhai com
mansidão a esperança que está nos vossos corações” é o tema da Mensagem,
inspirada em dois versículos da Primeira Carta de São Pedro (cf. 3, 15-16): “No
íntimo do vosso coração, confessai Cristo como Senhor, sempre dispostos a dar a
razão da vossa esperança a todo aquele que vo-la peça; com mansidão e
respeito”.
Mas antes de
desenvolver sua reflexão, Francisco faz uma análise da comunicação atual,
marcada “pela desinformação e pela polarização, em que alguns centros de poder
controlam uma grande massa de dados e de informações sem precedentes”.
Mas diante das
conquistas da técnica, o Santo Padre pede que se cuide do coração.
“No centro da
comunicação deve estar a responsabilidade pessoal e coletiva para com o
próximo.”
Com frequência,
a comunicação não gera esperança, mas sim medo, preconceitos e rancores,
fanatismo e até ódio. Como em outras ocasiões, o Pontífice insiste na
necessidade de “desarmar” a comunicação. “Nunca dá bom resultado reduzir a
realidade a slogans”, escreve. Desde os talk shows televisivos até às guerras
verbais nas redes sociais, há o risco de prevalecer o paradigma da competição,
de fazer do outro um “inimigo”.
Eis então que o
Apóstolo oferece uma síntese “admirável” da comunicação cristã, ou seja: dar
com mansidão a razão da nossa esperança.
“A esperança dos
cristãos tem um rosto: o rosto do Senhor ressuscitado”, recorda o Pontífice. Os
cristãos não são, antes de mais, aqueles que “falam” de Deus, mas aqueles que
fazem ressoar a beleza do seu amor, uma maneira nova de viver cada pequena coisa.
“A comunicação
dos cristãos – e eu diria até a comunicação em geral – deve ser feita com
mansidão, com proximidade: eis o estilo dos companheiros de viagem, na pegada
do maior Comunicador de todos os tempos, Jesus de Nazaré.”
Francisco então
expõe seus “sonhos” na comunicação: uma comunicação que saiba fazer de nós
companheiros de viagem; capaz de falar ao coração; de gerar empatia, interesse
pelos outros; que não venda ilusões ou medos, mas seja capaz de dar razões para
ter esperança.
Para isso,
acrescenta, precisamos de nos curar da “doença” do protagonismo e da
autorreferencialidade, pois o bom comunicador faz com que quem ouve, lê ou vê
se torne participante. Comunicar deste modo ajuda a nos tornar “peregrinos de
esperança”, como diz o lema do Jubileu.
A esperança é
sempre um projeto comunitário e o Jubileu tem implicações sociais, escreve por
fim o Santo Padre, concluindo com algumas exortações para tornar o mundo menos
indiferente e um pouco menos fechado:
“Encorajo-os a
descobrir e a contar tantas histórias de bem escondidas por detrás das
notícias”; encontrar as centelhas de bem que nos permitem ter esperança; ser
mansos e nunca esquecer o rosto do outro; praticar uma comunicação que saiba
curar as feridas da humanidade; ser testemunhas e promotores de uma comunicação
não hostil, que difunda uma cultura do cuidado e construa pontes.
“Tudo isto podem
e podemos fazê-lo com a graça de Deus, que o Jubileu nos ajuda a receber em
abundância. Por isto, rezo por cada um de vocês e pelo seu trabalho, e os
abençoo.”
Naqueles dias, sacerdote Esdras apresentou a Lei diante da assembleia de homens, de mulheres e de todos os que eram capazes de compreender. Era o primeiro dia do sétimo mês. Assim, na praça que fica defronte da porta das Águas, Esdras fez a leitura do livro, desde o amanhecer até o meio-dia, na presença dos homens, das mulheres e de todos os que eram capazes de compreender. E todo o povo escutava com atenção a leitura do livro da Lei. Esdras, o escriba, estava de pé sobre um estrado de madeira, erguido para esse fim. Estando num lugar mais alto, ele abriu o livro à vista de todo o povo. E, quando o abriu, todo o povo ficou de pé. Esdras bendisse o Senhor, o grande Deus, e todo o povo respondeu, levantando as mãos: “Amém, amém!” Depois, inclinaram-se e prostraram-se diante do Senhor, com o rosto em terra. E leram, clara e distintamente, o livro da Lei de Deus e explicaram seu sentido, de maneira que se pudesse compreender a leitura. O governador Neemias e Esdras, sacerdote e escriba, e os levitas que instruíam o povo disseram a todos: “Este é um dia consagrado ao Senhor, vosso Deus. Não fiqueis tristes nem choreis”, pois todo o povo chorava ao ouvir as palavras da Lei. E Neemias disse-lhes: “Ide para vossas casas e comei carnes gordas, tomai bebidas doces e reparti com aqueles que nada prepararam, pois este dia é santo para o nosso Senhor. Não fiqueis tristes, porque a alegria do Senhor será a vossa força”.
Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios
[A forma breve está entre colchetes.]
[Irmãos, como o corpo é um, embora tenha muitos membros, e como todos os membros do corpo, embora sejam muitos, formam um só corpo, assim também acontece com Cristo. De fato, todos nós, judeus ou gregos, escravos ou livres, fomos batizados num único Espírito para formarmos um único corpo, e todos nós bebemos de um único Espírito. Com efeito, o corpo não é feito de um membro apenas, mas de muitos membros].
Se o pé disser: “Eu não sou mão, portanto não pertenço ao corpo”, nem por isso deixa de pertencer ao corpo. E se o ouvido disser: “Eu não sou olho, portanto não pertenço ao corpo”, nem por isso deixa de pertencer ao corpo. Se o corpo todo fosse olho, onde estaria o ouvido? Se o corpo todo fosse ouvido, onde estaria o olfato? De fato, Deus dispôs os membros, e cada um deles no corpo, como quis. Se houvesse apenas um membro, onde estaria o corpo? Há muitos membros e, no entanto, um só corpo. O olho não pode, pois, dizer à mão: “Não preciso de ti”. Nem a cabeça pode dizer aos pés: “Não preciso de vós”. Antes, pelo contrário, os membros do corpo que parecem ser mais fracos são muito mais necessários do que se pensa. Também os membros que consideramos menos honrosos, a estes nós cercamos com mais honra, e os que temos por menos decentes, nós os tratamos com mais decência. Os que nós consideramos decentes não precisam de cuidado especial. Mas Deus, quando formou o corpo, deu maior atenção e cuidado ao que nele é tido como menos honroso, para que não haja divisão no corpo e, assim, os membros zelem igualmente uns pelos outros. Se um membro sofre, todos os membros sofrem com ele; se é honrado, todos os membros se regozijam com ele.
[Vós, todos juntos, sois o corpo de Cristo e, individualmente, sois membros desse corpo].
E, na Igreja, Deus colocou, em primeiro lugar, os apóstolos; em segundo lugar, os profetas; em terceiro lugar, os que têm o dom e a missão de ensinar; depois, outras pessoas com dons diversos, a saber: dom de milagres, dom de curas, dom para obras de misericórdia, dom de governo e direção, dom de línguas. Acaso todos são apóstolos? Todos são profetas? Todos ensinam? Todos realizam milagres? Todos têm o dom das curas? Todos falam em línguas? Todos as interpretam?
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Lucas
Muitas pessoas já tentaram escrever a história dos acontecimentos que se realizaram entre nós, como nos foram transmitidos por aqueles que, desde o princípio, foram testemunhas oculares e ministros da Palavra. Assim sendo, após fazer um estudo cuidadoso de tudo o que aconteceu desde o princípio, também eu decidi escrever de modo ordenado para ti, excelentíssimo Teófilo. Deste modo, poderás verificar a solidez dos ensinamentos que recebeste. Naquele tempo, Jesus voltou para a Galileia com a força do Espírito, e sua fama espalhou-se por toda a redondeza. Ele ensinava nas suas sinagogas, e todos o elogiavam. E veio à cidade de Nazaré, onde se tinha criado. Conforme seu costume, entrou na sinagoga no sábado e levantou-se para fazer a leitura. Deram-lhe o livro do profeta Isaías. Abrindo o livro, Jesus achou a passagem em que está escrito: ″O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção para anunciar a Boa-nova aos pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos cativos e aos cegos a recuperação da vista; para libertar os oprimidos e para proclamar um ano da graça do Senhor”. Depois fechou o livro, entregou-o ao ajudante e sentou-se. Todos os que estavam na sinagoga tinham os olhos fixos nele. Então começou a dizer-lhes: “Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabastes de ouvir”.
A Igreja, ensina Paulo na 2ª leitura, é
corpo, organismo composto de diversos órgãos. Para poder agir como convém, é
preciso que todos os órgãos do organismo colaborem. O pé não pode desprezar a
mão,nem ocupar seu espaço. Este ideal (de constituir um corpo com todos os seus
órgãos bem coordenados) é o que hoje se chama a “pastoral orgânica”. Não fria
organização, mas amor e carinho agindo harmoniosa e organicamente – amor que
tenha cabeça!
Esta pastoral orgânica, este formar corpo é
indispensável para que a Igreja continue a fazer aquilo que Jesus, no
evangelho, proclama ser sua missão: anunciar a boa-nova aos pobres e oprimidos.
Pois uma Igreja dividida, entregue ao jogo da ambição e do poder, como poderia
ela priorizar os que não têm nada a oferecer e optar verdadeiramente pelos
pobres e oprimidos? A opção pelos pobres, ao modelo de Jesus, e a coerência da
Igreja na sua vida e pastoral são inseparáveis. Quem recebeu o dom do saber –
os teólogos e professores – tem de colocá-lo a serviço dos simples, para que
entendam a vida da Igreja e participem dela como sujeitos conscientes. Quem tem
o dom da administração deve fazer com que as possibilidades econômicas dos
ricos estejam à disposição dos necessitados.
Quem tem o dom de governar – a hierarquia –
deve usá-lo para animar e exortar, e não para impor decisões autoritárias. Os
que muito podem, material ou socialmente, devem formar organismo único com os
que pouco podem. Os que pouco podem devem se empenhar como sujeitos para criar
a comunidade fraterna em que todos vivem solidários. Organicidade pastoral é
isso aí: que todas as possibilidades e funções estejam bem unidas em tomo do
“alegre anúncio” que por Jesus foi dirigido em primeiro lugar aos pobres e oprimidos,
anunciando a sua libertação como sinal de um novo tempo, de uma nova realidade.
Para isso, a Igreja deve ser comunidade de amor “em e de verdade” (lJo 3,18).
Ela é o corpo, a presença atuante do próprio Cristo, levando adiante a sua
missão.
PE. JOHAN KONINGS nasceu na Bélgica em 1941, onde se tornou Doutor em Teologia pela Universidade Católica de Lovaina, ligado ao Colégio para a América Latina (Fidei Donum). Veio ao Brasil, como sacerdote diocesano, em 1972. Em 1985 entrou na Companhia de Jesus (Jesuítas) e, desde 1986, atuou como professor de exegese bíblica na FAJE, Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Faleceu no dia 21 de maio de 2022. Este comentário é do livro “Liturgia Dominical, Editora Vozes.