sexta-feira, 23 de fevereiro de 2024

2º Domingo da Quaresma:

Leituras e Reflexão

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1ª Leitura: Gên 22,1-2.9a.10-13.15-18

Leitura do Livro do Gênesis 

Naqueles dias, Deus pôs Abraão à prova. Chamando-o, disse: “Abraão!” E ele respondeu: “Aqui estou”. E Deus disse: “Toma teu filho único, Isaac, a quem tanto amas, dirige-te à terra de Moriá e oferece-o aí em holocausto sobre um monte que eu te indicar”. Chegados ao lugar indicado por Deus, Abraão ergueu um altar, colocou a lenha em cima, amarrou o filho e o pôs sobre a lenha em cima do altar. Depois, estendeu a mão, empunhando a faca para sacrificar o filho. E eis que o anjo do Senhor gritou do céu, dizendo: “Abraão! Abraão!” Ele respondeu: “Aqui estou”. E o anjo lhe disse: “Não estendas a mão contra teu filho e não lhe faças nenhum mal! Agora sei que temes a Deus, pois não me recusaste teu filho único”. Abraão, erguendo os olhos, viu um carneiro preso num espinheiro pelos chifres; foi buscá-lo e ofereceu-o em holocausto no lugar do seu filho.

O anjo do Senhor chamou Abraão, pela segunda vez, do céu, e lhe disse: “Juro por mim mesmo – oráculo do Senhor –, uma vez que agiste deste modo e não me recusaste teu filho único, eu te abençoarei e tornarei tão numerosa tua descendência como as estrelas do céu e como as areias da praia do mar. Teus descendentes conquistarão as cidades dos inimigos. Por tua descendência serão abençoadas todas as nações da terra, porque me obedeceste”

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Responsório: Sl 115

— Andarei na presença de Deus,/ junto a ele na terra dos vivos.

— Andarei na presença de Deus,/ junto a ele na terra dos vivos.

— Guardei a minha fé, mesmo dizendo:/ “É demais o sofrimento em minha vida!”/ É sentida por demais pelo Senhor/ a morte de seus santos, seus amigos.

— Eis que sou o vosso servo, ó Senhor,/ vosso servo que nasceu de vossa serva;/ mas me quebrastes os grilhões da escravidão!/ Por isso oferto um sacrifício de louvor,/ invocando o nome santo do Senhor.

— Vou cumprir minhas promessas ao Senhor/ na presença de seu povo reunido;/ nos átrios da casa do Senhor,/ em teu meio, ó cidade de Sião!

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2ª Leitura: Rm 8,31b-34
Leitura da Carta de São Paulo aos Romanos

Irmãos: Se Deus é por nós, quem será contra nós? Deus, que não poupou seu próprio Filho, mas o entregou por todos nós, como não nos daria tudo junto com ele?

Quem acusará os escolhidos de Deus? Deus, que os declara justos? Quem condenará? Jesus Cristo, que morreu, mais ainda, que ressuscitou, e está à direita de Deus, intercedendo por nós?

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Evangelho: Mc 9,2-10

Proclamação do Evangelho de São  Marcos

Seis dias depois, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e seu irmão João, e os levou sozinhos a um lugar à parte, sobre uma alta montanha.

E se transfigurou diante deles. Suas roupas ficaram brilhantes e tão brancas, como nenhuma lavadeira no mundo as poderia alvejar. Apareceram-lhes Elias e Moisés, que conversavam com Jesus.

Então Pedro tomou a palavra e disse a Jesus: «Mestre, é bom ficarmos aqui. Vamos fazer três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias.» 6 Pedro não sabia o que dizer, pois eles estavam com muito medo. Então desceu uma nuvem e os cobriu com sua sombra. E da nuvem saiu uma voz: «Este é o meu Filho amado. Escutem o que ele diz!» E, de repente, eles olharam em volta e não viram mais ninguém, a não ser somente Jesus com eles.

Ao descerem da montanha, Jesus recomendou-lhes que não contassem a ninguém o que tinham visto, até que o Filho do Homem tivesse ressuscitado dos mortos. Eles observaram a recomendação e se perguntavam o que queria dizer «ressuscitar dos mortos».

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Reflexão do padre Johan Konings:

Deus dá seu filho por nós

No domingo passado vimos como Jesus, tendo assumido no batismo ser Filho e Servo de Deus, se preparou por sua “quaresma” para iniciar sua missão. Hoje, no 2º domingo da Quaresma, o mesmo Filho é mostrado diante da fase final de sua missão, prestes a subir a Jerusalém, onde enfrentará inimizade mortal (cf. Mc 10,1.32). Já tinha

anunciado seu sofrimento aos discípulos, equivocados a seu respeito (Mc 8,31-33). No evangelho de hoje, Pedro, Tiago e João são testemunhas de uma revelação em que vêem Jesus, antecipadamente, envolto na glória de Deus: a Transfiguração. E ouvem a Voz: “Este é meu Filho amado: escutai-o” (Mc 9,2-10). Antes de acompanhar Jesus no sofrimento, os discípulos recebem um sinal da glória de Jesus, para que saibam que o Pai está com ele quando ele vai dar sua vida por todos. Pois não é só Jesus dando a própria vida, é o Pai que dá seu Filho por nós, como diz Paulo na 2ª leitura.

É isso também que prefigura a 1ª leitura, que mostra Abraão disposto a sacrificar o próprio filho. Texto “escandaloso”: como pode Deus mandar sacrificar um filho? Expliquemos bem. Naquele tempo havia povos que pensavam que o primogênito, não só do rebanho, mas dos próprios filhos – sobretudo do chefe – devia ser dedicado a Deus mediante um sacrifício humano (assim acreditavam também, na América, os índios astecas etc). Ora, Isaac era o herdeiro legítimo (filho de mulher legítima), que Abraão em sua velhice recebera de Deus. Tinha poucas chances de ter outro herdeiro. Mesmo assim, estava disposto a dar ouvido à voz da crença que ditava sacrificar o primogênito. Mas Deus não quis – e não quer – sacrifícios humanos. Por isso, mandou um animal para substituí-lo.

O gesto magnânimo de Abraão tornou-se imagem da incompreensível magnanimidade de Deus, que dá seu “Filho unigênito” para nós (Jô 3,16). Magnanimidade, de fato, muito mal compreendida. Há quem pense que Deus é um carrasco, que quer que seu Filho pague com seu sangue os pecados dos demais. Mas muitos séculos antes de Cristo, os profetas negaram tal idéia: cada um é responsável por seu próprio pecado (Ez 18; Jr 31, 29 etc). Deus não é vingativo nem sanguinário, mas antes de tudo rico em misericórdia e fidelidade (Ex 34,6, Sl 115,1 etc). E é por isso que dispõe de seu Filho, para que este nos mostre a misericórdia e fidelidade de Deus por sua própria prática de vida. Jesus é Filho de Deus na medida em que sua atitude representa o amor fiel de Deus. É precisamente no momento de subir a Jerusalém para enfrentar a inimizade mortal das autoridades que isso se verifica. Jesus poderia ter virado o casaco, desistido de suas bonitas lições sobre o amor fraterno, poderia ter salvo a sua pele. Não quis. Quis ser a imagem do amor fiel de Deus. Por isso, quando Jesus dá sua vida por nós, é o Pai que a dá.

Nossa mentalidade egocêntrica, alimentada pela ideologia da competição e do consumo, dificilmente admite que Deus possa ser imaginado como um superlativo de Abraão, como alguém tão generoso que aceita a fidelidade de Jesus até o fim como se fosse o dom de seu único filho e herdeiro. “Este é meu Filho amado”. Nele, Deus se reconhece a si mesmo, reconhece seu próprio modo de agir.

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PE. JOHAN KONINGS nasceu na Bélgica em 1941, onde se tornou Doutor em Teologia pela Universidade Católica de Lovaina, ligado ao Colégio para a América Latina (Fidei Donum). Veio ao Brasil, como sacerdote diocesano, em 1972. Em 1985 entrou na Companhia de Jesus (Jesuítas) e, desde 1986, atuou como professor de exegese bíblica na FAJE, Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Faleceu no dia 21 de maio de 2022. Este comentário é do livro “Liturgia Dominical, Editora Vozes.

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Reflexão em vídeo de Frei Gustavo Medella


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    Fonte: franciscanos.org.br    BannerFr. Fábio M. Vasconcelos    Imagem:  vaticannews.va

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2024

Vivência da Quaresma:

Centro Cultural Missionário oferece retiro missionário

O Centro Cultural Missionário (CCM), organismo vinculado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), quer ajudar as pessoas na vivência do tempo quaresmal “com mais profundidade e qualidade”. Em março, será realizado o Retiro Missionário, com três encontros virtuais mediados por reflexões à luz da Palavra de Deus, nos dias 12,19 e 26.

“Essa experiência espiritual, realizada através de encontros virtuais (on-line) e de empenho diário de cada participante, levará em consideração as inspirações vindas da Palavra de Deus da liturgia dominical, o contexto do Ano da Oração como preparação para o Jubileu 2025 e referência às práticas da tradição quaresmal, principalmente a da oração”, explicou o bispo de Rondonópolis-Guiratinga (MT) e presidente da Comissão Episcopal para a Ação Missionária e Cooperação Intereclesial da CNBB, dom Maurício da Silva Jardim.

O bispo destaca também o objetivo do curso, que é “ajudar os participantes a viver, com mais profundidade e qualidade, o tempo litúrgico da Quaresma e motivá-los a acessar a própria interioridade e potenciar os impulsos relacionais que os movem: relação com Deus (oração-interioridade), relação com os outros (esmola-caridade) e relação com as coisas (jejum-autocontrole)”.

O exercício espiritual, como é definido pelo Centro Cultural Missionário, é voltado para todas as pessoas que desejam crescer e progredir na vida cristã e espiritual, sejam elas pessoas engajadas nas comunidades, lideranças e agentes de pastoral, consagrados, ministros ordenados, membros de Congregações, institutos, novas comunidades, como também pessoas de boa vontade.

A Proposta envolve momentos de recolhimento, contato com a Palavra de Deus, reflexão e oração, que deve levar à conversão. Segundo o diretor do CMM, padre Tiago Camargo, os participantes do retiro devem viver a “experiência de um encontro consigo mesmo, com os outros, com o mundo e com Deus”.

Confira os temas e mediadores das reflexões em cada dia do retiro:

12 de março

Temática e texto bíblico: “Deus enviou o seu Filho para que o mundo seja salvo por ele (cf. Jo 3,17). Por isso, crer n´Ele“.
Orientador: Pe. João Mendonça Filho, SDB: religioso salesiano, mestre em Educação e pregador de retiros espirituais

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19 de março

Temática e texto bíblico: “Se alguém me quer servir, siga-me (Jo 12,26). Deixar-se atrair por Jesus”.
Orientadora: Ir. Maria Inês Vieira Ribeiro, mad ex-presidente da Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB Nacional) e consultora da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e das Sociedades de Vida Apostólica.

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26 de março

Temática e texto bíblico: “Jesus Cristo esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e tornando-se igual aos homens” (Fl 2,7)
Orientador: Dom João Justino de Medeiros Silva, arcebispo de Goiânia e primeiro vice-presidente da CNBB.

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Para outras informações e inscrição, clique aqui.

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                                                                                                              Fonte: cnbb.org.br

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2024

Belo depoimento do padre Zezinho:

Discípulo da Gaudium e Spes

Depoimento!

Pe. Zezinho, scj

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Escolhi ser um padre atualizador

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Encantou-me a catequese de 7 de dezembro de 1965. Assinada por Paulo VI e por cerca de três mil bispos, assim que foi exarada, decidi que tentaria viver aquilo. Eu tinha 24 anos. Seria ordenado padre em 1966.

Para mim ficou claro que eu seria um padre ATUALIZADOR DA FÉ e, se possível, atravessador de desertos. Eu entendia que nossa Igreja tinha que mudar!

Para mim a fé é dinâmica. Progride, atualiza, cria e dialoga. Cabia muito bem na minha mística de travessia do Neguebe da vida, depois das revelações do Monte Sinai.

Levei a sério os desafios da nossa Igreja que vinha de duas grandes guerras mundiais e várias ditaduras no continente. A mística do diálogo poderia mudar nosso povo! Valéria a pena tentar. Nem direita, nem esquerda, nem centro. DIÁLOGO COM TODOS! Doutrina SOCIAL E MAIS CHANCE PARA OS POBRES!

Ao mesmo tempo, já nos primeiros anos de sacerdócio, ficou claro que eu teria que dialogar com católicos CONSERVADORES. Para eles, a Igreja não tinha que mudar. Não se muda um farol de quase 2 mil anos!…

Mas há pessoas cujos horizontes não são os mesmos que os meus. Isto também fazia parte da psicopedagogia que eu seguia e sigo!

Ora, o fato de eu aceitar mudanças e apostar nelas não me dava o direito de ignorar os bispos, padres, colegas seminaristas e leigos que iam só até certo ponto nas mudanças que a Igreja propunha no Concílio Vaticano II.

O mundo deles não era o meu. Eu arriscaria mais! Eles, porém, estabeleciam limites, a começar pela liturgia, pela sociologia e até pela maneira de se vestir. O passado era sagrado para eles. Só que tem que para mim também as mudanças eram sagradas. Não tínhamos e não temos as mesmas perspectivas.

CONSERVAR fazia parte da essência deles. ATUALIZAR fazia parte da minha!

Tive grandes amigos bispos e padres conservadores. Nunca tive problemas de conversar com eles. Eram cultos e piedosos.

Também tive grandes amigos bispos e padres e leigos AVANÇADOS e ATUALIZADORES. Eram cultos e piedosos também.

Eu sempre segui o número 1642 da Gaudium et Spes. Fazia parte da minha mística. VOCAÇÃO: DIALOGAR COM O MUNDO!

Uma das experiências mais difíceis do catolicismo é o DIÁLOGO.

Discordar sem ofender. Concordar sem ser capacho. Prosseguir nas mudanças sem ofender quem não quer continuar!

As palavras são MUDAR sem perder a essência! CONSERVAR sem ficar marcando passo!

Parte dos hebreus se negou atravessar o deserto e a prosseguir no Neguebe . Ensaiaram uma volta para o Egito. Não valia a pena prosseguir. A escravidão no Egito, para eles, era melhor do que a falta de água e de comida.

Os líderes eram Datan, Coré e Abirão. A Terra os engoliu e nunca voltaram! Moisés venceu, mas ele mesmo nunca entrou na Terra Prometida. Mas o povo chegou lá! E era isto o que Moisés queria!

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                                                                                             Fonte: facebook.com/padrezezinho

Reflexão muito oportuna:

Amizade social

Na quarta-feira de cinzas de 2024 foi lançada, em todo o Brasil, a Campanha da Fraternidade sobre amizade social, cujo lema é “Vós sois todos irmãos”.  Seu objetivo é despertar para a beleza da fraternidade humana, promovendo e fortalecendo os vínculos da amizade social, para que, em Jesus Cristo, a paz seja realidade entre todos.  

Entre seus propósitos, está a missão de compreender como a mentalidade de divisão está afetando o conjunto da vida, inclusive a dimensão religiosa, e identificar as principais causas da atual mentalidade de oposição e conflito, que gera a incapacidade de ver nas outras pessoas um irmão e irmã. Pretende-se, também, conscientizar sobre a necessidade de superar as divisões e polarizações, construindo a unidade em meio à pluralidade. 

O texto-base destaca os Sinais de predisposição à fraternidade e amizade social, e afirma que a fraternidade inscrita em nossa natureza humana a partir da comum filiação divina impele-nos constantemente, apesar dos desequilíbrios causados pelo pecado original, a viver a amizade social querida por Deus. 

Outro dado a ser considerado é a solidariedade que caracteriza o povo brasileiro e que se manifesta de forma gratuita e voluntária nas grandes tragédias, sejam elas naturais ou criminosas, quando as comunidades se mobilizam, organizam-se e colocam em comum bens e serviços necessários para o socorro das vítimas, realizando, mesmo que temporariamente, a fraternidade e amizade social querida por Deus em todo tempo e lugar. 

Também é mencionada a sadia e complementar pluralidade existente entre todos os seres humanos nas suas mais diversas expressões, dom da multiforme fecundidade do Criador para promover a integração e o crescimento da família humana, a partir da valorização de nossas diferenças.  

Mas o texto também alerta sobre os riscos de nosso tempo, como o uso e a exploração do outro, a indiferença generalizada, os julgamentos precipitados, a rejeição gratuita, o ódio desmedido, o combate a pessoas e não a ideias ou propostas, a morte sem sentido, como aquelas das crianças nas creches e escolas atacadas por jovens e adultos armados. Tudo isso nos leva a crer que o mal de que padece a nossa sociedade é o da alterofobia, ou seja, medo, rejeição, aversão a tudo aquilo que é outro, que não sou eu mesmo. Vivemos fisicamente próximos, mas absolutamente distantes. 

Tornamo-nos incapazes de nos colocar no lugar do outro, incapazes do que Jesus chama no Evangelho de compaixão, de padecer o sofrimento alheio. Vivemos um agudo processo de subjetivação, isto é, a única ótica que importa é a minha. E ignoramos o que o refrão cantado durante o Sínodo da Amazônia nos ensinou: “tudo está interligado como se fôssemos um, tudo está interligado nessa Casa Comum”. 

Dom Leomar Antônio Brustolin - Arcebispo de Santa Maria (RS)

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                                               Fonte: cnbb.org.br        Banner: Diocese de Guaranhuns

terça-feira, 20 de fevereiro de 2024

Dom Jaime no lançamento da Fraternidade em Aparecida (SP):

Um coração convertido é um coração fraterno

A Quaresma é tempo de resgatar a identidade batismal de irmãos e irmãs em Cristo Jesus. Assim o arcebispo de Porto Alegre e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Jaime Spengler, situou a proposta que o tempo litúrgico em preparação para a Páscoa oferece aos fiéis católicos. O arcebispo presidiu a Missa do 1º Domingo da Quaresma, no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, com o lançamento da Campanha da Fraternidade 2024.

Além de ser tempo de resgate da identidade batismal, a Quaresma é, segundo dom Jaime, “tempo favorável para sairmos de nossa alienação existencial causada pelo pecado” e tempo de conversão. Esta, por sua vez, “passa pela experiência da humildade, da aceitação do outro, do diferente de mim, e da alegria do encontro com o Crucificado-Ressuscitado”.

Um coração convertido, continuou o presidente da CNBB, jamais será indiferente aos irmãos e irmãs, “pois sabe que o amor a Deus e ao próximo sintetizam o projeto do Reino”.

“Um coração convertido é um coração fraterno”, exortou dom Jaime.

“Corações fraternos, que não produzem nem promovem divisões, são sinal de santidade autêntica, característica de quem acolheu o projeto de Jesus, reconhecendo que todos são filhos e filhas do mesmo Pai, e, portanto, irmãos e irmãs”.

Viver a fraternidade mais concretamente

É nesse contexto que se insere a Campanha da Fraternidade deste ano, com o tema “Fraternidade e Amizade Social” e o lema “Vós sois todos irmãos e irmãs”.

“A Campanha da Fraternidade da qual participamos, nos ajuda a viver a fraternidade ainda mais concretamente; oferece oportunidade para viver ainda mais intensamente a espiritualidade quaresmal; auxilia na vivência concreta do mandamento da caridade, do amor ao próximo, que sintetiza o mandamento da caridade, toda Lei e os profetas”, disse dom Jaime.

Compreender o valor da amizade social

Ao final da homilia, o presidente da CNBB convidou a todos a pedir ao Senhor a graça de compreender o valor da amizade social e a viver a beleza da fraternidade humana aberta a todos. “Isso para além dos nossos gostos, opções políticas, afetos e preferências, num caminho de verdadeira penitência e conversão, pois nós sabemos: somos todos irmãos e irmãs. E por isso não podemos não nos empenhar em promover a amizade, e a amizade no seio de toda a sociedade”.

Concelebraram com dom Jaime Spengler o arcebispo de Aparecida, dom Orlando Brandes, e assessores da CNBB: o subsecretário adjunto-geral, padre Patriky Samuel Batista; o secretário executivo de Campanhas da CNBB, padre Jean Poul Hansen; o assessor de Comunicação da CNBB, padre Arnaldo Rodrigues; e o assessor da Comissão Episcopal para a Liturgia da CNBB, frei Luís Felipe Marques.

Em sua saudação inicial, dom Orlando parabenizou o secretariado da CNBB, na pessoa do padre Jean Poul, pelo trabalho realizado na preparação da Campanha da Fraternidade. Ele disse que o texto-base está “entrando no coração do povo de Deus”. Para ele, esta Campanha da Fraternidade é “mística e profecia”.


Fotos: Gustavo Cabral/Portal A12

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                                                                                                              Fonte: cnbb.org.br

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2024

Considerações muito oportunas do padre Zezinho:

Não pregam do mesmo jeito

Pe. Zezinho, scj ||||||||||||||||||||||||||||

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O Jesus de cada grupo.

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SE VOCÊ CRÊ COMO CATÓLICO pense nos outros que também creem como católicos, mas creem de maneira diferente.

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Há milhares de católicos internautas que não aceitam as pregações do Papa e dos bispos do Brasil, assim como muitíssimos cristãos dos começos do cristianismo, também não aceitavam a catequese de São Paulo.

Hoje há católicos que ensinam a mesma catequese vinda de Roma! E há os outros que passam pela tangente!

Muitos desses padres e leigos colocam a política em primeiro lugar e a catequese em segundo. Basta ver seus perfis! Uns têm bandeira verde amarela, outros a bandeira vermelha. Nunca a do Vaticano!

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Desde o começo da nossa Igreja os seguidores escolhiam e ainda escolhem seu pregador. Paulo foi peremptório ao perguntar se de fato tinham entendido a fé cristã, já que se dividiam entre pró Paulo, pró Apolo e pró Cefas e o Cristo ficava em segundo lugar!…(1 Cor 1-12)    (1 Cor 3,22)

O que está acontecendo com estes católicos internautas? No começo da sua formação encontraram mestres com outra visão de Eclesiologia, Teologia e Espiritualidade. E escolheram a quem seguir e a quem obedecer cegamente .

Acontece que, para eles, o conceito de Igreja (Eclesiologia) não é o mesmo do que o do Papa e o da CNBB. Não são evangelizados já que preferiram seguir uma ideologia. A ideologia eles sabem de cor e salteado, mas na sua estante não há nenhum livro teologia. Às vezes nem mesmo têm uma Bíblia na estante, muito menos o CIC! Nem sabem o que são CIC, CVII ou a DSI. Mas dizem que o Papa e a CNBB são comunistas …

Lembram o leitor que marca com pincel amarelo os trechos de Bíblia que mais lhe agradam. Pulam as páginas que nada acrescentam ao que já decidiram seguir. Mas declaram-se CATÓLICOS (kat holos) (para todos) mas deixaram claro que não seguem nossa Igreja em tudo!

Na barca de Pedro entra muita gente que viaja junto, mas não ouve as pregações nem de Pedro nem de Paulo e nem de Jesus. Praticam uma mistura de catolicismo, mas não o Catolicismo.

Alguns dizem que é o Espírito Santo que os conduz! Para muitos deles os sinais de Pentecostes não passam por Roma! Dizem claramente que não precisam das orientações do Vaticano porque não confiam neste Papa argentino!…

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Não tenhamos medo de defender o Papa e se externar nossa fé, assim como eles também não têm medo de externar a deles.

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E se algum padre ou leigo católico achar que você está espiritualmente e politicamente errado, não invada a página dele. Publique sua catequese, mas só na sua própria página!

Um rabino do tempo de Jesus; Gamaliel, (At 5,34) refletiu sobre aquele novo Pentecostes dos anos 40. Dizia que, se fosse obra de Deus, os seguidores do CAMINHO prosperariam. Se não fosse , teriam vida curta!

Eu penso igual. Se for obra do Espírito Santo deixemos fluir. Se não for de Deus, nem é preciso combater. Eles mesmos pularão fora do catolicismo, criando outros púlpitos e nova seita.

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Se você é padre, então você tem um bispo ou um superior . E se o seu bispo aprova sua maneira de pregar vá tranquilo .

Quanto aos leigos e leigas que andam falando em línguas e profetizando em nome de Jesus, eles também deveriam pregar somente com a permissão do seu bispo. Mas não é o que acontece!

Há padres, leigos e leigas ensinando um tipo de catolicismo, de teologia e de uma cristologia que a maioria dos professores de catequese reprovariam.

Mas, se mesmo assim o bispo daquela diocese deixar passar, a autoridade é dele! Ele sabe o que está permitindo na sua diocese. Ficou bispo para decidir!

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Porém, e digo isto só na minha página, porque não sou bispo, mas o padre que falou que a Igreja Católica deveria excomungar mais gente, extrapolou. Nossa Igreja não ensina isto, nem esse tipo de frases peremptórias. Nossa mais inclui do que exclui...

Faz tempo que nossa Igreja pratica o ecumenismo e o diálogo com as outras igrejas. Não concordamos em tudo, mas caminhamos junto em mais de 90% dos temas da fé cristã.

Nossa Igreja não concorda em tudo mas não joga ninguém fora!

Continuamos dialogando e orando para que um dia sejamos UM, mas do jeito de Jesus e não do nosso jeito!

Quem não aceita dialogar com outras igrejas e com o mundo, está desatualizado há muitos anos.

Jesus dialogava. Não forçou o jovem rico; não forçou Nicodemos; não forçou a samaritana, deixou muitos seguidores irem embora (Jo 6,64-68 ). Mais acolheu do que impôs; não rejeitou e não exigiu que todos se convertessem naquela hora. Falou e deixou falar .

O resto era obra da graça. Naqueles começos Jesus ia de aldeia em areia e de cidade em cidade a pregar e semear o novo Reino! Ele CONVIDAVA! Mas CONVOCOU POUCOS. No cenáculo não havia mais de 120 seguidores. Ele dava tempo para quem o ouvia!

Só bateu de frente contra um grupo de fariseus e escribas que achavam que estavam salvando a BÍBLIA e o judaísmo! Foram eles que levaram Jesus à cruz!

CIC 818, 1271 ; 1636 ; 819-822

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                                                                                             Fonte: facebook.com/padrezezinho

domingo, 18 de fevereiro de 2024

Papa no Angelus deste domingo:

A Quaresma
ajuda a entrar no deserto interior, em contato com a verdade

Os "animais selvagens" que temos no coração, ou seja, as paixões desordenadas de vários tipos, podem levar ao risco de sermos dilacerados interiormente; enquanto os anjos recordam as boas inspirações divinas que "acalmam o coração, infundem o sabor de Cristo, o sabor do Céu".

Ir ao deserto para perceber a presença dos "animais selvagens"  e anjos em nosso coração, e com o silêncio e a oração captar os pensamentos e sentimentos inspirados por Deus.

Em síntese, esse foi o convite do Papa aos milhares de fiéis reunidos na Praça São Pedro em um dia ensolarado e temperatura amena, para o Angelus neste I Domingo da Quaresma.

"Animais selvagens e anjos", companhias de Jesus no deserto e também nossas

O Evangelho de Marcos - que inspirou a reflexão de Francisco - narra que Jesus «ficou no deserto durante quarenta dias, e aí foi tentado por Satanás», e também nós - observou o Papa - "somos convidados na Quaresma a “entrar no deserto”, isto é, no silêncio, no mundo interior, na escuta do coração, em contato com a verdade"

A leitura narra que "animais selvagens e anjos" eram a companhia de Jesus no deserto. Mas, em um sentido simbólico - explicou o Papa - "são também a nossa companhia: quando entramos no deserto interior, de fato, podemos encontrar ali animais selvagens e anjos."

E explica então, o sentido desses "animais selvagens":

Na vida espiritual podemos pensar neles como as paixões desordenadas que dividem o nosso coração, tentando possuir o coração. Elas nos sugestionam, parecem sedutoras, mas, se não estivermos atentos, levam ao risco de nos dilacerar.

Os "animais" alojados em nossa alma

E  Francisco diz  ainda que podemos dar nomes a esses “animais” da alma:

Os vários vícios, a ganância de riqueza, que aprisiona no cálculo e na insatisfação, a vaidade do prazer, que condena à inquietação e à solidão, e ainda também a avidez pela fama, que gera insegurança e uma necessidade contínua de confirmação e protagonismo.  É interessante: não se esquecer dessas coisas que podemos encontrar dentro de nós: ganância, vaidade e avidez. São como animais “selvagens” e como tais devem ser domesticados e combatidos: caso contrário, devorarão a nossa liberdade. E a Quaresma nos ajuda a entrar no deserto interior para corrigir essas coisas.

O "serviço" em oposição à "posse"

Mas junto com Jesus no deserto, além dos "animais selvagens", estavam também os anjos, "mensageiros de Deus, que nos ajudam, nos fazem bem". E segundo o Evangelho, sua característica "é o serviço":

Exatamente o contrário da posse, típica das paixões. Serviço em oposição à posse. Os espíritos angélicos, em vez disso, recordam os pensamentos e bons sentimentos sugeridos pelo Espírito Santo. Enquanto as tentações nos dilaceram, as boas inspirações divinas unificam-nos e fazem-nos entrar em harmonia: acalmam o coração, infundem o sabor de Cristo, infundem “o sabor do Céu”. E para captar a inspiração de Deus e entender bem, é preciso entrar no silêncio e oração. E a Quaresma é tempo para fazer isso. Sigamos em frente.

Retirar-se ao deserto e ouvir Deus que fala no coração

Assim, ao darmos os primeiros passos no caminho quaresmal, o Papa propõe que façamo-nos duas perguntas:

Primeiro: quais são as paixões desordenadas, os “animais selvagens” que se agitam no meu coração? Segundo: para permitir que a voz de Deus fale ao meu coração e o guarde no bem, penso retirar-me um pouco para o “deserto”, ou procuro dedicar durante o dia algum espaço para repensar isso?

Ao concluir, o Papa pediu "que a Virgem Santa, que guardou a Palavra e não se deixou tocar pelas tentações do Maligno, nos ajude no tempo da Quaresma."

Jackson Erpen - Cidade do Vaticano

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Assista:

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