quinta-feira, 23 de novembro de 2023

Reflita com o padre Anderson Marçal:

Por que celebramos, na Igreja, a Festa de Cristo Rei?

A solenidade deste último domingo do ano litúrgico da Igreja (26/11) nos coloca frente à realeza do Rei Jesus. Criada em 1925, pelo Papa Pio XI, essa festa litúrgica pode parecer pretensiosa e triunfalista. Afinal, de que essa realeza se trata?

Para superar a ambiguidade que permanece, precisamos ir além da visão do Apocalipse, cujo hino na segunda leitura canta que “Jesus é o soberano de todos os reis da terra”. Ora, reis e rainhas não servem de modelo para a representação gloriosa de Jesus. Mesmo que seja para colocá-Lo acima de todos os soberanos. Riquezas, palácios, criadagem e exércitos não são elementos que sirvam para exaltar a entrega de Jesus por nós. Jesus está na outra margem, Ele é a antítese da realeza da riqueza e do poder. Não é por acaso que os evangelhos da liturgia de hoje, nos ciclos litúrgicos A, B, e C da Igreja, sempre nos colocam no contexto da Paixão de Jesus para contemplar Sua realeza.

Quando Jesus foi rei?

Jesus foi Rei, durante Sua vida, em apenas dois momentos: ao entrar em Jerusalém, como um Rei pobre, montado em um jumento emprestado, e ser humilhado na Paixão, revestido com manto de ”púrpura-gozação e capacete de espinhos”; e, Rei, ao morrer despido, com o peito transpassado na cruz. Rei da paz e Rei do amor sem limite até a morte. A realeza de Jesus é a realeza do Amor Ágape de Deus por toda a humanidade e por toda a criação.

Essa festa é a ocasião propícia para podermos reconhecer, mais uma vez, que, na cruz de Jesus, o ”poder dominador”, o ”poder opressor”, criador de desigualdades e exclusões, espalhador de sofrimento por todos os lados, está definitivamente derrotado. Isso se deu pelo seu modo de viver para Deus e para os outros. O fracasso na cruz é a vitória de Jesus sobre o mal, o pecado e a morte, por meio de Sua Ressurreição.

Deus é o criador

Essa festa se torna, então, reveladora de um tríplice fundamento para a nossa esperança de que as promessas de Deus serão cumpridas até o fim.

O surgimento da matéria e sua evolução, desde o big-bang ─ quando toda a energia do Universo se concentrava em um único ponto menor do que o átomo ─ são o primeiro fundamento de nossa esperança.

Deus é criador respeitando as leis daquilo que criou. Nós nos damos conta de que a soberania d’Ele vem se cumprindo num Universo em expansão, uma vez que a evolução da matéria atingiu seu ponto ômega ao dar à luz a Jesus de Nazaré, por meio de Maria, porque, n’Ele está a Humanidade humanizada para todos os homens e mulheres, de todas as gerações.

O segundo fundamento é a pessoa de Jesus de Nazaré. O sonho de uma humanidade humanizada ─ tornada aquilo que ela é ─ vem expresso na primeira leitura do livro de Daniel, na figura de um Filho de Homem ─ figura antitética dos filhos de besta, filhos da truculência, dos povos pagãos que oprimiram Israel com seus exércitos. O sonho tornou-se realidade em Jesus Cristo. Ele nos humaniza com a Sua divindade: nunca Deus esteve tão perto de nós, sendo um de nós e sem privilégios; mas também sem crimes nem pecados (cf. epístola aos Hebreus). Jesus nos diviniza com a sua humanidade, tão humano que é, que só pode vir de Deus e ser d’Ele mesmo.

O terceiro fundamento de nossa esperança é a comunidade eclesial de fé, dos amigos e discípulos de Jesus. Olhando essa grandeza, entendemos o sentido último de nosso batismo, pois, na realeza de Jesus, fomos batizados para sermos reis e rainhas; no sacerdócio de Jesus, para sermos sacerdotes e sacerdotisas; no profetismo de Jesus, para sermos profetas e profetizas, para viver segundo o imperativo da Palavra de Deus revelada em Seu Filho.

A soberania dessa realeza consiste no serviço da cultura da paz e da solidariedade, da compaixão e da fraternidade. O poder que corresponde a essa realeza é o do exercício da autoridade que serve, para fazer o milagre da diversidade tornar-se unidade.

Os gestos de Jesus

No sacerdócio de Jesus, nos unimos à Sua missão de gastar a vida pelos demais. Sabemos por Ele qual o modo de existir que nos conduz à vida verdadeira; qual a religião que agrada a Deus. A esperança posta no sacerdócio de Jesus, é também, certeza de que a vida gasta por compaixão e solidariedade é a vida feliz e bem vivida.

Nossa esperança é profética, pois a força da Palavra inaugura o futuro. “Apesar de você, amanhã há de ser outro dia (…)”, cantava Chico Buarque nos anos da ditadura. Era a palavra do poeta vencendo a força bruta. Vivendo o tempo presente no coração da comunidade de fé, que é a Igreja, sentimos que uma força maior se move em nós, nos comove para abrir-nos em direção ao futuro, pois nossa esperança não se funda somente em Deus, sentido radical do futuro ou, como diz o provérbio, que “o futuro a Deus pertence”. Mas é o Senhor mesmo a quem esperamos e quem nos espera no futuro. Isso que é ter esperança: esperar Deus mesmo!

A Festa de Cristo Rei

A festa que celebramos próximo dia 26, nos faz contemplar a existência do universo, tão necessária para que surgisse o grande presente de Deus, oferecido para toda a criação, que é Jesus. Dessa forma, nossa esperança se sustenta também nos cantos dos bem-te-vis e sabiás; nas rosas e margaridas; nas crianças e nas borboletas; nos homens e mulheres de boa vontade; nas pedras e nos vulcões; nas nuvens, na lua e nos planetas; nas estrelas e nas galáxias. Se existe tudo isso e não o nada, nossa esperança tem pé, cabeça e coração.

Assim, como São Paulo, vivemos na esperança, mas sabendo de seu tríplice fundamento: aquele da evolução do universo, que culminou em Jesus, pelo dom de Maria; aquele que é Jesus, que, por nós se doou na cruz, abrindo para nós um modo de viver para Deus e para os outros, o que é verdadeira salvação; e aquele que é a Igreja, a nossa comunidade de fé, que nos lança e sustenta na abertura radical ao futuro, esperando Deus que vem e que nos acolhe com amor infinito, por meio do seguimento de Seu Filho, por quem recebemos a vida e a plenitude da graça de Deus.

Padre Anderson Marçal

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                                                                                         Fonte: facebook.com/VidaCelebrada

quarta-feira, 22 de novembro de 2023

Papa na Audiência Geral desta quarta-feira:

o chamado de Deus não é um privilégio, é para todos

“Não podemos dizer que somos privilegiados em relação aos outros. O chamado é para um serviço. E Deus escolhe um para amar a todos, para alcançar a todos”, disse o Papa na Audiência Geral desta quarta-feira, 22 de novembro.

“A mensagem cristã é para todos”. Esse foi o tema escolhido pelo Papa Francisco para a catequese da Audiência Geral desta quarta-feira (22). Reunido com milhares de fiéis na Praça São Pedro o Pontífice enfatizou que através do encontro com Jesus os cristãos são chamados a anunciar com alegria as maravilhas do Evangelho.

Através da propagação da mensagem de Cristo, sublinhou Francisco, “existe um poder humanizador, uma realização de vida que está destinada a cada homem e a cada mulher, porque Cristo nasceu, morreu e ressuscitou por todos, não excluiu ninguém”.

O cristão deve ser aberto e extrovertido

O Papa recordou um trecho da Exortação Apostólica sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual, Evangelii Gaudium:

«Todos têm o direito de receber o Evangelho. Os cristãos têm o dever de o anunciar, sem excluir ninguém, e não como quem impõe uma nova obrigação, mas como quem partilha uma alegria, indica um horizonte estupendo, oferece um banquete apetecível. A Igreja não cresce por proselitismo, mas “por atração”» (n. 14).

Francisco ao sublinhar a importância do serviço da destinação universal do Evangelho, convidou os fiéis a destacarem-se “pela capacidade de ir além de si mesmos, de superar o egoísmo e todas as fronteiras”:

“Os cristãos reúnem-se mais no adro da igreja do que na sacristia, percorrem as praças e as ruas da cidade. Devem ser abertos e expansivos, extrovertidos, e este carácter vem de Jesus, que fez da sua presença no mundo um caminho contínuo, destinado a chegar a todos, aprendendo até com alguns dos seus encontros.”

O chamado do Senhor é para servir

Ao falar sobre a pregação de Jesus narrada nos evangelhos, o Papa recordou que a propagação da Boa Nova não deve limitar-se ao povo ao qual pertence, mas deve estar aberta a todos. “A Bíblia nos mostra”, disse o Papa, “que quando Deus chama uma pessoa e faz uma aliança com alguém, o critério é sempre esse:

“O Senhor elege alguém para alcançar outros, esse é o chamado de Deus.”

Em seguida o Santo Padre destacou que todos os amigos do Senhor experimentaram a beleza, mas também a responsabilidade e o fardo de serem "escolhidos" por Ele, e completou: “todos já experimentaram o desânimo diante de suas fraquezas ou da perda de sua segurança”.

Francisco então exortou os fiéis sobre o risco do fechamento que pode assolar os cristãos:

“A tentação maior é considerar o chamado recebido como um privilégio. Por favor, não, o chamado não é um privilégio, nunca. Não podemos dizer que somos privilegiados em relação aos outros. O chamado é para um serviço. E Deus escolhe um para amar a todos, para alcançar a todos.”

Ao final da sua catequese o Papa enfatizou que o chamado de Jesus é universal: “não é para um grupo de eleitos de primeira classe”: “Deus escolhe alguém para amar a todos. Esse é o horizonte da universalidade. O Evangelho não é só para mim, é para todos, não vamos nos esquecer disso”, concluiu o Papa.

 Thulio Fonseca - Vatican News

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Assista:

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                                                                                                                    Fonte: vaticannews.va

Catequese questionadora do padre Zezinho:

Aos que nos odeiam porque pregamos a TL bíblica

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Is 57,1-3) O justo desaparece e ninguém se incomoda, homens de bem são eliminados e ninguém percebe! Vítima da injustiça, o justo é eliminado. Que venha a paz, e possa repousar no leito todo aquele que anda na retidão. “

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Aos que foram doutrinados contra a DSI, contra o CIC, contra o CVII, contra a CNBB, contra o Sínodo, contra o Papa Francisco, é quase impossível explicar para eles a diferença entre pregar a Teologia Bíblica da Libertação e a Teologia da Libertação antigamente ligada a conceitos marxistas. Não é a mesma teologia. Mas eles insistem nesta calúnia. Não aceitam que há Libertação Bíblica, e há quase 2 mil passagens sobre libertação da pessoa e de um povo!

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Foram doutrinados por mestres de direita, anti comunistas ferrenhos e, por mais que um biblista ou catequista explique que não é a mesma teologia, sempre virão com as mesmas calúnias tipo “a TL é comunista” “a TL é um câncer na Igreja”.

Ora, se lessem o Êxodo 22, 20-26 ; os 150 salmos, os 66 capítulos de Isaias, os mais de 30 hinos de libertação da Bíblia, Esdras, Neemias, o hino de Maria ( Lc 1,46-55) o hino de Zacarias ( Lc 1 , 67-79 ) o hino de Ana, Mateus 25,31-46 e mais de 2.000 passagens de libertação em toda a Bíblia mudariam de opinião . Mas não querem. Alguns nem sequer leem a Bíblia. São católicos que escolheram nos caluniar!

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As 26 encíclicas sociais de 10 papas desde Leão XIII até o Papa Francisco falam de DIÁLOGO, LIBERTAÇÃO E DIREITOS HUMANOS. Mas tais católicos nunca os leram, nem querem ler. O negócio deles é nos caluniar, negando que somos padres, catequistas e pregadores da fé católica.

Preferem repetir que a Igreja atual é esquerdista, comunista e se desviou da VERDADE CATÓLICA.

Tudo nasceu de erros de acento de alguns pregadores dos anos 70. Mas os papas João Paulo VI e Bento XVI reagiram e já corrigiram. A Igreja NÃO é pró marxismo, mas também não é pró capitalismo. Ela tem sua própria doutrina social e segue muitos livros e textos da BÍBLIA, nada de comunismo!

Os mesmos Papas que condenaram os exageros filo-marxistas, depois acentuaram que há validade na Teologia da Libertação, na Teologia do Povo e nas Cebs. Corrigidos os exageros, a TL fez e faz bem ao povo.

Está tudo na Bíblia. Bastaria ler! Mas, como aprenderam errado e foram insuflados contra qualquer conceito de LIBERTAÇÃO, acham que nós, que pregamos Teologia Bíblica da Libertação, Doutrina Social da Igreja ( DSI) o Concílio Vaticano II (Gaudium et Spes) , somos todos comunistas e traidores da fé católica .

A inferência é que eles são os verdadeiros católicos, porque são da direita civilizada, fieis conservadores, fiéis à Tradição.

Então, gente que nunca leu a Bíblia ou os mais de 100 documentos da Igreja desde os anos 1900, que nunca estudou catequese, nem exegese, nem Teologia ou Sociologia, nem História da Igreja atreve-se sujar a reputação do Papa e chamar-nos de “ câncer da Igreja”.

Se ao menos lessem 5% destes livros da Bíblia e 2% destes documentos talvez mudassem de opinião. Mas não querem.

Dizem que somos maus católicos! Será que alguma vez já se perguntaram se eles mesmos AINDA SÃO CATÓLICOS; já que não querem caminhar nem com o Concílio nem com o Sínodo, nem com o Papa?

Lembram DATAN, ABIRÃO e CORÉ, o grupo de revoltosos contra Moisés no deserto, que quiseram voltar atrás para o Egito. Foram engolidos por uma fenda na terra!

Não querem aceitar o fato, mas pelo que escrevem na Internet e, às vezes no púlpito, estão todos com um pé fora da fé católica! Quem está recuando são eles! Quem quer continuar somos nós!

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                                                                                       Fonte: facebook.com/padrezezinhoscj

terça-feira, 21 de novembro de 2023

Novo livro do Papa Francisco:

O meu Presépio

Nesta terça-feira, 21 de novembro, será publicado em italiano o livro do Papa Francisco “Il mio Presepe. Vi racconto i personaggi del Natale” (O meu Presépio. Conto a vocês sobre os personagens do Natal, publicado em português pela Princípia Editora, Ldª, em co-edição com a Livraria Editora Vaticana). O livro também estará disponível em francês, inglês, alemão, espanhol, esloveno. Publicamos a introdução escrita pelo Santo Padre.

Duas vezes desejei ir a Greccio.

A primeira, para conhecer o lugar onde São Francisco de Assis inventou o presépio, que também marcou a minha infância: em casa dos meus pais, em Buenos Aires, estava sempre presente este símbolo do Natal, mais até do que a árvore.

Da segunda vez voltei de boa vontade a esta localidade, hoje situada na província de Rieti, para assinar a carta apostólica Admirabile Signum sobre o sentido e o significado do presépio nos nossos dias.

Em ambas as ocasiões senti libertar-se uma emoção especial da gruta onde podemos admirar um fresco medieval que retrata a noite de Belém e a de Greccio, que o artista põe como que em paralelo.

A emoção daquela visão leva-me a aprofundar o mistério cristão que gosta de se esconder dentro daquilo que é infinitamente pequeno.

Com efeito, a encarnação de Jesus Cristo continua a ser o coração da revelação de Deus, mesmo quando facilmente se torna discreta a ponto de passar despercebida.

A pequenez é, de fato, o caminho para encontrar Deus.

• O meu presépio – Vou falar-vos das personagens do Natal •

Num epitáfio comemorativo de Santo Inácio de Loyola diz-se: «Non coerceri a maximo, sed contineri a minimo, divinum est» NT. É divino ter ideais que não sejam limitados por nada do que existe, mas ideais que, ao mesmo tempo, se contenham e sejam vividos nas coisas mais pequenas da vida. Em suma, não vale a pena assustar-se com as coisas grandes, importa antes andar em frente e reparar sempre nas coisas mais pequenas.

É por esta razão que salvaguardar o espírito do presépio se tor- na uma imersão salutar na presença de Deus, que se manifesta nas pequenas coisas, por vezes banais e repetitivas, do quotidiano. Saber renunciar àquilo que seduz, mas leva por maus caminhos, e escolher os caminhos de Deus é a tarefa que nos espera. Para este efeito, o dis- cernimento é um grande dom e nunca nos devemos cansar de o pedir na oração. No presépio, os pastores são aqueles que acolhem a surpresa de Deus e vivem com espanto o encontro com Ele, adorando-O: na pequenez reconhecem o rosto de Deus. Humanamente, somos todos impelidos a procurar a grandeza, mas é um dom saber encontrá- -la de verdade: conseguir encontrar a grandeza naquela pequenez que Deus tanto ama.

Em janeiro de 2016 encontrei-me com jovens de Rieti precisa- mente no Oásis do Menino Jesus, pouco acima do Santuário do Presépio. Recordei-lhes então, e recordo hoje a todos, que são dois os sinais que, no Natal, nos guiam para reconhecer Jesus. Um é o céu cheio de estrelas. São tantas, infinitas, mas entre todas brilha uma especial, que impele os Magos a deixar as suas casas e a iniciar uma viagem, um caminho que não sabem aonde os vai levar. Acontece o mesmo na nossa vida: em certo momento, uma «estrela» especial convida-nos a tomar uma decisão, a fazer uma escolha, a iniciar um caminho. Devemos pedir a Deus com força que nos mostre essa estrela que nos impele para além dos nossos hábitos, porque essa estrela levar-nos-á a contemplar Jesus, aquele Menino nascido em Belém que quer a nossa felicidade plena.

Naquela noite que se tornou santa pelo nascimento do Salvador encontramos um outro sinal poderoso: a pequenez de Deus. Os anjos mostram aos pastores um menino nascido numa manjedoura. Não um sinal de poder, de autossuficiência ou de soberba. Não. O Deus eterno reduz-Se a Si próprio a um ser humano indefeso, pobre, humilde. Deus rebaixou-Se para que nós possamos caminhar com Ele e para que Ele possa pôr-Se ao nosso lado; Deus não quer pôr-Se acima ou longe de nós.

Espanto e maravilha são os dois sentimentos que emocionam todos, pequenos e grandes, perante o presépio, que é como um Evangelho vivo que transborda das páginas da Sagrada Escritura. Não inte- ressa como se arranja o presépio, se é sempre igual ou diferente todos os anos; o que importa é que ele fale à nossa vida.

O primeiro biógrafo de São Francisco, Tommaso da Celano, descreve a noite de Natal de 1223, cujo oitavo centenário festejamos este ano. Quando Francisco chegou, encontrou o berço com a palha, a vaca e o burrinho. As pessoas que acorreram manifestaram uma alegria indescritível, nunca antes experimentada, perante aquela cena de Natal. Depois o sacerdote celebrou solenemente a Eucaristia sobre a manjedoura, mostrando assim a ligação entre a Encarnação do Filho de Deus e a Eucaristia. Em Greccio não existia então nenhuma figura: o presépio foi feito e vivido pelos próprios presentes.

Estou certo de que o primeiro presépio, que realizou uma grande obra de evangelização, pode ocasionar ainda hoje espanto e maravilha. Assim, o que São Francisco realizou com a simplicidade daquele gesto permanece nos nossos dias uma forma genuína da beleza da nossa fé.

Francisco

Cidade do Vaticano, 27 de setembro de 2023 

*Em português, o livro foi lançado pela Princípia Editora, Ldª

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                                                                                                                    Fonte: vaticannews.va

Papa Francisco neste Dia Mundial da Pesca:

Rezemos pelos pescadores, eles cuidam dos nossos mares

Com uma mensagem em sua conta na rede social "X", o Papa recorda o Dia Mundial da Pesca, enquanto na FAO o observador permanente dom Fernando Chica Arellano e a Irmã Alessandra Smerilli, secretária do Dicastério para o Desenvolvimento Humano Integral, recordam a posição da Santa Sé sobre os trabalhadores e as necessidades do setor: os portos devem ser lugares não só de intercâmbio, mas de fraternidade, não há oposição entre ecologia e trabalho.

O porto é uma metáfora da vida. Um lugar de passagens, trocas, reuniões, espera. Principalmente local de ancoragem, a segurança que deixa para trás longos dias de navegação, trabalho e possíveis tempestades. Portanto, mais do que apenas um local de comércio e negócios, precisa de "responsabilidade social e uma solidariedade constante que prevaleça sobre considerações puramente centradas no lucro". O arcebispo Fernando Chica Arellano, observador permanente da Santa Sé na FAO, Ifad e Wfp, tomou a palavra na sede da FAO para relatar a posição da Santa Sé sobre a vida dos pescadores no Dia Internacional da Pesca, ao qual o Papa dedicou um pensamento publicado em seu perfil @Pontifex no "X": "Rezemos pelos pescadores e por suas famílias e agradeçamos-lhes porque todos os dias lançam as suas redes com um ato de fé na providência divina e cuidam dos nossos mares".

A Santa Sé ao lado dos pescadores

Cada vez mais, observa dom Chica Arellano, os portos "são centros multiculturais de intercâmbio e diálogo, onde as relações humanas e comerciais contribuem para o crescimento econômico e social de um país, bem como para a segurança alimentar nacional". É "essencial", acrescentou, "intensificar os esforços para que todos esses aspectos continuem a se fortalecer e a se harmonizar em benefício de todo o setor marítimo e pesqueiro". A Santa Sé, reiterou, "sempre esteve ao lado dos pescadores, especialmente os menos favorecidos, buscando fazer com que todos possam desfrutar do direito fundamental ao trabalho decente e a um ambiente saudável, limpo e sustentável".

Conversão ecológica

O prelado deixou claro que é "nos portos que devem ser tomadas medidas apropriadas para a conservação e gestão dos recursos biológicos marinhos, respeitando o uso sustentável dos ecossistemas do mar", apreciando o que foi feito em nível legal em casos recentes. Em última análise, disse o arcebispo, é uma questão de voltar à "conversão ecológica" tão desejada pelo Papa. Conversão, acrescentou Chica Arellano, que se refere a "uma ética que respeita as pessoas", que também melhorará o bem daqueles que trabalham nos portos". Lugares onde, lembrou, a Igreja, por meio do cuidado pastoral do Stella Maris, assiste "humana e espiritualmente" aqueles que trabalham ou transitam ali "para que seu bem-estar aumente".

Irmã Smerilli: economia e justiça não estão em conflito

No limiar da COP 28, não nos esqueçamos "do grito de dor que sobe ao céu da terra e do mar" e, prestemos atenção ao apelo do Papa que, na Laudate Deum, adverte que os homens não estão reagindo o suficiente para evitar que o mundo se aproxime de um ponto de ruptura. Irmã Alessandra Smerilli, secretária do Dicastério para o Desenvolvimento Humano Integral, falou na FAO por ocasião do Dia Mundial da Pesca, dedicado, explica ela, "a um dos mais antigos ofícios e fontes de alimento da história humana".

A arrogância que ameaça a honestidade

O convite da religiosa aos participantes é que adotem uma visão holística para que possamos restabelecer as conexões que "muitas vezes os interesses e as perspectivas partidárias tendem a separar". "Não há nada de bom", explica Smerilli, "em ver uma oposição entre ecologia e trabalho, entre alimentação e segurança, entre economia e justiça". Smerilli considera o tema dos portos, ao qual a conferência é dedicada, como uma metáfora da vida. "Todos nós, como seres humanos, temos pontos de partida e retorno, intersecções de encontros e intercâmbios, necessidades de paz e regras comuns", e são nos portos que "grandes e pequenas organizações operam, reunindo a comunidade local e a presença do mundo inteiro".

Ali, explica a religiosa, é preciso combater "a arrogância dos fortes que ameaça o trabalho dos honestos e a biodiversidade marinha do planeta". A referência clara é à "pesca destrutiva no ecossistema marinho" que explora o trabalho dos pescadores "que sabem como é importante cuidar do mar para o futuro de seu sustento". Argumentos que provavelmente, indica Smerilli, já estão sendo abordados "em portos de todo o mundo", bem como em organizações internacionais, para que "levem a sério sua vocação original de promover e facilitar processos de legalidade e justiça que dão voz a quem não tem voz".

Repensar o futuro

A realidade, continua irmã Alessandra, pode ser melhor compreendida nas periferias humanas e existenciais, onde nasce uma "sabedoria do trabalho e da vida", de modo que "os centros de poder possam se conscientizar dos efeitos e do impacto das decisões que tomam e perceber a necessidade de repensar o futuro do nosso mundo". A Igreja, concluiu, pretende se colocar a serviço dessa "capacidade de ter sonhos e visões", colocando-se ao lado "daqueles que trabalham pela dignidade humana, pelo cuidado do planeta, pelo crescimento da fraternidade e da amizade social em um mundo que clama por justiça e paz".

Francesca Sabatinelli e Alessandro De Carolis - Cidade do Vaticano
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                                                                                                                    Fonte: vaticannews.va

segunda-feira, 20 de novembro de 2023

Catequese com o padre Zezinho:

O poder e o pedir

Pe. Zezinho, scj ||||||||||\||||||||||||||||||||||||

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Padre Zezinho

Não temos o poder, por isso temos o pedir.

E quem mais sabe interceder e pedir a Jesus, ou ao Pai e ao Espírito é a mãe de Jesus.

Ela também não tem “o” poder, mas de pedir ao Filho ela entende mais do que todos os pregadores do mundo que vivem intercedendo pelos seus fiéis nos templos e na televisão.

Se eles acham que têm o poder de pedir, a mãe de Jesus pode mais. Faz 20 séculos que o Filho levou sua mãe para o Céu.

Ela já intercedia ao Filho quando ainda vivia na Terra; e intercede muito mais, agora que está no Céu há vinte séculos!

Peçamos a intercessão de Maria e de todos os santos, sempre lembrando de usar o Santo Nome de Jesus, porque, no Céu e na Terra, todo poder foi dado a Ele. (Mt 28,18)

ISTO É CATEQUESE, CATEQUESE CATÓLICA!

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                                                                                       Fonte: facebook.com/padrezezinhoscj

domingo, 19 de novembro de 2023

No Angelus, Papa exorta a superar o medo

que paralisa e lançar-se com confiança em Deus

"Ou tens medo diante de Deus ou tens confiança no Senhor". E a exemplo dos protagonistas da parábola, também nós, recordou o Papa Francisco no Angelus, “recebemos talentos, todos, muito mais preciosos que o dinheiro. Mas muito do modo como os investimos depende da nossa confiança no Senhor, que liberta o coração, nos torna ativos e criativos na prática do bem”.

“O medo paralisa, a confiança liberta”. Medo ou confiança, duas posturas que podemos ter diante de Deus e que serão determinantes na nossa relação com Ele e por consequência na multiplicação ou não dos talentos que gratuitamente d'Ele recebemos.

Dirigindo-se aos milhares de fiéis reunidos na Praça São Pedro neste XXXIII Domingo do Tempo Comum, o Papa falou das duas maneiras diferentes de nos aproximarmos de Deus. Para tal, inspirou-se na Parábola dos Talentos narrada no Evangelho de Mateus 25, 14-30.

Francisco começa explicando que os talentos confiados por um senhor que sai em viagem aos seus servos “eram seus bens, um capital", e foram distribuídos “de acordo com as capacidades de cada um”.

Ao retornar, este senhor pede contas aos servos. Dois deles dobraram os talentos que receberam, o que é elogiado pelo senhor, enquanto o terceiro, por medo, enterrou o seu, devolvendo o mesmo que havia recebido, atitude que recebe uma repreensão.

O medo que bloqueia

O Santo Padre então, explica a primeira maneira de nos aproximarmos de Deus, que é aquela movida pelo medo, de alguém que não confia em sua bondade e por isso fica bloqueado:

É aquela daquele que enterra o talento recebido, que não sabe ver as suas riquezas dadas por Deus: ele não confia nem no patrão, nem em si mesmo (...). Ele sente medo dele, não vê a estima, não vê a confiança que o senhor deposita nele, mas vê somente o agir de um patrão que exige mais do que dá, de um juiz. E esta é a sua imagem de Deus: não consegue acreditar na sua bondade, não consegue acreditar na bondade do Senhor em relação a nós. Por isso fica bloqueado e não se deixa envolver na missão recebida. 

A atitude de confiança que liberta

Atitude diferente, por sua vez, têm os outros dois protagonistas, “que retribuem a confiança do seu senhor, confiando por sua vez nele”:

Esses dois investem tudo o que receberam, mesmo que inicialmente não saibam se tudo irá correr bem: estudam, veem as possibilidades e prudencialmente buscam o melhor; aceitam o risco de se envolverem. Confiam, estudam e arriscam. Assim, têm a coragem de agir com liberdade, de forma criativa, gerando nova riqueza.

E diante de Deus, temos esses dois caminhos a seguir, observa o Papa, “medo ou confiança. Ou tens medo diante de Deus ou tens confiança no Senhor". E a exemplo dos protagonistas da parábola, também nós, recorda Francisco, “recebemos talentos, todos, muito mais preciosos que o dinheiro. Mas muito do modo como os investimos depende da nossa confiança no Senhor, que liberta o coração, nos torna ativos e criativos na prática do bem”:

Superar o medo e confiar em Deus

Não esqueçamos isso: a confiança liberta, sempre, o medo paralisa. Recordemos: o medo paralisa, a confiança liberta. E isto também se aplica à educação dos filhos. E perguntemo-nos: acredito que Deus é Pai e me confia dons porque confia em mim? E eu, confio n'Ele a ponto de me lançar sem desanimar, mesmo quando os resultados não são certos nem óbvios? Sei dizer a cada dia na oração: ‘Senhor, eu confio em Ti, dá-me forças para seguir em frente: confio em Ti, nas coisas que me deste. Deixe-me saber como, como levá-las em frente...'. Por fim, também como Igreja: cultivamos em nossos ambientes um clima de confiança e de estima recíproca, que nos ajuda a seguir em frente  juntos, que desbloqueia as pessoas e estimula a criatividade do amor em todos? Pensemos nisso.

Que a Virgem Maria, disse ao concluir, nos ajude a superar o medo e a confiar em Deus - nunca ter medo de Deus! Temor sim, medo não - e a confiar no Senhor.

Jackson Erpen – Cidade do Vaticano

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Francisco almoça com os pobres
para um momento inesquecível de amizade

Eram mais de 1200 a esperar a chegada do Papa na Sala Paulo VI para partilhar com ele a refeição por ocasião do Dia Mundial dos Pobres.

Esperaram que terminasse a oração do Angelus e depois encontraram-no, cumprimentaram-no e sentaram-se à mesa com ele. Os pobres e os seus acompanhantes, mais de 1200 pessoas no total, lotaram a Sala Paulo VI, transformada para a ocasião num amplo e inusitado restaurante, para o habitual almoço com Francisco, por ocasião do Dia Mundial dos Pobres celebrado neste XXXIII Domingo do Tempo Comum. Antes de iniciar, o Papa deu a sua bênção, agradecendo a Deus pelo “momento de amizade, todos juntos”, pela refeição, por quem a preparou.

As mesas postas, decoradas com flores brancas e amarelas, serviram de cenário para fotografias e selfies que eternizaram um momento inesquecível de acolhimento, atenção, carinho e amor para com todos aqueles que no resto do ano vivem nas ruas na indiferença da cidade ​​e que hoje dividiram a mesa com o Pontífice.

Um almoço organizado pelo Dicastério para o Serviço da Caridade e oferecido este ano pelos Hotéis Hilton, com um menu dedicado a todos, mesmo aqueles que não são cristãos e, portanto, obrigados a observar certas normas alimentares segundo sua religião.

E assim depois dos canelones recheados com ricota romana DOP e espinafres ao molho Parmigiano Reggiano DOP, pudeam saborear as almôndegas de carnes brancas salteadas com creme de tomate San Marzano e manjericão com puré de couve-flor, para finalizar com as sobremesas: Tiramisu e doces.

Antes de deixar a Sala Paulo VI, Francisco abençoou e agradeceu a todos os que contribuíram para organizar e servir o almoço num clima de grande festa, aos que ajudaram materialmente para que este pudesse acontecer e, naturalmente, a todos os presentes que partilharam o mesmo espírito.

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                                                                                                                    Fonte: vaticannews.va