terá propostas para acompanhar e apoiar as famílias
Mais um ano de
propostas espirituais, pastorais e culturais para acompanhar e apoiar as
famílias frente aos desafios do nosso tempo.
Dicastério Leigos,
Família e Vida - Em 19 de março de
2021, a Igreja comemora 5 anos desde a publicação da exortação apostólica “Amoris
Laetitia” sobre a beleza e a alegria do amor familiar. Neste mesmo dia, o
Papa Francisco inaugurará o Ano “Família Amoris Laetitia”, que terminará
em 26 de junho de 2022, por ocasião do X Encontro Mundial das Famílias em Roma
com o Santo Padre.
A experiência da
pandemia destacou o papel central da família como Igreja doméstica e também a
importância dos laços entre as famílias, que fazem da Igreja uma "família
de famílias" (AL 87). Por meio das iniciativas espirituais, pastorais e
culturais planejadas no Ano “Família Amoris Laetitia” o Papa
Francisco pretende dirigir-se a todas as comunidades eclesiais do mundo,
exortando cada pessoa a ser uma testemunha do amor familiar.
Nas paróquias,
dioceses, universidades, no contexto dos movimentos eclesiais e das associações
familiares, serão divulgados instrumentos de espiritualidade familiar, de
formação e ação pastoral sobre a preparação para o matrimônio, a educação ao
afeto dos jovens, sobre a santidade dos cônjuges e das famílias que vivem a
graça do sacramento na vida cotidiana. Além disso, serão organizados simpósios
acadêmicos internacionais para aprofundar os conteúdos e as implicações da
exortação apostólica em relação aos temas de grande atualidade que interessarão
as famílias em todo o mundo.
Tendo em
vista a abertura em 19 de março, o Dicastério para os Leigos, Família e
Vida preparou um folheto informativo para ser compartilhado com as
dioceses, as paróquias e as famílias; este pode ser baixado através do
sitewww.amorislaetitia.va.
Entre os objetivos
do mesmo site, ao qual é possível ter acesso a partir da homepage do Dicastério
para os Leigos, a Família e a Vida (www.laityfamilylife.va): difundir a
mensagem cristã sobre a família à luz dos desafios do nosso tempo; aprofundar o
texto da exortação apostólica e do magistério do Papa Francisco; convidar as
Conferências Episcopais, as dioceses e as paróquias, juntamente com os
movimentos, associações e famílias, a se dedicarem com vigor à pastoral da
família, implementando “Amoris Laetitia”.
O site,
desenvolvido em cinco línguas (inglês, francês, espanhol, português e
italiano), é rico em gráficos e conteúdos, é de fácil consulta e será
atualizado com as propostas e iniciativas realizadas gradativamente ao longo do
ano.
Entre os
dias 25 de dezembro e 1º de janeiro a Igreja celebra a Oitava do
Natal, ou seja, oito dias em que vive-se a exultação da Festa do Nascimento de
Jesus.
Presépio da Igreja Matriz de São José - Paraisópolis - MG - (Arquivo do Blog)
Uma grande parte
dos católicos não sabe o que significa esse tempo especial de graças e, para
esclarecer esse tema, o A12 conversou com o Padre Rafael Querobin,
professor da Faculdade Dehoniana, em Taubaté (SP), que possui experiência na
área de Teologia, com ênfase em Liturgia.
A Oitava de
Natal está historicamente relacionada à Oitava da Páscoa. Padre
Rafael explica que o Ano Litúrgico "é marcado por duas grandes
celebrações", a festa da Páscoa e a festa do Natal.
A festa da Páscoa
surgiu primeiro, logo após a morte de Jesus, pelos primeiros cristãos "que passaram
a se reunir para realizar o mandato do Senhor de celebrar em sua memória",
assinala o religioso. Já o Natal surgiu bem depois. A Igreja passou
a celebrá-la oficialmente apenas no século IV.
Dada a importância
dessas celebrações para a Igreja, surgiu então a Oitava de Páscoa e a Oitava de
Natal, como um "tempo especial de graças" em que todos os
fiéis podem vivenciar por mais dias, as bênçãos de Deus neste período.
Padre Rafael
lembra que a semana tem sete dias e explica o motivo do nome
"oitava".
"A Oitava
seria o prolongamento da celebração da Páscoa por uma semana. Bem sabemos que a
semana é constituída por sete dias, mas porque então essa semana é chamada de
Oitava? Segundo a tradição, a Oitava remete para o dia chamado ‘sem ocaso’,
o dia sem fim. Se os dias temporais, a semana histórica é marcada por sete
dias, este oitavo dia seria o dia da eternidade, o dia da plenitude",
destaca.
A Oitava de
Natal exprime de forma especial "um aspecto do testemunho do
mistério da Encarnação", ou seja, nesse período "nos
concentramos mais uma vez sobre o grande mistério de Deus que desceu do Céu
para entrar na nossa carne" (cf. Papa emérito Bento XVI, 9 de janeiro
de 2013).
A festa de Santo Estêvão, o primeiro mártir, no dia 26 de dezembro,
recorda especialmente o testemunho do amor que perdoa dado por Estevão em seu
martírio. Nele realizou-se de modo exemplar a figura do mártir imitador de
Cristo. Ele contemplou a glória do Ressuscitado; proclamou a sua dignidade. Por
isso, nós temos nele um aspecto do mistério da Encarnação de Cristo.
Para compreender
melhor esse mistério é preciso analisar as diversas celebrações desse
período. Abaixo, padre Rafael explica cada uma das festas que
ocorrem dentro da Oitava de Natal:
Já no dia 27 de
dezembro, nós celebramos São João apóstolo e evangelista, o discípulo que Jesus
amava. Ele é considerado um grande teólogo que penetrou em profundidade o
mistério do Verbo feito homem, cheio de amor e fidelidade. A liturgia
desta festa sublinha a revelação da misteriosa profundidade do Verbo e a
inteligência penetrante da Palavra que caracterizam os textos inspirados de São
João.
No dia 28 de
dezembro, celebramos os Santos Inocentes que deram testemunho de
Cristo não com palavras, mas com seu sangue. Essa festa lembra-nos que o
martírio é dom gratuito do Senhor. A liturgia recorda o valor do testemunho de
vida que não pode estar separado da palavra por parte dos adultos.
A festa da Sagrada Família é celebrada no Domingo dentro da
Oitava, caso a Oitava que termina no dia 1º de janeiro não caia no Domingo.
Como neste ano o dia 1º de janeiro cai num Domingo, a festa da Sagrada Família
foi transferida para o dia 30 de dezembro. Essa festa recorda que o mistério da
Encarnação é um mistério de partilha. O Filho de Deus veio partilhar em tudo,
exceto no pecado, a nossa condição humana.
Por fim, a Oitava é coroada com a Solenidade de Santa Maria Mãe de Deus, que é seguramente a primeira festa de Maria no Ocidente. Nesse primeiro dia do ano civil, nós consagramos e oferecemos o novo ano a Deus através das mãos de Maria, mãe de Deus e nossa.
Aproveite a Oitava
de Natal para continuar vivenciando as graças do nascimento do Menino Deus que
se encarnou para salvar-nos, e prolongue os votos de Natal e os gestos de
caridade e amor tão presentes nesse período pra todo o ano.
"A festa de
hoje chama-nos a tal urgência, propondo-nos o ideal do amor conjugal e
familiar, assim como foi sublinhado na Exortação Apostólica Amoris Laetitia,
cujo quinto aniversário da sua promulgação ocorrerá no dia 19 de março."
Vatican News - No
dia em que a Igreja celebra a Sagrada Família, o Papa Francisco anunciou
no Angelus deste domingo, 27 de dezembro, a convocação de um “Ano
especial dedicado à Família Amoris laetitia”, que será inaugurado em 19 de
março de 2021, dia de São José e quinto aniversário de publicação da Exortação
apostólica do Pontífice. O encerramento está marcado para junho de
2022. Será "um ano de reflexão" e uma oportunidade para
"aprofundar os conteúdos do documento":
“Essas reflexões
serão colocados à disposição das comunidades eclesiais e das famílias para
acompanhá-las em seu caminho. Desde agora, convido todos a aderir às
iniciativas que serão promovidas ao longo do ano e que serão coordenadas pelo
Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida. Confiemos à Sagrada Família de Nazaré,
em particular à São José, esposo e pai solícito, este caminho com as famílias
de todo o mundo à Sagrada Família de Nazaré, em particular a São José, esposo e
pai solícito, este caminho com as famílias de todo o mundo.”
Família de Nazaré,
modelo para todas as família do mundo
O Angelus deste
domingo, também foi rezado na Biblioteca do Palácio Apostólico, pois como
Francisco havia explicado no Angelus na
festa de Santo Estêvão, “devemos fazer assim, para evitar que as pessoas venham
para a Praça” e assim colaborar com as disposições dadas pelas Autoridades,
“para ajudar a todos nós a escapar desta pandemia.”
Dirigindo-se a quem
o acompanhava pelos meios de comunicação, o Papa chamou a atenção para o fato
de que “o Filho de Deus quis ter necessidade, como todas as crianças, do calor
de uma família”, e precisamente por isso, “porque é a família de Jesus, a de
Nazaré é a família modelo, em que todas as famílias do mundo podem encontrar o
seu ponto de referência seguro e uma inspiração segura. Em Nazaré brotou a
primavera da vida humana do Filho de Deus, no momento em que Ele foi concebido
pela ação do Espírito Santo no seio virginal de Maria.”
Família é
evangelizadora com exemplo de vida
Jesus transcorreu
sua infância com alegria na Casa de Nazaré, envolvido “pela solicitude maternal
de Maria e pela solicitude de José, em quem Jesus pôde ver a ternura de Deus”.
Ao imitar a
Sagrada Família, somos chamados a redescobrir o valor educativo do núcleo
familiar: isso requer que seja fundado no amor que sempre regenera as relações,
abrindo horizontes de esperança. Em família se poderá experimentar uma comunhão
sincera quando ela é casa de oração, quando os afetos são sérios, profundos,
puros, quando o perdão prevalece sobre a discórdia, quando a dureza cotidiana
do viver é amenizada pela ternura recíproca e pela serena adesão à vontade de
Deus. Desta forma, a família se abre à alegria que Deus dá a todos aqueles que
sabem dar com alegria. Ao mesmo tempo, encontra energia espiritual para se
abrir ao exterior, aos outros, ao serviço dos irmãos, à colaboração para a
construção de um mundo sempre novo e melhor; capaz, por isso, de ser portadora de
estímulos positivos; a família evangeliza com o exemplo de vida.
“Em família se
poderá experimentar uma comunhão sincera quando ela é casa de oração, quando os
afetos são profundos e puros, quando o perdão prevalece sobre a discórdia,
quando a dureza cotidiana do viver é amenizada pela ternura recíproca e pela
serena adesão à vontade de Deus.”
Famílias, fermento
de uma nova humanidade
E o exemplo de
evangelizar com a família, explicou o Pontífice, é o chamado feito pela festa
de hoje, que nos repropõe o ideal de amor conjugal e familiar, assim como foi
enfatizado na Exortação Apostólica Amoris laetitia.
Ao concluir, o
Papa pediu à Virgem Maria, que” faça com que as famílias de todo o
mundo fiquem cada vez mais fascinadas pelo ideal evangélico da Sagrada Família,
para assim se tornar fermento de nova humanidade e de uma nova solidariedade
concreta e universal.”
Deus está no meio
de nós! Ele porta o Messias, o Redentor, o Salvador de Israel e de todos os
povos! A esperança se cumpriu e ele, Simeão, pode partir em paz!
A liturgia nos
mostra a família como um ninho de formação para o amor, onde já se ama; aliás é
o amor que gera a família e nada mais simbólico que o nome lar, onde o amor,
simbolizado pelo fogo, em todas suas dimensões, se faz presente!
Na primeira
leitura, Eclesiástico 3, 3-7.14-17, vemos as consequências nos filhos que
honram seus pais: ajuntarão “tesouros”, serão perdoados dos pecados e até
evitarão cometê-los, serão ouvidos na oração diária, terão alegria com seus
próprios filhos, terão vida longa, serão ocasião de consolo dos próprios pais,
serão louvados pelas virtudes que possuem. E a segunda leitura, Colossenses 3,
12-21, continua falando do relacionamento que deve acontecer no seio da
família: sincera misericórdia, bondade, humildade, mansidão, paciência e
reforça o perdão recíproco, caso seja necessário.
Finalmente vem a
recomendação do amor dizendo que ele “é o vínculo da perfeição”. Continuando, o
Apóstolo traz novas recomendações como a admoestação realizada com sabedoria e
o louvor a Deus e a ação de graças.
Um pouco antes do
final da perícope, Paulo se dirige às mulheres, maridos e filhos. Às primeiras
ele sugere a solicitude; aos maridos, o amor e a delicadeza; aos filhos, a
obediência, um ato de fé em escutar seus conselhos e admoestações; ao mesmo
tempo em que pede aos pais saberem exercer as correções para que os filhos não
desanimem ao se sentirem constrangidos.
O Evangelho,
extraído de Lucas 2, 39-40, relata a apresentação de Jesus no Templo e a
purificação da mãe e do filho. Nos versículos 29 ao 32 temos a belíssima oração
de Simeão, quando recebe o Menino Jesus em seus braços e sabe que o futuro já é
presente! Deus está no meio de nós! Ele porta o Messias, o Redentor, o
Salvador de Israel e de todos os povos! A esperança se cumpriu e ele, Simeão,
pode partir em paz! Se ele porta o Menino Deus, esse Menino, o Verbo feito
carne, segurou a expectativa e a confirmou e, em breve, será o Menino que o
portará até à Casa do Pai. Simeão sabe disso e se alegra! Sentimento de pura e
plena felicidade. É lá que continua nosso lar quando nossa luz fica bruxuleante
e ganha força extraordinária para jamais ser apagada. Aí, com alegria não
teremos mais luz própria, mas será a luz do Senhor e, somente ela, que nos
iluminará, por todos os séculos dos séculos.
Concluindo São
Lucas nos diz que “O menino crescia e tornava-se forte, cheio de sabedoria; e a
graça de Deus estava com ele.” E isso ocorria dentro do lar da família de José
e de Maria, onde Deus era amado, respeitado e louvado.
O ancião com o
recém-nascido nos braços. Poderiam ser avô e neto num abraço fecundo capaz de envolver
as diversas etapas da vida. Passado, presente e futuro integrados na
simplicidade de um encontro que transmite ternura e esperança. Os extremos da
existência revelando que o cuidado e a proximidade devem estar na essência do
relacionamento humano. A festa da Sagrada Família, disposta com sabedoria no
domingo imediatamente posterior à Solenidade do Natal, simboliza que a família,
como lugar de acolhida e partilha, é figura central nos planos de Deus quando
Ele decide vir ao encontro da fragilidade de seus filhos e filhas.
Maria, José e o
Menino, com todos os apertos que passaram, testemunham que a família não é uma
idealização, mas uma realidade construída com escolhas criativas diante das
dificuldades e contradições. Mesmo que hajam os laços consanguíneos
incanceláveis, fazer-se família é um esforço diário que exige empenho, renúncia
e dedicação.
Na primeira
leitura, por exemplo (Eclo 3,3-7.14-17), o autor sagrado apresenta uma série de
instruções para filhos se façam família com seus pais, especialmente quando
estes estiverem na velhice, necessitados de apoio e atenção. A caridade, a
paciência e a compreensão certamente levarão estes filhos a fazer escolhas nem
sempre conciliáveis com os planos de sucesso e bem-estar que poderiam ter
traçado para si. No entanto, ao se deixarem conduzir pela generosidade e pela
gratidão, serão capazes de ter o coração preenchido pela bênção de terem
cumprido os apelos que Deus lhes apresentou na fragilidade de seus genitores.
Que a Sagrada
Família nos inspire sempre a disponibilidade de empregarmos nossas melhores
forças na construção da grande família humana, marcada pelo respeito, pela
justiça, pela generosidade mútua e pela paz.
FREI GUSTAVO
MEDELLA, OFM, é o atual Vigário Provincial e Secretário para a
Evangelização da Província Franciscana da Imaculada Conceição. Fez a profissão
solene na Ordem dos Frades Menores em 2010 e foi ordenado presbítero em 2 de
julho de 2011.
O Portal Vida e Família, coordenado pela Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), foi lançado na segunda-feira-feira, 21 de dezembro. A apresentação da nova ferramenta de formação e de informação para os agentes da Pastoral Familiar foi apresentado em uma live de fim de ano, que contou com a presença do presidente da Comissão, dom Ricardo Hoerpers, de dom Bruno Versari, de dom Armando Gutiérrez, além do assessor padre Crispim Guimarães e do casal Luiz e Kathia Stolf.
Organizado a partir dos eixos Vida, Família e Igreja, o Portal permite tanto a visão ampla dos conteúdos, quanto o aprofundamento em uma temática específica de atuação. O ambiente online vai oferecer notícias, artigos, podcasts e vídeos. Além disso, as informações poderão ser acessadas com auxílio de ferramentas de acessibilidade, como autocontraste e Libras.
Além de ser o endereço oficial da Comissão Vida e Família da CNBB, o portal deverá abrigar um trabalho colaborativo, criado em conjunto pelos agentes da pastoral de todos os regionais do país. “Aqueles que amam a família e amam a vida vão ter a porta aberta nesse portal e vão poder colaborar para que possamos fazer um espaço informativo, formativo e dinâmico, no qual as pessoas possam encontrar, e com profundidade, aquilo que a Igreja tem a dizer sobre o tema família e vida”, ressalta dom Ricardo Hoepers.
Papa pede oração pelos perseguidos pela fé em Jesus
No Angelus na
festa de Santo Estêvão, o Papa Francisco deu destaque aos gestos que mudam a
história, mesmo os pequenos, pois abrem as portas para a luz de Jesus.
Jackson Erpen –
Vatican News - “Santo Estêvão, enquanto recebia as pedras do ódio, retribuía
com palavras de perdão. Assim mudou a história. Também nós podemos a cada dia
transformar o mal em bem”.
No Angelus na
festa de Santo Estêvão, o Papa Francisco propôs como modelo o testemunho do
primeiro mártir do cristianismo, enfatizando que “gestos de amor mudam a
história, mesmo aqueles pequenos”, e que “Deus guia a história pela coragem
humilde de quem reza, ama e perdoa.”
Com a Praça São
Pedro praticamente deserta devido às medidas adotadas pelo governo italiano
neste período festivo, para conter o contágio do coronavírus, a oração do Angelus neste
sábado foi rezada na Biblioteca do Palácio Apostólico, e não da janela do
apartamento pontifício.
A testemunha
reflete a luz de Jesus
Dirigindo-se a
quem o acompanhava pelos meios de comunicação, o Pontífice começou falando de
Santo Estêvão, como a “testemunha de Jesus”, “que brilha na escuridão",
mas não tem luz própria:
As testemunhas
brilham com a luz de Jesus, não têm luz própria. Também a Igreja não tem luz
própria. Por isso os antigos Padres chamavam a Igreja de "o mistério da
lua". Como a lua não tem luz própria, as testemunhas não têm luz própria,
são capazes de pegar a luz de Jesus e refleti-la. Estêvão é falsamente
acusado e brutalmente apedrejado, mas na escuridão do ódio, que havia naquele
tormento da lapidação, faz resplandecer a luz de Jesus: reza por seus
assassinos e os perdoa, como Jesus na Cruz. É o primeiro mártir, isto é, a
primeira testemunha, o primeiro de uma lista de irmãos e irmãs que, até hoje,
continuam a iluminar nas trevas: pessoas que respondem ao mal com o bem, que
não cedem à violência e à mentira, mas quebram a espiral do ódio com a mansidão
do amor.
“Essas testemunhas
iluminam a aurora de Deus nas noites do mundo.”
“Mas - pergunta
Francisco - como se torna uma testemunha?”. “Imitando Jesus, pegando luz de
Jesus", responde. "Esse é o caminho para todo cristão: imitar Jesus,
pegar a luz de Jesus. Santo Estêvão dá-nos o exemplo (...). Ele tenta imitar o
Senhor todos os dias e o faz até o final: como Jesus, é capturado, condenado e
morto fora da cidade e, como Jesus, reza e perdoa. Enquanto está sendo
apedrejado, diz: «Senhor, não lhes leve em conta esse pecado». Estêvão é
testemunha porque imita Jesus”.
Testemunho de
Estêvão, semente da conversão de Paulo
O Papa observa
então, que diante da maldade difusa no mundo, poderiam surgir questionamentos
sobre a serventia desses testemunhos de bondade: “Que serventia tem rezar e
perdoar? Somente para dar um belo exemplo?”:
Não, há muito
mais. Descobrimos isso por um detalhe. Entre aqueles por quem Estêvão rezava e
perdoava, havia, diz o texto, "um jovem, chamado Saulo" que
"aprovava a sua morte". Pouco depois, por graça de Deus, Saulo se
converte, recebe a luz de Jesus, aceita-a, se converte e se torna Paulo, o maior
missionário da história. Paulo nasce precisamente da graça de Deus, mas por
meio do perdão de Estevão, por meio do testemunho de Estêvão. Eis a semente de
sua conversão. É a prova de que os gestos de amor mudam a história: mesmo
aqueles pequenos, escondidos, cotidianos.
“Porque Deus guia
a história pela coragem humilde de quem reza, ama e perdoa. Tantos santos
escondidos, os santos da porta ao lado, testemunhos escondidos de vida, com
pequenos gestos de amor mudam a vida”
Pequenos gestos
que deixam a luz de Jesus entrar e mudam a história
Ser testemunhas de
Jesus, vale também para nós ressalta o Papa:
O Senhor deseja
que façamos da vida uma obra extraordinária por meio de gestos ordinários, os
gestos de cada dia. Ali onde vivemos, em família, no trabalho, onde quer que
seja, somos chamados a ser testemunhas de Jesus, ainda que apenas dando a luz
de um sorriso, luz que não é nossa, é de Jesus e mesmo somente fugindo das
sombras das fofocas e dos mexericos. E depois, quando vemos algo que não está
certo, ao invés de criticar, falar pelas costas e reclamar, rezemos por quem
errou e por aquela situação difícil. E quando surge uma discussão em casa, em
vez de tentar prevalecer, procuremos desarmar; e recomeçar a cada vez,
perdoando quem ofendeu. Pequenas coisas, mas mudam a história, porque
abrem a porta, abrem a janela para a luz de Jesus.
“Santo Estêvão,
enquanto recebia as pedras do ódio, retribuía com palavras de perdão. Assim
mudou a história.”
Também nós podemos
a cada dia transformar o mal em bem, como sugere um belo provérbio que diz:
"Faça como a palmeira: atiram pedras nela e ela deixa cair tâmaras".
Oração pelos
cristãos perseguidos, em maior número que nos primeiros tempos
O Pontífice
concluiu sua reflexão, pedindo orações por todos aqueles que sofrem pela fé
professada em Jesus:
Rezemos hoje por
aqueles que sofrem perseguição por causa do nome de Jesus. São muitos,
infelizmente. São mais do que nos primeiros tempos da Igreja. Confiemos à Nossa
Senhora esses nossos irmãos e irmãs, que respondem à opressão com a mansidão e,
como verdadeiras testemunhas de Jesus, vencem o mal com o bem.
Papa agradece
orações e felicitações recebidas no Natal
Na manhã deste
sábado, o Papa Francisco havia tuitado a seguinte mensagem: "Nestes dias
recebi felicitações de Roma e de outras partes do mundo. Na impossibilidade de
responder a cada um, expresso a todos a minha gratidão, especialmente pelo dom
da oração que de bom grado retribuo."
Vatican News - Após
rezar o Angelus, o Pontífice agradeceu as felicitações de Natal recebidas
nestes dias vindas de várias partes, assim como as orações. Francisco já o
havia feito em seu primeiro tuíte na manhã deste sábado:
Que o clima alegre
do Natal, que hoje se prolonga e ainda enche nossos corações, desperte em todos
o desejo de contemplar Jesus no Presépio, para depois servi-lo e amá-lo nas
pessoas que nos rodeiam. Nestes dias, tenho recebido mensagens de felicitações
de Roma e de outras partes do mundo. É impossível responder a cada um, mas
aproveito a oportunidade e expresso agora a minha gratidão, especialmente pelo
dom da oração, que vocês fazem por mim e que retribuo de bom grado.
Colaboração com as
autoridades para preservar a saúde de todos
Mas antes
disso, ao saudar aqueles que acompanhavam o “momento de oração” pelos
meios de comunicação, o Papa explicou o porquê de a oração ser realizada nestes
dias na Biblioteca do Palácio Apostólico:
Devemos fazer
assim, para evitar que as pessoas venham para a Praça [de São Pedro]. Assim,
para colaborar com as disposições dadas pelas Autoridades, para ajudar a todos
nós a escapar desta pandemia.