domingo, 28 de outubro de 2018

Reflexão litúrgica XXX Domingo do Tempo Comum:

"O caminho da fé"
Aprendamos com Bartimeu a dar um basta a tudo aquilo que nos marginaliza, nos diminui a dignidade, nos torna comodamente dependentes. Um cristão deve ser ágil em sua opção pela vida e por uma vida digna. O cego não teve dúvidas, gritou por Jesus e não deu atenção aos que o queriam calar.

O Evangelho deste domingo nos relata a cura do cego Bartimeu. Ele se encontrava à beira do caminho dependendo da compaixão dos transeuntes. Em certa ocasião ouviu falar de Jesus, de suas palavras e ações e ficou atento. Um dia ao saber da aproximação do Senhor, começou a gritar implorando-lhe a cura. Os que passavam corrigiam-lhe para que se calasse. Ele não os escutou e gritava com voz mais forte.  O Senhor o mandou chamar até onde estava. Ele, em uma atitude rápida, deixou seu manto e se aproximou de Jesus.
Vemos nesse relato, alguém que cansou de viver à margem da vida e soube que aquele que era a própria Vida estava passando e se avizinhava. Ele grita, coloca para fora de seu ser cansado o desejo de libertar-se dessa escravidão. Pessoas que lhe são próximas o mandam calar, pois julgam melhor que tudo continue como está, optam pela acomodação. Mas ele está decidido e quer ser liberto de tudo o que o marginaliza. Ele não se cala. Jesus, conhecendo tal opção, pede que as pessoas que estão ao lado, tragam-no até ele.
Os intermediários cumprem seu papel e dizem que o Senhor o chama. O cego larga o manto, ou seja, larga a vida de dependência – já que era no manto, estendido à sua frente, que as pessoas depositavam as esmolas  -  e salta para a vida nova, de liberdade.
Este episódio nos ajuda a purificar nossa vontade e nos dar aquela coragem de que tanto gostaríamos possuir. Reclamar, queixar-se, fazer corpo mole, colocar a responsabilidade na vida ou nos outros, é algo que deparamos dentro de nós. Sair do acomodamento, ter de fato uma vontade firme e decidida é algo custoso que nos mantém na escravidão e na dependência das pessoas.
Aprendamos com Bartimeu a dar um basta a tudo aquilo que nos marginaliza, nos diminui a dignidade, nos torna comodamente dependentes. Um cristão deve ser ágil em sua opção pela vida e por uma vida digna. O cego não teve dúvidas, gritou por Jesus e não deu atenção aos que o queriam calar.
Quais são as pessoas, situações ou sistemas que nos desejam manter na escravidão? Quais são as pessoas ou situações enviadas por Deus que nos levam à libertação, à independência? Examinemos quais são nossas dependências, nossas acomodações e tenhamos coragem para  eliminá-las!
                                                                                          Pe. Cesar Augusto dos Santos, S.J.
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sábado, 27 de outubro de 2018

Sínodo: Documento aprovado.

Francisco agradece aos jovens pelo barulho
Durante quase um mês a Assembleia sinodal refletiu questões delicadas que dizem respeito às novas gerações. O Santo Padre reiterou que "o Sínodo não é um Parlamento".

Cidade do VaticanoA Igreja está vivendo um momento "difícil", é "perseguida com acusações contínuas" e, portanto, é o momento de defendê-la, todos juntos. Este o apelo do Papa Francisco na conclusão do Sínodo dos Bispos dedicado aos jovens no início da noite deste sábado, (27/10), no Vaticano.
Durante quase um mês a Assembleia sinodal refletiu questões delicadas que dizem respeito às novas gerações. O clima da sala do Sínodo neste sábado foi muito positivo e o Papa foi frequentemente interrompido pelos aplauso durante as suas palavras improvisadas. “Mas tudo isso – disse - não pode deixar de lado o momento complicado que se vive, entre acusações externas e internas”.
Momento difícil
“É um momento difícil porque o acusador – disse o Papa se referindo ao diabo - através de nós ataca a Mãe e a Mãe não se toca", sublinhou referindo-se à Igreja, acrescentando: "Todos nós devemos defendê-la". As acusações contra a Igreja se tornam "perseguição", como acontece com os cristãos do Oriente, mas "há outro tipo de perseguição, com acusações contínuas para sujar a Igreja. A Igreja não deve ser sujada, nós filhos somos todos sujos", os filhos são pecadores", "mas a Mãe não, devemos defendê-la, todos, e por isso eu pedi para todos rezarem o Terço "neste mês de outubro, todos os dias, pela unidade da Igreja.
Em seguida o Papa Francisco falou sobre os trabalhos do Sínodo: "Nós aprovamos o documento, agora o Espírito nos dá o documento para que trabalhe no nosso coração. Nós somos os destinatários do documento, e ele ajudará muitos outros, mas os primeiros destinatários somos nós".
Sínodo não é um Parlamento
O Santo Padre reiterou ainda que "o Sínodo não é um Parlamento, mas um espaço protegido” porque é o Espírito Santo quem opera. Depois indicou aos padres sinodais qual deve ser o caminho a ser seguido a partir deste momento, porque não é suficiente um pedaço de papel. "O resultado do Sínodo não é um documento, eu disse isso no início. Estamos cheios de documentos”. “E então o documento aprovado hoje vai dar frutos se for meditado e acompanhado pela oração”.
O Pontífice agradeceu ainda sinceramente todos pelo trabalho feito neste mês de outubro. Começando precisamente pelos jovens que participaram do Sínodo dos bispos como ouvintes: "Eles trouxeram a sua música para esta sala – disse. Música é uma palavra diplomática para dizer barulho", disse Francisco sorrindo.
Em seguida,  Francisco agradeceu o secretário geral do Sínodo do Bispos, cardeal Lorenzo Baldisseri e os subsecretários pelo seu trabalho. "Eu disse que eles tinham deixado a pele no documento preparatório, agora eu digo que eles deixaram os ossos", foi a brincadeira final para dizer obrigado a todos.
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Reflexão oportuna e necessária:

Cidadão e bispo
No próximo domingo, eu, cidadão e bispo, irei exercitar minha cidadania nas urnas, através do voto. Além de um dever, será um ato de participação democrática.
Sou o quarto filho de uma família de cinco irmãos. Meu pai foi operário e comerciário. Aposentou-se com quase setenta anos de idade. Recebia pouco mais de um salário mínimo e conseguiu adquirir uma pequena casa para nossa família aos sessenta e três anos de idade, após trinta e cinco de casamento. Fiz o ensino fundamental em escola pública, como todos os meus irmãos, e graduei-me em uma universidade pública.
Dom João Justino de Medeiros Silva 
Aos dezessete anos entrei no Seminário. Fui ordenado padre aos vinte e cinco e minha primeira missão foi trabalhar com uma equipe de padres em uma grande paróquia de periferia, responsável por 42 comunidades. Ali tive contato direto e impactante com a pobreza e a miséria. As ações sociais da paróquia eram fundamentais para que muitas famílias tivessem um pouco de dignidade. As Pastorais do Menor e da Criança foram escolas para mim. Com substancial apoio da Igreja, continuei os estudos de pós-graduação. Exerci o ministério de padre e atuei por muitos anos como professor.
Fui nomeado bispo-auxiliar de Belo Horizonte em 2011. Em fevereiro de 2017 fui transferido para Montes Claros, após minha nomeação como arcebispo coadjutor. Nestes dezoito meses de missão no Norte de Minas pude identificar quais grupos estão em situação de vulnerabilidade: dezenas de mo drogadição radores de rua; população carcerária em condições indignas do ser humano; grande número de desempregados; alto índice de drogadição; comunidades tradicionais perdendo direitos e sendo perseguidas; sistema de saúde precário e deficiente.
No próximo domingo, eu, cidadão e bispo, irei exercitar minha cidadania nas urnas, através do voto. Além de um dever, será um ato de participação democrática.
Como ministro ordenado pela Igreja Católica e exercendo meu dever de cidadão, minhas escolhas devem ser guiadas pelos princípios da ética do Evangelho. Isso não significa escolher candidatos necessariamente religiosos ou que buscam o apoio de igrejas e de autoridades eclesiásticas.
Antes de tudo, a fé indica que é preciso escolher prezando pela defesa da dignidade da vida e da família, dos direitos humanos, especialmente dos mais pobres e marginalizados. Significa garantir a defesa do estado democrático de direito, dos direitos dos trabalhadores, da salvaguarda do meio-ambiente, da cooperação internacional para o desenvolvimento dos povos, da promoção da paz, preceitos constitucionais que devem ser observados e respeitados em todos os seus termos para garantia da dignidade humana.
É cediço que não existem garantias de que os eleitos cumprirão promessas de campanha. Portanto, a partir da próxima segunda-feira, eu, cidadão e bispo, acompanharei criticamente os eleitos. Isto é tão ou mais importante que a escolha de quem ocupará uma cadeira no executivo ou legislativo. Almejo que todos os eleitores façam o mesmo.
Convido a todos para juntos lançarmos mecanismos de controle dos mandatos daqueles que foram e que serão eleitos. É um direito nosso, de quem garante os altíssimos subsídios e a remuneração dos que exercem os poderes legislativo, judiciário e executivo no Brasil.
          Dom João Justino de Medeiros Silva - Arcebispo Coadjutor de Montes Claros - MG
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                                                                                                            Fonte: cnbbleste2.org.br

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Leituras do

30º Domingo do Tempo Comum

1ª Leitura: Jr 31,7-9
Livro do Profeta Jeremias
Isto diz o Senhor: “Exultai de alegria por Jacó, aclamai a primeira das nações; tocai, cantai e dizei: ‘Salva, Senhor, teu povo, o resto de Israel’.
Eis que eu os trarei do país do Norte e os reunirei desde as extremidades da terra; entre eles há cegos e aleijados, mulheres grávidas e parturientes: são uma grande multidão os que retornam.
Eles chegarão entre lágrimas e eu os receberei entre preces; eu os conduzirei por torrentes d’água, por um caminho reto onde não tropeçarão, pois tornei-me um pai para Israel, e Efraim é o meu primogênito”.
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Salmo: 125
Maravilhas fez conosco o Senhor, exultemos de alegria!
Maravilhas fez conosco o Senhor, exultemos de alegria!
- Quando o Senhor reconduziu nossos cativos,/ parecíamos sonhar;/ encheu-se de sorriso nossa boca,/ nossos lábios, de canções.
- Entre os gentios se dizia: “Maravilhas/ fez com eles o Senhor!”/ Sim, maravilhas fez conosco o Senhor,/ exultemos de alegria!
- Mudai a nossa sorte, ó Senhor,/ como torrentes no deserto./ Os que lançam as sementes entre lágrimas,/ ceifarão com alegria.
- Chorando de tristeza sairão,/ espalhando suas sementes;/ cantando de alegria voltarão,/ carregando os seus feixes!
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2ª Leitura: Hb 5,1-6
Carta aos Hebreus:
Todo sumo-sacerdote é tirado do meio dos homens e instituído em favor dos homens nas coisas que se referem a Deus, para oferecer dons e sacrifícios pelos pecados.
Sabe ter compaixão dos que estão na ignorância e no erro, porque ele mesmo está cercado de fraqueza. Por isso, deve oferecer sacrifícios tanto pelos pecados do povo, quanto pelos seus próprios.
Ninguém deve atribuir-se esta honra, senão o que foi chamado por Deus, como Aarão.
Deste modo, também Cristo não se atribuiu a si mesmo a honra de ser sumo-sacerdote, mas foi aquele que lhe disse: “Tu és o meu Filho, eu hoje te gerei”. Como diz em outra passagem: “Tu és sacerdote para sempre, na ordem de Melquisedec”.
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Evangelho: Mc 10,46-52
Evangelho de São Marcos:
Naquele tempo, Jesus saiu de Jericó, junto com seus discípulos e uma grande multidão. O filho de Timeu, Bartimeu, cego e mendigo, estava sentado à beira do caminho. Quando ouviu dizer que Jesus, o Nazareno, estava passando, começou a gritar: “Jesus, filho de Davi, tem piedade de mim!”
Muitos o repreendiam para que se calasse. Mas ele gritava mais ainda: “Filho de Davi, tem piedade de mim!” Então Jesus parou e disse: “Chamai-o”. Eles o chamaram e disseram: “Coragem, levanta-te, Jesus te chama!”
O cego jogou o manto, deu um pulo e foi até Jesus. Então Jesus lhe perguntou: “O que queres que eu te faça?” O cego respondeu: “Mestre, que eu veja!” Jesus disse: “Vai, a tua fé te curou”. No mesmo instante, ele recuperou a vista e seguia Jesus pelo caminho.

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Reflexão:
Será que finalmente enxergamos?
Nos domingos anteriores acompanhamos Jesus e os apóstolos na caminhada rumo a Jerusalém, que foi, como vimos, uma grande instrução sobre seguir Jesus e assumir a cruz. E vimos também que essa instrução encontrou cabeças duras, impenetráveis … Mc emoldurou toda a secção 8,27-10,45 (da proclamação messiânica de Jesus por Pedro até o 3° anúncio da paixão e a correspondente lição) entre dois milagres simbólicos, duas curas de cego. Na primeira, Mc 8,22-26, o trabalho era duro: Jesus
teve de repetir seu gesto de cura. Já depois da instrução do caminho, em Mc 10,46-52, a cura se dá com maior facilidade, e o homem curado é admitido na companhia
de Jesus para segui-lo até Jerusalém (pois o fato ocorreu em Jericó, início da última etapa da viagem). Mc registra até o nome do cego, Bartimeu, provavelmente conhecido entre os primeiros cristãos.
Mesmo no fim do caminho, os apóstolos não compreenderam, mas um cego chegou a ver com clareza, para seguir Jesus pelo caminho. Compreender Jesus não é uma questão de status na Igreja (aqueles apóstolos que queriam ocupar os primeiros lugares, cf. domingo passado), mas de deixar-se transformar por Jesus. Aliás, no ponto final da caminhada de Jesus, no Gólgota, os apóstolos vão primar pela ausência; só vamos encontrar aí as mulheres que acompanharam Jesus pelo caminho. Portanto, o seguimento radical de Jesus pelo caminho até a cruz não é privilégio do clero …
Que os cegos vêem e os coxos saltam e caminham é um sinal do tempo messiânico. A 1ª leitura de hoje o anuncia pela boca do profeta Jeremias. Este imaginou o tempo da salvação como a volta dos israelitas deportados para Jerusalém, com inclusão de cegos e coxos. Assim, o cego de Jericó, que aclama Jesus como “filho de Davi” (= Messias), vai participar da entrada de Jesus em Jerusalém e juntar sua voz à da multidão, que vai saudar Jesus com essa mesma saudação messiânica (Mc 11, 9-10). No dia do Messias, este e os cegos entram juntos na cidade de Deus …
Será que nós nos deixamos abrir os olhos para seguir o Messias na etapa decisiva de sua caminhada? Para isso, precisamos saber que somos cegos: não temos, por nós mesmos, a capacidade de seguir Jesus no seu caminho messiânico, caminho de amor e justiça radicais. Muitas vezes somos tão obcecados pelas miragens do progresso e do consumo que nem suspeitamos de nossa cegueira. Mas o cego de Jericó invoca Cristo, é por ele curado e segue-o no caminho que outros, em condições bem melhores, não quiseram seguir (por exemplo, o homem rico … ). Imagem de nossa sociedade, de nossa cristandade. O povo dos pobres, submerso nas trevas da opressão econômica e da dominação cultural, que lhes impede ter uma visão do que está acontecendo, encontra em Jesus quem lhe abre os olhos, de modo que possa segui-lo, desimpedido e participando com ele, até a cruz que liberta os irmãos e irmãs.
                             Do livro “Liturgia Dominical”, de Johan Konings, SJ, Editora Vozes
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                                                                Reflexão: Franciscanos.org.br     Banner: cnbb.org.br

Vice-presidente da CNBB:

“Continuaremos a ser o que somos, uma voz crítica, um grupo
aberto ao diálogo, procurando aquilo que é melhor para todos”


O arcebispo de Salvador (BA) e vice-presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Murilo Krieger, comentou a intenção do Conselho Episcopal Pastoral (Consep) da entidade ao divulgar a nota por ocasião do segundo turno das Eleições 2018. Neste momento delicado, apontado até como “muito difícil”, os bispos procuraram “acender uma luz em meio de tanta reclamação e de tanta ferida”. Dom Murilo também ressaltou a postura da conferência, independente do resultado das urnas.
“Infelizmente esse segundo turno tem se marcado por divisão entre pessoas da mesma família, entre amigos, por polarizações. Estamos mostrando que as eleições passarão, um dos candidatos será eleito, qualquer que for o candidato eleito, o Brasil terá que aprender a conviver com ele e nós também, como Igreja”, afirma o vice-presidente da CNBB.
Na nota divulgada na última quarta-feira, os bispos exortaram os brasileiros a deixarem de lado “armas de ódio e de vingança que têm gerado um clima de violência, estimulado por notícias falsas, discursos e posturas radicais, que colocam em risco as bases democráticas da sociedade brasileira”. Para os membros do Consep, toda atitude que incita à divisão, à discriminação, à intolerância e à violência, deve ser superada. “Revistamo-nos, portanto, do amor e da reconciliação, e trilhemos o caminho da paz”, sugeriram.
Neste novo cenário que se apresentará com o resultado das urnas, a CNBB reafirmou seu compromisso, “sobretudo através do diálogo, de colaborar na busca do bem comum com as instituições sociais e aqueles que, respaldados pelo voto popular, forem eleitos para governar o País”.
“Continuaremos a ser o que somos, uma voz crítica, um grupo aberto ao diálogo, procurando aquilo que é melhor para todos, não o melhor para a Igreja, para nós, mas para o Brasil”, garante dom Murilo Krieger.
A nota que ratifica a posição da CNBB e suas orientações a respeito das eleições “foi bastante equilibrada”, como explica dom Murilo. Ela não indica partidos, nem candidatos, como todos os pronunciamentos da entidade neste ano, quando foi divulgada a mensagem “Compromisso e Esperança”, na 56ª Assembleia Geral, realizada em maio. O vice-presidente da CNBB ressalta que, como toda nota e como toda decisão de uma reunião da CNBB, o texto não é expressão de uma pessoa ou de um grupo, “mas da média de todos os que participaram” o pronunciamento “expressa um consenso da maioria. Porque a nossa finalidade é essa: servir à Igreja, não criar paixões, não acentuar diferenças de distâncias”.
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Dimensão missionária é eixo central
da ação da Igreja no Brasil para os próximos 4 anos


O assessor da Comissão Episcopal Pastoral para a Doutrina da Fé da Conferência Nacioinal dos Bispos do Brasil (CNBB), monsenhor Antônio Luiz Catelan, apresentou o processo de elaboração das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora (DGAE) que vão orientar a caminhada da Igreja no Brasil para o período de 2019-2023.
Segundo o monsenhor, a equipe de redação composta por bispos e peritos e coordenada pelo arcebispo de São Luiz (MA), dom José Belisário da Silva, já se reuniu duas vezes. Atualmente, explicou, os sub-grupos estão redigindo partes do documento, num processo que vai até o fim deste mês de outubro.
Até o final de outubro, a equipe reunirá todas as partes e todos os membros farão um estudo pessoal do material. De acordo com Catelan, está marcada para dezembro uma nova reunião onde o texto integral será lido e acrescentadas as observações de cada membro.
Após esta fase, a equipe enviará em janeiro de 2019 um texto mais consolidado aos bispos. Estes, informa o monsenhor, poderão em suas dioceses estudá-lo individualmente e em equipes, para que sejam levantadas novas propostas de modificação que deverão ser enviadas para a equipe de redação até o final de janeiro.
A equipe então se reúne mais uma vez para discutir cada uma das propostas. Em seguida o texto é novamente enviado aos bispos que até o início da assembleia poderão apresentar novas emendas. E então o texto segue a discussão padrão definido no regimento da Conferência para os temas centrais dentro da Assembleia com apresentação geral, trabalho de grupos, discussão e aprovação de emendas ao texto final.
Finalidade pastoral – Na avaliação de Catelan, as DGAE são o texto mais significativo da própria Conferência. “Elas exprimem melhor a natureza da própria Conferência Episcopal que é a mútua ajuda entre os bispos com finalidade pastoral”, disse. No texto, explica o monsenhor, se identificam os elementos do contexto atual que precisam de maior atenção na evangelização e em seguida se faz orientações e pistas gerais de atuação.
O texto das diretrizes é renovado a cada 4 anos, às vezes reformulado inteiramente, às vezes apenas modificado em alguns de seus pontos. “No caso atual, em 2019 haverá uma reformulação significativa sem que os pontos fundamentais, que já vêm de 7 anos, sejam modificados”, explica Catelan.
Para as DGAE 2019-2023, o religioso informa que a equipe propôs um eixo fundamental em torno do qual giram as outras urgências. E esse eixo, em profunda fidelidade à intuição da Conferência de Aparecida (SP), e sobretudo ao magistério do papa Francisco, é o eixo missionário. “A imagem da comunidade missionária foi escolhida para ajudar na redação e divulgação do documento e a partir disto as outras urgências são trabalhadas”, conclui.
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Papa na missa desta sexta-feira:

A paz se faz com humildade, doçura e magnanimidade
Na missa celebrada na Casa Santa Marta, o convite do Papa Francisco é para “fazer” e “consolidar” a unidade no mundo de hoje, em que as instituições internacionais “se sentem incapazes de encontrar um acordo” pela paz.

Cidade do VaticanoA paz passa pela humildade, a doçura e a magnanimidade: foi o que disse o Papa Francisco na homilia da missa celebrada na manhã de sexta-feira (26/10) na capela da Casa Santa Marta.
Refletindo sobre a Primeira Leitura, extraída da Carta de São Paulo aos Efésios, Francisco recordou que Paulo dirigiu aos cristãos um verdadeiro “hino à unidade” quando estava na prisão, evocando a “dignidade da vocação”.
A dificuldade dos acordos de paz
O próprio Jesus, destacou o Papa, “antes de morrer, na Última Ceia, pediu ao Pai a graça da unidade para todos nós”. E mesmo assim, constatou Francisco, estamos acostumados a respirar o “ar dos conflitos”: todos os dias, na tv e nos jornais, se fala de conflitos, “um atrás do outro”, de guerras, “sem paz, sem unidade”. Não obstante “se façam pactos” para deter qualquer tipo de conflito, pois esses mesmos acordos não são respeitados. Deste modo, “a corrida armamentista, a preparação às guerras, à destruição, avança”.
Também as instituições mundiais – hoje vemos – criadas com a melhor vontade de ajudar a unidade da humanidade, a paz, se sentem incapazes de encontrar um acordo: que há um veto aqui, um interesse lá… E têm dificuldade em chegar a acordos de paz. Enquanto isso, as crianças não têm o que comer, não vão à escola, não são educadas, não há hospitais porque a guerra destrói tudo. Temos uma tendência à destruição, à guerra, à desunião. É a tendência que semeia no nosso coração a inimigo, o destruir a humanidade: o diabo. Paulo, neste trecho, nos ensina o caminho rumo à unidade, que ele diz: “A unidade está coberta, está ‘blindada’ – podemos dizer – com o vínculo da paz”. A paz leva à unidade.
Abrir o coração
Eis então o chamado a um comportamento digno “do chamado” recebido, “com toda humildade, doçura e magnanimidade”.
Para fazer a paz, a unidade entre nós, “humildade, doçura – nós que estamos acostumados a nos insultar, a gritar... doçura – e magnanimidade”. Deixa para lá, mas abra o coração. Mas é possível fazer a paz no mundo com essas três pequenas coisas? Sim, é o caminho. É possível chegar à unidade? Sim, aquele caminho: “humildade, doçura e magnanimidade”. E Paulo é prático, e continua com um conselho muito prático: “suportai-vos uns aos outros no amor”. suportai-vos uns aos outros. Não é fácil, sempre escapa o juízo, a condenação, que leva à separação, à distância …
Acordo desde o início
Acontece o mesmo quando se cria uma distância entre os membros de uma mesma família, notou o Papa. E “o diabo fica feliz” com isso, é o “início da guerra”. O conselho é então “suportar”, “porque todos nós causamos incômodo, impaciência, porque todos nós – recordou – somos pecadores, todos temos os nossos defeitos”. São Paulo recomenda “preservar a unidade do espírito por meio do vínculo da paz”, “certamente sob a inspiração das palavras de Jesus na Última Ceia: ‘Um só corpo e um só espírito’”. Depois segue em frente e “nos faz ver o horizonte da paz, com Deus; assim como Jesus nos fez ver o horizonte da paz na oração: ‘Pai, que sejam um, como eu e Ti’. A unidade”.
Francisco recordou ainda que no Evangelho de Lucas proclamado hoje, Jesus aconselha a encontrar um acordo com o nosso adversário “enquanto estais a caminho”: um “belo conselho”, comentou o Pontífice, porque “não é difícil encontrar um acordo no início do conflito”.
O conselho de Jesus: entre num acordo no início, fazer as pazes no início: esta é humildade, isso é doçura, isso é magnanimidade. Pode-se construir a paz em todo o mundo com essas três pequenas coisas, porque essas atitudes são a atitude de Jesus: humilde, manso, perdoa tudo. O mundo hoje necessita de paz, as nossas famílias necessitam de paz, a nossa sociedade necessita de paz. Vamos começar em casa a praticar essas coisas simples: magnanimidade, doçura e humildade. Vamos avante nesta estrada: de fazer sempre a unidade, consolidar a unidade. Que o Senhor nos ajude neste caminho.
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Assista:
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quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Papa na missa desta quinta:

Reconhecer-se pecador e rezar,
os dois passos para conhecer Jesus
Na homilia da Missa celebrada na manhã desta quinta-feira na Capela da Casa Santa Marta, o Papa Francisco disse que sem nos reconhecermos pecadores, não podemos seguir em frente na vida cristã, propondo também a oração como um segundo passo para conhecer Jesus e a si mesmo.

Cidade do VaticanoQuem é Jesus Cristo para você? Foi a pergunta que o Papa Francisco fez na manhã de quinta-feira (25/10), na homilia da missa celebrada na Casa Santa Marta.
Se alguém nos perguntar “quem é Jesus Cristo”, nós diremos aquilo que aprendemos. É o Salvador do mundo, o Filho do Pai, aquilo que “recitamos no Credo”. Mas mais difícil, afirmou o Papa, é responder à pergunta sobre quem é Jesus Cristo “para mim”. É uma pergunta que nos coloca em dificuldade, porque para responder “tenho que chegar ao meu coração”, isto é, partir da experiência.
São Paulo, de fato, tem justamente a inquietação de transmitir que ele conheceu Jesus Cristo através da sua experiência, quando ele caiu do cavalo, quando o Senhor lhe falou ao coração. Não conheceu Cristo a partir dos "estudos teológicos” mesmo que, depois, “foi verificar” como Jesus era anunciado na Escritura.
Aquilo que ele sentiu, Paulo quer que nós cristãos sintamos. À pergunta que nós podemos fazer para Paulo: “Paulo, quem é Cristo para você?”, ele dirá a própria experiência, simples: “Ele me amou e se entregou por mim”. Mas ele está envolvido com Cristo, que pagou por ele. Esta experiência, Paulo quer que os cristãos – neste caso os cristãos de Éfeso – vivam, entrem nesta experiência a ponto que cada um possa dizer: “Ele me amou e se entregou por mim”, mas dizê-lo com a própria experiência.
A Primeira Leitura de hoje, de fato, é extraída da Carta de Paulo aos Efésios (Ef 3,14-21), na qual o Apóstolo diz: “enraizados e fundados no amor. Tereis assim a capacidade de compreender qual a largura, o comprimento, a altura, a profundidade, e conhecer o amor de Cristo que ultrapassa todo conhecimento, porque repletos de toda a plenitude de Deus”.
E para chegar à experiência que São Paulo teve com Jesus, o Papa destacou que recitar muitas vezes o Credo ajuda, mas o melhor caminho é reconhecer-se pecador: é o primeiro passo. Quando, de fato, Paulo diz que Jesus se entregou por ele, quer dizer que pagou por ele e conta isso em suas Cartas. A primeira definição de si mesmo é, portanto, ser um pecador, dizendo que perseguiu os cristãos, e parte justamente do ser “escolhido por amor, mas pecador”. “O primeiro passo para o conhecimento de Cristo, para entrar neste mistério – reiterou o Papa - é o conhecimento do próprio pecado, dos próprios pecados”.
Francisco ressaltou que no sacramento da Reconciliação “nós dizemos os nossos pecados”, mas “uma coisa é dizer os pecados”, outra é reconhecer-se pecadores por natureza, “capazes de fazer qualquer coisa”, “reconhecer-se uma sujeira”. São Paulo, reiterou o Papa, fez esta experiência a partir da própria miséria, “que tem necessidade de redenção”, de alguém que pague o direito de se dizer filho de Deus’”: “todos nós o somos, mas dizê-lo, ouvi-lo, era necessário o sacrifício de Cristo”. Portanto, reconhecer-se pecadores concretamente, envergonhando-se de si mesmos.
Depois tem um segundo passo para conhecer Jesus: o da contemplação, da oração que pede para conhecer Jesus: “Há uma bela oração de um Santo: ‘Senhor, que eu te conheça e me conheça’: conhecer a si mesmo e conhecer Jesus”, recorda ainda Francisco.
Aqui acontece esta relação de salvação – ressalta o Papa - exortando também a “não se contentar em dizer três, quatro palavras corretas sobre Jesus” porque, ao invés disso, “conhecer Jesus é uma aventura, mas uma aventura levada a sério, não uma aventura de adolescente”, porque o amor de Jesus é sem limites:
O próprio Paulo diz isso: "Ele tem todo o poder para fazer muito mais do que podemos pedir ou pensar. Ele tem o poder de fazer isso. Mas nós temos que pedir isso. "Senhor, que eu Te conheça; que quando eu falar de Ti, diga não  palavras de papagaio, diga palavras nascidas na minha experiência. E como Paulo possa dizer: "Me amou e se entregou por mim", e dizer isso com convicção". Essa é a nossa força, porque esse é o nosso testemunho. Cristãos de palavras, temos muitos; também nós muitas vezes o somos. Esta não é a santidade; santidade é ser cristãos que fazem na vida o que Jesus ensinou e o que Jesus semeou no coração.
Ao concluir, o Papa Francisco reitera os dois passos para conhecer Jesus Cristo:
Primeiro passo, conhecer a si mesmo: pecadores; pecadores. Sem esse conhecimento e também sem essa confissão interior, que eu sou pecador, não podemos seguir em frente. Segundo passo, a oração ao Senhor, que com o seu poder nos faz conhecer este mistério de Jesus que é o fogo que Ele trouxe à Terra. Será um bom hábito se todos os dias, em algum momento, pudéssemos dizer: "Senhor, que eu te conheça e me conheça". E assim seguir em frente.
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                                                                                                             Fonte: vaticannews.va