quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Francisco:
Deus jamais desvia o olhar da dor humana

Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Francisco se reuniu com milhares de fiéis na Praça São Pedro, para a Audiência Geral desta quarta-feira (27/01).
Após saudar os peregrinos a bordo do papamóvel, o Pontífice fez a sua catequese dando sequência ao ciclo sobre a misericórdia. Desta vez, comentando o trecho bíblico do Êxodo (2,23-25), em que Deus ouve o gemido dos filhos de Israel e faz a aliança.
Deus jamais desvia o olhar da dor humana
Na Sagrada Escritura, explicou, a misericórdia de Deus está presente ao longo de toda a história do povo de Israel, sobretudo quando está para sucumbir.
Artistas circenses apresentam-se para o Papa
A misericórdia não pode permanecer indiferente diante do sofrimento dos oprimidos, do gemido de quem está submetido à violência, reduzido em escravidão, condenado à morte. È uma realidade dolorosa que aflige todas as épocas, inclusive a nossa, e que nos faz sentir com frequência impotentes. Deus, ao invés, não é indiferente, jamais desvia o olhar da dor humana. Deus ouve e intervém para salvar, suscitando homens capazes de ouvir o gemido do sofrimento e atuar em favor dos oprimidos.
Como mediador de libertação para o seu povo, envia Moisés, que vai ter com o Faraó para o convencer a deixar partir Israel e depois guia-o no caminho para a liberdade. Moisés, quando era menino, fora salvo das águas do rio Nilo pela misericórdia divina; e agora é feito mediador daquela mesma misericórdia a favor do seu povo, permitindo-lhe nascer para a liberdade salvo das águas do Mar Vermelho.
Obras de misericórdia são o oposto das obras de morte
“E também nós, neste Ano da Misericórdia, podemos fazer este trabalho de ser mediadores de misericórdia com as obras de misericordia para aproximar, aliviar, fazer unidade. A misericórdia de Deus atua sempre para salvar. É tudo o contrário da obra daqueles que atuam sempre para matar: por exemplo, os que fazem as guerras”, disse o Papa.
Através do seu servo Moisés, prosseguiu, o Senhor guia Israel no deserto como se fosse um filho, educa-o na fé e faz aliança com ele criando um vínculo fortíssimo de amor, uma relação semelhante à que existe entre pai e filho e entre marido e esposa. É uma relação particular, exclusiva, privilegiada de amor, fazendo dos israelitas "um reino de sacerdotes e uma nação santa".
“Até que ponto chega a misericórdia divina!”, disse Francisco. "Pois bem, é isto mesmo que nós próprios nos tornamos para Deus, deixando-nos salvar por Ele e acolhendo a sua aliança. A misericórdia divina torna o homem precioso, como um tesouro pessoal que pertence ao Senhor, que Ele guarda e no qual Se compraz."
Estas são as maravilhas da misericórdia divina, que chega à sua plena realização em Jesus, naquela “nova e eterna aliança” consumada no seu sangue, que nos torna joias preciosas nas mãos do Pai bom e misericordioso.
“E se nós somos filhos de Deus e temos a possibilidade desta herança de bondade e de misericórdia em relação aos outros, peçamos ao Senhor que neste Ano da Misericórdia também nós abramos o nosso coração para chegar a todos com as obras de misericordia”, concluiu.
Circo na Praça
Depois da catequese, o papa saudou os grupos presentes na Praça. Do Brasil, saudou de modo especial os fiéis de Brasília e São José dos Campos. Houve uma apresentação circense e Francisco mencionou ainda uma iniciativa do Pontifício Conselho Cor Unum por ocasião do Ano Jubilar. Trata-se de uma jornada de retiro espiritual para pessoas e grupos engajados no serviço da caridade. O retiro será realizado em nível local, nas dioceses, durante a próxima Quaresma – uma ocasião, disse o Papa convidando todos à participação – "para refletir sobre o chamado a ser misericordiosos como o Pai". (BF) 
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Papa Francisco nomeia bispo auxiliar de Porto Alegre (RS)

O Papa Francisco nomeou hoje, 27 de janeiro, padre Adilson Pedro Busin como bispo titular de “Guardialfieira” e auxiliar na arquidiocese de Porto Alegre (RS), acolhendo o pedido de dom Jaime Spengler, OFM. Atualmente, padre Adilson exerce a função de vigário regional dos Missionários de São Carlos para a região Sul Americana.
Mons. Adilson Pedro Busin
O novo bispo tem 50 anos, natural de Sarandi (RS). Nasceu em 20 de maio de 1965. É filho de Ivo Busin e Adiles Signor Busin. Aos 14 anos, ingressou no Seminário da Congregação dos Missionários de São Carlos. Realizou o noviciado entre 1984 e 1985, com primeira profissão religiosa, em 22 de dezembro do mesmo ano. Cursou Filosofia na Universidade de Caxias do Sul (RS) e Teologia no Instituto Teológico São Paulo (Itesp). Foi ordenado presbítero em 09 de janeiro de 1993. É mestre em Ciências da Educação pela Universidade Pontifícia Salesiana. 
Missão 
Após a ordenação, padre Adilson foi enviado, em missão, ao Paraguai, onde atuou como animador vocacional e orientador espiritual no Seminário Nossa Senhora de Caacupe, em Cuidad Este. Em 1994, foi nomeado reitor do Seminário Menor em Santa Rosa del Monday. 
De volta ao Brasil, em 2000, assumiu como vice mestre de noviços e, no ano seguinte, a função de mestre no noviciado Nossa Senhora de Guadalupe, em Porto Alegre. Foi vigário da província São Pedro dos Missionários Scalabrinianos. No ano de 2007, foi eleito superior provincial e, em 2013, assumiu como vigário e secretário provincial da nova regional Sul-americana. No mês de julho de 2015, voltou a exercer a função de mestre de noviços, em Porto Alegre. 
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              Fonte: 1ª matéria:  radiovaticana.va     news.va    2ª matéria: cnbb.org.br

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Para refletir

A Família Educadora

Sempre que se inicia o ano, todas as famílias com filhos em idade escolar preocupam-se com a educação dos seus filhos. O Estado tem a obrigação de subsidiar a educação, porém é indispensável a participação da família nesse processo. 
Nos primeiros anos da vida, a cultura recebe o nome de educação. Educar é cultivar. Em latim, educco significa “lançar para fora”, “fazer sair”; educar tem o sentido de desenvolver a partir de algo que já se encontra em germe na criança.
Assim como o cultivo das plantas é a arte de, obedecendo às leis naturais, conduzir a semente ao estado de flor, também a educação do ser humano tem as suas leis. Devemos educar obedecendo livremente essas leis, que são as leis da criação e que estão inscritas no ser humano. 
Educar pelo testemunho
Uma boa educação deve capacitar o homem para alcançar o seu fim. Deve mostrar o sentido da vida, do Bem Soberano, Deus, o nosso fim; assim como deve mostrar como escolher, sempre sob a atração desse Soberano Bem, quais são esses outros bens que nos convém nesta vida.
Um bom educador não desenvolverá apenas o que já está previsto no nosso programa genético, a chamada herança genética, mas saberá absorver do meio social onde se encontra, aquele conjunto de tradições, de valores autênticos, de formas de vida válidas para o verdadeiro crescimento da personalidade. Antes de tudo, educar é ensinar a discernir. É cultivar na criança e no adolescente o homem, sabendo desenvolver nele o gosto, o afeto, o interesse por tudo aquilo que ajuda a ser mais homem.
Educar consiste em formar o espírito crítico, o bom gosto, o sentido do verdadeiro, do belo, do bom, e, acima de tudo, o sentido do Soberano Bem, o sentido de Deus, sem o qual nossa vida não tem sentido nenhum.
A educação se inclui entre os direitos fundamentais da pessoa humana. Diz o Concílio Vaticano II: “Todos os homens, de qualquer estirpe, condição e idade, visto gozarem da dignidade da pessoa, têm direito inalienável a uma educação correspondente ao próprio fim, acomodada à própria índole, sexo, cultura e tradições pátrias, e, ao mesmo tempo, aberta ao consórcio fraterno com os outros povos”.
Essa primeira educação deve dar-se na família. O filho tem direito a nascer e a ser educado no seio de uma família. Pouco adiantará a boa escola, mesmo a escola católica, se quando voltar para casa a criança não encontrar no lar a confirmação, teórica e prática, do que lhe ensinaram seus professores.
E a escola, mesmo a escola católica, não terá nenhuma eficácia, se na família, consciente ou inconscientemente, se cultivam formas contra-culturais de vida, que são o consumismo, o hedonismo, a frivolidade, uma vida egoísta. 
Uma boa educação não deve limitar-se aos elementos intelectuais, artísticos, técnicos, mas deve cultivar as atitudes morais e os valores espirituais, principalmente a fé. Não existe, segundo São João Paulo II, “bem maior que o de uma fé profunda, para os pais transmitirem a seus filhos”. 
Os pais são, por direito e por dever, os primeiros e principais educadores de seus filhos. Não devem, portanto, alhear-se dessa difícil tarefa, pensando que a escola fará tudo. O próprio desinteresse dos pais nesse ponto, quando é percebido pelos filhos – e o é sempre –, mata na sua base todo o esforço educador. 
A transmissão da fé é uma missão especialmente ligada à vocação matrimonial. Os esposos, pelo matrimônio, se orientam para a geração e a educação da prole. A educação é, não esqueçam, o prolongamento normal e necessário da geração. É isso que a sociedade, a Igreja e Deus esperam dos pais. 
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                                                                 Fonte: cnbb.org.br     Ilustração: a12.com

Papa Francisco:

Na Quaresma, devemos sair da própria alienação existencial
Cidade do Vaticano (RV) – “A Quaresma deste Ano Jubilar é um tempo favorável para todos poderem, finalmente, sair da própria alienação existencial, graças à escuta da Palavra e às obras de misericórdia”: é o que afirma o Papa Francisco na Mensagem para a Quaresma 2016, divulgada na terça-feira (26/01).
"'Prefiro a misericórdia ao sacrifício” (Mt 9, 13). As obras de misericórdia no caminho jubilar" é o tema da Mensagem do Pontífice. No texto, Francisco destaca que a misericórdia de Deus transforma o coração do homem, tornando-o assim, por sua vez, capaz de misericórdia.
Que a Quaresma nos leve
à escuta da Palavra e à prática das obras de misericórdia
Estas obras, ressalta o Papa, nos recordam que a nossa fé se traduz em atos concretos e quotidianos, destinados a ajudar o próximo no corpo e no espírito e sobre os quais havemos de ser julgados: alimentá-lo, visitá-lo, confortá-lo, educá-lo.
“Será uma maneira de acordar a nossa consciência, muitas vezes adormecida perante o drama da pobreza, e de entrar cada vez mais no coração do Evangelho, onde os pobres são os privilegiados da misericórdia divina”, escreve o Pontífice, citando a Bula de convocação do Jubileu.
Todavia, adverte o Papa, o pobre mais miserável é aquele que não aceita reconhecer-se como tal. “Pensa que é rico, mas na realidade é o mais pobre dos pobres. E quanto maior for o poder e a riqueza à sua disposição, tanto maior pode tornar-se esta cegueira mentirosa. E esta cegueira está acompanhada por um soberbo delírio de onipotência.”
Este delírio, prossegue Francisco, “pode assumir também formas sociais e políticas, como mostraram os totalitarismos do século XX e mostram hoje as ideologias do pensamento único e da tecnociência que pretendem tornar Deus irrelevante e reduzir o homem a massa possível de instrumentalizar. E podem atualmente mostrá-lo também as estruturas de pecado ligadas a um modelo de falso desenvolvimento fundado na idolatria do dinheiro, que torna indiferentes ao destino dos pobres as pessoas e as sociedades mais ricas, que lhes fecham as portas recusando-se até mesmo a vê-los”.
Portanto, exorta o Papa, a Quaresma deste Ano Jubilar é um tempo favorável para todos poderem, finalmente, sair da própria alienação existencial, graças à escuta da Palavra e às obras de misericórdia.
E explica: “Se por meio das obras corporais, tocamos a carne de Cristo nos irmãos e irmãs necessitados de ser nutridos, vestidos, alojados, visitados, as obras espirituais tocam mais diretamente o nosso ser de pecadores: aconselhar, ensinar, perdoar, admoestar, rezar”.
Para Francisco, estas obras nunca podem ser separadas, pois é precisamente tocando a carne de Jesus crucificado no miserável que o pecador pode receber a consciência de ser ele próprio um pobre mendigo. “Não percamos este tempo de Quaresma favorável à conversão!”, é o convite final do Santo Padre. (BF)
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Íntegra da Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma:
«“Prefiro a misericórdia ao sacrifício” (Mt 9, 13).
As obras de misericórdia no caminho jubilar»
1. Maria, ícone duma Igreja que evangeliza porque evangelizada
Na Bula de proclamação do Jubileu, fiz o convite para que «a Quaresma deste Ano Jubilar seja vivida mais intensamente como tempo forte para celebrar e experimentar a misericórdia de Deus» (Misericordiӕ Vultus, 17). Com o apelo à escuta da Palavra de Deus e à iniciativa «24 horas para o Senhor», quis sublinhar a primazia da escuta orante da Palavra, especialmente a palavra profética. Com efeito, a misericórdia de Deus é um anúncio ao mundo; mas cada cristão é chamado a fazer pessoalmente experiência de tal anúncio. Por isso, no tempo da Quaresma, enviarei os Missionários da Misericórdia a fim de serem, para todos, um sinal concreto da proximidade e do perdão de Deus.
Maria, por ter acolhido a Boa Notícia que Lhe fora dada pelo arcanjo Gabriel, canta profeticamente, no Magnificat, a misericórdia com que Deus A predestinou. Deste modo a Virgem de Nazaré, prometida esposa de José, torna-se o ícone perfeito da Igreja que evangeliza porque foi e continua a ser evangelizada por obra do Espírito Santo, que fecundou o seu ventre virginal. Com efeito, na tradição profética, a misericórdia aparece estreitamente ligada – mesmo etimologicamente – com as vísceras maternas (rahamim) e com uma bondade generosa, fiel e compassiva (hesed) que se vive no âmbito das relações conjugais e parentais.
2. A aliança de Deus com os homens: uma história de misericórdia
O mistério da misericórdia divina desvenda-se no decurso da história da aliança entre Deus e o seu povo Israel. Na realidade, Deus mostra-Se sempre rico de misericórdia, pronto em qualquer circunstância a derramar sobre o seu povo uma ternura e uma compaixão viscerais, sobretudo nos momentos mais dramáticos quando a infidelidade quebra o vínculo do Pacto e se requer que a aliança seja ratificada de maneira mais estável na justiça e na verdade. Encontramo-nos aqui perante um verdadeiro e próprio drama de amor, no qual Deus desempenha o papel de pai e marido traído, enquanto Israel desempenha o de filho/filha e esposa infiéis. São precisamente as imagens familiares – como no caso de Oseias (cf. Os 1-2) – que melhor exprimem até que ponto Deus quer ligar-Se ao seu povo.
Convertei-vos e crede no Evangelho
Este drama de amor alcança o seu ápice no Filho feito homem. N’Ele, Deus derrama a sua misericórdia sem limites até ao ponto de fazer d’Ele a Misericórdia encarnada (cf. Misericordiӕ Vultus, 8). Na realidade, Jesus de Nazaré enquanto homem é, para todos os efeitos, filho de Israel. E é-o ao ponto de encarnar aquela escuta perfeita de Deus que se exige a cada judeu pelo Shemà, fulcro ainda hoje da aliança de Deus com Israel: «Escuta, Israel! O Senhor é nosso Deus; o Senhor é único! Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças» (Dt 6, 4-5). O Filho de Deus é o Esposo que tudo faz para ganhar o amor da sua Esposa, à qual O liga o seu amor incondicional que se torna visível nas núpcias eternas com ela.
Este é o coração pulsante do querigma apostólico, no qual ocupa um lugar central e fundamental a misericórdia divina. Nele sobressai «a beleza do amor salvífico de Deus manifestado em Jesus Cristo morto e ressuscitado» (Evangelii gaudium, 36), aquele primeiro anúncio que «sempre se tem de voltar a ouvir de diferentes maneiras e aquele que sempre se tem de voltar a anunciar, duma forma ou doutra, durante a catequese» (Ibid., 164). Então a Misericórdia «exprime o comportamento de Deus para com o pecador, oferecendo-lhe uma nova possibilidade de se arrepender, converter e acreditar» (Misericordiӕ Vultus, 21), restabelecendo precisamente assim a relação com Ele. E, em Jesus crucificado, Deus chega ao ponto de querer alcançar o pecador no seu afastamento mais extremo, precisamente lá onde ele se perdeu e afastou d'Ele. E faz isto na esperança de assim poder finalmente comover o coração endurecido da sua Esposa.
3. As obras de misericórdia
A misericórdia de Deus transforma o coração do homem e faz-lhe experimentar um amor fiel, tornando-o assim, por sua vez, capaz de misericórdia. É um milagre sempre novo que a misericórdia divina possa irradiar-se na vida de cada um de nós, estimulando-nos ao amor do próximo e animando aquilo que a tradição da Igreja chama as obras de misericórdia corporal e espiritual. Estas recordam-nos que a nossa fé se traduz em atos concretos e quotidianos, destinados a ajudar o nosso próximo no corpo e no espírito e sobre os quais havemos de ser julgados: alimentá-lo, visitá-lo, confortá-lo, educá-lo. Por isso, expressei o desejo de que «o povo cristão reflita, durante o Jubileu, sobre as obras de misericórdia corporal e espiritual. Será uma maneira de acordar a nossa consciência, muitas vezes adormecida perante o drama da pobreza, e de entrar cada vez mais no coração do Evangelho, onde os pobres são os privilegiados da misericórdia divina» (Ibid., 15). Realmente, no pobre, a carne de Cristo «torna-se de novo visível como corpo martirizado, chagado, flagelado, desnutrido, em fuga... a fim de ser reconhecido, tocado e assistido cuidadosamente por nós» (Ibid., 15). É o mistério inaudito e escandaloso do prolongamento na história do sofrimento do Cordeiro Inocente, sarça ardente de amor gratuito na presença da qual podemos apenas, como Moisés, tirar as sandálias (cf. Ex 3, 5); e mais ainda, quando o pobre é o irmão ou a irmã em Cristo que sofre por causa da sua fé.
Diante deste amor forte como a morte (cf. Ct 8, 6), fica patente como o pobre mais miserável seja aquele que não aceita reconhecer-se como tal. Pensa que é rico, mas na realidade é o mais pobre dos pobres. E isto porque é escravo do pecado, que o leva a utilizar riqueza e poder, não para servir a Deus e aos outros, mas para sufocar em si mesmo a consciência profunda de ser, ele também, nada mais que um pobre mendigo. E quanto maior for o poder e a riqueza à sua disposição, tanto maior pode tornar-se esta cegueira mentirosa. Chega ao ponto de não querer ver sequer o pobre Lázaro que mendiga à porta da sua casa (cf. Lc 16, 20-21), sendo este figura de Cristo que, nos pobres, mendiga a nossa conversão. Lázaro é a possibilidade de conversão que Deus nos oferece e talvez não vejamos. E esta cegueira está acompanhada por um soberbo delírio de onipotência, no qual ressoa sinistramente aquele demoníaco «sereis como Deus» (Gn 3, 5) que é a raiz de qualquer pecado. Tal delírio pode assumir também formas sociais e políticas, como mostraram os totalitarismos do século XX e mostram hoje as ideologias do pensamento único e da tecnociência que pretendem tornar Deus irrelevante e reduzir o homem a massa possível de instrumentalizar. E podem atualmente mostrá-lo também as estruturas de pecado ligadas a um modelo de falso desenvolvimento fundado na idolatria do dinheiro, que torna indiferentes ao destino dos pobres as pessoas e as sociedades mais ricas, que lhes fecham as portas recusando-se até mesmo a vê-los.
Portanto a Quaresma deste Ano Jubilar é um tempo favorável para todos poderem, finalmente, sair da própria alienação existencial, graças à escuta da Palavra e às obras de misericórdia. Se, por meio das obras corporais, tocamos a carne de Cristo nos irmãos e irmãs necessitados de ser nutridos, vestidos, alojados, visitados, as obras espirituais tocam mais diretamente o nosso ser de pecadores: aconselhar, ensinar, perdoar, admoestar, rezar. Por isso, as obras corporais e as espirituais nunca devem ser separadas. Com efeito, é precisamente tocando, no miserável, a carne de Jesus crucificado que o pecador pode receber, em dom, a consciência de ser ele próprio um pobre mendigo. Por esta estrada, também os «soberbos», os «poderosos» e os «ricos», de que fala o Magnificat, têm a possibilidade de aperceber-se que são, imerecidamente, amados pelo Crucificado, morto e ressuscitado também por eles. Somente neste amor temos a resposta àquela sede de felicidade e amor infinitos que o homem se ilude de poder colmar mediante os ídolos do saber, do poder e do possuir. Mas permanece sempre o perigo de que os soberbos, os ricos e os poderosos – por causa de um fechamento cada vez mais hermético a Cristo, que, no pobre, continua a bater à porta do seu coração – acabem por se condenar precipitando-se eles mesmos naquele abismo eterno de solidão que é o inferno. Por isso, eis que ressoam de novo para eles, como para todos nós, as palavras veementes de Abraão: «Têm Moisés e o Profetas; que os ouçam!» (Lc 16, 29). Esta escuta ativa preparar-nos-á da melhor maneira para festejar a vitória definitiva sobre o pecado e a morte conquistada pelo Esposo já ressuscitado, que deseja purificar a sua prometida Esposa, na expectativa da sua vinda.
Não percamos este tempo de Quaresma favorável à conversão! Pedimo-lo pela intercessão materna da Virgem Maria, a primeira que, diante da grandeza da misericórdia divina que Lhe foi concedida gratuitamente, reconheceu a sua pequenez (cf. Lc 1, 48), confessando-Se a humilde serva do Senhor (cf. Lc 1, 38).
Vaticano, 4 de Outubro de 2015
Festa de S. Francisco de Assis
[Franciscus] 
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                                                                    Fonte: radiovaticana.va      news.va

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Mensagem de Dom Gil

aos agentes da PASCOM
O arcebispo metropolitano de Juiz de Fora (MG) e bispo referencial para a Comissão Comunicação e Cultura do Regional Leste 2 (Minas Gerais e Espírito Santo) da CNBB, dom Gil Antônio Moreira, divulgou uma mensagem aos agentes da Pastoral da Comunicação. Na mensagem, dom Gil ressalta as atividades da Pascom em âmbito Regional para este ano.
Leia a íntegra da mensagem de Dom Gil aos agentes da Pascom do Regional Leste 2.
PASTORAL DA COMUNICAÇÃO
                                                                                                                         24 de janeiro de 2016
Queridos Pasconianos do Regional Leste 2,
Graça e paz!
É com alegria que nos dirigimos a você, comunicador do nosso regional, pela primeira vez neste ano de 2016. Estamos completando um ano de articulação da Pastoral da Comunicação no Regional e, ao aproximarmo-nos da celebração de São Francisco de Sales, padroeiro dos jornalistas, pareceu-nos oportuno esta mensagem com as principais atividades deste ano em sintonia com a caminhada da Igreja.
Dom Gil Antônio Moreira
Vivemos um tempo de graça, o Ano Santo da Misericórdia, convocado pelo Papa Francisco. Queremos viver a Misericórdia e comunicá-la com a nossa voz e com a nossa vida. Queremos ser comunicadores misericordiosos! A espiritualidade é o eixo norteador de todo o trabalho da PASCOM em nosso regional. Desta forma, propusemos em nosso planejamento a realização de um RETIRO ESPIRITUAL na ótica da comunicação, a ser realizado por províncias, nos dias 27 e 28 de fevereiro. As províncias que, por ventura, não conseguirem se unir para este momento, orientamos as dioceses que proporcionem o retiro para os seus agentes, ou que participem do retiro em outra província. Quem desejar obter maiores informações sobre o retiro nas outras províncias, favor entrar em contato pelo e-mail soumarcustullius@gmail.com. O nosso desejo é que todo o Regional Leste 2 esteja unido nestes dias para meditar sobre “Comunicação e misericórdia: um encontro profundo”, em sintonia com o tema da mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial das Comunicações Sociais 2016.
A propósito, o DMCS já é uma data bastante celebrada e, neste ano, queremos ampliar a proposta a partir da produção de um subsídio próprio para o nosso Regional, direcionando-nos para a nossa bonita realidade eclesial presente nos estados de Minas Gerais e Espírito Santo e fazendo com que ele chegue ao maior número de comunicadores possível, já que a quantidade distribuída atualmente é insuficiente. Será no dia 08 de maio, festa da Ascensão do Senhor. A Comissão para a Comunicação da CNBB, em e-mail enviado em dezembro de 2015, informou-nos sobre a realização da I Romaria Nacional dos Comunicadores, a ser realizada na mesma data, em Aparecida. Não temos, ainda, maiores informações. Assim que forem divulgadas, repassaremos a todos.
Neste ano teremos o 5º Encontro Nacional da PASCOM. Reserve na sua agenda: 14 a 17 de julho, em Aparecida. O tema deste ano será Comunicação e Liturgia e está sendo preparado em conjunto com a Comissão Episcopal para a Liturgia. Em breve estarão abertas as inscrições no site da CNBB.
Temos um desafio. Precisamos aumentar o número de agentes da PASCOM no Cadastro do Conexão PASCOM. Assim como no futebol, os regionais estão classificados em série, pela quantidade de inscritos. Nós precisamos sair da série B e ir para série A. Para que isso aconteça, devemos ter mais de 400 cadastrados. No momento, somos 187 e temos um grande potencial. Contamos com a colaboração de vocês para divulgar e incentivar as inscrições. O comunicador deve visitar o site www.cnbb.org.br e no menu Serviços, o último item direciona para o cadastro.
Aos membros da Comissão Regional de Comunicação, agradecemos a unidade e empenho na articulação. A você comunicador na sua realidade comunitária, paroquial e diocesana, queremos caminhar juntos para fortalecer ainda mais os nossos vínculos e desenvolver bem os trabalhos. Deus nos prepara grandes momentos. Abramos nosso coração, nossos braços. Coloquemo-nos à sua disposição para que “o Evangelho seja anunciado a toda criatura” (cf. Mc 16,15).
Com estima fraterna,
Dom Gil Antônio Moreira
Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora
Bispo Referencial da Comissão de Comunicação – Regional Leste
Marcus Tullius
Coordenador da Pastoral da Comunicação – Regional Leste 2
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Papa Francisco nesta segunda-feira:

Sacerdotes sejam simples e misericordiosos

Cidade do Vaticano (RV) - O Papa Francisco reforçou, nesta segunda-feira (25/01), a necessidade de sacerdotes buscarem um diálogo constante com a Palavra de Deus e fez uma advertência àqueles que se contentam com uma vida “normal”. Em seu discurso à comunidade do Pontifício Seminário Lombardo de Roma, o Santo Padre também lembrou da importância do contato e da aproximação como bispo na atividade sacerdotal diocesana.
Para Francisco, o sacerdote que escolhe o caminho da normalidade se tornará um “sacerdote medíocre, ou pior”. “Então, este sacerdote começa a se contentar com um pouco da atenção recebida, julga o ministério com base em suas realizações e se contenta em buscar aquilo que lhe agrada, tornando-se morno e sem nenhum interesse real pelos outros”, destacou.
Contato com o bispo
Unidos aos bispos, os sacerdotes devem crescer no amor a Deus e aos fiéis
Em relação à comunhão com o bispo diocesano, o Papa lembrou que a característica do sacerdote diocesano é “precisamente a 'diocesaneidade', e a 'diocesaneidade' tem a sua pedra angular na relação frequente com o bispo, no diálogo e no discernimento com ele”.
“Um sacerdote que não tem um relacionamento assíduo com o seu bispo – relatou o pontífice – lentamente se isola do corpo diocesano e a sua fecundidade diminui, principalmente porque não exercita o diálogo com o Pai da Diocese.”
Olhar para com os pobres
O Papa recordou o modelo de vida de São Carlos Borromeu que, de acordo com ele, como Servo de Deus se preocupava principalmente com os pobres. "Mas – é sempre bom lembrar – só pode proclamar as palavras de vida apenas quem faz da própria vida um diálogo constante com a Palavra de Deus, ou melhor, com Deus que nos fala.”
O Pontífice pontuou ainda que “não convém uma formação segregada” e que “a oração, a cultura e o trabalho pastoral são pedras fundamentais de um único edifício”. Ao concluir, o Papa refletiu sobre a importância da união porque “os sacerdotes de hoje e de amanhã são homens espirituais e pastores misericordiosos, interiormente unificados pelo amor do Senhor e capacitados a difundir a alegria do Evangelho na simplicidade da vida”.
“A evangelização, hoje, - disse o Papa Francisco - necessita voltar ao caminho da simplicidade. Simplicidade de vida, a fim de evitar todas as formas de duplicidade e mundanismo, o que é suficiente para a comunhão verdadeira com o Senhor e com os outros; simplicidade da linguagem: nem pregadores de doutrinas complexas, mas anunciadores de Cristo, morto e ressuscitado por nós.” (PS)
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Papa Francisco: 
A misericórdia de Deus renovará nossas relações
“Não pode existir autêntica busca da unidade dos cristãos sem um confiar-se plenamente na misericórdia do Pai.” Foi o que disse o Papa Francisco na tarde desta segunda-feira (25/01), nas segundas Vésperas, celebradas na Basílica de São Paulo Fora dos Muros, na festa da Conversão de São Paulo.
Como se dá habitualmente nesta ocasião, sendo uma celebração ecumênica, as Segundas Vésperas tiveram a participação de representantes de diferentes confissões cristãs, entre os quais, representante do Patriarcado ecumênico de Constantinopla, representante em Roma do Primaz da Comunhão Anglicana, e os representantes das várias Igrejas e Comunidades eclesiais de Roma. Todos, com Francisco, passaram pela Porta Santa do Jubileu extraordinário da Misericórdia.
Com humildade, Papa pede perdão por comportamentos não evangélicos
Após referir-se ao Ano jubilar da Misericórdia, e dirigindo-se aos representantes de outras Igrejas cristãs, o Papa disse: “Peçamos perdão pelo pecado das nossas divisões, que são uma ferida aberta no Corpo de Cristo”, exortou Francisco acrescentando:
“Como Bispo de Roma e Pastor da Igreja Católica, quero invocar  misericórdia e perdão pelos comportamentos não-evangélicos da parte de católicos em relação a cristãos de outras Igrejas. Ao mesmo tempo, convido todos os irmãos e irmãs católicos a perdoar se, hoje ou no passado, sofreram ofensas de outros cristãos.”
Com realismo e esperança, o Santo Padre acrescentou: “Não podemos eliminar o que houve, mas não queremos permitir que o peso das culpas passadas continue manchando as nossas relações. A misericórdia de Deus renovará as nossas relações”.
O Pontífice havia iniciado a homilia partindo do significado e alcance da conversão de São Paulo. Conversão essa que, em primeiro lugar – observou – “é uma experiência transformadora da graça de Cristo, e, ao mesmo tempo, o chamado a uma nova missão”.
Referindo-se ao chamado que o Senhor fez ao Apóstolo dos Gentios, disse que “a vocação a ser apóstolo se funda não nos méritos humanos de Paulo”, mas “na bondade infinita de Deus, que o escolheu e confiou-lhe o ministério”.
“A superabundante misericórdia de Deus é a razão única sobre a qual se funda o ministério de Paulo, e é, ao mesmo tempo, aquilo que o Apóstolo deve anunciar a todos”, frisou.
Na liturgia que encerrou a Semana de Oração pela Unidade dos Cristão – semana esta celebrada no hemisfério norte –, o Papa ressaltou que o Pai ama a todos e quer salvar a todos, e para isso chama alguns, “conquistando-os” com a sua graça, a fim de que através destes o seu amor possa chegar a todos.
“A missão de todo o povo de Deus é de anunciar as obras maravilhosas do Senhor, em primeiro lugar, o Mistério pascal de Cristo, por meio do qual passamos das trevas do pecado e da morte para o esplendor da sua vida, nova e eterna.”
Dirigindo-se aos fiéis de todas as confissões cristãs, ali representados, Francisco disse que realmente podemos dizer que todos nós fiéis em Cristo somos “chamados a anunciar as obras maravilhosas de Deus”.
“Para além das diferenças que ainda nos separam – disse –, reconhecemos com alegria que na origem da vida cristã há sempre um chamado cujo autor é Deus mesmo. Podemos progredir no caminho da plena comunhão visível entre os cristãos não somente quando nos aproximamos uns dos outros, mas, sobretudo, na medida em que nos convertemos  ao Senhor, que por sua graça nos escolhe e nos chama a ser seus discípulos. E converter-se significa deixar que o Senhor viva e opere em nós.”
“Quando juntos os cristãos de diferentes Igrejas ouvem a Palavra de Deus e buscam colocá-la em prática, dão passos importantes rumo à unidade. E não é somente o chamado que nos une; somos unidos também pela mesma missão: anunciar a todos as obras maravilhosas de Deus.”
Enquanto estamos caminhando rumo à plena comunhão entre nós, já podemos desenvolver múltiplas formas de colaboração, de caminhar juntos e colaborar para favorecer a difusão do Evangelho. “E caminhando e trabalhando juntos, nos damos conta de que já estamos unidos no nome do Senhor. A unidade se faz caminhando”, afirmou o Papa Francisco.
Recordando que a unidade é dom da misericórdia de Deus Pai, o Papa concluiu convidando todos nós, cristãos, a  unirmo-nos hoje à oração que Jesus dirigiu ao Pai: “Sejamos uma só coisa (...) para que o mundo creia” (Jo17.21). (RL)
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Francisco:
Antes de tudo, peçamos perdão pelo pecado de nossas divisões
Eis a íntegra da homilia do Papa:
“De fato eu sou o menor dos apóstolos e não mereço ser chamado apóstolo, pois persegui a Igreja de Deus. Mas aquilo que eu sou, eu devo à graça de Deus; e sua graça dada a mim não foi estéril” (1 Cor 9, 1). O apóstolo Paulo assim resume o significado da sua conversão. Ela, ocorrida após o fulgurante encontro com Jesus Ressuscitado, na estrada de Jerusalém a Damasco, não é antes de tudo uma mudança moral, mas sim uma experiência transformadora da graça da Cristo, e ao mesmo tempo o chamado a uma nova missão, a de anunciar a todos, aquele Jesus que antes persegui, perseguindo seus discípulos. Neste momento, de fato, Paulo compreende que entre o Cristo vivo na eternidade e os seus seguidores, existe uma união real e transcendente: Jesus vive e está presente neles e eles vivem nele. A vocação a ser apóstolo se funda não nos méritos humanos de Paulo, que se considera “menor” e “indigno”, mas na bondade infinita de Deus, que o escolheu e confiou a ele o ministério.
Uma compreensão semelhante do que ocorreu no caminho de Damasco é testemunhada por Paulo também na Primeira Carta a Timóteo: “Agradeço àquele que me deu força, a Jesus Cristo nosso Senhor, que me considerou digno de confiança, tomando-me para o seu serviço, apesar de eu ter sido um blasfemo, perseguidor e insolente. Mas eu obtive misericórdia porque eu agia sem saber, longe da fé. Sim, ele me concedeu com maior abundância a sua graça, junto com a fé e o amor que estão em Jesus Cristo” (1,12-14). A superabundante misericórdia de Deus é a razão única sobre a qual se funda o ministério de Paulo e é ao mesmo tempo o que Paulo deve anunciar a todos.
Rezemos pela fraternidade unidade entre os cristãos
A experiência de São Paulo é semelhante à das comunidades às quais o apóstolo Pedro dirige a sua Primeira carta. São Pedro se dirige aos membros de comunidades pequenas e frágeis, expostas à ameaça das perseguições, e aplica a elas os títulos gloriosos atribuídos ao povo santo de Deus: “raça eleita, sacerdócio régio, nação santa, povo adquirido por Deus”. Para aqueles primeiros cristãos, como hoje para todos nós batizados, é motivo de conforto e de constante estupor saber que fomos escolhidos para fazer parte do plano de salvação de Deus, realizado em Jesus Cristo e na Igreja. “Por que, Senhor, justamente eu?; por que precisamente nós? “. Atingimos aqui o mistério da misericórdia e da escolha de Deus: o Pai ama todos e quer salvar a todos, e por isto chama alguns, “conquistando-os” com a sua graça, para que através deles o seu amor possa chegar a todos. A missão de todo o povo de Deus é a de anunciar as obras maravilhosas do Senhor, a primeira entre todas o Mistério Pascal de Cristo, por meio do qual passamos das trevas do pecado e da morte ao esplendor da sua vida, nova e eterna.
À luz da Palavra de Deus que ouvimos, e que nos guiou durante esta Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, podemos realmente dizer que todos nós que acreditamos em Cristo somos “chamados a proclamar as obras maravilhosas de Deus” (cfr 1 Pt 2,9). Acima das diferenças que ainda nos separam, reconhecemos com alegria que na origem da vida cristã existe sempre um chamado cujo autor é o próprio Deus. Podemos progredir no caminho da plena comunhão visível entre os cristãos, não somente quando nos aproximamos uns dos outros, mas sobretudo na medida em que nos convertemos ao Senhor, que por sua graça nos escolhe e nos chama a sermos seus discípulos. E converter-se significa deixar que o Senhor viva e aja em nós. Por este motivo, quando juntos os cristãos de diversas Igrejas escutam a Palavra de Deus e procuram colocá-la em prática, dão realmente passos importantes em direção à unidade. E não é somente o chamado que nos une; nos une também a mesma missão: anunciar a todos as obras maravilhosas de Deus. Como São Paulo, e como os fieis a quem escreve São Pedro, também nós não podemos que não anunciar o amor misericordioso que nos conquistou e transformou. Enquanto estamos a caminho, em direção à plena comunhão entre nós, podemos já desenvolver múltiplas formas de colaboração para favorecer a difusão do Evangelho. E caminhando e trabalhando juntos, percebemos que já estamos unidos no nome do Senhor.
Neste Ano Jubilar Extraordinário da Misericórdia, tenhamos bem presente que não pode existir uma autêntica busca da unidade dos cristão, sem uma plena entrega à misericórdia de Deus. Peçamos, antes de tudo, perdão pelo pecado das nossas divisões, que são uma ferida aberta no Corpo de Cristo. Como Bispo de Roma e Pastor da Igreja Católica, quero invocar misericórdia e perdão pelos comportamentos não evangélicos tidos por parte dos católicos em relação aos cristãos de outras Igrejas. Ao mesmo tempo, convido todos os irmãos e as irmãs católicos a perdoar se, hoje ou no passado, sofreram ofensas de outros cristãos. Não podemos apagar aquilo que aconteceu, mas não queremos permitir que o peso das culpas passadas continuem a macular nas nossas relações. A misericórdia de Deus renovará as nossas relações.
Neste clima de intensa oração, saúdo fraternalmente Sua Eminência o Metropolita Gennadios, representante do Patriarcado Ecumênico, Sua Graça David Moxon, representante pessoal em Roma do Arcebispo de Cantuária, e todos os representantes das diversas Igrejas e Comunidades eclesiais de Roma, aqui reunidos nesta tarde. Com eles passamos através da Porta Santa desta Basílica, para recordar que a única porta que nos conduz à salvação é Jesus Cristo nosso Senhor, o rosto misericordioso do Pai. Dirijo uma cordial saudação também aos jovens ortodoxos e ortodoxos orientais que estudam aqui em Roma com o apoio do Comitê  de Colaboração Cultural com as Igrejas Ortodoxos, que atua junto ao Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, assim como aos estudantes do Ecumenical Institute of Bossey, em visita aqui em Roma para aprofundar o seus conhecimento sobre a Igreja Católica.
Queridos irmãos e irmãs, unamo-nos à oração que Jesus Cristo dirigiu ao Pai: “Que sejam um (...) para que o mundo creia” (João 17,21). A unidade é dom da misericórdia de Deus Pai. Aqui, diante do túmulo de São Paulo, apóstolo e mártir, guardado nesta esplêndida Basílica, sentimos que o nosso humilde pedido é apoiado pela intercessão da multidão dos mártires cristãos de ontem e de hoje. Eles responderam com generosidade ao chamado do Senhor, deram um fiel testemunho, com a sua vida, das obras maravilhosas que Deus realizou em nós, e já experimentam a plena comunhão na presença de Deus Pai. Apoiados pelo seu exemplo e confortados pela sua intercessão, dirijamos a Deus a nossa humilde oração". 
                                                            (Tradução livre do Programa Brasileiro)
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                                                                    Fonte: radiovaticana.va      news.va

São Paulo:

alcançado e convertido pela misericórdia
No dia 25 de janeiro celebramos a Festa da Conversão de São Paulo, único santo que tem uma liturgia específica para fazer memória da reviravolta da sua vida ou a adesão plena ao Senhor.
São Paulo: modelo do missionário cristão
Esta experiência fontal do cristão tão bem relatada por Saulo que se tornou Paulo o Apóstolo dos Gentios, é toda uma epopéia e prodígio da misericórdia divina. Em vários textos: (1 Tm. 1,13); (Tt. 3,5) e (2 Tm. 1,18), ele expressa a gratidão e a confiança de ter sido alcançado e obtido a misericórdia de Deus. Esta consciência da graça e da bondade divina, vai marcar seu ministério, como fonte de reconciliação e perdão gratuito para as pessoas abertas ao Deus da Misericórdia ( cf. 2Cor 1,3 e Ef. 2,4 ), sendo sempre uma testemunha da benignidade e compaixão do Pai que envia seu Filho Unigênito para salvar a todos/as. Revela em todas as suas Cartas o Deus rico em misericórdia, mistério grandioso de amor doação para soerguer a humanidade ferida pelo pecado e a divisão.
Anunciador ardoroso e entusiasta de uma civilização da ternura e da misericórdia, onde já não existem as contradições que opõem a senhores e escravos, judeus e gentios, homens e mulheres, mas os muros e bloqueios são derrubados em Cristo o Homem Novo. Defensor fiel da liberdade do cristão, contra toda manipulação do religioso ou dominação do sagrado, para firmar sempre a dignidade de filhos libertos pela graça. Pastor animador de comunidades ministeriais e servidoras que acolhem na fraternidade aos pequenos e humildes, sinais explícitos da Nova Justiça do Reino.
Deixou-nos no maravilhoso hino de (1 Cor. 13,1), a mensagem mais profunda do amor ágape que assinala a caridade misericordiosa de Deus por nós e o vínculo que devemos viver e guardar. Missionário incansável e Apóstolo do poder da Cruz, a Sabedoria e Esperança para o mundo, manancial inesgotável de redenção e libertação. Construtor zeloso da unidade ecumênica, do diálogo e da abertura para incluir a todos, fazendo-se tudo para todos.
Que neste ano jubilar da misericórdia, possamos aprender com São Paulo a experimentar, vivenciar, testemunhar e frutificar a gratuidade amorosa do Pai das misericórdias, gerando paz, fraternidade e ternura ao nosso redor. Deus seja louvado!
                             Dom Roberto Francisco Ferreria Paz - Bispo Diocesano de Campos
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                        Fonte: diocesedecampos.org.br    Ilustração: filhosdapaixao.org.br

domingo, 24 de janeiro de 2016

Papa Francisco:
Ser cristão e ser missionário é a mesma coisa

Cidade do Vaticano (RV) - O Papa Francisco rezou o oração mariana do Angelus deste domingo (24/01), com os fieis e peregrinos que se encontravam na Praça São Pedro, não obstante o frio.
Na alocução que precedeu a oração, o pontífice disse que o evangelista Lucas, antes de apresentar o discurso programático de Jesus, em Nazaré, resume brevemente sua atividade evangelizadora.
Mestre diferente
“É uma atividade que Ele cumpre com a força do Espírito Santo: a sua palavra é original, porque revela o sentido das Escrituras; é uma palavra que tem autoridade, porque manda até mesmo nos espíritos impuros e eles obedecem. Jesus é diferente dos mestres de seu tempo. Não abriu uma escola para o estudo da Lei, mas pregava e ensinava em todo lugar: nas sinagogas, nas ruas e nas casas. Jesus é diferente também de João Batista que proclama o juízo iminente de Deus, enquanto Jesus anuncia o seu perdão de Pai."
O Papa convidou os fieis a entrarem na Sinagoga de Nazaré. “O que acontece é um fato importante que delineia a missão de Jesus. Ele se levanta para ler a Sagrada Escritura. Abre o Livro do Profeta Isaías e encontra a passagem onde está escrito: ‘O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção, para anunciar a Boa Nova aos pobres’. A seguir, depois de um momento de silêncio cheio de expectativa, diz, diante da perplexidade geral: ‘Hoje se cumpriu essa passagem da Escritura, que vocês acabaram de ouvir’”.
Cristão e missionário é a mesma coisa
Evangelizar e libertar os pobres da opressão
“Evangelizar os pobres: esta é a missão de Jesus; esta é também a missão da Igreja, e de todo batizado na Igreja. Ser cristão e ser missionário é a mesma coisa. Anunciar o Evangelho com a palavra e, primeiramente, com a vida, é a finalidade principal da comunidade cristã e de todo seu membro. Observa-se que Jesus dirige a Boa Nova a todos, sem excluir ninguém, aliás, privilegia os que estão distantes, os sofredores, os doentes, os descartados pela sociedade.”
A seguir, Francisco perguntou: O que significa evangelizar os pobres? “Significa se aproximar deles, servi-los, libertá-los de sua opressão e tudo isso no nome e com o Espírito de Cristo, porque é Ele o Evangelho de Deus, é Ele a Misericórdia de Deus, é Ele a libertação de Deus, é Ele que se fez pobre para nos enriquecer com a sua pobreza. O texto de Isaías, reforçado por pequenas adaptações introduzidas por Jesus, indica que o anúncio messiânico do Reino de Deus que veio ao nosso meio, se dirige de forma preferencial aos marginalizados, prisioneiros e oprimidos.”
Evangelho, não política
“Provavelmente no tempo de Jesus estas pessoas não estavam no centro da comunidade de fé. E nos perguntamos: hoje, em nossas comunidades paroquiais, nas associações e nos movimentos, somos fieis ao programa de Jesus? A evangelização dos pobres, levar-lhes a Boa Nova, é a prioridade? Atenção: não se trata de prestar assistência social e muito menos de atividade política. Trata-se de oferecer a força do Evangelho de Deus que converte os corações, cura novamente as feridas, transforma as relações humanas e sociais segundo a lógica do amor. Os pobres, de fato, estão no centro do Evangelho.”
O Papa Francisco concluiu sua alocução pedindo à Virgem Maria, "Mãe dos evangelizadores, para que nos ajude a sentir com vigor a fome e a sede do Evangelho que existem no mundo, especialmente no coração e na carne dos pobres. Que ela ajude cada um de nós e toda comunidade cristã a testemunhar concretamente a misericórdia, a grande misericórdia, que Cristo nos doou”.
Após a oração mariana do Angelus, o Santo Padre saudou e pediu aos peregrinos provenientes da Itália e outras partes do mundo para que rezem por ele. (MJ)
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                                                                    Fonte: radiovaticana.va      news.va