domingo, 4 de janeiro de 2026

Papa Leão XIV no Angelus deste domingo:

não há culto autêntico a Deus sem o cuidado da carne humana

Em sua alocução, antes de rezar o Angelus, o Papa recordou que "a vinda de Jesus na fraqueza da carne humana, se por um lado reaviva em nós a esperança, por outro lado confere-nos um duplo compromisso: um para com Deus e outro para com o ser humano".

Inicialmente, a renovação das felicitações pelo Natal e Ano Novo, recordando a seguir que com o fechar da Porta Santa da Basílica de São Pedro em 6 de janeiro, será concluído o Jubileu da Esperança.

Antes de rezar o Angelus, Leão XIV dirigiu-se aos milhares de fiéis e peregrinos reunidos na Praça São Pedro em um domingo chuvoso, enfatizando que o "mistério do Natal, no qual estamos imersos, recorda-nos precisamente que o fundamento da nossa esperança é a encarnação de Deus: «O Verbo fez-se homem e veio habitar conosco»:

Com efeito, a esperança cristã não se baseia em previsões otimistas ou cálculos humanos, mas na escolha de Deus vir partilhar o nosso caminho, para que nunca estejamos sós na travessia da vida. Esta é a obra de Deus: em Jesus, Ele tornou-se um de nós, escolheu ficar junto de nós, quis ser para sempre o Deus-conosco.

Mas, se por um lado a vinda de Jesus na fraqueza da carne humana reaviva em nós a esperança, por outro lado confere-nos um duplo compromisso: "um para com Deus e outro para com o ser humano".

Para com Deus - começou explicando - porque se Ele se fez carne, se Ele escolheu a nossa fragilidade humana como sua morada, "então somos sempre chamados a repensar Deus a partir da carne de Jesus e não de uma doutrina abstrata"

Portanto, devemos sempre rever a nossa espiritualidade e as formas de expressar a fé, para que sejam verdadeiramente encarnadas, ou seja, capazes de pensar, rezar e anunciar o Deus que em Jesus vem ao nosso encontro: não um Deus distante que vive num céu perfeito acima de nós, mas um Deus próximo que habita a nossa terra frágil, se faz presente no rosto dos irmãos e se revela nas situações do dia a dia.

Já em relação ao ser humano, "o nosso compromisso deve ser igualmente coerente:

Se Deus se tornou um de nós, cada criatura humana é um reflexo seu, traz em si a sua imagem, guarda uma centelha da sua luz; e isto convida-nos a reconhecer em cada pessoa a sua dignidade inviolável e a exercitar-nos no amor mútuo, uns para com os outros.

Neste sentido - acrescentou - "a encarnação exige também de nós um compromisso concreto com a promoção da fraternidade e da comunhão, para que a solidariedade se torne o critério das relações humanas; com a justiça e a paz; com o cuidado dos mais fracos e a defesa dos mais vulneráveis:

Deus fez-se carne, por isso não há culto autêntico a Deus sem o cuidado da carne humana.

Irmãos e irmãs - disse ao concluir - enquanto pedimos à Virgem Maria que nos torne cada vez mais disponíveis para servir a Deus e ao próximo, a alegria do Natal nos anime a prosseguir o nosso caminho.

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O Papa sobre a Venezuela:
superar a violência garantindo a soberania do país

No Angelus, Leão XIV pede que prevaleça o bem do povo, que o Estado de Direito seja assegurado e que os direitos humanos e civis de todos sejam respeitados.

Após rezar o Angelus, o Santo Padre expressou preocupação pelos acontecimentos na Venezuela:

Acompanho com profunda preocupação os desdobramentos da situação na Venezuela. O bem do amado povo venezuelano deve prevalecer sobre qualquer outra consideração e inspirar a superar a violência e trilhar caminhos de justiça e de paz, garantindo a soberania do país, assegurando o estado de direito consagrado na Constituição, respeitando os direitos humanos e civis de cada um e de todos e trabalhando para construir juntos um futuro sereno de colaboração, de estabilidade e de concórdia, com especial atenção aos mais pobres que sofrem por causa da difícil situação econômica. Por isso, rezo e vos convido a rezar também, confiando a nossa oração à intercessão de Nossa Senhora de Coromoto e dos Santos José Gregório Hernández e Irmã Carmen Rendiles.

Às 2 horas da manhã de sábado, 3 de janeiro, hora local, a capital da Venezuela, Caracas, foi atingida por uma série de explosões ouvidas em diversos bairros. O presidente dos EUA, Donald Trump, declarou mais tarde que "os Estados Unidos da América realizaram com sucesso um ataque em larga escala contra a Venezuela, e o presidente Nicolás Maduro, juntamente com sua esposa, foi capturado e transferido para fora do país".

Em meio à incerteza da situação, a preocupação do Pontífice se concentra nos mais vulneráveis ​​da nação, que já sofrem com a difícil situação econômica há mais de uma década. Daí o convite de Leão XIV para que sejam respeitados os "direitos humanos e civis de cada um e de todos", e para que se trabalhe em conjunto na construção de um futuro sereno de colaboração, estabilidade e concórdia.

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Reflexão para este domingo:

Nossa incapacidade para adorar

José Antonio Pagola

O ser humano atual ficou em grande parte atrofiado para descobrir a Deus. Não que ele seja ateu. É que ele se tornou “incapaz de Deus”. Quando um homem ou uma mulher só busca o amor sob formas decadentes, quando sua vida é movida exclusivamente por interesses egoístas de lucro e ganho, algo seca em seu coração.

Muitos vivem hoje um modo de vida que os oprime e empobrece. Envelhecidos prematuramente, endurecidos por dentro, sem capacidade de abrir-se a Deus por nenhum resquício de sua existência, caminham pela vida sem a companhia interior de ninguém.

O teólogo Alfred Delp, executado pelos nazistas, via neste “endurecimento interior” o maior perigo para o ser humano moderno: “Assim o homem deixa de alçar até as estrelas as mãos de seu ser. A incapacidade do ser humano atual de adorar, de amar e de venerar tem sua causa em sua excessiva ambição e no endurecimento de sua existência”.

Esta incapacidade de adorar a Deus apoderou-se também de muitos crentes que só buscam um “Deus útil”. Só lhes interessa um Deus que sirva para seus projetos individualistas. Assim Deus se converte em um “artigo de consumo” do qual se dispõe segundo nossas conveniências e interesses. Mas Deus não é isso. Deus é Amor infinito, encarnado em nossa própria vida. E, diante desse Deus, só nos cabe a adoração, o júbilo, a ação de graças.

Quando se esquece isto, o cristianismo corre o perigo de converter-se num esforço gigantesco de humanização, e a Igreja numa instituição sempre tensa, sempre oprimida, sempre com a sensação de não conseguir o êxito moral pelo qual luta e se esforça.

Mas a fé cristã é, antes de tudo, descobrir a bondade de Deus, experiência agradecida de que só Ele salva: o gesto dos magos diante do Menino de Belém expressa a atitude primordial de todo crente diante de Deus feito homem. Deus existe. Está aí, no fundo de nossa vida. Somos acolhidos por Ele. Não estamos perdidos no meio do universo. Podemos viver com confiança. Diante de um Deus, do qual só sabemos que Ele é Amor, não cabe senão a alegria, a adoração e a ação de graças. Por isso, “quando um cristão pensa que já nem sequer é capaz de orar, deveria pelo menos ter alegria” (Ladislao Boros).

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JOSÉ ANTONIO PAGOLA cursou Teologia e Ciências Bíblicas na Pontifícia Universidade Gregoriana, no Pontifício Instituto Bíblico de Roma e na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém. É autor de diversas obras de teologia, pastoral e cristologia. Atualmente é diretor do Instituto de Teologia e Pastoral de São Sebastião. Este comentário é do livro “O Caminho Aberto por Jesus”, da Editora Vozes.

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sábado, 3 de janeiro de 2026

Sábia reflexão do frei Almir Guimarães para este sábado:

Dos que anseiam encontrar a Casa de Deus

Uma criança envolta em panos

Com frequência nossa vida transcorre na crosta da existência. Trabalhos, contatos, problemas, encontros, ocupações diversas nos levam para cá e para lá; e nossa vida vai passando, enchendo cada instante com algo que precisamos fazer, dizer, ver ou planejar. Corremos assim o risco de perder nossa identidade, de transformarmo-nos numa coisa a mais entre outras e de viver em que direção caminhar. Existe uma luz capaz de orientar nossa existência? Existe uma respostas aos nossos anseios e aspirações mais profundas? A partir da fé cristã esta, essa resposta existe. Essa luz já brilha na criança de Belém. (José Antonio Pagola)

Diversos personagens que fazem parte do presépio do Menino Jesus. Apenas Mateus faz alusão à visita de Magos vindo do Oriente. Antes tinham acorrido ao presépio pastores curiosos e simples. Agora três ilustres cavalheiros. Peregrinos de Deus. Gente de outros cantos da terra e do mundo. Símbolos de todos os buscadores de Deus. Chegam, parlamentam, conversam com uns e outros a respeito do nascimento do Menino. Trazem presentes. Gente de coração generoso e reto. Falam de um estrela que havia aparecido no céu de suas vidas e no firmamento de seu país. Obstinadamente venceram obstáculos. O amor de Deus, assim, se manifesta a todas as nações da terra. É nossa história, o relato da nossa aventura humana que aí é retratado.

Buscadores de Deus! Que bom se esta aventura fosse verdadeira para nós em nossos tempos, que não cessamos nossa busca. Muitos de nós nascemos no seio de famílias cristãs e fomos sendo envolvidos por ritos e símbolos. Passamos a viver uma “religião” com rezas e sacramentos. Alguns tivemos a chance de viver numa família esclarecida e num ambiente em que o Evangelho era levado em conta. Outros foram separando vida da fé e fé da vida. Foram perdendo o fogo da busca de Deus, o fogo do Evangelho. Deus não pode ser um acessório, um “à coté”, ao lado daquilo que chamamos de vida. O que conta não é a vida?

Há aqueles que, interpelados pelo maravilhoso, pelo inesperado ou pelo trágico da vida sentiram brilhar uma estrela, o frágil cintilar de uma estrela: o nascimento de um filho, uma turbulência familiar, a ameaça de um fracasso no casamento, uma derrocada financeira, o inferno das drogas, a visita de uma pessoa que mais parecia um anjo caído do céu.

Há os que reencontram ou reencontraram a fé frequentando as páginas dos evangelhos e tentando descobrir o Deus de Jesus Cristo nas parábolas, nos ditos do Mestre, na esperança que se se podia perceber em sua fala. São pessoas que, aos poucos, vão dando suas a Levi e Zaqueu e hospedam o Senhor em sua intimidade. Umas vão se identificando com o filho pródigo e sentem o abraço do Pai das misericórdias. Trazem para ao presépio o tesouro de suas vidas.

Muitos descobrem a Deus na dedicação aos outros. Sentem-se felizes quando podem ser para e sendo para… compreendem que Deus é ser para… Lembram-se das lições do catecismo onde haviam aprendido que quando damos um copo de água fria ao menor dos nossos irmão é a Jesus que o ofertamos.

Deus vem no visitar e chega na simplicidade de um nascimento e termina seus dias no alto de uma cruz, completamente injustiçado, privado até de suas vestes. Um Deus que não mora nas alturas, mas chega perto de cada um de nós. O Menino deitado nas palhas, no despojamento total, carente de nossa atenção, é a verdadeira luz que ilumina todo homem que vem a este mundo. Veio para todos o orbe. Fora dele não há claridade. Através dos tempos fomos vendo a procissão de peregrinos iluminados pela luz da estrela da fé. Os Magos representam os homens e as mulheres que carregam questionamentos e interrogações, que não estão satisfeitos com a vida pela metade, que buscam um sentido mais pleno para os dias que vivem.

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Textos para reflexão

 Os magos, da cidade real, onde julgavam dever encontrar o rei, dirigem-se à pequena cidade de Belém. Entram no estábulo e encontram um recém-nascido envolto em panos. Não se aborrecem com o estábulo, não se chocam com os panos, nem se escandalizam com o menino amamentado: prostram-se, veneram-no como rei, adoram-no como Deus. Quem os conduziu, também os instruiu, e quem os avisou exteriormente pela estrela, também os alertou no segredo do coração. Assim esta manifestação do Senhor tornou glorioso este dia e a piedosa veneração dos magos o fez venerável.  (Dos sermões de São Bernardo, abade)

 Hoje os magos que procuravam o Senhor resplandecente nas estrelas, o encontram num berço. Hoje, os magos veem claramente envolvido em panos aquele que há muito tempo buscavam de modo o obscuro nos astros. Hoje os magos contemplam maravilhados, no presépio, o céu na terra, a terra no céu, o homem em Deus, Deus no homem e incluído no corpo pequenino de uma criança, aquele que o universo não pode conter. Vendo-o proclamam sua fé e não discutem oferecendo-lhe místicos presentes, incenso a Deus, ouro ao rei e mirra ao que havia de morrer. (São Pedro Crisólogo)
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Oração

Estás perto,
estás sempre,
estás esperando
e eu não me detenho.
Respeitas minha liberdade,
caminhas junto a mim,
sustentas minha vida
e eu não te tomo conhecimento.
Tu me ajudas a conhecer-me,
me faz como a um filho,
me chamas a ser eu mesmo
e eu não te presto atenção.
Tu me amas com ternura,
queres o melhor para mim,
me ofereces tudo o que é teu
e eu não te agradeço. (F.Ulíbarri)

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FREI ALMIR GUIMARÃES, OFM, ingressou na Ordem Franciscana em 1958. Estudou catequese e pastoral no Institut Catholique de Paris, a partir de 1966, período em que fez licenciatura em Teologia. Em 1974, voltou a Paris para se doutorar em Teologia. Tem diversas obras sobre espiritualidade, sobretudo na área da Pastoral familiar. É o editor da Revista “Grande Sinal”.

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sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Solenidade da Epifania do Senhor:

Leituras e reflexão
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1ª Leitura: Is 60,1-6

Leitura do Livro do Profeta Isaías

Levanta-te, acende as luzes, Jerusalém, porque chegou a tua luz, apareceu sobre ti a glória do Senhor. Eis que está a terra envolvida em trevas, e nuvens escuras cobrem os povos; mas sobre ti apareceu o Senhor, e sua glória já se manifesta sobre ti. Os povos caminham à tua luz, e os reis, ao clarão de tua aurora. Levanta os olhos ao redor e vê, todos se reuniram e vieram a ti; teus filhos vêm chegando de longe com tuas filhas, carregadas nos braços. Ao vê-los, ficarás radiante, com o coração vibrando e batendo forte, pois com eles virão as riquezas de além-mar e mostrarão o poderio de suas nações; será uma inundação de camelos e dromedários de Madiã e Efa a te cobrir; virão todos os de Sabá, trazendo ouro e incenso e proclamando a glória do Senhor.

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Responsório: Sl 71(72)

- As nações de toda a terra hão de adorar-vos, ó Senhor!

- As nações de toda a terra hão de adorar-vos, ó Senhor!

1. Dai ao rei vossos poderes, Senhor Deus, / vossa justiça ao descendente da realeza! / Com justiça ele governe o vosso povo, / com equidade ele julgue os vossos pobres.

2. Nos seus dias, a justiça florirá / e grande paz, até que a lua perca o brilho! / De mar a mar estenderá o seu domínio, / e desde o rio até os confins de toda a terra!

3. Os reis de Társis e das ilhas hão de vir / e oferecer-lhe seus presentes e seus dons; / e também os reis de Seba e de Sabá / hão de trazer-lhe oferendas e tributos. / Os reis de toda a terra hão de adorá-lo, / e todas as nações hão de servi-lo.

4. Libertará o indigente que suplica / e o pobre ao qual ninguém quer ajudar. / Terá pena do indigente e do infeliz, / e a vida dos humildes salvará.

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2ª Leitura: Ef 3,2-3.5-6

Leitura da Carta de São Paulo aos Efésios

Irmãos, se ao menos soubésseis da graça que Deus me concedeu para realizar o seu plano a vosso respeito e como, por revelação, tive conhecimento do mistério. Esse mistério, Deus não o fez conhecer aos homens das gerações passadas, mas acaba de o revelar agora, pelo Espírito, aos seus santos apóstolos e profetas: os pagãos são admitidos à mesma herança, são membros do mesmo corpo, são associados à mesma promessa em Jesus Cristo por meio do evangelho.

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Evangelho: Mt 2,1-12

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus

Tendo nascido Jesus na cidade de Belém, na Judéia, no tempo do rei Herodes, alguns magos do Oriente chegaram a Jerusalém, e perguntaram: «Onde está o recém-nascido rei dos judeus? Nós vimos a sua estrela no Oriente, e viemos para prestar-lhe homenagem.»

Ao saber disso, o rei Herodes ficou alarmado, assim como toda a cidade de Jerusalém. Herodes reuniu todos os chefes dos sacerdotes e os doutores da Lei, e lhes perguntou onde o Messias deveria nascer. Eles responderam: «Em Belém, na Judéia, porque assim está escrito por meio do profeta: ‘E você, Belém, terra de Judá, não é de modo algum a menor entre as principais cidades de Judá, porque de você sairá um Chefe, que vai apascentar Israel, meu povo.’ «Então Herodes chamou secretamente os magos, e investigou junto a eles sobre o tempo exato em que a estrela havia aparecido. Depois, mandou-os a Belém, dizendo: «Vão, e procurem obter informações exatas sobre o menino. E me avisem quando o encontrarem, para que também eu vá prestar-lhe homenagem.»

Depois que ouviram o rei, eles partiram. E a estrela, que tinham visto no Oriente, ia adiante deles, até que parou sobre o lugar onde estava o menino. Ao verem de novo a estrela, os magos ficaram radiantes de alegria.

Quando entraram na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Ajoelharam-se diante dele, e lhe prestaram homenagem. Depois, abriram seus cofres, e ofereceram presentes ao menino: ouro, incenso e mirra. Avisados em sonho para não voltarem a Herodes, partiram para a região deles, seguindo por outro caminho.

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Reflexão do padre Johan Konings

Adorar Deus no Menino Jesus

Quando celebramos, no dia 6 de janeiro ou no domingo seguinte, a festa dos Reis Magos, as ocupações do turismo impedem muitos de contemplar o sentido desta festa. Mesmo assim, vale a pena dedicar-lhe nossa atenção, pois não é uma festa meramente folclórica.

O nome oficial da festa dos Reis Magos, “Epifania”, significa manifestação ou revelação. Contemplamos o paradoxo da grandeza divina e da fragilidade da criança no menino Jesus. Pensamos nos milhões de crianças abandonadas nas ruas de nossas cidades, destinadas à droga, à prostituição. Outras milhões mortais pela fome, doença, guerra,
aborto. Órgãos extraídos, fetos usados para produzir células que devem rejuvenecer velhos ricaços… Qual é o valor de uma criança?

Os “magos” – astrólogos vindos do Oriente – seguiram o caminho da estrela para adorar um menino do qual não sabiam nome nem paradeiro (evangelho). Como os reis anunciados pelo “terceiro Isaías” (1ª leitura), trazem de longe suas riquezas, para apresenta-las ao menino Jesus. Essa narração quer nos ensinar que Jesus é aquele que merece adoração universal, o Messias. E acena também à missão da Igreja, de anunciar a salvação universal (2ª leitura).

A estrela conduziu os magos a uma criança pobre, que não tinha nada de sensacional. Mas o rei Herodes, cioso de seu poder, pensou que Jesus fosse poderoso e, portanto, perigoso. Esse rei, que tinha mandado matar seus próprios filhos e sua mulher Mariamne, mandou, para que Jesus não lhe escapasse, matar todos os meninos de Belém.

Deus se manifesta ao mundo numa criança, e nós somos capazes de mata-la, em vez de reconhecer nela a luz de Deus. Por que Deus se manifestou numa criança? Esquisitice, para nos enganar? Nada disso. Salvação significa ser libertado dos poderes tirânicos que nos escravizam, para realizar a liberdade que nos permite amar. Pois para amar é preciso ser livre, agir de graça, não por obrigação nem por cálculo. Por isso, a salvação que vem de Deus não se apresenta como poder opressor, como o de Herodes. Apresenta-se como antipoder, como uma criança aparentemente sem valor.

Aqui, no início do evangelho de Mateus, a salvação universal manifesta-se numa criança; no fim dos ensinamentos de Jesus, o critério do juízo final será a caridade gratuita realizado ao pequenino (Mt 25, 31-46). O pequenino de Belém é venerado como rei, e no fim do evangelho, esse “rei” (25,34) julgará o universo, identificando-o com os mais pequeninos: “O que fizestes a um desses mais pequenos, que são meus irmãos, a mim o fizestes” (25,40). Quanta lógica em tudo isso!

Deus não precisa de nos esmagar com seu poder para se manifestar. Nem precisa do palco de uma TV mundial para se dar a conhecer. Para ser universal, prefere o pequeno, pois só quem vai até os pequenos e os últimos é realmente universal. Falta-nos a capacidade de reconhecer no frágil, naquele que o mundo procura excluir, o absoluto de nossa vida – Deus. Eis a lição que os reis magos nos ensinam.

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PE. JOHAN KONINGS nasceu na Bélgica em 1941, onde se tornou Doutor em Teologia pela Universidade Católica de Lovaina, ligado ao Colégio para a América Latina (Fidei Donum). Veio ao Brasil, como sacerdote diocesano, em 1972. Em 1985 entrou na Companhia de Jesus (Jesuítas) e, desde 1986, atuou como professor de exegese bíblica na FAJE, Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Faleceu no dia 21 de maio de 2022. Este comentário é do livro “Liturgia Dominical, Editora Vozes.

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Papa Leão XIV nesta sexta-feira em mensagerm:

"somente o Senhor Jesus nos traz a verdadeira paz"

O Papa Leão XIV enviou uma mensagem às Conferências SEEK26 que se realizam simultaneamente em Ohio, Texas e Colorado. Dirigindo-se aos jovens, lembra que o zelo missionário nasce do encontro autêntico com Cristo; uma alegria que é impossível não partilhar.

O Papa Leão XIV enviou uma mensagem em vídeo falando em inglês aos muitos participantes do SEEK26, uma iniciativa que teve início nesta quinta-feira, 1º de janeiro, e que se concluirá na segunda-feira, 5. O evento que se realiza simultaneamente em Columbus, Ohio, Fort Worth, Texas, e Denver, Colorado, reúne milhares de católicos e é marcado pela oração, adoração, conferências e celebrações.

E o Papa inicia sua mensagem com uma pergunta: “caros jovens, o que vocês estão buscando? Por que estão aqui nesta conferência?”.

As perguntas do Papa tocam o coração de quem o ouve. São as palavras de Jesus dirigidas aos discípulos que ainda hoje surpreendem e colocam em dificuldade. Perguntas que inquietam, que fazem refletir, que colocam em movimento.

A resposta se encontra em uma pessoa. Somente o Senhor Jesus nos traz a verdadeira paz e alegria e realiza cada um dos nossos desejos mais profundos.

O convite do Papa

Leão XIV convida os participantes a estarem “abertos ao que o Senhor tem reservado” para cada pessoa presente. As conferências, sublinha, podem ser, de fato, uma ocasião para encontrar Cristo pela primeira vez ou para aprofundar a relação com Ele. É claro, porém, que depois de conhecê-Lo tudo muda e, como os discípulos, podemos dizer: “Encontramos aquele que procurávamos!”, daí nasce a missão.

O zelo missionário nasce de um encontro com Cristo. Desejamos compartilhar com os outros o que recebemos, para que também eles possam conhecer a plenitude do amor e da verdade que só se encontra nele.

Não tenham medo

O Papa Leão assegura, portanto, sua oração para que se compartilhe a alegria do encontro autêntico com o Senhor e exorta os jovens, durante estes dias de amizade e adoração eucarística, a não terem medo de perguntar o que Jesus espera deles, seja o sacerdócio, a vida religiosa, o casamento, a vida familiar.

Se sentirem que o Senhor os chama, não tenham medo. Mais uma vez, deixem-me sublinhar que só Ele conhece os desejos mais profundos, talvez ocultos, do vosso coração e o caminho que vos conduzirá à verdadeira plenitude. Deixem-se conduzir e guiar por Ele!

Por fim, o Pontífice confia à Virgem as conferências, iniciadas na solenidade de Maria, Mãe de Deus, para que, através dela, cheguem a Jesus, ao seu amor, para encontrar a paz naquele que procuraram por muito tempo.

Silvonei José – Vatican News

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quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Leão XIV no Angelus desta quinta-feira:

inauguremos uma era de paz e amizade entre todos os povos

No Angelus da Solenidade de Maria Santíssima Mãe de Deus, o Papa convida a começar o novo ano com um coração convertido, capaz de transformar o mal em bem, o sofrimento em consolação e os conflitos em caminhos de reconciliação. Na 59ª Jornada Mundial da Paz, Leão XIV exorta à oração pelas nações feridas pela guerra e pelas famílias marcadas pela violência.

“Queridos irmãos e irmãs, feliz ano novo!”

Após celebrar a Solenidade de Maria Santíssima Mãe de Deus, o Papa Leão XIV rezou o Angelus com os fiéis reunidos na Praça São Pedro, na manhã desta quinta-feira (01/01). No primeiro Angelus do ano, que coincide com a 59ª Jornada Mundial da Paz, o Pontífice dirigiu uma forte exortação à humanidade para renovar o tempo presente, abrindo-o à esperança, à reconciliação e à paz: 

“À medida que o ritmo dos meses se repete, o Senhor convida-nos a renovar o nosso tempo, inaugurando por fim uma era de paz e amizade entre todos os povos. Sem este desejo de bem, não faria sentido virar as páginas do calendário nem preencher as nossas agendas.”

O Jubileu e o “estilo” de Deus

Recordando o Jubileu que está prestes a se concluir, Leão XIV destacou o legado espiritual deixado pelo Ano Santo, que ensinou a cultivar a esperança concreta de um mundo novo. Um caminho que passa pela conversão do coração e pela transformação interior:

“O Jubileu, que está prestes a terminar, ensinou-nos como cultivar a esperança de um mundo novo: convertendo o coração a Deus, de modo a transformar os erros em perdão, a dor em consolação, os propósitos de virtude em boas obras.”

Esse dinamismo, explicou o Papa, revela o próprio modo de agir de Deus na história, um “estilo” marcado pela misericórdia e pela proximidade. É assim que Deus salva o mundo do esquecimento, oferecendo-lhe o Redentor, Jesus Cristo, o Filho Unigênito que se faz nosso irmão e ilumina as consciências de boa vontade, para que o futuro seja construído como uma casa acolhedora para todos.


O coração de Cristo não é indiferente 

Na contemplação do mistério do Natal, o Papa convidou os fiéis a dirigir o olhar para Maria, a primeira a sentir bater o coração de Cristo. No silêncio do seu ventre virginal, o Verbo da vida manifesta-se como um pulsar de graça, revelando o amor de Deus pela humanidade. “Por isso, o coração de Jesus bate por cada homem e cada mulher: por quem está preparado para o acolher, como os pastores, e por quem não o deseja, como Herodes.” Um coração que não permanece indiferente, mas pulsa pelos justos, para que perseverem no bem, e pelos injustos, para que mudem de vida e encontrem a paz: 

“O Salvador vem ao mundo nascendo de uma mulher: paremos para adorar este acontecimento, que resplandece em Maria Santíssima e se reflete em cada nascituro, revelando a imagem divina impressa no nosso corpo.”

Um apelo à paz nas nações e nas famílias

Por fim, Leão XIV renovou o apelo à oração pela paz, ampliando o horizonte do olhar cristão para as feridas do mundo e da vida cotidiana:

“Neste Dia, rezemos todos juntos pela paz. Antes de tudo, pela paz entre as nações ensanguentadas por conflitos e miséria, mas também pela paz nos nossos lares, nas famílias feridas pela violência e pela dor. Certos de que Cristo, nossa esperança, é o sol da justiça que jamais se põe, peçamos com confiança a intercessão de Maria, Mãe de Deus e Mãe da Igreja.”


Rejeitar toda forma de violência

Após a oração mariana, o Papa saudou com afeto os cerca de 40 mil fiéis reunidos na Praça de São Pedro e recordou que, desde 1º de janeiro de 1968, celebra-se o Dia Mundial da Paz. Leão XIV destacou a mensagem que proferiu ao ser eleito: “A paz esteja com todos vocês”, definindo-a como uma paz desarmada e desarmante, dom de Deus e fruto de seu amor incondicional, confiado à responsabilidade de cada pessoa. Convidou os cristãos a iniciarem o novo ano construindo a paz, desarmando os corações e rejeitando toda forma de violência, e manifestou apreço pelas inúmeras iniciativas de promoção da paz realizadas em todo o mundo.

Na conclusão, ao recordar o oitavo centenário da morte de São Francisco, o Santo Padre concedeu a todos a bênção bíblica: “O Senhor te abençoe e te guarde; mostre a ti o seu rosto e tenha misericórdia de ti; volte para ti o seu olhar e te dê a paz”, e pediu a intercessão da Santa Mãe de Deus para que acompanhe o caminho do novo ano.

Thulio Fonseca – Vatican News

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Papa na missa da Solenidade de Maria Santíssima, Mãe de Deus:

como Maria, caminhar desarmados e portadores de paz

Na Solenidade de Maria Santíssima, Mãe de Deus, e no Dia Mundial da Paz, Leão XIV presidiu à Missa na Basílica de São Pedro e convidou os fiéis a viverem o novo ano como um tempo de renascimento, liberdade e perdão, à luz da maternidade divina de Maria e do rosto “desarmado e desarmante” de Deus.

Na Solenidade de Maria Santíssima, Mãe de Deus, que marca também o início do novo ano civil e a celebração do LIX Dia Mundial da Paz, o Papa Leão XIV presidiu à Santa Missa na Basílica de São Pedro, na manhã desta quinta-feira, 1º de janeiro de 2026. Abrindo o ano à luz da bênção bíblica do livro dos Números: “O Senhor te abençoe e te guarde”, o Pontífice recordou que a Liturgia propõe, logo nos primeiros passos do novo tempo, a certeza de um Deus que volta o seu rosto para a humanidade e concede a paz como dom.

Um povo liberto, chamado a recomeçar

Ao evocar a história do povo de Israel, recém-liberto da escravidão do Egito, Leão XIV destacou que a liberdade comporta perdas aparentes, mas abre um horizonte novo: o da esperança, da lei que educa e de um futuro sem correntes.

“No início do novo ano, a Liturgia recorda-nos que cada dia pode ser, para cada um de nós, o início de uma nova vida, graças ao amor generoso de Deus, à sua misericórdia e à resposta da nossa liberdade. É bonito pensar deste modo o ano que começa: como um caminho aberto, a descobrir, no qual por graça nos podemos aventurar, livres e portadores de liberdade, perdoados e doadores de perdão, confiantes na proximidade e na bondade do Senhor que sempre nos acompanha.”

Maria, Mãe de Deus, dá um rosto humano à misericórdia

O Papa conduziu sua reflexão para o mistério da Divina Maternidade de Maria: foi com o seu “sim” que a misericórdia infinita de Deus ganhou um rosto humano — o de Jesus. Por meio de Maria, explicou Leão XIV, o amor do Pai alcança a humanidade de modo concreto, visível e transformador.

Por isso, no início do ano, o Pontífice convidou os fiéis a pedirem a graça de sentir, em cada momento, “o calor do abraço paterno de Deus e a luz do seu olhar benevolente”. Ao mesmo tempo, ressaltou que esse dom pede uma resposta: glorificar a Deus com a oração, com a santidade de vida e tornando-nos, uns para os outros, reflexo da sua bondade.

Um Deus “desarmado e desarmante”

Citando Santo Agostinho, o Pontífice recordou o paradoxo da fé cristã: em Maria, o Criador do homem se fez homem, Aquele que criou as estrelas e era o Pão aceitou ter fome e depender do seio de uma mulher para nos libertar, embora fôssemos indignos. É esse o rosto de Deus, afirmou o Papa, “desarmado e desarmante”, que desmente toda lógica de violência, domínio ou exclusão, e advertiu: 

“O mundo não se salva afiando espadas, julgando, oprimindo ou eliminando os irmãos, mas sim esforçando-se incansavelmente por compreender, perdoar, libertar e acolher todos, sem cálculos nem medos.”

Segundo o Santo Padre, "na Maternidade Divina de Maria, observamos o encontro de duas realidades imensas e desarmadas: a de Deus, que renuncia a todos os privilégios da sua divindade para nascer segundo a carne, e a da pessoa que, com confiança, abraça totalmente a sua vontade, prestando-Lhe, num ato perfeito de amor, a homenagem do seu maior poder: a liberdade".

Olhar para o Presépio, escola de paz

Aproximando-se da conclusão do Jubileu da Esperança, Leão XIV convidou os fiéis a se aproximarem do Presépio como lugar privilegiado da paz:

“Podemos recordar os prodígios que o Senhor realizou na história da salvação e na nossa existência, para depois partirmos, como as humildes testemunhas da gruta, ‘glorificando e louvando a Deus’ (Lc 2,20) por tudo o que vimos e ouvimos. Que este seja o nosso compromisso e propósito para os próximos meses e para toda a nossa vida cristã”, concluiu o Papa.
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Thulio Fonseca – Vatican News

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