sábado, 3 de maio de 2025

O papel do apóstolo Pedro,

a catequese de Francisco em entrevista inédita

Uma gravação de 2021, que seria incluída em um documentário, será transmitida pelo canal de televisão ESNE “El Sembrador, Nueva Evangelización”. O Pontífice, meditando sobre as passagens bíblicas dos diálogos entre Jesus e seu discípulo, expressou novamente o desejo de que a Igreja seja uma humilde servidora em meio ao mundo.

Papa Francisco durante entrevista ao canal “El Sembrador, Nueva Evangelización”

A total confiança em Deus, a consciência de ser frágil e pecador, um novo chamado aos sacerdotes para se colocarem a serviço de todos, sua admiração pelos mártires contemporâneos e sua preocupação com os migrantes são alguns dos temas que o Papa Francisco abordou em 2021, na conversa com Noel Díaz na Casa Santa Marta. Díaz é o fundador da associação de fiéis "El Sembrador, Nueva Evangelización", que anuncia a Palavra de Deus por meio da televisão e do rádio.

Abaixo, a transcrição completa da entrevista:

Hoje o senhor é o sucessor deste homem chamado Simão. O que esta Escritura lhe recorda Santidade?

Francisco: Tantas coisas! Que Jesus chama Simão em meio ao povo, não o separa do povo. Há muita gente e Jesus prega, e as pessoas vão ouvir Jesus porque tem sede da Palavra de Deus. E Jesus fala como alguém que tem autoridade. Primeiro, Jesus sempre chama seus sacerdotes do povo, do meio do povo. Se Pedro tivesse esquecido de suas origens, teria traído o plano de Jesus, teria fundado uma elite. Não! O pastor deve estar com as ovelhas. É por isso que ele é pastor. Segundo, os sinais que Jesus realiza, não apenas a autoridade de sua Palavra. Para que tenham confiança n'Ele, Ele realiza aquele milagre maravilhoso, e ninguém esperava por isso. Onde está Jesus, sente-se a sua força; e Pedro, quando duvidar, quando não tiver a força, se recordará disso, do milagre, de que o Senhor é capaz de mudar as coisas. O que faz Pedro quando vê que Jesus faz isso? Ele se ajoelha diante d'Ele, se sente um nada, humilde, reconhece ser limitado, ser pecador. “Senhor, afasta-te de mim, porque sou pecador.” E é aí que Jesus chega, onde quer chegar. O caminho de Pedro é estar com o povo para ouvir o Senhor. Ir pescar segundo a ordem do Senhor e realizar este milagre. Terceiro, reconhecer a sua pequenez, o seu ser nada, e dizer ao Senhor: “Afasta-te, porque sou pecador.” “Porque és pecador, porque me seguiste, agora farei de ti pescador de homens.” Este é o quarto passo. Quando Jesus o unge, bispo, sacerdote, Ele o unge porque ele é pastor. Ele não o unge para promovê-lo, para que ele seja chefe de um escritório. Ele não o unge para que organize o país politicamente. Não. Ele o unge para ser pastor... e [Pedro] deixa tudo.

E como o senhor se sente ao assumir o lugar de Pedro?

Francisco: Sinto que o Senhor acompanha, que é Ele quem escolhe, é Ele quem iniciou esta história. Comigo, a iniciou Ele, convidou-me Ele, acompanhou-me Ele. E não obstante as minhas infidelidades, porque sou um pecador como Pedro, Ele não me abandona. Então sinto que Ele cuida de mim.

Noel introduz a leitura bíblica em que Jesus pergunta aos seus apóstolos o que as pessoas dizem sobre quem Ele é. Depois, Pedro O reconhece publicamente como o Messias.

Francisco: Ali, Jesus começa com uma pesquisa, quer escutar. E diz: “o que o povo diz sobre mim?” “Dizem que você é um profeta, que é João Batista que ressuscitou”. Depois de perguntar o que diz o povo, Jesus pergunta a eles: “e vocês?”, ou seja, interpela-os. Jesus se dirige a nós nos interpelando: “O que você diz de si mesmo, o que você diz de mim?” É o diálogo com Jesus. Ele nos chama pelo nome. E Pedro já tinha se destacado como o líder, porque Jesus lhe havia dito no primeiro dia, quando o conheceu e lhe mudou o nome: “você é Simão, mas será chamado Pedro”. Ele colocou-o como a pedra de sustento do grupo. E Pedro faz aquela profissão de fé, se compromete completamente. Imaginemos a cena de dizer a uma pessoa: “você não é nem Fulano nem Sicrano, você é Deus, o Filho de Deus”. Se você disser isso a alguém hoje, te internam num hospício, dizem que está fora de si. Ele se comprometeu totalmente, e Jesus explica por que teve a coragem de se comprometer: “porque o que você disse não foi revelado por nenhuma ciência, mas pelo Pai através do seu Espírito”. E então, quando vê Pedro se comprometendo assim, confirma-o em seu nome: “Você, Simão, filho de Jonas, que é pedra, sobre esta pedra edificarei a minha Igreja”. Sobre a fragilidade de um homem que tem a solidez de uma pedra na medida em que se apoia na palavra de Jesus. Quando se afasta da palavra de Jesus, é como qualquer outro homem, não tem a solidez da pedra. Por isso Ele o escolhe, porque tem a solidez da pedra. Pedro fica maravilhado com o que Jesus lhe diz: “Foi o meu Pai quem te revelou isso”. E então Jesus diz: “pois bem, saibam que agora irei a Jerusalém e lá me esperam coisas ruins. Vão me julgar, me matar, me crucificar, mas eu ressuscitarei”. Então Pedro, que já se sente um pouco o chefe do grupo, o chama de lado. O Evangelho diz: “Senhor, por favor, isso não”. E Jesus, que havia elogiado Pedro, que lhe tinha dito: “você é o receptor da revelação do meu Pai”, o repreende. Diz: “Afasta-te de mim, Satanás!”, o pior insulto. Por quê? Porque ele quer afastá-lo do caminho da cruz. Essa é a grande correção feita ao primeiro Papa, a Pedro. Também a nós, Papas, Jesus, se às vezes nos afastamos do seu plano de salvação, diz: “Esse não é o meu caminho, é o caminho de Satanás”. Por quê? Porque somos pecadores e podemos nos desviar. A história mostra alguns Papas que preferiram um caminho diferente, ainda que nunca, nunca tenham errado na fé. É verdade, nunca, mesmo que tenham levado uma vida mundana. E quando [Pedro] erra na fé, Jesus diz: “Não, isso é de Satanás. O meu caminho é a cruz”. Ou seja, minha confiança está na palavra de Jesus que me dá firmeza quando me escolhe e me dá um tapa quando erro.

Papa Francisco com jornalista Noel Díaz na Santa Marta

É muito difícil, às vezes, enfrentar os desafios e os ataques do mundo secular, mas tenho certeza de que é mais doloroso enfrentar os ataques internos. É disso que se trata quando Ele diz: “Tu és Pedro”. Você agora é o sucessor de Pedro e, mesmo que venham todos esses ataques, as forças não prevalecerão, diz a Palavra de Deus.

Francisco: Que forças Ele diz que não prevalecerão? O que Jesus diz?

As forças do mal.

Francisco: Do mal, do inferno! Ou seja, quando se deposita a esperança não na revelação do Pai nem na escolha de Jesus, mas em outros meios, no dinheiro, por exemplo. “Estamos bem porque temos dinheiro”. Imaginemos um padre, um bispo que diz: “Nossa igreja vai bem, temos leigos que nos dão dinheiro e tudo segue adiante”. Não deposite sua esperança aí, porque senão desabará. São forças do inferno, não são as forças da revelação do Pai. A Jesus o insultaram, o crucificaram e se fizeram isso com Ele, quem sou eu para que não façam comigo? Se trataram assim o Mestre, qualquer discípulo, qualquer um de vocês, nem precisa ser Papa, não pode esperar outro tratamento. Tantos mártires na Igreja nos ensinam isso.

Noel Díaz o deixa reagir diante do texto de João 21, no qual Jesus pede a Pedro se o ama, para depois confirmá-lo na sua missão, mas também para lhe dizer que o caminho não será fácil.

Francisco: Uma confirmação e uma promessa. Quando Pedro o havia professado, Jesus lhe havia prometido que as portas do inferno não prevaleceriam, que permaneceria firme até que estivesse sobre a pedra. Aqui confirma isso três vezes. Pedro se entristece porque se recorda das três vezes em que o negou, e então se entristece, e finalmente o Senhor o confirma pela terceira vez. Ele lhe diz talvez “de agora em diante nada de ruim irá lhe acontecer, agora terá todo o poder, agora terá todo o dinheiro, agora as pessoas o seguirão”? Diz isso talvez a ele? Não! Ele lhe diz: “vá em frente, porque quando for velho irá para onde não quiser, o levarão para onde não quiser, o despojarão e acabará como eu, crucificado”. O Senhor promete a Pedro o seu caminho, o caminho da cruz, o caminho da entrega total, o caminho de colocar a confiança somente n'Ele. É interessante que, quando Pedro professa que Jesus é o Filho de Deus – a força do Espírito Santo o faz professar isso -, depois ele perde o rumo. E quando Jesus fala sobre a cruz, tenta convencê-lo do contrário. Pedro cai em um pensamento mundano e a mesma coisa acontece aqui. Jesus lhe diz isso, ele aceita, [Pedro] então se volta para João e pergunta: “Senhor, já que está aqui, o que será dele?” É o Pedro fofoqueiro, o Pedro que se esquece naquele momento do que o Senhor lhe disse para fazer fofoca sobre outra pessoa. Somos assim, mas o Senhor cuida de nós com o seu poder, mesmo quando é preciso enfrentar o martírio, nos acompanha com a sua mão. E por falar em martírio, gostaria de concluir falando sobre os mártires de hoje.  Há mais mártires hoje do que no início da Igreja. Mártires cristãos, mártires que, pelo simples fato de serem cristãos, são decapitados e professam Jesus. Mártires que estão na prisão por ter professado Jesus. São nossos irmãos! É a Igreja dos mártires. É esta a Igreja que triunfa, não a Igreja com dinheiro nos bancos. É esta que triunfa, a Igreja dos mártires, do testemunho. Porque martírio significa testemunho. Mencionei aqueles que dão suas vidas, mas até mesmo aquele homem, aquela mulher que trabalha todos os dias para educar os próprios filhos na vida cristã e para dar-lhes testemunho, é um mártir. “Não, padre, como pode ser um mártir se não o mataram?” Não, mártir significa testemunha. Martírio é testemunho, é a tradução do termo grego. Qualquer testemunha de Jesus é mártir, ou seja, dá testemunho.  E também ele dá testemunho da Igreja. Que Deus abençoe todos vocês e rezem por mim, por favor.

Noel Díaz pede a bênção para todos.

Francisco: E a todos vocês, que estão assistindo e ouvindo esta conversa, desejo que o Senhor abra o coração de vocês e permita que a sua Palavra entre ali. Portanto, os abençoo de todo coração. Eu os abençoo. Dou-lhes minha bênção como pai, como irmão mais velho, como servo de todos vocês. Que os abençoe Deus Todo-Poderoso, Pai, Filho e Espírito Santo. E, por favor, rezem por mim. Obrigado.

(Noel Díaz pede uma segunda bênção para os migrantes). Tudo isso representa os migrantes, eu disse a eles que pediria a sua bênção.

Francisco: Pensando nos migrantes, naqueles que tiveram que deixar a própria pátria, que são acolhidos por muitas pessoas boas ou pessoas indiferentes, que estão no caminho do exílio, longe da própria pátria, que sentem saudade dos amigos, da família, da beleza da pátria: a todos eles, dou a minha bênção em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

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Há cerca de 40 anos, muito católicos

aprenderam a falar e a rezar de um jeito novo...

Pe. Zezinho, scj |||||||||||||||||||||||||||||||

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Padre Zezinho

Há um jeito de rezar como católico, no manual chamado de LITURGIA DIÁRIA DAS HORAS e outra de LITURGIA DIÁRIA EUCARÍSTICA. Todos os padres e consagradas oram em comum no mundo inteiro. Para nós é um dos deveres da vida consagrada.

Mas há muitas outras práticas devocionais aceitas pela Igreja. Congregações e ordens e grupos católicos sobretudo leigos podem utilizar tais outras maneiras de orar!

Por causa dessa opção, muitos católicos optaram por seguir apenas seu próprio jeito de orar. Adotaram o jeito exclusivista. Quase não conseguem orar do jeito de toda a Igreja Católica. Só vão às missas do seu grupo. Neste caso não entenderam a UNIVERSALIDADE da nossa Fé.

Por causa disso, alguns mudaram radicalmente de Igreja. Agora são pentecostais. Deixaram de rezar com seus bispos e padres e foram rezar com seus pastores em outras igrejas!

Também muitos de raiz católica, mudaram o seu jeito de orar aderindo a algum movimento: descobriram a RCC, a CN e SHALOM e novos grupos carismáticos: oram e cantam diferente com termos tipicamente deles!

Outros permaneceram na Congregação Mariana, no Apostolado da Oração, nos Vicentinos, na TL, e nos mais de 200 grupos com místicas de ordens e congregações que continuam orando como aprenderam na juventude. Seguem os manuais de oração de seus grupos.

Muitos que mudaram para ser Católicos Carismáticos da RCC, CN ou SHALOM aprenderam a orar em línguas ou com termos próprios da RCC.

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Quando um dos seus bispos ou padres presidem, há orações e expressões típicas de quem aprendeu outra maneira de orar.

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Eu sou dehoniano e reparador e oro e prego baseado na DSI, no CVII e com liturgias como está nos manuais litúrgicos. Os carismáticos têm seus encontros e retiros e momentos de liturgia onde oram como aprenderam de seus mentores nestes último 40 anos. Eles cresceram muito em número e têm rádios e TVs para divulgar suas místicas e suas canções.

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Ora, se cardeais, bispos, padres apoiam, então este novo jeito de orar foi permitido. O meu jeito eu já aprendi nos anos 1960. Sigo nossos próprios manuais de oração.

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Então, quando os CARISMÁTICOS da RCC presidem ou cantam e oram do jeito deles, eu fico em respeitoso silêncio. Sou de outra mística!

A Igreja tem outras místicas católicas como Beneditinos, Franciscanos, Verbitas, Agostinianos, Redentoristas, Dehonianos, Salesianos, Paulinos, Cordemarianos e mais de 200 outros grupos de fé católica. E todos têm seu próprio jeito de orar.

Mas a missa, com exceção de alguns momentos, é a mesma missa católica com 9 ritos diferentes, porém o essencial está ali !

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Por que escrevo isto? É porque muitos mudaram seu jeito de orar e, sem uma boa catequese, acham que só o seu jeito é o mais piedoso e o mais certo.

Tenho orado com todos os grupos, mas, quando há acréscimos de linguagens e invocações, próprias daquele grupo, eu fico em respeitoso silêncio. O lugar, o grupo, a mística e o templo são deles.

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Ontem, de madrugada, entre um sono e outro, segui uma emissora, onde por cinco horas, houve testemunhos, canções, três terços, tudo com expressões próprias deles.

Este novo jeito de pregar ganhou força nos anos 1990. São emissoras católicas e carismáticas. Desenvolveram um jeito próprio de louvar.

Há concordâncias ou discordâncias? Sim. Mas nunca a ponto de um acusar e até caluniar o outro! Infelizmente alguns não entenderam ainda a teologia dos carismas! É muito mais abrangente do que eles pensam e fazem! É inclusiva e, por isso, católica. Somos todos carismáticos. Deus deu novos carismas para toda a Igreja. Sempre foi assim!

Cerca de 98% convivem muito bem com essas diferenças. Apenas um pequeníssimo grupo critica e ofende quem segue outro carisma. É sinal de que não foram devidamente evangelizados! Ainda não aprenderam o que é portar um carisma!

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Afinal a palavra “Cat holos” significa inclusão, para todos. E a palavra AMÉM (a m e n) significa EU CONFIO EM DEUS, e isto supõe a expressão oculta: concordo com você nesta oração … Mostra unidade mesmo com alguns acentos diferentes….

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De novo permitam-me citar Jo 17,1-26. Pelo que vejo, alguns católicos e evangélicos não têm lido este discurso de despedida de Jesus pouco antes se morrer na cruz!… Deveriam ler!

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                                                                                         Fonte: facebook.com/padrezezinho,sjc

sexta-feira, 2 de maio de 2025

Dom Carmo Rhoden:

Homenagem ao Papa Francisco 

Dom Carmo João Rhoden - Bispo Emérito de Taubaté (SP)

Texto referencial: Tu me amas mais do que estes? Tu, sabes que te amo. (Jo 21,15-16.18). 

Papa Francisco jantando com os pobres no Vaticano

1 - Adeus, Papa Francisco, e eterno agradecimento, por tudo o que fizeste, pelo rebanho do sumo e eterno Pastor, Jesus Cristo, o qual a teus cuidados pastorais o confiou.  

2 - Pedro, de quem fostes um dos sucessores, bem como de todos os apóstolos, certamente te receberam felizes, pois procuraste cuidar, carinhosamente do rebanho e que a outro agora passará.  

3 - Olhaste para o alto, para receberes as luzes necessárias para a condução do rebanho do Senhor. Olhaste para frente, pois, por ali passa a esperança do futuro. Olhaste, para dentro de ti mesmo e percebeste a necessidade da conversão e a urgiste de todos e começando contigo. 

4 - Como Jesus, fostes ao encontro dos mais fragilizados, defendestes seus direitos, clamando por justiça, sem esquecer também a necessidade da solidariedade humana. 

5 - Como Francisco de Assis, defendeste a natureza obra de Deus e presente à humanidade, pois sem ela, esta não pode viver, pois não haveria verdadeiro futuro.  

6 - Como Pedro e junto dele, te suplicamos que continues a zelar pelo rebanho que já foi teu e agora passará para outro. Sabendo que o Pai celeste tem mais a dar, do que nós podemos almejar, desejamos-te a visão beatifica da Trindade e assim a felicidade sem fim. Até nosso encontro, na casa do Pai. 

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                                                                              Fonte: cnbb.org.br        Foto: vaticannews.va

Papa às jovens famílias em um texto inédito:

acreditem na “alegria do amor”

Na introdução que preparou para o livro "Youcat. Amor para sempre", publicado pela fundação editora do Catecismo oficial para os jovens da Igreja Católica, Francisco compara os relacionamentos de namorados e recém-casados a um tango — a dança de sua terra natal, a Argentina. Não se trata de uma “dança passageira”, escreve o Papa, mas de uma “aventura” que, com incessante “encantamento”, dura “por toda a vida”.

Papa Francisco com os jovens recém-casados durante a Audiência Geral

O amor é comparado ao tango, a dança de sua pátria, a Argentina, que o Papa Francisco confessou ter “dançado muitas vezes” na juventude. Um “maravilhoso jogo livre entre homem e mulher”. Assim começa o texto inédito que o Pontífice escreveu como prefácio para o livro "Youcat. Amor para sempre", publicado pela Fundação Youcat, editora do Catecismo oficial para os jovens da Igreja Católica. O volume, pensado para acompanhar as novas gerações no caminho rumo ao matrimônio cristão, será publicado em breve.

“A vida em plenitude”

Na tradicional dança argentina, escreve o Papa, “o bailarino e a bailarina se cortejam, vivem a proximidade e a distância, a sensualidade, a atenção, a disciplina e a dignidade. Alegram-se com o amor e intuem o que pode significar entregar-se por completo”. O olhar do Pontífice, no entanto, não é desencantado: “Quantos casamentos hoje fracassam após três, cinco, sete anos?”, observa. “Não seria melhor, então, evitar a dor, tocar-se apenas como numa dança passageira, aproveitar um ao outro, brincar juntos e depois se separar?”, questiona. “Não acreditem nisso!”, responde ele com firmeza, dirigindo-se aos jovens. “Acreditem no amor, acreditem em Deus, e acreditem que podem enfrentar a aventura de um amor para a vida inteira”. No ser humano reside, de fato, “o desejo de ser acolhido sem reservas”, e vivenciar isso conduz a um ganho supremo: “a vida em plenitude”.

“Com o amor não se brinca”

“Uma só carne!”, escreve Francisco, citando as Sagradas Escrituras e referindo-se àquela união matrimonial para a qual “é necessária uma preparação adequada”, porque “toda a vida se desenvolve através do amor, e com o amor não se brinca”. O Papa propõe, assim, um “catecumenato”, termo que, na Igreja primitiva, indicava “um caminho muitas vezes de vários anos, de aprendizado e de discernimento pessoal”. Um percurso que conduz àquela Amoris laetitia — título de sua Exortação Apostólica pós-sinodal — àquela “alegria do amor” que, “passo a passo”, “com os olhos cheios de encantamento, não deve parar”.

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                                                                                                                    Fonte: vaticannews.va

3º Domingo da Páscoa:

Leituras e reflexão
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1ª Leitura: At 5,27-32.40-41

Leitura do livro dos Atos dos Apóstolos

Naqueles dias, os guardas levaram os apóstolos e os apresentaram ao sinédrio. O sumo sacerdote começou a interrogá-los, dizendo: “Nós tínhamos proibido expressamente que vós ensinásseis em nome de Jesus. Apesar disso, enchestes a cidade de Jerusalém com a vossa doutrina. E ainda nos quereis tornar responsáveis pela morte desse homem!” Então Pedro e os outros apóstolos responderam: “É preciso obedecer a Deus antes que aos homens. O Deus de nossos pais ressuscitou Jesus, a quem vós matastes, pregando-o numa cruz. Deus, por seu poder, o exaltou, tornando-o guia supremo e salvador, para dar ao povo de Israel a conversão e o perdão dos seus pecados. E disso somos testemunhas, nós e o Espírito Santo, que Deus concedeu àqueles que lhe obedecem”. Então mandaram açoitar os apóstolos e proibiram que eles falassem em nome de Jesus, e depois os soltaram. Os apóstolos saíram do conselho muito contentes por terem sido considerados dignos de injúrias por causa do nome de Jesus.

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Responsório: Sl 29(30)

- Eu vos exalto, ó Senhor, porque vós me livrastes.

- Eu vos exalto, ó Senhor, porque vós me livrastes.

1. Eu vos exalto, ó Senhor, pois me livrastes / e não deixastes rir de mim meus inimigos! / Vós tirastes minha alma dos abismos / e me salvastes quando estava já morrendo!

2. Cantai salmos ao Senhor, povo fiel, / dai-lhe graças e invocai seu santo nome! / Pois sua ira dura apenas um momento, / mas sua bondade permanece a vida inteira; / se à tarde vem o pranto visitar-nos, / de manhã vem saudar-nos a alegria.

3. Escutai-me, Senhor Deus, tende piedade! / Sede, Senhor, o meu abrigo protetor! / Transformastes o meu pranto em uma festa, / Senhor meu Deus, eternamente hei de louvar-vos!

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2ª Leitura: Ap 5,11-14

Leitura do Livro do Apocalipse de São João

Eu, João, vi e ouvi a voz de numerosos anjos, que estavam em volta do trono, e dos seres vivos e dos anciãos. Eram milhares de milhares, milhões de milhões, e proclamavam em alta voz: “O Cordeiro imolado é digno de receber o poder, a riqueza, a sabedoria e a força, a honra, a glória e o louvor”. Ouvi também todas as criaturas que estão no céu, na terra, debaixo da terra e no mar, e tudo o que neles existe, e diziam: “Ao que está sentado no trono e ao Cordeiro, o louvor e a honra, a glória e o poder para sempre”. Os quatro seres vivos respondiam: “Amém”, e os anciãos se prostraram em adoração daquele que vive para sempre.

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Evangelho: Jo 21,1-19 ou 1-14

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São João

Naquele tempo, Jesus apareceu de novo aos discípulos, à beira do mar de Tiberíades. A aparição foi assim: estavam juntos Simão Pedro, Tomé, chamado Dídimo, Natanael, de Caná da Galileia, os filhos de Zebedeu e outros dois discípulos de Jesus. Simão Pedro disse a eles: “Eu vou pescar”. Eles disseram: “Também vamos contigo”. Saíram e entraram na barca, mas não pescaram nada naquela noite. Já tinha amanhecido, e Jesus estava de pé na margem. Mas os discípulos não sabiam que era Jesus. Então Jesus disse: “Moços, tendes alguma coisa para comer?” Responderam: “Não”. Jesus disse-lhes: “Lançai a rede à direita da barca e achareis”. Lançaram, pois, a rede e não conseguiam puxá-la para fora, por causa da quantidade de peixes. Então, o discípulo a quem Jesus amava disse a Pedro: “É o Senhor!” Simão Pedro, ouvindo dizer que era o Senhor, vestiu sua roupa, pois estava nu, e atirou-se ao mar. Os outros discípulos vieram com a barca, arrastando a rede com os peixes. Na verdade, não estavam longe da terra, mas somente a cerca de cem metros. Logo que pisaram a terra, viram brasas acesas, com peixe em cima, e pão. Jesus disse-lhes: “Trazei alguns dos peixes que apanhastes”. Então Simão Pedro subiu ao barco e arrastou a rede para a terra. Estava cheia de cento e cinquenta e três grandes peixes; e apesar de tantos peixes, a rede não se rompeu. Jesus disse-lhes: “Vinde comer”. Nenhum dos discípulos se atrevia a perguntar quem era ele, pois sabiam que era o Senhor. Jesus aproximou-se, tomou o pão e distribuiu-o por eles. E fez a mesma coisa com o peixe. Esta foi a terceira vez que Jesus, ressuscitado dos mortos, apareceu aos discípulos. Depois de comerem, Jesus perguntou a Simão Pedro: “Simão, filho de João, tu me amas mais do que estes?” Pedro respondeu: “Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo”. Jesus disse: “Apascenta os meus cordeiros”. E disse de novo a Pedro: “Simão, filho de João, tu me amas?” Pedro disse: “Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo”. Jesus lhe disse: “Apascenta as minhas ovelhas”. Pela terceira vez, perguntou a Pedro: “Simão, filho de João, tu me amas?” Pedro ficou triste, porque Jesus perguntou três vezes se ele o amava. Respondeu: “Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que eu te amo”. Jesus disse-lhe: “Apascenta as minhas ovelhas. Em verdade, em verdade te digo, quando eras jovem, tu te cingias e ias para onde querias. Quando fores velho, estenderás as mãos e outro te cingirá e te levará para onde não queres ir”. Jesus disse isso, significando com que morte Pedro iria glorificar a Deus. E acrescentou: “Segue-me”.

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Reflexão do padre Johan Konings

Cristo na glória e na Igreja 

Muitas pessoas dizem acreditar em Jesus, mas não querem comprometer-se com a comunidade da Igreja. Talvez até entrem numa igreja bonita e espaçosa para, ao voltar do serviço, descansar um pouco, mas a Igreja como comunidade não as atrai. Pretendem acreditar e Cristo, mas não querem saber de sua comunidade … Às vezes, vira até caricatura: invocam ajuda de Cristo e de todos os santos para resolver uns probleminhas pessoais, mas não ligam para sua grande obra, a comunidade que ele fundou. Será Jesus apenas um quebra-galho para uso pessoal?

Conforme a liturgia de hoje, Jesus ressuscitado está misteriosamente presente na Igreja. O evangelho conta como Jesus ressuscitado aparece aos apóstolos enquanto estão pescando sem êxito, no lago de Genesaré. Sua presença os faz pescar grande número de peixes grandes – cento e cinqüenta e três, imagem da multidão que, logo nos primeiros anos, aderiu a Cristo na Igreja. Na 1ª leitura ouvimos o atrevido testemunho dos Apóstolos, apesar de proibidos de falar no nome de Jesus. É no testemunho da Igreja que Jesus ressuscitado vive para o mundo. Querer ter Jesus sem a Igreja é como querer transportar água sem balde. E este Jesus é o Senhor glorioso, adorado por todos os santos no céu, como nos mostra o Apocalipse (2ª leitura). Que seja adorado assim também na terra.

Viver como cristão é viver da palavra de Deus em Jesus Cristo. Esta palavra é a instância suprema de nossa vida. “Importa mais obedecer a Deus do que aos homens”, diz Pedro às autoridades de Jerusalém que o querem proibir de anunciar o Cristo ressuscitado (At 5,29).

Ora, a Igreja serve exatamente para guardar viva a palavra de Jesus e a sua presença no meio de nós. A Igreja não serve para si mesma ou para satisfazer a ambição dos padres – como mídia às vezes parece insinuar, não sem culpa dos próprios … A Igreja tampouco serve para construir ricos templos (alguns melhor nunca tivessem sido construídos!). A Igreja existe para dar a todos os seres humanos a oportunidade de conhecer Jesus morto e ressuscitado, de tomar refeição com ele – como os seus primeiros discípulos -, de acolher e cumprir sua palavra, sempre de novo traduzida e explicada conforme as exigências de cada momento. Ela existe para constituir a comunidade que é necessária para que o mandamento e o exemplo de amor deixados por Jesus sejam transmitidos e postos em prática, pois é impossível amar sozinho … A Igreja serve para fazer acontecer, sempre, no mundo, a prática de Jesus – na justiça e no amor eficaz ao próximo. Se ela fizer isso, ela partilhará para sempre a glória que Deus deu ao “Cordeiro”, por ter-se sacrificado por nós. Pois Deus ama o amor que dá a vida pelos outros. E quem faz isso, como Cristo, já vive um pouco o céu. A Igreja serve para nos ajudar nisso.

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PE. JOHAN KONINGS nasceu na Bélgica em 1941, onde se tornou Doutor em Teologia pela Universidade Católica de Lovaina, ligado ao Colégio para a América Latina (Fidei Donum). Veio ao Brasil, como sacerdote diocesano, em 1972. Em 1985 entrou na Companhia de Jesus (Jesuítas) e, desde 1986, atuou como professor de exegese bíblica na FAJE, Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Faleceu no dia 21 de maio de 2022. Este comentário é do livro “Liturgia Dominical, Editora Vozes.

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Reflexão em vídeo do frei Felipe Carretta

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         Fonte: franciscanos.org.br    Banners: vaticannews.va     Fábio M. Vasconcelos

quinta-feira, 1 de maio de 2025

Bela reflexão de dom Geraldo dos Reis Maia:

Francisco

Segundo o Evangelho de Mateus, Jesus ressuscitado manifestou-se primeiramente às mulheres e as enviou a anunciar aos apóstolos: “Não tenhais medo. Ide anunciar aos meus irmãos que se dirijam para a Galileia. Lá eles me verão” (Mt 28,10). Voltar à Galileia significa voltar ao primeiro encontro. Foi lá que tudo começou. Os apóstolos e nós somos chamados a fazer um itinerário de seguimento e, nesse itinerário, aprendemos com o Mestre o caminho da Cruz e da Ressurreição. Voltar à Galileia é voltar ao primeiro amor, ao primeiro encantamento. 

O Papa Francisco nos fez recordar este primeiro encontro pessoal com o Senhor: “todo encontro autêntico com Jesus fica na memória viva, nunca é esquecido. Você se esquece de tantos encontros, mas o encontro com Jesus verdadeiro permanece sempre”. E continua Francisco: “(para) cada um de nós, na sua vida, (houve) um momento em que Deus se fez presente com mais força, com um chamado. Recordemo-lo. Voltemos àquele momento, para que a memória daquele momento nos renove sempre no encontro com Jesus” (Angelus, 17/01/2021). 

Para o jovem Bergoglio, houve um encontro pessoal, inesquecível, que o fez recordar o encontro de Jesus com Mateus (Mt 9,9-13). Na festa de são Mateus do ano de 1953, o jovem Jorge Bergoglio experimentou, com 17 anos, de modo totalmente particular, a presença amorosa de Deus na sua vida. Depois de uma confissão, sentiu o seu coração ser tocado e fez a experiência pessoal da descida da misericórdia de Deus, que, com o olhar de amor terno, o chamava à vida religiosa, a exemplo de santo Inácio de Loyola. Desse encontro pessoal e inspirado numa homilia de São Beda, o Venerável, sacerdote (Hom. 21; CCL 1, 22, 149-151), o argentino escolheu o lema do seu ministério: “miserando atque eligendo” (com misericórdia o elegeu). 

O querido Papa Francisco deixou um grande legado espiritual, pastoral e eclesial; humano, social e ecológico. Qual será a marca que este pontificado deixará impressa em nossa memória e em nossa história? Podemos desfiar um rosário de temas que lhe foram caros: alegria, esperança, misericórdia, dentre outros. Francisco lutou muito contra a miséria, o descarte de seres humanos, a desumanidade das guerras, os muros de separação, o desprezo para com a natureza. Como Jesus Cristo e São Francisco, este querido Papa combateu em favor dos pobres, contra as injustiças, em favor da paz e da ecologia integral. 

Profundamente apaixonado pelo Evangelho de Jesus Cristo, o Papa desejou ver uma Igreja renovada, comprometida com os valores do Reino, uma Igreja sinodal, em saída missionária para as periferias geográficas e existenciais. Desde o início de seu Pontificado, Francisco desejou “uma Igreja pobre para os pobres”, consciente de que os pobres “têm muito para nos ensinar” (EG,198). E assim, Francisco exerceu o seu ministério, amando os pobres, defendendo os pobres e vivendo como pobre. Como reformador, ele começou reformando o jeito de ser papa. Ele foi um divisor de águas na forma de exercer o ministério petrino. 

Como poucos, Francisco sonhou com uma nova humanidade. Recordemos aqui seu discurso na Catedral de Florença: “Só podemos falar de humanismo a partir da centralidade de Jesus, descobrindo n’Ele os traços do autêntico rosto do homem. É a contemplação da face de Jesus morto e ressuscitado que recompõe a nossa humanidade, inclusive daquela fragmentada pelas dificuldades da vida, ou marcada pelo pecado. Não devemos domesticar o poder da face de Cristo. A face é a imagem da sua transcendência. É omisericordiae vultus. Deixemo-nos olhar por Ele. Jesus é o nosso humanismo” (Discurso, 10/11/2015). 

Por Francisco, os sinos das igrejas do mundo inteiro repicam de forma especial, reconhecendo o seu grande legado nesses mais de 12 anos de fecundo ministério e 88 anos de vida inteiramente dedicada a Deus, na Companhia de Jesus, no episcopado e como Sucessor do Apóstolo Pedro. Como primeiro papa latino-americano, levou ao mundo o nosso jeito de ser Igreja de Jesus Cristo, Igreja comprometida com as causas humanas, sociais, culturais e econômicas, uma Igreja que caminha na história, acolhendo as sementes do Reino, lançadas pelo Filho de Deus que se inseriu em nossa história para elevar a humanidade à glória de Deus, como nos ensinou S. Irineu de Lião (Adv. Haer. IV,20,7), que lhe foi grande inspirador. 

Feita a sua Páscoa, o Papa Francisco canta com o Salmista, nas periferias do Paraíso: “Vós me ensinais vosso caminho para a vida; junto a vós, felicidade sem limites, delícia eterna e alegria ao vosso lado!” (Sl 15,11).

Dom Geraldo dos Reis Maia - Bispo de Araçuaí (MG)
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A Igreja celebra nesta quinta-feira

São José Operário

Ao celebrarmos a festa de São José Operário, recordamos que todo trabalho é digno e que não existe trabalho pior ou melhor do que o outro. Através do trabalho, é possível garantir o salário para o sustento da família e para as necessidades básicas.

Cardeal Orani João Tempesta, O.Cist. - Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ

Celebramos no dia 1º de maio a festa litúrgica de São José Operário. Recordamos, nesse dia, São José como o homem trabalhador, chefe da família e carpinteiro. No dia 19 de março, recordamos São José como patrono universal da Igreja e pai adotivo de Jesus, protetor das famílias, e, nesse dia 1º de maio, recordamos São José como protetor dos trabalhadores e intercessor dos desempregados.

O dia de São José Operário, artesão e do trabalhador é feriado nacional, momento oportuno para participarmos da Santa Missa e agradecer a Deus pelo trabalho que temos, e, quem está desempregado, pedir um emprego por intercessão de São José Operário. Que São José interceda para que todos tenham condições dignas de trabalho e que ninguém seja explorado.

Ao celebrarmos a festa de São José Operário, recordamos que todo trabalho é digno e que não existe trabalho pior ou melhor do que o outro. Através do trabalho, é possível garantir o salário para o sustento da família e para as necessidades básicas.

Podemos nos espelhar em São José, que era um humilde carpinteiro, mas, com o suor e a dignidade de seu trabalho, levava o alimento para a mesa da Sagrada Família. Que todos os homens sigam o exemplo de São José como chefe de família e com o seu salário sustente a sua família.

Nos dias de hoje, infelizmente, acontecem muitas discriminações no ambiente de trabalho: homens ganham mais que as mulheres; pessoas brancas ganham mais que pessoas negras, ocupando o mesmo cargo. Até mesmo aqueles que ocupam determinados cargos menosprezam os outros que estão em cargos inferiores.

Peçamos, nesse dia, que São José abençoe todos aqueles que têm trabalho, para que continuem firmes em seus empregos e, trabalhando com dignidade, levem o alimento diário para a mesa de suas famílias. E peçamos por todos os desempregados, para que logo encontrem um trabalho e possam levar o sustento para a sua família.

A comemoração do dia de São José Operário teve início em 1955, através do Papa Pio XII. A Praça de São Pedro estava lotada, com mais de 200 mil pessoas. Já se comemorava o Dia do Trabalho e, para dar um caráter religioso à festa civil, o Papa cristianizou essa festa, e assim dignificou os frutos do esforço do trabalho de cada um.

Através da comemoração desse Dia do Trabalho e de São José Operário, pedimos a Deus, por intercessão de São José, que ninguém seja explorado em seu trabalho, mas seja respeitado naquilo que faz e ganhe o seu salário dignamente. Rezemos por aqueles que estão desempregados, para que logo consigam uma colocação e, com o salário que receberem no trabalho, possam pagar as contas e sustentar a família. Recordamos que o trabalho dignifica a pessoa humana. Todos devem ter um trabalho ou uma ocupação, de forma honesta. Os pais que trabalham são exemplos para os filhos, pois, vendo que os pais trabalham, seguirão o exemplo no futuro e darão a mesma importância ao trabalho.

Em nosso trabalho devemos ser como São José: justos e, no silêncio, realizar as nossas obrigações. Somos chamados a viver a santidade no dia a dia, através do nosso batismo. Inclusive, podemos santificar o nosso trabalho, ou seja, trabalhar rezando ou, no descanso da hora do almoço, rezar o terço, como somos convidados no mês de maio, dedicado a Nossa Senhora, ou ler um livro espiritual. Enfim, falar de Deus para os outros, convidar os colegas de trabalho a participarem da Igreja. Dessa forma, vamos tornando o ambiente de trabalho mais agradável.

Peçamos a intercessão de São José por todos aqueles que sofrem algum tipo de discriminação ou injustiça no trabalho, para que sejam respeitados em sua dignidade e tenham paz no seu ambiente de trabalho.

O ambiente de trabalho deve ser um lugar de satisfação e alegria, pois é de lá que tiramos o nosso sustento, e passamos boa parte do nosso dia. Não deve ser um local triste e de insatisfação. Se temos um trabalho, é porque foi abençoado por Deus, e devemos dar graças a Ele por esse emprego. Ao acordar pela manhã, devemos ter satisfação em levantar e ir para o trabalho.

Que São José Operário, modelo de todo trabalhador, seja nosso socorro e auxílio em meio às labutas do dia a dia. Que Ele abençoe o nosso trabalho e, para aqueles que ainda não têm trabalho, que tão logo possam conseguir um emprego. Sejamos fiéis ao nosso trabalho, à nossa família e a Deus. Que, da mesma forma, possamos ser gratos com aqueles que nos deram a oportunidade do emprego. Tenhamos fé em Deus e em São José, que tudo vai melhorar.

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Segue a oração a São José Operário composta por São Pio X:

Glorioso São José, modelo de todos os que se dedicam ao trabalho, obtende-me a graça de trabalhar com espírito de penitência, para expiação de meus numerosos pecados; de trabalhar com consciência, pondo o culto do dever acima de minhas inclinações;

De trabalhar com recolhimento e alegria, olhando como uma honra empregar e desenvolver pelo trabalho os dons recebidos de Deus. De trabalhar com ordem, paz, moderação e paciência, sem nunca recuar perante o cansaço e as dificuldades;

De trabalhar, sobretudo, com pureza de intenção e com desapego de mim mesmo, tendo sempre diante dos olhos a morte e a conta que deverei dar do tempo perdido, dos talentos inutilizados, do bem omitido e da vã complacência nos sucessos, tão funesta à obra de Deus!

Tudo por Jesus, tudo por Maria, tudo à vossa imitação, oh! Patriarca São José!

Tal será a minha divisa na vida e na morte. Amém.

São José Operário, rogai por nós!

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