quinta-feira, 10 de abril de 2025

Reflita com dom Pedro Cipollini:

Quem herdará o Reino?

A violência no dia a dia de nossas cidades é impressionante, parece uma “guerra civil aos pedaços”. O que está acontecendo com o ser humano?  Em grande parte é fruto do medo, da impunidade que se respira na sociedade, onde a violência parece ser direito de cada um. O certo é que desde tempos antigos, no império mais violento, o Romano, havia a consciência de que “o extremo oposto da justiça é a violência” (Cícero). 

Dom Pedro Cipollini

Sentimentos que pareciam superados estão voltando. Sentimentos de suspeita, temor, desprezo e até o ódio nas relações entre indivíduos ou grupos julgados diferentes de nós devido à raça, religião ou partido político (nós x eles). São sentimentos perigosos, degradantes, inspiram ações de intolerância, discriminação, negação da dignidade da pessoa e de seus direitos fundamentais. 

Preocupa principalmente que, no mundo da política que deveria servir para resolver os conflitos da sociedade, cede-se à tentação de instrumentalizar os medos e dificuldades da população, para forjar promessas ilusórias em prol de interesses eleitorais, que visam somente a permanência no poder e não o bem comum. Na chamada esquerda os criminosos violentos são tidos como vítimas da sociedade injusta, na chamada direita os criminosos violentos são chamados heróis da causa. E assim a violência impera ou pela omissão ou pela imposição. Confunde-se a violência com a força (virtude). 

Preocupante também, é a infiltração desta mentalidade de fundo violento nas comunidades religiosas. Até mesmo nas comunidades católicas. A  busca de justificar a divisão como um “dever” de conservar a identidade original da fé e da moral. Não se deve esquecer que: “violência gera violência”. 

É preciso voltar ao mandamento do amor ensinado por Jesus, o qual não é apanágio dos fracos, mas dos fortes. “Se alguém disser amo a Deus, mas odeia seu irmão, é um mentiroso; pois quem não ama seu o irmão que vê, como pode amar a Deus, a quem não vê?”(1Jo 4,20). Se somos incapazes de amar a Deus no plano concreto, em nossos irmãos, todos, até antipáticos, não é verdade que amamos a Deus, somos mentirosos. E o “pai da mentira” é Satanás (cf. Jo 8,44). 

Jesus era um não-violento ativo: “Bem aventurados os que promovem a paz, serão chamados filhos de Deus” (Mt 5, 9). Consequentemente os violentos não herdam o Reino dos céus (cf Ap 22,14). 

A ditadura da uniformidade e do pensamento único da qual se servem as ideologias, é uma tentação diabólica pois, é geradora de violência. Visa o poder e o domínio sobre os outros através do autoritarismo e da força. O certo é que não há quem conserve  por muito tempo um poder exercido pela violência, porque ela não vem de Deus. 

Dom Pedro Cipollini - Bispo de Santo André (SP)

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Papa visita Basílica de São Pedro

para rezar no túmulo de Pio X

Mais uma saída não programada de Francisco, como no domingo passado, a partir da Casa Santa Marta, onde segue em convalescença e retomou alguns encontros. O Pontífice esteve por volta das 13h locais na Basílica vaticana, onde encontrou cerca de uma centena de fiéis muito emocionados que se aproximaram para saudá-lo e receber sua bênção.

Papa Francisco no último domingo, 06/04, quando chegou de surpresa à Praça São Pedro (foto de arquivo) 

Eram quase 13h (horário local) na Basílica de São Pedro quando algumas mulheres começaram a gritar: “É o Papa! É o Papa!”. Após a surpresa do domingo passado, quando os 20 mil fiéis na Praça São Pedro para o Jubileu dos Enfermos viram, de repente, o Papa chegar de cadeira de rodas, também nesta tarde Francisco quis deixar por alguns minutos a Casa Santa Marta, onde prossegue sua recuperação, para entrar na Basílica. Menos de dez minutos para rezar diante do túmulo do Papa Pio X, o santo pontífice com quem sempre demonstrou forte ligação e a quem já havia rezado no último domingo.

Na doença, Deus não nos deixa sozinhos e, se nos abandonarmos a Ele, precisamente onde as nossas forças falham, podemos experimentar a consolação da sua presença. Ele mesmo, feito ...

Fiéis saúdam o Papa

Poucos minutos, no entanto, foram suficientes para comover as cerca de cem pessoas que naquele momento visitavam a Basílica e que, “como num boca a boca organizado”, segundo relatos de quem estava presente, se reuniram para saudar o Papa. Entre elas, algumas restauradoras que trabalhavam naquele momento por trás de um pano, nos trabalhos internos destes meses realizados pela Fábrica de São Pedro, apertaram a mão de Jorge Mario Bergoglio; várias crianças foram por ele abençoadas; e grupos inteiros de peregrinos em Roma para o Jubileu se aproximaram.

“Muita emoção, minha visão ficou turva pelas lágrimas e não consegui nem tirar uma foto”, contou aos meios de comunicação do Vaticano monsenhor Valerio Di Palma, cônego da Basílica de São Pedro. Ele havia voltado à sacristia por volta das 12h50 e, dez minutos depois, saiu atraído pelo alvoroço e viu a cadeira de rodas com o Papa, empurrada por Massimiliano Strappetti, seu assistente de saúde pessoal. Ao redor, os guardas tentavam manter a ordem.

Bênçãos e saudações

“O Papa passou pela Porta da Oração e depois foi até o Altar da Cátedra e, por fim, ao túmulo de São Pio X para rezar. No final, cumprimentou algumas pessoas, na medida do possível”, explica monsenhor Di Palma. Nenhuma palavra de Francisco, apenas gestos. Gestos de proximidade e carinho com aqueles que encontrou à sua frente — alguns até formaram fila só para ter um instante de contato com o Bispo de Roma, em um tempo em que, por causa da convalescença, suas aparições públicas têm sido raras: “Todos correram ao saber que o Papa tinha vindo de surpresa”.

Francisco se mostrou ao povo com uma manta sobre as pernas, contra o frio, e as cânulas nasais para receber oxigênio: “Isso nos comoveu — vê-lo assim, ‘à paisana’, simples. Todos choravam, até o pessoal da segurança”. Algumas crianças se aproximaram do Papa, uma senhora recebeu sua bênção entre lágrimas. Por que lágrimas? “Porque é sinal de que ele está se recuperando, que sim, está sofrendo, mas está próximo. O que mais me tocou foram os olhos: grandes, brilhantes. Um olhar penetrante e atento. Não disse nada: apenas cumprimentava e abençoava. Eu disse a ele: ‘Santidade, estamos ansiosos por tê-lo de volta aqui, novamente’. Ele sorriu.”

Salvatore Cernuzio – Cidade do Vaticano

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                                                                                                                    Fonte: vaticannews.va

quarta-feira, 9 de abril de 2025

Postagem do padre Zezinho:

O católico provocador entrou na minha página e perguntou:

- NUNCA VI O senhor PREGAR SOBRE O DIABO! NÃO CRÊ QUE ELE EXISTE? …

Minha resposta foi imediata:

- ACHO que o diabo existe e isto está escrito na Bíblia. E NÃO SOU de negar a Bíblia.

Mas, quanto à sua pergunta provocadora eu respondo:

- Tenho mais experiência com Deus do que com o diabo. Escrevo Deus com iniciais maiúsculas e diabo com iniciais minúsculas! Entre ambos a distância é infinita!

Por isso prefiro falar mais do Céu do que do inferno! Quem eu amo e admiro está no Céu e é sobre eles que gosto de pregar! ...

Mas, se para você faz sentido ouvir e seguir pregadores que gostam mais de falar de diabo e do inferno, siga-os.

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                                                                                         Fonte: facebook.com/padrezezinho,sjc

Catequese do Papa Francisco nesta quarta-feira:

o amor de Jesus é gratuito, não se compra nem se mendiga

Na catequese desta quarta-feira (09/04), dentro do ciclo dedicado a “A vida de Jesus. Os encontros”, o Papa Francisco refletiu sobre o episódio do jovem rico narrado pelo evangelista Marcos. “Jesus nos convida a largar os pesos que nos impedem de caminhar e a redescobrir a beleza de uma vida vivida no amor gratuito”, afirmou o Pontífice. O olhar de Jesus, cheio de ternura, revela a nossa sede mais profunda: ser amados por aquilo que somos.

Dando continuidade ao caminho de reflexões para o Jubileu 2025 com o tema "Jesus Cristo, nossa Esperança", o Papa dedicou sua catequese semanal a um encontro marcante do Evangelho: o de Jesus com o jovem rico, tal como narrado em Marcos 10,17-22.

Francisco, no texto publicado pela Sala de Imprensa da Santa Sé, abordou o drama de quem, mesmo tendo uma vida moralmente correta, sente que algo ainda falta. “Este homem — sublinha o Papa — desde jovem observava os mandamentos, mas ainda não havia encontrado o sentido profundo da vida. Ele carrega dentro de si uma inquietação, uma sede, uma carência que não se resolve apenas com o cumprimento da Lei.”

Jesus vê o coração

O Evangelho apresenta este homem como alguém que corre ao encontro de Jesus, se ajoelha e pergunta: “Bom Mestre, que devo fazer para alcançar a vida eterna?”. A pergunta revela uma lógica de mérito: como se a salvação fosse uma conquista, um prêmio por boa conduta. “Mas Jesus — explica o Pontífice — vai além da pergunta. Ele não se limita a escutar palavras, Ele olha o coração.”

O verbo usado por Marcos é expressivo: “fitando o olhar, sentiu afeição por ele”. Jesus vê além das aparências, vê a fragilidade e, ao mesmo tempo, o desejo profundo de ser amado:

“Somos verdadeiramente felizes quando nos damos conta de que somos amados assim, gratuitamente, pela graça. E isto vale também nas relações entre nós: enquanto procurarmos comprar o amor ou mendigar o afeto, essas relações nunca nos farão sentir felizes.”

A proposta de uma vida nova

Jesus propõe ao jovem algo radical: “Vai, vende tudo o que tens, dá aos pobres e terás um tesouro no céu; depois, vem e segue-me”. Trata-se de um convite à liberdade interior, a desatar os nós que nos prendem ao porto da autossuficiência. “A imagem do navio é iluminadora: podemos ter uma embarcação perfeita, mas se os lastros não forem puxados, ela nunca partirá”, comentou o Papa. “Assim acontece conosco: pensamos que estamos bem, mas algo nos impede de avançar. E por vezes, o que julgamos ser uma segurança, é apenas um peso.”

Jesus não chama o jovem à solidão, mas à relação. O seguimento de Cristo é um convite a viver em comunhão, a sair do anonimato. “Na cultura do individualismo em que vivemos, corremos o risco de perder até mesmo o som do nosso nome. Só em uma relação de amor gratuito é que escutamos alguém nos chamar, e então sabemos quem somos.”

Acolher o amor de Deus

O jovem, porém, se afasta triste. “É a tristeza de quem não consegue desapegar-se, de quem permanece preso às suas seguranças”, lamenta o Papa. “Quantas vezes confundimos riquezas com felicidade, e nos esquecemos que o amor não se compra, não se exige: o amor se acolhe.”

O Santo Padre concluiu convidando a todos a confiar ao Coração de Jesus as pessoas que se sentem tristes, indecisas, bloqueadas em suas escolhas. “Peçamos que cada um possa sentir o olhar de Jesus, cheio de ternura, que nos ama assim como somos e nos chama a levantar âncora, a largar o porto e a navegar para o largo da esperança.”

Thulio Fonseca - Vatican News

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terça-feira, 8 de abril de 2025

Oportuna reflexão para esta semana:

A quinta catequese quaresmal e sua importância 

 Dom Anuar Battisti - Arcebispo Emérito de Maringá (PR)

A Quaresma é um tempo de intensa preparação espiritual, marcado pelo chamado à conversão, à oração, ao jejum e à caridade. Dentro desse percurso quaresmal, as catequeses exercem um papel fundamental na formação dos fiéis, ajudando-os a aprofundar sua fé e a se prepararem para viver com plenitude o mistério pascal. A quinta catequese quaresmal ocupa um lugar especial nessa caminhada, pois nos convida a refletir sobre a misericórdia de Deus e o chamado à santidade. 

A quinta catequese quaresmal é frequentemente inspirada em passagens bíblicas que ressaltam o amor misericordioso de Deus e o seu desejo de renovação para o ser humano. O Evangelho de João (8,1-11), que narra o episódio da mulher adúltera, é um dos textos-chave para essa reflexão. Nesta passagem, Jesus não apenas livra a mulher da condenação, mas lhe concede a oportunidade de uma nova vida, dizendo: “Eu também não te condeno. Vai, e de agora em diante não peques mais” (Jo 8,11). 

Essa catequese nos ensina que a misericórdia divina não é permissiva com o pecado, mas sempre orienta para a conversão e para uma vida renovada. É um chamado ao arrependimento sincero e à confiança no perdão de Deus, que deseja restaurar em nós a dignidade de filhos e filhas. 

Essa catequese tem um profundo impacto na vivência da fé cristã. Ela nos ajuda a compreender que a conversão não é apenas um ato isolado, mas um processo contínuo. O Papa Francisco frequentemente nos lembra que Deus “nunca se cansa de perdoar” e que devemos, por nossa parte, nos abrir a essa graça. 

Além disso, a quinta catequese quaresmal nos convida a sermos também agentes de misericórdia no mundo. Assim como Jesus acolheu a mulher pecadora com compaixão, também nós somos chamados a acolher aqueles que erram, ajudando-os a reencontrar o caminho da graça. 

Para que essa catequese não permaneça apenas em nível teórico, a Igreja nos convida a algumas práticas concretas: 

Exame de Consciência e Confissão: Aprofundar a reflexão sobre nossas falhas e buscar o sacramento da Reconciliação. 

Oração e Meditação: Ler e meditar a passagem da mulher adúltera, buscando identificar como Deus nos chama à renovação. 

Ato de Misericórdia Concreta: Exercitar a misericórdia na vida cotidiana, perdoando aqueles que nos ofenderam e ajudando os necessitados. 

A quinta catequese quaresmal é um convite à experiência transformadora da misericórdia de Deus. Vamos ao confessionário. Peçamos perdão de nossos pecados e procuremos viver uma vida nova, de santidade de vida e de estado. Somente a misericórdia de Deus nos prepara para vivermos a Páscoa com um coração renovado e nos ensina que a verdadeira conversão se manifesta no amor e na compaixão. Que possamos, ao longo deste tempo sagrado e favorável, abrir nossos corações para a graça divina e sermos sinais vivos da misericórdia no mundo. 

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CNBB lança edital do concurso

para a letra e a música
do hino da Campanha da Fraternidade 2026

Compositores das comunidades católicas terão uma nova oportunidade para participar ativamente da preparação para a Campanha da Fraternidade 2026. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), através da Secretaria Executiva de Campanhas e do Setor Música da Comissão Episcopal para a Liturgia, lançou o edital do concurso para a escolha da letra e da música do hino da Campanha da Fraternidade (CF) de 2026. No ano que vem, o tema será “Fraternidade e Moradia” e o lema “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14).

As inscrições estarão abertas até o dia 8 de maio, por meio da plataforma Ciaticket (acesse aqui).

Requisitos

De acordo com o edital, os interessados em propor letras e melodias para o hino da Campanha da Fraternidade 2026 deverão participar de três formações prévias, as quais serão oferecidas on-line, específicas para o concurso. Os encontros virtuais acontecem nos dias 12, 14 e 16 de maio, a partir das 20h.

“Nesta formação, os assessores da CF e da Música Litúrgica, com as suas equipes, apresentarão informações sobre a CF em geral, sobre a CF do ano em questão, e as diretrizes para composição da Letra e da Música do Hino. Somente poderão propor composições de letra e de música os compositores que participarem desta formação. Quem quiser participar somente com a letra, ou somente com a música, ou de ambas as formas, deverá participar igualmente”, informam os organizadores.

Confira abaixo o edital na íntegra:

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segunda-feira, 7 de abril de 2025

Comissão Teológica Internacional (CTI) lança documento

“Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador
1700º aniversário do Concílio Ecumênico de Niceia (325-2025)”

No próximo dia 20 de maio, o mundo cristão faz memória dos 1700 anos da abertura do primeiro Concílio ecumênico, celebrado em Niceia em 325, que entrou para a história principalmente pelo Símbolo que reúne, define e proclama a fé na salvação em Jesus Cristo e no Deus Uno, Pai, Filho e Espírito Santo. Mais tarde completado pelo Concílio de Constantinopla em 381, o Credo Niceno tornou-se, na prática, a carteira de identidade da fé professada pela Igreja.

Por esse motivo, a Comissão Teológica Internacional (CTI) decidiu dedicar um documento de quase setenta páginas ao Concílio convocado pelo imperador Constantino na Ásia Menor, com o duplo objetivo de recordar seu significado fundamental e destacar os extraordinários recursos do Credo, relançando-os na perspectiva da nova etapa de evangelização que a Igreja é chamada a viver na atual mudança de época. Também porque o aniversário ocorre durante o Jubileu da Esperança e coincide com a data da Páscoa para todos os cristãos, no Oriente e no Ocidente.

Por essas razões “Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador – 1700º aniversário do Concílio Ecumênico de Niceia (325-2025)”, o título do documento divulgado esta quinta-feira, 3 de abril, não é um simples texto de teologia acadêmica, mas se propõe como uma síntese que pode acompanhar o aprofundamento da fé e seu testemunho na vida da comunidade cristã. Afinal, em Niceia, pela primeira vez, a unidade e a missão da Igreja foram expressas em nível universal (daí, sua qualificação de “ecumênico”) na forma sinodal daquele caminhar que lhe é própria, constituindo-se assim também um ponto de referência e de inspiração no processo sinodal em que a Igreja católica é imersa hoje.

Acesse AQUI o documento na íntegra.

Equipe sistematizou o documento

Composto por 124 pontos, o documento é o resultado da decisão da CTI de aprofundar durante seu décimo quinquênio um estudo sobre a atualidade dogmática de Niceia. O trabalho foi conduzido por uma Subcomissão presidida pelo padre francês Philippe Vallin e composta pelos bispos Antonio Luiz Catelan Ferreira e Etienne Vetö, pelos padres Mario Angel Flores Ramos, Gaby Alfred Hachem e Karl-Heinz Menke, e pelas professoras Marianne Schlosser e Robin Darling Young.

O texto foi votado e aprovado em sua forma específica por unanimidade em 2024 e, em seguida, submetido à aprovação do cardeal presidente Víctor Manuel Fernández, prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, no qual a Comissão foi instituída. Depois de receber a aprovação do Papa Francisco, em 16 de dezembro passado o purpurado argentino autorizou sua publicação.

Os quatro capítulos em que se desenvolve a reflexão das teólogas e dos teólogos são precedidos por uma introdução intitulada “Doxologia, teologia e anúncio” e seguidos pela conclusão.

Uma leitura doxológica do Símbolo

O primeiro capítulo “Um Símbolo para a salvação: doxologia e teologia do dogma de Niceia” (n. 7-47) é o mais amplo. Ele oferece “uma leitura doxológica do Símbolo, para destacar seus recursos soteriológicos e, portanto, cristológicos, trinitários e antropológicos”, com a intenção de dar “novo ímpeto ao caminho rumo à unidade dos cristãos”. Ao destacar o alcance ecumênico da fé de Niceia, o texto expressa a esperança de uma data comum para a celebração da Páscoa, que o próprio Papa Bergoglio pediu repetidamente.

De fato, o nº 43 evidencia como este 2025 representa para todos os cristãos “uma oportunidade inestimável para sublinhar que o que temos em comum é muito mais forte do que o que nos divide: todos juntos, acreditamos no Deus trino, em Cristo verdadeiro homem e verdadeiro Deus, na salvação em Jesus Cristo, de acordo com as Escrituras lidas na Igreja e sob a moção do Espírito Santo.

Juntos, acreditamos na Igreja, no batismo, na ressurreição dos mortos e na vida eterna”. Consequentemente, adverte a CTI no nº 45, “a divergência dos cristãos em relação à festa mais importante de seu calendário cria desconforto pastoral nas comunidades, a ponto de dividir as famílias, e causa escândalo entre os não cristãos, prejudicando assim o testemunho dado ao Evangelho”.

“Rezamos como acreditamos”

Mas acolher a riqueza de Niceia depois de dezessete séculos leva também a perceber como aquele Concílio alimenta e orienta a existência cristã cotidiana: por isso, o segundo capítulo “O Símbolo de Niceia na vida dos crentes” (n. 48-69), de teor patrístico, explora como a liturgia e a oração foram fecundadas na Igreja desde aquele evento, que constitui um avanço na história do cristianismo. “Acreditamos como batizamos; e rezamos como acreditamos”, recorda o documento, exortando-nos a beber hoje e sempre dessa “fonte de água viva”, cujo rico conteúdo dogmático foi decisivo para estabelecer a doutrina cristã. E, nesse sentido, o documento se aprofunda na recepção do Credo na prática litúrgica e sacramental, na catequese e na pregação, na oração e nos hinos do século IV.

Evento teológico e eclesial

O terceiro capítulo, “Niceia como evento teológico e como evento eclesial” (n. 70-102), aprofunda como o Símbolo e o Concílio “testemunham o mesmo evento de Jesus Cristo, cuja irrupção na história oferece um acesso inaudito a Deus e introduz uma transformação do pensamento humano” e como eles também representam uma novidade na forma como a Igreja se estrutura e cumpre sua missão. “Convocado pelo imperador para resolver uma disputa local que se tinha estendido a todas as Igrejas do Império Romano do Oriente e a muitas Igrejas do Ocidente – explica o documento -, reuniu bispos de várias regiões do Oriente e legados do bispo de Roma. Pela primeira vez, portanto, os bispos de toda a Oikouménè foram reunidos em sínodo. Sua profissão de fé e suas decisões canônicas foram promulgadas como normativas para toda a Igreja. A comunhão e a unidade sem precedentes que o evento Jesus Cristo introduziu na Igreja tornam-se visíveis e eficazes de um modo novo, através de uma estrutura de alcance universal. O anúncio do Evangelho de Cristo, em toda a sua imensidão, recebe, também ele, um instrumento de autoridade e alcance sem precedentes” (cf. n. 101).

Uma fé acessível também aos simples

Por fim, no quarto e último capítulo, “Manter a fé acessível a todo o povo de Deus” (103-120), “as condições de credibilidade da fé professada em Niceia são destacadas em uma etapa da teologia fundamental que lança luz sobre a natureza e a identidade da Igreja, na media em que ela é a intérprete autêntica da verdade normativa da fé por meio do Magistério e a guardiã dos crentes, especialmente dos menores e mais vulneráveis”. De acordo com a CTI, a fé pregada por Jesus aos simples não é uma fé simplista e o cristianismo nunca se considerou uma forma de esoterismo reservada a uma elite de iniciados, pelo contrário, Niceia, embora devido à iniciativa de Constantino, representa “um marco no longo caminho em direção à libertas Ecclesiae, que é em toda parte uma garantia de proteção da fé dos mais vulneráveis em face do poder político”. Em 325, o bem comum da Revelação foi realmente “disponibilizado” a todos os fiéis, conforme confirmado pela doutrina católica da infalibilidade “in credendo” do povo dos batizados. Embora os bispos tenham um papel específico na definição da fé, eles não podem assumi-lo sem estar na comunhão eclesial de todo o Santo Povo de Deus, tão caro ao Papa Francisco.

Atualidade do primeiro Concílio ecumênico

Eis então as conclusões do documento com “um convite premente” para “anunciar a todos Jesus nossa Salvação hoje” a partir da fé expressa em Niceia em uma multiplicidade de significados. Em primeiro lugar, a perene atualidade daquele Concílio e do Símbolo que dele brotou está em continuar a nos deixar “maravilhar pela imensidão de Cristo, para que todos fiquem maravilhados” e “reavivar o fogo do nosso amor por ele”, porque “em Jesus homooúsios (consubstancial) ao Pai… O próprio Deus se ligou à humanidade para sempre”; em segundo lugar, significa não ignorar “a realidade” ou afastar-se “dos sofrimentos e das convulsões que atormentam o mundo e parecem comprometer toda esperança”, ouvindo também a cultura e as culturas; em terceiro lugar, significa estarmos “particularmente atentos aos pequenos entre nossos irmãos e irmãs”, porque “esses crucificados da história são o Cristo entre nós”, ou seja, “aqueles que mais precisam da esperança e da graça”, mas, ao mesmo tempo, conhecendo os sofrimentos do Crucificado, eles são, por sua vez, “os apóstolos, mestres e evangelizadores dos ricos e abastados”; e, por fim, significa anunciar “como Igreja” ou melhor, “com o testemunho da fraternidade”, mostrando ao mundo as maravilhas pelas quais ela “una, santa, católica e apostólica” é o “sacramento universal da salvação” e, ao mesmo tempo, difundindo o tesouro das Escrituras que o Símbolo interpreta, a riqueza da oração, da liturgia e dos sacramentos que derivam do batismo professado em Niceia e da luz do Magistério; sempre com o olhar fixo no Ressuscitado, que triunfa sobre a morte e o pecado, e não nos adversários, pois não há perdedores no Mistério Pascal, exceto o perdedor escatológico, Satanás, o divisor. Não é por acaso que, no dia 28 de novembro passado, ao receber em audiência os membros da CTI, o Pontífice, elogiando o trabalho deles, falou da utilidade de um documento destinado a “ilustrar o significado atual da fé professada em Niceia… para alimentar a fé dos crentes e, partindo da figura de Jesus, oferecer também pistas e reflexões úteis para um novo paradigma cultural e social, inspirado precisamente na humanidade de Cristo”.

Um dia de estudo sobre Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador – o 1700º aniversário do Concílio Ecumênico de Niceia (325-2025), será realizado precisamente no dia 20 de maio, na Pontifícia Universidade Urbaniana, das 9h às 19h30, com a participação dos teólogos e das teólogas que contribuíram para a elaboração do documento e de outros especialistas na área.

Com informações do VaticanNews

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