quinta-feira, 27 de fevereiro de 2025

Papa Francisco na mensagem para a Quaresma:

em Jesus Cristo
somos conservados na esperança que não engana

Na mensagem para a Quaresma deste ano intitulada "Caminhemos juntos na esperança", Francisco recorda que "caminhar juntos, ser sinodal, é esta a vocação da Igreja. Os cristãos são chamados a percorrer o caminho em conjunto, jamais como viajantes solitários. O Espírito Santo impele-nos a sair de nós mesmos para ir ao encontro de Deus e dos nossos irmãos, e nunca a fechar-nos em nós mesmos".

Foi divulgada, na terça-feira (25/02), a mensagem do Papa Francisco para a Quaresma de 2025 intitulada "Caminhemos juntos na esperança".

"Com o sinal penitencial das cinzas sobre as nossas cabeças, iniciamos na fé e na esperança a peregrinação anual da Santa Quaresma", escreve Francisco, reiterando o convite da Igreja, mãe e mestra, a "preparar os nossos corações e a abrir-nos à graça de Deus para podermos celebrar com grande alegria o triunfo pascal de Cristo, o Senhor, sobre o pecado e a morte". "Jesus Cristo, morto e ressuscitado, é o centro da nossa fé e a garantia da nossa esperança na grande promessa do Pai, já realizada n’Ele, Seu Filho amado: a vida eterna".

Quaresma enriquecida pela graça do Ano Jubilar

"Nesta Quaresma, enriquecida pela graça do Ano Jubilar", o Papa oferece algumas reflexões sobre "o que significa caminhar juntos na esperança" e evidencia "os apelos à conversão que a misericórdia de Deus dirige a todos nós, enquanto indivíduos e comunidades".

Em primeiro lugar, caminhar. "O lema do Jubileu – “Peregrinos de Esperança” – traz à mente a longa travessia do povo de Israel em direção à Terra Prometida, narrada no livro do Êxodo: a difícil passagem da escravidão para a liberdade, desejada e guiada pelo Senhor, que ama o seu povo e sempre lhe é fiel. Não podemos recordar o êxodo bíblico sem pensar em tantos irmãos e irmãs que, hoje, fogem de situações de miséria e violência e vão à procura de uma vida melhor para si e para seus entes queridos".

De acordo com Francisco, "aqui, surge um primeiro apelo à conversão, porque todos nós somos peregrinos na vida, mas cada um pode perguntar-se: como me deixo interpelar por esta condição? Estou realmente a caminho ou estou paralisado, estático, com medo e sem esperança, acomodado na minha zona de conforto? Busco caminhos de libertação das situações de pecado e falta de dignidade? Seria um bom exercício quaresmal confrontar-nos com a realidade concreta de algum migrante ou peregrino e deixar que ela nos interpele, a fim de descobrir o que Deus pede de nós para sermos melhores viajantes rumo à casa do Pai. Esse é um bom “exame” para o viandante".

Caminhar juntos, ser sinodal, é esta a vocação da Igreja

"Em segundo lugar, façamos esta viagem juntos. Caminhar juntos, ser sinodal, é esta a vocação da Igreja. Os cristãos são chamados a percorrer o caminho em conjunto, jamais como viajantes solitários. O Espírito Santo impele-nos a sair de nós mesmos para ir ao encontro de Deus e dos nossos irmãos, e nunca a fechar-nos em nós mesmos", ressalta o Pontífice. "Caminhar juntos significa ser tecelões de unidade, partindo da nossa dignidade comum de filhos de Deus; significa caminhar lado a lado, sem pisar ou subjugar o outro, sem alimentar invejas ou hipocrisias, sem deixar que ninguém fique para trás ou se sinta excluído. Sigamos na mesma direção, rumo a uma única meta, ouvindo-nos uns aos outros com amor e paciência", escreve o Papa no texto.

De acordo com Francisco, "nesta Quaresma, Deus nos pede que verifiquemos se nas nossas vidas e famílias, nos locais onde trabalhamos, nas comunidades paroquiais ou religiosas, somos capazes de caminhar com os outros, de ouvir, de vencer a tentação de nos entrincheirarmos na nossa autorreferencialidade e de olharmos apenas para as nossas próprias necessidades".

O Papa nos convida a perguntar "diante do Senhor se somos capazes de trabalhar juntos a serviço do Reino de Deus, como bispos, sacerdotes, pessoas consagradas e leigos; se, com gestos concretos, temos uma atitude acolhedora em relação àqueles que se aproximam de nós e a quantos se encontram distantes; se fazemos com que as pessoas se sintam parte da comunidade ou se as mantemos à margem. Este é o segundo apelo: a conversão à sinodalidade".

Horizonte do caminho quaresmal rumo à vitória pascal

Em terceiro lugar, Francisco nos convida a fazer "este caminho juntos na esperança de uma promessa. A esperança que não engana, mensagem central do Jubileu, seja para nós o horizonte do caminho quaresmal rumo à vitória pascal. Como o Papa Bento XVI nos ensinou na Encíclica Spe salvi, «o ser humano necessita do amor incondicionado. Precisa daquela certeza que o faz exclamar: “Nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem o presente, nem o futuro, nem as potestades, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor”». Jesus, nosso amor e nossa esperança, ressuscitou e, vivo, reina glorioso. A morte foi transformada em vitória e aqui reside a fé e a grande esperança dos cristãos: na ressurreição de Cristo!"

"Eis o terceiro apelo à conversão: o da esperança, da confiança em Deus e na sua grande promessa, a vida eterna", escreve o Papa, convidando a nos perguntar: "Estou convicto de que Deus me perdoa os pecados? Ou comporto-me como se me pudesse salvar sozinho? Aspiro à salvação e peço a ajuda de Deus para a receber? Vivo concretamente a esperança que me ajuda a ler os acontecimentos da história e me impele a um compromisso com a justiça, a fraternidade, o cuidado da casa comum, garantindo que ninguém seja deixado para trás?"

Francisco conclui a mensagem, afirmando que "graças ao amor de Deus em Jesus Cristo, somos conservados na esperança que não engana. A esperança é “a âncora da alma”, inabalável e segura. Nela, a Igreja reza para que «todos os homens sejam salvos» e anseia estar na glória do céu, unida a Cristo, seu esposo. Que a Virgem Maria, Mãe da Esperança, interceda por nós e nos acompanhe no caminho quaresmal".

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quarta-feira, 26 de fevereiro de 2025

Catequese do Papa Francisco:

“farejar” a presença de Deus na pequenez

Impossibilitado de conduzir a Audiência Geral devido à internação hospitalar, o Papa Francisco disponibilizou o texto da catequese desta quarta-feira, 26 de fevereiro. No texto, o Pontífice desenvolve uma reflexão sobre a Apresentação de Jesus no Templo e convida a ser como Simeão e Ana, “peregrinos da esperança”, com olhos límpidos, capazes de ver além das aparências.

Sala Paulo VI durante uma Audiência Geral  (Vatican Media)

A catequese do Papa Francisco preparada para a Audiência Geral que estava prevista para esta quarta-feira, 26 de fevereiro, na Sala Paulo VI, mas cancelada por causa da internação do Pontífice no Hospital Agostino Gemelli, foi publicada pela Sala de Imprensa da Santa Sé. 

O texto dá continuidade ao ciclo de catequeses jubilar sobre "Jesus Cristo, nossa esperança: A infância de Jesus" com ênfase na Apresentação de Jesus no Templo.

Queridos irmãos e irmãs!

Hoje contemplamos a beleza de “Jesus Cristo, nossa esperança” (1 Tm 1,1) no mistério de sua apresentação no Templo.

Nos relatos da infância de Jesus, o evangelista Lucas nos mostra a obediência de Maria e José à Lei do Senhor e a todas as suas prescrições. Na realidade, em Israel não havia a obrigação de apresentar a criança no Templo, mas quem vivia da escuta da Palavra do Senhor e desejava conformar-se a ela, considerava essa prática preciosa. Foi o que fez Ana, mãe do profeta Samuel, que era estéril; Deus ouviu sua oração e, tendo tido seu filho, o levou ao templo e o ofereceu para sempre ao Senhor (cf. 1Sm 1,24-28).

Lucas narra, portanto, o primeiro ato de adoração de Jesus, um ato celebrado na cidade santa, Jerusalém, que será a meta de todo o seu ministério itinerante a partir do momento em que tomará a firme decisão de ir até lá (cf. Lucas 9,51), rumo ao cumprimento da sua missão.

Maria e José não se limitam a inserir Jesus numa história de família, de povo, de aliança com o Senhor Deus. Eles cuidam da sua proteção e do seu crescimento, e o introduzem na atmosfera da fé e do culto. E eles mesmos crescem gradualmente na compreensão de uma vocação que os supera em grande medida.

No Templo, que é “casa de oração” (Lc 19,46), o Espírito Santo fala ao coração de um homem idoso: Simeão, membro do povo santo de Deus, preparado para a espera e a esperança, que alimenta o desejo do cumprimento das promessas feitas por Deus a Israel por meio dos profetas. Simeão sente a presença do Ungido do Senhor no Templo, vê a luz que brilha no meio dos povos imersos “nas trevas” (cf. Is 9,1) e vai ao encontro daquele menino que, como profetiza Isaías, “nasceu para nós”, é o filho que “nos foi dado”, o “Príncipe da Paz” (Is 9,5). Simeão abraça aquele menino que, pequeno e indefeso, repousa em seus braços; mas é ele, na realidade, que encontra o consolo e a plenitude de sua existência ao abraçá-lo. Ele expressa isso num canto cheio de comovente gratidão, que na Igreja se tornou a oração do fim do dia:

«Agora, Senhor, deixai o vosso servo ir em paz, segundo a vossa palavra, porque os meus olhos viram a vossa salvação que preparastes diante de todos os povos: como luz para iluminar as nações e para a glória do vosso povo de Israel» (Lc 2,29-32).

Simeão canta a alegria de quem viu, de quem reconheceu e pode transmitir aos outros o encontro com o Salvador de Israel e dos gentios. Ele é testemunha da fé, que recebe como dom e comunica aos outros; ele é testemunha da esperança que não desilude; é testemunha do amor de Deus, que enche o coração do homem de alegria e paz. Cheio desta consolação espiritual, o idoso Simeão vê a morte não como o fim, mas como realização, como plenitude, ele a espera como uma “irmã” que não aniquila, mas introduz na verdadeira vida que ele já anteviu e na qual acredita.

Naquele dia, Simeão não é o único que vê a salvação que se fez carne no menino Jesus. O mesmo acontece com Ana, mulher com mais de oitenta anos, viúva, totalmente dedicada ao serviço no Templo e consagrada à oração. Com efeito, ao ver o menino Ana celebra o Deus de Israel, que redimiu o seu povo precisamente naquele menino, e conta-o aos outros, propagando generosamente a palavra profética. Assim, o cântico da redenção de dois anciãos liberta o anúncio do Jubileu para todo o povo e para o mundo. No Templo de Jerusalém reacende-se a esperança nos corações, porque nele entrou Cristo, nossa esperança!

Queridos irmãos e irmãs, imitemos também nós Simeão e Ana, “peregrinos da esperança” que têm olhos límpidos capazes de ver além das aparências, que sabem “farejar” a presença de Deus na pequenez, que conseguem receber com alegria a visita de Deus e reacender a esperança no coração dos irmãos e irmãs.

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terça-feira, 25 de fevereiro de 2025

Atente para essa verdade:

Sem diálogo e interação você não sobreviveria!

Pe. Zezinho, scj |||||||||||||||||||||||||||||||

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O que seria das nuvens sem as águas do mar?

O que seria dos rios sem as nuvens?

O que seria do mar sem as águas de todos os rios?

O que seria das praias, se o mar se recuasse?

O que seria das nascentes sem as águas das florestas?

O que seria das cidades sem o campo?

O que seria do campo sem as cidades?

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E há gente que vive rejeitando o diálogo religioso, social, político e familiar!

Sem os outros nem sequer estaríamos aqui para fazer oposição a quem quer que seja.

A vida consiste num gigantesco e continuado diálogo entre pequenos e grandes e entre desconhecidos que cruzam estradas e avenidas, entre estranhos e próximos.

Aqueles instrumentos que você tem na mão ou na cozinha foram fabricados num outro continente, mas o alumínio, o aço e o ferro foram extraídos aqui, importados pelos outros e voltaram para você usar na sua casa ou no seu carro!

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E você ainda acha que o diálogo é uma grande bobagem?

Talvez o bobalhão seja você que ainda não descobriu que você mesmo veio dos outros e até agora não sobreviveu sem os outros!

A água que você bebe na torneira foi beneficiada por vários desconhecidos. E você a bebe sem saber quem a purificou!… Se a bebesse do rio correria o risco de parar no hospital se não lhe acontecesse coisa pior!

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                                                                                   Fonte: facebook.com/padrezezinhoscj

Jornalista e biógrafo do Papa Francisco, Austen Ivereigh:

“Devemos estar pacientes, atentos e rezando sempre pelo Papa”

O jornalista e biógrafo do Papa Francisco, Austen Ivereigh, neste momento de preocupação com a saúde do Santo Padre, assinala vários aspetos que são legado deste pontificado, com especial destaque para a sinodalidade que promove uma cultura interna de fazer decisões através da participação dos fiéis.

Rui Saraiva – Portugal

Austen Ivereigh con Papa Francisco
Desde o passado dia 14 de fevereiro que as atenções mediáticas em todo o mundo passaram a olhar com insistência diária para o estado de saúde do Papa Francisco.

O Santo Padre regista uma “ligeira melhoria”, mas continua em “estado crítico” e com “prognóstico reservado”. Está internado no Policlínico Agostino Gemelli desde 14 de fevereiro, após uma nova crise asmática. A 18 de fevereiro, Francisco foi diagnosticado com uma pneumonia bilateral, na sequência de uma infeção polimicrobiana.

Oração e paciência

Na noite de 24 de fevereiro teve lugar na Praça de S. Pedro um momento de oração com a recitação do Terço, numa celebração que foi presidida pelo cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado do Vaticano e na qual estiveram presentes os cardeais residentes em Roma, juntamente com os colaboradores da Cúria Romana e da diocese de Roma. Uma oração que se repetirá nos próximos dias.

Também a “Conferência Episcopal Portuguesa acompanha, com esperança e confiança em Deus, a situação de maior fragilidade da saúde do Papa Francisco” pedindo “oração particular e comunitária”, revela nota de imprensa.

Neste contexto de grande preocupação com a saúde do Papa, o jornalista e biógrafo do Santo Padre, Austen Ivereigh, aceitou formular uma analise desta situação. O autor de títulos como “Francisco, o Grande Reformador” e “O Pastor Ferido”, considera que “a terapia necessária para o Papa requer tempo”. “Devemos estar pacientes, atentos e rezando sempre pelo Papa”, assinala.

“Esta terapia necessária para o Papa requer tempo, portanto, é uma questão de paciência. Houve aqui em Roma uma especulação sobre a possibilidade de uma renúncia, mas eu acho que é bastante claro que o Papa está a lutar pela sua vida e estas semanas serão chave neste sentido. E devemos estar pacientes, atentos e rezando sempre pelo Papa”, salienta.

Reforma da Cúria pela comunhão e serviço

É com confiança na recuperação do Santo Padre deste problema de saúde que Austen Ivereigh refere alguns aspetos do pontificado de Francisco, assinalando, desde logo, a reforma da Cúria Romana.

“Eu acho que a reforma da Cúria tem tido bom acolhimento e a prova disso é que os bispos quando vêm a Roma dizem que a forma como são tratados é muito diferente de há quinze anos. Os Dicastérios que têm sido reorganizados por Francisco têm outra cultura: eles escutam os bispos e há um respeito e um trato muito mais eclesial. Ou seja, o Vaticano não atua como se fosse a sede de uma multinacional corporativa, mas é mais um centro de comunhão e de serviço à Igreja. E as reformas concretas estruturais e financeiras também têm tido êxito, já não temos os escândalos que tivemos no passado, mas há sempre mais para se fazer”, declara.

Clareza sobre meio ambiente e migrações

O meio ambiente e as migrações são temas sociais aos quais o Papa Francisco tem dado destaque numa atitude profética, refere Ivereigh, assumindo a importância de que a Igreja tenha uma posição muito clara sobre estes dois desafios.

“O destaque social do Papa sobre as migrações e o meio ambiente tem sido profético, como estamos a ver com o nacional-populismo, que estes são os dois temas transcendentes do mundo e é muito importante que a Igreja tenha uma posição muito clara sobre estes dois desafios”, salienta.

Sinodalidade, conversão da cultura interna da Igreja

Ivereigh, afirma, em particular, que a sinodalidade, promovendo uma cultura interna de fazer decisões, através da consulta, do envolvimento e da participação dos fiéis, é o grande legado de Francisco.

“Sobre a Igreja em geral eu acho que o grande legado de Francisco será a sinodalidade. A sinodalidade é uma conversão da cultura interna da Igreja que vai requerer muito tempo. É uma conversão que vai recuperar uma cultura e modo de atuação que era característica da Igreja na época apostólica e primitiva. E que Francisco tem recuperado para esta época de uma forma muito profética. Acho que não é fácil esta conversão de cultura. Tem tido resistências, mas eu acho que vai ser muito importante num conclave futuro, na eleição do sucessor de Francisco. A continuação deste projeto vai ser muito importante, sobretudo como sinal neste tempo de exaltação do poder. É muito importante que a Igreja represente uma outra forma de ser, uma cultura interna, uma forma de tratar-se mutuamente e de fazer decisões, através da consulta, do envolvimento e da participação dos fiéis”, sustenta.

Liderar dando espaço ao outro

O biógrafo do Papa Francisco sublinha também o estilo de liderança do Santo Padre que dá espaço ao outro, escutando e acompanhando.

“Eu diria que a forma como Francisco tem liderado a Igreja e tem interagido com o mundo, com o estilo de dar espaço ao outro, de escutar, de acompanhar, toda esta forma de tratamento humano, para mim, é muito importante”.

Austen Ivereigh lançou esta semana o livro “Antes de tudo pertencer a Deus. Exercícios espirituais com o Papa Francisco”. Uma obra com prefácio do próprio Papa.

Continuemos em oração pela saúde do Santo Padre.

Laudetur Iesus Christus

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Papa nomeia bispo auxiliar um sacerdote próximo de nós,

Mons. Hiansen Vieira Franco

Do clero de Guaxupé (MG), vinculada à Província Eclesiástica de Pouso Alegre, pertencente ao Regional Leste 2 da CNBB, no Estado de Minas Gerais.

Monsenhor Hiansen Vieira Franco tem 53 anos e 20 anos de sacerdócio. Desde 2023, é reitor do Seminário da Diocese de Guaxupé (MG), colaborador nos finais de semana nas paróquias Sagrada Família e Santo Antônio, em Machado (MG), professor e diretor-geral adjunto da Faculdade Católica de Pouso Alegre (MG).

Monsenhor Hiansen Vieira Franco nasceu no dia 21 de maio de 1971, em Campestre (MG), Diocese de Guaxupé.

Estudos: cursou o Ensino Fundamental na Escola Municipal Campos, em Campestre (MG), e na Escola Estadual Professor José Félix em Potim (SP), o Ensino Médio na Escola Estadual Professora Paulina Cardoso, em Aparecida (SP). Após cursos de Filosofia e História na Universidade São Francisco de São Paulo (SP), obteve licenciatura plena em Filosofia e habilitou-se em História. Estudou Teologia no Instituto Teológico São José, em Pouso Alegre (MG). Na Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma, obteve licenciatura e doutorado em História da Igreja, de 2008 a 2014.

Foi ordenado presbítero no dia 3 de janeiro de 2004 para a Diocese de Guaxupé (MG). Após sua ordenação, ocupou os seguintes cargos:

Vigário paroquial da Paróquia São Sebastião, em Alpinópolis (MG), em 2004, administrador paroquial da Paróquia São Sebastião, em Areado (MG), de 2004 a 2005, reitor do Seminário da Diocese de Guaxupé, em Pouso Alegre (MG), de 2004 a 2008, vigário paroquial da Paróquia Nossa Senhora do Carmo, em Campestre (MG), de 2004 a 2008, e professor da Faculdade Católica de Pouso Alegre (MG), de 2004 a 2008.

No período de 2008 a 2014, estudou em Roma, onde fez Licenciatura e Doutorado em História da Igreja pela Pontifícia Universidade Gregoriana. Ao voltar, foi pároco da Paróquia Nossa Senhora Aparecida, em Poços de Caldas (MG), de 2015 a 2018, e pároco da Paróquia São Domingos, em Poços de Caldas (MG), de 2018 a 2023.

Desde 2015, é professor de História da Igreja e Patrologia da Faculdade Católica de Pouso Alegre (Facapa), em Pouso Alegre (MG).

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segunda-feira, 24 de fevereiro de 2025

Reflita com dom Paulo Mendes Peixoto:

Viver com sabedoria

Dom Paulo Peixoto

A sabedoria é um dom inerente ao ser da pessoa. Dom divino, mas muitos a transformam em dom do mal. Usam das habilidades para chegar a vantagens desonestas, sem medir as consequências para si e para a sociedade. O destino das virtudes pessoais é construir o bem, aquilo que favorece a coletividade. Os frutos devem ser positivos à comunidade e à sociedade dos humanos. 

É insensatez querer o bem-viver pelo caminho do mal. Isto significa desvio na história pessoal, porque ninguém nasceu para ir contra si mesmo, sacrificando a própria sabedoria. Todas as pessoas têm qualidades boas, munidas de grande potencial para construir o bem, mas também o mal, porque somos como “vasos de barro”. Assim sendo, não construir o bem é prejudicar os demais. 

A sabedoria é natural nas pessoas, mas pode ser fortalecida e cultivada na trajetória educacional, tanto no uso das tecnologias modernas como na convivência e envolvimento social. Sabedoria que vem do coração, de onde brotam coisas boas e ruins. As reações da mente, do raciocínio, são equalizadas pelos sentimentos, que vêm de dentro, do pulsar do coração, como diz o profeta Isaías (cf. Is 16,11). 

A vida humana é constituída e sustentada como fruto e ação da sabedoria divina. Ela tem princípio de eternidade, apesar dos limites que a acompanham na realidade temporal. Sua construção acontece, aos poucos, nos envolvimentos de existência na terra. Tem categoria e forma próprias, quando de sua intimidade com o Criador, que acontece no encontro pessoal com Jesus Cristo. 

O verdadeiro sábio e mestre é Jesus Cristo, aquele que ensina com verdadeira sabedoria os caminhos da vida, principalmente ao apresentar a via das bem-aventuranças do Evangelho. Para Jesus, uma pessoa, quando cega, mesmo com muita sabedoria e habilidade na forma de agir, também por sair coisas boas de sua boca e de seu coração, não consegue guiar uma outra pessoa cega, ao caminhar. 

O exercício e a realização da justiça devem ser reflexo de sadia sabedoria, que tem como objetivo primeiro, cumprir as exigências próprias da verdade e a construção do bem comum. A prática da injustiça também pode ser considerada como consequência de um tipo de sabedoria, que passa por caminhos errados e escusos, não aquela sabedoria divina, destinada ao viver com sabedoria.

Dom Paulo Mendes Peixoto - Arcebispo de Uberaba (MG)

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domingo, 23 de fevereiro de 2025

Cardeal Scherer:

pesquisa aponta
63% de católicos na região da arquidiocese de SP

E sem haver diferenciação entre aqueles do centro e da periferia da metrópole, complementa o arcebispo de São Paulo, dom Odilo Pedro Scherer, em entrevista à Rádio Vaticano - Vatican News. Os dados são de 2018, os mais atuais já divulgados, considerando que a pesquisa de caráter religioso do IBGE ainda não foi publicada. Uma "surpresa positiva" a estatística de 63% de católicos em SP, observa o cardeal.

A "presença inter-religiosa" no Brasil, afirmou o arcebispo de São Paulo, dom Odilo Pedro Scherer, em entrevista a Silvonei José da Rádio Vaticano - Vatican News, é crescente. Na capital paulista, por exemplo, a comunidade de judeus é formada por 80 mil pessoas, como acontece em outras cidade maiores do país, seguidos por muçulmanos, budistas e hinduístas, por exemplo, através dos imigrantes. Dom Odilo destacou inclusive a retomada das tradições religiosas de matriz africana por parte de muitos brasileiros que "tinham sido cristãos e vão voltando, pouco a pouco, a aderindo às religiões não cristãs". Então, o quadro religioso no Brasil "vai se diversificando. Uma vez era praticamente só cristão e só católico", explicou o cardeal Odilo, ao fazer referência aos dados de uma pesquisa de campo realizada com mais de 20 mil pessoas durante o primeiro Sínodo Arquidiocesano, promovido de 2017 a 2023.

Sínodo Arquidiocesano de São Paulo

Os sínodos diocesanos, que reúnem clérigos, consagrados e leigos, são iniciativas já consagradas na Igreja ao longo dos séculos e fazem uma grande avaliação da vida e ação evangelizadora e pastoral da Igreja local. Entre as atividades do Sínodo Arquidiocesano de São Paulo, no ano de 2018, estava a celebração nas paróquias e comunidades, quando foi realizada a pesquisa sobre a situação religiosa e pastoral da Igreja nas bases, ou seja, nas 295 paróquias territoriais.

Em 2018, 63% são católicos em SP

O arcebispo Odilo Scherer, que presidiu o Sínodo Arquidiocesano, explicou à Rádio Vaticano-Vatican News que essa pesquisa não foi feita pelo IBGE, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística que ainda não publicou as informações atuais de caráter religioso. "Ainda estamos à espera, porque ainda não se tem, de fato, os dados de 2020 do ponto de vista religioso", acrescentou o purpurado. A pesquisa arquidiocesana foi "organizada cientificamente e coordenada por técnicos da Pontifícia Universidade Católica":

"A pesquisa não foi feita nas igrejas, mas na rua, com orientação técnica de pesquisa social e batendo de porta em porta. Ao todo, foram respondidos quase 22 mil questionários de 112 perguntas. Entre os quais, pouco mais de 15 mil são questionários respondidos por católicos e outros quase 7 mil por não católicos. Os dados são muito reveladores. As perguntas sempre foram feitas no intuito de tentar conhecer a realidade objetiva e subjetiva de modo que as pessoas pudessem se expressar, por exemplo, sobre o motivo por que estão na Igreja ou por que abandonar a Igreja ou o que os atrai na Igreja ou o que falta na Igreja e, assim por diante, se batizam os filhos ou não ou por que não os batiza."

“No seu todo, essa pesquisa é muito reveladora sobre a situação religiosa na metrópole. Algumas surpresas positivas nós tivemos, por exemplo:  a estatística de que, em São Paulo, em 2018, ainda 63% da população da arquidiocese é católica.”

O arcebispo de São Paulo complementou que os dados da pesquisa não fazem diferenciação entre os católicos do centro e da periferia, porque "muitas vezes se diz que o centro é católico e a periferia não é católica. Não é verdade. Em São Paulo isso não se traduz concretamente. A periferia também é católica, não é que está toda entregue a outros grupos religiosos". A questão religiosa-social "não evolui matematicamente, é um fenômeno social que tem surpresas, que muda, que é dinâmico e não segue necessariamente a mesma lógica no correr do tempo", observou o cardeal.

Como é o acolhimento na Igreja católica?

A pesquisa também mostrou que - sempre em 2018 - "quase 20% dos que se diziam católicos, não tinham sido católicos em 2007, 10 anos antes". Esse dado, "impressionante e que precisa ser estudado", comentou o cardeal, foi revelado através de uma questão objetiva no questionário. O arcebispo também abordou sobre as motivações de se deixar a Igreja católica:

"Em geral, os católicos que deixam a Igreja não a deixam por questões doutrinais. Um pequeno grupo sim, mas a maioria não é por questões doutrinais, é muito mais por questões de relacionamento por quem representa a Igreja: com a paróquia, com o padre, com quem atende na paróquia, a maneira como são acolhidos ou não são acolhidos, como são atendidos ou não são atendidos. A atenção às pessoas nos momentos de dor e de dificuldade, quando as pessoas buscam e acabam não encontrando a resposta na Igreja católica, acabam buscando e recebendo em algum outro lugar e, naturalmente, passam para aquele outro lugar, aquela outra comunidade religiosa e deixam a Igreja católica, porque na Igreja católica acabaram não encontrando aquilo que precisavam. E, em outro lugar, encontraram. Então, mais uma vez, se questiona a nossa forma de fazer."

E o cardeal acrescentou: "as paróquias não podem se tornar espaços apenas burocráticos ou de consumo religioso", mas um espaço de manisfestação de proximidade, presença e acompanhamento da vida, como é da missão da Igreja. Esse acolhimento, observou ainda dom Odilo, deve acontecer nas bases, em cada diocese através da iniciativa do bispo e dos seus colaboradores e envolvendo as comunidades. Uma preocupação que também sempre volta a ser analisada durante as assembleias do episcopado brasileiro.

O batismo das crianças em SP

Além da relação das pessoas com a Igreja, a pesquisa também indagou sobre a participação nas iniciativas pastorais e caritativas, o modo como se informam sobre a Igreja e o acesso aos sacramentos. A respeito do Batismo, na pesquisa de 2018 "ficou claro que mais ou menos a metade das crianças que nascem em lares católicos já não são batizadas". O motivo? "Os pais já não vão à igreja e os filhos já não são batizados. Os pais não casaram na igreja, não praticam a fé e não batizam os filhos. Outra questão, de origem protestante, é esperar para decidir mais tarde se quer batizar, se quer ser batizado, se quer ir para uma outra outra religião. E essa é uma atitude cômoda", afirmou o cardeal, por isso "há muito que se trabalhar na motivação para que a fé seja transmitida em família e desde a primeira infância".

A esperança do Ano Jubilar

Ao finalizar a entrevista, o cardeal brasileiro compartilhou o desejo de que a proposta do Ano Jubilar "ajude a melhorar o nosso mundo e a nossa Igreja a partir da ótica da esperança". E "que aconteçam muitas conversões. Que muitas pessoas se reaproximem de Deus e da Igreja".

Silvonei Protz e Andressa Collet - Vatican News

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