sábado, 8 de julho de 2023

Arcebispo dom Víctor Manuel Fernández:

“Uma Pessoa nos salva, não uma doutrina"

Entrevista com o Arcebispo argentino de La Plata, Dom Víctor Manuel Fernández, que o Papa Francisco nomeou como novo Prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé: "Manter a fé certamente não exclui a vigilância; a fé pode ser salvaguardada sobretudo com o aumento da sua compreensão".

O arcebispo argentino Dom Víctor Manuel Fernández

Uma teologia que cresça e se aprofunde “no diálogo entre os teólogos e no entendimento com as ciências e a sociedade”. Mas sempre a serviço da evangelização. O Arcebispo de La Plata, Dom Víctor Manuel Fernández, considera que seja esta a tarefa que Francisco lhe confiou, como emerge da carta que o Bispo de Roma lhe enviou com sua nomeação para prefeito do Dicastério para a Doutrinada Fé. Dom Fernández é um estreito colaborador do Papa Bergoglio desde quando era arcebispo de Buenos Aires. Em uma conversa com a mídia vaticana, o novo Prefeito, que assume o cargo no próximo mês de setembro, fala sobre o significado de anunciar o Evangelho e manter a fé em nossos dias.

Dom Víctor, por que o Papa acompanhou a sua nomeação com uma carta? Qual seu significado?

Dom Víctor: “Sem dúvida, isso tem um significado importante. O Papa disse que, com o decreto de nomeação, ia me enviar uma carta para esclarecer o significado da minha missão. Nela, ele destaca pelo menos seis pontos fortes que me convidam à reflexão; mas, no meu parecer, acho que, com o seu conteúdo, ele quis de alguma forma  antecipar a aplicação da Constituição Apostólica ‘Praedicate Evangelium’. De fato, insiste para a Teologia possa amadurecer, crescer e se aprofundar no diálogo com os teólogos e no entendimento com a ciência e a sociedade. Mas tudo isso sempre a serviço da evangelização. Ele já havia transmitido esta mensagem ao colocar este Dicastério logo depois do da Evangelização. Porém, com a sua Carta, Francisco a torna ainda mais explícita; aliás, ele a confirma de modo mais evidente com a escolha de um teólogo e pároco como novo Prefeito Dicastério da Doutrina da Fé”.

O que significa hoje "manter" a fé?

Dom Víctor: “Francisco explica que a expressão 'manter a fé' é rica de significados. Certamente, não exclui a vigilância, mas afirma que a Doutrina da Fé deve ser salvaguardada, sobretudo, com o aumento da sua compreensão. Também uma situação, ao ter que enfrentar uma possível heresia, deveria contribuir para um novo desenvolvimento teológico, que leve a amadurecer a compreensão da doutrina: eis a melhor maneira de manter a fé! Se o Jansenismo, por exemplo, pôde persistir por tanto tempo, é porque houve apenas condenações, sem dar nenhuma resposta a certas intenções legítimas, que poderiam se ocultar atrás dos erros, e sem nenhum desenvolvimento teológico adequado na época”.

Como anunciar o Evangelho e transmitir a fé em contextos cada vez mais secularizados das nossas sociedades?

Dom Víctor: “Buscando mostrar sempre e melhor toda a beleza e atração da mensagem evangélica, sem a desfigurar e contagiar com critérios mundanos; deve-se sempre encontrar um ponto de contato, que a permita ser verdadeiramente significativa, eloquente, preciosa para quem a recebe. Sem o diálogo com a cultura, corremos o risco de tornar a nossa mensagem irrelevante, por mais bela que seja. Por isso, sou muito grato pelo tempo que passei como membro do Pontifício Conselho para a Cultura, onde pude conhecer, mais profundamente, o coração do Cardeal Gianfranco Ravasi”.

Qual o significado e a atualidade das palavras de Bento XVI no prólogo da sua encíclica Deus caritas est: "O início do ser cristão não parte de uma decisão ética ou de uma grande doutrina, mas do encontro com um acontecimento, com uma Pessoa, que dá origem a um novo horizonte e, com ele, a direção decisiva”?

Dom Víctor: “É muito oportuno recordar estas palavras em nossos dias. Nenhuma doutrina religiosa mudou o mundo, a não ser mediante um acontecimento de fé, um encontro que dá uma nova orientação à vida. Isso não vale apenas para o cristianismo, mas pode ser constatado na história das religiões, como, por exemplo, a crise do hinduísmo e sua posterior renovação com os hinos a Krishna e em tantas outras ocasiões. Sem a experiência do Cristo vivo, que ama e salva, não podemos moldar nosso ‘ser cristão’; brigar ou discutir com todos não ajuda a amadurecer seu desenvolvimento nas pessoas. Esta frase de Bento XVI convida-nos a desenvolver uma teologia sólida e bem consolidada, cada vez mais orientada a esta finalidade”.

ANDREA TORNIELLI

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Reflexão para

o XIV Domingo do Tempo Comum

A mensagem evangélica da liturgia deste domingo nos fala do benefício fundamental que é para nós a presença do Espírito ao nos provocar a opção pela vida e nos impedir a acomodação.

A primeira leitura nos fala de um legítimo rei da dinastia de Davi. Montado em um jumento e com atitudes pacifistas, o rei de Sião terá um reino imenso que de tão grande se estenderá até os confins da terra. Esse rei é humilde e pacificador e manifesta seu poder comunicando justiça e paz a todas as nações.

Ele não só tem essa atitude positiva, mas também destrói tudo aquilo que é sinal de morte para os povos. Assim, ele possibilita a existência da paz.

Ora, a leitura desse texto nos recorda a liturgia do Domingo de Ramos e já podemos deduzir que esse rei da paz é Jesus, o Príncipe da Paz, legítimo descendente de Davi como nos relata a liturgia do Advento. 

No Evangelho vemos Jesus sentindo que sua missão pacifista desagrada os doutores da Lei, os letrados e as pessoas importantes, mas causa interesse aos pobres e marginalizados, diz “Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e doutores e as revelaste aos pequeninos.” (Mt 11, 25b)

Fazemos a constatação do que vemos sempre: os instalados não precisam, não querem mudanças e até a proíbem, enquanto os marginalizados, que sentem desconforto e suas necessidades insaciadas, almejam a mudança da situação, querem justiça, querem o necessário para viver dignamente.

Nisso tudo é denunciado o perigo extremo de não sentir-se necessitado de Deus e de aos poucos tornar-se materialista.

O trecho do Evangelho termina com o convite de Jesus aos que se sentem marcados, injustiçados pela sociedade materialista, repleta de pessoas egocêntricas e muito bem instaladas na cultura da morte. Ao mesmo tempo, o Senhor fala que fazer parte da Civilização do Amor, de seus seguidores, traz um peso, uma responsabilidade, mas que eles são suaves porque são provocados pelo amor, pela descentralização de si, pelo sair de seu comodismo, de desinstalar-se par ir ao outro, para servir.

Finalmente, São Paulo em sua Carta aos Romanos, nos diz que vivemos segundo o espírito e não segundo a carne, pois pertencemos a Cristo e o Espírito de Deus mora em nós. Esse Espírito foi o que ressuscitou Jesus, eliminando tudo o que conduz a criação à injustiça e à morte.

Portanto, a mensagem evangélica da liturgia deste domingo nos fala do benefício fundamental que é para nós a presença do Espírito ao nos provocar a opção pela vida e nos impedir a acomodação.

Será um momento muito importante para nossa vida de cristão, fazermos uma reflexão em que nos perguntemos: de que lado me encontro? Dos acomodados e que não sentem necessidade de mudanças profundas? Ou do lado dos marginalizados, dos inconformados, dos que anseiam pelo Senhor como “terra sedenta e sem água”, como nos fala o Sl 62, 2?

Padre Cesar Augusto, SJ – Vatican News

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sexta-feira, 7 de julho de 2023

14º Domingo do Tempo Comum:

Leituras e Reflexão
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1ª Leitura: Zc 9,9-10

Leitura da Profecia de Zacarias:

Assim diz o Senhor: “Exulta, cidade de Sião! Rejubila, cidade de Jerusalém! Eis que vem teu rei ao teu encontro; ele é justo, ele salva; é humilde e vem montado num jumento, um potro, cria da jumenta.

Eliminará os carros de Efraim, os cavalos de Jerusalém; ele quebrará o arco de guerreiro, anunciará a paz às nações. Seu domínio se estenderá de um mar a outro mar, e desde o rio até os confins da terra”.

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Responsório: Sl 144(145)

- Bendirei, eternamente, vosso nome, ó Senhor!

- Bendirei, eternamente, vosso nome, ó Senhor!

- Ó meu Deus, quero exaltar-vos, ó meu Rei, e bendizer o vosso nome pelos séculos. Todos os dias haverei de bendizer-vos, hei de louvar o vosso nome para sempre.

- Misericórdia e piedade é o Senhor, ele é amor, é paciência, é compaixão. O Senhor é muito bom para com todos, sua ternura abraça toda criatura.

- Que vossas obras, ó Senhor, vos glorifiquem, e os vossos santos com louvores vos bendigam! Narrem a glória e o esplendor do vosso reino e saibam proclamar vosso poder!

- O Senhor é amor fiel em sua palavra, é santidade em toda obra que ele faz. Ele sustenta todo aquele que vacila e levanta todo aquele que tombou.

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2ª Leitura: Rm 8,9.11-13

Leitura da Carta de São Paulo aos Romanos:

Irmãos: Vós não viveis segundo a carne, mas segundo o espírito, se realmente o Espírito de Deus mora em vós. Se alguém não tem o Espírito de Cristo, não pertence a Cristo.

E, se o Espírito daquele que ressuscitou Jesus dentre os mortos mora em vós, então aquele que ressuscitou Jesus Cristo dentre os mortos vivificará também vossos corpos mortais por meio do seu Espírito que mora em vós.

Portanto, irmãos, temos uma dívida, mas não para com a carne, para vivermos segundo a carne. Pois, se viverdes segundo a carne, morrereis, mas se, pelo Espírito, matardes o procedimento carnal, então vivereis.

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Evangelho: Mt 11,25-30

Proclamação do Evangelho de São Mateus:

Naquele tempo, Jesus pôs-se a dizer: “Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado.

Tudo me foi entregue por meu Pai, e ninguém conhece o Filho, senão o Pai, e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar.

Vinde a mim, todos vós, que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e eu vos darei descanso. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e vós encontrareis descanso. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.

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Reflexão do padre Johan Konings:

Jesus, a violência e a mansidão

Percebe-se a violência crescente no mundo. O terrorismo acorda nas pessoas a vontade de responder com violência. Está certo usar de violência para enfrentar a violência? Conforme o plano de Deus, não. Seu enviado é o mestre “manso” e humilde, cujo “jugo” é suave. O evangelho ensina a revelação da mansidão de Jesus aos pequeninos e mansos, os não-violentos. A pregação de Jesus provoca opção a favor ou contra. Contra ele optam as ambiciosas cidades da Galileia (cf. Mt 11,20-24). A favor, os humildes que escutam sua palavra e a põem em prática (Mt 11,25-30). Os que recebem sua revelação, não os que estão cheios de si, vão conhecer o interior de Jesus. Jesus é o mestre dos humildes, porque ele é, no sentido bíblico, manso, não opressor. E assim é também sua doutrina.

O profeta Zacarias já sabia que o Messias não poderia ser um rei violento e opressor (1ª leitura). Essa expectativa, Jesus a realizou de modo surpreendente. A missão do Messias não se realiza pela violência e pela opressão, mas pela mansidão de um pedagogo, que deixa penetrar, nos humildes, gota por gota, o espírito de amor e solidariedade, que faz crescer o verdadeiro Reino de Deus. Por isso, o mistério de Deus e de seu Filho se manifesta no coração dos humildes, enquanto os poderosos o rejeitam.

Jesus convida os “cansados”. Eles são muitos entre nós hoje. Os que já não aguentam o arrocho salarial, a subnutrição, a degradação da vida social e pública, a violência econômica, a exclusão em todas as suas formas. Será que Jesus tem uma solução para esses “cansados”? Contrariamente à pretensa “lei natural” do poder do mais forte, a comunidade de amor e solidariedade lhes oferece, mais e melhor do que o consumismo da tevê e dos shopping-centers, aquilo que os torna realmente felizes: valorização fraterna, sustento mútuo e, sobretudo, a certeza de “estar na linha de Deus”.

Aos cristãos cabe conscientizar o povo – pobres e ricos – de que a mera força e opressão não resolvem nada, mas afastam as pessoas do espírito de Cristo. E perguntemos: em nossas comunidades, existe verdadeira “mansidão”ou, pelo contrário, reinam práticas opressoras? Aplicarmos uma “pedagogia da mansidão”, deixando a grama crescer no chão em vez de puxá-la para fazer crescê-la mais rápido?

Jesus veio como libertador manso e humilde, não como revolucionário armado, porque o reino do amor fraterno não pode ser implantado pela violência, mas somente pela convicção interior. Essa é sua resposta ao poder da força, contra o qual o pequeno não pode resistir quando se quer medir com ele no mesmo nível.

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PE. JOHAN KONINGS nasceu na Bélgica em 1941, onde se tornou Doutor em Teologia pela Universidade Católica de Lovaina, ligado ao Colégio para a América Latina (Fidei Donum). Veio ao Brasil, como sacerdote diocesano, em 1972. Em 1985 entrou na Companhia de Jesus (Jesuítas) e, desde 1986, atuou como professor de exegese bíblica na FAJE, Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Faleceu no dia 21 de maio de 2022. Este comentário é do livro “Liturgia Dominical, Editora Vozes.

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Reflexão em vídeo de Frei Gustavo Medella:

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Reflexão/banner: franciscanos.org.br Banner: Fr. Fábio M. Vasconcelos Imagem: vaticannews.va

quinta-feira, 6 de julho de 2023

Conheça os santos cujas relíquias foram introduzidas há cem anos

no altar-mor da Matriz de São José 

São Januário (San Gennaro)

A esse santo é atribuído o “milagre do sangue de São Januário”, ou Gennaro, como é o seu nome na língua italiana. Durante a sua festa, no dia 19 de setembro, sua imagem é exposta à imensa população de fiéis. Por várias vezes, na ocasião a relíquia do seu sangue se liquefaz, adquirindo de novo a aparência de recém-derramado e a coloração vermelha. A primeira vez, devidamente registrada e desde então amplamente documentada, ocorreu na festa de 1389. A última vez foi em 1988.

O mais incrível é que a ciência já tentou, mas ainda não conseguiu chegar a alguma conclusão de como o sangue, depositado num vidro em estado sólido, de repente se torna líquido, mudando a cor, consistência, e até mesmo duplicando seu peso. Assim, segue, através dos séculos, a liquefação do sangue de São Januário como um mistério que só mesmo a fé consegue entender e explicar.

Por isso o povo de Nápoles e todos os católicos devotam enorme veneração por São Januário. Até a história dessa linda cidade italiana, cravada ao pé da montanha do Vesúvio, confunde-se com a devoção dedicada a ele, que os protege das pestes e das erupções do referido vulcão. Na verdade, ela se torna a própria história deste santo que, segundo os atos do Vaticano, era napolitano de origem e viveu no fim do século III. Considerado um homem bom, caridoso e zeloso com as coisas da fé, foi eleito bispo de Benevento, uma cidade situada a setenta quilômetros da sua cidade natal. Era uma época em que os inimigos do cristianismo submetiam os cristãos a testemunharem sua fé por meio dos terríveis martírios seguidos de morte.

No ano 304, o imperador romano Diocleciano desencadeou a última e também a mais violenta perseguição contra a Igreja. O bispo Januário foi preso com mais alguns membros do clero, sendo todos julgados e sentenciados à morte num espetáculo público no Circo. Sua execução era para ser um verdadeiro evento macabro, pois seriam jogados aos leões para que fossem devorados aos olhos do povo chamado para assistir. Porém, a exemplo do que aconteceu com o profeta Daniel, as feras tornaram-se mansas e não lhes fizeram mal. O imperador determinou, então, que fossem todos degolados ali mesmo. Era o dia 19 de setembro de 305.

Alguns cristãos, piedosamente, recolheram em duas ampolas o sangue do bispo Januário e o guardaram como a preciosa relíquia que viria a ser um dos mais misteriosos e incríveis milagres da Igreja Católica. São Januário é venerado desde o século V, mas sua confirmação canônica veio somente por meio do papa Sixto V em 1586.

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São Justino

São Justino,  filósofo e mártir, é o mais importante dos padres apologetas do século II. A palavra «apologeta» faz referência a esses antigos escritores cristãos que se propunham defender a nossa religião das graves acusações dos pagãos e dos judeus, e difundir a doutrina cristã de uma maneira adaptada à cultura de seu tempo. Deste modo, entre os apologetas se dá uma dupla inquietude: a propriamente apologética, defender o cristianismo nascente («apologia» em grego significa precisamente «defesa»); e a de proposição «missionária», que busca expor os conteúdos da fé em uma linguagem e com categorias de pensamento compreensíveis aos contemporâneos.

Justino havia nascido ao redor do ano 100, na antiga Siquém, em Samaria, na Terra Santa; buscou a verdade durante muito tempo, peregrinando pelas diferentes escolas da tradição filosófica grega. Por último, como ele mesmo conta nos primeiros capítulos de seu «Diálogo com Trifon», misterioso personagem, um ancião com o qual se havia encontrado na praia do mar, primeiro entrou em crise, ao demonstrar-lhe a incapacidade do homem para satisfazer unicamente com suas forças a aspiração ao divino. Depois lhe indicou nos antigos profetas as pessoas às quais tinha de dirigir-se para encontrar o caminho de Deus e a «verdadeira filosofia». Ao despedir-se, o ancião lhe exortou à oração para que lhe fossem abertas as portas da luz.

A narração simboliza o episódio crucial da vida de Justino: ao final de um longo caminho filosófico de busca da verdade, chegou à fé cristã. Fundou uma escola em Roma, onde iniciava gratuitamente os alunos na nova religião, considerada como a verdadeira filosofia. Nela, de fato, havia encontrado a verdade e, portanto, a arte de viver de maneira reta. Por este motivo, foi denunciado e foi decapitado por volta do ano 165, sob o reinado de Marco Aurélio, o imperador filósofo a quem Justino havia dirigido sua «Apologia».

As duas «Apologias» e o «Diálogo com o judeu Trifon» são as únicas obras que nos restam dele.  Em seu conjunto, a figura e a obra de Justino marcam a decidida opção da Igreja antiga pela filosofia, pela razão, ao invés da religião dos pagãos. Com a religião pagã, de fato, os primeiros cristãos rejeitaram acirradamente todo compromisso. Eles a consideravam como uma idolatria, até o ponto de correr o risco de ser acusados de «impiedade» e de «ateísmo». Em particular, Justino, especialmente em sua «Primeira Apologia», fez uma crítica implacável da religião pagã e de seus mitos, por considerá-los como «desorientações» diabólicas no caminho da verdade.

A filosofia representou, contudo, a área privilegiada do encontro entre paganismo, judaísmo e cristianismo, precisamente no âmbito da crítica à religião pagã e a seus falsos mitos. «Nossa filosofia…»: com estas palavras explícitas, chegou a definir a nova religião outro apologeta contemporâneo a Justino, o bispo Meliton de Sardes («História Eclesiástica», 4, 26, 7).

De fato, a religião pagã não seguia os caminhos do «Logos», mas se empenhava em seguir os do mito, apesar de que este era reconhecido pela filosofia grega como carente de consistência na verdade. Por este motivo, o ocaso da religião pagã era inevitável: era a lógica consequência do afastamento da religião da verdade do ser, reduzida a um conjunto artificial de cerimônias, convenções e costumes.

Justino, e com ele outros apologetas, firmaram a tomada de posição clara da fé cristã pelo Deus dos filósofos contra os falsos deuses da religião pagã. Era a opção pela verdade do ser contra o mito do costume. Algumas décadas depois de Justino, Tertuliano definiu a mesma opção dos cristãos com uma sentença lapidária que sempre é válida: «Dominus noster Christus veritatem se, non consuetudinem, cognominavit — Cristo afirmou que era a verdade, não o costume» («De virgin. Vel». 1,1).

Nesse sentido, deve-se levar em conta que o termo «consuetudo», que utiliza Tertuliano para fazer referência à religião pagã, pode ser traduzido nos idiomas modernos com as expressões «moda cultural», «moda do momento».

Em uma época como a nossa, caracterizada pelo relativismo no debate sobre os valores e sobre a religião — assim como no diálogo inter-religioso –, esta é uma lição que não se deve esquecer. Com este objetivo, e assim concluo, volto a apresentar-vos as últimas palavras do misterioso ancião, que se encontrou com o filósofo Justino na margem do mar: «Reza, antes de tudo, para que te sejam abertas as portas da luz, pois ninguém pode ver nem compreender, se Deus e seu Cristo não lhe concedem a compreensão» («Diálogo com Trifon» 7, 3).

Fonte: Catequese do Papa Bento XVI

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São Severino

No século V o império romano do Ocidente foi progressivamente submerso pelos invasores germânicos: visigodos, ostrogodos, vândalos, suevos, bargúndios, alamanos e francos. Na devastação geral só as autoridades cristãs constituíam ponto seguro para a sobrevivência. Esse é o contexto histórico em que se inserem a figura e a obra de São Severino, o apóstolo da Nórica.

É muito fácil seguir os passos de Severino nesta trilha de destruição. Em 454, estava nos confins da Nórica e da Pomonia onde, estabelecido às margens do rio Danúbio, na Áustria, além de acolher a população ameaçada usava o local como ponto estratégico para pregar entre os bárbaros pagãos. Já no ano seguinte estava em Melk e no mesmo ano em Ostembur, onde se fixou numa choupana para se entregar também à penitência.

Esse seu ministério apostólico itinerante frutificou em várias cidades, com a fundação de inúmeros mosteiros. Como possuía o dom da profecia, avisou com antecedência várias comunidades sobre sua futura destruição, acertando as datas com exatidão. Temos, por exemplo, o caso dos habitantes de Asturis, aos quais profetizou a morte pelas mãos de Átila, o rei dos hunos que habitavam a Hungria. O povo além de não lhe dar ouvidos considerou o fato com ironia e gozação, mas tombou logo depois de Severino ter deixado o local. Sim, a cidade foi destruída e todos os habitantes assassinados.

Dali ele partiu para Comagaris e, sem o menor receio de perder a vida, chegou até Comagene, já dominada pelos dos inimigos. Lá, acolheu e socorreu os aflitos, ganhando o respeito inclusive dos próprios invasores, a começar pelos chefes dos guerreiros. Sua história registra também incontáveis prodígios e graças operadas na humildade e na pobreza constantes.

Severino predisse até a data exata da própria morte, avisando também sobre a futura expulsão de sua Ordem da região do Danúbio. Morreu no dia 08 de janeiro de 482 pronunciando a última frase do último salmo da Bíblia , (o 150): “Todo ser que tem vida, a deve ao Senhor”.

Segundo o seu biógrafo e discípulo Eugípio, Santo Severino teria nascido no ano 410, na capital do mundo de então, ou seja na cidade de Roma e pertencia a uma família nobre e rica. Era um homem de fino trato, que falava o latim com perfeição, profundamente humilde, pobre e caridoso. Também possuía os dons do conselho, da profecia e da cura, os quais garantiu e manteve até o final de sua vida graças às longas penitências e preces que fazia ao Santíssimo Espírito Santo e ao cumprimento estrito dos votos feitos ao seguir a vocação sacerdotal.

Especialmente venerado na Áustria e Alemanha, hoje, a urna mortuária de Santo Severino se encontra na igreja dos beneditinos em Nápoles, na Itália.

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                                                                                                             Fonte: franciscanos.org.br

Papa Francisco:

dom Claudio se tornou uma voz profética

Realizou-se na última segunda-feira (4) a segunda sessão da Cátedra Cardeal Claudio Hummes, na Universidade da Amazônia. O momento marcou o primeiro ano da páscoa do cardeal. A mensagem do Papa.

O Programa Universidade da Amazônia (PUAM) e o Instituto para o Diálogo Global e a Cultura do Encontro (IDGCE), em parceria com o Conselho Episcopal Latino-Americano e do Caribe (Celam), da Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA), da Associação das Universidades Confiadas à Companhia de Jesus na América Latina (AUSJAL), da Cáritas América Latina e Caribe, da Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM) e da Confederação Latino-Americana de Religiosos (CLAR), realizaram na última segunda-feira (4) a segunda sessão da Cátedra Cardeal Claudio Hummes. O momento marcou o primeiro ano da páscoa do cardeal. 

A sessão reuniu pessoas de todos os cantos do Brasil e de diferentes países para fazer memória e celebrar os pensamentos, as obras, a missão e o legado de dom Cláudio Hummes. Participaram do momento, a secretaria executiva da REPAM-Brasil, Irmã Maria Irene Lopes, o presidente da CEAMA, cardeal Pedro Barreto, o diretor da PUAM, Mauricio López, a vice-presidenta da REPAM, Yésica Patiachi, e o fundados de IDGCE, Luis Liberman.  

O Papa Francisco não poderia deixar de registrar esse fato. Ele enviou uma carta na qual expressou sua proximidade e assegurou que "há um ano dom Claudio deixou de ser uma presença física para se tornar uma voz profética que nos lembra a cada passo que nosso compromisso é com os pobres, sempre e inexoravelmente".

"Penso muito nele”, escreveu o Papa. “Sua participação fraterna no Conclave e sua liderança serena no Sínodo da Amazônia. Seu pensamento e seu legado são um testemunho vivo da luta pelo direito à história, à identidade e à realização dos povos indígenas da América Latina", acrescentou.

O Santo Padre encorajou que a Cátedra Dom Cláudio Hummes "deve se multiplicar e servir como uma semente para que esse pensamento vivo se espalhe em ações concretas. Deve ser um rio de esperança que faça dos sonhos amazônicos uma pedagogia que converge com a ecologia integral e o pleno desenvolvimento da humanidade".

Celebrar a vida e missão de dom Cláudio

A secretaria executiva da Rede, Irmã Maria Irene Lopes, destacou a importância de celebrar a vida e a missão de dom Cláudio e o que aprendeu com ele “reconhecer a beleza e toda a Graça que recebemos de Deus por meio da Criação”. 

“Primeiro dizer que Dom Cláudio, como carinhosamente o tratávamos, nos deixou, na perspectiva da memória, um jeito diferente de pensar, agir, cuidar e nos relacionar com a Amazônia e seus povos. Seu jeito carinhoso e atento a tudo e a todos nos inspira na missão que desenvolvemos todos os dias. Seja na REPAM ou na Comissão para a Amazônia, aqui na CNBB, no Brasil, trago comigo o sentido de urgência: o povo tem pressa e não pode esperar. A Amazônia e toda a criação exigem de nós uma postura de reverência e cuidado. Assim como sinalizado no Sonho Ecológico do Papa Francisco, na Querida Amazônia, aprendemos com dom Cláudio a reconhecer a beleza e toda a Graça que recebemos de Deus por meio da Criação, em nossa Casa Comum, e nossa relação de cuidado e defesa tem que ser feita no aqui e agora, sem demora”, afirmou. 

Irmã Irene ressaltou ainda os aprendizados e o legado deixado pelo cardeal. “Com ele e por ele temos um imperativo de olhar e nos relacionar com a criação de forma diferente, com ousadia e criatividade. Ele, mesmo diante das maiores adversidades, institucionais ou de saúde, soube buscar formas diferentes de cuidar das pessoas, da Igreja e da missão”.  

“Nesse sentido, em nossas andanças pela Amazônia, nos sentamos ao lado de tantas comunidades e com elas muito aprendemos. Com dom Cláudio aprendi a valorizar, ainda mais, a importância da sabedoria ancestral e o conhecimento dos povos originários. Avançar para novas perspectivas de cuidado e relacionamento com a criação nada mais é do que resgatar para toda a sociedade práticas e atitudes que os povos da Amazônia cotidianamente realizam para com ela”, ressaltou a secretaria executiva.  

Memória 

O dardeal Claudio Hummes foi fundamental para a presença e acompanhamento da Igreja Católica nos processos de efetivação e promoção dos direitos humanos e da natureza na Pan-Amazônia. Processos que são frutos da articulação da REPAM, que culminaram na preparação e condução do Sínodo da Amazônia e na criação de um órgão eclesial para a Amazônia (CEAMA), do qual foi o primeiro presidente. 

A visão de dom Cláudio da educação como ferramenta para a transformação das realidades levou-o a promover o Programa Universidade da Amazônia (PUAM) incentivando esse espaço a ser um instrumento de serviço ao território por meio do desenho de metodologias de educação, inspiradas e adaptadas à cultura e aos saberes dos diversos povos e comunidades presentes no território amazônico. 

Também inspirou o Instituto para o Diálogo Global e a Cultura do Encontro a promover o Programa Internacional de Esperança, criado como uma “proposta de ação coletivo com impacto territorial ligada aos direitos humanos no marco de uma ecologia integral e de um bem viver para um futuro possível para todos”. 

Com informações da REPAM

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quarta-feira, 5 de julho de 2023

Papa Francisco institui

a Comissão dos Novos Mártires, testemunhas da fé

Em vista do Jubileu de 2025, Francisco decidiu criar um grupo de trabalho no Dicastério das Causas dos Santos para elaborar um catálogo de todos aqueles que derramaram seu sangue para confessar Cristo no último quarto de século: "Não podemos esquecê-los". Uma busca estendida a todas as denominações cristãs e não apenas aos católicos.

Em uma Carta divulgada na quarta-feira, 5 de julho, o Papa Francisco instituiu a "Comissão dos Novos Mártires - Testemunhas da Fé" no Dicastério das Causas dos Santos, em vista do Jubileu de 2025. O objetivo do grupo de trabalho será elaborar um Catálogo de todos aqueles que derramaram seu sangue para confessar Cristo e dar testemunho do Evangelho.

"Os mártires da Igreja - escreve Francisco - são testemunhas da esperança que vem da fé em Cristo e incita à verdadeira caridade. A esperança mantém viva a profunda convicção de que o bem é mais forte que o mal, porque Deus em Cristo venceu o pecado e a morte". A Comissão continuará a busca, já iniciada por ocasião do Grande Jubileu de 2000, para identificar as Testemunhas da Fé neste primeiro quarto do século e para continuar no futuro.

"Os mártires - explica Francisco - acompanharam a vida da Igreja em todas as épocas e florescem como 'frutos maduros e excelentes da vinha do Senhor' ainda hoje... Os mártires são mais numerosos em nosso tempo do que nos primeiros séculos: são bispos, sacerdotes, consagrados e consagradas, leigos e famílias que, nos diversos países do mundo, com o dom de suas vidas, ofereceram a prova suprema da caridade". São João Paulo II já havia declarado em sua Carta Tertio millennio adveniente que tudo deve ser feito para assegurar que o legado dos "soldados desconhecidos da grande causa de Deus" não se perca. E em 7 de maio de 2000, esses mesmos mártires foram recordados durante uma celebração ecumênica, que reuniu no Coliseu, junto com o Bispo de Roma, representantes de Igrejas e comunidades eclesiais do mundo inteiro.

É o que Francisco tem repetidamente chamado de "ecumenismo de sangue". "Também no próximo Jubileu - acrescenta o Papa - estaremos unidos para uma celebração semelhante. Com esta iniciativa, não pretendemos estabelecer novos critérios para a constatação canônica do martírio, mas continuar o levantamento iniciado daqueles que, até hoje, continuam a ser mortos simplesmente por serem cristãos". "Trata-se, portanto, de continuar - explica o Pontífice - o reconhecimento histórico para recolher os testemunhos de vida, até o derramamento de sangue, dessas nossas irmãs e esses nossos irmãos, para que sua memória se destaque como um tesouro que a comunidade cristã salvaguarda. A pesquisa não se referirá apenas à Igreja católica, mas se estenderá a todas as denominações cristãs".

"Mesmo nestes nossos tempos – lê-se mais adiante na Carta de Francisco - em que estamos testemunhando uma mudança de época, os cristãos continuam mostrando, em contextos de grande risco, a vitalidade do Batismo que nos une. Não são poucos, de fato, aqueles que, mesmo sabendo dos perigos que enfrentam, manifestam sua fé ou participam da Eucaristia dominical. Outros são mortos em seus esforços para ajudar na caridade a vida dos pobres, para cuidar daqueles que são descartados pela sociedade, para valorizar e promover o dom da paz e o poder do perdão. Outros, ainda, são vítimas silenciosas, individualmente ou em grupos, das agitações da história. Com todos eles temos uma grande dívida e não podemos esquecê-los".

O trabalho da Comissão possibilitará, portanto, colocar lado a lado com os mártires, oficialmente reconhecidos pela Igreja, os testemunhos documentados - e são muitos, observa o Pontífice - desses "nossos irmãos e irmãs, dentro de um vasto panorama no qual ressoa a voz única da martyria dos cristãos".  A Comissão terá que se valer da "contribuição ativa" das Igrejas particulares, dos institutos religiosos e de todas as outras realidades cristãs.

"Em um mundo onde, às vezes, parece que o mal prevalece - conclui Francisco - estou certo de que a elaboração deste Catálogo, também no contexto do iminente Jubileu, ajudará os fiéis a ler também o nosso tempo à luz da Páscoa, haurindo do tesouro de uma fidelidade tão generosa a Cristo as razões da vida e do bem".

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terça-feira, 4 de julho de 2023

Oportuna reflexão do padre Zezinho:

A FILA DOS FAMINTOS

||||||||||. Pe Zezinho scj |||||||||||||

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Não fotografei porque seria humilhá-los!

Mas, se vc não viu, eu vi e vejo sempre. É uma fila que dobra a esquina! São pais e mães de famílias, avôs e avós que, desempregados, não têm dinheiro suficiente para comprar uma refeição por dia!

Então, o governo federal, o estadual e o municipal assumem a tarefa de alimentar estes brasileiros sem recursos!

Passo perto deles a partir das dez horas da manhã e vejo-os de pé, enfrentado chuvisco ou chuva forte, sol a pino, tudo para conseguir sua refeição diária, para si ou para a família.

Sou padre católico e sigo a DSI (Doutrina Social da Igreja) que ensina que governos e igrejas que não suprem este mínimo recurso aos cidadãos, fazem política ou religião errada.

Cantei isso há quase cinquenta anos na canção POR UM PEDAÇO DE PÃO. E houve quem me censurasse pela expressão:

VEJO ESTE MUNDO MALDITO POR NÃO PARTILHAR …

Mas continuo assinando em baixo disto. Se numa cidade, nem governo federal, estadual, municipal e igrejas não resolvem isso, benditos é que este povo não é!

A eucaristia que se celebra todos os dias, de manhã à noite, nos ensina que nosso pão e nosso vinho e nossos pratos de comida não pertencem apenas à nossa Igreja, nossa casa, nosso bairro, e nossa cidade…

Um destes pratos e um destes copos pertence a quem não tem como comprar sua refeição do dia!

Estou ou não estou certo? Alguém que crê em Jesus ousaria discordar disso? …

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                                                                                        Fonte: facebook.com/padrezezinhoscj