quinta-feira, 1 de setembro de 2022

Papa Francisco:

a liturgia não é coisa de museu, está viva

Ao receber os membros da Associação italiana de Professores e Cultores de Liturgia, Francisco disse que "o trabalho de discernimento e pesquisa do organismo não pode separar a dimensão acadêmica da dimensão pastoral e espiritual". "A liturgia é obra de Cristo e da Igreja, e como tal é um organismo vivo, como uma planta que não pode ser transcurada ou maltratada", disse ainda o Papa.

O Papa Francisco recebeu em audiência, nesta quinta-feira (1°/09), na Sala Clementina, no Vaticano, os membros da Associação italiana de Professores e Cultores de Liturgia, por ocasião de seus 50 anos de fundação.

No início de seu discurso, Francisco agradeceu às pessoas que, 50 anos atrás, "tiveram a coragem de tomar a iniciativa e dar vida a essa realidade". Agradeceu "aos que participaram neste meio século, dando sua contribuição para a reflexão sobre a vida litúrgica da Igreja", e "pela contribuição que a Associação deu ao acolhimento na Itália da reforma litúrgica inspirada no Concílio Vaticano II".

O Papa encorajou os membros da Associação italiana de Professores e Cultores de Liturgia a levarem adiante a atividade de estudo e pesquisa no diálogo entre os membros do organismo e com os outros, "pois a teologia também pode e deve ter um estilo sinodal, envolvendo as diversas disciplinas teológicas e das ciências humanas, "criando redes" com as instituições que, mesmo fora da Itália, cultivam e promovem estudos litúrgicos".

A liturgia é um organismo vivo

Segundo o Papa, nesse sentido é indispensável o propósito do organismo "de se manter à escuta das comunidades cristãs, para que seu trabalho nunca seja separado das expectativas e necessidades do Povo de Deus. Esse povo, do qual fazemos parte, sempre precisa ser formado, crescer, mas em si mesmo possui esse senso de fé, o sensus fidei, que o ajuda a discernir o que vem de Deus e que realmente o leva a Ele, também na esfera litúrgica".

A liturgia é obra de Cristo e da Igreja, e como tal é um organismo vivo, como uma planta que não pode ser transcurada ou maltratada. Não é um monumento de mármore ou bronze, não é uma coisa de museu. A liturgia está viva como uma planta, e deve ser cultivada com cuidado. E também, a liturgia é alegre, com a alegria do Espírito, não de uma festa mundana, com a alegria do Espírito. É por isso que não se entende, por exemplo, uma teologia fúnebre: não funciona. É alegre, porque canta louvor ao Senhor.

Voltar o olhar para o Senhor sem virar as costas para o mundo

"Por esse motivo, o seu trabalho de discernimento e pesquisa não pode separar a dimensão acadêmica da dimensão pastoral e espiritual", frisou o Papa. "Uma das principais contribuições do Concílio Vaticano II foi a de tentar superar o divórcio entre teologia e pastoral, entre fé e vida".

Hoje, mais do que nunca, precisamos de uma visão elevada da liturgia, que não se reduza a examinar detalhe de rubrica: uma liturgia que não seja mundana, mas que faça elevar os olhos para o céu, para sentir que o mundo e a vida são habitados pelo Mistério de Cristo; e, ao mesmo tempo, uma liturgia com "pés no chão", propter homines, não distante da vida, não com aquela exclusividade mundana: não. Isso não tem nada a ver, mas séria, próxima das pessoas. Portanto, as duas coisas juntas: voltar o olhar para o Senhor sem virar as costas para o mundo.

A tradição é a garantia do futuro

A seguir, Francisco recordou Romano Guardini, "que se destacou por sua capacidade de difundir as aquisições do movimento litúrgico fora da esfera acadêmica, de forma acessível, para que todo fiel, começando pelos jovens, pudesse crescer no conhecimento vivo e experiencial do significado teológico e espiritual da liturgia". "Que sua figura e sua abordagem à educação litúrgica, tanto moderna quanto clássica, sejam um ponto de referência para vocês, para que seu estudo una inteligência crítica e sabedoria espiritual, fundamento bíblico e arraigamento eclesial, abertura à interdisciplinaridade e atitude pedagógica".

O progresso na compreensão e também na celebração litúrgica deve estar sempre arraigado na tradição, que sempre leva a pessoa adiante naquele sentido que o Senhor quer. Há um espírito que não é o da verdadeira tradição: o espírito mundano do retrocesso, agora na moda: pensar que voltar às raízes significa caminhar para trás. Não, são coisas diferentes. Se você volta às raízes, as raízes levam você para cima, sempre. Como a árvore que cresce a partir do que vem de suas raízes. Voltar às raízes, porque a tradição é a garantia do futuro. "Não somos pessoas que caminham para trás." Não. Ir adiante de acordo com a linha dada pela tradição.

Por fim, "a coisa mais importante: que seu estudo da liturgia seja imbuído de oração e experiência viva da Igreja que celebra, de modo que a liturgia "pensada" possa fluir sempre, como de uma linfa vital, da liturgia vivida", disse o Papa. "A teologia é feita com a mente aberta e ao mesmo tempo "de joelhos". Isso vale para todas as disciplinas teológicas, mas ainda mais para a sua, que tem como objeto o ato de celebrar a beleza e a grandeza do mistério de Deus que se doa a nós", concluiu Francisco.

Mariangela Jaguraba

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Retiro, elebração penitencial e procissão dos bispos ao Santuário

marcam o penúltimo dia da 59ª AG CNBB

Dom Armando Bucciol pregador do retiro aos bispos.
Foto: Victória Holsbach – Ascom 59ª AG CNBB


Na manhã desta quinta-feira, 1º de setembro, penúltimo dia da 59ª Assembleia Geral da CNBB, os bispos dedicaram-se à oração. Orientados pelo bispo da Diocese de Livramento de Nossa Senhora (BA), dom Armando Bucciol, os bispos dedicaram o tempo para fazer um retiro. O tema escolhido pelo pregador foi: “Discernimento: sentido, método, meios”.

Dom Armando Bucciol

O retiro iniciou com a oração das laudes. Em seguida, em aproximadamente 45 minutos, dom Bucciol realizou uma conferência sobre o tema proposto. O bispo discorreu sobre os três pontos essenciais do discernimento: sentido, método e meios.

Dom Bucciol recordou que o discernimento é algo que faz parte da vida cristã, especialmente para os bispos. “A cada dia, precisamos tomar decisões; nas escolhas pessoais e do ministério”, disse o bispo. Além disso, dois eventos importantes da Igreja tornam a reflexão sobre o discernimento ainda mais importantes: “A celebração do Sínodo, tempo de graça e de intenso discernimento por parte de todos os membros da nossa Igreja, e o Ano Vocacional (2023), “Vocação: Graça e Missão”, com as três palavras-chave: despertar, discernir, cultivar”.

Ao falar sobre o sentido do discernimento, o pregador recordou que é algo que não diz respeito somente à escolha vocacional ou à vida eclesial: “É algo muito abrangente e exigente. É necessário discernimento em todas as escolhas da vida: social, política, cultural, relacional.

Manhã de retiro durante a 59ª AG CNBB.
Foto: Adielson Agrelos – Ascom 59ª AG CNBB

Todos os dias, experimentamos divergências, conflitos, às vezes divisões e contraposições. O discernimento consiste nessa capacidade de analisar o que acontece, e avaliar seu sentido; para quem segue Jesus, à luz do seu ensinamento”, disse dom Bucciol.

O bispo conclui a reflexão recordando que nas Assembleias Gerais da CNBB os bispos são chamados a fazer discernimento eclesial, e afirmou viver com intensa emoção essa experiência ao ver os irmãos de tantos lugares e culturas diferentes discernindo e tomando decisões comuns, segundo o Espírito Santo.

“Peço a luz do Alto para que, nesse espírito e com disponibilidade interior, sabedoria e o dom do conselho – discernimento, vivamos esse tempo estreitando o diálogo e a comunhão eclesial, como nos pede o Sínodo. Com sábio e corajoso discernimento, possamos escutar e acolher o que o Espírito diz à Igreja toda, a nossa Assembleia Geral e as nossas Igrejas Particulares”, finalizou dom Bucciol.

Celebração Penitencial e Procissão para o Santuário

Após a conferência, aconteceu a celebração Penitencial, que foi presidida pelo arcebispo de Olinda e Recife, dom Antônio Fernando Saburido.

Os bispos fazem a experiência da confissão
sacramental uns com os outros.
Foto: Adielson Agrelos
Ascom 59ª AG CNBB

Nela, houve um momento de exame de consciência e um espaço para a confissão sacramental. No mesmo ambiente do plenário, os bispos que desejaram, fizeram a confissão uns com os outros.

Ao concluir a celebração, os bispos preparam-se para seguir em procissão até o Basílica de Nossa Senhora Aparecida. Como romeiros, em procissão, conduzidos pelos missionários redentoristas, eles carregaram o andor de Nossa Senhora Aparecida, enquanto cantavam e rezavam à Maria. Chegando no Santuário, eles passaram visitar a imagem oficial de Nossa Senhora Aparecida e então, seguiram para sacristia para preparar-se para a Missa. A celebração Eucarística foi presidida por dom Armando Bucciol, ladeado pelos bispos eméritos presentes na Assembleia.

Dom do discernimento

O arcebispo de Juiz de Fora (MG), Dom Gil Moreira, contou que o retiro é um momento muito esperado pelo episcopado em todas as Assembleias. “É um dia em que paramos só para rezar e meditar. É um dia de silencio e celebração mais intensa.

Dom Gil Moreira

Nessa assembleia, dom Armando nos fez refletir sobre o dom do discernimento, recordando que é a capacidade de discernir diante de problemas, de medidas que os bispos precisam tomar e não podem ser tomadas apenas por motivos racionais, mas precisa se inspirar em Deus, no Espírito Santo, pois é ele quem dá o dom do discernimento”, afirmou dom Gil.

Dom Gil destacou, também, que a homilia foi um complemento do retiro. “Dom Bucciol nos falou sobre o lançar as redes em nome do Senhor. São Pedro tinha a técnica para pescar e uma técnica que, humanamente falando, Jesus não tinha, mas ele acreditou mais na palavra de Cristo do que na sua técnica, do que em qualquer outra coisa que pudesse ajudá-lo a fazer uma pesca grandiosa”, disse o arcebispo.

Para o bispo de Joaçaba (SC), dom Mário Marquez, o retiro é um momento especial e um ponto alto da Assembleia. “O tema do discernimento veio ao encontro de algo que eu sempre reflito e digo aos crismandos em minha diocese, mas eu nunca tinha parado para pensar e meditar, como fiz hoje. Depois, o momento penitencial foi uma oportunidade de fazer uma boa confissão, revendo a vida e a caminhada. A procissão também foi muito significativa, pois senti-me como um devoto de Nossa Senhora, vivendo como os devotos vivem a vinda à Casa da Mãe Aparecida”, disse dom Marquez.

Por Karina de Carvalho

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O episcopado brasileiro, reunido

na 59ª Assembleia Geral, aprovou a nova marca da CNBB

A proposta de modernização da marca da CNBB foi apresentada e aprovada pelo bispos do Brasil na terça-feira, 30 de agosto. Foi desenvolvida pela doutora em design e especialista em marcas, Dulce Albarez, a partir das indicações de um trabalho de conclusão da pós-graduação em Marketing Digital e Negócios Estratégicos realizada na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, desenvolvido pelos jornalistas Larissa Carvalho, Manuela Castro e Willian Bonfim, membros da Assessoria de Comunicação da CNBB.

O bispo auxiliar de Belo Horizonte (MG) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Comunicação da CNBB, dom Joaquim Mol, falou que trata-se de uma prática comum no mundo corporativo e das organizações, de tempos em tempos, desenvolver um processo de “rebranding” termo do campo da comunicação e marketing, que significa um processo de reposicionamento da marca junto aos seus públicos. “A modernização da marca é parte deste processo”, disse.  

O jornalista e mestre em comunicação pela Universidade de Brasília, Willian Bonfim, informou que a modernização da marca da CNBB é resultado de um estudo aprofundado e “que a sua reformulação é compreendida como parte do processo de renovação que a entidade está passando, com a atualização de seu Estatuto, a reforma de sua sede em Brasília e demais novidades que o Sínodo 2023 está fazendo brotar na Igreja”.

O jornalista lembrou também que a modernização da marca é uma das ações previstas no Plano de Comunicação da CNBB (2019-2023), aprovado pelo Conselho Permanente da entidade em 2020.

Para embasar os estudos do desenvolvimento da nova marca, foi realizada uma escuta quali-quantitativa com 848 pessoas, entre bispos, jornalistas, fiéis católicos, agentes pastorais, representantes de organismos, os bispos membros da atual presidência e membros das campanhas e projetos realizados pela entidade para diagnosticar como avaliam e percebem a marca.

“Um dos problemas identificados foi o fato de não haver um manual que padronize o uso da marca e que, em razão disto, se percebeu diferentes tipos de aplicações e usos, dificultando assegurar a identidade da CNBB”, ressaltou Willian. 

O jornalista reforçou também que a proposta de renovação da identidade visual não é uma mudança brusca mas consiste em sua modernização, à luz das tendências do designer contemporâneo, mantendo e considerando os elementos, símbolos e significados que fazem parte da tradição da instituição, sobretudo de uma marca com 70 anos como a da CNBB.

Marca aprovada pelos bispos

 A assessora de Comunicação da CNBB, Manuela Castro, apresentou a proposta de modernização da marca que foi desenvolvida com base nas palavras e valores que mais foram sugeridos na pesquisa: “unidade, fraternidade, sinodalidade, comunhão, colegialidade e amor”.

Ela reforçou também que foi desenvolvida uma tipografia específica para a marca. “Na concepção da assinatura visual, o posicionamento do cajado mudou de sentido para que a pomba, que representa o Espírito Santo, e o olhar dos pastores estejam voltados para a atualidade, para o presente e para frente”, apresentou.  

Bispos aprovam a proposta de modernização da marca CNBB.
Foto: Victória Holzbach – Ascom 59ª AG CNBB


Processo de implementação

A marca, com a explicação dos seus sentidos, será oficialmente lançada no dia 14 de outubro, data do aniversário de 70 anos da CNBB. Após a aprovação pelo episcopado, inicia-se uma fase de construção do seu Manual de Aplicação e Padronização no qual constará seus significados, sua política de gestão e as regras de sua utilização e aplicação. Cumprida esta etapa, será feita uma rodada de conversa com os departamentos, organismos vinculados e regionais da CNBB com vistas a manter a unidade na sua implantação e uso, garantido o reforço da identidade da instituição.

Por Vanuza Wistuba

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                                                                                                                              Fonte: cnbb.org.br

Setembro – Mês da Bíblia


A Palavra alimenta e ilumina nossa vida
Em agosto, refletimos sobre a vocação humana e cristã. Por meio das vocações somos chamados a viver como pessoas amadas por Deus, construindo um mundo de fraternidade e paz. Cada um em sua missão específica: sacerdócio ministerial, vida familiar, consagração religiosa, cristãos leigos e leigas nas comunidades.
Na vivência desses diferentes caminhos propostos pelo Senhor, construímos, todos juntos, o Reino e nos realizamos como filhos de Deus e cidadãos do mundo. Para que possamos concretizar essa nossa missão, precisamos de alimento. É esse alimento que a Igreja nos convida a saborear neste Mês da Bíblia, a Palavra de Deus.
Ao lado da Eucaristia, a Palavra constitui-se em alimento essencial para a vida cristã. Por isso, de modo especial em setembro, somos incentivados a conhecer mais a Sagrada Escritura. Escutar e saborear a beleza e a sabedoria que os textos bíblicos nos proporcionam. Rezar com a Palavra e transformá-la em frutos de vida em nossa caminhada diária.
Uma forma de se alimentar com a Palavra é a Leitura orante. Apresentamos sinteticamente, para uso diário, um roteiro dessa rica forma de rezar.
 Leitura orante da Bíblia
1. Oração preparatória – Pedir as luzes do Espírito Santo para este momento de intimidade com Deus.
2. Leitura do texto bíblico – Perguntar a si mesmo: O que o texto diz?
3. Meditação – Perguntar novamente, mas de forma mais pessoal: O que o texto diz para mim, hoje?
4. Oração – O que o texto me leva a dizer a Deus? Rezar, espontaneamente, com salmos ou outras orações.
5. Contemplação (vida e missão) – Qual meu novo olhar a partir da Palavra? Assumir um novo olhar para perceber os convites de Deus e responder com inteira adesão.
6. Oração - agradecimento pelo diálogo com Deus.
Procure se aprofundar nessa excelente forma de rezar com textos bíblicos Reserve diariamente alguns momentos para esse importante exercício de fé e amor a Deus e muitos frutos de alegria e paz surgirão em sua vida.
Que a Palavra de Deus ilumine e fortaleça sua vocação humana e cristã na vivência dos valores do Evangelho e dos valores familiares e comunitários!
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Luiz Gonzaga da Rosa
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Mobilização bíblica, dez passos
O Sínodo sobre a Palavra de Deus realizado em Roma é uma ótima chance para deslancharmos uma mobilização bíblica. Por sermos discípulos missionários, precisamos mais de Bíblia que de projetos pastorais. Nosso povo deve ter acesso à Bíblia, formação bíblica, vivência bíblica para que suscitemos um “catolicismo bíblico”. Eis os passos dessa mobilização:
1. Ter a Bíblia. Para a maioria do povo, a Bíblia é cara. A paróquia e a diocese podem fazer campanhas para o povo ter acesso à Palavra de Deus. Há casas onde não há Bíblia, noutras ela é um enfeite, aliás, bastante caro. Ter a Bíblia nas mãos é uma boa propaganda da Palavra. Para o povo simples e pobre a Bíblia é muito cara. Vamos popularizar a Bíblia com preço acessível ao povo.
2. Saber abrir a Bíblia. O mundo da Bíblia é complexo. Como aprendemos a abrir a TV, o celular, o computador, cada paróquia, pastoral e movimento deve ensinar as pessoas a abrir o Livro Sagrado. Não ignoremos as Escrituras. Basta de analfabetos bíblicos.
3. Saber interpretar. A Bíblia não é um livro fácil. É perigoso cada um fazer sua interpretação pessoal. Não podemos nos fixar ao pé da letra. Isso se chama fundamentalismo. Daí a necessidade de escolas bíblicas. Ouvir e compreender, ler e compreender, eis o que produz fruto.
4. Rezar com a Bíblia. É a Leitura Orante da Bíblia. Ler, meditar, rezar, contemplar. Esta é a porta de entrada para um entusiasmo bíblico e a conseqüente transformação da vida e da realidade. A meditação da Palavra deve ser diária e não menos de meia hora.
5. Estudar as Escrituras. São as escolas bíblicas, cursos, leituras para que a Palavra seja entendida e nunca falsificada. É perigoso ler a Bíblia sem saber interpretar, ler fora do contexto e desligados da Igreja.
6. Formar grupos bíblicos. Conhecemos os grupos bíblicos de reflexão, os círculos bíblicos e outros grupos que se alimentam da Palavra. Nestes grupos acontece o ensino bíblico e a vivência da mensagem.  Vamos proliferar grupos bíblicos para que o povo sacie a fome da Palavra.
7. Bons microfones, bons leitores, e bons anunciadores. A Palavra deve ser bem ouvida para produzir o efeito esperado. Precisamos ter todo cuidado com o som, a proclamação e o anúncio da Palavra. Ela não pode cair por terra. A Palavra deve atrair, comover, converter. Haja o ministério que prepara os leitores porque onde se lê a Palavra, ali Deus está falando.
8. Dar primado à Palavra. A Bíblia deve vir antes do catecismo e de outros livros. Nossa catequese deve ser dada com a Bíblia. A Palavra é alma da missão, da liturgia, da teologia. Nada antepor à Palavra de Deus que é Jesus. O primado da Palavra irá realizar a primavera da Igreja porque dará gosto à celebração dos sacramentos e vigor à ação evangelizadora.
9. Ter ministros da celebração da Palavra bem preparados. A celebração da Palavra deve enfocar a Palavra, a homilia, a partilha bíblica. Não transformá-la numa “quase missa”. Os ministros da Palavra, os sacerdotes, religiosos e religiosas, leigos e leigas devem estar nas rádios, jornais, esquinas de rua, casas e templos, divulgando as Sagradas Escrituras. Chegou a hora do “mutirão bíblico”, de uma mobilização bíblica.
10. Transformar o catolicismo devocional e sacramentalizador em “catolicismo bíblico”. A V Conferência propõe uma “pastoral bíblica” Precisamos ir além desta proposta e vislumbrar um horizonte ainda maior que o catolicismo bíblico, porque a Palavra é criadora, eficaz, regeneradora.  É hora de formar nos católico um “coração bíblico”, um apego e familiaridade com a Bíblia para que a Igreja renove suas forças missionárias. A Palavra de Deus, mais precisamente a Bíblia, deve estar na mão de cada criança, de cada jovem, de cada casal, cada cristão. Não podemos ser analfabetos bíblicos, nem tornar rotineira a Palavra viva, fecunda e eficaz. Só podemos ser discípulos com a Bíblia na mão, no coração e pés na missão. A Igreja será atraente e convincente a partir de uma renovação bíblica, eis que chegou a hora da mobilização bíblica nacional.
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Dom Orlando Brandes – Arcebispo de Aparecida
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Fonte: arqlondrina.com.br  Bannerparoquiasaomaximiliano.org.br  Ilustração: arquidiocese-pa.org.br

Papa Francisco na intenção para este mês:

rezemos pelo fim da pena de morte no mundo

Na intenção de oração para setembro, no vídeo da Rede Mundial de Oração do Papa, o Pontífice aborda o tema da abolição da pena de morte, uma ação que "não oferece justiça às vítimas, mas encoraja a vingança", afirma ele, ao acrescentar que "a pena de morte é inadmissível". Por isso, conclama todos a rezar pelo fim dessa prática que ainda é aplicada em 55 países.

“Cada dia mais pessoas em todo o mundo dizem não à pena de morte. Para a Igreja, isso é um sinal de esperança.”

Assim o Pontífice inicia o Vídeo do Papa de setembro que pede pelo fim da pena de morte no mundo, uma intenção de oração que o Santo Padre confia à Igreja Católica através da Rede Mundial de Oração do Papa. Nesta edição, Francisco então indica que a rejeição a essa prática está aumentando no mundo, o que a Igreja vê como "um sinal de esperança". De fato, de acordo com dados das Nações Unidas, cerca de 170 Estados aboliram a pena de morte, impuseram uma moratória à sua utilização na lei ou na prática, ou suspenderam as execuções durante mais de 10 anos. No entanto, a pena de morte ainda é aplicada em 55 países, em vários continentes. 

A posição da Igreja sobre a pena de morte

De João Paulo II a Bento XVI, os Pontífices pronunciaram-se fortemente contra o uso da pena de morte pelos governos nas últimas décadas. O Papa Francisco foi mais longe ao aprovar em 2018 um novo parágrafo do Catecismo condenando claramente a pena de morte e expressando o compromisso da Igreja na sua total abolição. 

"Do ponto de vista jurídico, a pena de morte já não é necessária. A sociedade pode reprimir eficazmente o crime sem privar definitivamente o infrator da possibilidade de redimir-se. Sempre, em toda condenação, deve haver uma janela de esperança. A pena de morte não oferece justiça às vítimas, mas encoraja a vingança. E impede qualquer possibilidade de se desfazer um possível erro judicial. Por outro lado, moralmente a pena de morte é inadequada; ela destrói o dom mais importante que recebemos: a vida."

No vídeo deste mês, que chega num momento marcado por notícias de sentenças de morte e execuções em várias partes do mundo, o Papa faz o apelo não só aos cristãos, mas a todas as pessoas de boa vontade. 

"Não esqueçamos que, até ao último momento, uma pessoa pode converter-se e pode mudar. E, à luz do Evangelho, a pena de morte é inadmissível. O mandamento 'não matarás' refere-se tanto ao inocente como ao culpado. Apelo, pois, a todas as pessoas de boa vontade para que se mobilizem pelo fim da pena de morte em todo o mundo."

“Rezemos para que a pena de morte, que atenta contra a inviolabilidade e dignidade da pessoa, seja abolida nas leis de todos os países do mundo.”

O padre Frédéric Fornos, diretor internacional da Rede Mundial de Oração do Papa, comentou sobre esta intenção: "Este mês, o Papa Francisco convida-nos a rezar pelo fim da pena de morte, reiterando o que disse em Fratelli tutti e especificou no Catecismo da Igreja Católica: 'A Igreja está determinada a propor a sua abolição em todo o mundo. Por quê? Porque mesmo no último momento uma pessoa pode converter-se, reconhecer os seus crimes e mudar. A pena de morte, por outro lado, é como colocar-se no lugar de Deus. Com a condenação, determina-se que uma pessoa nunca será capaz de mudar, o que não sabemos'. Neste mês de setembro, o Papa convida-nos a rezar e a nos mobilizarmos para apoiar as associações e organizações que lutam pelo fim da pena de morte".

Andressa Collet

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quarta-feira, 31 de agosto de 2022

Terceira edição da tradução do Missal Romano

é aprovada pelo episcopado brasileiro;
Estudo 114 segue ainda para aprovação

A segunda parte da votação da tradução do Missal Romano abriu as atividades desta quarta-feira, 31 de agosto, durante a 59ª Assembleia Geral da CNBB.

O primeiro bloco da votação ocorreu na segunda-feira, dia 29. Essa parte compreendia as orações eucarísticas e as orações sobre o povo.

Nesta segunda etapa de votação, os membros da Comissão Episcopal para os Textos Litúrgicos (Cetel) deram retorno ao episcopado brasileiro a partir das contribuições recebidas pela Comissão. Termos gramaticais foram corrigidos em algumas páginas e outras partes do texto reconsideradas.

As alterações foram feitas especialmente nas páginas 111, nº 3; 117, nº 124; 129; 131 e 133.

“O missal fez um longo caminho, mas com muitas contribuições a partir das sugestões que vocês fizeram”, afirmou dom Edmar Peron, presidente da Comissão para a Liturgia da CNBB.

Na ocasião, foi apresentada a proposta de diagramação. “Nós modificamos a apresentação para que tudo esteja em uma só página”, explicou.

 Dom Edmar Peron

“Da nossa parte as poucas mudanças que foram apresentadas serão incorporadas ao texto já diagramado pela Edições CNBB. Agora, é concluir as considerações, passar o texto à Editora da CNBB e só depois enviar para a Santa Sé”, explicou dom Edmar.

Na sequência, a votação foi realizada em cédulas e os bispos deveriam marcar as opções – Sim; Não ou Abstenção. Dos 292 votantes presentes na sessão, eram necessários 215 votos positivos para a aprovação. 269 bispos aprovaram a tradução do texto. Houve 6 abstenções e 3 votos negativos.

Saiba mais:

Recorde os passos da tradução da terceira edição do Missal (aqui).

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Estudo 114

A Comissão para a Animação Bíblico-Catequética da CNBB também voltou a apresentar, na manhã desta quarta-feira, 31 de agosto, as alterações feitas ao texto de Estudos 114 da CNBB, sobre a Animação Bíblica da Pastoral. Tais modificações foram realizadas a partir das sugestões realizadas pelo episcopado, mas ainda precisarão ser aprovadas pelos bispos para que o texto se torne um Documento da CNBB.

A Comissão para o texto recebeu contribuições que foram quase “inteiramente” acolhidas e integradas, explicou dom José Antônio Peruzzo, presidente da Comissão para a Animação Bíblico-Catequética da CNBB. Contribuições complementares foram feitas nos números 59, 173, 277, 278, 279 e 280.

Dom José Antônio Peruzzo, presidente
da Comissão para a Animação Bíblico-
-Catequética da CNBB e o padre Jânison
de Sá, assessor da Comissão.
Foto: Victória Holzbach

A estrutura do documento está dividida em sete capítulos: O primeiro apresenta a iluminação bíblica, a partir da parábola do semeador. O segundo, tem por objetivo apresentar o que significa a animação bíblica da pastoral.

Nesse ponto, o bispo recordou que, anteriormente, havia a Pastoral Bíblica, que realizava inúmeras atividades ao redor da Palavra. No entanto, a animação bíblica da pastoral tem outra proposta: “Nesse momento não estamos preocupados em fazer atividades bíblicas, mas sim que a pastoral e as atividades sejam todas animadas pela Bíblia”. 

O terceiro capítulo trata dos desafios a serem enfrentados pela animação bíblica. Dom Paulo destacou que um dos principais desafios é o fundamentalismo literal, que significa ler a Bíblia ao pé da letra. O quarto capítulo fala dos agentes da semeadura: os bispos, padres, diáconos, catequistas, leigos e leigas. O quinto apresenta os tipos de terreno que acolhem a Palavra de Deus, sendo elencados mais dez tipos. Dom Paulo destacou que os bispos pediram para acrescentar o terreno dos pobres e oprimidos, pois estes acolhem e são protagonistas da Palavra. 

O sexto capítulo fala dos métodos de leitura da Palavra de Deus, sendo os principais a Leitura Orante da Palavra e a Lectio Divina. Por fim, o último capítulo traz propostas concretas para a implantação de projetos da animação bíblica da pastoral nos níveis nacional, regional, diocesano e de comunidades eclesiais missionárias.

Saiba mais:

Apresentadas as alterações realizadas no texto sobre a animação bíblica da pastoral – CNBB

Foto de capa: Luiz Lopes Jr/Ascom CNBB

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Em resposta ao Papa Francisco, bispos brasileiros
instituem formação para Ministério dos Catequistas

“Será um reconhecimento da própria comunidade ao perceber o comprometimento e a alegria dos candidatos”, afirmou dom Waldemar Passini Dalbello em coletiva de imprensa, ao explicar que o itinerário formativo aprovado pelo episcopado será de cinco anos a cargo das escolas catequéticas diocesanas, institutos e faculdades católicas, de acordo com cada realidade.

Desde o último domingo, dia 28, até sexta-feira próxima, dia 2 de setembro, o episcopado de todo o país segue em Assembleia Geral (AG) na cidade de Aparecida. Em sua 59ª edição, o encontro anual da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) tratou do ministério instituído dos catequista na plenária de hoje, dia 31.

Em coletiva de imprensa, realizada no Centro de Eventos Padre Vitor Coelho de Almeida, dom Waldemar Passini Dalbello, bispo de Luziânia (GO) e membro da Comissão para a Animação Bíblico-Catequética da CNBB, afirmou que o tema estudado e aprovado pelos bispos é muito importante à vida das comunidades, pois “os catequistas são muito importantes em nossas comunidades e têm papéis diferenciados nos países e regiões do mundo”.

Ele destacou que ao proporcionar um itinerário de formação aos catequistas brasileiros, a CNBB “responde à solicitação do Papa Francisco na Carta Apostólica Antiquum Ministerium”. No texto, o Sumo Pontífice pede às conferências episcopais do mundo todo que orientem um processo de formação aos candidatos que irão receber este ‘antigo ministério’ eclesial de catequistas.

Coletiva de imprensa

Deste modo, ao explicar que no Brasil os catequistas atuam em conjunto com os ministros ordenados, dão uma “excelente contribuição no processo de iniciação à vida cristã”. Dom Waldemar disse aos jornalistas que a partir de um ensaio apresentado aos bispos, a AG aprovou um caminho formativo que ajudará as dioceses na compreensão da vocação de cada candidato ao ministério proposto.

“Pensamos em um período para o discernimento que proporcionará uma formação humana, comunitária, espiritual, doutrinária, teológica e pastoral-missionária. No conjunto, estabelecemos uma etapa de cinco anos”, evidenciou o bispo goiano ao salientar que o tempo pensado pelo episcopado oferecerá uma visão orgânica da pastoral para que os candidatos ao ministério possam abraçar com responsabilidade a missão que Deus quer confiar a eles.

Nas arquidioceses e dioceses brasileiras, a proposta é que a etapa dedicada à formação ficará por conta das escolas catequéticas diocesanas, institutos e faculdades católicas, de acordo com cada realidade, comentou dom Waldemar. “Os catequistas são os grandes cooperadores da edificação da vida humana e de nossas comunidades”, salientou quando disse aos jornalistas que a vocação para este ministério “será um reconhecimento da própria comunidade ao perceber o comprometimento e a alegria dos candidatos”, concluiu.

Por pe. Tiago Aparecido de Souza. Fotos: Victória Holzbach/CNBB Sul 3

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Reflita com dom Wilson Angotti:

 Política, democracia e eleições

Em nosso País, estamos vivendo mais um processo eleitoral; esse período nos leva a refletir e a discutir sobre o que precisamos e o que queremos para nossa vida em sociedade. Não pode ser só em época de eleições que se deva pensar em política, democracia, candidatos, propostas e outros assuntos relacionados, porém, nessa oportunidade, com mais razão, essas questões devem ser consideradas por todos. É isso que, muito brevemente, pretendo abordar.  

Dom Wilson Angotti 

A política e sua finalidade – A palavra “política” vem da língua grega e é composição de dois termos: “polis” que significa cidade e “tikós” que se refere ao bem comum. Assim sendo, pela própria etimologia da palavra já é possível entender que política é a arte de organizar a sociedade, em vista ao bem comum. Nesse sentido, a política é a mais sublime maneira de exercer a caridade. Esta expressão foi pronunciada pelo Papa Pio XI, reforçada por São Paulo VI e recentemente retomada e exemplificada pelo Papa Francisco na Fratelli Tutti (n.182). O bem comum é o princípio, porém, nem sempre a política é conduzida com esse propósito. Desvirtua o ideal da política toda disposição que tenha em vista interesses egoístas, pessoais ou de um pequeno grupo de privilegiados, menosprezando ou mesmo ignorando o que seria bem comum. São as políticas públicas que determinam como serão tratadas questões como: emprego, moradia, saneamento básico, saúde, educação, transporte público, conservação ambiental, preço dos alimentos, etc. Quem ignora ou se exime da política sofre as consequências de sua indiferença, pois outros definirão sem que suas necessidades sejam consideradas. Quanto mais organizada e politizada for uma sociedade, mais os recursos serão investidos para as reais necessidades da população. Quando o povo não se organiza em entidades representativas e não atua politicamente, cria-se ocasião para que oportunistas utilizem os recursos públicos para finalidades que não atendem senão aos seus próprios interesses. A verdadeira política, que tem em vista o bem comum, só ocorre quando a sociedade se organiza e exige seus direitos. Participar das reuniões de pais numa escola, de um conselho no município, de um partido político, de uma comissão que reivindica saneamento básico, etc. é fazer política. Quem não se envolve com a política deixa outros conduzirem seu destino.  

A democracia – é o regime político ou de governo em que o poder é exercido pelo povo.  Na democracia as decisões políticas devem estar em conformidade com o que o povo deseja. A palavra democracia também tem origem no grego e é composta por “demos”, que significa “povo” e “kratos” que significa “poder” ou “forma de governo”. Neste sistema político, os cidadãos tem direito à participação política. A democracia garante a liberdade individual (contanto que não fira a liberdade do outro), garante a liberdade de opinião e expressão e a liberdade de eleger seus representantes. A livre escolha de governantes pelos cidadãos através de eleições diretas ou indiretas é um dos principais aspectos que caracterizam a democracia. A democracia pode ser direta, participativa ou representativa. No Brasil temos a democracia representativa. Os cidadãos são os detentores do poder e confiam parte desse poder a seus representantes escolhidos com a incumbência de organizar a vida em sociedade. A ditadura é um dos regimes não democráticos ou antidemocráticos, em que o povo não tem direito a participar das decisões. A ditadura é regida por uma pessoa ou um grupo político sem participação popular ou com participação muito restrita. Na encíclica Centesimus Annus (n.46), o papa São João Paulo II manifesta explicitamente a simpatia da Igreja pela democracia enquanto esta assegura a participação dos cidadãos nas opções políticas e garante escolher e controlar os governantes, assim como substituí-los pacificamente. 

As eleições – são a oportunidade em que o povo tem para manifestar sua opinião em um projeto de governo e para escolher seus governantes. As eleições são um exercício de cidadania e ação política que têm repercussão direta na vida de cada pessoa e da sociedade. Por isso, é tão importante escolher bem os candidatos que exercerão o poder legislativo (nas câmaras municipais, assembleias estaduais ou federal e no senado), assim como os que exercerão o poder executivo (prefeitos, governadores e presidente). A boa escolha de candidatos não é tão simples, pois envolve conhecer suas propostas, sua prática, seus compromissos partidários, os grupos que os financiam, etc. Em geral, muitas pessoas escolhem movidas por simpatia, por paixão, depois buscam motivos para justificar sua escolha. Fazem o caminho inverso do que deveria ser feito e, assim, escolhem mal. Para uma escolha minimamente razoável se faz necessário: ouvir as propostas dos candidatos e dos partidos; acompanhar os debates onde há confronto e não só as propagandas partidárias; comparar o preparo e as propostas de cada um; ouvir não só o candidato preferido ou escolhido; considerar o que dizem os analistas, pois os candidatos podem prometer o que não terão condições de cumprir; acolher as notícias divulgadas pela grande imprensa e não, ingenuamente, acreditar no que é divulgado sem ter comprovação. Esses são apenas alguns critérios básicos para uma escolha consciente. Veja que não é tão fácil escolher um candidato. Vote bem. Lembre-se que voto não tem preço, tem consequências.  

Dom Wilson Angotti  - Bispo de Taubaté (SP) 

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