segunda-feira, 6 de dezembro de 2021

Papa despede-se da Grécia,

concluindo sua 35ª Viagem Apostólica

Às 10:58, o voo com Francisco decolou do Aeroporto Internacional de Atenas. Após breve encontro com o Ministro das Relações Exteriores da Grécia, as saudações às Delegações e embarque no vôo A320neo / Egeu com o qual retornará a Roma.

O Pontífice deixa as terras helênicas, umas das etapas de sua 35ª Viagem Apostólica, que incluiu também Chipre. O traslado de Atenas ao aeroporto de Roma Ciampino levará pouco mais de duas horas. Durante o voo, está agendada a habitual coletiva de imprensa com os jornalistas a bordo que acompanharam a visita papal.

O tapete vermelho, o entusiasmo do povo grego, com a memória dos rostos maravilhados e felizes dos imigrantes que colorem uma sociedade composta de humanidade ferida, mas que recebeu o conforto da comunidade eclesial universal.

O encontro com os jovens do Colégio São Dionísio das Irmãs Ursulinas de Atenas selou um caminho que quis dar impulso às novas gerações que lutam por um futuro marcado por incertezas e medos.

A esperança e o entusiasmo expressos nas palavras do Papa são a herança humana e espiritual do Sucessor de Pedro, que tocou nas chagas das populações cipriota e grega, bem como de todos aqueles que embarcam no que chamou de "odisseia moderna", as migrações em busca de um futuro de felicidade e de uma vida digna negada em países em guerra e onde o êxodo parece ser a única forma de salvação.

No contexto de uma viagem marcada pelo diálogo ecumênico tão crucial nestas terras, se compõe mais uma peça de um magistério que quer construir pontes e abraçar os povos em um estilo de fraternidade baseada no Evangelho.

                                                                                                           Antonella Palermo

.........................................................................................................................................................................

Francisco chega a Roma

Concluiu-se a 35ª Viagem Apostólica Internacional do Papa Francisco que o levou a Chipre e Grécia. O avião papal tocou terra às 12h52, hora local, no aeroporto de Ciampino.

O voo de Atenas ao aeroporto de Roma Ciampino levou pouco mais de duas horas. Durante o voo, houve a habitual coletiva de imprensa com os jornalistas a bordo que acompanharam a visita papal.

O encontro nesta manhã de segunda-feira com os jovens do Colégio São Dionísio das Irmãs Ursulinas de Atenas selou um caminho que quis dar impulso às novas gerações que lutam por um futuro marcado por incertezas e medos.

A esperança e o entusiasmo expressos nas palavras do Papa durante a viagem são a herança humana e espiritual do Sucessor de Pedro, que tocou nas chagas das populações cipriota e grega, bem como de todos aqueles que embarcam, no que chamou de "odisseia moderna", as migrações em busca de um futuro de felicidade e de uma vida digna negada em países em guerra e onde o êxodo parece ser a única forma de salvação.

No contexto de uma viagem marcada pelo diálogo ecumênico tão crucial nestas terras, se compõe mais uma peça de um magistério que quer construir pontes e abraçar os povos em um estilo de fraternidade baseada no Evangelho.

.........................................................................................................................................................................

Papa Francisco na Grécia e Chipre:
textos e vídeos dos eventos

A "fraternidade", Chipre e Grécia - "antiga fonte da Europa" e a "humanidade", são as três fontes que marcaram a peregrinação do Papa Francisco nesta que foi sua 35ª Viagem Apostólica. O Vatican News deu ampla cobertura em sua programação, site e redes sociais.

"Uma peregrinação às fontes". Assim o Papa Francisco definiu esta que foi a 35ª Viagem Apostólica de seu Pontificado. O Vatican News acompanhou os passos do Santo Padre nessas "magníficas terras, abençoadas pela história, pela cultura e pelo Evangelho", nos passos de "grandes missionários", como "os apóstolos Paulo e Barnabé". 

Quinta-feira, 2 de dezembro de 2021

ROMA - LARNACA - NICÓSIA

Partida de avião do Aeroporto Internacional Fiumicino (Roma) para Larnaca - Texto: https://bit.ly/31hjmtP

Chegada ao Aeroporto Internacional de Larnaca, com acolhida oficial - Texto: https://bit.ly/3opxSJf   Vídeo: https://youtu.be/86aX2wBgbgk

Encontro com Sacerdotes, Religiosos(as), Diáconos, Catequistas, Associações e Movimentos Eclesiais de Chipre na Catedral Maronita de Nossa Senhora das Graças em Nicósia - Vídeo: https://youtu.be/Su96bBQ8_uo  Texto: https://bit.ly/3op82Fj

Cerimônia de boas-vindas e Visita de cortesia ao presidente da República no estúdio privado do Palácio Presidencial em Nicósia - Vídeo: https://youtu.be/I-YxlQE

Encontro com Autoridades, Sociedade Civil e Corpo Diplomático no "Cerimonial Hall" do Palácio Presidencial em Nicósia - Texto: https://bit.ly/3pkyBuu  Vídeo: https://youtu.be/cG5-fcO_a30

Vídeo resumo primeiro dia: https://youtu.be/I0JLqakRjXc

Sexta-feira, 3 de dezembro de 2021

NICÓSIA

Visita de Cortesia a Sua Beatitude Chrysostomos II, arcebispo ortodoxo de Chipre no Arcebispado Ortodoxo de Chipre em Nicósia - Texto: https://bit.ly/3lvSkGo

Encontro com o Santo Sínodo na Catedral Ortodoxa de Nicósia - Texto: https://bit.ly/31hWY43   Vídeo: https://youtu.be/gIynFKnsoBI

Santa Missa no “GSP Stadium” em Nicósia - Texto: https://bit.ly/3Ih5ErW  Vídeo: https://youtu.be/os_jKbxzp8g

Oração Ecumênica com os migrantes na Igreja paroquial de Santa Cruz em Nicósia - Texto: https://bit.ly/3IfcEWj  Vídeo: https://youtu.be/5u-mydFNyc8

Vídeo resumo segundo dia: https://youtu.be/da5uRsNUbHY

Sábado, 4 de dezembro de 2021

NICOSIA - LARNACA - ATENAS

Cerimônia de despedida no Aeroporto Internacional de Larnaca - Vídeo: https://youtu.be/M4YgPhwMDl4

Chegada ao Aeroporto Internacional de Atenas, com acolhida oficial - Texto: https://bit.ly/3DloiuT  Vídeo: https://bit.ly/3rwelZv

Cerimônia de boas-vindas no Palácio Presidencial de Atenas, visita de cortesia ao presidente da República e encontro com o primeiro-ministro - Video: https://youtu.be/QdoHd9qJSkY

Encontro com as Autoridades, Sociedade Civil e Corpo Diplomático no Palácio Presidencial de Atenas - Texto: https://bit.ly/3IhylVz  Vídeo: https://youtu.be/3sV_KfJB-Qs

Visita de cortesia a Sua Beatitude Ieronymos II, arcebispo de Atenas e de toda a Grécia, no Arcebispado Ortodoxo da Grécia, em Atenas

Encontro de Sua Beatitude Ieronymos II e Sua Santidade Francisco com os respectivos séquitos na "Sala do Trono" do Arcebispado Ortodoxo da Grécia, em Atenas - Texto: https://bit.ly/3Gdnquq     Vídeo: https://youtu.be/7NKJcytDGTU

Encontro com Bispos, Sacerdotes, Religiosos e Religiosas, Seminaristas e Catequistas na Catedral de São Dionísio em Atenas - Texto: https://bit.ly/3rEOuhY  Vídeo: https://youtu.be/ZShYd9EhrvU

Encontro privado com membros da Companhia de Jesus na Nunciatura Apostólica de Atenas

Vídeo resumo terceiro dia: https://youtu.be/_ifd3owzRDI

Domingo, 5 de dezembro de 2021

ATENAS - MYTILENE (LESVOS) - ATENAS

Visita aos refugiados no “Reception and Identification Centre” em Mytilene e Angelus - Texto: https://bit.ly/3xV7mdK   Vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=aTYIB1KBMPU

Santa Missa na “Megaron Concert Hall” em Atenas - Texto: https://bit.ly/3GexnYh    Vídeo: https://youtu.be/o8i_bnaAaxw

Visita de cortesia de Sua Santidade Ieronymos ao Santo Padre na Nunciatura Apostólica de Atenas - Texto: https://bit.ly/3ImzXxr

Vídeo resumo quarto dia: https://youtu.be/6kes8uYNe78

Segunda-feira, 6 de dezembro de 2021

ATENAS - ROMA

Visita do presidente do Parlamento na Nunciatura Apostólica de Atenas

Encontro com os jovens na Escola das Irmãs Ursulinas São Dionísio em Maroussi, Atenas - Texto: https://bit.ly/3lFa5Db  Vídeo: https://youtu.be/pqH1gp8R

Cerimônia de despedida no Aeroporto Internacional de Atenas - Texto: https://bit.ly/3xXEUIc   Video: https://youtu.be/_kwZ0DRLAPU

11:35 - Chegada ao Aeroporto Internacional de Roma / Ciampino

.................................................................................................................................................                                                                                                                                 Fonte: vaticannews.va

domingo, 5 de dezembro de 2021

Reflita com Dom José Francisco:

Para entender o Natal

PARA ENTENDER O NATAL precisamos caminhar na direção de um acontecimento único na História humana: a pregação de Paulo e Lucas, em Roma. E, sobretudo, a vivência de Lucas dos acontecimentos que ele quis, depois, narrar.

Dom José Francisco

Pois tão logo Lucas voltou de Roma, ele constatou que os que haviam seguido o Senhor pelos caminhos da Galileia e da Judeia estavam envelhecendo e que alguns já haviam partido ao encontro Dele. Aquela constatação era constrangedora! Em breve, muitas das primeiras testemunhas não estariam mais entre os irmãos: como as novas gerações ficariam sabendo de tudo do que aconteceu? Era urgente recolher as lembranças dos que haviam conhecido Jesus. Entre as comunidades, alguns haviam anotado as palavras dos apóstolos e ainda circulavam coletâneas das palavras que Jesus havia pronunciado, dos feitos e fatos, e dos lúgubres relatos que narravam o que havia acontecido nas horas finais.

Lucas era metódico. Jamais partia do nada.

Em Roma, já havia encontrado Marcos, próximo a Pedro, que também havia empreendido o mesmo trabalho. Sem descanso, ele coletava os novos fragmentos, compilava, copiava, recopiava. Como se espalhara a notícia do que ele fazia, foram chegando outras testemunhas, trazendo palavras que haviam ouvido deste ou daquele sujeito: uma narrativa, uma historieta, uma piada… Pouco a pouco, Lucas via renascer sob seus olhos a figura exuberante do Profeta da Galileia: não mais o Senhor, como Paulo o havia apresentado a ele, mas um homem, extremamente humano, que havia percorrido as areias da Galileia, se debruçado sobre as dores de homens e mulheres, sem nome e nenhum sobrenome, que havia chamado a si os menores, os doentes, as crianças.

Quando Lucas fechava os olhos, ele via Jesus. Ouvia sua voz. Sentia o calor do sol, o frescor da tarde, o cair da noite, o fogo que se acendia. Era a hora em que o Mestre tomava a palavra, só com eles, e cada gesto adquiria sentido. Uma coisa o deixava maravilhado: seu Mestre contava histórias da vida cotidiana, dos vinhateiros, de um semeador, de um pastor, da mulher que perde a moeda e varre a casa inteira, de outra, que pede justiça a um juiz iníquo…

Recapitulando todas as informações, Lucas alcançou a derradeira e fundamental certeza: o Reino de Deus não estava apenas nos Céus, mas já, aqui, na Terra. Paulo havia pintado o grandioso panorama da Salvação, do início do mundo às extremidades da Terra. E, ali, Lucas via o Reino se desenhar nas coisas mais insignificantes: o céu que entardecia vermelho no horizonte, os pássaros do céu nas árvores do jardim, as crianças brincando nas praças. Não havia aí a grandiosidade do que Paulo anunciava. Mas tudo era grandioso, de uma extensão própria, primaveril, primordial: era como estar de volta ao primeiro dia da Criação.

Rolos de papiro amontoados a volta, as vezes alguma testemunha lembrava de mais um fato, uma refeição na casa de um fariseu (teria sido em Betânia ou em Jerusalém?). Paulo, seu mestre, não se perguntava sobre esses detalhes humanos tão caros a Lucas: para ele, em Jesus se cumpria toda Escritura, toda Lei, e sua Palavra era anunciada até os confins da Terra.

Por fim, certa manhã, Lucas teve certeza de que tudo estava pronto dentro dele. Sabia o que ia escrever. Tendo em mente todos os homens e mulheres da Terra, ele começou a escrever: “Caro Teófilo!”, que quer dizer “amigo de Deus”. Todos os “amigos de Deus” estavam ali, inclusive, você e eu.

É assim, e a partir daí, que a narrativa do Natal me vem em mente, assim como veio à mente de Lucas, tão historiador quanto poeta, com tudo o que veio antes e depois.

Lucas é minucioso, cauteloso, inteligente, perspicaz. Lucas bebe das palavras e das intuições de Paulo. Mas vai além: ele se debruça no temor de Zacarias e no véu da fé de Isabel. Ele vê o menino João dando os primeiros passos. Ele sai atrás de Maria nas estradas das montanhas que a levaram à casa da prima, praticamente, ele “ouve” o Magnificat. Ele “segue” José e sobe de Nazaré à Belém, na Judeia, e ele “vê” os pastores chegando, na noite fria, e o balido das ovelhas pequenas que se confunde com o vagido do Recém-nascido.

“Isto vos servirá de sinal: encontrareis um menino envolto em panos e deitado num cocho de animais”. Que diferença desse Lucas e do Lucas que seguira Paulo. Aqui, os sinais só servem para quem deseja encontrá-los.

Nem Lucas nem Paulo estiveram com Jesus. Mas, para quê, não é? Eu e você também não estivemos. E, no entanto, estamos aqui, hoje, à espera de que Ele volte. Judas, Pilatos, Herodes estiveram com Ele, cara a cara. E adiantou em alguma revelação?

Queremos que Ele se revele a nós. Com urgência. Mas aguardamos o Seu tempo.

Essa espera passa pelo Natal de 2021, vinte e um séculos depois: quem diria! Mas não é uma espera vazia. É uma espera plena, adulta, calma, silenciosa. Dela depende o que vivemos na vida e o que faremos do que vivemos na vida.

E isso não é pouco!

Desejo, irmãos e irmãs, que esse Natal os encontre à espera de todas as certezas, animados com todas as certezas que nos levam a esperar.

E que o novo seja novo, e não apenas na palavra.

Deixo a todas e a todos a minha bênção com os votos de um santo Natal!

Dom José Francisco Rezende Dias
Arcebispo Metropolitano de Niterói
..............................................................................................................................................................
                                                                                                                                 Fonte: arqnit.org

Francisco em Lesbos:

migração, paremos este naufrágio de civilização

Durante o encontro com os refugiados em Lesbos, Francisco disse que, "com amargura, temos de admitir" que a Grécia, "à semelhança de outros, continua sob pressão e que, na Europa, há quem persista em tratar o problema como um assunto que não lhe diz respeito". "Se queremos recomeçar, olhemos sobretudo os rostos das crianças. Tenhamos a coragem de nos envergonhar à vista delas, que são inocentes e constituem o futuro", frisou o Pontífice.

Papa Francisco no centro de refugiaos de Mitilene, em Lesbos

Na manhã deste domingo (05/11), o Papa Francisco visitou os refugiados no “Centro de Recepção e Identificação” de Mitilene, capital da ilha grega de Lesbos.

O Santo Padre retornou pela segunda vez a Lesbos. A primeira, foi em 16 de abril de 2016, quando o Pontífice falou sobre o horror das mortes no mar, sobre as "vítimas de viagens desumanas e sujeitas à opressão de torturadores". Recordou também, naquela ocasião, a generosidade do povo grego, com sua capacidade de responder ao sofrimento dos outros "apesar das graves dificuldades a serem enfrentadas".

Migração, uma crise humanitária que diz respeito a todos

Neste domingo, em Lesbos, Francisco encontrou novamente os refugiados, contemplou os seus rostos, olhou-os nos olhos. "Olhos cheios de medo e ansiedade, olhos que viram violência e pobreza, olhos sulcados por demasiadas lágrimas", disse o Papa, recordando a visita de cinco anos atrás à ilha de Lesbos junto com o Patriarca Ecumênico de Constantinopla, Bartolomeu I, e o Arcebispo Ortodoxo de Atenas e toda a Grécia, Ieronymos. Naquela ocasião, Bartolomeu I recordou "que a migração não é um problema do Oriente Médio e do norte da África, da Europa e da Grécia. É um problema do mundo inteiro".

Sim, é um problema mundial, uma crise humanitária que diz respeito a todos. A pandemia atingiu-nos globalmente, fez com que todos nos sentíssemos no mesmo barco, fez-nos experimentar o que significa ter os mesmos temores. Compreendemos que as grandes questões devem ser enfrentadas em conjunto, porque, no mundo atual, são inadequadas as soluções fragmentadas.

Acordar da indiferença por quem sofre

A seguir, o Papa falou sobre as vacinações que no âmbito planetário estão se efetuando lentamente e que algo parece se mover, "embora por entre inúmeros atrasos e incertezas, na luta contra as mudanças climáticas", mas "tudo parece estar terrivelmente faltando no que diz respeito às migrações. E, no entanto, há pessoas, vidas humanas em jogo".

Está em jogo o futuro de todos, que, só poderá ser sereno, se for integrador. Somente se reconciliado com os mais frágeis é que o futuro será próspero. Pois quando os pobres são repelidos, repele-se a paz. A história nos ensina que fechamentos e nacionalismos levam a consequências desastrosas. A história, repito, nos ensina, mas ainda não aprendemos.

Francisco pede a Deus "que nos acorde da indiferença por quem sofre", e pede ao ser humano para superar "a paralisia do medo, a indiferença que mata, o desinteresse cínico que, com luvas de pelica, condena à morte quem está colocado à margem".

Pouca coisa mudou na questão migratória

"Passaram-se cinco anos desde a visita que aqui fiz com os queridos Irmãos Bartolomeu e Ieronymos. Depois de todo este tempo, constatamos que pouca coisa mudou na questão migratória", ressaltou Francisco. "Muitos, sem dúvida, se empenharam no acolhimento e na integração, e quero agradecer aos numerosos voluntários e a quantos nos vários níveis, institucional, social, caritativo, arcaram com grandes fadigas ocupando-se das pessoas e da questão migratória. Reconheço o esforço realizado para financiar e construir estruturas de acolhimento dignas e de coração agradeço à população local pelo grande bem que fizeram e os inúmeros sacrifícios que suportaram".

Com amargura, porém, temos de admitir que este país, à semelhança de outros, continua sob pressão e que, na Europa, há quem persista em tratar o problema como um assunto que não lhe diz respeito. E quantas condições indignas do homem! Quantos pontos de triagem onde migrantes e refugiados vivem em condições que estão no limite da suportação, sem se vislumbrar no horizonte qualquer solução! Todavia, o respeito pelas pessoas e pelos direitos humanos, especialmente no continente que não deixa de os promover no mundo, deveria ser sempre salvaguardado e a dignidade de cada um deveria ter prioridade sobre tudo.

Não é erguendo barreiras que se resolvem os problemas

Segundo o Papa, "é triste ouvir propor, como solução, o uso de fundos comuns para construir muros. Claro, compreendem-se os medos e inseguranças, as dificuldades e perigos. Fazem-se sentir o cansaço e a frustração, agravados pelas crises econômica e pandêmica, mas não é erguendo barreiras que se resolvem os problemas e melhora a convivência. Antes pelo contrário, é unindo as forças para cuidar dos outros segundo as possibilidades reais de cada um e no respeito da legalidade, colocando sempre em primeiro lugar o valor incancelável da vida de cada homem". A seguir, Francisco acrescentou: 

“É fácil arrastar a opinião pública incutindo o medo do outro; mas por que motivo não se fala, com o mesmo brio, da exploração dos pobres, das guerras esquecidas e muitas vezes lautamente financiadas, dos acordos econômicos feitos na pele do povo, das manobras ocultas para contrabandear armas e fazer proliferar o seu comércio? Há que enfrentar as causas remotas, não as pessoas pobres que pagam as suas consequências, acabando até por ser usadas para propaganda política.”

Francisco destacou que "para remover as causas profundas, não basta apenas resolver as emergências. São necessárias ações concordadas. É preciso abordar as mudanças de época com grandeza de visão, porque não há respostas fáceis para problemas complexos". Segundo o Papa, é preciso "acompanhar os processos a partir do seu interior para superar os guetos e favorecer uma integração lenta e indispensável, para acolher de modo fraterno e responsável as culturas e as tradições alheias".

Olhar os rostos das crianças

"Se queremos recomeçar, olhemos sobretudo os rostos das crianças. Tenhamos a coragem de nos envergonhar à vista delas, que são inocentes e constituem o futuro", frisou o Pontífice. "O Mediterrâneo, que uniu durante milênios povos diferentes e terras distantes, está se tornando um cemitério frio sem lápides. Esta grande bacia hidrográfica, berço de tantas civilizações, agora parece um espelho de morte. Não deixemos que o mare nostrum se transforme num desolador mare mortuum, que este lugar de encontros se transforme no palco de confrontos. Não permitamos que este «mar das memórias» se transforme no «mar do esquecimento». Por favor, paremos este naufrágio de civilização!", pediu o Papa.

Francisco recordou que "nas margens deste mar, Deus se fez homem. Ele nos ama como filhos e nos quer irmãos". Disse ainda que "ofende-se Deus, desprezando o homem criado à sua imagem, deixando-o à mercê das ondas, num vaivém de indiferença, às vezes justificada até em nome de pretensos valores cristãos". "A fé pede compaixão e misericórdia", disse o Papa, "exorta à hospitalidade" que encontrou "em Jesus a sua manifestação definitiva". "Não é ideologia religiosa, são raízes cristãs concretas. Jesus afirma solenemente que está ali no estrangeiro, no refugiado, no nu e no faminto", sublinhou Francisco, recordando que "o programa cristão é encontrar-se onde Jesus está. Sim, porque «o programa do cristão, escreveu o Papa Bento XVI, é “um coração que vê”».

                                                                                                      Mariangela Jaguraba

.........................................................................................................................................................................

Editorial do Vaticano:

Quem tem medo de vós, não vos fixou nos olhos

Do Centro de Acolhida e Identificação de Mytilene, na ilha de Lesbos, Francisco chama o mundo à responsabilidade e à solidariedade para com aqueles que buscam uma vida digna.

Papa Francisco na visita ao centro de refugiados de Mytilene

Cinco anos depois, o Papa quis voltar a esta ilha para visitar os migrantes e refugiados. No início de seu discurso ele citou as palavras ditas aqui mesmo pelo patriarca de Constantinopla Bartolomeu, em 2016:

«Quem tem medo de vós, não vos fixou nos olhos. Quem tem medo de vós, não viu os vossos rostos. Quem tem medo de vós, não vê os vossos filhos. Esquece que a dignidade e a liberdade transcendem o medo e a divisão. Esquece que a migração não é um problema do Médio Oriente e do norte da África, da Europa e da Grécia. É um problema do mundo inteiro»

Essas palavras do patriarca que Francisco quis repetir ajudam-nos a não esquecer, a não desviarmos o olhar. Sempre aprendemos de novo que as pessoas que estão aqui, aquelas que batem nas nossas fronteiras, não são migrantes ou refugiados, não são números, são pessoas.

Aprendamos a olhá-las nos olhos. São vítimas da guerra, do ódio, das mudanças climáticas, dos traficantes de pessoas, dos políticos que as usam como moeda de troca. Ao invés de darmos as costas ou nos dividirmos instrumentalizando o medo, procuremos todos, juntos, questionar o sistema que causa as desigualdades e alimenta as guerras.

                                                                                                            Andrea Tornielli

.................................................................................................................................................                                                                                                                                 Fonte: vaticannews.va

sábado, 4 de dezembro de 2021

Reflexão para

o 2º Domingo do Advento

Preparemo-nos para o Natal. Preparemo-nos para celebrar a chegada da Vida. Que este tempo nos ajude a um reajuste ou, se for necessário, a uma total mudança de vida.

Jerusalém é convidada a trocar as vestes de luto pelas da justiça. Com essa frase introdutória à primeira leitura deste domingo, o Profeta Baruc está anunciando a restauração da cidade, promovida pelo coração misericordioso de Deus. O Senhor ao ensinar as pessoas a praticarem a justiça, estará restabelecendo uma sociedade justa.  Nela as relações humanas serão dirigidas para a paz. A misericórdia de Deus é maior que todas as crises e tragédias humanas, por isso Ele não cessa de recriar, de reanimar seus filhos.

No Evangelho, Lucas mostra João Batista anunciando a nova sociedade que nasce do batismo de conversão, isto é, nasce de uma profunda mudança de vida, de um voltar-se para Deus, da prática da justiça e do desejo de paz.

A sociedade antiga, marcada pelos poderes políticos e religiosos, cederá seu espaço à nova, construída sobre os alicerces da partilha, do serviço, da misericórdia. Por isso as estradas deverão ser endireitadas, deverá ser corrigido tudo aquilo que machuca, que incomoda, que faz o povo de Deus sofrer. É necessário que tudo fique pronto para que todos possam ver a salvação de Deus.

Essa salvação de Deus só poderá chegar quando os corações forem libertos das amarras da opressão, de qualquer escravidão, livres de egoísmo e de desvios. Somente aí o Messias, o Salvador, o Príncipe da Paz poderá exercer sua missão de Pacificador e de Redentor. Poderá realizar as transformações pessoais e sociais.

A segunda leitura, extraída da Carta aos Filipenses, coloca-nos Paulo  falando: “Tenho a certeza de que aquele que começou em vós uma boa obra, há de levá-la à perfeição até à vinda de Cristo Jesus.” Para Paulo, a força do Evangelho é tamanha que é capaz de criar uma nova sociedade, comprometida com o projeto de Deus, capacitada em discernir o que é melhor para todos.

Preparemo-nos para o Natal. Preparemo-nos para celebrar a chegada da Vida. Que este tempo nos ajude a um reajuste ou, se for necessário, a uma total mudança de vida. O Príncipe da Paz encontre em nossa vida, pessoa capacitada a colaborar com ele na mudança para um mundo mais justo, mais fraterno, com feições mais humanas, capaz de gestos concretos de misericórdia – reflexo do seu Criador.

                                                                                            Padre Cesar Augusto, SJ 

.................................................................................................................................................                                                                                                                                 Fonte: vaticannews.va

Campanha para a Evangelização:

saiba como serão as doações neste ano

A experiência do encontro vital com o Senhor modifica a vida da pessoa e a impulsiona a anunciar a outros este feliz encontro: conhecer Jesus Cristo é a nossa alegria. Anunciá-lo é a nossa missão.

Com essa consciência da transformação da vida a partir do encontro com Jesus e do compromisso evangelizador de cada cristão que a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), neste Tempo do Advento, promove a Campanha para a Evangelização. Neste ano, o tema “Ide, sem medo, para servir” é o mote para a mobilização nacional em vista do sustento das atividades pastorais e evangelizadoras da Igreja no Brasil.

Como serão as doações

O gesto concreto da campanha se dá com a coleta para a Evangelização, realizada todos os anos no 3º Domingo do Advento. Neste ano, será no fim de semana dos dias 11 e 12 de dezembro. As doações vão ocorrer exclusivamente em cada paróquia do Brasil. 

O Setor de Campanhas da CNBB disponibilizou o modelo de envelope para impressão, de modo que as Igrejas particulares que sempre utilizam este recurso possam baixá-lo, fazer a impressão em gráficas locais e distribuí-los como de costume. O material pode ser baixado no link ao final desta notícia e também no site de Campanhas (www.campanhas.cnbb.org.br). Também estão disponibilizadas a Arte do Cartaz, a Oração da Campanha e a prestação de contas de 2020.

“Com isso, além de reforçarmos o cuidado ecológico, teremos uma economia significativa e, com estes recursos, continuaremos as obras de cuidado da Igreja no Brasil”, destaca a CNBB.

A destinação dos recursos

A Campanha para a Evangelização destina os seus recursos para a dinamização e manutenção dos 19 regionais da CNBB, visando à execução das atividades evangelizadoras, programadas a partir das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE). Em muitos regionais existem atividades missionárias além-fronteiras, com apoio a diversas pastorais, serviços, organismos e movimentos.

Os recursos da Coleta para a Evangelização garantem que a Igreja no Brasil dê continuidade ao anúncio e testemunho do Evangelho desde as áreas missionárias até às periferias das grandes cidades, passando pelas ações pastorais e pela articulação das comunidades eclesiais missionárias, além de contribuir para a manutenção da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.

Baixe os materiais

Envelope da coleta para a Campanha para a Evangelização

Cartaz da Campanha para Evangelização 2021

Texto base da Campanha para evangelização 2021

...............................................................................................................................................................
                                                                                                                               Fonte: cnbb.org.br

Baixe os roteiros Celebrar em Família para

o 2º Domingo do Advento e 

a Solenidade da Imaculada Conceição

Estão disponíveis os roteiros Celebrar em Família para o 2º Domingo do Advento e para a Solenidade da Imaculada Conceição, no próximo dia 8. O material é oferecido pela Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

A liturgia do 2º Domingo do Advento convida à preparação para a vinda do Senhor. No centro da celebração da Palavra, o Evangelho de São Lucas (Lc 3,1-6) no qual é apresentada a profecia de João Batista:

“[…] ‘Esta é a voz daquele que grita no deserto: ‘preparai o caminho do Senhor, endireitai suas veredas. Todo vale será aterrado, toda montanha e colina serão rebaixadas; as passagens tortuosas ficarão retas e os caminhos acidentados serão aplainados. E todas as pessoas verão a salvação de Deus”.

BAIXE O ROTEIRO PARA O 2º DOMINGO DO ADVENTO

BAIXE O ROTEIRO PARA 

A SOLENIDADE DA IMACULADA CONCEIÇÃO DE NOSSA SENHORA

.........................................................................................................................................................................

Confira os roteiros

oferecidos pela Comissão para a Liturgia da CNBB

...............................................................................................................................................................
                                                                                                                               Fonte: cnbb.org.br

Papa em sua Viagem Apostólica neste sábado:

“Sem Atenas e sem a Grécia,
a Europa e o mundo não seriam o que são”

Da Grécia, afirmou o Papa, dilataram-se os horizontes da humanidade rumo ao Alto: do Monte Olimpo à Acrópole e ao Monte Athos, partiu o convite ao ser humano de cada tempo a orientar a viagem da vida para Deus.

História, religião, política, ciência e filosofia: um denso discurso marcou a chegada do Papa Francisco à Grécia, na presença da presidente do país, Katerina Sakellaropoulou.

Depois da cerimônia de boas-vindas no Palácio Presidencial de Atenas, o Pontífice se dirigiu às Autoridades para manifestar sua alegria de visitar “estes lugares que superabundam de espiritualidade, cultura e civilização”.

“Sem Atenas e sem a Grécia, a Europa e o mundo não seriam o que são”, disse Francisco, citando autores clássicos, como Aristóteles, Sócrates e Homero.

Rumo ao Alto

Da Grécia, afirmou o Papa, dilataram-se os horizontes da humanidade rumo ao Alto: do Monte Olimpo à Acrópole e ao Monte Athos, partiu o convite ao ser humano de cada tempo a orientar a viagem da vida para Deus. Por ali passaram as vias do Evangelho, que foi escrito em grego, língua imortal usada pela Palavra – pelo Logos – para se expressar.

Do Alto, o homem foi impelido a olhar para o outro, nascendo ali o conceito de democracia, que hoje vive um retrocesso. Enquanto os populismos ganham terreno, Francisco exorta a passar do tomar partido ao participar; do empenho em apoiar apenas a própria parte ao envolvimento ativo em prol da promoção de todos. “Penso no clima, na pandemia, no mercado comum e, sobretudo, nas pobrezas generalizadas.”

Mudanças climáticas: que os compromissos não sejam de fechada

O Papa citou um dos símbolos do país, a oliveira, para falar dos incêndios que devastaram a ilha, consequência das mudanças climáticas. A mesma oliveira representa, todavia, a vontade de resgate, como simbolizava a pomba depois do dilúvio universal, que voltou para Noé trazendo no bico uma folha verde de oliveira. “Neste sentido, espero que os compromissos assumidos na luta contra as alterações climáticas apareçam cada vez mais compartilhados e não sejam de fachada.”

Na Escritura, a oliveira constitui também um convite à solidariedade, especialmente para com aqueles que não pertencem ao próprio povo. A este ponto, o Pontífice renovou seu apelo em favor dos migrantes, “protagonistas duma terrível odisseia moderna”.

“Transformemos em ousada oportunidade o que parece ser apenas uma infeliz adversidade”, acrescentou o Papa, pedindo o fim da morosidade na comunidade europeia, “dilacerada por egoísmos nacionalistas”.

Grécia, memória da Europa

Para Francisco, a grande adversidade é constituída pela pandemia e ressaltou a atualidade do juramento de Hipócrates e o direito à saúde e o compromisso a salvaguardar a vida em todos os momentos, particularmente no ventre materno.

“Queridos amigos, alguns exemplares de oliveira mediterrânica testemunham uma vida tão longa que antecede o aparecimento de Cristo. (…) Este país pode ser definido a memória da Europa.”

O Papa concluiu reiterando sua felicidade por visitar a Grécia 20 anos depois de São João Paulo II e no bicentenário da sua independência. E gratidão pelo reconhecimento público da comunidade católica.

“Desta cidade, deste berço da civilização, elevou-se e oxalá nunca cesse de se elevar uma mensagem que encaminha para o Alto e para o outro; que às seduções do autoritarismo responda com a democracia; que à indiferença individualista oponha a solicitude pelo outro, pelo pobre e pela criação.”

                                                                                                           Bianca Fraccalvieri

.................................................................................................................................................                                                                                                                                 Fonte: vaticannews.va