sexta-feira, 3 de dezembro de 2021

2º Domingo do Advento:

Leituras e reflexão
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1ª Leitura: Br 5,1-9

Leitura do Livro do Profeta Baruc:

Despe, ó Jerusalém, a veste de luto e de aflição, e reveste, para sempre, os adornos da glória vinda de Deus. Cobre-te com o manto da justiça que vem de Deus e põe na cabeça o diadema da glória do Eterno.

Deus mostrará teu esplendor, ó Jerusalém, a todos os que estão debaixo do céu. Receberás de Deus este nome para sempre: “Paz-da-justiça e glória-da-piedade”.

Levanta-te, Jerusalém, põe-te no alto e olha para o Oriente! Vê teus filhos reunidos pela voz do Santo, desde o poente até o levante, jubilosos por Deus ter-se lembrado deles. Saíram de ti, caminhando a pé, levados pelos inimigos. Deus os devolve a ti, conduzidos com honras, como príncipes reais.

Deus ordenou que se abaixassem todos os altos montes e as colinas eternas, e se enchessem os vales, para aplainar a terra, a fim de que Israel caminhe com segurança, sob a glória de Deus. As florestas e todas as árvores odoríferas darão sombra a Israel, por ordem de Deus.

Sim, Deus guiará Israel, com alegria, à luz de sua glória, manifestando a misericórdia e a justiça que dele procedem.

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Salmo Responsorial: 125
- Maravilhas fez conosco o Senhor, exultemos de alegria!
- Maravilhas fez conosco o Senhor, exultemos de alegria!

- Quando o Senhor reconduziu nossos cativos, parecíamos sonhar./ Encheu-se de sorriso nossa boca;/ nossos lábios de canções.

- Entre os gentios se dizia: “Maravilhas fez com eles o Senhor!”/ Sim, maravilhas fez conosco o Senhor: exultemos de alegria!

- Mudai a nossa sorte, ó Senhor,/ como torrentes, no deserto./ Os que lançam as sementes entre lágrimas,/ ceifarão com alegria.

- Chorando de tristeza sairão,/ espalhando suas sementes;/ cantando de alegria voltarão,/ carregando os seus feixes!

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2ª Leitura: Fl 1,4-6.8-11

Leitura da Carta de São Paulo aos Filipenses:

Irmãos: Sempre em todas as minhas orações rezo por vós, com alegria, por causa da vossa comunhão conosco na divulgação do Evangelho, desde o primeiro dia até agora.

Tenho a certeza de que aquele que começou em vós uma boa obra, há de levá-la à perfeição até o dia de Cristo Jesus.

Deus é testemunha de que tenho saudade de todos vós, com a ternura de Cristo Jesus.

E isto eu peço a Deus: que o vosso amor cresça sempre mais, em todo o conhecimento e experiência, para discernirdes o que é melhor. E assim ficareis puros e sem defeito para o dia de Cristo, cheios do fruto da justiça que nos vem por Jesus Cristo, para a glória e o louvor de Deus.

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Evangelho: Lc 3,1-6

Leitura do Evangelho de São Lucas:

No décimo quinto ano do império de Tibério César, quando Pôncio Pilatos era governador da Judeia, Herodes administrava a Galileia, seu irmão Filipe, as regiões da Itureia e Traconítide, e Lisânias a Abilene; quando Anás e Caifás eram sumos sacerdotes, foi então que a palavra de Deus foi dirigida a João, o filho de Zacarias, no deserto.

E ele percorreu toda a região do Jordão, pregando um batismo de conversão para o perdão dos pecados, como está escrito no Livro das palavras do profeta Isaías: “Esta é a voz daquele que grita no deserto: ‘preparai o caminho do Senhor, endireitai suas veredas. Todo vale será aterrado, toda montanha e colina serão rebaixadas; as passagens tortuosas ficarão retas e os caminhos acidentados serão aplainados. E todas as pessoas verão a salvação de Deus’".

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Reflexão do Pe. Johan Konings:
“Paz-da-justiça”: desimpedir a chegada de Deus

Ainda três domingos nos separam do Natal. Logo mais estaremos celebrando que Deus quer chegar até nós. Mas será que nós lhe abrimos caminho? O evangelho nos apresenta João Batista, o austero pregador de conversão. Convoca o povo para endireitar os caminhos e aplanar as estradas, a fim de que Deus nos possa alcançar.

Para quem acredita, tal esforço não é penoso, pois a chegada de Deus não significa fiscalização, mas salvação: “Todos experimentarão a salvação que vem de Deus” (Lc 3,6). Quem espera coisa boa chegar, prepara a estrada com prontidão e alegria.

A 1ª leitura canta a beleza desta salvação que Deus nos traz: a cidade vai se chamar “Paz-da-Justiça e Glória-da-Piedade”. A justiça – o plano de Deus – produz paz e bem para todos, e o respeito e amor a Deus (a “piedade”) produzem a glória, a beleza e o esplendor de nossa sociedade. O contrário é verdade também: a exploração egoísta produz conflitos, e a idolatria do dinheiro, do poder e do prazer, um mundo desigual e inumano.

Se quisermos empenhar-nos por um mundo onde Deus se sinta em casa, afastaremos alegres os obstáculos que impedem isso. Obstáculos em nosso próprio coração: egoísmo, ambiguidade, desamor … Obstáculos no coração de nossa sociedade: estruturas injustas, desigualdades ruinosas, leis que produzem monstros de riqueza ao lado de miseráveis, política em favor só de alguns e não de todos …

Os obstáculos a serem derrubados estão em parte dentro de nós mesmos e, em parte, na estrutura de nossa sociedade. Importa trabalhar nos dois níveis, e isso, com alegria. Não com rancor, próprio dos que antes odeiam os outros (e até a si mesmos) do que amam o bem … O rancor não faz Deus chegar. O que marca quem procura experimentar a “salvação que vem de Deus” é a alegria. É uma alegria limpar o caminho para que a “Paz-da-Justiça” possa chegar, ainda que custe suor e luta.

Essa “Paz-da-Justiça” não provém de uma justiça qualquer, inventada por nós e feita sob a nossa medida, conforme nossos próprios interesses. Ela está em Jesus Cristo que vem. Para conhecer esta paz, importa ver o que Jesus faz e preparar-se para fazer o mesmo, como indivíduo e como sociedade. Vivermos conforme a justiça que Jesus nos mostra, participarmos do amor que ele tem ao Pai, é isso que vai ser nosso brilho e felicidade.

O sentido do Advento e do Natal não é algo sentimental, chorar de emoção por causa de uma criancinha. É alegrar-se porque aquele que podemos chamar de “filho de Deus” veio – e sempre vem – viver no meio de nós, para com seu exemplo e sabedoria, lucidez e entrega de vida, mostrar, no concreto, o que significa o bem conforme a última instância, que é Deus – a “Paz-da-Justiça”.

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PE. JOHAN KONINGS nasceu na Bélgica em 1941, onde se tornou Doutor em Teologia pela Universidade Católica de Lovaina, ligado ao Colégio para a América Latina (Fidei Donum). Veio ao Brasil, como sacerdote diocesano, em 1972. Em 1985 entrou na Companhia de Jesus (Jesuítas) e, desde 1986, atua como professor de exegese bíblica na FAJE, Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Este comentário é do livro “Liturgia Dominical, Editora Vozes.

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                                                       Fonte e ilustração: franciscanos.org.br       Banner: cnbb.org.br

O abraço do Papa aos fiéis cipriotas:

sejam cristãos luminosos!

Cerca de 10 mil fiéis se reuniram no estádio de Nicósia para a missa com o Santo Padre. A alegria é o sinal distintivo do cristão, recordou Francisco, que pediu fiéis que sejam não só iluminados, mas sobretudo luminosos.

Na manhã desta sexta-feira, o Papa Francisco celebrou a primeira missa desta sua 35ª Viagem Apostólica.

No estádio GSP de Nicósia, cerca de 10 mil fiéis se reuniram para participar da celebração.

Em sua homilia, o Pontífice comentou o Evangelho proposto pela liturgia do dia, que narra a cura de Jesus a dois cegos. Deste encontro, o Papa destacou três passos significativos neste caminho de Advento.

Jesus é o médico

O primeiro passo: ir ter com Jesus para ser curado. Os cegos perceberam que Ele, na escuridão da história, é a luz que ilumina as noites do coração e do mundo, derrota as trevas e vence toda a cegueira.

“Como sabemos, também nós trazemos a cegueira no coração. Também nós, como os dois cegos, somos caminhantes muitas vezes imersos nas trevas da vida.”

Mas Jesus é o médico, recordou Francisco: só Ele nos dá em abundância luz, calor, amor. Só Ele liberta o coração do mal.

Sair do individualismo

Já o segundo passo é suportar, juntos, as feridas. Nesta narração evangélica, os cegos são dois. E juntos dizem a Cristo: “tem misericórdia de nós”.

“Eis o sinal eloquente da vida cristã, eis o traço distintivo do espírito eclesial: pensar, falar, agir como um «nós», saindo do individualismo e da pretensão de autossuficiência que fazem adoecer o coração.”

O pecado desvirtua a realidade: faz-nos ver Deus como patrão e os outros como problemas. Mas Francisco convidou a renovar a fraternidade: “A cura verifica-se quando carregamos juntos as feridas, quando enfrentamos juntos os problemas, quando nos ouvimos e conversamos. É a graça de viver em comunidade”.

Cristãos iluminados e luminosos

E eis o terceiro passo: anunciar o Evangelho com alegria. Jesus recomenda aos dois cegos curados que não digam nada a ninguém, mas eles não conseguem conter o entusiasmo.

“E aqui está outro sinal distintivo do cristão: a alegria do Evangelho, que é irreprimível”, afirmou Francisco, que acrescentou: “Não se trata de proselitismo, mas de testemunho; nem dum moralismo que condena, mas de misericórdia que abraça; nem de culto exterior, mas de amor vivido”.

Para o Papa,  há necessidade de cristãos iluminados, mas sobretudo luminosos, que toquem com ternura a cegueira dos irmãos: “Cristãos que plantem rebentos de Evangelho nos campos áridos da vida quotidiana, levem carícias às solidões do sofrimento e da pobreza”.

Que neste Advento, concluiu o Pontífice, possamos renovar a confiança Nele, que passa também pelas estradas de Chipre; que possamos invocar: Vem, Senhor Jesus!

                                                                                                        Bianca Fraccalvieri

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quinta-feira, 2 de dezembro de 2021

Comissão para a Liturgia oferece

indicações sobre Calendário Litúrgico 2022

A Igreja iniciou, no último dia 28 de novembro, com a celebração do 1º Domingo do Advento, mais um Ano Litúrgico. Nele, a ocorrência de algumas festas e solenidades se dá a partir do dia do Domingo de Páscoa, centro de todo o Ano Litúrgico. Nessa relação entre a data do Domingo de Páscoa, o calendário litúrgico e os dias da semana, podem ocorrer coincidências entre datas de solenidades, festas e celebrações de tempos específicos.

Em vista dessas ocorrências, a Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) oferece algumas indicações:

Com base na “Tabela dos Dias Litúrgicos por ordem de Precedência” – que pode ser consultada, a partir da página 20, do Diretório Litúrgico de 2022 -, se esclarece o que deve ser celebrado no caso de coincidência de datas de várias celebrações (verificar também no mesmo Diretório, pág. 20, item 4).

Solenidade do Natal (25 de dezembro) e Festa da Sagrada Família (26 de dezembro)

Corrigindo a imprecisão da orientação dada na página 197 do Diretório Litúrgico 2021, seja celebrada ao longo de todo o dia 25 de dezembro a Solenidade do Natal do Senhor (inclusive a missa vespertina e a II Vésperas), omitindo-se, deste modo, as I Vésperas da Festa da Sagrada Família. Portanto, onde se lê no Diretório 2021, pág. 197, “I Vésperas da Festa seguinte”, leia-se “Omite-se a I Vésperas da Festa seguinte”;

Solenidade de Maria, Mãe de Deus (1º de janeiro) e Solenidade da Epifania do Senhor (2 de janeiro)

Levando em consideração a já citada “Tabela dos Dias Litúrgicos por ordem de Precedência”, no dia 1º de janeiro celebra-se a Solenidade mariana, mas como a Solenidade da Epifania tem precedência em relação às Solenidades marianas, celebra-se às I Vésperas e a missa vespertina da Epifania do Senhor, conforme indicado no Diretório Litúrgico 2022, pág 46.

Solenidade de São José (19 de março) e 3º Domingo da Quaresma (20 de março)

No dia 19 celebra-se a missa vespertina e I Vésperas do domingo da Quaresma;

23 e 24 de junho – Solenidade da Natividade de São João Batista e Solenidade do Sagrado Coração de Jesus

Segundo comunicação publicada pela Congregação do Culto Divino, de 11 de maio de 2020, antecipa-se a solenidade da Natividade de São João Batista para o dia 23, quinta-feira, omitindo-se a II Vésperas, para se celebrar a I Vésperas da solenidade do Sagrado Coração de Jesus. Nas dioceses, cidades e comunidades religiosas onde São João Batista for o padroeiro segue-se a orientação dada no Diretório Litúrgico 2022, pág 119.

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Francisco em Chipre e na Grécia:

 o "alfabeto" de uma viagem às raízes da Europa

Com o voo papal no final da manhã desta quinta-feira teve início a 35ª viagem apostólica internacional de Francisco, que até o dia 6 de dezembro estará em Nicósia, Atenas e Mytilene-Lesbos. Um itinerário marcado por grandes temas, em particular os da unidade cristã e do acolhimento dos migrantes.

Papa Francisco parte de Fiumicino (ANSA)

O A dos Apóstolos Barnabé e Paulo, o E de ecumenismo, o M de migrantes, o H de humanidade, o mesmo invocado pelo Papa em relação às muitas pessoas que morrem no Mar Mediterrâneo. Naquele "mare nostrum" sobre o qual se debruçam Chipre e Grécia, prontos para acolher o Papa a partir desta quinta-feira até à próxima segunda-feira. O alfabeto da 35ª viagem apostólica internacional de Francisco - a terceira em 2021, após a histórica visita ao Iraque em março e a peregrinação a Budapeste e à Eslováquia em setembro - está incluído nestas letras, iniciais de palavras que dão forma concreta ao significado de um itinerário que, num período de 4 dias, 1 hora e 35 minutos, fará com que o Papa percorra um total de 4.643 km. As várias etapas da viagem papal serão marcadas pelos 11 discursos que Francisco deverá proferir nas várias ocasiões, divididos em discursos reais (9), homilias (2) e Angelus (1). Dez, por enquanto, são os temas que parecem emergir mais claramente.

Apóstolos

São Barnabé e São Paulo foram os evangelizadores de Chipre, onde chegaram juntos em 46, e da Grécia, uma terra de fé profundamente enraizada. Duas figuras imponentes, firmes na fé e fortes na amizade, em nome de Cristo. É nas suas pegadas missionárias, portanto, que o Papa Francisco se apresenta, seguindo seus exemplos de pregadores do Evangelho em dois países que idealmente unem o Oriente e o Ocidente. Como o Pontífice assinalou na Audiência Geral desta quarta-feira, o que tem início nesta quinta-feira "será uma viagem às fontes da fé apostólica e da fraternidade entre cristãos de várias confissões".

Consolação

O lema da etapa de Francisco em Chipre é "Consola-nos na fé", inspirado no nome de São Barnabé, que pode significar "filho da consolação". Desta forma, explica uma nota oficial, o objetivo é sugerir a importância do conforto e encorajamento mútuos, "dimensões essenciais para o diálogo, encontro e acolhimento, bem como traços salientes da vida e história da ilha". Chipre tem na sua história muitos séculos conturbados, marcados primeiro pelo domínio otomano, depois pelo domínio britânico e finalmente pela invasão da Turquia. Simbolizando tudo isto, ainda hoje, está a "linha verde", o muro militar que corta Nicósia de noroeste para sudoeste, tornando-a a única capital do mundo ainda dividida em duas fracções separadas: a do sul, capital da República de Chipre, e a do norte, capital da República do Norte de Chipre, reconhecida apenas por Ancara. Apesar desta complexa realidade, a ilha é um exemplo positivo: basta mencionar as palavras de Bento XVI que visitou o país em junho de 2010. “Chipre pode desempenhar um papel especial na promoção do diálogo e da cooperação", disse o então Pontífice. "O caminho que está percorrendo é um caminho que a comunidade internacional olha com grande interesse e esperança”.

Ecumenismo

Em ambos os países, Francisco irá se encontrar com os líderes das Igrejas Ortodoxas locais. Nesta sexta-feira de manhã, 3 de dezembro, no arcebispado de Nicósia, fará uma visita de cortesia à Sua Beatitude Chrysostomos II, arcebispo ortodoxo de Chipre. Depois um encontro com o Santo Sínodo na Catedral Ortodoxa da cidade. Na tarde de 4 de dezembro, porém, no arcebispado Ortodoxo da Grécia, o Papa irá se encontrar com Sua Beatitude Ieronymos II, arcebispo de Atenas e de toda a Grécia. O próprio Ieronymos II retribuirá a reunião na noite de domingo, 5 de dezembro, saudando o pontífice na Nunciatura. As conversações com os dois arcebispos ortodoxos terão lugar "em nome do Senhor da paz", explicou o Pontífice na mensagem vídeo de saudação aos habitantes dos dois países, divulgada nos últimos dias, e ambas as visitas trarão consigo "uma graça sinodal, uma fraternidade apostólica", unida a "grande respeito".

Europa

Na mesma mensagem vídeo, o Papa definiu esta viagem como "uma oportunidade de beber das antigas fontes da Europa: Chipre, uma extensão da Terra Santa no continente; Grécia, a pátria da cultura clássica". Não só: ambos os países são abraçados pelo Mediterrâneo, aquele "mare nostrum" do qual "a Europa não pode prescindir", salientou Francisco. Essas águas, de fato, ligam tantas terras, convidando-nos a "navegar juntos, não a dividir-nos indo cada um por si, especialmente neste período em que a luta contra a pandemia ainda requer muito empenho e a crise climática incumbe pesadamente".

Fraternidade

Atualmente, a Igreja Católica cipriota é composta principalmente por fiéis latinos, que são 38.000 (4,47%), e por maronitas (1,5%), mais uma pequena comunidade católica armênia (0,3%). Na Grécia, por outro lado, existem 133.000 católicos numa população de quase 11 milhões (1,2%). Destes, menos da metade são gregos. Nas últimas décadas, a presença de católicos de origem estrangeira que se estabeleceram permanentemente na Grécia cresceu significativamente. A estes devem juntar-se vários milhares de trabalhadores imigrantes com autorizações de residência temporária e requerentes de asilo. São, portanto, "pequenos rebanhos", como explicou o Papa Francisco, "irmãos e irmãs católicos que o Pai ama com muita ternura e a quem Jesus o Bom Pastor repete: 'Não temas, pequeno rebanho' (Lc 12,32)". A eles, num espírito de fraternidade, o Papa levará "o encorajamento de toda a Igreja Católica".

Jovens

Tal como com em outras viagens de Francisco, esta 35º viagem apostólica será encerrada com um encontro com os jovens: na manhã de 6 de dezembro, pouco antes de partir para Itália, o Papa saudará os jovens gregos na Escola S. Dionísio das Irmãs Ursulinas em Maroussi (Atenas). Francisco ouvirá as vozes de muitos jovens, cruzará com seus olhares, acolherá os testemunhos daqueles que vêm de países dilacerados por décadas de conflito, tais como a Síria. O fato que o último grande evento da visita papal seja precisamente um abraço ideal com as gerações mais jovens destina-se a ser uma forte mensagem de recuperação, não só para a Grécia, mas também para o mundo inteiro.

Migrantes e o Mediterrâneo

Este é o tema principal desta viagem, que será expresso em dois momentos chave do programa: nesta sexta-feira, às 16 horas, na igreja paroquial de Santa Cruz em Nicósia, Francisco participará de um momento de oração ecumênica com os migrantes. No domingo de manhã, em vez disso, irá a Mytilene-Lesbos para encorajar os refugiados acolhidos no "Centro de Acolhimento e Identificação".  Na ilha, o Papa terá "a oportunidade de se aproximar de uma humanidade ferida na carne de tantos migrantes em busca de esperança", como recordou nesta quarta-feira na Audiência Geral. Neste caso, será a segunda vez que o Papa irá a essa ilha, que já tinha visitado em 16 de abril de 2016 para levar proximidade e solidariedade aos refugiados no campo de Moria. No seu regresso dessa visita, no voo papal, Francisco acolheu 12 refugiados sírios e acompanhou-os a Roma para lhes oferecer assistência. Na mensagem vídeo para esta viagem, o próprio Pontífice disse: "penso naqueles que, nos últimos anos e ainda hoje, fugiram da guerra e da pobreza, chegando às costas do continente e em outros locais, e encontrando não hospitalidade, mas hostilidade, e até mesmo sendo explorados. Eles são nossos irmãos e irmãs. Quantos perderam as suas vidas no mar! Hoje 'o nosso mar', o Mediterrâneo, é um grande cemitério". Daí o seu forte apelo: "O mar, que abraça muitos povos, com os seus portos abertos, lembra-nos que as fontes de vida em conjunto residem na acolhida mútua".

Paz

O logotipo da viagem do Papa a Chipre retrata, além de Francisco e São Barnabé, um ramo de oliveira atado a uma espiga de trigo, sinais de paz e de comunhão. Para a Grécia, por outro lado, foi criado um desenho que representa a Igreja como um barco nas águas turbulentas do mundo, com a Cruz de Cristo como o mastro principal e o Espírito Santo a encher as velas. A sua forma e cor amarela evocam a mitra papal, sublinhando que Francisco chega como um "amigo da Grécia".

Esperança

O lema da viagem apostólica à Grécia é "Abramo-nos cada vez mais às surpresas de Deus". A frase é retirada da mensagem do Papa para o 36º Dia Mundial da Juventude, celebrado em 21 de novembro passado, e que na sua versão completa diz: "Estejamos abertos às surpresas de Deus, que quer iluminar o nosso caminho com a sua luz". Há um claro apelo à esperança: como explica uma nota oficial, "num momento em que estamos sofrendo as consequências da pandemia e da recente crise financeira, expressamos a nossa esperança de que a visita do Papa traga um raio de luz para o futuro da Grécia". Após a grave crise da dívida soberana que começou em 2009, a nação grega viu a sua situação econômica desabar, de tal modo que teve de recorrer três vezes ao plano internacional de salvamento. Em 2018, o país mostrou alguns sinais de recuperação, mas pouco depois a pandemia da Covid-19 virou novamente a situação. Até hoje, a nação helênica registou mais de 924.000 contágios por coronavírus e quase 18.000 mortes. Para não mencionar os danos que a emergência sanitária causou a setores-chave como o turismo e a indústria da construção naval, tanto que em 2020 o PIB nacional diminuiu 8,2%, enquanto a dívida pública saltou para mais de 200% do PIB nacional, o mais alto da União Europeia.

Humanidade

Especialmente para a etapa em Lesbos, Francisco descreveu-se como "um peregrino às fontes da humanidade", firme na sua convicção de que "as fontes da vida comum só voltarão a florescer na fraternidade e na integração: juntos". "Não há outra forma", reiterou ele. E assim é a partir do "passado luminoso" da Grécia, mas também de Chipre, dois "países ricos em história, espiritualidade e civilização", que o Pontífice parece estar pedindo a todos, católicos e não-católicos, um estremecer de humanidade, um futuro de nova esperança.

                                                                                           Isabella Piro, Silvonei José  

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quarta-feira, 1 de dezembro de 2021

Reflita com o padre Paulo Adolfo

O que o Natal nos ensina
sobre a pobreza: a desigualdade social e o Reino de Deus

Quando se aproxima o Natal, os ambientes cristãos católicos se enfeitam com o presépio. Essa forma bela e bucólica de representar o nascimento de Jesus foi inventada por São Francisco de Assis no ano de 1223.

A finalidade do presépio é oferecer uma maneira bem concreta de se entender e refletir sobre o nascimento de Jesus, a encarnação do Verbo de Deus. Portanto, o presépio tem uma finalidade evangelizadora, pois quer chamar a nossa atenção para esse evento histórico salvífico de grande dimensão e magnitude.

Quando criança, sempre me sentia fascinado com os presépios montados nas casas das pessoas que eu conhecia: simples, belos e sempre criativos.

Como minha família não possuía um, pedi para comprarem; daí em diante, eu mesmo tinha imenso prazer em montá-lo todos os anos.

Lembro-me de sair em busca de musgos vegetais que eram colocados como se fosse a vegetação do pequeno presépio. Trazia também outros elementos simples da natureza para colocar como complemento e enfeite e, assim, dar um realismo à cena do nascimento do Menino Deus, de acordo com a minha imaginação de criança.

Além dos presépios, em Luminosa, um distrito de Brazópolis, Minas Gerais, onde cresci e minha família mora até hoje, há um costume que nunca vi em outro lugar: no dia de Natal, distribuem-se doces para as crianças. São doces caseiros, sempre deliciosos, colocados em saquinhos de papel de seda ou papel crepom colorido.

Embora se diga que os doces sejam para as crianças, todos se deliciam, devido à abundância que os organizadores, chamados de “festeiros”, proporcionam com a ajuda da comunidade local. E como sempre chove nessa época, ao receber os saquinhos de doces, as mãos das pessoas ficam coloridas pela tinta do papel.

As recordações de Natal de minha infância são de presépios simples, belos e bucólicos; doces caseiros deliciosos e papéis coloridos que se desmanchavam, imprimindo nas mãos sua vivacidade.

Apesar de todos os aspectos bonitos que mencionei, logo descobri que, assim como já ensina uma bela canção de Natal, nem todas as crianças tinham as condições mínimas para viver com dignidade.

Embora seus pais fossem trabalhadores e labutassem pela vida de sol a sol, e ainda que os doces da Natal chegassem a todas as crianças de Luminosa, algumas delas só não passavam necessidades básicas porque a comunidade era solidária e fraterna.

Já nessa época, percebi ter recebido de Deus, como um grande dom, o senso de solidariedade e de justiça para com os sofredores e as sofredoras. E, desde então, também por graça de Deus, passei a me questionar sobre o porquê do sofrimento das pessoas, se Ele, que de todos cuida, é bom.

Nesse questionar, nunca me conformei com a ideia de que qualquer sofrimento seja por vontade de Deus, nem apenas consequência do acaso.

Essa inquietação diante do sofrimento e suas causas acompanharam-me pela juventude e foram, também, um presente de Deus.

Como foram presentes de Deus as várias pessoas que passaram por minha vida e que partilhavam dos mesmos sentimentos e inquietações.

Minha formação na Pastoral da Juventude e, depois, nos cursos de Filosofia e Teologia do seminário confirmaram minhas tenras percepções; e compreendi que Deus não só não é responsável pelo sofrimento que há no mundo, como também não concorda com ele.

Entendo que Deus espera que lutemos pela superação de todo e qualquer sofrimento, especialmente porque este tem uma causa bem determinada: a injustiça dos sistemas econômicos, que captura o ser humano, além das instituições e a política em suas redes, que usam da ganância, pecado próprio dos egoístas.

Diante disso – a contemplação do presépio e a meditação sobre o nascimento de Deus feito humano –, compreendi quais os propósitos de Deus com esse evento: ao nascer em carne humana, Jesus não só se solidariza com a humanidade, de forma geral, como se solidariza com cada pessoa, em sua condição específica de vida, e chama todas as pessoas à vida plena.

Ao nascer pobre e desprotegido na gruta de Belém, reservada aos animais, Jesus se solidariza com os mais pobres, com os que padecem pela fome, sede e frio e pela privação de saúde e de liberdade. Solidariza-se também com a “Casa Comum”, representada nos animais e na natureza da gruta que o acolhe.

Quando os bens lhe faltam, nascendo numa família pobre e de classe trabalhadora, solidariza-se com os trabalhadores e trabalhadoras que são espoliados pelo sistema econômico e não usufruem do seu árduo labor. Nascendo ainda numa periferia do mundo, de um povo quase sempre escravizado, solidariza-se com as periferias humanas e sociais, geográficas e existenciais.

Por fim, o presépio nos ensina, sobretudo, o tamanho do amor de Deus por nós: ao tornar-se humano, Ele nos convida a olharmos uns aos outros, com o mesmo amor que Ele nos devota. Nesse amor, nos chama à compaixão para com os que sofrem e para com os que causam o sofrimento.

A compaixão proposta por Deus é bem concreta: é o reconhecimento da dignidade da pessoa humana, que propõe a necessidade de devolvê-la aos que a perderam.

Em suma, a compaixão se estende aos que desfiguram a imagem e semelhança com o Criador, por serem causa, ou consequência da pobreza.

Que neste Natal, em tempos de pandemia, quando as diferenças sociais se tornam mais evidentes, Jesus nasça em nossos corações e em nossa sociedade!






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                                                                                                            Fonte: arquidiocesepa.org.br

Papa na catequese desta quarta-feira:

São José ensina a passar da paixão romântica ao amor maduro

A catequese deste dia 1o de dezembro foi dedicada de modo especial aos casais cristãos, para que possam aprender de São José o amor maduro, capaz de superar as adversidades da vida.

“José, homem justo e esposo de Maria”: este foi o tema da terceira catequese que o Papa dedicou ao pai de Jesus.

Na Audiência Geral, realizada na Sala Paulo VI, a intenção de Francisco foi oferecer uma mensagem a todos os namorados e noivos.

Para compreender o comportamento de José em relação a Maria, explicou o Papa, é útil recordar os costumes matrimoniais da época em Israel. O matrimônio compreendia duas fases. Na primeira, a noiva continuava a viver na casa paterna, mas de fato era já considerada "a esposa" do noivo. Um ano depois, tinha lugar a segunda fase, em que ela deixava a casa paterna e ia coabitar com o marido. Foi durante a primeira fase que se notou que Maria estava grávida; a Lei do tempo dava ao noivo a possibilidade de a acusar publicamente de adultério.

Segundo o Evangelho, José era "justo" precisamente porque se submetia à Lei, mas, dentro dele, o amor por Maria e a confiança que tinha nela sugerem-lhe uma forma de salvar as duas dimensões: entregar a ata de repúdio em segredo, sem expô-la à humilhação pública. "Quanta santidade em José!", acrescentou o Papa. "Nós, quando ficamos sabendo de algo ruim sobre outra pessoa, logo vamos fofocar. José quieto. Quieto." E enquanto decidia, interveio a voz de Deus para revelar um significado muito maior do que a própria justiça de José: "não temas receber Maria, pois o que Ela concebeu é obra do Espírito Santo".

Da paixão ao verdadeiro amor

Por trás de acontecimentos que nos parecem dramáticos, disse ainda o Papa, se esconde uma Providência que, com o tempo, toma forma e ilumina de significado inclusive a dor que nos atingiu. "A tentação é nos fechar naquela dor. E isto não faz bem. Isto nos leva à tristeza e à amargura. O coração amargo é tão ruim", disse ainda Francisco.

Provavelmente Maria e José tinham sonhos diferentes para suas vidas, mas tiveram que lidar com um fato inesperado. Por isso, afirmou Francisco, "com frequência a nossa vida não é como imaginamos". Sobretudo nos relacionamentos de amor, de afeto, há dificuldade em passar da lógica da paixão àquela do amor maduro. "Vocês, recém-casados, pensem bem nisto", advertiu.

O encanto pode não corresponder à realidade dos fatos. Mas justamente quando a paixão parece acaba, tem início o amor verdadeiro. Amar não é pretender que o outro corresponda à nossa imaginação, mas escolher em plena liberdade as responsabilidades que a vida apresentar. "Com todos os riscos", acrescentou o Pontífice, revelando o que, para ele, é o trecho mais "demoníaco" do Evangelho. Ou seja, quando os doutores da Lei, em João, falam com desprezo da origem de Jesus.

Portanto, os noivos cristãos são chamados a testemunhar um amor assim, que tenha a coragem de passar da lógica da paixão a um amor maduro. Esta é uma escolha exigente, que ao invés de aprisionar a vida, pode fortificar o amor para que seja duradouro diante das provações do tempo.

A briga entre casais "existe desde os tempos de Adão e Eva", recordou Francisco. E repetiu alguns conselhos, como, por exemplo, jamais encerrar o dia brigado com o parceiro, “pois a guerra fria do dia seguinte é muito perigosa”. É suficiente um gesto para fazer as pazes, disse o Papa, tocando o seu próprio rosto.

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Como nas catequeses precedentes, o Papa concluiu com mais uma oração:

São José,

tu que amastes Maria com liberdade,

e escolhestes renunciar ao teu imaginário para dar espaço à realidade,

ajuda cada um de nós a deixar-nos surpreender por Deus

e a acolher a vida não como um imprevisto do qual se defender,

mas como um mistério que esconde o segredo da verdadeira alegria.

Obtém a todos os noivos cristãos a alegria e a radicalidade,

mantendo, porém, sempre a consciência

de que somente a misericórdia e o perdão tornam possível o amor. Amém.

Bianca Fraccalvieri

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Assista:

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