segunda-feira, 1 de maio de 2017

Papa no Dia de São José Operário e dos Trabalhadores (as):

Respeito pelos trabalhadores deve marcar processo produtivo

Cidade do Vaticano (RV) -  “Que São José dê aos jovens a capacidade de sonhar, de se arriscar por grandes coisas, as coisas que Deus sonha para nós”. Com este tweet, o Papa Francisco dirige-se neste Dia de São José Operário e Dia do Trabalhador aos jovens do mundo inteiro, justamente eles que seguidamente sofrem com o desemprego.
Um convite, portanto, a não se desencorajarem diante das dificuldades, mas em renovarem a confiança e unirem-se em iniciativas e projetos criativos, como um novo estilo, o da fraternidade.
São José Operário
A crise no trabalho afeta todo o mundo. O Papa Francisco propõe portanto, uma receita antiga, mas sempre nova, a fraternidade. O faz em uma mensagem dirigida à Pontifícia Academia das Ciências Sociais, que até a terça-feira, 2 de maio, realiza no Vaticano sua Assembleia Plenária. O organismo da Santa Sé é presidido por Margaret Archer.
O Santo Padre defendeu a necessidade de uma reflexão global sobre o “trabalho justo” e o respeito pela dignidade humana, a começar no “processo produtivo”.
“O trabalho justo é aquele que não só assegura uma remuneração com equidade, mas também o que corresponde à vocação da pessoa e, por isso, é capaz de desenvolver as suas capacidades”, refere o Pontífice na mensagem.
O Papa observa que o trabalho transforma a pessoa e, por isso, tem uma dimensão moral.
“O trabalho não é um mero fator da produção que, como tal, deva adequar-se às exigências do processo produtivo, para lhe aumentar a eficiência. Pelo contrário, é o processo produtivo que tem de ser organizado de forma a permitir o crescimento humano das pessoas, a harmonia dos tempos de vida familiar e laboral”, escreve.
Francisco propõe o alargamento da noção de “justiça” para além do “momento distributivo da riqueza”, para que esta possa chegar ao momento da “produção”.
“É preciso também perguntar se o processo produtivo se desenvolve ou não no respeito pela dignidade do trabalho humano, se respeita os direitos humanos fundamentais, se é compatível com a norma moral”, acrescenta.
Comemora-se, neste 1º de maio, o Dia Mundial do Trabalhador
O Papa recorda a Doutrina Social da Igreja e o ensinamento dos seus predecessores para apresentar a fraternidade como “princípio regulador da ordem econômica”.
“É preciso remediar o erro da cultura contemporânea, que fez crer que uma sociedade democrática pode progredir mantendo separados o código da eficiência e o código da solidariedade”,  sublinha.
Francisco refere que é necessário procurar um “caminho de saída da sufocante alternativa” entre teses do neoliberalismo e do neoestatismo.
“É urgente intervir sobre as causas do mau funcionamento, sobretudo no campo financeiro, em vez de limitar-se a corrigir os seus efeitos.”
O Papa diz que as guerras, as mudanças climáticas e as desigualdades são as causas da “maior migração forçada” da história da humanidade, que atinge hoje “mais de 65 milhões de pessoas”.
 .................................................................................................................................................
                      Fonte: radiovaticana.va  (MJ/Agência Ecclesia)   1ª Ilustração: freifrancisco.com.br
...............................................................................................................................................................
Mensagem da CNBB aos trabalhadores (as) do Brasil 

“Encorajamos

a organização democrática e mobilizações pacíficas”
AOS TRABALHADORES E TRABALHADORAS DO BRASIL
MENSAGEM DA CNBB
“Meu Pai trabalha sempre, portanto também eu trabalho” (Jo 5,17)
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, reunida, no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida – SP, em sua 55ª Assembleia Geral Ordinária, se une aos trabalhadores e às trabalhadoras, da cidade e do campo, por ocasião do dia 1º de maio. Brota do nosso coração de pastores um grito de solidariedade em defesa de seus direitos, particularmente dos 13 milhões de desempregados.
O trabalho é fundamental para a dignidade da pessoa, constitui uma dimensão da existência humana sobre a terra. Pelo trabalho, a pessoa participa da obra da criação, contribui para a construção de uma sociedade justa, tornando-se, assim, semelhante a Deus que trabalha sempre. O trabalhador não é mercadoria, por isso, não pode ser coisificado. Ele é sujeito e tem direito à justa remuneração, que não se mede apenas pelo custo da força de trabalho, mas também pelo direito à qualidade de vida digna.
Ao longo da nossa história, as lutas dos trabalhadores e trabalhadoras pela conquista de direitos contribuíram para a construção de uma nação com ideais republicanos e democráticos. O dia do trabalhador e da trabalhadora é celebrado, neste ano de 2017, em meio a um ataque sistemático e ostensivo aos direitos conquistados, precarizando as condições de vida, enfraquecendo o Estado e absolutizando o Mercado. Diante disso, dizemos não ao “conceito economicista da sociedade, que procura o lucro egoísta, fora dos parâmetros da justiça social” (Papa Francisco, Audiência Geral, 1º. de maio de 2013).
Nessa lógica perversa do mercado, os Poderes Executivo e Legislativo reduzem o dever do Estado de mediar a relação entre capital e trabalho, e de garantir a proteção social. Exemplos disso são os Projetos de Lei 4302/98 (Lei das Terceirizações) e 6787/16 (Reforma Trabalhista), bem como a Proposta de Emenda à Constituição 287/16 (Reforma da Previdência). É inaceitável que decisões de tamanha incidência na vida das pessoas e que retiram direitos já conquistados, sejam aprovadas no Congresso Nacional, sem um amplo diálogo com a sociedade.
Irmãos e irmãs, trabalhadores e trabalhadoras, diante da precarização, flexibilização das leis do trabalho e demais perdas oriundas das “reformas”, nossa palavra é de esperança e de fé: nenhum trabalhador sem direitos! Juntamente com a Terra e o Teto, o Trabalho é um direito sagrado, pelo qual vale a pena lutar (Cf. Papa Francisco, Discurso aos Movimentos Populares, 9 de julho de 2015).
Encorajamos a organização democrática e mobilizações pacíficas, em defesa da dignidade e dos direitos de todos os trabalhadores e trabalhadoras, com especial atenção aos mais pobres.
Por intercessão de São José Operário, invocamos a benção de Deus para cada trabalhador e trabalhadora e suas famílias.
Aparecida, 27 de abril de 2017
                Dom Sergio da Rocha - Arcebispo de Brasília-DF - Presidente da CNBB                        
Dom Murilo S. R. Krieger - Arcebispo de S. Salvador da Bahia-BA - Vice-Presidente da CNBB
Dom Leonardo Ulrich Steiner - Bispo Auxiliar de Brasília-DF - Secretário-Geral da CNBB
............................................................................................................................................
                                                                                                                Fonte: cnbb.org.br

Confira a entrevista integral do Papa

aos jornalistas ao retornar do Egito

Cidade do Vaticano (RV) - Ao retornar a Roma vindo do Egito, o Papa Francisco encontrou os jornalistas presentes no voo A331 da Alitália, a quem respondeu às perguntas, tendo como moderador o Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Greg Burke. Eis a íntegra de sua entrevista:
Greg Burke: Obrigado, Santo Padre. Há alguns jornalistas que fazem a viagem pela primeira vez e outros que já fizeram quase uma centena de viagens, mais de uma centena! Não sei se o Santo Padre sabe quantas viagens internacionais fez...
Papa Francisco: Dezoito.
Greg Burke: Dezoito. E a décima nona está à porta, pelo que também o Santo Padre já tem um bom número de viagens papais. Obrigado por este momento, que é sempre um momento importante para nós.
Começamos pelo grupo italiano: Paolo Rodari. Mas não sei se o Santo Padre quer dizer alguma coisa antes.
Papa Francisco: Sim. Boa tarde! Agradeço o vosso trabalho, porque foram 27 horas – creio eu – de muito trabalho. Muito obrigado pelo que fizestes. Obrigado. E estou à vossa disposição.
Greg Burke: Obrigado, Santo Padre.
Paolo Rodari, de «República»: Santo Padre, obrigado. Queria fazer-lhe uma pergunta a propósito do seu encontro de ontem com o Presidente Al Sisi: De que falaram? Acenou-se ao tema dos direitos humanos e, concretamente, houve oportunidade de falar do caso de Giulio Regeni? Na sua opinião, chegar-se-á à verdade sobre isso?
Papa Francisco: A propósito disto, darei uma resposta geral para, depois, chegar ao caso particular. Geralmente, quando estou com um Chefe de Estado, em diálogo privado, este permanece privado. A não ser que, de comum acordo, se diga: «Tudo o que dissermos sobre este ponto, torná-lo-emos público». Nesta viagem, tive quatro diálogos privados: com o Grande Imã de Al-Azhar, com o Presidente Al Sisi, com o Patriarca Tawadros e com o Patriarca Ibrahim; e acho que, se o diálogo é privado, por respeito se deve manter a confidencialidade. É reservado. Depois, há a pergunta sobre Regeni. Estou preocupado. Por parte da Santa Sé, eu intervim sobre este assunto, porque os próprios pais mo pediram; a Santa Sé interveio. Não direi como nem onde, mas interviemos.
Darío Torres Menor, "El Correo": Obrigado, Santidade. O Santo Padre disse ontem que a paz, a prosperidade e o desenvolvimento merecem todo o sacrifício e, depois, sublinhou a importância do respeito pelos direitos inalienáveis do homem. Significa isto um apoio ao governo egípcio, um reconhecimento pelo seu papel no Médio Oriente, pelo modo como tenta defender os cristãos, apesar de serem insuficientes as garantias democráticas?
Papa Francisco: Não. Devem-se interpretar literalmente como valores em si mesmos. Eu disse isto: defender a paz, defender a harmonia dos povos, defender a igualdade dos cidadãos, seja qual for a religião que professem, são valores. Falei dos valores. Se um governante defende este valor ou aquele, é outro problema. Fiz dezoito visitas a vários países. Às vezes ouvi dizer: «O Papa, indo lá, dá apoio àquele governo». Porque um governo tem sempre as suas fraquezas ou os seus adversários, cada qual diz a sua... Não me intrometo. Falo dos valores e cada um veja e julgue se este governo ou este Estado, este ou aquele, promove tais valores.
Darío Torres Menor: Ficou com o desejo de visitar as Pirâmides?
Papa Francisco: Mas queres saber que hoje, às seis horas da manhã, os meus dois assistentes foram visitar as Pirâmides?
Darío Torres Menor: Ai sim? Gostaria de ter ido com eles?
Papa Francisco: Sim, verdadeiramente sim...
Darío Torres Menor: Muito obrigado.
Greg Burke: Procuremos cingir-nos aos temas da viagem...
Virginie Riva, «Radio Europe 1»: Santo Padre, uma pergunta que parte da viagem, mas – se o Santo Padre aceitar – para envolver a França. Na Universidade de Al-Azhar, falou dos populismos demagógicos. Os católicos franceses, neste período, sentem-se tentados pelo voto populista ou nos extremos: estão divididos e desorientados. Que elementos de discernimento poderia dar a estes eleitores católicos?
Como costuma fazer no voo de volta de suas viagens internacionais,

o Papa Francisco respondeu às perguntas dos jornalistas
Papa Francisco: Bem, há uma dimensão de «populismo» entre aspas, porque esta palavra, como sabeis, tive de a reaprender na Europa, pois na América Latina tem outro significado. Há o problema da Europa e há o problema da União Europeia. O que disse sobre a Europa, não o repetirei aqui. Já falei quatro vezes: duas em Estrasburgo, uma no Prémio Carlos Magno e outra no início da comemoração do sexagésimo aniversário [dos Tratados de Roma]. Lá está tudo aquilo que disse sobre a Europa. Cada país é livre de fazer as escolhas, sobre isso, que julgue convenientes; não posso julgar se faz esta escolha por este motivo ou por outro, porque não conheço a política interna. É verdade que a Europa está em perigo de desintegrar-se; isto é verdade. Disse-o suavemente em Estrasburgo, disse-o mais forte no Prémio Carlos Magno e, ultimamente, sem nuances. Sobre isto, devemos apenas meditar: a Europa vai do Atlântico aos Urais... Há um problema que assusta a Europa e, talvez, alimente os populismos: o problema das migrações. Isto é verdade. Mas não esqueçamos que a Europa foi feita por migrantes: séculos e séculos de migrantes... somos nós! Mas é um problema que se deve estudar bem, e é preciso também respeitar as opiniões; as opiniões honestas dum debate Político com maiúscula, em grande: uma Política grande, não com a pequena política do país que no fim acaba por cair. Quanto à França, eu – digo a verdade – não estou a par da política interna francesa. Procurei ter boas relações, mesmo com o Presidente atual, com quem houve uma vez um conflito, mas depois pude falar claramente sobre o assunto, respeitando a sua opinião... Dos dois candidatos políticos [Le Pen e Macron], não conheço a história, não sei donde vêm... Sei, sim, que um é representante da direita forte, mas o outro verdadeiramente não sei donde vem. Por isso, não posso formular uma opinião clara sobre a França. Falando dos católicos, aqui no Egito, num dos encontros, ao saudar as pessoas, disse-me alguém: «Porque não pensa na política em grande?» - «Que quer dizer?». Respondeu-me, como que pedindo ajuda: «Fazer um partido para os católicos». Este senhor é bom, mas vive no século passado! Relativamente aos populismos, há uma relação com os migrantes, mas isto não faz parte da viagem. Se houver tempo, posso voltar ao tema. Se houver tempo, voltarei.
Vera Shcherbakova, da agência russa Itar-Tass: Santo Padre, antes de mais nada agradeço-lhe a bênção que me deu: o Santo Padre abençoou-me, quando, há poucos minutos, me ajoelhei aqui na frente. Sou ortodoxa, e não vejo nisso qualquer contradição... Queria perguntar: Quais são as perspetivas [de desenvolvimento] nas relações com os ortodoxos – claro – russos? Mesmo ontem se referia, na Declaração Comum com o Patriarca Copta Ortodoxo, a data da Páscoa em comum e falava-se também do reconhecimento do Batismo... Com os ortodoxos russos, a que ponto se está? E outra coisa: Como avalia, Santo Padre, as relações entre o Vaticano e a Rússia enquanto Estado, inclusive à luz da defesa dos valores dos cristãos do Médio Oriente, sobretudo na Síria?
Papa Francisco: Christòs anèsti [Cristo ressuscitou]! Sempre mantive uma grande amizade com os ortodoxos, já desde Buenos Aires. Por exemplo, anualmente no dia 6 de janeiro, ia às Vésperas na vossa catedral, presidia o Patriarca Platon (agora está na área da Ucrânia, é arcebispo): 2 horas e 40 minutos de oração numa língua que eu não compreendia, mas podia-se rezar bem! E depois a ceia com a comunidade, trezentas pessoas, a ceia da vigília de Natal – não a ceia de Natal, mas a da vigília – em que ainda não se podia comer laticínios nem carne, mas era uma ceia boa... E depois o sorteio, a lotaria... amizade. O mesmo com os outros ortodoxos. Às vezes, precisavam de ajuda legal: vinham à Cúria Católica, porque são comunidades pequenas e iam aos advogados... Tive sempre uma relação fraterna: somos Igrejas irmãs. Com Tawadros, tenho uma amizade especial: para mim, é um grande homem de Deus. Tawadros é um Patriarca, um Papa que fará avançar a Igreja, fará avançar o nome de Jesus... Possui um grande zelo apostólico. Ele é um dos mais – deixai-me usar a palavra, mas entre aspas – «fanáticos» [propugnadores] de se encontrar a data fixa da Páscoa. Eu também, mas… procuremos o modo. Ele diz: «Lutemos, lutemos!» É um homem de Deus. É um homem que, quando era bispo longe do Egito, ia dar de comer às pessoas com deficiência; é um homem que foi enviado numa diocese com cinco igrejas e, com o seu zelo apostólico, deixou vinte e cinco, não sei quantas famílias cristãs. Sabes como se faz entre eles a eleição? Procuram-se, escolhem-se três; depois colocam-se os seus nomes numa saca, chama-se uma criança, vendam-se-lhe os olhos e a criança escolhe o nome... E ali está o Senhor! Ele é claramente um grande Patriarca. Na unidade do Batismo, vai-se avançando. A culpa a propósito do batismo deve-se a um facto histórico, porque, na época dos primeiros Concílios, estávamos em comum. Depois, como os cristãos coptas batizavam as crianças nos santuários, quando queriam casar-se com uma católica vinham ter connosco; pedia-se-lhes a prova [do Batismo] e não a tinham… então fazia-se o Batismo sob condição. Assim quem começou fomos nós, não eles. Mas agora abriu-se a porta e estamos na boa estrada para [resolver] este problema, para o podermos superar. Na Declaração Comum, fala-se disto no penúltimo parágrafo.
Os ortodoxos russos reconhecem o nosso batismo, e nós reconhecemos o deles. Dava-me muito bem com o bispo em Buenos Aires, com os russos. E também, por exemplo, com os georgianos. O Patriarca dos georgianos, Elias II, é um homem de Deus, é um místico! E nós, católicos, devemos aprender também desta tradição mística das Igrejas Ortodoxas. Nesta viagem, fizemos o encontro ecuménico: estava presente também o Patriarca Bartolomeu, estava o Patriarca greco-ortodoxo, e participavam outros cristãos: os anglicanos, inclusive o Secretário do Conselho Ecuménico das Igrejas de Genebra... No ecumenismo, tudo se faz em caminho. O ecumenismo é feito em caminho, com as obras de caridade, com as iniciativas de entreajuda… fazer as coisas juntos, quando se podem fazer juntos. Não existe um ecumenismo estático. É verdade que os teólogos devem estudar e porem-se de acordo, mas isto não poderá ser bem-sucedido, se não se caminha. «Que podemos fazer agora?» Façamos aquilo que podemos fazer: orar juntos, trabalhar juntos, praticar juntos as obras de caridade... Mas juntos! E isto é avançar. As relações com o Patriarca Kirill são boas. O Arcebispo Metropolita Hilarion veio também várias vezes falar comigo, e temos um bom relacionamento.
Vera Shcherbakova: E quanto ao Estado russo? Os cristãos, os valores comuns?
Papa Francisco: Sim, eu sei que o Estado russo fala disto, da defesa dos cristãos do Médio Oriente. Sei disto e creio que é uma coisa boa falar, lutar contra a perseguição. Hoje há mais mártires do que nos primeiros séculos, sobretudo no Médio Oriente.
Phil Pullella, agência Reuters: O Santo Padre falou ontem, no primeiro discurso, do perigo de ações unilaterais e que todos devem ser construtores de paz. No primeiro discurso de ontem, falou muito da «terceira guerra mundial aos pedaços». Mas parece que hoje este medo e esta ansiedade estejam concentradas em torno da Coreia do Norte, naquilo que lá está a acontecer.
Papa Francisco: Sim, é o ponto de concentração.
Phil Pullella: Precisamente: é o ponto de concentração. O Presidente Trump posicionou um esquadrão de navios militares ao largo da costa da Coreia do Norte; o líder da Coreia do Norte ameaçou bombardear a Coreia do Sul, o Japão e até os Estados Unidos, caso eles consigam construir mísseis de longo alcance; as pessoas têm medo, ao verem falar da possibilidade duma guerra nuclear, como se nada fosse. Santidade, se vir o Presidente Trump, mas também outras pessoas, que gostava de dizer a estes líderes que têm a responsabilidade pelo futuro da humanidade? É que estamos num momento bastante crítico…
Papa Francisco: Convido-os – e continuarei a fazê-lo, como aliás tenho convidado os líderes de diferentes lugares – a trabalhar para resolver os problemas pelo caminho da diplomacia. E temos os facilitadores – muitos no mundo -, temos mediadores que se oferecem: há países, como a Noruega, por exemplo. Ninguém pode acusar a Noruega de ser um país ditatorial. Está sempre pronta a ajudar... Isto, para citar um exemplo, mas há muitos... Entretanto o caminho é o das negociações: o caminho da solução diplomática. Esta «guerra mundial aos pedaços», de que tenho falado desde há dois anos mais ou menos, é «aos pedaços», mas os pedaços têm-se ora alargado, ora concentrado. Concentraram-se em pontos que já eram «quentes»; com efeito, há um ano que se vem desenrolando este caso dos mísseis da Coreia, mas agora parece que o problema se esteja a exacerbar demais. Convido sempre a resolver os problemas pelo caminho diplomático, através de negociações... Porque está em jogo o futuro da humanidade. Hoje uma guerra alargada destruirá, não digo metade, mas certamente uma boa parte da humanidade e da cultura... tudo, tudo. Seria terrível. Creio que hoje a humanidade não seria capaz de suportar. Mas debrucemo-nos sobre os países que padecem uma guerra interna, no seu seio, onde há focos de guerra: o Médio Oriente, por exemplo; mas também, na África, o Iémen... Paremos [com a guerra]! Procuremos uma solução diplomática. E creio que as Nações Unidas tenham o dever de reafirmar um pouco mais a sua liderança nisto, porque está diluída, aguada: um pouco aguada.
Phil Pullella: O Santo Padre quer encontrar o presidente Trump quando vier à Europa? Houve algum pedido em ordem a este encontro?
Papa Francisco: Ainda não fui informado pela Secretaria de Estado que tenha havido um pedido; mas eu recebo todo o Chefe de Estado que peça audiência.
Greg Burke: Penso que acabaram as perguntas sobre a viagem. Será possível aceitar ainda uma? Depois temos de jantar, às seis e meia... Temos Antonio Pelayo, de Antena 3, que o Santo Padre conhece…
Antonio Pelayo: Santo Padre, ultimamente a situação na Venezuela tem degenerado gravemente, havendo já muitas mortes. Queria perguntar-lhe se a Santa Sé e o Santo Padre, pessoalmente, pensam relançar uma ação, uma intervenção pacificadora? E que formas poderia assumir esta ação.
Papa Francisco: Houve uma intervenção da Santa Sé a pedido insistente dos quatro Presidentes que estavam a trabalhar como facilitadores, e... não resultou. Ficou-se por aí. Não resultou, porque as propostas não eram aceites: ou se esbatiam ou havia um «sim, sim» que depois era um «não, não»... Todos conhecemos a situação difícil da Venezuela, um país que muito amo. E sei que agora estão a insistir – não sei bem donde [vem], mas creio que dos quatro Presidentes – para se relançar esta facilitação; andam à procura dum lugar bom. Eu creio que tem de partir já com condições; condições muito claras. Parte da oposição não quer isto: é curioso, que a própria oposição está dividida. E, por outro lado, parece que os conflitos se intensificam cada vez mais. Mas algo se move; fui informado que algo está em movimento, mas ainda muito no ar. Entretanto tudo o que se possa fazer pela Venezuela, há que fazê-lo. Com as garantias necessárias. Senão estamos a jogar ao tintin piruleiro, e não resulta. Obrigado.
Greg Burke: Obrigado, Santo Padre. E agora temos que ir...
Papa Francisco: Mais uma.
Jörg Bremer, de Frankfurter Allgemeine: Há poucos dias, o Santo Padre falou do tema dos refugiados na Grécia, em Lesbos, e usou a expressão «campo de concentração», porque superlotado de pessoas. Claro, para nós, alemães, trata-se duma designação muito, mas muito séria e muito próxima à de «campo de extermínio». Há quem diga que se tratou de um seu lapsus linguae… que pretendia dizer?
Papa Francisco: Primeiro, deveis ler bem tudo o que eu disse. Disse que os mais generosos da Europa eram a Itália e a Grécia: e têm sido... É verdade que são os mais próximos da Líbia e da Síria. Quanto à Alemanha, sempre admirei a capacidade de integração. Quando eu lá estudava, havia muitos turcos, integrados, em Francoforte. Muitos... integrados, e faziam uma vida normal. Não foi um lapsus linguae: há campos de refugiados que são verdadeiros campos de concentração. Talvez haja algum na Itália, há-os noutros lados... Na Alemanha não, de certeza. Tu pensa: Que fazem as pessoas que estão fechadas num campo e não podem sair? Pensa naquilo que aconteceu no Norte da Europa, quando queriam atravessar o mar para ir para a Inglaterra: fecharam-nos dentro! Deu-me vontade de rir – mas a cultura italiana é um pouco assim – deu-me vontade de rir ao ouvir o que sucedeu num campo de refugiados na Sicília (contou-mo o delegado da Ação Católica da diocese de Agrigento; naquela área, existem dois ou três de tais campos). Não sei em qual diocese, mas as autoridades daquela terra, onde está o campo, falaram às pessoas do campo de refugiados dizendo-lhes: «A vós, o facto de permanecerdes aqui dentro prejudicar-vos-á a saúde mental; deveis sair. Mas, por favor, não façais asneiras. Não vos podemos abrir a porta, mas fazemos um buraco, nas traseiras. E vós saí, fazei um belo passeio...» E, deste modo, se criaram relações com os habitantes daquela aldeia, relações boas... Estes não praticam delinquência, não praticam criminalidade. Mas o simples facto de estarem fechados, sem fazer nada, isto é um lagher, não? Mas não tem nada a ver com a Alemanha; isso não. Obrigado!
Greg Burke: Obrigado ao Santo Padre...
Papa Francisco: Obrigado a todos vós pelo trabalho que fazeis e que ajuda tantas pessoas. Não imaginais o bem que podeis fazer com as vossas crónicas, os vossos artigos, as vossas ideias... Devemos ajudar as pessoas e ajudar também a comunicação, para que a comunicação e a própria imprensa nos levem para coisas boas e não para despistes que não nos ajudam. Muito obrigado! E bom jantar. E rezai por mim!
.................................................................................................................................................
                                                                                            Fonte: radiovaticana.va      news.va

domingo, 30 de abril de 2017


Papa pede respeito pelos direitos humanos na Venezuela

Cidade do Vaticano (RV) – A oração do Regina Coeli na manhã de domingo, (30/04) foi presidida pelo Papa Francisco na Praça São Pedro, onde ele participou do evento promovido pela Ação Católica Italiana, que comemora 150 anos de fundação.
Após fazer um discurso aos cerca de 70 mil membros e amigos da ACI presentes na Praça, Francisco fez a sua reflexão habitual, expressando inicialmente a sua preocupação com a situação na Venezuela:
Regina Coeli na Praça com 70 mil fiéis
“Continuam a chegar notícias dramáticas sobre o agravamento dos confrontos, com numerosos mortos, feridos e presos. Uno-me à dor dos familiares das vítimas, a quem asseguro orações, e faço um forte apelo ao Governo e a todas as componentes da sociedade venezuelana a fim de que seja evitada qualquer nova forma de violência; sejam respeitados os direitos humanos e se busquem soluções negociadas para a crise humanitária, social, política e econômica que está castigando a população”.
“Confiemos à Santíssima Virgem Maria a intenção da paz, reconciliação e democracia para aquele querido país. E rezemos também por todos os países que passam por graves dificuldades, como a República da Macedônia”.
Na sequência, o Papa mencionou a Bem-aventurada Leopoldina Naudet, beatificada sábado (29/04) em Verona (norte da Itália, ndr), que fundou a Congregação das Irmãs da Sagrada Família.
Encorajou ainda o apoio à Universidade Católica do Sagrado Coração, que investe na formação de jovens e recordou o ‘Domingo Bíblico’ na Polônia, uma ocasião em que é lida publicamente uma parte das Escrituras em paróquias, escolas e na imprensa.
Antes de se despedir, Francisco saudou peregrinos de vários países, agradeceu Maria, nossa Mãe, pela viagem apostólica recém-realizada ao Egito e pediu ao Senhor “que abençoe todo o povo egípcio, as autoridades, os cristãos e muçulmanos, e que doe paz àquele país”. (cm)
............................................................................................................................................................
Ação Católica Italiana
comemora 150 anos com o Papa na Praça
Cidade do Vaticano (RV) – O domingo (30/04) começou cedo na Praça São Pedro com a chegada, a partir das 7h, de milhares de membros da Ação Católica Italiana para participar de um evento em que comemoram 150 anos da associação. 70 mil pessoas coloriram a Praça e todas as redondenzas do Vaticano, segundo a Sala de Imprensa da Santa Sé.
‘#AC150 Futuro Presente’ foi o título do encontro feito de música, reflexão, testemunhos e orações. “Uma ocasião única para recordar com gratidão a história que nos precedeu, agradecer por este tempo extraordinário que nos é oferecido agora e projetar um futuro ainda mais bonito”, como definido pela ACI.
Depois de uma estensa volta com o papamóvel, o Pontífice entrou na Praça às 11h e foi recebido pelo aplauso da multidão e por saudações do Presidente da Ação Católica Italiana, Matteo Truffelli, e do Assistente Eclesiástico Geral, Dom Gualtiero Sigismondi, bispo de Foligno, centro da Itália. Depois, foi a vez de Francisco se dirigir aos presentes.
ACI promoveu evento e o Papa distribuiu seu carinho
O Pontífice começou lembrando o nascimento da ACI, a partir do sonho de dois jovens, Mario Fani e Giovanni Acquaderni, que se tornou um caminho de fé para muitas gerações e vocação de santidade para tantos jovens e adultos que hoje vivem como felizes testemunhas do amor de Jesus no mundo.
“È uma história bonita e importante de homens e mulheres de todas as idades e condições que apostaram no desejo de viver juntos o encontro com o Senhor, independentemente de sua posição social, preparação cultural e local de proveniência. Com seu esforço e competências, contribuem para construir uma sociedade mais justa, fraterna e solidária. É uma história de paixão pelo mundo e pela Igreja: figuras luminosas de fé exemplar, que servem o país com generosidade e coragem”, elogiou Francisco.
“No entanto, ter uma história bonita não serve para se olhar no espelho ou sentar-se comodamente na poltrona!, ressalvou. “Encorajo vocês a prosseguirem como um povo de discípulos-missionários, como nos ensinaram grandes testemunhas de santidade que marcaram o caminho de sua associação: Giuseppe Toniolo, Armida Barelli, Piergiorgio Frassati, Antonietta Meo, Teresio Olivelli e Vittorio Bachelet”.  
Em seguida, Francisco convidou os membros da ACI a enraizarem sua experiência apostólica nas paróquias, que são “o âmbito da escuta da Palavra, do crescimento da vida cristã, do diálogo, do anúncio, da caridade generosa, da adoração e da celebração”.
“Que a sua pertença à diocese e à paróquia se encarne ao longo das ruas das cidades, dos bairros e dos países. E assim como nos últimos 150 anos, sintam a responsabilidade do serviço à caridade, o engajamento político, a paixão educativa e a participação no debate cultural. Ampliem seus corações, sejam viandantes da fé para acolher, escutar e abraçar todos, especialmente os pobres, aqueles que foram feridos pela vida e se sentem abandonados e buscam abrigo em nossas casas e cidades”.
Enfim, o pedido para serem abertos a quem os circunda:
“Busquem sem medo o diálogo com quem vive a seu lado, pensa diferente, mas como vocês, quer a paz, a justiça e a fraternidade. É no diálogo que se pode planejar um futuro comum”, terminou o Papa.(CM)
.................................................................................................................................................
                                                                                            Fonte: radiovaticana.va      news.va

Reflexão para seu domingo

Reconhecer o caminhante

Quem caminha com reta intenção de fazer o bem ao semelhante, imitando o bom samaritano na parábola que Jesus conta, só atrai para si as consequências de tudo fazer como ao próprio Filho de Deus.
Jesus caminha
com os discípulos de Emaús
Após a ressurreição Jesus se mostra a muitas testemunhas e lhes deu a missão de anunciar a todos sobre quem Ele é e seus ensinamentos. Não bastaria dizer sobre seus milagres. É preciso dar fé à sua natureza divina, além da humana, para não  segui-lo só por interesses ou busca de soluções de ordem sensível e passageira. Sua pessoa veio nos garantir a recompensa se vivermos segundo seus ensinamentos.  Pedro lembra que seremos recompensados de acordo com o que praticamos nesta vida (Cf. 1 Pedro 1,17). Fazendo o “dever de casa” aqui na terra, temos a certeza de que Ele nos dará o prêmio de eternidade feliz.
A caminho de Emaús dois discípulos foram alcançados por um homem, sem eles perceberem que era o próprio Jesus ressuscitado. Qual não foi sua surpresa quando tomava refeição com eles, no lugar para onde se dirigiram. O Mestre abençoou o pão como na última ceia. Abriram-se-lhes os olhos! (Cf. Lucas 24,13-35). Reconheceram quem era  o caminhante com eles!
Nos passos da vida convivemos com muitas pessoas. Às vezes não sabemos quem são. Às vezes são pessoas santas, que podem nos ajudar a santificar-nos também. Podem ser pessoas que precisam de nosso apoio, compreensão, ajuda, promoção, atenção, misericórdia, perdão e solidariedade. Muitas vezes pensamos que vamos ajudar os outros. De repente, somos mais ajudados do que ajudamos. Quem dá de si acaba recebendo mais do que oferece. É preciso o olhar da fé, da comiseração, da humildade, do respeito à diversidade... Muitas vezes podemos julgar mal, discriminar, excluir. Isso pode acontecer até com quem convive conosco no dia a dia... Não é feliz e não é recompensado quem julga mal, condena e espalha “veneno” contra os outros, até pelos meios de comunicação. Isso é feito muito pela internet (whatsApp, facebook e outros).
Reconheceram Jesus no partir do pão
Quem caminha com reta intenção de fazer o bem ao semelhante, imitando o bom samaritano na parábola que Jesus conta, só atrai para si as consequências de tudo fazer como ao próprio Filho de Deus. Não ficará sem a recompensa. Logo que os dois discípulos de Emaús reconheceram Jesus ressuscitado, voltaram imediatamente a Jerusalém para comunicar o fato aos apóstolos. Também nós, que reconhecemos pela fé a Jesus vencedor da morte e o vislumbramos em todo o semelhante. Nós o ajudamos como ao próprio Mestre e não nos aquietamos enquanto não fizermos tudo para anunciar sua pessoa e seus ensinamentos a  quem pudermos, como verdadeira ação missionária. Aliás, antes de subir ao céu, Jesus deu a missão aos discípulos: “Ide e ensinai a todos a observar tudo o que vos mandei” (Mt 28,20). Afinal, se Ele venceu a morte temos a certeza de que não estamos seguindo a um simples fundador de religião humana a mais, que não tem o poder, por si mesmo, de nos dar a recompensa com a vida eterna feliz!
                                Dom José Alberto Moura - Arcebispo Metropolitano de Montes Claros
...............................................................................................................................................
   Fonte: cnbb.leste2.org.br    Ilustrações: psrdecassia.webnode.com.br  padrepauloricardo.org

sábado, 29 de abril de 2017

Monge trapista, dom Bernardo Bonowitz,

prega retiro para bispos no fim de semana

Do sábado, a partir das 15h30 até domingo às 12h45, ocorre o Retiro dos bispos na 55ª Assembleia Geral da CNBB. O abade do mosteiro do Mosteiro de Nossa Senhora do Novo Mundo, em Campo Tenente (PR), Dom Bernardo Bonowitz (nome religioso), de 68 anos, pregará o retiro.
Dom Bernardo Bonowitz
Nascido em Nova York (EUA) no seio de uma família judaica, Bonowitz se converteu ao catolicismo aos 19 anos. Após formar se formar em Línguas Clássicas pela Universidade de Columbia de Nova York, ingressou na Companhia de Jesus, onde foi ordenado sacerdote e realizou estudos em teologia mística na Alemanha.
Em 1982, aos 24 anos, mudou-se para Ordem dos Cistercienses da Estrita Observância (Trapistas), na Abadia de São José, em Spencer, Massachusetts. Atuou como mestre de noviços de 1986 a 1996, quando foi eleito superior do mosteiro de Nossa Senhora de Novo Mundo no Brasil.
Despertar vocacional
Foi por meio do contato constante com diferentes expressões da arte ocidental – literatura,  música e pinturas – que Dom Bernardo despertou para a um encontro pessoal com Jesus Cristo. O monge busca viver os elementos fundamentais da espiritualidade Beneditina, conforme o primeiro capítulo das Regras de São Bento: um abade, uma regra e uma comunidade fraterna. “Acho que a interação perpétua entre estes três elementos é a marca registrada da Espiritualidade Beneditina”, disse.
Sobre a iniciação Cristã, Dom Bernardo Bonowitz, acredita que a força do Cristianismo na sociedade ocidental dependerá de uma apropriação da fé em Jesus Cristo e seu Evangelho. “Por mais que ame a cultura cristã, não é ela que eu quero ver prevalecer, mas, sim, o conhecimento e seguimento de Jesus e a vida transformada que Ele nos traz”, disse.
Para o monge, os cristãos católicos devem retomar a vida dos primeiros cristãos, a “vida apostólica”, de oração, partilha, testemunho corajoso, participação na Eucaristia, não-violência, estudo bíblico – e que o resto seja como Deus quiser.
O aspecto mais difícil da vida monástica, destaca, e para qualquer pessoa um é o caminho de auto-conhecimento, o caminho da humildade, onde eu descubro a minha pobreza pessoal e aprendo a confiar em Deus e não em mim mesmo.
A nossa tarefa neste mundo, como monges, é de aprender a cumprir os dois grandes mandamentos: o amor a Deus e, em seguida, o amor ao próximo. “Uma pessoa que verdadeiramente ama a Deus de todo o coração será, por este amor, uma luz para o mundo”, conclui.
Com mestrado em Teologia pela Weston Jesuit School of Theology em Massachusetts (EUA), o abade é autor de vários livros publicados no Brasil.
............................................................................................................................................
                                                                                 Fonte: cnbb.net.br   Foto: Maurício Sant’ana

Papa em homilia no Egito:

"O único extremismo permitido aos cristãos é o da caridade"

Cairo (RV) – Depois de uma programação intensa em seu primeiro dia de visita ao Cairo, com encontros com o Presidente egípcio Al-Sisi, o discurso na Universidade Al-Azhar e a visita ao Patriarca copta-ortodoxo Tawadros II, neste sábado o Papa conclui a viagem dedicando-se inteiramente ao aspecto pastoral, recebendo o abraço da pequena, mas muito ativa,comunidade copta-católica.
O dia começou com a despedida da Nunciatura e a saudação de um grupo de crianças alunas da Escola Comboniana do Cairo. Em seguida, em automóvel fechado, Francisco se deslocou ao estádio de futebol “Air Defense” e com o ‘golf-car’, (pequeno carro aberto) deu uma volta no campo, em meio aos fiéis. Cerca de 30 mil aguardavam o Pontífice.
Para Francisco rezou com 

a comunidade copta-católica no Estádio da Aeronáutica Militar no Cairo
A liturgia foi celebrada em latim e árabe, com as orações dos fiéis em várias outras línguas.
Em sua homilia, proferida em italiano, o Papa dissertou sobre o itinerário dos discípulos de Emaús, descrito no Evangelho de Lucas, e que se pode resumir em três palavras: morte, ressurreição e vida.
“Aquele sobre quem construíram a sua existência morreu, derrotado, levando consigo para o túmulo todas as suas aspirações. Na realidade, eram eles os mortos no sepulcro da sua limitada compreensão”.
“Ressuscitado, Jesus transforma o seu desespero em vida, porque, quando desaparece a esperança humana, começa a brilhar a divina”, prosseguiu o Pontífice, explicando: “Quando o homem toca o fundo do fracasso e da incapacidade, quando se despoja da ilusão de ser o melhor, ser o autossuficiente, ser o centro do mundo, então Deus estende-lhe a mão para transformar a sua noite em alvorada, a sua tristeza em alegria, a sua morte em ressurreição, o seu voltar atrás em regresso a Jerusalém, isto é, regresso à vida e à vitória da Cruz”.
Enfim, “a experiência dos discípulos de Emaús ensina-nos que não vale a pena encher os lugares de culto, se os nossos corações estiverem vazios do temor de Deus e da sua presença; não vale a pena rezar, se a nossa oração dirigida a Deus não se transformar em amor dirigido ao irmão; não vale a pena ter muita religiosidade, se não for animada por muita fé e muita caridade; não vale a pena cuidar da aparência, porque Deus vê a alma e o coração e detesta a hipocrisia. Para Deus, é melhor não acreditar do que ser um falso crente, um hipócrita!”
Homilia da missa celebrada sábado, 29/04, no estádio de Cairo
“A fé verdadeira é a que nos torna mais caridosos, mais misericordiosos, mais honestos e mais humanos; é a que anima os corações levando-os a amar a todos gratuitamente, sem distinção nem preferências; é a que nos leva a ver no outro, não um inimigo a vencer, mas um irmão a amar, servir e ajudar; é a que nos leva a espalhar, defender e viver a cultura do encontro, do diálogo, do respeito e da fraternidade; é a que nos leva a ter a coragem de perdoar a quem nos ofende, a dar uma mão a quem caiu, a vestir o nu, a alimentar o faminto, a visitar o preso, a ajudar o órfão, a dar de beber ao sedento, a socorrer o idoso e o necessitado. A verdadeira fé é a que nos leva a proteger os direitos dos outros, com a mesma força e o mesmo entusiasmo com que defendemos os nossos. Na realidade, quanto mais se cresce na fé e no seu conhecimento, tanto mais se cresce na humildade e na consciência de ser pequeno”.
O Papa terminou a homilia com uma lembrança: “Deus só aprecia a fé professada com a vida, porque o único extremismo permitido aos cristãos é o da caridade. Qualquer outro extremismo não provém de Deus nem Lhe agrada”.
E um pedido: “Não tenham medo de amar a todos, amigos e inimigos, porque, no amor vivido, está a força e o tesouro do crente”.  (CM)
,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,

Papa conclui viagem internacional ao Egito

Cairo (RV) - O Papa Francisco concluiu, na tarde deste sábado (29/04), sua 18ª viagem apostólica internacional que desta vez o levou ao Egito. 
Após a cerimônia de despedida no Aeroporto Internacional do Cairo, o avião da Alitalia que traz o Pontífice de volta a Roma decolou às 17h locais (meio-dia no horário de Brasília).
A chegada do Papa a Roma está prevista para às 20h30 locais (15h30 de Brasília) ao aeroporto romano de Ciampino. (MJ)
,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,
Assista:
.................................................................................................................................................
                                                                                       Fonte: radiovaticana.va      news.va