sábado, 7 de novembro de 2026

Reflexão do frei Almir Guimarães para este sábado:

Como o noivo demorou a chegar

Como toda gente, tenho um horror total às esperas nos correios ou nos consultórios e não suporto as filas burocráticas a que nos submetem. Contudo, não cesso de esperar o inesperado. (Edgar Morin)

Aos poucos vamos chegando ao fim do ano litúrgico de 2020. Boa parte das celebrações deste ano, quando possível, foram participadas virtualmente, sem o calor da proximidade. Dentro em breve entramos nas plagas do advento. No próximo ano litúrgico seremos acompanhados pela Boa Nova segundo Marcos.

A primeira leitura deste domingo pede que apreciemos e busquemos a sabedoria. O evangelho proclamado nos fala das mocinhas espertas e das outras negligentes e despreocupadas demais. Não tinham o coração iluminado quando o noivo chegou.  Umas foram vigilantes e outras se cansaram de esperar e na hora da festa não tinham mais óleo. Não dava tempo para buscar o que faltava. Faltou-lhe a sabedoria dos vigilantes. Não tiveram acesso à sala de festas. Fracassaram em seu viver? Não tiveram o cuidado de se preparar para as visitas do Senhor que, por vezes, demoram ou acontecem sem hora marcada.

“Essencial para obter a sabedoria é desejá-la: o desejo da sabedoria leva-nos a procurá-la e a sabedoria por si vai ao encontro de quem a procura. A sabedoria é luminosa e resplandecente, e brilha sobre quem a deseja e a procura: é a própria procura da sabedoria que faz o sábio. O crente cristão não necessita apenas da fé, mas também da sabedoria. Sabedoria é predispor tudo para o encontro com o Senhor” (Manicardi).

Há a possibilidade de se viver uma fé insípida, tonta, que negligencia o encontro com o Senhor e desperdiça o tempo da vida. Há sábios e tontos.

Como teremos com óleo nas lamparinas? Agir, atuar, ser eficaz nas coisas do Evangelho. Participar de um movimento de humanização da terra.  Criação e alimentação dos vínculos pessoais e comunitários com o Ressuscitado. Projeto de seguimento do Senhor. Iluminar amores e desamores com a luz da fé. Viver a ventura do Amor no lusco fusco da fé. Coragem de caminhar na noite escura da aridez, dos enigmas e das provações. Não se cansar de esperar. Não se deixar sedar com as máquinas modernas e outros entorpecentes que levam ao sono.

Não somos apenas convidados para um banquete de amor e de festa. Somos esposos e esposas do Senhor. Não nutrimos com Deus belo e grande apenas relacionamentos frios e secos. O encontro com o Senhor significa uma aventura de entrega e de amor irrestritos. No fundo está a questão da qualidade do desejo. Sem que o desejo seja alimentado nossa intimidade com o Senhor fica prejudicada. Reduz-se a umas práticas religiosas “salpicadas de água benta”. No dia a dia da vida a espera deverá ser ardorosa e não marcada pelo tédio ou cansaço.

Ardor, desejo… tal não quer dizer vivência “sentimental” da fé, mas numa persistência de viver buscando o Amado também nos momentos de secura ou de aridez espiritual. O que busca esperando ou buscando espera nunca está satisfeito. No domínio de nossa intimidade com o Senhor no regime da fé há um já e um ainda não na esperança do que vem. Na serenidade de nossa vida de fé já estamos na sala de núpcias.

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Como manter as lâmpadas acesas?

Visitando o Senhor em nosso interior. Não o deixando abandonado dentro de nós mesmos já que nosso interior é sua casa.

Sempre de novo questionando-nos a nós mesmos: “Senhor o que queres de mim?

Não pensar que já estamos no topo de nossa vida espiritual… tudo apenas começou.

Ter antenas ligadas para as visitas surpresas do Senhor: uma grande alegria, um sofrimento quase insuportável

Recolher os caídos à beira do caminho porque ali pode estar chegando o noivo à nossa intimidade.

Verificar se temos consciência delicada ou nosso coração ficou empedrado.

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Oração

Senhor, somos, covardes lerdos…

No entanto, queremos caminhar.

Queremos começar de novo.

Tu irás à frente de nós.

Teu espírito vive em nós e nos guia.

Tu continuas a nos falar e perdoar.

Ensina-nos a trabalhar pelo Reino do Pai.

Dá-nos a graça de seguir-te fielmente. Amém. (Inspirado em Karl Rahner)

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FREI ALMIR GUIMARÃES, OFM, ingressou na Ordem Franciscana em 1958. Estudou catequese e pastoral no Institut Catholique de Paris, a partir de 1966, período em que fez licenciatura em Teologia. Em 1974, voltou a Paris para se doutorar em Teologia. Tem diversas obras sobre espiritualidade, sobretudo na área da Pastoral familiar. É o editor da Revista “Grande Sinal”.

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