quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Catequese com dom Pedro Cipollini:

O essencial no cristianismo

Perguntamos sobre o que é mais importante, diante de situações conflitivas, que requerem tomada de decisão. É um pouco assim, em tudo na vida: devemos escolher! Diante do embate entre fé cristã e política, surge a pergunta sobre o que é essencial no cristianismo. Quem realmente está seguindo Jesus ou está se aproveitando de seu nome, para levar avante, não o projeto de Deus, expresso por Jesus, mas sim os projetos pessoais ou de grupos de interesse. 

O que é essencial no Cristianismo? É Jesus Cristo, sua pessoa, o modo como ele viveu. Seguir Jesus, imitando seu modo de agir e vivendo o que ele ensinou, isto é cristianismo. E o que Jesus ensinou? Está no Sermão da Montanha (Mt 5), núcleo do Evangelho,  resumido por Jesus no mandamento do amor: “Amar a Deus acima de tudo e amar o próximo como Ele amou” (Jo 13,34). O mandamento do amor é a lei maior do cristianismo. Um amor que se faz serviço ao próximo. É um modo de vida, uma escolha pessoal. Não existe amor sem misericórdia, perdão, fraternidade, partilha, justiça, proximidade e união (1Cor 13, 1-8). 

Geralmente se confunde o essencial do cristianismo com ritos, hierarquias, leis, doutrinas, etc. Tudo isto é próprio de uma religião e se faz necessário para dar suporte ao que é essencial. Porém quando o essencial perde a força, ficam somente estes elementos, que tendem a se radicalizarem e o essencial acaba esquecido ou ficando em segundo plano. E é aí que a manipulação política da religião acontece. 

Faço esta reflexão a respeito da declaração do Papa Leão XIV ao afirmar em entrevista durante sua volta da viagem à França (28/09/2026) que a associação de posições de extrema direita com determinadas manifestações religiosas na Alemanha não representa uma “expressão autêntica do cristianismo”. Segundo ele, os valores do Evangelho estão ligados à compreensão e à compaixão, e não ao “ódio e à divisão” vividos nestes embates políticos. O papa respondia a uma pergunta sobre a redução do número de fiéis cristãos e o crescimento de grupos de extrema direita na Alemanha. 

Leão XIV disse que há manifestações que combinam posições extremistas, com determinadas formas de religião e lembrou que lideranças das Igrejas Católica e Protestante na Alemanha já se posicionaram contra esse movimento. “Isso não constitui uma expressão autêntica do cristianismo”, afirmou. “Os valores do Evangelho não são valores de ódio e divisão, mas de compreensão, compaixão e acompanhamento.” 

Os cristãos, disse o papa, devem participar na política em vista do bem comum, da justiça e da paz. Mas não se pode misturar o discurso da fé com ideologias, tanto de direita como de esquerda. Isto desvirtua a essência do que é cristão, principalmente quando se usam ódio, divisão e vingança. O contrário do que ensinou Jesus. 

Assim como a árvore tem o exterior e o interior que é a seiva que a sustenta. Também o cristianismo tem o exterior e a seiva interior que o sustenta. A manipulação do cristianismo para fins políticos, retira dele a seiva, por isso é sempre manipulação indevida. 

Atenção: nem tudo o que brilha é ouro!

                                              Dom Pedro Cipollini - Bispo de Santo André (SP)

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                                                                    Fonte: cnbb.org.br   Imagem: vaticannews.va

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