Francisco reza a Oração do Angelus com os
fiéis na Praça São Pedro e recorda a figura de Santo Estevão e os perseguidos
dos dias de hoje por causa de sua fé.
Nesta terça-feira (26), um dia após o Natal
celebramos a Festa de Santo Estêvão, o primeiro mártir. E o Papa Francisco
junto com os fiéis reunidos na Praça São Pedro rezou ao meio-dia a Oração
mariana do Angelus.
Na sua breve alocução que precedeu a Oração
Francisco recordou que encontramos o relato do martírio de Estevão nos Atos dos
Apóstolos, onde é descrito como um homem de boa reputação, que servia em
refeitórios e administrava a caridade.
“É precisamente por causa dessa generosa
integridade – disse Francisco - que ele não pode deixar de testemunhar o que
lhe é mais precioso: testemunhar a sua fé em Jesus”.
A sua fé em Jesus - sublinhou o Papa -
provoca a ira de seus adversários, que o matam apedrejando-o sem piedade.
O Santo Padre recorda então que tudo ocorre
diante de um jovem, Saulo, zeloso perseguidor dos cristãos, que atua como
"garante" da execução.
“Pensemos por um momento nessa cena: Saulo
e Estêvão, o perseguidor e o perseguido. Entre eles parece haver um muro
impenetrável, duro como o fundamentalismo do jovem fariseu e como as pedras
atiradas contra o homem condenado à morte. No entanto, além das aparências, há
algo mais forte que os une: por meio do testemunho de Estêvão, de fato, o
Senhor já está preparando no coração de Saulo, sem que ele saiba, a conversão
que o levará a ser o grande apóstolo Paulo".
O Papa Francisco destaca em seguida que
Estêvão, seu serviço, sua oração e a fé que ele proclama, a sua coragem e
especialmente seu perdão na hora da morte, não são em vão. "Dizia-se, em
tempos de perseguição - e ainda hoje é correto dizer isso - que "o sangue
dos mártires semente de cristãos". Parecem terminar em nada, mas, na
realidade, seu sacrifício lança uma semente que, correndo em direção oposta das
pedras, planta-se, de maneira oculta, no peito de seu pior rival.
O Pontífice recordou então as perseguições
dos nossos dias: “hoje, dois mil anos depois, infelizmente vemos que a
perseguição continua: há perseguição dos cristãos... ainda existem - e
são muitos - aqueles que sofrem e morrem por dar testemunho de Jesus, assim
como existem aqueles que são penalizados, em vários níveis, por se comportarem
de maneira coerente com o Evangelho, e aqueles que fadigam todos os dias para
permanecerem fiéis, sem clamor, aos seus bons deveres, enquanto o mundo ri
deles e prega outra coisa”,
“Também esses irmãos e irmãs – disse o Papa
- podem parecer fracassados, mas hoje vemos que não é assim. De fato, hoje como
ontem, a semente de seus sacrifícios, que parece morrer, brota e dá frutos,
porque Deus, por meio deles, continua a fazer maravilhas, a mudar os corações e
a salvar os homens”.
Francisco concluiu suas palavras pedindo
que nos perguntemos: “eu me interesso e rezo por aqueles que, em várias partes
do mundo, ainda hoje sofrem e morrem pela fé? Tantos que são assassinados pela
fé. E, por sua vez, procuro testemunhar o Evangelho com coerência, com mansidão
e confiança? Creio que a semente do bem dará frutos, mesmo que eu não veja
resultados imediatos? Maria, Rainha dos mártires, ajude-nos a dar testemunho de
Jesus”.
publica transferências no clero para o ano de 2024
Para o ano de 2024 o arcebispo, Dom
Majella, atendendo a necessidade pastoral das paróquias realizou algumas
transferências. Segue abaixo, na íntegra, a comunicação oficial:
Prezados irmãos sacerdotes, diáconos
permanentes, seminaristas, religiosos e religiosas consagrados, lideranças
leigas e amados arquidiocesanos.
Saudações de paz!
Diante das necessidades que surgem, tivemos
de fazer algumas mudanças de párocos das nossas paróquias e acolher o
seminarista que concluiu os estudos teológicos na FACAPA para o Estágio
pastoral numa de nossas paróquias.
Considerando o processo sinodal que estamos
vivenciando na Arquidiocese, lembro aos novos párocos que a tarefa continua
como espaço de discernimento sobre como é possível continuar a caminhar juntos,
sem desaparecer ou fragmentar a diversidade. O caminho sinodal busca favorecer
o encontro entre os fiéis e entre as comunidades eclesiais e paróquias que
desejam colocar-se à escuta da voz do Espírito Santo para responder ao seu
chamado e reforçar assim o impulso para a missão.
Com o término das obras de construção do
“Residencial Mons. Júlio Perlatto” e mesmo a casa ainda estando semimobiliada,
pensamos por bem iniciar o uso deste imóvel, como casa de acolhida, patrimônio
da Arquidiocese. Com o objetivo de administrar as questões referentes à
manutenção da casa, integrar o bem estar e fortalecer a fraternidade entre os
residentes, criamos a figura do “administrador” desta residência. A função
deste serviço está em construção e será acompanhada por mim e pela coordenação
da Pastoral Presbiteral. Convido a todos a fazer-se próximos desta casa para
compartilharmos juntos “a comunhão da mesa”, já que nossas vidas se nutrem da
Vida, e da vida compartilhada. Vamos sentar-se à mesa com o nosso irmão
presbítero, no “Residencial Mons. Júlio Perlatto”.
Colocamos na lista das transferências
apenas o que houve de alteração nas paróquias, distribuídas conforme o Setor
Pastoral. Os padres e seminaristas devem estar em suas novas paróquias no dia 5
de fevereiro.
Garanto-lhes a minha oração e concedo-lhes
de coração a bênção.
Neste Natal, o Papa na Mensagem e Bênção Urbi et Orbi da sacada central da Basílica de São Pedro: "Isaías, que profetizara o Príncipe da paz, deixou escrito que virá um dia em que «uma nação não levantará a espada contra outra»; um dia em que os homens «não se adestrarão mais para a guerra», mas «transformarão as suas espadas em relhas de arado, e as suas lanças em foices» (2, 4). Com a ajuda de Deus, esforcemo-nos para que se aproxime esse dia!"
"Queridos irmãos e irmãs, feliz Natal!
O olhar e o coração dos cristãos de todo o mundo estão voltados para Belém; lá, onde nestes dias reinam a dor e o silêncio, ressoou o anúncio esperado há séculos: «Nasceu-vos um Salvador, que é o Messias Senhor» (Lc 2, 11). Trata-se das palavras do anjo no céu de Belém, que são dirigidas também a nós. Enche-nos de confiança e esperança saber que o Senhor nasceu para nós; que a Palavra eterna do Pai, o Deus infinito, fixou a sua morada entre nós. Fez-Se carne, veio «habitar connosco» (Jo 1, 14): esta é a notícia que muda o curso da história!
O anúncio de Belém é o anúncio duma «grande alegria» (Lc 2, 10). Qual alegria? Não a felicidade passageira do mundo, nem a alegria da diversão, mas uma alegria «grande» porque nos faz «grandes». De facto hoje nós, seres humanos, com as nossas limitações, abraçamos a certeza duma esperança inaudita: a esperança de termos nascido para o Céu. Sim, Jesus nosso irmão veio fazer do Seu Pai o nosso Pai: Menino frágil, revela-nos a ternura de Deus e muito mais… Ele, o Unigênito do Pai, dá aos homens o «poder de se tornarem filhos de Deus» (Jo 1, 12). Eis a alegria que consola o coração, renova a esperança e dá a paz: é a alegria do Espírito Santo, a alegria de ser filhos amados.
Irmãos e irmãs, hoje em Belém, por entre as trevas da terra, acendeu-se esta chama inextinguível; hoje, sobre as trevas do mundo, prevalece a luz de Deus, que «a todo o homem ilumina» (Jo 1, 9): alegremo-nos por esta graça! Alegra-te, tu que te vês falho de confiança e de certezas, porque não estás sozinho, não estás sozinha: Cristo nasceu para ti! Alegra-te, tu que perdeste a esperança, porque Deus te estende a mão: não aponta o dedo contra ti, mas oferece-te a sua mãozinha de Menino para te libertar dos medos, aliviar-te das canseiras e mostrar-te que, aos olhos d’Ele, vales mais do que qualquer outra coisa. Alegra-te, tu que tens a paz no coração, porque se cumpriu para ti a antiga profecia de Isaías: «Um menino nasceu para nós, um filho nos foi dado (…) e o seu nome é: (…) Príncipe da paz» (9, 5). Com Ele, «a paz não terá fim» (9, 6).
Na Sagrada Escritura, ao Príncipe da paz opõe-se o «príncipe deste mundo» (Jo 12, 31), que, semeando a morte, atua contra o Senhor, «amante da vida» (Sab 11, 26). Vemo-lo atuar em Belém, quando, depois do nascimento do Salvador, se verifica a matança dos inocentes. Quantas matanças de inocentes no mundo! No ventre materno, nas rotas dos desesperados à procura de esperança, nas vidas de muitas crianças cuja infância é devastada pela guerra. São os pequeninos Jesus de hoje.
Deste modo dizer «sim» ao Príncipe da paz significa dizer «não» à guerra, a toda a guerra, à própria lógica da guerra, que é viagem sem destino, derrota sem vencedores, loucura indesculpável. Mas, para dizer «não» à guerra, é preciso dizer «não» às armas. Com efeito, se o homem, cujo coração é instável e está ferido, encontrar instrumentos de morte nas mãos, mais cedo ou mais tarde usá-los-á. E como se pode falar de paz, se cresce a produção, a venda e o comércio das armas? Hoje, como no tempo de Herodes, as conspirações do mal, que se opõem à luz divina, movem-se à sombra da hipocrisia e do escondimento. Quantos massacres armados acontecem num silêncio ensurdecedor, ignorados de tantos! O povo, que não quer armas mas pão, que tem dificuldade em acudir às despesas quotidianas, ignora quanto dinheiro público é destinado a armamentos. E, contudo, devia sabê-lo! Fale-se disto, escreva-se sobre isto, para que se conheçam os interesses e os lucros que movem os cordelinhos das guerras.
Isaías, que profetizara o Príncipe da paz, deixou escrito que virá um dia em que «uma nação não levantará a espada contra outra»; um dia em que os homens «não se adestrarão mais para a guerra», mas «transformarão as suas espadas em relhas de arado, e as suas lanças em foices» (2, 4). Com a ajuda de Deus, esforcemo-nos para que se aproxime esse dia!
Aproxime-se em Israel e na Palestina, onde a guerra abala a vida daquelas populações. A todas abraço, em particular às comunidades cristãs de Gaza e de toda a Terra Santa. Trago no coração a dor pelas vítimas do execrável atentado de 7 de outubro passado, e renovo um premente apelo pela libertação de quantos se encontram ainda reféns. Suplico que cessem as operações militares, com o seu espaventoso rasto de vítimas civis inocentes, que se ponha remédio à desesperada situação humanitária, possibilitando a entrada das ajudas. Não se continue a alimentar violência e ódio, mas avance-se no sentido duma solução para a questão palestiniana, através dum diálogo sincero e perseverante entre as Partes, sustentado por uma forte vontade política e pelo apoio da comunidade internacional.
Depois o meu pensamento volta-se para a população da atribulada Síria, bem como para a do Iêmen, mergulhada no sofrimento. Penso no amado povo libanês e rezo para que possa em breve encontrar estabilidade política e social.
Com os olhos fixos no Menino Jesus, imploro a paz para a Ucrânia. Renovemos a nossa proximidade espiritual e humana ao seu martirizado povo, para que, graças ao apoio de cada um de nós, possa sentir o amor concreto de Deus.
Aproxime-se o dia da paz definitiva entre a Arménia e o Azerbaijão. Seja ela favorecida através da prossecução das iniciativas humanitárias, o regresso dos deslocados às suas casas na legalidade e em segurança, e o respeito mútuo pelas tradições religiosas e locais de culto de cada comunidade.
Não esqueçamos as tensões e os conflitos que transtornam a região do Sahel, o Chifre de África, o Sudão, bem como os Camarões, a República Democrática do Congo e o Sudão do Sul.
Aproxime-se o dia em que serão reforçados os laços fraternos na península coreana, abrindo percursos de diálogo e reconciliação que possam criar as condições para uma paz duradoura.
O Filho de Deus, feito humilde Menino, inspire as autoridades políticas e todas as pessoas de boa vontade do continente americano para se encontrarem soluções idóneas a fim de superar os dissídios sociais e políticos, lutar contra as formas de pobreza que ofendem a dignidade das pessoas, aplanar as desigualdades e enfrentar o doloroso fenómeno das migrações.
Reclinado no presépio, o Menino pede-nos para sermos voz de quem não tem voz: a voz dos inocentes, que morreram por falta de água e pão; voz de quantos não conseguem encontrar emprego ou que o perderam; voz de quem é constrangido a abandonar a sua terra natal à procura dum futuro melhor, arriscando a vida em viagens extenuantes e à mercê de traficantes sem escrúpulos.
Irmãos e irmãs, aproxima-se o tempo de graça e esperança do Jubileu, que vai começar dentro de um ano. Que este período de preparação seja ocasião para converter o coração; dizer «não» à guerra e «sim» à paz; responder com alegria ao convite do Senhor que nos chama, como profetizou Isaías, «para levar a boa-nova aos pobres, para curar os desesperados, para anunciar a libertação aos exilados e a liberdade aos prisioneiros» (61, 1).
Estas palavras cumpriram-se em Jesus (cf. Lc 4, 18), hoje nascido em Belém. Acolhamo-Lo, abramos o coração a Ele, o Salvador, o Príncipe da paz!"
Não sabemos e nunca saberemos falar direito sobre o Natal, sobre Jesus, sobre aqueles dias vividos por MARIA e JOSÉ!
Não estávamos lá. E os relatos de Mateus e Lucas descrevem somente o que lhes foi contado e apenas anos depois , no mínimo 60 anos depois .
São memórias faladas por quem ainda vivia, e finalmente escritas por quem ouviu contar .
Mateus e Lucas falam do que aconteceu a Maria, José, Zacarias, Isabel, e testemunhas fidedignas. Primeiro foi tradição falada e, depois escritura.
Algo aconteceu naqueles dias que marcaria para sempre a história quem conheceu Jesus.
Hoje, nós só podemos imaginar aqueles dias. Quem lê o relato : crê ou duvida. Foi assim mesmo? Foi tudo imaginado ou fantasiado ou, pelos outros textos dos quatro evangelhos, dos Atos dos Apóstolos, pelas epístolas Jesus era bem assim desde a infância?
Pregar sobre o Natal inclui História do povo hebreu, Bíblia, teologia, exegese, sociologia, eclesiologia, muitas leituras e muita pesquisa, porque talvez haja milhões de livros históricos, filosóficos, devocionais, exagerando ou refletindo com sabedoria sobre o sábio profeta Jesus!
E se Jesus não foi apenas um profeta judeu? E se, por tudo o que se escreveu sobre Ele ele , de fato , fosse alguém que nem sequer possamos imaginar?
E se, de fato, ele veio do Céu e se, de fato, existe um Deus Uno e Trino? E , se de fato, o carpinteiro IESCHUAH de Nazaré era o Filho que se encarnou e viveu cerca de 3O a 34 ou 36 anos entre nós?
Quem não crê está desculpado. Afinal ninguém é obrigado a crer nestes relatos!
Mas quem estudou, leu, meditou e, depois de meditar, chegou à conclusão de que Jesus era tudo isto, e muito mais do que possamos imaginar … então, nesta noite de Natal, no coração destes crentes e na sua mente de cristão haverá uma festa.
Outros crentes, mundo a fora, festejarão aqueles dias vividos por quem não esteve lá, mas conseguem crer!
Dois mil anos depois nós temos uma escolha: duvidar ou crer.
E, se estamos festejando estes dias, é porque cremos que Jesus era assim.
E ousamos afirmar que agora, vivendo no seio da Trindade, IESHUAH continua a nos convidar a crer nele e a levar adiante o Novo Reino que ele começou naquelas aldeias da Galileia!
Um dia saberemos como foi. Um dia saberemos como é este Deus Uno e Trino que ele anunciou.
Cremos que aquele menino pobre era mais do que um menino pobre da , hoje , Palestina ou Israel. Ele fazia parte do Deus Uno e Trino.
Ou riem de nós, ou cremos ou duvidamos. Ele nos convidou, mas a resposta continua nossa.
Festejaremos mais um Natal, ou iremos à praia, ou a um resort de montanha mas continuaremos duvidando de Jesus, tudo porque um ser divino que viveu como humano não cabe no nosso intelecto?
E será o nosso intelecto tão inteligente que não há lugar para nenhum mistério?
Que tal contemplar o universo? O que realmente sabemos dele? Talvez não chegue a 0000,2 % do que sabemos.
O que sabemos sobre Deus? Talvez não chegue a 0000000,1% do que um dia saberemos!
João Evangelista terminou seu relato dizendo:
(Jo 21,25) Ora, Jesus fez ainda muitas outras coisas. Se todas elas fossem escritas uma por uma, creio que nem o mundo inteiro poderia conter os livros que seria preciso escrever.
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No coração de quem crê em Jesus o mistério do Natal sempre continuará e, cada dia mais desafiador. Não dá para explicar, mas dá para pensar por que razão há dois mil anos alguém nos visitou e disse: VIM REVELAR o MEU E O VOSSO PAI. UM DIA VOCÊS O CONHECERÃO! EU VOS LEVAREI A ELE!
"Como os pastores que deixaram os seus
rebanhos, deixa o recinto das tuas melancolias e abraça a ternura do Deus
Menino. Sem máscaras nem couraças, confia-Lhe os teus cansaços, e Ele cuidará
de ti: Ele, que se fez carne, espera, não as tuas performances de sucesso, mas
o teu coração aberto e confiado", disse Francisco em sua homilia da missa
da noite de Natal.
O Papa Francisco presidiu a missa da noite
de Natal, neste domingo (24/12), na Basílica de São Pedro.
Francisco iniciou sua homilia, enfatizado
as seguintes palavras do Evangelista Lucas: «O recenseamento de toda a terra».
"Este é o contexto em que nasce Jesus e no qual se detém o Evangelho.
Podia limitar-se a uma rápida alusão, mas ao contrário fala dele com grande esmero.
Assim, faz surgir um grande contraste: enquanto o imperador conta os habitantes
do mundo, Deus entra nele quase às escondidas; enquanto quem manda procura
colocar-se entre os grandes da história, o Rei da história escolhe o caminho da
pequenez. Nenhum dos poderosos se dá conta d’Ele; apenas alguns pastores,
colocados à margem da vida social", disse o Papa.
"Nesta noite, irmãos e irmãs, podemos
perguntar-nos: Em que Deus acreditamos? No Deus da encarnação ou no da
performance? Sim, porque há o risco de viver o Natal tendo na cabeça uma ideia
pagã de Deus, como se fosse um patrão poderoso que está no céu; um deus que se
alia com o poder, o sucesso mundano e a idolatria do consumismo",
sublinhou Francisco.
Fixemos o Menino, olhemos para a sua
manjedoura
O Pontífice convidou a olhar para o «Deus
vivo e verdadeiro». "Ele que está para além de todo o cálculo humano, no
entanto, deixa-se recensear pelos nossos registos; Ele que revoluciona a
história, habitando nela; Ele que nos respeita até ao ponto de nos permitir
rejeitá-Lo; Ele que apaga o pecado assumindo a responsabilidade pelo mesmo, que
não tira a dor, mas a transforma, que não nos tira os problemas da vida, mas dá
às nossas vidas uma esperança maior do que os problemas. Deseja tanto abraçar
as nossas existências que, sendo infinito, por nós se fez finito; grande, se
fez pequeno; sendo justo, habita as nossas injustiças", disse ainda o
Papa, acrescentando:
Aqui está a maravilha do Natal: não uma
mistura de sentimentos adocicados e confortos mundanos, mas a inaudita ternura
de Deus que salva o mundo encarnando-se. Fixemos o Menino, olhemos para a sua
manjedoura, para o presépio, que os anjos chamam «o sinal»: realmente constitui
o sinal revelador do rosto de Deus, que é compaixão e misericórdia, onipotente
sempre e só no amor.
Carne, uma palavra que evoca a nossa
fragilidade
O Pontífice convidou a nos deixamos
"surpreender por Ele ter-se feito carne. Carne! Uma palavra que evoca a
nossa fragilidade e que o Evangelho utiliza para nos dizer como Deus entrou profundamente
na nossa condição humana".
"Irmão, irmã, para Deus, que mudou a
história durante o recenseamento, tu não és um número, mas um rosto; o teu nome
está escrito no seu coração", sublinhou o Papa.
Como os pastores que deixaram os seus
rebanhos, deixa o recinto das tuas melancolias e abraça a ternura do Deus
Menino. Sem máscaras nem couraças, confia-Lhe os teus cansaços, e Ele cuidará
de ti: Ele, que se fez carne, espera, não as tuas performances de sucesso,
mas o teu coração aberto e confiado. E n’Ele descobrirás quem és: um filho
amado de Deus, uma filha amada de Deus. Agora podes acreditar nisto, porque,
nesta noite, o Senhor nasceu para iluminar a tua vida, e os olhos d’Ele
cintilam de amor por ti.
A adoração é a forma de acolher a
encarnação
"Sim, Cristo não olha para os números,
mas para os rostos. Contudo quem é que olha para Ele, por entre as inúmeras
coisas e as corridas loucas de um mundo sempre agitado e indiferente? Em Belém,
enquanto muitas pessoas, preocupadas com o recenseamento, iam e vinham, enchiam
as hospedarias e pousadas falando de tudo e de nada, houve alguns que estiveram
junto de Jesus: Maria e José, os pastores e depois os magos. Aprendamos com
eles. Ei-los com o olhar fixo em Jesus, com o coração voltado para Ele; não
falam, mas adoram."
A adoração é a forma de acolher a
encarnação, porque é no silêncio que Jesus, Palavra do Pai, Se faz carne nas
nossas vidas. Façamos nós também como se fez em Belém, que significa «casa do
pão»: permaneçamos diante d’Ele, Pão da vida. Redescubramos a adoração, porque
adorar não é perder tempo, mas permitir a Deus que habite o nosso tempo; é
fazer florescer em nós a semente da encarnação, é colaborar na obra do Senhor,
que, como o fermento, muda o mundo; é interceder, reparar, consentir a Deus que
endireite a história.
O Papa concluiu sua homilia, dizendo que
"nesta noite, o amor muda a história. Fazei, Senhor, que acreditemos no
poder do vosso amor, tão diverso do poder do mundo. Fazei que, à semelhança de
Maria, José, os pastores e os magos, nos estreitemos ao vosso redor para Vos
adorar. Feitos por Vós mais semelhantes a Vós, poderemos testemunhar ao mundo a
beleza do vosso rosto".
Neste IV Domingo do Advento, o Evangelho nos apresenta a cena da Anunciação. O anjo, para explicar a Maria como ela conceberá Jesus, diz-lhe: «O Espírito Santo virá sobre você, e o poder do Altíssimo a cobrirá com sua sombra». O Papa se deteve na imagem da sombra recorrente na Bíblia. "A sombra fala da gentileza de Deus", disse ele. "A sombra é um dom que restaura", sublinhou.
O Papa Francisco rezou a oração mariana do Angelus deste domingo, 24 de dezembro, Vigília de Natal, com os fiéis e peregrinos reunidos na Praça São Pedro.
Neste IV Domingo do Advento, o Evangelho nos apresenta a cena da Anunciação. O anjo, para explicar a Maria como ela conceberá Jesus, diz-lhe: «O Espírito Santo virá sobre você, e o poder do Altíssimo a cobrirá com sua sombra». Então, o Papa se deteve na imagem da sombra.
A sombra é um dom que restaura
Segundo Francisco, "numa terra como a de Maria, perpetuamente ensolarada, uma nuvem passageira, uma árvore que resiste à seca e oferece abrigo, uma tenda hospitaleira traz alívio e proteção. A sombra é um dom que restaura, e o anjo descreve exatamente o modo como o Espírito Santo desce sobre Maria, o modo de Deus fazer as coisas: Deus age sempre como um amor gentil que abraça, fecunda e protege, sem fazer violência, sem ferir a liberdade. Assim, é a maneira de agir de Deus".
“A imagem da sombra que protege é uma imagem recorrente na Bíblia. Pensemos na sombra que acompanha o povo de Deus no deserto. A sombra fala, em suma, da gentileza de Deus. É como se Ele dissesse a Maria, mas também a todos nós hoje: "Estou aqui para você e me ofereço como seu refúgio e seu abrigo: vem sob a minha sombra, fica comigo".”
Pensar em quem está longe da alegria do Natal
"Irmãos e irmãs, é assim que o amor fecundo de Deus se comporta. É algo que, de certa forma, também podemos experimentar entre nós, por exemplo, quando entre amigos, namorados, cônjuges, pais e filhos, somos delicados e respeitosos, cuidando dos outros com gentileza. Pensemos na gentileza de Deus", disse ainda o Papa.
“Deus ama assim e nos chama a fazer o mesmo: acolhendo, protegendo e respeitando os outros. Pensar em todos, pensar em quem é marginalizado, em quem está longe nesses dias da alegria do Natal. Pensemos em todos com a gentileza de Deus. Lembrem-se desta palavra: a gentileza de Deus.”
A seguir, Francisco convidou cada um a se perguntar na Vigília de Natal: "Quero deixar-me envolver pela sombra do Espírito Santo, pela doçura e mansidão de Deus, pela gentileza de Deus, abrindo-lhe espaço no meu coração, aproximando-me do seu perdão, da Eucaristia? E depois: para quais pessoas sozinhas e necessitadas eu poderia ser uma sombra que restaura, uma amizade que consola?"
"Que Maria nos ajude a ser abertos e acolhedores para com a presença de Deus, que com mansidão vem nos salvar", concluiu.
O evangelista Lucas temia que seus leitores lessem seu escrito de qualquer jeito. O que ele queria anunciar-lhes não era uma notícia a mais, como tantas outras que corriam pelo império. Eles deviam preparar seu coração: despertar a alegria, desterrar medos e crer que Deus está perto, disposto a transformar nossa vida.
Com uma arte difícil de igualar, Lucas recriou uma cena evocando a mensagem que Maria ouviu no íntimo de seu coração para acolher o nascimento de seu Filho Jesus. Todos nós podemos unir-nos a ela para acolher o Salvador. Como preparar-nos para receber com alegria o Deus encarnado na humanidade entranhável de Jesus?
“Alegra-te” É a primeira palavra que escuta aquele que se prepara para viver uma experiência boa. Hoje não sabemos esperar. Somos como crianças impacientes, que querem tudo imediatamente. Não sabemos estar atentos para conhecer nossos desejos mais profundos. Simplesmente nos esquecemos de esperar Deus, e já não sabemos como encontrar a alegria.
Estamos perdendo o melhor da vida. Contentamo-nos com a satisfação, o prazer e a diversão que o bem-estar nos proporciona. Sabemos que é um erro, mas não nos atrevemos a crer que Deus, acolhido com fé simples, pode revelar-nos novos caminhos para a alegria.
“Não tenhas medo”. A alegria é impossível quando vivemos cheios de medos, que nos ameaçam a partir de dentro e de fora. Como pensar, sentir e agir de maneira positiva e cheia de esperança? Como esquecer nossa impotência e covardia para enfrentar o mal?
Esquecemos que cuidar de nossa vida interior é mais importante do que tudo o que nos vem de fora. Se vivemos vazios por dentro, somos vulneráveis a tudo. Vai-se diluindo nossa confiança em Deus e não sabemos como defender-nos do que nos prejudica.
“O Senhor está contigo”. Deus é uma força criadora que é boa e nos quer bem. Não vivemos sozinhos, perdidos no cosmos. A humanidade não está abandonada. Donde tirar verdadeira esperança, a não ser do Mistério último da vida? Tudo muda quando o ser humano se sente acompanhado por Deus.
JOSÉ ANTONIO PAGOLAcursou Teologia e Ciências Bíblicas na Pontifícia Universidade Gregoriana, no Pontifício Instituto Bíblico de Roma e na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém. É autor de diversas obras de teologia, pastoral e cristologia. Atualmente é diretor do Instituto de Teologia e Pastoral de São Sebastião. Este comentário é do livro “O Caminho Aberto por Jesus”, da Editora Vozes.