Cidade do
Vaticano (RV) – O Papa Francisco assomou, ao meio-dia, à janela da Residência
Apostólica, no Vaticano, para rezar a oração mariana com os fiéis reunidos na
Praça São Pedro.
Em sua alocução,
por ocasião da festa de Santo Estêvão, primeiro mártir da Igreja, que vem
imediatamente depois da solenidade do Natal, o Santo Padre recordou o
nascimento de Jesus:
“Ontem,
contemplamos o amor misericordioso de Deus, que se fez carne por nós; hoje,
vemos a resposta coerente do discípulo de Jesus [santo Estêvão], que dá a vida.
Ontem, nasceu o Salvador na terra; hoje, nasceu a sua testemunha fiel no céu.
Ontem como hoje, aparecem as trevas pela rejeição à vida, mas brilha ainda mais
forte a luz do amor, que vence o ódio e inaugura um mundo novo”.
Oração do Angelus desta sexta-feira
Depois, o Papa
recordou um aspecto particular, narrado nos Atos dos Apóstolos, que aproxima
Santo Estêvão ao Senhor: o perdão que concedeu antes de morrer apedrejado. Ao
morrer na cruz, Jesus disse: “Pai, perdoai-lhes porque não sabem o que fazem”.
De modo semelhante, Estêvão dobrou os joelhos e gritou em alta voz: “Senhor,
não lhes leveis em conta este pecado”. E o Papa acrescentou:
“Estêvão,
portanto, é um mártir, que significa testemunha, porque fez como Jesus; com
efeito, é uma verdadeira testemunha de Jesus quem se comporta como ele: quem
reza, quem ama, quem doa, mas, sobretudo, quem perdoa; porque o perdão, como
diz a própria palavra, é a expressão mais alta da doação”.
Mas, poderíamos
nos perguntar - disse - “Para que serve perdoar”? É somente uma boa ação ou
produz resultados? A resposta pode ser encontrada – disse – precisamente no
martírio de Estêvão. Entre aqueles, pelos quais ele implorou o perdão,
encontrava-se um jovem chamado Saulo, que perseguia a Igreja e procurava
destruí-la. Logo depois, Saulo se tornou Paulo, o grande santo, o Apóstolo dos
Gentios. Paulo recebeu o perdão de Estêvão e, poderíamos dizer, que ele nasceu
da graça de Deus e do perdão de Estêvão. E o Papa observou:
“Nós também
nascemos do perdão de Deus, não apenas mediante o Batismo, mas todas as vezes
que somos perdoados o nosso coração renasce, é regenerado. Todo passo que damos
na vida de fé comporta o sinal da misericórdia divina. Podemos amar somente
quando somos amados”.
Antes, porém,
frisou o Papa, temos que receber o perdão de Deus para progredirmos na fé.
Nunca devemos nos cansar de pedir o perdão de Deus Pai, que está sempre pronto
a perdoar tudo. O seu perdão cura o coração e reaviva o amor. É perdoando que
somos perdoados.
Claro, disse o
Pontífice, não é fácil perdoar. Seguindo o exemplo e a imitação de Jesus e de
Estêvão podemos perdoar a partir da oração, começando do próprio coração,
confiando quem nos ofendeu à misericórdia de Deus.
Desta maneira,
nos tornamos misericordiosos, porque através do perdão vencemos o mal com o
bem, transformamos o ódio em amor e, assim, purificamos o mundo. E o Santo
Padre concluiu:
“Que a Virgem
Maria, à qual confiamos aqueles – que são tantos – que, como Santo Estêvão,
sofrem perseguições em nome da fé, possa orientar a nossa oração para receber e
conceder o perdão”.
Após a sua
alocução mariana, o Papa Francisco passou a cumprimentar os numerosos
peregrinos presentes na Praça São Pedro. A todos renovou seu desejo de que “a
contemplação do Menino Jesus no presépio, ao lado de Maria e José, possa
suscitar atitudes de misericórdia e amor nas famílias, nas comunidades
paroquiais e religiosas, nos Movimentos e Associações, e em todos os homens de
boa vontade”.
Ao se despedir
dos fiéis, o Santo Padre agradeceu a todos aqueles que lhe enviaram mensagens
de felicitações natalinas de todas as partes do mundo! E a todos, mais uma vez,
pediu orações por ele. (MT)
"Onde nasce Deus, nasce a esperança e floresce a misericórdia"
Cidade do Vaticano (RV) – “Onde
nasce Deus, nasce a esperança, nasce a paz e floresce a misericórdia”. Na
tradicional Mensagem Urbi et Orbi por ocasião do Natal, o Papa Francisco rezou
pela paz. Ao recordar os tantos conflitos em andamentos nas diversas partes do
mundo e as situações que ferem a dignidade humana, pediu: “Ao contemplar o
presepio, fixemos o olhar nos braços abertos de Jesus, que mostram o abraço
misericordioso de Deus, enquanto ouvimos as primeiras expressões do Menino que
nos sussurra: A paz esteja contigo!”.
Diante de milhares de fieis
reunidos na Praça São Pedro e adjacências, o Papa Francisco dirigiu-se “à
cidade e ao mundo” da sacada central da Basílica de São Pedro, para anunciar
que “Cristo nasceu para nós (…) Ele é o “dia” luminoso que surgiu no horizonte
da humanidade. Dia de misericórdia, em que Deus Pai revelou à humanidade a sua
imensa ternura. Dia de luz que dissipa as trevas do medo e da angústia. Dia de
paz, em que se torna possível encontrar-se, dialogar, reconciliar-se. Dia de
alegria: uma «grande alegria» para os pequenos e os humildes, e para todo o
povo”.
O presepio mostra-nos o “sinal”
que Deus nos deu: “um menino envolto em panos e deitado numa manjedoura”. E
“juntamente com os pastores – convidou o Santo Padre - prostremo-nos
diante do Cordeiro, adoremos a Bondade de Deus feita carne e deixemos que
lágrimas de arrependimento inundem os nossos olhos e lavem o nosso coração”:
“Ele, só Ele, nos pode salvar.
Só a Misericórdia de Deus pode libertar a humanidade de tantas formas de mal –
por vezes monstruosas – que o egoísmo gera nela. A graça de Deus pode converter
os corações e suscitar vias de saída em situações humanamente irresolúveis”.
“Onde nasce a paz, já não há
lugar para o ódio e a guerra” – disse o Pontífice - recordando que
“precisamente lá onde veio ao mundo o Filho de Deus feito carne, continuam
tensões e violências, e a paz continua um dom que deve ser invocado e
construído”:
Papa abençoa Roma e o Mundo
“Oxalá israelenses e palestinos
retomem um diálogo direto e cheguem a um acordo que permita a ambos os povos
conviverem em harmonia, superando um conflito que há muito os mantém
contrapostos, com graves repercussões na região inteira. Ao Senhor, pedimos que
o entendimento alcançado nas Nações Unidas consiga quanto antes silenciar o
fragor das armas na Síria e pôr remédio à gravíssima situação humanitária da
população exausta. É igualmente urgente que o acordo sobre a Líbia encontre o
apoio de todos, para se superarem as graves divisões e violências que afligem o
país. Que a atenção da Comunidade Internacional se concentre unanimemente em
fazer cessar as atrocidades que, tanto nos referidos países, como no Iraque,
Líbia, Iêmen e na África subsaariana, ainda ceifam inúmeras vítimas, causam
imensos sofrimentos e não poupam sequer o patrimônio histórico e cultural de
povos inteiros”.
O Papa recordou ainda as vítimas
dos “hediondos atos terroristas, em particular pelos massacres recentes
ocorridos nos céus do Egipto, em Beirute, Paris, Bamaco e Túnis”, pedindo
também consolação e força ao Menino Jesus para os cristãos “perseguidos
em muitas partes do mundo por causa de sua fé. São os mártires de hoje”.
O fortalecimento do diálogo na
República Democrática do Congo, no Burundi e no Sudão do Sul foi ressaltado
pelo Papa, “em prol da edificação de sociedades civis animadas por sincero
espírito de reconciliação e compreensão mútua”.
O Papa referiu-se também à
Ucrânia, pedindo que a verdadeira paz “inspire a vontade de cumprir os acordos
assumidos para se restabelecer a concórdia no país inteiro” e que ilumine os
esforços do povo colombiano, para que “continue empenhado na busca da desejada
paz”.
O Papa recordou também da
existência de “multidões de homens e mulheres que estão privados da sua
dignidade humana e, como o Menino Jesus, sofrem o frio, a pobreza e a rejeição
dos homens”:
“Chegue hoje a nossa
solidariedade aos mais inermes, sobretudo às crianças-soldado, às mulheres que
sofrem violência, às vítimas do tráfico de seres humanos e do narcotráfico”.
O drama das milhares de pessoas
que viajam “em condições desumanas”, arriscando a própria vida em busca
de segurança e de uma esperança foram recordados por Francisco:
“Sejam recompensados com
abundantes bênçãos quantos, indivíduos e Estados, generosamente se esforçam por
socorrer e acolher os numerosos migrantes e refugiados, ajudando-os a construir
um futuro digno para si e seus entes queridos e a integrar-se nas sociedades
que os recebem”.
O Santo Padre também pediu que o
Senhor dê esperança aos desempregados, que são tantos, e sustente “o
compromisso de quantos possuem responsabilidades públicas no campo político e
econômico a fim de darem o seu melhor na busca do bem comum e na protecção da
dignidade de cada vida humana”.
Ao falar da misericordia, o Papa
dirigiu-se aos encarcerados:
“Onde nasce Deus, floresce a
misericórdia. Este é o presente mais precioso que Deus nos dá, especialmente
neste ano jubilar em que somos chamados a descobrir a ternura que o nosso Pai
celeste tem por cada um de nós. O Senhor conceda, particularmente aos
encarcerados, experimentar o seu amor misericordioso que cura as feridas e
vence o mal”.
E assim hoje, juntos, concluiu o
Papa, “exultemos no dia da nossa salvação”, fixando o olhar nos braços abertos
de Jesus no presépio, que nos mostra o abraço misericordioso de Deus” e que proclama:
“A paz esteja contigo!”.
Após o Papa concedeu a todos a
sua Bênção com a Indulgência Plenária na forma prevista pela Igreja.
Ao concluir, Francisco
dirigiu-se a todos os presentes na Praça São Pedro e àqueles que o acompanhavam
pela rádio, televisão e outros meios de comunicação, para desejar as suas mais
cordiais felicitações de Natal:
“É o Natal do Ano Santo da
Misericórdia, por isto desejo a todos que possa acolher na própria vida a
misericórdia de Deus, que Jesus Cristo nos deu, para sermos misericordiosos com
os nossos irmãos. Assim, faremos crescer a paz!”. (JE)
Eis a mensagem na íntegra:
Queridos irmãos e irmãs, feliz
Natal!
Cristo nasceu para nós,
exultemos no dia da nossa salvação! Abramos os nossos corações para receber a
graça deste dia, que é Ele próprio: Jesus é o «dia» luminoso que surgiu no
horizonte da humanidade. Dia de misericórdia, em que Deus Pai revelou à
humanidade a sua imensa ternura. Dia de luz que dissipa as trevas do medo e da
angústia. Dia de paz, em que se torna possível encontrar-se, dialogar,
reconciliar-se. Dia de alegria: uma «grande alegria» para os pequenos e os
humildes, e para todo o povo (cf. Lc 2, 10).
Papa abençoa a multidão de fiéis
Neste dia, nasceu da Virgem
Maria Jesus, o Salvador. O presépio mostra-nos o «sinal» que Deus nos deu: «um
menino envolto em panos e deitado numa manjedoura» (Lc 2, 12). Como fizeram os
pastores de Belém, vamos também nós ver este sinal, este acontecimento que, em
cada ano, se renova na Igreja. O Natal é um acontecimento que se renova em cada
família, em cada paróquia, em cada comunidade que acolhe o amor de Deus
encarnado em Jesus Cristo. Como Maria, a Igreja mostra a todos o «sinal» de
Deus: o Menino que Ela trouxe no seu ventre e deu à luz, mas que é Filho do
Altíssimo, porque «é obra do Espírito Santo» (Mt 1, 20). Ele é o Salvador,
porque é o Cordeiro de Deus que toma sobre Si o pecado do mundo (cf. Jo 1, 29).
Juntamente com os pastores, prostremo-nos diante do Cordeiro, adoremos a
Bondade de Deus feita carne e deixemos que lágrimas de arrependimento inundem
os nossos olhos e lavem o nosso coração.
Ele, só Ele, nos pode salvar. Só
a Misericórdia de Deus pode libertar a humanidade de tantas formas de mal – por
vezes monstruosas – que o egoísmo gera nela. A graça de Deus pode converter os
corações e suscitar vias de saída em situações humanamente irresolúveis.
Onde nasce Deus, nasce a
esperança. Onde nasce Deus, nasce a paz. E, onde nasce a paz, já não há lugar
para o ódio e a guerra. E no entanto, precisamente lá onde veio ao mundo o
Filho de Deus feito carne, continuam tensões e violências, e a paz continua um
dom que deve ser invocado e construído. Oxalá israelenses e palestinos retomem
um diálogo direto e cheguem a um acordo que permita a ambos os povos conviverem
em harmonia, superando um conflito que há muito os mantém contrapostos, com
graves repercussões na região inteira.
Praça São Pedro lotada de fiéis
Ao Senhor, pedimos que o
entendimento alcançado nas Nações Unidas consiga quanto antes silenciar o
fragor das armas na Síria e pôr remédio à gravíssima situação humanitária da
população exausta. É igualmente urgente que o acordo sobre a Líbia encontre o
apoio de todos, para se superarem as graves divisões e violências que afligem o
país. Que a atenção da Comunidade Internacional se concentre unanimemente em
fazer cessar as atrocidades que, tanto nos referidos países, como no Iraque,
Líbia, Iémen e na África subsaariana, ainda ceifam inúmeras vítimas, causam
imensos sofrimentos e não poupam sequer o património histórico e cultural de
povos inteiros. Penso ainda em quantos foram atingidos por hediondos atos
terroristas, em particular pelos massacres recentes ocorridos nos céus do
Egipto, em Beirute, Paris, Bamaco e Túnis.
Aos nossos irmãos, perseguidos
em muitas partes do mundo por causa da sua fé, o Menino Jesus dê consolação e
força.
Paz e concórdia, pedimos para as
queridas populações da República Democrática do Congo, do Burundi e do Sudão do
Sul, a fim de se reforçar, através do diálogo, o compromisso comum em prol da
edificação de sociedades civis animadas por sincero espírito de reconciliação e
compreensão mútua.
Que o Natal traga verdadeira paz
também à Ucrânia, proporcione alívio a quem sofre as consequências do conflito
e inspire a vontade de cumprir os acordos assumidos para se restabelecer a
concórdia no país inteiro.
Que a alegria deste dia ilumine
os esforços do povo colombiano, para que, animado pela esperança, continue
empenhado na busca da desejada paz.
Onde nasce Deus, nasce a
esperança; e, onde nasce a esperança, as pessoas reencontram a dignidade. E,
todavia, ainda hoje há multidões de homens e mulheres que estão privados da sua
dignidade humana e, como o Menino Jesus, sofrem o frio, a pobreza e a rejeição
dos homens. Chegue hoje a nossa solidariedade aos mais inermes, sobretudo às
crianças-soldado, às mulheres que sofrem violência, às vítimas do tráfico de
seres humanos e do narcotráfico.
Não falte o nosso conforto às
pessoas que fogem da miséria ou da guerra, viajando em condições tantas vezes
desumanas e, não raro, arriscando a vida. Sejam recompensados com abundantes
bênçãos quantos, indivíduos e Estados, generosamente se esforçam por socorrer e
acolher os numerosos migrantes e refugiados, ajudando-os a construir um futuro
digno para si e seus entes queridos e a integrar-se nas sociedades que os
recebem.
Neste dia de festa, o Senhor dê
esperança àqueles que não têm trabalho e sustente o compromisso de quantos
possuem responsabilidades públicas em campo político e económico a fim de darem
o seu melhor na busca do bem comum e na protecção da dignidade de cada vida
humana.
Onde nasce Deus, floresce a
misericórdia. Esta é o presente mais precioso que Deus nos dá, especialmente
neste ano jubilar em que somos chamados a descobrir a ternura que o nosso Pai
celeste tem por cada um de nós. O Senhor conceda, particularmente aos
encarcerados, experimentar o seu amor misericordioso que cura as feridas e
vence o mal.
E assim hoje, juntos, exultemos
no dia da nossa salvação. Ao contemplar o presépio, fixemos o olhar nos braços
abertos de Jesus, que nos mostram o abraço misericordioso de Deus, enquanto
ouvimos as primeiras expressões do Menino que nos sussurra: «Por amor dos meus
irmãos e amigos, proclamarei: “A paz esteja contigo”»! (Sal 122/121, 8). ............................................................................................................................................................... Assista:
Como são belos, andando sobre os montes, os pés de quem anuncia e prega a paz, de quem anuncia o bem e prega a salvação, e diz a Sião: 'Reina teu Deus!' Ouve-se a voz de teus vigias, eles levantam a voz, estão exultantes de alegria, sabem que verão com os próprios olhos o Senhor voltar a Sião. Alegrai-vos e exultai ao mesmo tempo, ó ruínas de Jerusalém, o Senhor consolou seu povo e resgatou Jerusalém. O Senhor desnudou seu santo braço aos olhos de todas as nações; todos os confins da terra hão de ver a salvação que vem do nosso Deus. santidade e justiça, em sua presença, todos os nossos dias. E tu, Menino, serás chamado profeta do Altíssimo, pois irás adiante do Senhor para preparar-lhe os caminhos, anunciando ao seu povo a salvação, pelo perdão dos seus pecados. Graças à misericordiosa compaixão do nosso Deus, o sol que nasce do alto nos visitará, para iluminar os que jazem nas trevas e nas sombras da morte, e dirigir nossos passos no caminho da paz.'
Muitas vezes e de muitos modos falou Deus outrora aos nossos pais, pelos profetas; nestes dias, que são os últimos, ele nos falou por meio do Filho, a quem ele constituiu herdeiro de todas as coisas e pelo qual também ele criou o universo. Este é o esplendor da glória do Pai, a expressão do seu ser. Ele sustenta o universo com o poder de sua palavra. Tendo feito a purificação dos pecados, ele sentou-se à direita da majestade divina, nas alturas. Ele foi colocado tanto acima dos anjos quanto o nome que ele herdou supera o nome deles. De fato, a qual dos anjos Deus disse alguma vez: 'Tu és o meu Filho, eu hoje te gerei'? Ou ainda: 'Eu serei para ele um Pai e ele será para mim um filho'? Mas, quando faz entrar o Primogênito no mundo, Deus diz: 'Todos os anjos devem adorá-lo!'
No princípio era a Palavra, e a Palavra estava com Deus; e a Palavra era Deus. No princípio estava ela com Deus. Tudo foi feito por ela e sem ela nada se fez de tudo que foi feito. Nela estava a vida, e a vida era a luz dos homens. E a luz brilha nas trevas, e as trevas não conseguiram dominá-la. Surgiu um homem enviado por Deus; seu nome era João. Ele veio como testemunha, para dar testemunho da luz, para que todos chegassem à fé por meio dele. Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz: daquele que era a luz de verdade, que, vindo ao mundo, ilumina todo ser humano. A Palavra estava no mundo - e o mundo foi feito por meio dela - mas o mundo não quis conhecê-la. Veio para o que era seu, e os seus não a acolheram. Mas, a todos que a receberam, deu-lhes capacidade de se tornarem filhos de Deus, isto é, aos que acreditam em seu nome, pois estes não nasceram do sangue nem da vontade da carne nem da vontade do varão, mas de Deus mesmo. E a Palavra se fez carne e habitou entre nós. E nós contemplamos a sua glória, glória que recebe do Pai como filho unigênito, cheio de graça e de verdade. Dele, João dá testemunho, clamando: 'Este é aquele de quem eu disse: O que vem depois de mim passou à minha frente, porque ele existia antes de mim'. De sua plenitude todos nós recebemos graça por graça. Pois por meio de Moisés foi dada a Lei, mas a graça e a verdade nos chegaram através de Jesus Cristo. A Deus, ninguém jamais viu. Mas o Unigênito de Deus, que está na intimidade do Pai, ele no-lo deu a conhecer.
Jesus, anunciado pelos profetas e enviado pelo Pai, veio trazer-nos a luz do alto para nos dar oportunidade de enxergar o que está acontecendo dentro do ser humano, na sociedade em geral e na natureza. Quem está acostumado a viver na escuridão, não é capaz de vislumbrar a configuração dos seres a seu redor. Mas o ser humano às vezes carece também dos outros sentidos, além da visão. Por isso, a luz trazida pelo Filho de Deus é curativa de todos os sentidos, para que o ser humano se perceba e note também os outros como filhos de Deus. Antes da vinda do Menino-Deus a total escuridão pairava na caminhada humana. Agora, quem se deixa curar por Ele é capaz de se perceber na história como pessoa, na sua dignidade de regenerada e feliz. Os percalços da caminhada são apenas meios de nos colocar humildes, assumindo a verdade de nossos limites e considerando a grandeza de Deus, que nos faz superar tudo na convivência da justiça e do amor.
Todo o amor de Deus na ternura de um Menino
O Natal de Jesus nos dá a certeza de que não temos apenas uma criança humana nascida entre nós. É um Deus que se faz humano para nos divinizar e no elevar à categoria de filhos do Criador. Por isso, tudo o que é desordem, agressão à natureza e ao semelhante - as guerras, as explorações de uns sobre outros, as injustiças, as discriminações, as exclusões sociais e o desrespeito à dignidade da vida, da família e dos deixados de lado - será modificado pelos que aceitam a luz de Cristo, saneadora do coração humano para que ele produza vida e não morte.
Como é bom celebrar o Natal com a experiência pessoal e comunitária dessa nova Luz que vem do alto, e modifica completamente nosso visual da vida, para a prática da nova convivência. Esta será humanizada pelo divino que se torna também humano. Precisamos ser mais humanos nesta terra que Deus nos deu para dela cuidarmos com carinho, fraternidade e justiça. Somente teremos paz quando aceitarmos essa luz que nos faz enxergar a vida com os olhares do Cristo que vai à nossa frente, mostrando o novo caminho de solução para a problemática existencial!
De agora em diante teremos uma vida diferenciada porque deixamos o Emanuel nascer dentro de nossos corações, lares e sociedade. Não se trata simplesmente da comemoração de um aniversário com guloseimas e ares externos de enfeites. O Natal de Jesus é compromisso de vida, iluminada com seu amor, seu exemplo e sua doação de vida, submetendo-se a tudo o que é humano, menos o mal, para nos fortalecer na dinâmica do amor, do altruísmo e da prática das virtudes, baseado na justiça misericordiosa. Esta nos faz imitar o exemplo de Jesus, que nos dá simplesmente o que merecemos, mas o que precisamos. O perdão é essencial. O serviço ao outros nos humaniza e nos faz viver na filiação divina de adotados, mas considerados realmente como filhos.
Nossa alegria com a vinda de Deus humanizado é incomensurável: “O povo que andava na escuridão viu uma grande luz; para os que habitavam nas sombras da morte, uma luz resplandeceu. Fizeste crescer a alegria e aumentaste a felicidade” (Isaías 9,1-2).
Dom José Alberto Moura - Arcebispo Metropolitano de Montes Claros
(Rádio Vaticano)
– O Papa presidiu à tradicional Missa do Galo da noite de Natal, na Basílica de
São Pedro. Francisco recordou que, a partir desta noite em que “resplandece uma
grande luz”, “não há espaço para a dúvida e a indiferença”.
Abaixo, a
íntegra da homilia do Papa:
***
Francisco na homilia
Nesta noite,
resplandece “uma grande luz” (Is 9, 1); sobre todos nós, brilha a luz do
nascimento de Jesus. Como são verdadeiras e atuais as palavras que ouvimos do
profeta Isaías: “Multiplicaste a alegria, aumentaste o júbilo” (9, 2)!
O nosso coração
já estava cheio de alegria vislumbrando este momento; mas, agora, aquele
sentimento multiplica-se e é abundante, porque a promessa se cumpriu:
finalmente realizou-se. Júbilo e alegria garantem-nos que a mensagem contida no
mistério desta noite provém verdadeiramente de Deus.
Dúvida e
indiferença
Não há lugar
para a dúvida; deixemo-la aos céticos, que, por interrogarem apenas a razão,
nunca encontram a verdade. Não há espaço para a indiferença, que domina no
coração de quem é incapaz de amar, porque tem medo de perder alguma coisa. Toda
a tristeza é afastada, porque o Menino Jesus é o verdadeiro consolador do
coração.
Nasceu o filho
de Deus
Hoje, o Filho de
Deus nasceu: tudo muda. O Salvador do mundo vem para Se tornar participante da
nossa natureza humana: já não estamos sós e abandonados. A Virgem oferece-nos o
seu Filho como princípio de vida nova. A verdadeira luz vem iluminar a nossa
existência, muitas vezes encerrada na sombra do pecado.
Hoje descobrimos
de novo quem somos! Nesta noite, fica claro o caminho que temos de percorrer
para alcançar a meta. Agora, deve cessar todo o medo e pavor, porque a luz nos
indica a estrada para Belém. Não podemos permanecer inertes. Não nos é
permitido ficar parados. Temos de ir ver o nosso Salvador, deitado numa
manjedoura. Eis o motivo do júbilo e da alegria: este Menino “nasceu para nós”,
foi-nos “dado a nós”, como anuncia Isaías (cf. 9, 5).
A um povo que,
há dois mil anos, percorre todas as estradas do mundo para tornar cada ser
humano participante desta alegria, é confiada a missão de dar a conhecer o
“Príncipe da paz” e tornar-se um instrumento eficaz d’Ele no meio das nações.
Silenciar
Por isso, quando
ouvirmos falar do nascimento de Cristo, permaneçamos em silêncio e deixemos que
seja aquele Menino a falar; gravemos no nosso coração as suas palavras, sem
afastar o olhar do seu rosto. Se O tomarmos nos nossos braços e nos deixarmos
abraçar por Ele, nos dará a paz do coração que jamais terá fim.
Este Menino
ensina-nos aquilo que é verdadeiramente essencial na nossa vida. Nasce na
pobreza do mundo, porque, para Ele e sua família, não há lugar na hospedaria.
Encontra abrigo e proteção num estábulo e é deitado numa manjedoura para
animais.
Sobriedade
E todavia, a
partir deste nada, surge a luz da glória de Deus. A partir daqui, para os
homens de coração simples, começa o caminho da verdadeira libertação e do
resgate perene. Deste Menino, que, no seu rosto, traz gravados os traços da
bondade, da misericórdia e do amor de Deus Pai, brota – em todos nós, seus
discípulos, como ensina o apóstolo Paulo – a vontade de “renúncia à impiedade”
e à riqueza do mundo, para vivermos “com sobriedade, justiça e piedade” (Tt 2,
12).
Ao Menino Jesus todas as homenagens
Numa sociedade
frequentemente embriagada de consumo e prazer, de abundância e luxo, de
aparência e narcisismo, Ele chama-nos a um comportamento sóbrio, isto é,
simples, equilibrado, linear, capaz de individuar e viver o essencial.
Num mundo que
demasiadas vezes é duro com o pecador e brando com o pecado, há necessidade de
cultivar um forte sentido da justiça, de buscar e pôr em prática a vontade de
Deus. No seio duma cultura da indiferença, que não raramente acaba por ser cruel,
o nosso estilo de vida seja, pelo contrário, cheio de piedade, empatia,
compaixão, misericórdia, extraídas diariamente do poço de oração.
Como os pastores
de Belém, possam também os nossos olhos encher-se de espanto e maravilha,
contemplando no Menino Jesus o Filho de Deus. E, diante d’Ele, brote dos nossos
corações a invocação: "Mostra-nos, Senhor, a tua misericórdia, concede-nos
a tua salvação" (Sal 85/84, 8).
“Eu vos anuncio uma grande alegria, que o será para todo o povo:
hoje, na cidade de Davi, nasceu para vós um salvador, que é o Cristo Senhor.” (Lc 2,10-11)
Feliz
e abençoado Natal aos seguidores, amigos e leitores d’O Paraíso de José!
Que
o Menino Jesus, maior presente que homens e mulheres receberam de Deus, proporcione
a todos saúde, alegria e muita paz, a verdadeira paz anunciada pelos anjos na
linda Noite de Belém!
O Arcebispo de Pouso Alegre, Dom José Luiz Majella
Delgado – C.Ss.R., enviou às paróquias uma Mensagem de Natal, que deverá deve ser
apresentada aos fiéis. Leia a mensagem na íntegra:
Aos sacerdotes,
diáconos, religiosos e religiosas,
leigos e leigas comprometidos e todo o povo
de Deus:
Dom Majella
Nesta solenidade
do Natal do Senhor, dirijo-me a vocês, diletos filhos e filhas de toda a Igreja
particular de Pouso Alegre à olhar o rosto misericordioso de Deus no presépio
em Belém, que veio na carne de forma que fosse visto, de forma que fosse tocado,
de forma que fosse abraçado. Esta é a experiência da misericórdia na terra:
abraçar humilde o nosso humilde Deus Jesus. O Deus feito criança bem
pequenininha, que se fez próximo, que se pôs ao alcance do olhar, ao alcance do
coração, ao alcance das mãos, das mãos que o podem abraçar.
Celebramos o
Natal, o nascimento do Filho de Deus que se fez homem e é uma só pessoa –
verdadeiro homem e verdadeiro Deus – e sofreu padecimentos e morte para salvar
o gênero humano. Deus se fez homem por amor. Por amor à humanidade Deus enviou
o seu Filho para a curar, regenerar, recriar, renovar. “Para salvar, para
reconduzir a ovelha perdida ao redil (Lc 15,3-7) repor no porta-moedas as
dracmas perdidas pela mulher (Lc 15,8-10)”.
A nossa
Arquidiocese de Pouso Alegre formada por uma região de forte tradição
religiosa, famílias cristãs, cidades pequenas e áreas rurais onde a presença da
Igreja tem grande centralidade é chamada neste Natal a fazer o caminho da
misericórdia acolhendo os perdidos, os fracassados, os maus, aqueles que
ninguém suporta. O Papa Francisco fala da alegria de quem pratica a
misericórdia, segundo o Pai: “Precisamos sempre de contemplar o mistério da
misericórdia. É fonte de alegria, serenidade e paz. É condição da nossa
salvação. Misericórdia: é a palavra que revela o mistério da Santíssima
Trindade. Misericórdia: é o ato último e supremo pelo qual Deus vem”. (Misericordiae
Vultus, 2)
Que sejamos misericordiosos como o Senhor é misericordioso!
Desejo que o
Natal seja vivido não só como uma festa exterior, mas como oportunidade de
acolher e praticar a misericórdia, contribuindo assim para a renovação das
relações humanas e a paz. Somos todos necessitados de misericórdia.
Que em 2016
possamos cultivar a misericórdia que nos liberta, nos ajuda a reconhecer a
bondade infinita da Trindade Santíssima, que nos revela a verdadeira grandeza e
dignidade do homem.
Invoco a
intercessão de Maria, a Mãe da Misericórdia, para que nos ajude a sermos
misericordiosos entre nós como Deus é misericordioso para conosco e concedo a
cada um a bênção do Senhor,
Feliz Natal!
Prospero Ano Novo!
Dom José Luiz
Majella Delgado, C.Ss.R. - Arcebispo Metropolitano de Pouso Alegre .............................................................................................................................................................